• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 16 Outubro 2026

Gilberto Simões Pires         

FATO INDISCUTÍVEL

Com o FIM DA ESCALA 6X1, cuja PEC resultou aprovada ontem, no Senado, de forma definitiva, o FATO é que povo brasileiro FOI DORMIR COM UMA INDISCUTÍVEL CERTEZA: -TODOS OS PRODUTOS CONSUMIDOS NO NOSSO EMPOBRECIDO BRASIL VÃO FICAR, EM MÉDIA 10% MAIS CAROS JÁ NOS PRÓXIMOS DIAS, por conta da REDUÇÃO DAS HORAS TRABALHADAS SEM O CORRESPONDENTE DESCONTO SALARIAL. 

LIBERDADE? NEM PENSAR

Como se percebe, infelizmente, no Brasil o espaço para a LIBERDADE é mínimo. Ou seja, tudo que poderia e/ou deveria ser resolvido pela VIA DA LIVRE NEGOCIAÇÃO, a maioria do povo brasileiro, movida por INCRÍVEL FALTA DE DISCERNIMENTO, prefere a VIA DA LEGISLAÇÃO. Com isso, os levianos representantes POPULISTAS nunca exitam. PARA IMPEDIR QUE EVENTUAIS -NEGOCIAÇÕES- POSSAM AVANÇAR, não raro se utilizam de PECs -Propostas de Emenda à Constituição-, como forma de DIFICULTAR AO MÁXIMO O AVANÇO DA SAUDÁVEL -LIBERDADE-.

GOSTEM OU NÃO...

Antes que algum leitor me acuse de ser CONTRÁRIO AOS INTERESSES DOS ASSALARIADOS me apresso em dizer, de novo, e tantas vezes quantas forem necessárias, que TODOS OS BRASILEIROS, e não apenas os -15 MILHÕES DE TRABALHADORES "BENEFICIADOS" COM O FIM DA ESCALA 6X1 SÃO CONSUMIDORES-. Isto significa, gostem ou não, é que - O CUSTO DA REDUÇÃO DAS HORAS TRABALHADAS SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS- SERÁ, INEVITAVELMENTE, REPASSADO PARA OS PREÇOS.

PEGADINHA

Como se vê, a PEC APROVADA ONTEM tem COMPROMISSO COM O AUMENTO DE CUSTO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS E CONSEQUENTEMENTE DA -INFLAÇÃO-. Detalhe cruel: como o GOVERNO TRIBUTA PRODUTOS E SERVIÇOS, INDEPENDENTE DOS PREÇOS QUE SÃO PRATICADOS, EM BREVE ATÉ OS -BENEFICIADOS- perceberão que foram ALVOS DE UMA TRISTE PEGADINHA.

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  • Francisco Carneiro Júnior
  • 16 Outubro 2026

 

Francisco Carneiro Júnior

O Pacote eleitoreiro de bondades é pura sabotagem do PT ao próximo governo Flavio ...(e nem estamos falando ainda da escala 6X1)

Todo mundo já ouviu falar de inquilinos que, ao receberem a ordem de despejo, não arrumam as malas…. Eles roubam as torneiras, arrancam a fiação, assinam carnês em nome do próximo morador e entregam a chave sorrindo. O Brasil assiste a essa cena desde março com o governo e Lula .Em oito meses, o governo lançou 23 medidas de gasto, crédito, subsídio e renúncia de receita, que somam R$ 252,8 bilhões. No dia 4 de outubro, Flávio Bolsonaro teve 56.104.503 votos e Lula, 53.879.538. A diferença foi de 2,2 milhões. O segundo turno está marcado para o dia 25 e ainda não tem dono, mas o inquilino já leu o resultado e começou a desmontar a casa.

Antes do pacote, convém derrubar uma ilusão. O que Flávio precisa fazer para tirar o PT? Olavo de Carvalho repetia, anos atrás, uma frase que parecia exagero e hoje parece diagnóstico: no Brasil não existe direita. Existe o sistema e existe quem finge se opor a ele. A pergunta supõe que os males do país acabam com a saída do PT. Seria ótimo, mas é falso. O estrago petista é real. O partido executou com método a ocupação gramsciana das instituições: universidades, redações, sindicatos, agências reguladoras, conselhos, tribunais de contas, carreiras de Estado. Junto com isso veio a subversão moral, que fez do bandido uma vítima social, do policial um suspeito e do pagador de impostos um privilegiado. Só que o PT é uma das cabeças da hidra. Quem corta apenas a cabeça que vê acorda no dia seguinte com as outras inteiras.

