• Carlos Newton, em Tribuna da Internet
  • 28 Janeiro 2017

 

Quando Al Capone foi apanhado sob alegação de estar sonegando impostos, ninguém jamais se importou com a mulher dele, porque os mafiosos costumavam preservar a intimidade do lar, esta era a regra, embora aparecessem exceções, como o casal Clyde Barrow e Bonnie Parker. Aqui no Brasil contemporâneo, ocorre justamente o contrário – os criminosos do colarinho branco fazem questão de envolver a família nos atos de corrupção, não se preocupam em preservar mulher e filhos. No início, tudo é festa, nada como enriquecer ilicitamente... Mas depois, é claro, acabam se arrependendo.

CABRAL E ADRIANA ANCELMO – O ex-governador Sergio Cabral, por exemplo, agiu exatamente como Clyde Barrow e colocou a própria mulher no mundo do crime. Quando se conheceram, Adriana Ancelmo era uma jovem advogada inexperiente em tudo, inclusive em corrupção. Tornaram-se amantes e Cabral resolveu largar a mulher, Suzana Neves, prima do senador Aécio. Daí para a frente surgiu o Casal 171 da política, num festival de corrupção como nunca se viu na administração pública direta.

Detalhe importante: as investigações sobre Cabral estão apenas começando. Falta pescar muito peixe grande, como os ex-secretários Sérgio Cortes (Saúde), José Mariano Beltrame (Segurança) e Luiz Fernando Pezão (Obras), mas tudo tem sua hora.

A HORA DO CHORO – O colunista Mauricio Lima, da Veja, divulga que Sergio Cabral está deprimido, chora muito, seus amigos temem que tente suicídio no presídio de Bangu. É uma possibilidade, claro, e nem seria novidade, pois a repórter Juliana Castro, de O Globo, revela que o vice-almirante Othon Pinheiro da Silva tentou suicídio no regime domiciliar em que se encontra, na Base Naval do Rio Meriti.

Othon tornara-se mito nas Forças Armadas, como um dos responsáveis pelo programa nuclear da Marinha. De repente não é mais nada e está prestes a perder a patente, quando completar dois anos de condenação. Ele destruiu a próxima carreira e o que restava de sua vida. Não envolveu a mulher, mas levou de roldão a própria filha, Ana Cristina Toniolo, que era sócia dele numa firma de trambicagens de engenharia e pegou 12 aos e quatro meses de cadeia.

CUNHA e FAMÍLIA – Embriagado pelo poder e confiante em permanecer impune, o ex-deputado Eduardo Cunha seguiu o mesmo caminho. Sem a menor necessidade, colocou a mulher Cláudia Cruz como cúmplice de seus atos de corrupção, envolvendo-a nos depósitos de contas no exterior.

Ainda não satisfeito, incriminou os filhos Felipe, Danielle e Camilla, sócios da empresa GDAV Serviços de Publicidade, que faturou fraudulentamente R$ 1 milhão da Gol Linhas Aéreas. Agora, Cunha está desesperado, querendo fazer delação premiada, mas pode ser tarde demais, a força-tarefa da Lava Jato não demonstra interesse e ele terá de entregar peixes graúdos, podemos imaginar quais serão eles.

DINASTIA ODEBRECHT – Rico desde sempre, devido ao crescimento da empresa na administração do patriarca Norberto Odebrecht, um empresário que destinava boa parte da fortuna para programas sociais, Emilio Odebrecht preferiu transformar a empreiteira numa máquina de corrupção. Nessa onda, a partir do governo FHC ele montou um dos maiores conglomerados empresariais da América Latina. Depois, introduziu o filho Marcelo na criminalidade, foi curtir a vida e deixou-o com a bomba-relógio no colo.

Marcelo Odebrecht está preso desde junho de 2015, o pai Emilio teve de reassumir a presidência, a delação ainda não foi homologada e o grupo empresarial desmorona de forma impressionante. A família tem dinheiro ilícito para várias gerações, mas precisa mudar de sobrenome – a marca Odebrecht está destruída para sempre.

MARISA LETíCIA SOFRE – Na UTI do Sírio-Libanês, Marisa Letícia luta pela vida. Oficialmente, tem hipertensão, que causou um AVC, mas na vida real ela é vítima do marido, que a destruiu.

