• Cláudia Roberta Sies Kubala
  • 25 Janeiro 2020

 

Não há como não notar que muitos religiosos passaram a ganhar notoriedade ao longo dos últimos anos, se transformando em grandes referências para aqueles que desejam adquirir um maior conhecimento sobre a doutrina católica, como os padres Paulo Ricardo e Gabriel Vila Verde, além de grupos de estudos e defesa da fé como o Centro Dom Bosco.


Para compreendermos um pouco mais sobre este fenômeno, recordemos a terceira lei de Newton: "A toda ação sempre há uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos".


Em um país de maioria cristã, observamos um massivo ataque a tudo o que é mais sagrado para aqueles que professam sua fé em Cristo. Hóstias com inscrições chulas e imagens sacras corrompidas apresentadas em museus, filmes onde Jesus e Maria são amplamente denegridos, além de sambas enredo que carregam um tom provocativo em sua essência.


Mas qual seria a intenção por trás destes atos? A história revela que ditadores como Hitler e Lênin, se utilizavam dos meios de comunicação para humilhar e vilipendiar a crença de judeus e cristãos. A antiga União Soviética, por exemplo, possuía o objetivo de eliminar completamente todas as religiões as substituindo pelo ateísmo universal, o promovendo em escolas e investindo na ridicularização dos religiosos. Este foi o passo que antecedeu a destruição de templos e igrejas, culminando na perseguição e morte daqueles que não abriram mão de sua fé.


Não é raro observar ataques orquestrados em jornais, revistas e redes sociais a pessoas e instituições que buscam defender sua crença. Lembrando que estes "Novos Cruzados" não se utilizam de espadas ou violência física para destruir seus oponentes. Sua intenção é disseminar o conhecimento, disponibilizando textos, livros, aulas e vídeos com embasamento científico e religioso, oferecendo, desta forma, uma poderosa arma aos fiéis. São chamados de medievais, retrógrados, entre tantos outros adjetivos utilizados com a intenção de feri-los, mas, curiosamente, esta ação vêm surtindo um efeito contrário, que pode ser percebido através do número crescente de pessoas que se dedicam a combater ideologias que promovem o aborto, o consumo de drogas e a destruição da família.


Em um mundo onde igrejas e templos são profanados e milhares de cristãos são perseguidos, presos ou mortos em mais de 50 países, não há como deixar de agradecer pela coragem e determinação de homens e mulheres que se empenham na defesa daquilo que lhes é mais precioso: os ensinamentos que nos foram oferecidos por Nosso Senhor Jesus Cristo.
 

Continue lendo
  • Alex Pipkin, PhD
  • 23 Janeiro 2020

 


É inacreditável como neste país, palavras como liberdade, liberdade de expressão, democracia, estado de direito - e outras tantas - foram sorrateiramente pervertidas em nome de ideologias criminosas.

Vejamos o caso do envolvimento do “jornalista” Glenn Greenwald em relação ao hackeamento de informações.

Em meu juízo, o Ministério Público está levantando questão essencial de distinção entre sigilo da fonte de um jornalista - algo inviolável - da efetiva participação do jornalista em crime de fato!

Há factuais evidências criminosas. É isso que precisa ser investigado!
Agora, utilizar dessas palavras-senhas da impunidade, tais como liberdade de imprensa, para se continuar com o conhecido e famoso ambiente brasileiro de corrupção e roubalheira, é de uma sem-vergonhice e imoralidade aterrorizante!

Além disso, como envolve interesses de uma corja de elementos já denunciados e condenados pela justiça, constitui-se num absurdo ainda maior.

Por que será que tais senhas da impunidade são proferidas a fim de se evitar uma investigação mais profunda?

Chocante constatar que uma parte de advogados - aqueles que deveriam ter como bem maior o senso de justiça - apega-se a essas senhas para paladianamente defender o indefensável e, assim, trabalhar fortemente para que o terreno verde-amarelo continue sendo o solo da impunidade e da corrupção que assola os brasileiros e o mundo.

