• Fernando Fabrini
  • 15 Dezembro 2019

 

O grupo fez coisas divertidas, mas sabemos que a sobrevivência por meio da arte é uma via penosa.


Três coisas que não se discutem, é verdade. Futebol virou uma insanidade coletiva. Comemora-se mais a derrota do adversário do que a vitória do próprio time; sobram pancadarias, depredações e mortes nas guerras das torcidas. Se é política, também não perco tempo batendo boca; cada qual tem sua receita de um país melhor, aposta nela e espera os resultados.

Religião, então, requer ainda mais cuidado. Desde que abriu os olhos na pré-história, o bicho-homem tenta enxergar um sentido para o viver. Encaramos diariamente o incômodo mistério de vir a este mundo sem pedir e ir embora dele sem saber quando, onde e, às vezes, nem por quê. Por isso a pessoa se abriga no seu divino, por mais bizarro que seja, onde encontra explicações e esperanças diante do sofrimento, das incertezas da vida e da certeza da morte.

Acho que a aceitação de que cada um tenha seu caminho espiritual particular ajuda-nos a expandir nossa porção generosa e solidária. Seja na dança dos índios numa aldeia amazônica; nas mãos postas numa capela cristã; no batuque do terreiro de umbanda; nos cânticos do coral gospel; no silêncio do “zazen”, cada homem busca a conexão com seu deus. É seu direito, e ninguém tem nada com isso.

Assim, respeito todas as crenças e não julgo nenhuma. Parto da minha própria fé, que, assim como a de tantos, não se insere num dogma; é resultado das experiências boas e ruins pelas quais passamos e das conclusões que delas extraímos. Disso fazemos uma salada de frutas doces e amargas para ir vivendo, seguindo a alma e o coração.

No entanto, desconfio que esses dois elementos fundamentais – alma e coração – andem faltando a alguns indivíduos. São aqueles adeptos das quebradeiras de imagens de santos; invasões de terreiros de umbanda; violações de cemitérios, locais sagrados e símbolos desta ou daquela religião, ofensas intoleráveis que revelam as mais nauseantes facetas do ser humano.

Em 2015 o jornal “Charlie Hebdo” foi atacado por islâmicos ofendidos pelas piadas ali publicadas.

Na época, certo ator que posa de guru para a meninada comentou assim o episódio: “Sou totalmente a favor dos humoristas do ‘Charlie’”. Poderia ter parado nesse ponto, mas concebeu a seguir a barbaridade “não sou obrigado a respeitar ‘o sagrado de uma pessoa’”.

Opa! Como não? Pimenta naquele negócio dos outros é refresco? Seria oportuno perguntar ao iconoclasta exibicionista como reagiria caso seus “sagrados pessoais” (Pais? Filhos? Namoradas?) fossem desrespeitados por um safado qualquer.

O mesmo rapaz participa agora de uma produção da TV que debocha de passagens da vida de Cristo. Com razão, o filme vem sendo alvo de protestos das comunidades cristãs e de manifestações nas redes.

Fui checar. Criativamente falando, é rasteiro. O grupo fez coisas divertidas, mas sabemos que a sobrevivência por meio da arte é uma via penosa. Nas fases de baixa ou no declínio, na falta de algo melhor, artistas costumam apelar para temas polêmicos, formatados ao marketing especializado em “chocar”. Tem muito disso por aí.

É fácil perceber no filme a intenção sensacionalista e mau-caráter dos acólitos dessa estranha seita. Ela afronta as características de um grupo, tal e qual fazem racistas, agressores de mulheres, fundamentalistas, homofóbicos e outros radicais. Na verdade, a produção é mais uma agressiva e indisfarçável forma de preconceito – no caso, contra os cristãos e sua fé.

Como se não bastasse, é vergonhosamente contraditória, já que vinda de artistas – aqueles caras tão atuantes quando combatem preconceitos. Ah, sim: mas só se indignam com os preconceitos quando tais preconceitos lhes convêm, não é mesmo?