A ex-primeira-dama vivia nas nuvens, até novembro de 2012, quando a Polícia Federal trouxe a público o romance de Lula com Rosemary Noronha, que ele nomeara chefe do Gabinete da Presidência. A paixão por Rose era antiga, vinha da década de 90, mas Lula não podia abandonar a esposa. Depois do escândalo, sem alternativa, ele tentou melhorar as coisas fazendo todas as vontades de Marisa Letícia, e foi daí que derivaram os graves problemas da ocultação de patrimônio no tríplex do Guarujá, no sítio em Atibaia e na duplicação da cobertura em São Bernardo do Campo.

Marisa Letícia já virou ré em dois processos de lavagem de dinheiro no tríplex do Guarujá e na duplicação fraudulenta da cobertura da família Lula da Silva em São Bernardo. E ainda falta o sítio em Atibaia, mas já cantaram a pedra, como se dizia antigamente.

A DERROCADA – Mulher de pouca instrução, Marisa Letícia não consegue entender o que vem acontecendo. De repente, o tríplex não é mais seu e nem pode continuar frequentando o sítio de Atibaia, onde reunia quase semanalmente a família. Está desesperada porque o caçula Luís Cláudio é réu na Operação Zelotes e a Polícia Federal aperta o cerco ao filho Fábio Luís e a seus sócios Fernando Bittar e Jonas Suassuna, envolvidos no caso do sítio de Atibaia e em muitas outras falcatruas.

Marisa Letícia desatinou. Perplexa, constatou a ruína da família, e os amigos também estão desmoronando, pois José Carlos Bumlai continua preso e até o advogado-compadre Roberto Teixeira virou réu por atuar na ocultação de patrimônio de Lula. A marolinha virou um tsunami.

Portanto, não é sem motivos que uma mulher hipertensa como ela veio a sofrer um AVC. A culpa é do marido Lula da Silva, que agora, com lágrimas no rosto, pede que os amigos rezem por ela.

Tribuna da Internet
 

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  • Alexandre Garcia
  • 27 Janeiro 2017


Meu amigo Eduardo Almeida Reis, da Academia Mineira de Letras, escreveu esta semana: “Desemprego, febre amarela, dengue, zika, Odebrecht, PCC, Comando Vermelho, Família do Norte, chikungunya, balas perdidas, homicídios, estupros, sequestros e a imprensa brasileira preocupadíssima com o Trump.” Eu acrescentaria: É um recibo de colonialismo. Pior, de incoerência. Aqui, populistas que xingaram o imperialismo americano, agora se queixam do nacionalismo e do populismo de Trump. Quem só observa, como eu, se diverte muito. Dizem de Trump o que diziam de outro Republicano, Arnold Schwarznegger, quando se elegeu governador da Califórnia: “O Exterminador do Futuro”, “Conan o Bárbaro”; ou o que diziam de Ronald Reagan, quando se elegeu presidente dos Estados Unidos: Cowboy canastrão. Pois ambos foram reeleitos. Reagan corrigiu o estrago na economia deixado por Jimmy Carter e acabou com a União Soviética sem dar um tiro, embora ele próprio tivesse sido vítima dos tiros de um fanático.

Agora a história se repete com o coro de frustrados brasileiros, com saudades de sangue derramado no norte da África e no Oriente Médio pela dupla Obama-Hillary. Estou apostando que a parceria Trump-Putin vai acabar com a guerra na Síria e com refugiados voltando da Europa. Vão querer ficar no país em que nasceram, em paz, com liberdade religiosa e sem interferência da dupla Obama-Hillary. Meu amigo carioca, em tempos de Reagan estava em Paris e lembra de se divertir lendo o Le Monde a pingar raiva contra o republicano. Agora diz que se diverte ao ver, ouvir e ler a cantilena no Brasil, em relação a Trump.

