• Dartagnan da Silva Zanela
  • 04 Junho 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

        É curioso ver que na arena do poder — e fora dela também — muitíssimas pessoas se esforçam para mostrar para todo mundo, menos para Deus, que são pessoas de valor e não sujeitinhos cuja dignidade tem um preço, sempre devidamente atualizado e corrigido pela inflação.

E o que mais chama a atenção é que, quanto mais essas figuras, figurinhas e figurões tentam provar que são criaturas de alma ilibada, mais se enrolam nos próprios pés.

Na verdade, todos nós, em algum momento de nossas vidas, acabamos por cair nesse tipo de esparrela e terminamos por pagar aquele mico existencial nada original de querer posar de detentores de uma dignidade que não nos pertence.

Bem, noves fora zero, há um momento em que todos nós podemos ver com clareza de que material é feito o nosso caráter e qual é a têmpera de nossa alma: é quando estamos diante da morte; da nossa morte.

É quando estamos frente à possibilidade de ficarmos cara a cara com ela que realmente iremos descobrir qual é a envergadura do nosso caráter e a solidez da nossa personalidade.

A título de exemplo, há no prefácio do livro "A sabedoria das leis eternas", do filósofo Mário Ferreira dos Santos, uma descrição sobre os últimos momentos da sua vida que foi narrada por uma de suas filhas.

Contava ela que, quando seu pai estava para partir, pediu aos seus genros que o levantassem do leito porque, segundo ele, um homem deve morrer em pé. Os genros atenderam ao seu pedido e ele, ereto, recitou um Pai-Nosso e morreu.

Morreu da mesma forma que sempre viveu: sendo um filósofo e, como tal, ensinando com destemor a filosofar com suas palavras e, principalmente, com o seu modo de ser.

Sócrates, nos diálogos platônicos, ensinava — com a clareza de uma noite de lua cheia — que filosofar é aprender a morrer, e que aprender a morrer nada mais seria do que aprender a viver verdadeiramente, esforçando-se para realizar plenamente as suas potencialidades e, desta forma, ir lapidando a sua humanidade.

E imagino eu que, por essa razão, ele dizia que uma vida irrefletida seria indigna de ser vivida, do mesmo modo que palavras ditas de forma impensada não mereceriam ser ouvidas.

Dito de outra forma, podemos afirmar que cada um de nós, quando vem a esse mundo, traz um ser em forma bruta que necessita ser cinzelado para tomar a forma potencial que se encontra latente em nossa crueza demasiadamente humana.

Porém, diferentemente de uma estátua de Michelangelo, muitas são as mãos que deixam suas cinzeladas na matéria bruta do nosso ser: nossa família, nossos colegas e amigos, a comunidade, a sociedade, as religiões, as ideologias, a mídia e tutti quanti.

Contudo, independentemente das marcas que foram deixadas por esses inúmeros artífices, há um momento em que somos nós que devemos assumir a obra, para nos tornarmos indivíduos autônomos, capazes de lutar com unhas e dentes para não sermos reduzidos a uma reles figura autômata, que tem seu passo marcado pelo ritmo oco e estridente das forças que nos circundam.

E esse momento decisivo é quando compreendemos que devemos meditar frequentemente a respeito da nossa morte para, no final, entendermos que não se deve temer o nosso destino derradeiro neste vale de lágrimas, mas sim tremer diante da possibilidade de morrermos fazendo o que é errado perante as leis eternas.

É diante desse questionamento que se revelam os homens de valor e o valor de cada homem. O resto, meu amigo, é apenas conversa publicitária.
*          O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS", entre outros livros.

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  • Claudio Apolinário
  • 03 Junho 2026

 

Claudio Apolinario

 

Por que boa parte dos eleitores que dizem querer mudança votam para que tudo fique igual.

Existe uma conversa que se repete em todo ciclo eleitoral no Brasil. O eleitor reclama dos políticos. Diz que são todos iguais. Que não prestam. Que o país só piora. Diz nas rodas de conversa estar decepcionado, mas vai às urnas e vota no mesmo de sempre. Não por ingenuidade. Por escolha. Uma escolha que tem sempre um motivo.

Uma pesquisa do Ipea com vereadores em doze municípios chegou a uma conclusão simples: o candidato se adapta ao que o eleitor aceita. Se o eleitor troca o voto por favores, o candidato oferece favores. Onde o eleitor não topa essa troca, o candidato muda a estratégia.