• Publicado originalmente em O Tempo 12/12
 

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  • Paulo Rabello de Castro
  • 15 Dezembro 2019



Acaba de ser lançado o livro POLÍTICA AGRÍCOLA NO BRASIL, de Ivan Wedekin e vários colaboradores. É uma obra de primorosa clareza. Dá ao leitor - mesmo se não entendido em temas do agronegócio - um verdadeiro passeio guiado pelos meandros da agricultura de hoje e de como chegamos até o ponto onde estamos.

O principal recado do livro vai agradar a quem acredita na força do empreendedorismo e dos incentivos de mercado. Fica clara a noção de que liberar é preferível a intervir. Que fomentar é superior a coibir. Que delegar é melhor do que concentrar e assoberbar. No período de alto intervencionismo do governo sobre os mercados agrícolas, o Brasil era importador de comida e só exportava commodities de tradição centenária, como café, açúcar e algodão. Quando o País parou de recorrer a intervenções, confiscos e tabelamentos, o que coincide com o Plano Real e, a seguir, com a liberação do câmbio, a agricultura até mudou de nome: virou "agribusiness", agronegócio, e mercados mais livres e competitivos empurraram novos cultivos e criações para o centro da ação no campo, bastando lembrar soja, milho, arroz, frutas, suco de laranja, além de toda a cadeia de produção de proteínas animais, frango, carnes bovina e suína, ovos etc.

Óbvio que o milagre do salto agropecuário não foi só por liberalização de mercados. Houve um empurrão, ou vários e fortes, da política agrícola ao longo do tempo. Lembro o mais relevante: pesquisa para adaptar variedades de clima da Europa e EUA aos trópicos e ao bioma do Cerrado. Uma verdadeira TROPICULTURA foi criada, não só por variedades novas e adaptadas, mas por formas inéditas de plantio, cultivo e colheita. Basta lembrar o plantio direto, sem gradear o solo, evitando a erosão provocada por chuvas torrenciais. A produção de grãos se multiplicou por 5 enquanto a área plantada com grãos não chegou a dobrar. O nome disso é um enorme salto de produtividade. Nesta safra 2019, serão colhidos quase 250 milhões de toneladas de grãos. Em soja, passamos a ser o número um do mundo, mas somos número dois ou três em vários outros produtos. E sem perder a majestade na produção do rei café. Mistério desvendado: o fim do suplício das políticas negativas de intervenção, aliado ao choque produtivo da pesquisa aplicada, que virou tecnologia tropicalizada, revelou a pujança de um Brasil agrícola e interiorano em que poucos acreditavam.

A liberação do câmbio em 1999 completou a obra de oxigenação dos mercados. Não ocorreu o pisoteamento da oferta interna pela suposta preferência por exportar. As duas agriculturas geraram mais renda e prosperaram juntas. Mas não sem algum viés. O campo continua com vitórias concentradas em cerca de 1 milhão de estabelecimentos rurais, modernos e profissionalizados. Mas outros 4 milhões ainda carecem de muita informação, insumos modernos e apoio creditício. Muitos produtores são meros assentados ou posseiros. A desigualdade no campo é gritante, mas não precisava ser desse jeito.

O recado do livro de Wedekin é claro. O futuro exigirá: 1) menos desigualdade, 2) mais sustentabilidade, 3) mais e melhor logística, 4) muito mais pesquisa aplicada (agricultura de precisão) e, por fim, 5) mais diplomacia brasileira via agronegócio.

Palavra final: a agricultura vibrante deu ao Brasil as folgadas reservas em dólar que impedem a transmissão das bobagens da política nacional para dentro do sistema interno de preços. Ou seja, sem querer, o sucesso do agronegócio virou guardião maior da estabilidade institucional e da Constituição de 88. Curioso não ?