O ex-Ministro da Fazenda, emb.Rúbens Ricúpero, disse que uma das primeiras medidas de Trump, de tirar os Estados Unidos da Parceria Trans-Pacífico, vai beneficiar as exportações brasileiras, em especial as da carne e as do agronegócio, que estavam prejudicadas no Japão, Coreia do Sul e outros asiáticos. As empresas americanas que foram produzir na China, já pensam em voltar. Aliás, Trump já enquadrou a maior automotiva, a GM, que percebeu ser melhor voltar para casa, em lugar de dar emprego no México. As grandes empresas japonesas já anunciaram que querem criar empregos nos Estados Unidos. Aqui na vizinhança, outro empresário-presidente, Julio Cobos, está levando para o Paraguai empresas brasileiras cansadas da insegurança e dos impostos absurdos, para produzir por lá, pagar ínfimo imposto e exportar tudo para o Brasil, substituindo produtos chineses. O Brasil cria empregos no Paraguai.

Trump não dá a mínima para a ditadura do politicamente correto. Diz o que pensa. Segundo o ex-ministro Ricúpero, ganha no grito. Ameaçou a China para depois recuar em troca de vantagens para os Estados Unidos. Certamente os americanos que estão ganhando seus empregos de volta não haverão de concordar com a guerra midiática que, aliás, só vai acabar no cansaço. Por aqui, como recomenda o excelente Fernando Gabeira, jornalista e ex-deputado, o melhor é cuidar de nós, depois do desastre bíblico que herdamos dos governos de esquerda, comparável às sete pragas do Egito, com 12 milhões de desempregados. Desviar isso para o presidente americano é assinar atestado de colônia.

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  • Luís Milman
  • 27 Janeiro 2017

 

Uma das falácias mais comuns utilizadas pelos esquerdistas é a tomada do todo pela parte ou o contrário. Chamo a esta falácia de a estratégia da justificação defensiva, pelo seguinte motivo. Você diz que o PT é o partido mais corrupto da história moderna da humanidade - esta é uma verdade objetiva, é a parte que importa, no caso - e vem o esquerdista alegando que a corrupção é um mal estrutural do capitalismo, em maior ou menor escala, que sempre esteve presente na nossa história e nas pequenas atitudes dos brasileiros, como dar um jeitinho nas coisas, tentar subornar um policial, colar nas provas e por aí vai ( o todo que justifica).

É só ver o caso de Leandro Karnal, um charlatão que a mídia adora e que faz comentários, com cinismo falacioso, sobre notícias, no Jornal da Cultura. Para ele, a nação inteira é corrupta, assim não devemos nos indignar com o Petrolão, nem culpar o PT, por exemplo, porque somos, indiretamente, responsáveis pela corrupção - o todo que justifica-. A premissa de que todos somos desonestos se infere de uma outra, mais ampla, antiga e oculta no argumento comunista, a de que a sociedade, sob o domínio da burguesia, é corrupta de modo sistêmico.

Não faz muito que a filósofa oficial do comunopetismo, Marilena Chauí, desandou a defender este estrupício conceitual e a vociferar contra a classe média, que ela diz ser criminosa. Como se nos regimes comunistas o signo principal, descontados a opressão e a miséria, não fosse, justamente, a corrupção. Já aos verdadeiros bandidos, Chauí empresta solidariedade. Assim, como não podem negar que o PT roubou de forma inigualável, a estratégia é relativizar o crime. Mas a verdade é que a grande maioria das pessoas, no mundo capitalista e democrático, se comporta nos limites da moralidade e da legalidade e condena, desde os pequenos até os megadelitos.

Mais ainda: não há termo de comparação entre a alegada leniência com pequenos delitos, que Karnal, bem como a tigrada intelectual esquerdista, nos atribui, e a megacorrupção induzida politicamente pelo PT . Este sim é uma organização criminosa que se instalou no estado, que inaugurou o Mensalão e o Petrolão, como revelou a justiça.

Esquerdistas caras-de pau (isto é uma redundância) partem para explicar a parte (a corrupção petista) pelo todo (más condutas genéricas das pessoas) para justificar a roubalheira desbragada de um partido político revolucionário, uma organização criminosa, na ideologia e nos métodos, que tentou eternizar-se no poder minando toda a base moral das relações sociais, econômicas e políticas do país. As consequências do avanço petista sobre a sociedade brasileira se farão ainda sentir por décadas.

* Professor de Filosofia.
 