O eleitor molda o candidato. Não o contrário.

O clientelismo funciona de forma simples. O candidato não promete transformar a cidade. Promete resolver o problema imediato do eleitor. Consertar a rua da frente. Conseguir uma consulta médica. Liberar um benefício. Intermediar um alvará. É uma troca direta, concreta e imediata — muito diferente da proposta de um candidato que fala em mudanças que melhoram a cidade para todo mundo.

No momento da escolha, o imediatismo vence o longo prazo — quase sempre.

E aqui está o ponto que o eleitor precisa encarar sem conforto: cada voto trocado por um favor particular é um voto contra a reforma que tornaria aquele favor desnecessário. É votar naquilo que o eleitor mesmo reclama. É dar ao sistema exatamente o combustível que ele precisa para continuar. É votar pela continuidade do problema que gerou a necessidade da troca.

O favor de hoje tem um preço. E ele é pago em impostos. Em serviços públicos ruins. Em dinheiro público gasto para agradar quem elegeu, não para resolver o que mais precisa. O eleitor que aceita o favor está financiando, com seu próprio imposto, o sistema que o mantém dependente do próximo favor.

Isso é clientelismo. E ele é caro.

Já presenciamos disputas em que candidatos com histórico limpo, propostas sérias e argumentos sólidos perderam para candidatos com máquina montada, distribuição de benefícios e promessas localizadas. Não perderam por desonestidade do eleitor. Perderam porque ofereciam algo difícil de sentir antes do voto — o longo prazo — contra algo fácil de ver agora — o favor do curto prazo.

O voto é uma decisão tomada no presente, com consequências que chegam depois.

O problema não é apenas ético. O problema vai além do certo e errado. Um eleitorado que vota por um favor cria um ambiente onde o bom candidato, para competir, precisa montar uma máquina parecida e aceitar a lógica da troca. Os que se recusam a fazer isso perdem. Os que fazem comprometem exatamente o que os tornava diferentes.

É uma armadilha que o eleitor ajuda a construir toda vez que aceita a troca.

A saída é mais simples do que parece — mas exige uma decisão que o candidato não pode tomar pelo eleitor. Antes de votar, perguntar o que foi entregue, não o que foi prometido. Comparar histórico com discurso. Recusar o favor quando ele vem com um preço embutido. E entender que o candidato que distribui benefícios na campanha vai precisar de orçamento para pagar essa conta depois de eleito — e esse orçamento é pago pelo próprio eleitor.

Bons candidatos perdem quando o eleitor decide que o favor de hoje vale mais do que a cidade, o estado e o país que poderia ter amanhã.

A mudança começa quando o eleitor vota com consciência. Não por troca de favores.

Este é um ciclo que só o eleitor pode quebrar.

*          O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 02 Junho 2026

 

Gilberto Simões Pires        

MOTE

Quando o nosso empobrecido Brasil foi entregue ao comando da presidente Dilma Petista, ela declarou alto e bom som aos quatro cantos do universo, se referindo obviamente aos desastres e déficits que pretendia emplacar: - Nós não vamos colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta.

SEM PARAR

Com base naquela premissa da petista, que foi interrompida em 2016 por conta do impeachment, o firme propósito retornou com força mais do que dobrada a partir de 2023, quando Lula assumiu a presidência. De lá para cá, mais do que sabido, as estatais brasileiras engrenaram uma marcha -SEM PARAR-, de prejuízos fantásticos.

DÉFICIT RECORDE

Pois, ontem, 01, como foi amplamente noticiado, até o mês de abril o ROMBO das estatais federais atingiu um déficit recorde de R$ 5,9 bilhões, SUPERANDO o resultado negativo de todo o ano anterior. Que tal?

SEM AMBIÇÃO

Como a meta foi mais do que dobrada, isto significa que LULA deu um recado a Dilma, mostrando que ela foi pouco ou nada ambiciosa na ARTE DE PRODUZIR ROMBOS. VIVA!

 

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  • Luiz Guedes, adv.
  • 02 Junho 2026

Luiz Guedes, Adv.

Uma análise crítica da PEC 221/19

16 minutos de leitura

 

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos meses, o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou contornos definitivos no cenário legislativo brasileiro. A Câmara dos Deputados aprovou, em maio de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição n. 221/19, que reduz a jornada semanal máxima das atuais 44 para 40 horas, extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a denominada escala 6×1, e assegura dois dias de folga semanais sem redução salarial. O texto, aprovado em segundo turno por 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários, aguarda agora a apreciação do Senado Federal.