Não venham bancar os apologistas da democracia, da liberdade, dos direitos individuais...; o que se quer mesmo é a manutenção de um país imoral e pobre, justamente por tais aberrações que perpetuam injustiça, privilégios de poderosos, cultura da impunidade e subdesenvolvimento, que são os verdadeiros responsáveis pelo signo de “país do futuro”. Palavras matam e submetem a pobreza e a fome.

Até quando atitudes e ações como esta continuarão atravancando o progresso nacional?

Que PAÍS é este?!
 

Continue lendo
  • Padre Paulo Ricardo
  • 23 Janeiro 2020

Dentro do pensamento marxista, mais especificamente do pensamento marxiano[1], a religião e a teologia fazem parte de uma superestrutura, de algo que não faz parte da infraestrutura que move a história, ou seja, a economia[2]. O pensamento revolucionário posterior a Marx, porém, começou a perceber a importância da cultura, da superestrutura[3]. Marx considerava a religião como ópio do povo. Na Rússia, o stalinismo/leninismo tentou abolir a religião, mas Gramsci e a escola de Frankfurt descobriram que a cultura é, de alguma forma, a religião exteriorizada. Todos parecem ter uma visão religiosa do mundo e a cultura seria a exteriorização desta visão de mundo.

Feuerbach afirmava que toda a teologia é uma antropologia, pois dizia que tudo aquilo que se afirmava a respeito de Deus, que todas as afirmações religiosas podiam ser reduzidas a afirmações antropológicas. A religião parece, desta forma, ser uma projeção da humanidade na divindade. Feuerbach entende que a teologia é uma antropologia alienada. A Teologia da Libertação se esforça para seguir essa cartilha, pois é a imanentização[4] da religião cristã e de qualquer outra religião[5]. Tudo aquilo que se refere a Deus é relido em chave antropológica, mais especificamente em linguagem sociológica. Todo o conteúdo do sagrado e do transcendente é esvaziado na imanência humana.

Assim, uma das características básicas da Teologia da libertação é a negação de uma esperança transcendente. Não se espera o reino de Deus na transcendência, mas sim na imanência deste mundo. Seu golpe, porém, se caracteriza pelo fato de se afirmar que a transcendência se encontra no futuro. Mas, o futuro também é imanente, pois pertence à realidade desse mundo.

Essa afirmação do futuro como transcendente é própria do marxismo[6], ao se utilizar de um imanentismo fraco, afirmando que o sentido do hoje está no amanhã[7]. O marxista adia a crise de sentido diante de uma possibilidade de futuro. Mas, se o sentido do hoje é o amanhã, qual o sentido do amanhã? Qual o sentido da sociedade do futuro? Se a vida tem sentido, este sentido, necessária e logicamente, estará fora da vida. O único caminho para que a história tenha sentido é falar de uma meta-história, de algo transcendente.

O Reino dos Céus, conteúdo da fé cristã, não é o reino do amanhã, mas é o reino do além, da eternidade, eternidade que irrompeu na história humana e se fez carne. O transcendente, o sentido de tudo, o logos se fez presente na história humana. Exatamente por isso tornou-se alcançável, tangível[8]. O esforço da teologia será o de mostrar que esta aparente contradição não trai a racionalidade, mas a aperfeiçoa. A verdadeira teologia é uma tentativa de reflexão que tenta conciliar os paradoxos e aparentes contradições da fé[9] com a racionalidade.

Um "teólogo" da libertação não se move por esse mesmo caminho. Sua argumentação irá mudar quantas vezes forem necessárias até a realização do seu intento. Não existe nenhuma dificuldade em abandonar qualquer estereótipo. Tudo o que for necessário para favorecer a revolução será feito, pois qualquer argumento só tem validade enquanto convence. Se não convencer será descartado. É por isso que os teólogos tradicionais tem uma dificuldade imensa de compreender a forma de pensar de um teólogo da libertação, pois a lógica aristotélico-tomista, a todo o momento, percebe a falta de coerência lógica dos marxistas[10]. Na realidade, não seguem a lógica de Aristóteles, pois Gramsci já indicou o caminho: bom é aquilo que ajuda a revolução, mau é aquilo que atrapalha.