* Paulo Rabello, Ph.D (Chicago, 1975) foi professor de Economia Agrícola e Economia da Informação na Escola de Pós Graduação em Economia da FGV.
**Publicado originalmente no JB de 11/12
 

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  • Jorge Schwerz
  • 14 Dezembro 2019

 

Vendo a figura alquebrada de Lula após a sua saída da prisão, lembrei-me da personagem de um famoso livro de Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray”. Na obra, o jovem inglês Dorian Gray, tem o seu retrato pintado e, querendo ter a sua beleza preservada para sempre, deseja profundamente que a sua pintura envelheça no seu lugar. O seu desejo é atendido e de maneira não natural mantém a sua beleza física, enquanto o retrato envelhece como a sua alma: suja, mesquinha e mentirosa.

O caso de Lula é o retrato de Dorian Gray ao contrário, Lula parece mais enfraquecido, mesquinho e rancoroso a cada novo discurso, enquanto a figura do grande líder da esquerda sobrevive intacta no imaginário dos seus súditos.
As sandices dos discursos de Lula expõem uma mente que ainda não entendeu que nesses 580 dias que esteve preso, o Brasil mudou. O Juiz que o prendeu agora é o Ministro da Justiça e é aplaudido aonde quer que vá. O seu grande adversário, Bolsonaro, comanda um Governo que começa, aos poucos, a tirar o País da lama e atraso legados pelos governos petistas. Esse novo Governo demonstrou que não é preciso “comprar” apoio para aprovar reformas. É o abandono da política petista.

Cego pelo narcisismo político, o egocêntrico líder da esquerda não percebeu que nos discursos que proferiu após a sua saída da prisão, juntamente com as vozes de suporte, misturavam-se expressões de cautela e indiferença, pois todas as figuras de esquerda que o receberam na saída da Polícia Federal sabem muito bem que tem que lhe render o apoio, mas sabem também que o dedo de Lula está podre e que a sua figura só é bem acolhida por plateias amestradas.

Seu esforço em atacar os adversários não apagam os seus crimes. A cada dia ficam mais claros os crimes cometidos por Lula e, mesmo os longínquos no tempo, como o assassinato do petista Celso Daniel, voltam a ser ligados ao seu nome.
A verdade é que Lula já morreu politicamente, mas ninguém tem coragem de lhe contar a verdade. Enquanto Lula estiver livre, não deixará ninguém liderar a esquerda e tomar o seu lugar. Como diz Ciro Gomes: “Lula é como sombra de mangueira, não nasce nada embaixo”.

Enquanto preso, podiam usar a lorota do “preso político”; solto, é mais um corrupto tentando salvar a própria pele.
A esquerda, tão acostumada a se utilizar de cadáveres para se autopromover está, novamente, sentindo cheiro de carniça e precisa de um novo mártir: Lula.

A única maneira de o príncipe reinar é com a morte do rei.

 

* Jorge Schwerz é Coronel da Reserva da Aeronáutica, MsC pelo ITA e ex-Adido de Defesa e Aeronáutica na França e Bélgica.
 

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  • Irineu Berestinas
  • 08 Dezembro 2019


ncendeiam um País. Destroem o seu patrimônio público. Desrespeitam a constituição e as autoridades. Trabalham intensamente para provocar o caos e institucionalizar a desordem. Provocam os agentes de segurança estatal com o claro objetivo de serem fotografados como vítimas...

 Qual a origem desses protestos? De onde vêm? Quais são os verdadeiros motivos? A grande imprensa relata, sem o mínimo de pudor noticioso, que tudo é feito em nome da "igualdade". O que pode ser confrontado mediante a posse de importantes indicadores sobre a economia chilena. Esse argumento finalístico e "estético" barbariza a lógica da verdade. O que veremos logo adiante.

