Artigos do Puggina
Percival Puggina
24/10/2026
Percival Puggina
Domingo, 25 de outubro de 2026. Para o bem ou para o mal, um dia que jamais esqueceremos. Converge para ele mobilização intensa dos cidadãos. Enquanto se nacionalizam disputas locais, antagonismos nacionais chegam aos bairros. É a política em teses e antíteses tão rudimentares quanto essenciais. A realidade mostra os dentes. Utopias sacodem as nuvens onde habitam e, entre raios e trovões, regam fantasias. Há uma incerteza no ar: a história projeta a perenidade do passado ou um futuro que estende os braços para resgatar a nação dos sofrimentos do tempo presente?
Domingo tem eleição. Enquanto as horas passam em direção a ela, presenciamos o dispersivo vendaval das mentiras e a atividade febril na usina de narrativas. Uma e outra, mentiras em estado bruto e narrativas produzidas com engenhosa mistificação, nos arrastam ao inevitável dilaceramento de laços de confiança preciosos ao convívio social.
A história, contudo, tem vértices. As linhas que a orientam têm pontos de encontro além dos quais não existe continuidade sem mudança. Após esta eleição, a tirania ou tira a roupa e se assume de modo escrachado e despudorado ou cai, para que a soberania popular se afirme, a liberdade abra as asas sobre nós e a democracia seja reconstruída.
Observe a realidade destes dias. Os mesmos que tudo fazem para desacreditar a atividade política e provocar hostilidade entre as pessoas de bem e o processo eleitoral, voltam às ruas após longo e envergonhado retiro para estimular seus próprios eleitores. Tudo fizeram para impor silêncio às ruas, censurar a divergência e restringir nossas liberdades. Transformaram a rede de ensino do país em fabriquetas de militantes, emburreceram o ambiente cultural, saquearam a população por meios diretos e indiretos.
Domingo tem eleição. Não fique em casa. Quem governou o país em cinco das seis eleições deste século nos trouxe ao fundo do poço das possibilidades e a este miserável ponto de ruptura. Dê seu voto à mudança. Aposte na esperança.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
23/10/2026
Percival Puggina
Ocorreu-me reler os textos que escrevi no período entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2022. Eram, quase todos, artigos críticos à atuação do combo STF/TSE, claramente antagônica ao candidato Bolsonaro, que concorria à reeleição. Dias depois, na cerimônia de diplomação de Lula, ante uma plateia repleta de companheiros em festa, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, foi aplaudido tão insistente e prolongadamente quanto Lula. Mas com ainda maior entusiasmo. Jamais se viu coisa igual.
Nenhum desses textos (foram 25 entre os dias 2 e 30 de outubro!) mencionava a necessidade de que todos fossem às urnas. Em nenhum me ocorreu advertir que não se abstivessem. Parecia-me que a vida pregressa de Lula, embora proibida qualquer menção a ela, era algo real, tão real quanto suas péssimas companhias na política nacional e internacional. A abstenção/omissão se manteve nos 21% habituais e Lula foi eleito.
Não tenho qualquer interesse que não seja cívico. Sou apenas um pai e avô, consciente de que estou na fila de espera da eternidade. Por isso, do mesmo modo como irei votar apesar de legalmente dispensado, apelo a todos os eleitores para que não sejam cúmplices dos males que possam advir de sua omissão. A destruição da ordem, a barafunda institucional e a corrupção, lavada e deslavada, exigem uma contestação democrática, mesmo que em urnas ainda sem impressoras.
A simples ideia de Lula indicando quatro novos ministros para o STF faz pensar, imediatamente, nos próximos 30 anos! No dia 25, vote Flávio 22 e reze por ele e pelo Brasil.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
* Imagem ChatCPT
Percival Puggina
18/10/2026
Percival Puggina
O muro de que vou falar não é o habitado pela mistura nada homogênea dos omissos e dos oportunistas, nem é um dos tantos em que a moçada acadêmica descarrega seu chorume ideológico. Tampouco é o trecho berlinense da velha Cortina de Ferro, atrás da qual, a partir de 1946, a Rússia capturou um pacote de desafortunadas nações outrora livres. Para quem nunca ouviu falar, vai a explicação: após duas décadas, ficou tão intenso o êxodo do lado oriental, dominado pelos comunistas e apavorado pela Stasi, que o regime soviético precisou reforçar a Cortina de Ferro com um muro dentro da cidade de Berlim. A simples mudança de CEP para o outro lado da Ebertstrasse significava a liberdade.
Tanto a cortina quanto o muro são bons temas, mas não, não é deles que vou tratar. O muro de que falo me foi sugerido por um leitor à espera da definição brasileira no próximo dia 25. Ele viu a história se redesenhar enquanto a mancha azul se veio derramando sobre o mapa da Ibero-América (até recentemente um continente vermelho). Para esse seguidor, a derrota do petismo debilitará o esquerdismo, de péssima influência na formação cultural, política, econômica e social da região. Será como proclamar a queda de um outro muro, construído pela perniciosa atuação dos partidos que se foram agregando ao grupo constituinte original do Foro de São Paulo. No pico das adesões, segundo o Google, teriam sido 128 partidos de 28 países. Em 22 deles, legendas do grupo exerceram o poder.
Gostei do tema. Logo após os jovens da Alemanha Oriental dançarem sobre o Portão de Brandemburgo festejando a queda do Muro, Fidel, Lula e outros que tais criaram o Foro de São Paulo. Em diversas ocasiões, no início deste século, tive oportunidade de conversar com o saudoso Olavo de Carvalho sobre esse assunto, a respeito do qual dizia ter herdado do amigo Graça Wagner “um colossal patrimônio de pesquisa”. Estávamos, então, nos anos 2002 ou 2003 e Olavo era acusado, pela mídia, de “teoria da conspiração” por se referir, com insistência, em seus textos e locuções, à atuação dessa federação de organismos partidários de esquerda.
Quem buscar informações sobre o movimento revolucionário nesta porção do Ocidente precisa ler o Olavo e os livros de Graça Salgueiro, Heitor de Paola e Paulo Henrique Araújo. Indo somente pelas fontes usuais, abastecidas por conteúdos da mídia, os leitores serão levados a crer que qualquer referência à organização e às suas relações com crime organizado, narcotráfico e terrorismo é mera “teoria da conspiração”, etiqueta sempre presente nas análises militantes e no marketing revolucionário.
Os piores reflexos dessas mistificações se fazem sentir no descrédito das instituições e na insegurança pública. O “camarada malfeitor” é apresentado como vítima do capitalismo e agente da política feita por outros modos; é alguém a meter o pé na porta para o ambiente revolucionário. Ele é parceiro de todos os construtores de narrativas alheias aos fatos. É companheiro, também, dos servidores públicos ativistas nas carreiras de Estado a desacreditar as instituições. Que o plim-plim das máquinas de votação nos mantenha atentos para as responsabilidades desta hora.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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