A proposta em comento inseriu-se numa agenda de ampla aprovação popular — pesquisa do instituto Datafolha, realizada em março de 2026, indicou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, o que imprimiu ao debate uma dimensão política que frequentemente obscurece a análise técnica dos seus reais efeitos sobre a economia e o mercado de trabalho. Não obstante a legitimidade das demandas sociais que inspiram a medida, mister que o jurista e o pesquisador a examinem com o rigor que a complexidade do tema exige, apartando a simpatia popular da demonstração empírica das consequências da mudança.

Diante desse cenário, surge o problema de pesquisa a seguir: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem correspondente redução salarial, é uma medida capaz de gerar os benefícios econômicos prometidos pelos seus defensores, em especial a criação de novos postos de trabalho e o aumento da produtividade, considerando as características estruturais da economia brasileira?

Como proposta de resposta ao problema de pesquisa acima mencionado, eis a hipótese apresentada: a redução da jornada de trabalho, na forma como aprovada pela Câmara dos Deputados, gerará aumento relevante dos custos trabalhistas para o setor produtivo, não produzirá novas contratações em escala suficiente para compensar esse custo, mormente nas micro, pequenas e médias empresas , e não será acompanhada pelos ganhos de produtividade necessários para neutralizar o encarecimento do trabalho, haja vista o problema estrutural e histórico de estagnação da produtividade total da economia brasileira.

A metodologia adotada será a descritiva e analítica, com base em revisão de estudos econométricos e notas técnicas produzidas por instituições de pesquisa de reconhecida reputação, a saber: a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o Centro de Liderança Pública (CLP), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), bem como de dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presente artigo tem como objetivo geral demonstrar que a aprovação da PEC 221/19 produzirá efeitos econômicos adversos sobre o setor produtivo brasileiro, com impacto desproporcional sobre as micro, pequenas e médias empresas, sem que a prometida melhoria de produtividade apresente fundamento empírico suficiente para neutralizar tais efeitos.

Os objetivos específicos constituem os seguintes: a) analisar o impacto da redução da jornada sobre os custos trabalhistas das empresas; b) examinar a capacidade, ou incapacidade, das micro, pequenas e médias empresas de absorverem o choque de custos sem recorrerem a demissões ou à informalização da mão de obra; c) verificar o histórico de produtividade do trabalho no Brasil nos últimos vinte anos, avaliando a consistência da tese de que a redução da jornada gerará, por si mesma, ganhos compensatórios de eficiência; d) apresentar contrapontos às projeções otimistas que fundamentam a defesa da medida.

Trata-se, portanto, de tema atual e urgente, com consequências práticas e diretas sobre a dinâmica do mercado de trabalho formal, sobre o nível de preços ao consumidor e sobre o potencial de crescimento da economia brasileira. Por essa razão, justifica-se a análise crítica da proposta em comento, especialmente diante da constatação de que a aprovação legislativa se deu sem que tenha sido conduzida qualquer avaliação de impacto regulatório séria e publicamente disponível.

2. O CUSTO TRABALHISTA COMO VARIÁVEL CENTRAL: O QUE DIZEM OS ESTUDOS

A redução da jornada de trabalho sem correspondente redução salarial produz, por uma operação matemática elementar, um encarecimento do custo do trabalho por hora. Se um trabalhador que labora 44 horas semanais passa a trabalhar 40 horas pelo mesmo salário, o empregador está pagando, proporcionalmente, mais por cada hora de trabalho contratada. Essa constatação não é ideológica, é aritmética, e a controvérsia reside não na sua existência, mas na sua magnitude e nas possibilidades de compensação.

Consoante estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas semanais pode provocar uma perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto brasileiro, o que equivale a uma retração de 0,7% do PIB. No caso específico da indústria, o impacto seria ainda mais severo, com queda de 1,2%. Nas palavras do presidente da CNI, Ricardo Alban, “nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações.”

Vale frisar que a CNI não se encontra sozinha nesse diagnóstico. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), utilizando modelo setorial que simula três cenários distintos de compensação de produtividade, projetou que mesmo no cenário mais otimista, aquele que assume um aumento de produtividade de 2% por hora trabalhada, o PIB ainda recuaria 4,2%, diante de uma eventual redução para 36 horas. Setores com jornadas historicamente longas, como transportes e comércio, sofreriam perdas superiores a 12%.