Para se dialogar com um marxista é preciso inverter o caminho costumeiro da argumentação, já que ele parte do primado da práxis sobre a teoria, sabendo o que quer fazer e, num segundo momento, cria a teoria para justificar a sua práxis. E, nesse caminho, o grande adversário a ser combatido é o cristianismo, ópio do povo, pois aliena 'o povo' da luta pela implantação de uma sociedade justa e sem classes através da pregação do reino dos céus. Tudo o que faça com que o povo não lute, não serve e não deve existir.

O povo deve ser engajado num processo de engenharia social e a religião deve ser metamorfoseada quantas vezes forem necessárias para ajudar nesse processo. O revolucionário não busca a verdade, pois não crê em sua existência. E uma vez que o marxismo viu que não conseguia destruir a Igreja a partir de fora (Revolução Russa, Gulags, Guerra Civil Espanhola) partiu para uma nova tática: infiltrar-se na Igreja, através da teologia da libertação, que se constituiu num projeto de engenharia social que, a partir da própria Igreja, buscou fazer com que a Igreja mudasse a sua própria natureza, constituindo-se numa força para ajudar a concretizar a revolução social. A tentativa: fazer com que o cristianismo deixe de ser visto como é, um acontecimento e passe a ser visto como uma realidade mental

Referências


1. Marxiano = pensamento específico de Marx.

2. Segundo Marx, a história se move a partir de interesses econômicos.

3. Por isso, o marxismo cultural é por muitos teóricos considerado heterodoxo, exatamente por se desviar do ponto central do pensamento de Marx, valorizando mais a cultura do que a economia.

4. Considerar como válido somente o que é da experiência, palpável, empírico em detrimento de toda a realidade que remeta ao transcendente.


5. Hans Küng tem proclamado uma ética mundial, na qual faz uma conferência sobre cada uma das religiões, relidas de forma imanentista, pois elas servem enquanto força de inconsciente coletivo, dos arquétipos que pode ser manipulada para produzir a sociedade que se deseja, o combustível que pode ser utilizado num projeto de engenharia social. A finalidade da religião é assim, imanente.

6. Um imanentista em sentido pleno é um existencialista, pois vê que a vida não tem sentido, pois este mundo daqui é tudo que existe. Portanto, não há sentido fora do mundo. Os existencialistas merecem o nome de filósofos, uma vez que levam o ateísmo até as últimas consequências, mostrando que, já que Deus não existe, só sobra o desespero para o ser humano.

7. A Teologia da Libertação, desta forma é a aplicação eclesial do "dogma" marxista, pois apresenta o sentido da Igreja como a Igreja do amanhã, que é tecnicamente chamada de Reino de Deus.

8. Este é o grande paradoxo do cristianismo. O esforço teológico é o de explicar que o que é aparentemente contraditório é algo profundamente lógico.

9. Sendo assim, não existe, verdadeiramente uma teologia da libertação, mas sim uma ideologia, já que ideologia é uma série de ideias e de reflexões que servem para justificar interesses de classes, interesses de engenharia social. A teologia da libertação é, na verdade, uma ideologia a serviço de uma engenharia social.

        10. Acusam de homossexualismo quem usa batina e defendem o casamento homossexual. É conveniente chamar de homossexual quem usa batina e no momento seguinte defender a sacralidade da relação homossexual, para destruir a estrutura da sociedade patriarcal.

    *Publicado originalmente em https://padrepauloricardo.org/aulas/teologia-da-libertacao-e-sua-influencia-na-igreja, em 2012.

Continue lendo
  • Alex Pipkin, PhD
  • 17 Janeiro 2020

 


Estava eu divagando pelo face, quando topei com uma linda mensagem e frase na minha timeline, de Mia Couto!

Nobre e fraternal, mas pueril e verdadeiramente infecunda!

"A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos."

Vamos lá:
A frase expressa fidedignamente a mentalidade de uma turma que ao invés de preocupar-se com a melhoria de vida dos mais necessitados, está mesmo destilando seus sentimentos reais de ódio, inveja e rancor por àqueles que empreendem, correm riscos, empregam, criar maiores laços associativos e de solidariedade voluntários entre pessoas, criam, testam, passam pelo crivo democrático dos consumidores, melhoram a vida das pessoas e das sociedades como um todo e, assim, lucram, ganham dinheiro e, se continuarem melhor satisfazendo e resolvendo o problema de indivíduos e empresas, enriquecem!