Alexandre de Moraes, o homem que comanda a repressão política no país, nunca foi do PT. O currículo dele é tucano. Foi secretário na prefeitura de Gilberto Kassab. Foi secretário de Segurança Pública de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin, de janeiro de 2015 ao início de 2016. Passou pelo PMDB e pelo DEM. Advogou para Eduardo Cunha. Era filiado ao PSDB quando foi indicado ao Supremo. Antes disso, foi ministro da Justiça de Michel Temer, que o nomeou para a Corte em fevereiro de 2017. O ministro que manda prender jornalistas, bloqueia perfis, censura parlamentares e conduz inquéritos sem fim foi formado, promovido e nomeado dentro do campo que se apresentava ao eleitor como a alternativa ao PT. O padrinho dele é Geraldo Alckmin, o tucano comedido que a imprensa vendia como antídoto contra o lulismo e que em 2018 dizia que Lula queria voltar “à cena do crime”. Hoje é vice-presidente do descondenado. A mão que levou Moraes ao Supremo está agora ao lado de Lula no Planalto. Ninguém traiu ninguém. O sistema apenas funcionou.

O PT ocupa o Executivo, mas divide o poder com o Centrão, que controla o Congresso, distribui emendas e circula à vontade pelos gabinetes do Supremo. São partidos sem programa, que vendem estabilidade a qualquer governo e cobram em cargos, fundos e orçamento. Fazem isso há décadas. O Estado brasileiro está nas mãos de uma oligarquia política que se reveza no poder desde a redemocratização, troca de sigla quando convém e nunca troca de método. O PT não derrubou essa oligarquia. Entrou nela, recebeu crachá e aprendeu as senhas. O PT não conquistou o Brasil. Foi admitido no clube que já mandava nele. Mudar o país, portanto, exige mais que trocar o ocupante do Planalto. Exige refundação: tirar do poder essa elite corrompida que trata o Estado como patrimônio próprio e o cidadão como contribuinte cativo.

Chegou a mim uma tabela com 23 medidas adotadas desde março deste ano. Ela deve ser lida em ordem cronológica. De março a junho, foram R$ 152,7 bilhões. O governo começou com o pacote de combustíveis (R$ 16 bi), o Crédito do Trabalhador no consignado privado (R$ 22,9 bi) e o saque complementar do FGTS (R$ 8,4 bi). Em abril vieram o novo modelo de crédito imobiliário (R$ 22,3 bi), o Reforma Casa Brasil (R$ 12,9 bi) e a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (R$ 7,7 bi). Em maio, o Desenrola 2.0 (R$ 12,2 bi), o Gás do Povo (R$ 5,1 bi) e o Luz do Povo (R$ 4,3 bi). Em junho, o MOVE Brasil para caminhões e ônibus (R$ 21,2 bi), o MOVE Motoristas para taxistas e aplicativos (R$ 30 bi) e o fim da “taxa das blusinhas” (R$ 1,9 bi).

De julho a outubro, mais R$ 100,1 bilhões. Brasil Soberano 2.0 para exportadores (R$ 15 bi), Crédito Indústria 2.0 (R$ 10 bi), Moviagrícola (R$ 10 bi), crédito rural tecnológico (R$ 9 bi), renegociação de dívidas rurais (R$ 2 bi). Em agosto, Desenrola Adimplentes (R$ 3 bi). Em setembro, a um mês da eleição, reajuste do Bolsa Família (R$ 5,8 bi), proibição das bets (R$ 1,5 bi), Desenrola 3.0 (R$ 15 bi) e crédito para motos de entregadores (R$ 4 bi). Em outubro, com o eleitor a caminho da urna, o Prospera MEI, com perdão de dívidas (R$ 12,6 bi).

Nem todo esse dinheiro é despesa primária direta. Há crédito, renúncia e subsídio escondido em juro abaixo do mercado. Quem soma tudo como se saísse do caixa no mesmo dia erra. Quem conclui que o pacote é inofensivo erra mais. Crédito subsidiado gera passivo contingente: equalização de juros paga pelo Tesouro durante anos, inadimplência que vira prejuízo de banco público e, depois, capitalização com dinheiro do contribuinte. A renúncia da taxa das blusinhas abre um buraco permanente na arrecadação. O reajuste do Bolsa Família entra na base da despesa obrigatória e não sai mais. O perdão de dívidas é receita que o Estado desiste de cobrar.