Outrossim, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) calculou que a manutenção dos salários frente à redução da jornada encarecerá o custo do trabalho em 22%. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta elevação de até 15% nos custos com mão de obra no setor. E a Frente Parlamentar da Agropecuária projeta que o custo da mão de obra no campo aumentaria no mesmo patamar de 22%.

Não se olvida que o Ipea, em nota técnica, sustenta que o impacto médio sobre o custo operacional seria de apenas 1%, o que, mesmo em caso de repasse integral ao consumidor, teria efeito limitado sobre os preços. Porém, é de se notar que essa projeção parte de premissas distintas das adotadas pelos estudos do setor produtivo, em especial a premissa de que parte relevante das empresas opera com capacidade ociosa suficiente para absorver o choque sem necessidade de repasse. Essa premissa, como será visto adiante, não encontra sustentação na realidade das micro, pequenas e médias empresas, que compõem a espinha dorsal do mercado de trabalho formal brasileiro.

É, aliás, a economista Marilane Teixeira, pesquisadora da Unicamp e uma das maiores defensoras da medida, quem reconhece que a divergência entre os estudos não é puramente técnica, mas também política: “do ponto de vista dos empregadores, é claro que qualquer mudança é vista a partir do seu negócio.” A observação é pertinente e revela que ambos os lados operam com modelos que incorporam premissas carregadas de escolhas normativas. A diferença, porém, é que as projeções pessimistas partem de pressupostos com maior respaldo na estrutura real da economia brasileira, mormente no que tange ao comportamento das pequenas e médias empresas, e é sobre esse ponto que o argumento do presente artigo se sustenta.

3. O PROBLEMA ESPECÍFICO DAS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

Ao contrário do que ocorre com grandes corporações, que dispõem de margens para absorver o aumento de custos mediante reorganização interna, automação e ganhos de escala, as micro, pequenas e médias empresas operam em patamares de lucratividade muito mais estreitos, o que as torna especialmente vulneráveis a choques exógenos de custo.

Segundo o Centro de Liderança Pública (CLP), caso a jornada seja reduzida para 40 horas sem redução salarial, o custo do trabalho por hora sobe automaticamente, e as grandes empresas poderiam absorver o aumento por reorganização interna e mudanças tecnológicas, mas pequenas e médias enfrentariam compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala, com risco de corte de até 640 mil postos de trabalho formais. João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), sintetiza o problema com precisão: “grandes corporações têm margem para absorver o aumento de custos, mas as menores operam com margens apertadas. Muitas não sobreviveriam.”

Importa mencionar que o próprio Ipea reconhece, em sua análise, que as empresas com até nove funcionários, responsáveis por cerca de 25% do emprego formal, podem sofrer impactos mais intensos. Esse dado é de suma relevância, pois revela que o argumento de que os custos serão facilmente absorvidos pela livre competição e pela capacidade ociosa das empresas é válido, no melhor dos casos, para um segmento específico do tecido empresarial brasileiro, aquele composto pelas grandes empresas, e não para o universo mais amplo e representativo das micro e pequenas unidades produtivas.

Diante disso, a consequência mais provável, no âmbito das empresas de menor porte, não será a contratação de novos trabalhadores para cobrir as horas reduzidas, como supõe o modelo otimista da Unicamp, mas sim uma de três saídas, a saber: a) o repasse do aumento de custo ao preço final ao consumidor; b) a demissão de trabalhadores para adequar a folha de pagamento à nova realidade de custo; ou c) a informalização dos vínculos de trabalho, com a contratação de trabalhadores sem carteira assinada ou por intermédio de pessoas jurídicas.

Vale ressaltar que a terceira hipótese é particularmente preocupante, pois representaria uma regressão nos avanços de formalização do mercado de trabalho brasileiro observados nos últimos anos. Dados do IBGE indicam que 38,1% dos trabalhadores brasileiros já se encontram fora do regime celetista, o que corresponde a cerca de 40 milhões de pessoas. Um aumento da informalidade decorrente da elevação dos custos de contratação formal agravaria esse quadro, afetando, paradoxalmente, os trabalhadores mais vulneráveis, justamente aqueles a quem a proposta em comento pretende beneficiar.