O Chile possui uma das economias mais bem organizadas da América Latina. Ali, entretanto, um ou outro fator está a exigir correção, sem sombra de dúvidas, como é o caso das aposentadorias, cujo sistema, a meu ver, deve passar por negociação pontual, de tal sorte que os salários na faixa de até dois salários mínimos sejam objeto de contribuições mais ampliadas, quais sejam: a de empresários e do próprio Estado. A formatação atual das aposentadorias desprotege os segmentos de menor renda... Inegavelmente, isso tem que ser revisto, pelo bem da justiça social e do respeito que é devido aos mais pobres. Registre-se, porém, que foi, em grande parte, por meio do sistema de capitalização que os investimentos produtivos ocorreram no País. Uma poupança que irrigou a economia, inquestionavelmente, gerando emprego, renda, tributos e divisas.

 A verdade, porém, não vem à tona no noticiário engajado, pois o Chile possui uma das maiores rendas per capita das Américas, em torno de 24 mil dólares. A do Brasil, por exemplo, é de 13 mil dólares. A par de possuir um dos menores índices de pobreza do continente americano. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é simplesmente invejável no concerto das nações do seu porte. Na formulação do IDH é sabido que entram em sua composição: a expectativa de vida por nascituro, o nível educacional da população e a renda por habitante. E lá a luta está sendo travada por apreço à igualdade... Estamos, simplesmente, pasmados, com exuberante noticiário, tão a gosto dos senhores integrantes da mídia mainstream...

Esse patamar de desenvolvimento foi alcançado pelo Chile sem dispor das mesmas vantagens do Brasil, pois não possui, nem de longe, as riquezas minerais e um agronegócio reluzente como o nosso. Muito menos, o mesmo desenvolvimento industrial e tecnológico. Na verdade, o Chile com muito menos, e apenas com o cobre, frutas, peixes, papel, azeitonas, azeite, vinhos e produtos químicos, muitos deles obtida a matéria prima da madeira, etc, conseguiu uma renda per capita perto do dobro da brasileira.

Daí entram em cena os incendiários e "justiceiros", certamente sob os aplausos e autorização do Foro de São Paulo, associados ao olho gordo dos marxistas culturais e dos venezuelanos do nosso continente, gente, que, provavelmente, não seria nenhum pecado em dizer, pertence à extrema-esquerda, com a pretensão de deter os rumos da história no nosso Continente para submetê-lo ao estado de barbárie de que são aficionados.

  Maduro já se assanhou e faz discursos candentes, no nível da sua inteligência e dos seus experimentos, os quais levaram a Venezuela e o seu povo a ter que conviver, compulsoriamente, com a miséria e a penúria, sob os olhares das armas irretratáveis e vigilantes das suas milícias, algumas delas, certamente requisitados dos seus companheiros de ideologia do continente.

E, por fim, chegam notícias de que um instituto tal de pesquisa foi a campo para medir a popularidade do Presidente Sebastián Piñera, cujo resultado constatou que detém, apenas 10% de aprovação do povo chileno. É verdade que esse cidadão, pelo que se sabe, age de modo pusilânime e leniente, sem o mínimo de zelo e compromisso que o cargo lhe impõe, pois se dispôs a negociar, sob a baderna reinante, questões que podem balançar as instituições do seu país e obstruir o funcionamento de um sistema de vida que deu certo. Esse instituto de pesquisa tem todas as credenciais para integrar um capítulo da História Universal da Infâmia, tal qual o sugerido na epígrafe deste texto, livro a ser editado para coroar um absurdo desses: fazer pesquisa sobre a popularidade do presidente, diante de um clima de guerra, provocado pela gente aqui relatada. É muito cinismo e despropósito... Isso não cabe nem mesmo no surrealismo de Borges, quanto mais no de Kafka...

 

 

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  • Francisco Ferraz
  • 08 Dezembro 2019


“Sobre a nudez forte da verdade,
o manto diáfano da fantasia”

Ler Eça de Queiroz é sempre uma temeridade. Há pessoas que depois de conhecê-lo tomam-no como um companheiro para o resto da vida. Confesso que eu sou uma dessas pessoas.