O desenho é coerente. O ganho eleitoral vem agora. A fatura vence a partir de janeiro de 2027, no colo de quem chegar.

A lei previu a manobra. A legislação eleitoral proíbe, no ano da eleição, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios, salvo programas autorizados em lei e já em execução orçamentária no ano anterior. A Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe o governante, nos dois últimos quadrimestres do mandato, de assumir obrigação que não possa pagar dentro dele ou que deixe parcelas para o exercício seguinte sem caixa. O governo achou as brechas: rebatizou programas antigos, empurrou o custo para fundos e bancos públicos e chamou tudo de política de crédito.

Exércitos em retirada conhecem a técnica. Minam as estradas, envenenam os poços e derrubam as pontes, para que o vencedor passe os primeiros meses removendo escombros em vez de avançar. É a terra arrasada. A pior mina, porém, é política. Cada medida cria uma clientela. Se o próximo governo mexer em qualquer uma, as manchetes estão prontas: “Flávio corta o gás do povo”, “Flávio tira a moto do entregador”, “Flávio cobra a dívida do MEI”. Quem sai planta as minas e depois acusa de crueldade quem pisar nelas. O plano é ganhar a eleição. Se não der, é fazer do governo seguinte uma ocupação de território hostil. É sabotagem do próximo governo, paga com o dinheiro de quem vai votar nele.

Uma pergunta simples ao governo Lula, antes de passar a outro assunto: o microempreendedor individual que pagou seus impostos em dia, o MEI que deixou de levar dinheiro para casa para honrar, com muita dificuldade, seus pesados compromissos, quando vai receber o dinheiro dele de volta? Sim, porque o MEI que errou e ficou devendo é perdoado. E quem fez tudo certo fica no prejuízo? O que vocês estão ensinando a essa nova geração? Que exemplo, ou melhor, que péssimo exemplo estão dando?

Entre 2014 e 2016, o Brasil esteve mais perto de desmontar essa oligarquia do que em qualquer momento desde 1985. Não foi pelo voto. Foram duas forças que correram em paralelo, sem que uma alimentasse a outra. A primeira foi a Lava Jato, com prova documental, colaboração premiada e cooperação internacional. Pela primeira vez sentaram no banco dos réus empreiteiros, diretores de estatal, tesoureiros de partido e um ex-presidente. A segunda foram as ruas. Milhões de pessoas que nunca tinham ido a um protesto encheram a Paulista, a Esplanada e a orla de Copacabana sem carro de som pago e sem ônibus de sindicato.

A reação veio de todos os lados do arranjo ao mesmo tempo, porque todos estavam sob ameaça ao mesmo tempo. As planilhas da Odebrecht tinham apelidos de tucanos, peemedebistas, petistas e caciques do Centrão. A oligarquia se viu inteira na mira e reagiu como um corpo só. Foi aí que ela descobriu sua melhor arma. O voto ela não controla por inteiro, e o Congresso é barulhento e exposto demais. A arma era o Supremo Tribunal Federal: onze ministros sem voto, vitalícios até os 75 anos, sem instância acima deles, com poder de soltar condenado, anular processo, redefinir competência e reescrever a lei por interpretação. Bastava ocupar essa fortaleza.

Em março de 2019, o próprio tribunal abriu de ofício o inquérito das fake news, sem pedido do Ministério Público. A Corte era ao mesmo tempo vítima, investigadora e julgadora, e o relator foi escolhido sem sorteio: Alexandre de Moraes. O inquérito não tem objeto definido nem prazo, e foi engolindo tudo o que veio depois. Desde 2019, o país não vê um governo perseguindo a oposição. Vê o Estado inteiro protegendo a si mesmo, com o Supremo na frente, a imprensa tradicional cuidando da propaganda e os partidos do arranjo dando apoio calado. A refundação começada em 2014 morreu ali. Os erros de quem deveria conduzi-la ajudaram a matá-la.