O exemplo recente do Chile reforça essa preocupação. Segundo Daniel Duque, pesquisador do FGV IBRE e do CLP, a redução de jornada realizada naquele país em 2024 implicou aumento de informalidade, desemprego e inflação, além de queda entre 1% e 3% no PIB. A experiência chilena, por envolver uma economia com características estruturais mais próximas da brasileira do que os casos europeus frequentemente invocados pelos defensores da medida, merece atenção especial no debate.

4. A ESTAGNAÇÃO HISTÓRICA DA PRODUTIVIDADE BRASILEIRA E A FRAGILIDADE DO ARGUMENTO COMPENSATÓRIO

O argumento central dos defensores da redução da jornada, no plano econômico, é o de que trabalhadores mais descansados e satisfeitos serão mais produtivos, e que esse ganho de produtividade compensará o encarecimento do custo do trabalho por hora. Trata-se de argumento que tem respaldo em experiências internacionais pontuais e em fundamentos teóricos plausíveis. Porém, para que produza os efeitos esperados no Brasil, é necessário que a economia brasileira reúna as condições estruturais de produtividade que permitam a materialização dessa compensação. E é exatamente nesse ponto que o argumento encontra seu calcanhar de Aquiles.

O histórico de produtividade do trabalho no Brasil nos últimos vinte anos é, para dizer o mínimo, desolador. Segundo levantamento baseado em dados do FGV IBRE, nos últimos quarenta anos a produtividade brasileira avançou apenas 20%, enquanto a americana evoluiu 65%. Em termos comparativos ainda mais eloquentes: nos anos 1980, um trabalhador brasileiro produzia quase metade do que um americano (46% da sua produtividade); hoje, produz cerca de um quarto (25,6%). A distância, portanto, não apenas não diminuiu, ela aumentou.

Nos últimos vinte anos, cerca de 77% da evolução do PIB brasileiro decorreu do crescimento da população empregada, enquanto o incremento da produtividade contribuiu com apenas 22%. Em outras palavras, o Brasil cresceu mais por ter mais gente trabalhando do que por cada trabalhador produzir mais, um modelo de crescimento extensivo, baseado na expansão do fator trabalho, que se torna insustentável à medida que a transição demográfica reduz a oferta de novos trabalhadores.

O Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV IBRE, oferece um diagnóstico setorial preciso da questão. O único setor que apresentou crescimento robusto de produtividade desde 1995 foi a agropecuária, com taxa média de 5,6% ao ano, crescimento fortemente associado ao uso intensivo de tecnologia e à adoção de práticas de gestão modernas. A indústria, em contraste, registrou queda de 0,2% ao ano no mesmo período, e o setor de serviços, que concentra mais de 70% das horas trabalhadas no país, apresentou variação de apenas 0,2% ao ano. A produtividade agregada da economia cresceu apenas 2,3% em 2023, após dois anos de queda pronunciada provocada pela pandemia, e recuou para o patamar irrisório de 0,1% em 2024.

Assim sendo, a tese de que a redução da jornada, por si mesma, desencadeará um processo de ganhos de produtividade capazes de compensar o encarecimento do trabalho não possui sustentação empírica no contexto brasileiro. A baixa produtividade brasileira é um fenômeno estrutural, cujas causas são amplamente conhecidas e que não serão removidas por uma alteração legislativa na duração da jornada. Essas causas, como lembrado por especialistas da Universidade de São Paulo e do FGV IBRE, envolvem: a) infraestrutura deficiente, especialmente no transporte, que torna o Brasil dependente do modal rodoviário, caro e ineficiente, enquanto economias desenvolvidas utilizam predominantemente ferrovias; b) carga tributária elevada e sistema burocrático complexo, que desviam recursos e energia das empresas para o cumprimento de obrigações acessórias improdutivas; c) baixa qualidade da educação básica; o Brasil figura na 55ª posição entre 58 países no ranking TIMSS de ensino fundamental, o que gera uma força de trabalho com qualificação insuficiente para operar em atividades de maior valor agregado; d) processo de desindustrialização acentuado, com a participação da indústria no PIB caindo de 48% em 1985 para 24,7% em 2024, segundo a CNI, o que empurra a economia para setores de serviços de baixo valor agregado e baixa produtividade.

