Artigos do Puggina
Percival Puggina
24/08/2025
Percival Puggina
O início dos anos 90, preocupados com a erotização precoce de crianças e adolescentes, levando à gravidez, ao aborto e à prostituição, criamos em Porto Alegre um grupo de leigos para formação da “consciência crítica” das famílias através de palestras nas paróquias da Igreja Católica. Cumprimos essa missão por uns poucos anos. Éramos jovens e a vida nos dispersou para outras paragens e responsabilidades.
Naquela época, a internet sequer operava comercialmente no Brasil. Não havia algo que merecesse o nome de “ambientes digitais”. Não existiam redes sociais. Salvo falha da memória, apenas um membro do grupo, com atuação na área jurídica, tinha computador com impressora. O que mais nos preocupava eram as novelas, os programas de TV e sua influência na erotização precoce.
Por isso, louvei, outro dia, a manifestação do Alexandre do bem, o Garcia, chamando a atenção da audiência do “Oeste Sem Filtro” para o fato de que a tal “adultização” acontece principalmente na programação de emissoras de TV. Ao discorrer sobre o tema, Alexandre Garcia mostrou que o PL contra a adultização chega tarde e esquece o principal.
O foco desse projeto, de tanto interesse do governo, não são crianças e adolescentes. É o controle das redes e a autorização para regulamentar uma “autoridade nacional”, ideia fixa da esquerda que dá as cartas, joga de mão, apita o jogo político, parou o relógio em 8 de janeiro de 2023, e culpa a oposição por todos os erros que comete em cascata.
Se o projeto contra a adultização fosse o que dele é dito, incluiria, obrigatoriamente, a programação das emissoras de TV. Nem uma única vez, porém, o projeto menciona TV, emissora ou televisão, deixando tudo como víamos no início dos anos 90.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
21/08/2025
Percival Puggina
Não é de hoje, nem de ontem. Já transcorreram vários anos durante os quais foi se tornando mais e mais evidente que a maioria do STF deixa de lado as regras do jogo para tomar decisões conforme seu agrado ou em favor de si mesma. Alegando sempre a excepcionalidade do momento, das circunstâncias impostas por inimigos internos ou externos, dos mais elevados princípios e valores, etc., etc., a maioria do Supremo acaba fazendo, sempre, o que melhor lhe convém, como melhor lhe convém. A política entrou por uma porta e a imparcialidade saiu pela outra, aos borbotões, no palavreado dos mandados, entrevistas, palestras e discursos.
A realidade sempre tem um dinamismo próprio, como consequência das forças que nela atuam. Obstar uma delas mediante enquadramentos em inquéritos sem fim neste mundo não impede que subsistam e persistam. Trata-se de algo inevitável, mormente se, sem ouvir o Congresso Nacional e, sem que o tema tenha sido exposto durante a campanha eleitoral (aliás, foi proibido pelo TSE), o governo arrastar o Brasil para um bloco em tudo e por tudo adversário do Ocidente.
É mistificadora a afirmação de que se trata de um bloco autônomo de Estados nacionais, interessado em cuidar de si mesmo para o bem de todos os países-membros. O grupo dos BRICS tem um inimigo comum, explícito, bem conhecido e uma estratégia também comum: destruir o Ocidente (EUA, Reino Unido e União Europeia) por dentro, depreciando os valores de sua cultura e, por fora, debilitando-o economicamente.
Por isso, não se trata de escolher entre Brasil e EUA, mas em escolher entre Brasil + EUA ou Brasil + China.
A Argentina fez a opção correta e deu-se muito bem; o governo brasileiro – o governo, não a nação! – fez o oposto. Só alguém em surto de bulimia ideológica pode querer a segunda opção como futuro para seus filhos e netos, mas é nessa direção que nos empurram sem qualquer autorização. E juram ser “democrático” o inferno onde nos jogaram.
