Artigos do Puggina
Percival Puggina
18/10/2026
Percival Puggina
O muro de que vou falar não é o habitado pela mistura nada homogênea dos omissos e dos oportunistas, nem é um dos tantos em que a moçada acadêmica descarrega seu chorume ideológico. Tampouco é o trecho berlinense da velha Cortina de Ferro, atrás da qual, a partir de 1946, a Rússia capturou um pacote de desafortunadas nações outrora livres. Para quem nunca ouviu falar, vai a explicação: após duas décadas, ficou tão intenso o êxodo do lado oriental, dominado pelos comunistas e apavorado pela Stasi, que o regime soviético precisou reforçar a Cortina de Ferro com um muro dentro da cidade de Berlim. A simples mudança de CEP para o outro lado da Ebertstrasse significava a liberdade.
Tanto a cortina quanto o muro são bons temas, mas não, não é deles que vou tratar. O muro de que falo me foi sugerido por um leitor à espera da definição brasileira no próximo dia 25. Ele viu a história se redesenhar enquanto a mancha azul se veio derramando sobre o mapa da Ibero-América (até recentemente um continente vermelho). Para esse seguidor, a derrota do petismo debilitará o esquerdismo, de péssima influência na formação cultural, política, econômica e social da região. Será como proclamar a queda de um outro muro, construído pela perniciosa atuação dos partidos que se foram agregando ao grupo constituinte original do Foro de São Paulo. No pico das adesões, segundo o Google, teriam sido 128 partidos de 28 países. Em 22 deles, legendas do grupo exerceram o poder.
Gostei do tema. Logo após os jovens da Alemanha Oriental dançarem sobre o Portão de Brandemburgo festejando a queda do Muro, Fidel, Lula e outros que tais criaram o Foro de São Paulo. Em diversas ocasiões, no início deste século, tive oportunidade de conversar com o saudoso Olavo de Carvalho sobre esse assunto, a respeito do qual dizia ter herdado do amigo Graça Wagner “um colossal patrimônio de pesquisa”. Estávamos, então, nos anos 2002 ou 2003 e Olavo era acusado, pela mídia, de “teoria da conspiração” por se referir, com insistência, em seus textos e locuções, à atuação dessa federação de organismos partidários de esquerda.
Quem buscar informações sobre o movimento revolucionário nesta porção do Ocidente precisa ler o Olavo e os livros de Graça Salgueiro, Heitor de Paola e Paulo Henrique Araújo. Indo somente pelas fontes usuais, abastecidas por conteúdos da mídia, os leitores serão levados a crer que qualquer referência à organização e às suas relações com crime organizado, narcotráfico e terrorismo é mera “teoria da conspiração”, etiqueta sempre presente nas análises militantes e no marketing revolucionário.
Os piores reflexos dessas mistificações se fazem sentir no descrédito das instituições e na insegurança pública. O “camarada malfeitor” é apresentado como vítima do capitalismo e agente da política feita por outros modos; é alguém a meter o pé na porta para o ambiente revolucionário. Ele é parceiro de todos os construtores de narrativas alheias aos fatos. É companheiro, também, dos servidores públicos ativistas nas carreiras de Estado a desacreditar as instituições. Que o plim-plim das máquinas de votação nos mantenha atentos para as responsabilidades desta hora.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
11/10/2026
Percival Puggina
O que as urnas de outubro tornaram conhecido, na operosidade das máquinas, não é diferente do que vimos nos longos corredores e filas de votação, Brasil afora. Era o povo, consciente de que seu voto deveria proclamar um basta! Era necessário e só o povo poderia efetivá-lo, jogando a água fria das urnas nas quatro patas de barro do poderoso belzebu: sigilos, silêncios, censura e sanções.
“Supremo é o povo”, proclamavam algumas faixas em recentes manifestações. Naquilo que chamei de “supremo tribunal do cidadão e sua consciência” era impossível não sentir – em cada zona eleitoral, seção de votação ou cabine – as teclas sendo digitadas para expressar a convicção de um eleitor proferindo, democraticamente, seu veredicto. Do lado oposto, sentavam-se pessoas de carne e osso, indivíduos reais, sendo julgados pelos próprios excessos cometidos no manuseio do tabuleiro político. Nunca antes presenciei algo assim.
Aquela eleição, a já histórica eleição de 2026, apenas num viés secundário julgou políticos, parlamentares e governantes. Em sua essência, julgou julgadores! Julgou juízes. Julgou votos monocráticos. Julgou precedentes e jurisprudências. Julgou casos reais, injustiças reais, abusos reais. Julgou blindagens e casuísmos, julgou inquéritos sem fim neste mundo. Para salvar o futuro, julgou o passado.
Tantas fizeram os autoproclamados “supremos”, que agora tanto faz: de livre vontade, ocuparam o epicentro de um imenso universo de decisões e consequências. No dia 4, todo voto popular arrastava consigo uma convicção sobre – digamos assim – os excessos de autoestima e as estratégias políticas majoritárias no Supremo Tribunal Federal destes últimos anos.