Não se olvida que a experiência de países como a Islândia e o Reino Unido com a redução da jornada apresentou resultados positivos em produtividade e bem-estar. Porém, ao que parece, os defensores da medida realizam uma transposição acrítica de experiências europeias para o contexto brasileiro, ignorando diferenças estruturais decisivas. A Islândia, que realizou seu experimento com jornadas reduzidas entre 2015 e 2019, é um país com altíssimo nível educacional, infraestrutura consolidada, força de trabalho qualificada e uma base produtiva radicalmente distinta da brasileira. A produtividade islandesa não cresceu como consequência da redução da jornada em ambiente de estagnação estrutural — ela já era elevada, e a redução foi realizada num contexto de plena capacidade de geração de valor por hora trabalhada. Mutatis mutandis, reproduzir esse resultado numa economia que já registrou queda de produtividade industrial por décadas demanda mais do que uma simples mudança legislativa.

5. A PRESSÃO INFLACIONÁRIA E O EFEITO DISTRIBUTIVO REGRESSIVO

Além do custo direto para as empresas, a redução da jornada sem redução salarial tende a gerar pressão inflacionária, especialmente nos setores intensivos em mão de obra. Segundo a CNI, o impacto médio nos preços gerais ao consumidor seria de 6,2%, com efeito de 5,7% especificamente sobre alimentos e itens básicos. É de se notar que esse impacto recai de forma desproporcionalmente severa sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela muito maior de seu orçamento com itens de consumo básico do que as camadas mais abastadas.

Não obstante a contestação do Ipea, que projeta impacto inflacionário mais limitado com base na premissa de capacidade ociosa, o risco de pressão sobre os preços em setores essenciais (alimentação, saúde, transporte) é real e não pode ser descartado. Em um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, como o brasileiro no momento da aprovação da medida, qualquer redução da oferta de horas trabalhadas sem compensação proporcional de produtividade pode criar desequilíbrios entre oferta e demanda, com consequências previsíveis sobre o nível geral de preços.

Outrossim, o estudo do FGV IBRE revela um efeito distributivo que merece especial atenção: a medida tenderia a beneficiar desproporcionalmente os trabalhadores com maior escolaridade, cujas jornadas já são naturalmente menores, aumentando seus salários reais por hora em até 9%, ao passo que trabalhadores menos escolarizados ganhariam apenas 0,7%. Na prática, a proposta, embora bem-intencionada do ponto de vista das aspirações de bem-estar, poderia gerar um efeito regressivo na distribuição de renda, elevando o custo do trabalho justamente nos setores mais intensivos em mão de obra pouco qualificada, que são exatamente os setores onde se concentram os trabalhadores mais vulneráveis e de menor renda.

Diante dessa realidade, a narrativa de que o fim da escala 6×1 é uma medida redistributiva e de valorização do trabalhador de baixa renda merece ser examinada com cautela. O trabalhador que labora em regime 6×1 tipicamente o faz nos setores de comércio, serviços, saúde, construção e segurança — setores em que a elasticidade da demanda por trabalho é negativa, isto é, em que o encarecimento do trabalho tende a gerar redução da quantidade contratada. Assim sendo, ao menos para esse segmento de trabalhadores, o benefício de ter dois dias de folga semanal pode ser neutralizado pelo risco de perda do próprio emprego ou de migração para a informalidade.

5. A PRESSÃO INFLACIONÁRIA E O EFEITO DISTRIBUTIVO REGRESSIVO

Além do custo direto para as empresas, a redução da jornada sem redução salarial tende a gerar pressão inflacionária, especialmente nos setores intensivos em mão de obra. Segundo a CNI, o impacto médio nos preços gerais ao consumidor seria de 6,2%, com efeito de 5,7% especificamente sobre alimentos e itens básicos. É de se notar que esse impacto recai de forma desproporcionalmente severa sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela muito maior de seu orçamento com itens de consumo básico do que as camadas mais abastadas.

Não obstante a contestação do Ipea, que projeta impacto inflacionário mais limitado com base na premissa de capacidade ociosa, o risco de pressão sobre os preços em setores essenciais (alimentação, saúde, transporte) é real e não pode ser descartado. Em um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, como o brasileiro no momento da aprovação da medida, qualquer redução da oferta de horas trabalhadas sem compensação proporcional de produtividade pode criar desequilíbrios entre oferta e demanda, com consequências previsíveis sobre o nível geral de preços.