Que mal há nisso??!!

É esse pensamento que deseja enaltecer as vicissitudes da pobreza, contrariamente as virtudes daqueles que fazem, correm riscos, acertam para o bem de todas as sociedades que, factualmente, empobrece e continua a prosperar e impactar negativamente no imaginário, em corações, mentes e ações humanas em pleno século XXI!

Esse pensamento enviesado e equivocado, ingenuamente, não se dá conta de que até para se manter grandes fortunas conquistas pelos "velhos ricos" de outrora, é preciso sistematicamente cuidar do capital e empregá-lo bem para que ele não termine...

Essa mentalidade do maná, utópica, erroneamente crê que o dinheiro é produzido com um simples "bater de palmas", gerando mais distorções, conflitos e atraso!

Esquecem-se eles que a vida real - dura para todos - é feita não só de muitos direitos, mas de várias triviais e sublimes obrigações!

Mal sabem eles que, normalmente, são os grandes "ricos" que realizam as maiores atividades de filantropia no mundo. Evidentemente que sem necessitar mostrá-las sob os holofotes midiáticos!

Minha frase: "A maior desgraça de uma nação pobre, é continuar cultivando uma mentalidade tacanha, invejosa, eivada de ódio e rancor àqueles que produzem riqueza, estimulando vícios do fracasso ao invés das virtudes do sucesso"!

Não há como não desacreditar uma infinidade de sofistas bondosos da perfectibilidade humana.

Óbvio que a farsa socialista da pureza humana não deu certo em nenhum lugar do mundo! Realizaram violência, mortes e miséria.

Pragmaticamente, o desenvolvimento das civilizações e a foto do dia real, como em Cuba e na Venezuela, ilustram cabalmente a indignidade humana e a miséria experienciada por homens e mulheres que vivem esmagados pela ditadura de socialistas desumanos.

O antiamericanismo, p.e., nasce do fundamentalismo religioso e ideológico encarnado e sangrento, que insufla sentimentos de ódio, inveja e rancor ao sucesso de pessoas que esforçam-se por conta própria para empreender e inovar sistematicamente, melhorando a vida de todos!

A lógica implacável do mercado - livre de fato - evidencia a virtude do indivíduo concretamente, ao invés de abstrações coletivistas de igualdade e justiça social. É o sistema da racionalidade da verdadeira liberdade individual! Inverossímil liberdade com igualdade...

A economia de mercado e o "mágico" mecanismo de preços, só não funcionam adequadamente quando burocratas e políticos desonestos e intervencionistas tentam burlá-los através de ingerências para proveito próprio.

O mundo civilizado evolui. Mas ainda há homens e mulheres "grandes" que religiosamente continuam a se autoenganarem com a crença hipócrita da perfectibilidade humana, que genuinamente esbugalha o ódio, a inveja e o rancor pelo êxito da liberdade individual.

Esses perversos desejam desencorajar e estigmatizar a capacidade do indivíduo em assumir responsabilidades e inventar soluções no mercado, para todos, e para o rumo de sua própria vida.

A propriedade privada é a benção e a recompensa do esforço e resultado individual do trabalho humano.

Que exemplo mais encorajador poderíamos ter, estampado em pessoas que empreendem e tornam-se ricas por conta de seus próprios méritos?

Solene e humano modelo e estímulo vigoroso, patenteando que outros indivíduos e países também podem - responsavelmente - chegarem lá!

 

Continue lendo
  • Fernando Fabbrini
  • 17 Janeiro 2020

 

'Cedo ou tarde, a moça rica quer saber de onde vem tanto dinheiro, a grana que pagou as viagens pelo mundo, os presentes, as fazendas da família.'

  A menina nasceu de uma família riquíssima, mas crianças não sabem muito bem o que é riqueza ou o que é pobreza até certa idade. Apenas vivem sonhos e sucessivas maravilhas; passeiam na Disney mais que as outras; viajam de primeira classe, ganham presentes absurdos, mais caros e luxuosos se comparados com os dos amiguinhos. Seus aniversários são os mais chiques da cidade; têm fotos nas colunas sociais ao lado dos pais sorridentes e dos avós orgulhosos.