É difícil ler Eça e não continuar lendo de quando em quando, ao longo da vida, a sua obra.

Difícil não lamentar que sua obra tenha sido tão pequena, sobretudo sua obra de ficção.

Difícil não lamentar que não esteja escrevendo hoje, tendo como cenário Portugal, o Brasil, a Europa... Que falta nos faz Eça para desenhar, em rápidas e fulminantes pinceladas, a tragicomédia política dos nossos dias. Que lástima que não conheceu seu patrício Fernando Pessoa.

Ler Eça na adolescência, como ocorreu comigo, é uma temeridade porque passamos a olhar o mundo e as pessoas com o espírito crítico que se adquire nas obras dele.

Não se trata de um espírito crítico assentado em uma ideologia - raivoso, sério e unilateral. Longe disso, trata-se de um espírito crítico estético e ético e, para dizer a verdade, mais estético que ético. Eça nos ensina a identificar e conhecer as fraquezas humanas habitualmente tão escondidas que ele tão ostensiva e comicamente revela no ridículo dos seus personagens.

Vaidade, falta de escrúpulos, oportunismo, covardia, traição, superstição travestida de religião, mediocridade satisfeita, nulidades preservadas e até promovidas, pusilanimidade, dissimulação são talvez os principais sentimentos que “baixam” em variados personagens do painel pintado por Eça em sua obra.

São sentimentos como esses que na sua pena implacável vão servir para descrever a sociedade portuguesa (sobretudo lisboeta) da sua época (“Lisboa é Paris traduzida em calão”) e para construir as tramas de suas histórias.

Para quem leu Eça precocemente, quanto mais pomposo, mais aparatoso, mais vaidoso, mais enfatuado fosse o indivíduo, maior seria a farsa mentirosa da sua pessoa, cuja realidade tenta cobrir pelo “manto diáfano da fantasia”.

Eu tenho o hábito de dizer que, quem leu Eça na juventude é irrecuperável e incorrigível. Levará pela vida um senso crítico impiedoso; nunca se permitirá ser levado muito a sério; et pour cause será um solitário, um deplacé em meio à multidão de indivíduos politicamente corretos, felizes por pertencerem à manada.

*Ex-reitor da UFRGS
 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 07 Dezembro 2019


XIX - 040/19 - 06/ 12/ 2019


EDITORIAL DE ONTEM
Ainda sobre o editorial de ontem, intitulado - IMPUNIDADE GARANTIDA-, no qual manifestei a minha opinião sobre o que resultou do Projeto de Lei -ANTI-CRIME- depois de ser apreciado pela Câmara dos Deputados, eis como, da mesma forma, reagiu o pensador Paulo Rabello de Castro, que preferiu apelidar, com total razão, como PACOTE ANTI-VÍTIMA.


FOMENTO AO CRIME
Por quase unanimidade (408 votos a favor, 9 contra, 2 abstenções) a Câmara acaba de aprovar o pacote que o autor, Sérgio Moro, chama de ANTI-CRIME. Mas podemos agora reapelidar como PACOTE ANTI-VÍTIMA.

Após 10 meses de protelações e de cocção do ministro mais emblemático do governo, a Câmara envia ao Senado um projeto de combate ao crime, DESFIGURADO E AGUADO. Os bandidos de hoje e de amanhã podem continuar numa boa; o problema do homicídio, do feminicídio, do infanticídio, do latrocínio, do eventual genocídio, tudo isso é azar das respectivas vítimas.

O texto é uma verdadeira POLÍTICA DE FOMENTO AO CRIME, que ficará impune até que transcorridas todas as inumeráveis instâncias que protegem o criminoso em detrimento do clamor universal por uma justiça firme, dura e eficaz.