Outrossim, o estudo do FGV IBRE revela um efeito distributivo que merece especial atenção: a medida tenderia a beneficiar desproporcionalmente os trabalhadores com maior escolaridade, cujas jornadas já são naturalmente menores, aumentando seus salários reais por hora em até 9%, ao passo que trabalhadores menos escolarizados ganhariam apenas 0,7%. Na prática, a proposta, embora bem-intencionada do ponto de vista das aspirações de bem-estar, poderia gerar um efeito regressivo na distribuição de renda, elevando o custo do trabalho justamente nos setores mais intensivos em mão de obra pouco qualificada, que são exatamente os setores onde se concentram os trabalhadores mais vulneráveis e de menor renda.

Diante dessa realidade, a narrativa de que o fim da escala 6×1 é uma medida redistributiva e de valorização do trabalhador de baixa renda merece ser examinada com cautela. O trabalhador que labora em regime 6×1 tipicamente o faz nos setores de comércio, serviços, saúde, construção e segurança — setores em que a elasticidade da demanda por trabalho é negativa, isto é, em que o encarecimento do trabalho tende a gerar redução da quantidade contratada. Assim sendo, ao menos para esse segmento de trabalhadores, o benefício de ter dois dias de folga semanal pode ser neutralizado pelo risco de perda do próprio emprego ou de migração para a informalidade.

REFERÊNCIAS

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil. Brasília: CNI, 2026.

CENTRO DE LIDERANÇA PÚBLICA (CLP). Estudo sobre impactos da redução da jornada. São Paulo: CLP, fev. 2026.

DUQUE, Daniel. Impactos da redução da jornada sobre o emprego formal. Rio de Janeiro: FGV IBRE / CLP, 2026.

FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO (FecomercioSP). Nota técnica sobre custos da PEC 221/19. São Paulo: FecomercioSP, 2026.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Nota técnica: impactos da redução da jornada de trabalho. Brasília: Ipea, 2026.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV IBRE). Produtividade do trabalho no Brasil: uma análise dos resultados setoriais no período 1995–2024. Observatório da Produtividade Regis Bonelli. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV IBRE). Impactos setoriais da redução da jornada de trabalho. Blog do IBRE. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025.

TEIXEIRA, Marilane et al. Dossiê 6×1: o Brasil está pronto para trabalhar menos. Campinas: Unicamp/Cesit, 2026.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. PEC 221/19 — Texto aprovado em segundo turno. Brasília: Câmara dos Deputados, maio de 2026.

AGÊNCIA BRASIL. Fim da escala 6×1: estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação. Brasília, 28 abr. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/fim-da-escala-6-1-estudos-divergem-sobre-impactos-no-pib-e-inflacao. Acesso em: 1 jun. 2026.

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE, 2025.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 01 Junho 2026

 

Alex Pipkin, PhD

         Recentemente, ao comentar o declínio intelectual promovido por décadas de hegemonia "progressista" nas universidades, recebi uma observação que me levou a uma conclusão talvez mais importante do que a crítica original. O verdadeiro problema não é a existência de determinadas ideias, mas a institucionalização de ideias imunes à lógica da ralidade.

Toda geração produz suas utopias. O problema começa quando elas deixam de ser hipóteses e passam a ser tratadas como verdades sagradas. Nesse instante, os fatos deixam de ser um teste da teoria, e essa teoria passa a julgar os fatos.

Foi exatamente esse erro que acompanhou tantas experiências coletivistas ao longo da história. Não faltaram boas intenções. Faltou realidade.

O mundo não é como gostaríamos que fosse. O mundo é como é.

O ser humano não é uma peça de laboratório esperando ser moldada por burocratas, intelectuais ou engenheiros sociais. Ele possui interesses, ambições, medos, virtudes e defeitos. Coopera, mas também compete. É capaz de solidariedade, mas responde a incentivos. Ignorar essa realidade não transforma a natureza humana, apenas converte a teoria em ficção.

Existe uma característica particularmente resistente nas utopias; elas nunca admitem fracasso. Quando produzem pobreza, a culpa é dos governantes. Quando produzem escassez, a culpa é das circunstâncias. Quando produzem miséria, a culpa é de sabotagens externas. A teoria permanece sempre "inocente".

Vejam Cuba, por exemplo. Décadas de estagnação, escassez e fuga de cidadãos. Ainda assim, para muitos, o problema não está no modelo. A explicação é sempre a mesma; foi mal aplicado.