O erro central de Jair Bolsonaro foi buscar, desde o primeiro dia, acordo com o sistema em vez de refundar o país. Faltou a ele entender contra quem jogava. Dureza nunca faltou. Jair governou achando que o adversário era um partido, com estrela vermelha e número 13. Quando a pressão apertou, foi negociar com o Centrão para neutralizar o PT. Deu a Casa Civil a Ciro Nogueira, apoiou Arthur Lira na Câmara e entregou o orçamento às emendas de relator. Chegou a dizer que era do Centrão. Pensou que comprava proteção e estava negociando com o mesmo organismo que queria destruí-lo, só que por outra cabeça.

Não vejo como Flávio, eleito, retome sozinho a refundação. As condições para ela existiram entre 2016 e 2020: investigação em andamento, rua mobilizada, opinião pública acordada. Hoje não existem. A Lava Jato foi desmontada, as condenações caíram, procuradores foram punidos, juízes afastados ou intimidados, e as ruas foram criminalizadas depois de 8 de janeiro. Flávio pode ser a ponte para que essa retomada aconteça mais adiante. Se a ponte cair, a outra margem some por uma geração. A tarefa urgente é acabar com o estado de exceção e devolver ao país os direitos fundamentais mais básicos. Na prática:

  1. Encerrar os inquéritos sem objeto e sem prazo. Investigação perpétua com objeto elástico é incompatível com qualquer democracia.
  2. Devolver ao Ministério Público a titularidade da acusação. A Constituição de 1988 separou quem acusa de quem julga, e essa separação precisa voltar a valer.
  3. Restaurar o contraditório e a ampla defesa: acesso do advogado aos autos, acusação clara, prova produzida diante do juiz.
  4. Libertar quem está preso por opinião e anular as condenações dos perseguidos políticos. Isso inclui anistia para crimes de opinião, revisão das penas desproporcionais aplicadas aos manifestantes de 8 de janeiro e fim da censura prévia a perfis e veículos.
  5. Recompor o Supremo à medida que as vagas se abrirem. No próximo mandato, três ministros chegam à aposentadoria compulsória: Luiz Fux em 2028, Cármen Lúcia em 2029 e Gilmar Mendes em 2030. Cada indicação será a decisão mais importante do governo. Nada de nomes do arranjo nem de técnicos de consenso apadrinhados pelo Centrão.
  6. Se houver força política, afastar os ministros responsáveis pela perseguição, pelos meios que a Constituição prevê, com o Senado fazendo o trabalho do qual vem fugindo.
  7. O pacote de outubro acrescentou mais uma obrigação. Logo nos primeiros dias, o novo governo precisa publicar o inventário da terra arrasada: cada medida, quanto custa, quando vence, quem paga e com que fonte. Sem esse registro, cada ajuste será vendido como maldade do novo presidente. Com ele, o país saberá quem quebrou e quem está consertando. Se Flávio fizer só isso, acabar com o estado de exceção e mostrar a verdade das contas, terá feito um grande governo.

Quem acha que o problema é só o PT vai comemorar no dia 25 e descobrir em janeiro que quase nada mudou. O Congresso eleito no dia 4 é basicamente o de sempre, com os mesmos caciques e os mesmos balcões. O Supremo tem os mesmos onze nomes e o mesmo inquérito aberto. A máquina continua aparelhada. E os contratos, subsídios e renúncias dos R$ 252,8 bilhões vão vencer um a um. Tirar o PT do Executivo é necessário, mas não basta. Tratar uma coisa como a outra foi o erro dos últimos quatro anos. Foi o que fez da vitória de 2018 a derrota de 2022, e da esperança de milhões, exílio, cadeia e silêncio.

A conta do pacote também não chega só para quem votou em Flávio. Chega para o nordestino que votou em Lula, para o caminhoneiro que financiou o caminhão pelo MOVE, para o MEI que teve a dívida perdoada e vai pagar a inflação que esse perdão ajuda a produzir. O Estado que hoje persegue um lado vai cobrar os dois amanhã. Os 56 milhões e os 53 milhões pagam juntos. A fronteira que importa no Brasil não separa quem votou 22 de quem votou 13. Separa quem vive do Estado de quem sustenta o Estado, a oligarquia que se reveza no poder do povo que se reveza na fila do posto de saúde. Ela não aparece no mapa azul e vermelho do TSE.