Crianças ricas, enfeitadas e perfumadas são sempre lindas, inteligentes, espertas, gracinhas, gênios precoces acima da média – assim são tratadas e bajuladas pelos amigos dos pais, pelos professores, pelas vendedoras do shopping, pelos fotógrafos, pelas babás. A vida é linda, e o dinheiro faz todo mundo feliz.

Quando chega a adolescência, melhora ainda mais. O dinheiro misterioso – mas onipresente – compra delícias da juventude; banca festas deslumbrantes de 15 anos; bailes inesquecíveis com chuvas de pétalas, cantores da moda, vestidos longos exclusivos de grife, beijinhos de artistas famosos, pilequinhos socialmente aceitos.
Adolescentes ricos logo crescem, passam dos 18, caem na farra, não perdem um agito. Bebem muito, se metem em confusões, ganham carros importados, destroem alguns – às vezes com vítimas. Porém, se safam de todas as encrencas porque o dinheiro surge novamente nos bastidores, milagroso e eficiente. Tudo resolvido, sem problemas: vida é só prazer.

Cedo ou tarde, a moça rica quer saber de onde vem tanto dinheiro, a grana que pagou as viagens pelo mundo, os presentes, as fazendas da família. E então compreende que é.... bilionária! Uau! Diferente dos demais, especial, uma classe à parte! E assim, com prazer indisfarçável, nota que não precisa trabalhar para ganhar a vida como seus colegas que batem ponto e suam a camisa. Basta fingir que faz qualquer coisa – e tudo bem.

Daí, com mesada vitalícia garantida, a moça toma consciência de seu poder e resolve se dedicar a alguma atividade importante, essas coisas charmosas que saem nas revistas: estudar arte celta em Edimburgo? Ativismo elegante pela preservação dos rinocerontes na África? Ou, então, entediada, largar tudo desse mundo materialista – exceto a mesada em dólares – e morar no Himalaia, meditando na busca de um sentido para viver?

Cansa-se de tudo, incluindo Buda e cheiro de incenso, basta tirar a túnica alaranjada, os colares, tomar um banho e um voo de primeira classe de volta ao seu apartamento em Paris, Roma, Londres ou Miami. Pode regressar ao conforto e à segurança de seus cartões de crédito sem limites e à generosidade da família, idem.

Certa manhã, a moça acorda com pena dos pobres. Coitadinhos. Participa de debates na Sorbonne, escuta discursos sobre a luta de classes e a mais-valia; lê algumas páginas do livro que a amiga revolucionária lhe disse que era genial. Não entende muito do que lê, mas já se sente empoderada para salvar a democracia, a civilização e o planeta da perversa exploração capitalista das elites. E sai em passeata berrando, sacudindo faixas, braços dados com colegas barbudos.

Um dia, um telefonema urgente do Brasil. A família avisa, alarmada, que a fonte secou. O dinheiro fácil desapareceu. Os negócios não vão bem; clientes outrora fiéis – aqueles que recebiam agrados, levavam malas discretas e cheques espetaculares – sumiram. Alguns estão até presos. A mesada será drasticamente reduzida. “Reduza as despesas, corte os supérfluos!” – dizem a ela, preocupados.

A moça rica está indignada, chuta o abajur art-nouveau do quarto. “Isso não vai ficar assim” – promete a si mesma. E imagina um jeito de se vingar.

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal 'O Tempo'.