Mas quantas vezes uma ideia pode fracassar antes que se considere a possibilidade de que o problema esteja na própria ideia? A realidade não exige perfeição, mas resultados.

A grande tragédia das utopias não é produzir fracassos. É convencer sucessivas gerações de que, desta vez, a realidade finalmente se curvará à teoria.

Nunca se curvou. Nunca se curvará.

Alguns amigos que visitaram o antigo Leste Europeu, caminharam pelas ruas de Cuba, conversaram com pessoas que escaparam da Coreia do Norte ou testemunharam os contrastes da China moderna relatam a mesma sensação. Em determinado momento, a névoa desaparece. As teorias ficam para trás, restando apenas os fatos.

É assim. A realidade não vota, não milita, não assina manifestos e não participa de debates ideológicos.

Quem tem os pés no chão sabe que, mais cedo ou mais tarde, a realidade sempre apresenta a conta.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 30 Maio 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

               O fim da escala 6x1 toca uma aspiração legítima: trabalhar menos, descansar mais, conviver mais, estudar mais, viver melhor. Poucos se opõem, em tese, a esse propósito. A questão difícil está menos no objetivo do que no modo de alcançá-lo.

Análise recente do professor José Pastore — para mim, a maior autoridade em relações do trabalho no Brasil — desloca o debate do plano moral para o plano institucional. Ele observa que a redução da jornada já vem ocorrendo por negociação coletiva: dados do Salariômetro indicam que 81% dos acordos e convenções tratam de jornada, com média praticada de 38,4 horas semanais, inferior às 40 horas prometidas pelo regime 5x2. Ou seja, o caminho da redução existe e já opera, ajustado às realidades de cada setor.

É justamente esse mecanismo que a proposta ameaça enfraquecer ao pretender substituir a negociação por uma imposição constitucional uniforme, com transição curta e revogação de normas coletivas em vigor. O problema, portanto, não está na ideia de trabalhar menos, mas em trocar a construção pactuada por um comando geral, aplicado indistintamente a atividades profundamente diferentes.

O Brasil tem uma estrutura produtiva desigual. Uma grande empresa de tecnologia, uma rede varejista, uma padaria de bairro, um hospital e uma pequena oficina não reorganizam jornadas com a mesma facilidade. A negociação coletiva permite calibrar soluções conforme o setor, a região, o tamanho da empresa e a natureza da atividade. A imposição legal rígida, ao contrário, tende a deslocar o problema para onde há menor capacidade de absorvê-lo.

Há ainda um ponto quase ausente na retórica dos que querem acabar com a escala 6x1: a informalidade. A taxa de informalidade chegou a 37,5% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais. Ou seja, mais de um terço dos ocupados brasileiros já vive fora da proteção plena da legislação trabalhista.

Uma reforma que alcança apenas o emprego formal pode agradar quem está dentro, mas ser irrelevante — ou até prejudicial — para quem está fora. Se o custo da formalização subir abruptamente, parte das empresas poderá reduzir vagas formais, terceirizar de modo precário ou recorrer a arranjos informais. O trabalhador que se pretendia proteger pode acabar tendo de trocar uma jornada excessiva por uma ocupação desprotegida.

O problema brasileiro não é trabalhar muito: é conviver com baixa produtividade e informalidade elevada. A pergunta, portanto, não é se trabalhar menos é desejável. Em muitos casos, é. A pergunta é se o Brasil deve abandonar o caminho flexível da negociação coletiva — que já vem reduzindo jornadas — para adotar uma fórmula única, constitucionalizada e de difícil adaptação. Sem essa cautela, a boa intenção corre o risco de se converter em mais uma promessa generosa que, como alerta o professor Pastore, pode voltar como bumerangue sobre os mesmos trabalhadores que dizia proteger.

Há, contudo, uma dimensão política que não pode ser ignorada. A força eleitoral da proposta tornou praticamente inviável a resistência parlamentar. Em votações dessa natureza, poucos deputados se dispõem a aparecer diante do eleitor como defensores da escala 6x1, ainda que tenham dúvidas sobre seus efeitos econômicos. O governo percebeu essa assimetria e a explorou uma escolha moral simples — estar contra ou a favor do descanso do trabalhador. O resultado foi empurrar quase toda a Câmara para a mesma direção, não necessariamente por convicção técnica, mas por cálculo de sobrevivência política.

*            O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil

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