O poder, seja qual for seu tipo ou fonte, quando escapa dos controles usuais, se torna uma droga a exigir overdoses crescentes. Uma vez construída a narrativa era preciso seguir em frente. Quanto mais instáveis se revelassem seus fundamentos, mais recorrentes eram a coerção, a imposição do medo e as violações de direitos humanos. Infelizmente, vimos isso acontecer e, assim, qual patas do cavalo de Átila, a brutalidade foi deixando vítimas pelo caminho. Os autores, calorosamente aplaudidos em ambientes fechados, mal podiam sair às ruas. Daí os jatinhos, como cobiçados meios de transporte. Daí o conforto da hotelaria internacional, como aprazível lugar de estar. Daí as derrotas políticas que o dia 4 de outubro, simetricamente, impôs aos controladores dos ambientes controlados.
Os meios de Inteligência Artificial disponíveis ao usuário brasileiro não têm registro histórico de anomalia semelhante à que aconteceu no Brasil. Ministros de uma Suprema Corte ou Tribunal Constitucional assumindo o protagonismo do jogo político, atropelando preceitos, códigos, regimentos e legislação consolidada no país? Impondo obediência aos poderes políticos do Estado com o intuito de preservar o próprio poder de mando, se auto proteger e se blindar? Não, isso só no Brasil.
Eis aí outra exclusividade nacional, punhado de jabuticabas, colhidas na safra de 2026, para Lula levar a Trump em próxima visita.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
06/10/2026
Percival Puggina
* Para publicação nos dias anteriores à eleição de 4 de outubro, o jornal Poder 360 pediu a alguns autores que respondessem à pergunta sobre em quem votariam para presidente e por que o fariam. Meu artigo foi publicado na edição do dia 30 setembro, sob o título “Por que votarei em Flávio Bolsonaro”. O texto abaixo, sem o primeiro parágrafo ambientado em dias anteriores à eleição, reproduz, na íntegra, o restante do artigo e é inteiramente aplicável ao atual momento político.
Flávio Bolsonaro tem o mais vulnerável adversário que um candidato a presidente gostaria de enfrentar. Qualquer cidadão que preze a Liberdade, a Justiça, a Ordem, o Progresso e a Segurança percebe que Lula, ao longo de sua extensa carreira, nada fez para preservar esses bens pelos quais todo indivíduo sensato tem apreço.
Num curto lapso de 27 anos, o partido que comanda busca a sexta vitória em sete eleições presidenciais havidas neste século. Isto não é produto do acaso. Sem jamais ter lido Nietzsche ou Heidegger, Lula intuiu ou alguém o ensinou que a destruição das estruturas de sustentação de uma sociedade é o melhor meio de dominá-la. Ele nunca escondeu seu sonho de obter e preservar o poder mediante tais instrumentos. São evidências disso:
- A asfixia da Liberdade: A autonomia do indivíduo é constrangida pelo cerceamento da expressão e pelo controle cirúrgico da informação;
- A instrumentalização da Justiça: Os tribunais são convertidos em extensões políticas do Estado, gerando ativismo ideológico e o colapso da segurança jurídica;
- A sabotagem da Ordem: A convivência pacífica e a estabilidade social são tratadas como inimigas estratégicas a serem combatidas;
- O desinteresse pelo Progresso: A prosperidade econômica e o bem-estar são travados para manter os cidadãos dependentes de assistencialismo e reféns do voto de cabresto;
- O colapso da Segurança: O anseio por paz pública não pode ser viabilizado por um corpo político revolucionário que precisa do caos para justificar sua própria existência.
A receita que abastecerá o poder no futuro é a mesma que define o poder no presente. Quanto piores forem as condições de vida numa sociedade, maior será o espaço que ela franqueia a discursos messiânicos e práticas revolucionárias que criam a fome para prometer pratos de comida.
A flacidez da democracia brasileira é produto semipronto da destruição planejada. O voto na oposição não é uma escolha partidária, mas uma barreira democrática, política e moral. Por isso, darei meu voto na candidatura que se revela capaz de antagonizá-la para que se promovam, aqui, as recomendações do Promotor de Justiça Robert H. Jackson no Tribunal de Nuremberg: “O bom senso da humanidade exige que a lei não se limite a punir crimes menores cometidos por pessoas comuns. Ela deve alcançar também aqueles que detêm grande poder e dele fazem uso deliberado e concertado para desencadear males que não poupam nenhum lar no mundo”.
Isso, Lula nunca fez nem fará. Nem ele, nem Hugo Motta, nem Davi Alcolumbre, nem metade do STF, nem a PGR, nem a Faria Lima, nem a falsa intelectualidade brasileira. Só o eleitor o fará, votando no candidato que pode derrubar o castelo de cartas marcadas.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Outros Autores
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
16/10/2026
Neste dia da pátria atribulada, pense em outubro. Quando uns usarem a peneira contra o sol dos fatos, use a peneira do seu discernimento para separar o trigo do joio e libertar a nação.
Manifesto sobre certos candidatos que lhe pedirão voto. Diga isto a eles. É o que eu direi.
O triste caso de um jornalismo a serviço do Estado.
Sete partidos decidem imitar o cidadão omisso que não se importa com o resultado da eleição e não comparece para votar!
Indignação, revolta, alergia perante manifestações de religiosidade escapam à normalidade.
Como podem apontar o dedo a alguém aqueles que banalizaram o mal em nosso país?