** Publicado originalmente em https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/bercos-de-ouro-1.2284680
            

Continue lendo
  • Irineu Berestinas
  • 16 Janeiro 2020

A esquerda de Pindorama (alô, Oswald de Andrade, veja bem onde foi parar o seu 'engenhoso' Matriarcado), a mesma que se engraçou glamourosamente com Hugo Chávez, e agora, com Nicolás Maduro, ditadores de dar água na boca nessa gente que é aficionada de ditaduras, trabalha incansavelmente os seus propósitos, totalmente fora do terreno factível da realidade. Abusa da inteligência do seu público alvo. Ministra sessões para manter o seu rebanho na mais vil e destacada ignorância. De dar pena! Práticas, corajosamente, abjetas! No projeto de Reforma da Previdência, por exemplo, foi assim que tudo sucedeu. Invencionices e magias, a perder de vista... que esses "atores" pretendiam vender como verdade indemonstrável, sempre fugindo de provas e medidas, como o diabo foge da cruz. Agora, por exemplo, num gesto de puro sadismo, deram de postar nas redes sociais que os velhinhos pensionistas da previdência vão perder o mundo e o fundo, em face dos novos dispositivos que regem a matéria. Que perdas haverá, isso é indiscutível! Até porque não se faz omelete sem quebrar os ovos, como diria o Conselheiro Acácio, de Eça de Queiroz, símbolo antológico do lugar-comum cheio de recheios... Mas o que importa é que o sistema previdenciário ficou de pé, ao contrário do que desejavam. O novo apocalipse ficou para outra oportunidade... Sonhavam com a rejeição da PEC. Desdenhavam estatísticas. Pesquisa para essa gente, aliás, somente aquelas cujo objetivo é o de botar o resultado dentro das urnas.

Durante todo o tempo divulgaram que a Reforma não era necessária. Pobre dos aposentados se não tivesse havido o trabalho incansável de demonstração de dados atuariais de Paulo Guedes e Rogério Marinho, de modo a indicar a sua suprema necessidade e a convencer os parlamentares dotados de um mínimo de juízo... Essa gente não estava nem aí se haveria dinheiro ou não para pagar as aposentadorias e pensões. Melhor que não houvesse, é claro!

Vamos ver, logo em seguida, a contribuição da era Lula/Dilma para destacar a necessidade e a urgência da reforma...

Doze milhões de desempregados produzidos na era petista, oriundos da engenhosa política/econômica de Dilma Rousseff, os quais, juntamente com as empresas em tela, deixaram de contribuir com a Previdência Social. Na eleição da Dilma, a promessa de nos conduzir ao paraíso... achei meio estranho chegar até ele por meios das avenidas do Anacoluto... Já os seus marqueteiros de campanha, no encalce de Marina Silva, que crescia, desgarrada, nas pesquisas e admitia soluções civilizadas para o BC, arranjaram, às pressas, uma desconhecida função para o Banco Central Independente, até então desconhecida completamente: a de tirar a comida da mesa dos pobres... Registre-se que, ainda sob os ares seguintes ao "auspicioso" resultado das urnas eletrônicas, foi decretado o aumento do gás de cozinha, da gasolina e da energia elétrica.

 Desastrosamente, a era petista pagou juros estratosféricos sobre a Taxa Selic, que, segundo eles mesmos, são utilizados para engordar o bolso dos banqueiros, com os quais se deram tão bem no exercício do poder, é bom dizer (sobre isso, basta conferir as contribuições dos períodos eleitorais da época). Mais uma falácia que divulgam sem constrangimento, pois, na verdade, 90% dos títulos vinculados à Taxa Selic pertencem às pessoas físicas e às empresas, e não aos bancos.

Por fim, e de quebra, uma dinheirama lascada foi repassada pelo BNDES para os amigões de ideologia na era Lula/Dilma. Tudo se fez com o endividamento público. Dinheiro que foi para a Venezuela (financiamento de viadutos), Cuba (construção do Porto de Mariel), África do Sul (a construção de aeroporto), e mais o financiamentos de obras públicas na Nicarágua e Moçambique. Já a Bolívia de Evo Morales foi aquinhoada com o perdão da dívida que tinha com a Petrobrás, concedido por um boom de samaritanismo de Lula... O Tesouro Nacional, pasmem, foi o avalista desses "empréstimos"! Na verdade, nunca mais vamos ver a cor desse dinheiro. É muita humilhação e escárnio pesando sobre todos os brasileiros...

Toda a grana que será economizada, nestes dez anos vindouros, com a Reforma da Previdência, exigindo dos aposentados e pensionistas um enorme esforço pessoal, ainda assim o dinheiro é menor do que a destinado a ditadores do exterior, amigos de Lula e de Dilma...

No presente momento, os então "instrutores" da Reforma Previdenciária estão por aí, lépidos e faceiros, retornando à histórica missão: a de vasculhar armários e guarda-roupas, à procura de fascistas...

  

Continue lendo