Se Flávio governar com essa fronteira em vista, começa com metade do país e pode terminar com a outra metade. Se repetir o pai, será engolido como todos os outros. O inquilino que rouba as torneiras sabe que não está saindo do poder. Está só trocando de cadeira. Sai do Planalto e continua no Congresso, no Supremo, nas redações e nos bancos públicos que ele mesmo encheu de dívidas.

A oligarquia não tem sigla. Por isso sobrevive a todas as eleições.

Desta vez, não basta vencer uma.

 

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 15 Outubro 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

            Provavelmente o amigo leitor já deve ter assistido no YouTube à homenagem ao Led Zeppelin realizada no Kennedy Center Honors, em Washington, no ano de 2012, onde, entre outras coisas, foi executada de forma magistral a canção Stairway to Heaven. Na plateia, obviamente, estavam Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones. Quem ainda não assistiu, por favor, pare de ler esta escrevinhada e vá assistir. E, se já assistiu, vá mais uma vez.

Assistiu? Maravilha! Eu amo essa música e, toda vez que vejo essa apresentação, meus olhos ficam nadando em lágrimas enquanto minha garganta engasga. Não apenas pela beleza do show — que conta com Jason Bonham, filho de John Bonham, falecido baterista do Led Zeppelin, e interpretação de Ann e Nancy Wilson, do Heart, acompanhadas por músicos e coral —, mas também e principalmente pela vista que temos do olhar dos três remanescentes da banda homenageada que, na plateia, assistiam a tudo extasiados de emoção.

Aliás, de todos eles, o olhar de Robert Plant sem dúvida alguma era o mais enigmático. Visivelmente segurando o choro, com os olhos marejados durante toda a execução da música, revelava a alma de um homem que estava, naquele momento, revisitando toda a sua carreira, suas realizações, sua vida. Ele praticamente não pisca. Há momentos em que dá a impressão de que irá murmurar algo, cantar um trecho da canção, mas nada — nenhuma palavra saía. Os seus olhos silentes falavam tudo.

Essa cena, à sua maneira, me leva a imaginar o martírio do meu santo padroeiro, São Tomás Becket, que foi assassinado por sicários amigos do rei Henrique II da Inglaterra diante do altar, enquanto rezava de joelhos. Ao ver o olhar compenetrado de Robert Plant diante do show, fico a imaginar que aquele olhar deveria ser similar ao de São Tomás Becket diante do altar onde ele tantas e tantas vezes celebrou a Santa Missa. O olhar de um homem que está tendo, diante de seus olhos, uma visão de toda a sua vida antes de ser martirizado.

Todos nós, meros mortais, temos também experiências similares a essa, onde nosso coração, arrebatado pela emoção do momento, arrasta-nos para um turbilhão de memórias que se apresenta como a nossa vida vivida até ali. Uma experiência que, invariavelmente, nos faz refletir sobre quem nos tornamos e, com a alma desnuda, indaga-nos: valeu a pena? Faríamos tudo de novo? O que mudaríamos e por que faríamos isso? Quanto tempo ainda temos?

Faço essas e outras perguntas todos os anos para mim mesmo em dois momentos em particular. Um deles é ao final de todo ano letivo; o outro é todo dia 15 de outubro, no Dia do Professor. Bah! Faz praticamente 31 anos que estamos caminhando neste riscado, onde colecionei muitas alegrias, muitas conquistas e, é claro, alguns punhados de tristezas, derrotas e desilusões que, tudo junto e misturado, fazem parte de quem eu sou.

Lembro-me de quando, pela primeira vez, coloquei meus pés em uma sala de aula. A barba não era tão cerrada, era toda preta e meus cabelos eram longos. Usava camiseta branca, camisa xadrez aberta, calça jeans rasgada no joelho direito e sandálias de couro — enfim, uma figura. Uma figura que se apaixonou à primeira vista pelo ato mágico que é ensinar.

Tamanho foi meu encantamento que uma amiga, à época, dizia que conseguia me ver, bem velhinho, em uma sala de aula. Hoje, alguns alunos às vezes me perguntam: o que eu gostaria de ser se não fosse professor? E a resposta é simples: eu não sei ser outra coisa senão professor. Bem ou mal, é isso o que sou.

Passados todos esses anos — nos quais testemunhei o milagre da educação na vida de milhares de crianças, jovens e adultos —, apesar de minhas limitações como ser humano e de meus defeitos como docente, ainda consigo me imaginar velhinho, com os cabelos e barba brancos feito a neve, lecionando e fazendo o que amo até o último instante de minha vida. Mesmo que eu não tenha a maestria do vocalista do Led Zeppelin, nem as virtudes heroicas de São Tomás Becket.