A ânsia por autoproteção e proteção recíproca, nestes exatos dias, está levando o Supremo a impor ao povo o ônus de pagar para que eles, em versão colegiada de Nero, assistam o parquinho pegar fogo do Oiapoque ao Chuí. Sim, se impuserem o que pretendem enquanto escrevo estas linhas, na base do dez por um e um pelos dez, a nação desce os degraus da miséria e o país vai à bancarrota bem além do que Lula já conseguiu. Como Nero responsabilizou os cristãos pelo incêndio, inculparão a direita pela consequência de atos constrangedores que o Ocidente vem presenciando com estupor.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
16/08/2025
Percival Puggina
Em pleno século XXI, na vigência do programa “Mais médicos”, o Brasil petista banalizou o tráfico de escravos. Desta feita, porém, eles não vieram das feitorias portuguesas no litoral africano, mas trazidos, em vilipendiados jalecos brancos, da “Casa Grande” comunista que a revolução de 1959 instalou na nação cubana.
As coberturas do poder político e econômico agasalham pessoas que pensam que os outros não pensam! Por isso, argumentam contra a imposição de sanções a autoridades brasileiras envolvidas com o tráfico de médicos cubanos como se não fosse óbvias as violações de direitos humanos cometidas naquela operação. Falo de transgressões aos princípios da liberdade individual, da dignidade da pessoa humana, da justiça, da equidade, da proporcionalidade, do valor do trabalho. Repugna toda consciência bem formada a ideia de que um país possa alugar seus cidadãos a outro, enviá-los aos magotes, como cachos de banana, beneficiar-se financeiramente dessa operação em proporções escandalosas e ainda fazer reféns as respectivas famílias por garantia da plena execução do mandado.
Os tempos que estamos vivendo mostram que talvez aprouvesse ao nosso regime esquerdista dispor dos brasileiros como coisas suas, assim como os Castro dispunham e seus sucessores dispõem dos cubanos. Virão dessa inspiração a ansiedade por censura, as restrições de direitos, as ameaças do poder e as prisões de natureza política?
Quando ouço discursos contra o capitalismo e a perversidade patronal em sistemas de liberdade econômica, lembro-me de algo que testemunhei como uma de muitas lições sobre a vida num regime comunista. Virara o século e eu estava em Havana, como turista, para ver de perto realidade tão exaltada pela militância esquerdista brasileira. Tinha na minha agenda uma visita à nossa embaixada. Ali, em conversa com a pessoa designada para me atender, ouvi falar pela primeira vez no aluguel de recursos humanos pelo Estado cubano. Contou-me que sua secretária, por exemplo, fora selecionada de uma das agências através das quais o governo de Fidel locava mão-de-obra para representações e empresas estrangeiras que funcionavam no país e no exterior. A agência estabelecera a remuneração mensal em 200 dólares, dos quais a moça recebia o equivalente, em pesos, a 20 dólares. Escândalo! Nove vezes maior, o quinhão de seu generoso patrão, o Estado comunista cubano! Diante de tão miserável realidade, a representação brasileira incluíra a servidora em seus custos e lhe repassava 500 dólares mensais.
Nos anos seguintes, a locação de cubanos no exterior se tornou, de longe, a maior fonte de divisas do país graças à escandalosa mais valia dessas operações. Chocante? Muito mais chocante é saber que o Brasil, em anos petistas, bateu o martelo numa operação gigantesca (cerca de 20 mil seres humanos) e não clamar vergonha, como Castro Alves: “Andrada arranca esse pendão dos ares! Colombo, fecha a porta de teus mares!”. Eu, ao menos, sei que não silenciei. Escrevi vários artigos a respeito. O texto acima coleta fragmentos de alguns deles.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Outros Autores
Reflexões que fiz a partir de conversa que tive com uma estudante de direita, aluna de Humanas em universidade federal.
Um povo que se quer livre não pode explorar a perda de liberdade de outros povos.
Se salvaram, por que não reconheço mais Estado de direito nem democracia no que vejo?
Respeitem a Constituição, que a democracia e a liberdade vêm junto. Basta-me isso e um cafezinho.
Muitos creem que não estarão expostos ao dilúvio a que nos arrastaram. Pensam que haverá lugar privilegiado para eles nas suítes de alguma Arca de Noé. Só que não.
Perfis dos dez tipos de cidadãos que, querendo ou não, contribuíram para o desastre brasileiro.