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  • José Maria e Silva
  • 26 Janeiro 2017



 “Paulo Freire: Rousseau do século 20.” Quem faz essa afirmação, em um alentado livro de 324 páginas publicado em 2011 na Holanda e que leva justamente esse título, é o indiano Asoke Bhattacharya, professor da Universidade de Calcutá. De fato, Paulo Freire é a versão atual do autor de Emílio, ou Da Educação (1762), que muita influência teve na pedagogia. Mas, como ironiza Émile Durkheim, quem confiaria a educação de uma criança ao desnaturado Rousseau, que abandonou a própria prole?

Essa pergunta cabe em relação a Paulo Freire, que prega a liberdade, mas cultua totalitarismos. Pedagogia do Oprimido, uma espécie de manual de autoajuda marxista, idolatra a “linguagem quase evangélica” do “humilde e amoroso” Che Guevara, enaltece sua “comunhão com o povo” e, valendo-se de um jogo vazio de palavras, justifica as execuções sumárias que ele perpetrava sem piedade: “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida”.

Essa frase assassina inspira Moacir Gadotti, discípulo predileto do mestre, que, em Pensamento Pedagógico Brasileiro, despreza o grande pedagogo escola-novista Lourenço Filho, mas se rende a Lenin e Mao Tsé-tung. Ambos são tratados por Gadotti como “grandes pedagogos da humanidade”.

Pedagogia do Oprimido, que deu fama mundial a Freire, é menos um tratado que um panfleto. Até seus discípulos são obrigados a reconhecê-lo. Ao observar que Paulo Freire “foi saudado como um dos fundadores da pedagogia crítica”, Bhattacharya observa que isso “não é errado, mas também não é muito preciso”, pois vários filósofos educacionais antes dele foram críticos em relação à pedagogia tradicional. “Portanto, não é a atitude crítica de Freire, mas seu ativismo político que o diferencia de alguns (mas não de todos) os filósofos canônicos educacionais”, diz o professor indiano.

O “Método Paulo Freire”, com mais propaganda que resultados, foi uma ferramenta populista de João Goulart financiada com dinheiro norte-americano do acordo MEC-Usaid. E nem era inédito: o uso de palavras geradoras na alfabetização já estava presente em outras propostas pedagógicas, como o “Método Laubach”, muito disseminado no Brasil. O que Paulo Freire fez foi carregar as palavras de ideologia revolucionária, a pretexto de falar da realidade do aluno. É como se o pedreiro tivesse de se restringir ao tijolo; o lavrador, à enxada; o carpinteiro, ao serrote. O que seria da cultura brasileira se Machado de Assis fosse obrigado, em sua alfabetização, a tartamudear sobre o morro em que nasceu?

O reducionismo pedagógico é o grande legado de Paulo Freire. Juntando-se ao “construtivismo pós-piagetiano”, ele inspirou o “preconceito linguístico”, que vilipendia a norma culta do idioma; a “geografia crítica”, que mistura bairrismo com economia marxista; a história em ação, que eterniza o presente; a matemática étnica, que cria analfabetos em tabuada. Paulo Freire relativizou o conhecimento, anulou a autoridade do professor e, sobretudo, assassinou o mérito – inviabilizando a possibilidade de educação. O ranking global divulgado no fim de novembro que o diga.

• José Maria e Silva, jornalista, é mestre em Sociologia.
• Publicado originalmentena Gazeta do Povo de 03.12.2012)
 

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  • Claudir Franciatto
  • 26 Janeiro 2017

 

(Publicado originalmente no Instituto Liberal)

No livro A Façanha da Liberdade, publicado em 1985, o liberal venezuelano Carlos Rangel – que era chamado de “lacaio do imperialismo americano” em sua terra natal e de cujo estranho suicídio em 1988 trataremos em outro artigo – participou enviando um artigo exclusivo.

Um dos pontos de destaque desse artigo, lúcido em sua análise da tragédia latino-americana por sua herança estatista e sua facilidade em cair no canto da sereia socialista, foi o de nos lembrar das potencialidades do capitalismo liberal em gerar riquezas, na visão de ninguém menos que Karl Marx. Aqui vai o trecho de sua análise, lembrando-nos de algo pouco percebido e comentado:

É certo que, com relação à capacidade criadora de riqueza do capitalismo, seguindo as pegadas de Adam Smith, ninguém a reconheceu com tanta força como Marx, no “Manifesto Comunista” , onde lemos que “no curto século que a coloca como classe soberana (ele escreveu isso em 1847), a burguesia criou energias produtivas muito mais grandiosas e colossais que todas as gerações anteriores juntas”. E também afirmou que “ninguém nos séculos passados poderia suspeitar que no seio da sociedade fecundada pelo trabalho humano ficassem soterradas tantas e tais energias e elementos de produção”.