*                   O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 09 Outubro 2026

Dartagnan da Silva Zanela

                    Lembro-me de ter lido, num dos livros de Domenico De Masi — Criatividade e Grupos Criativos: Descoberta e Invenção —, que um cidadão ateniense adulto, por volta dos seus trinta anos de idade, teria assistido a aproximadamente trezentas peças de teatro. Ao ler isso, mais que depressa, coloquei-me a matutar com meus alfarrábios e a me perguntar quantas peças assisti em minha porca vida. Quantas? Pouquíssimas, tendo em vista que sempre fui um caipira que vive entocado no mato. Na verdade, poucas são as pessoas que podem se vangloriar de ter tido a grata satisfação de assistir a tantas peças. Pouquíssimas mesmo.

Ao constatar isso, porca miséria, fiquei pensando em minha inenarrável miséria cultural e no quão apartada minha alma encontrava-se do terapêutico efeito catártico que o teatro pode proporcionar ao coração humano, instalando-nos na realidade e ordenando as nossas paixões e inquietações.

Mas então, lembrei-me da grande paixão que, desde menino, nutro pela sétima arte e toquei-me da quantidade descomunal de filmes que tive a grata felicidade de assistir e rever no correr dos dias de minha peregrinação por este vale de lágrimas, bem como dos inúmeros momentos catárticos que algumas destas películas propiciaram a este bicho do mato.

Uma destas obras que marcaram de forma indelével o meu ser com toda a certeza foi The Day After — O Dia Seguinte (1983), telefilme dirigido por Nicholas Meyer que retratava como poderia ser o mundo após uma guerra nuclear.

Quando assisti a esse filme pela primeira vez, no finalzinho dos anos 80, num sábado à noite no Supercine, eu era apenas uma criança — que às vezes queria ser astronauta e, outras vezes, tal qual Jacques-Yves Cousteau. Como criança daqueles idos, estava muito impressionado com todo aquele clima de Guerra Fria, com todas as reportagens que falavam o tempo todo a respeito dos efeitos da radiação, juntamente com notícias sobre o acidente nuclear de Chernobyl (1986) e o acidente com Césio-137 em Goiânia (1987). Enfim, podemos dizer que eu tinha um medo danado do que o futuro resguardava para mim.

Quando o filme terminou, lembro-me de que fiquei no sofá, encolhido, sentindo um leve frio na barriga, ao mesmo tempo que segurava a vontade de chorar. É, meu amigo! O filme bateu doído em mim com suas cenas tingidas em todos os tons possíveis de desesperança.

De todas as cenas, de todos os momentos do drama, houve dois que calaram fundo em meu coração. Dois momentos distintos vividos por uma mesma família.

O primeiro foi ver a família em questão reunindo tudo o que podia para se abrigar no porão de casa. Ao ver aquilo, em minha imaginação infantil, pensei: "Meu Deus do céu! Nossa casa não tem porão. Como nós iremos nos proteger quando isso vier a acontecer? Nós iremos morrer? Será que conseguimos arrancar o assoalho da casa e cavar um buraco bem grande? Será que isso resolveria?" Resumindo, fiquei encafifado.

A segunda cena, viva até hoje em minha memória, foi quando o pai, após alguns dias saiu para ver como as coisas estavam e viu que o cão, fiel companheiro do filho mais novo, que estava na sala, agonizando, esperando a morte chegar. Bah! Aí meu coração se esfacelou, porque na hora lembrei-me do meu amigo canino, o Monique; e, mais uma vez, pensei: "Então quer dizer que meu cachorro irá morrer à míngua? De jeito maneira! Não vou deixar. Ele ficará com a gente, não tem lesco-lesco."

Enfim, ao final do filme, a noite foi longa. Rolei um monte na cama matutando, com meu jeito menino, sobre tudo o que havia visto. Não digo que esse tenha sido o meu primeiro momento catártico diante de um filme, nem o mais intenso, mas, com certeza, foi um daqueles que, de alguma maneira, marcaram para sempre a minha forma de encarar a vida — pois me ensinou, definitivamente, que os dias amargos e as noites mais escuras sempre poderão ser subjugados por um pequeno gesto de amor e pela modesta chama de uma vela de esperança e boa vontade.