MUDA SENADO
Cabe aos Senadores e Senadoras, em cujas mãos o moroso projeto passará a tramitar, a incumbência de RESSUSCITAR a intenção inicial do Ministro da Justiça, repondo o início do cumprimento da pena logo após a 2a instância, aumentando a pena máxima de 40 anos para a ela adicionar o número de anos estimados de vida ceifados da(s) vítima(s), o ressarcimento à família do assassinado por meio de trabalhos remunerados do homicida, e a supressão de regimes de progressão e outras facilidades escondidas na pastosa lei penal brasileira que apagam o caráter exemplar que deveria ter o castigo para quem mata, estupra ou desvia verba pública.

Há no Senado um movimento chamado Muda Senado que promete bater de frente contra a corrupção e a ineficiência. Alguns resultados práticos dessa militância política por uma pauta mais próxima ao que pedem as ruas já aparecem: na próxima 3a feira, dia 10, a combativa Senadora Simone Tebet pretende colocar em votação outra iniciativa em favor da prisão após segunda instância, sob o correto argumento de que o Congresso não pode virar as costas para o que o povo clama pelo Brasil afora.


SUSPEITO EM POTENCIAL
Mas as iniciativas boas caminham a pé enquanto os operadores da impunidade trafegam a jato. É uma guerra desigual e travada por poucos no Congresso. Fora de Brasília, a violência campeia. As polícias também praticam a própria lei, muitas vezes em atitude de se vingar do mal que elas próprias sofrem. Episódios como a morte de 9 jovens, enquanto fugiam da violência policial em Paraisópolis, São Paulo, testemunham o grau de agressividade gratuita atingido pelo atrito entre agentes da segurança pública e cidadãos em todas as maiores cidades do País. Nem se pode falar em cidadãos. Qualquer brasileiro comum virou um suspeito em potencial.


IMPUNIDADE GARANTIDA
Mas os criminosos confessos têm suas vidas dentro e fora da cadeia facilitadas por dispositivos legais apenas introduzidos para abrandar o cumprimento da pena, como se o peso da lei fosse um “erro” do legislador, a ser mitigado pelo magistrado. Se o delinquente tiver posses, a chance de mofar na cadeia por um grave delito é rigorosamente zero.

Como esperar que o delinquente em potencial anteveja uma pena rigorosa e tenha certeza de sua execução, quando todos os exemplos na sociedade parecem garantir a impunidade ou a comutação parcial do castigo? Pelo contrário: personagens, como a parricida Suzane von Hichthofen, frequentam as mídias sociais e acumulam seguidores anestesiados pela trajetória quase burlesca do seu precário cumprimento de pena, após haver premeditado o fim da vida de seus próprios pais. As vítimas estão há muito enterradas e esquecidas. Mas o criminoso vive bem, obrigado, e a lei, na prática, enaltece seu péssimo exemplo.


MORO ESTÁ SOZINHO
O ministro Sérgio Moro é um brasileiro que deixou a trincheira do Judiciário na esperança de conseguir, no Poder Executivo, endurecer as leis e tornar sua execução mais eficiente. Parecia ser a proposta de todo o governo. Nem passado um ano, o panorama para o ministro é desolador. Ele aparece sozinho na guerra ao crime. Conta com a população. Mas esta maioria silenciosa só se manifesta entre longos períodos de mudez. O Brasil continua sendo uma aberração no campo da Justiça criminal. E este duvidoso destaque no mundo também nos cobra alto. Quase 1 ponto percentual do PIB anual (cerca de R$70 bilhões) são perdidos porque o País é amigo do crime e dá moleza para o criminoso. Perdemos no turismo, perdemos no comércio, perdemos na logística, perdemos em tudo que é essencial. Perdemos salários, que seriam mais altos. Somos todos vítimas. Enquanto isso a Câmara esquenta a mamadeira dos delinquentes de alto coturno.
 

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