Também por isso, reafirmo sempre que nós, os liberais clássicos, não defendemos o capitalismo. Nossa preocupação é sempre a de apenas constatar a inexorabilidade desse sistema, uma construção natural e espontânea da convivência humana. E a de rechaçar as alternativas que até agora nos foram oferecidas. Estas se provaram calamitosas, utopias revolucionárias saídas de mentes deturpadas.

O capitalismo está longe da perfeição, mas é mesmo o único sistema que, uma vez livre das injunções destrambelhadas dos tecnocratas estatistas, possui a capacidade de fomentar as riquezas que podem e devem realizar o bem estar geral. Até o fundador do marxismo sabia disso.

Sobre o autor: Claudir Franciatto é jornalista e escritor. Autor e organizador do livro A FAÇANHA DA LIBERDADE, obra editada pelo jornal O Estado de S. Paulo, com participação de liberais brasileiros e mais Mário Vargas Llosa, Octavio Paz, Carlos Rangel, entre outros.

 

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  • Luís Milman
  • 25 Janeiro 2017

 

Uma das falácias mais comuns utilizadas pelos esquerdistas é a tomada do todo pela parte ou o contrário. Chamo a esta falácia de a estratégia da justificação defensiva, pelo seguinte motivo. Você diz que o PT é o partido mais corrupto da história moderna da humanidade - esta é uma verdade objetiva, é a parte que importa, no caso - e vem o esquerdista alegando que a corrupção é um mal estrutural do capitalismo, em maior ou menor escala, que sempre esteve presente na nossa história e nas pequenas atitudes dos brasileiros, como dar um jeitinho nas coisas, tentar subornar um policial, colar nas provas e por aí vai ( o todo que justifica).

É só ver o caso de Leandro Karnal, um charlatão que a mídia adora e que faz comentários, com cinismo falacioso, sobre notícias, no Jornal da Cultura. Para ele, a nação inteira é corrupta, assim não devemos nos indignar com o Petrolão, nem culpar o PT, por exemplo, porque somos, indiretamente, responsáveis pela corrupção - o todo que justifica-. A premissa de que todos somos desonestos se infere de uma outra, mais ampla, antiga e oculta no argumento comunista, a de que a sociedade, sob o domínio da burguesia, é corrupta de modo sistêmico.

Não faz muito que a filósofa oficial do comunopetismo, Marilena Chauí, desandou a defender este estrupício conceitual e a vociferar contra a classe média, que ela diz ser criminosa. Como se nos regimes comunistas o signo principal, descontados a opressão e a miséria, não fosse, justamente, a corrupção. Já aos verdadeiros bandidos, Chauí empresta solidariedade. Assim, como não podem negar que o PT roubou de forma inigualável, a estratégia é relativizar o crime. Mas a verdade é que a grande maioria das pessoas, no mundo capitalista e democrático, se comporta nos limites da moralidade e da legalidade e condena, desde os pequenos até os megadelitos.

Mais ainda: não há termo de comparação entre a alegada leniência com pequenos delitos, que Karnal, bem como a tigrada intelectual esquerdista, nos atribui, e a megacorrupção induzida politicamente pelo PT . Este sim é uma organização criminosa que se instalou no estado, que inaugurou o Mensalão e o Petrolão, como revelou a justiça.

Esquerdistas caras-de pau (isto é uma redundância) partem para explicar a parte (a corrupção petista) pelo todo (más condutas genéricas das pessoas) para justificar a roubalheira desbragada de um partido político revolucionário, uma organização criminosa, na ideologia e nos métodos, que tentou eternizar-se no poder minando toda a base moral das relações sociais, econômicas e políticas do país. As consequências do avanço petista sobre a sociedade brasileira se farão ainda sentir por décadas.

* Professor de Filosofia.
 

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