*      O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 08 Outubro 2026

 

Gilberto Simões Pires

 

GRITO DE VITÓRIA

Mais do que sabido e até lamentado, ainda que a maioria dos eleitores que resolveram comparecer às urnas para votar em FLÁVIO BOLSONARO, ou CONTRA O SISTEMA, o FATO é que o número de votos apurados não foi suficiente para que o CANDIDATO DA DIREITA viesse a ser anunciado como -VENCEDOR DA ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE 2026-. Com isso, o altamente possível e muito esperado -GRITO DE VITÓRIA- foi adiado para o dia 25 de OUTUBRO, quando acontece o definitivo SEGUNDO TURNO. 

18 DIAS

Assim, nesses próximos 18 DIAS que nos separam da IMPRESCINDÍVEL, NECESSÁRIA e MUITO ESPERADA VITÓRIA DE FLÁVIO BOLSONARO, TODOS OS BRASILEIROS DE BEM, INDEPENDENTE DE POSSUÍREM OU NÃO O TÍTULO DE ELEITOR, precisam se MOBILIZAR AO MÁXIMO. Ainda que seja pra lá de importante O FATO de que A MAIORIA DOS SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS que resultou ELEITA É DE -DIREITA-, o que GARANTE uma grande possibilidade de aprovação de REFORMAS IMPORTANTES, isto não é o bastante para MUDAR O BRASIL. 

DE CORPO E ALMA

Mais: todos sabem que o INIMIGO LULA PETISMO tem como hábito, marca e característica a MENTIRA, a CORRUPÇÃO, O POPULISMO DESVAIRADO e a DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA E/OU DAS CONTAS PÚBLICAS. Só por aí a LIÇÃO DE CASA se traduz na INCESSANTE E NECESSÁRIA MOBILIZAÇÃO EM BUSCA DE VOTOS PARA FLÁVIO BOLSONARO, DE HOJE, 07, ATÉ A MANHÃ DO DIA 25. ESQUEÇAM TUDO E SE DEEM DE TUDO -DE CORPO E ALMA - para que o GRITO DE VITÓRIA ACONTEÇA SEM RECEIOS. 

 

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  • Sílvio Lopes
  • 07 Outubro 2026

 

 

Sílvio Lopes

      O processo de decomposição da sociedade é, de todos os objetivos da esquerda, o que mais conta (para eles). Essa decomposição é estratégica e age sorrateiramente, de início, e em sua trajetória final já é publicamente defendida e, creiam, (até mesmo) festejada.

A autocondenação que a sociedade se impõe é "vendida" como necessária para a "rendição do homem" e sua " libertação". No final das contas, se revelará na maior tragédia humanitária como atestam (aliás), incontáveis, os exemplos históricos. Desde a antiguidade, diga-se. Dominação, miséria e total perda de sentido da vida tomam conta das mentes e corações dos afetados, tenham ou não colaborado com os "salvadores da Pátria".

No Brasil, de certa forma, já estamos vivenciando essa realidade macabra que pode, sim, nos tornar reféns da ideologia da opressão e da barbárie que fervilha no âmago da mente lulopetista por aí afora. O inimigo, travestido de bom mocismo e cheio de boas intenções e de propósitos, no fundo não passa de um príncipe do amoralismo e do imoralismo que se movem com força animal, instintiva e inteligente, sim, devemos reconhecer.

Mas que, à luz da razão, do bom senso e da inteligência à serviço do bem, essa referida ideologia lulopetista nada mais é do que uma força  preconcebida que mascara seu intento real de ações de extrema rapacidade, traição, violência criminosa, luxúria, crueldade inumana, narcisismo e ódio encarniçado aos recalcitrantes e bem formados cidadãos.

É chegada a hora do não. Do basta. Dia 25, agora, caberá a cada um de nós decidir em que país sonha e deseja morar. O da paz, da fraternidade entre irmãos e do direito de ir e vir, de pensar e se expressar; ou o país da decadência ética e moral e do cerceamento total das vontades individuais.

A escolha, reforço, ainda depende de nossa decisão. Do contrário, a reconquista do que se irá perder, e num futuro incerto e não sabido, terá de ocorrer com muito sangue, suor e lágrimas. É o que atesta a história da caminhada do homem sobre a Terra. Vamos cair nessa armadilha demoníaca?

*           O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante

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