(Publicado originalmente em www.pralmeida.org; http://diplomatizzando.blogspot.com)
Desde o início do milênio atual, com absoluta constância desde 2003, dei início a esta série que denominei, provocativamente, de “previsões imprevidentes”, ou seja, o contrário daqueles chutes bem informados que todo astrólogo amador, ou profissional, faz a cada final ou começo de ano. A diferença de minhas previsões, em relação a essas afirmações científicas dos adivinhos de plantão, é que as minhas não estão de modo algum destinadas a serem confirmadas pelo carro sempre balouçante da História: ao contrário, elas foram expressamente concebidas para, justamente, não se realizarem.
Devo dizer que desde o início da década passada, eu vinha sendo ajudado – e como! – pelos companheiros e suas políticas tresloucadas: cada vez que eles expunham um programa, uma nova política, uma medida macro ou setorial, eu sempre apostava exatamente o contrário. E pimba!: não hvia nenhuma chance das coisas acontecerem, da forma como eles queriam. Alto lá: corrijo imediatamente: a coisa sempre se desenvolvia de modo totalmente inverso ao pretendido. Os companheiros eram infalíveis nesse jogo.
Confesso que fiquei repentinamente órfão: com o afastamento totalmente injusto dos companheiros do poder, por meio desse golpe aplicado pela direita, pelos tucanos neoliberais, pela grande mídia, pelos capitalistas mancomunados com o perverso imperialismo, pelos banqueiros conspirando com o capital financeiro monopolista internacional – enfim, por todos aqueles que não são companheiros, ou pecedobistas, ou psolistas, ou gramscianos de academia, ou teólogos da libertação, ou saúvas freireanas e pedagogos da conscientização, os que não são progressistas, esquerdistas, modernistas, pós-modernos, partidários do politicamente corretos, enfim, toda essa fauna, que lutou bravamente contra os golpistas organizados por aquele ex-presidente da Câmara, ufa!, retomo –, com esse atentado fundamental contra a democracia companheira fiquei totalmente sem a ajuda dos ditos companheiros na minha elaboração regular, anual, destas previsões imprevidentes. Eu estava ameaçado de ficar agora sem previsões.
Estava até disposto a apoiar um movimento de novas eleições, só para ter um pequeno laivo de esperança no retorno dos companheiros ao poder, especialmente do chefão mafioso, e com isso poder voltar a elaborar minhas previsões com plena certeza de que nunca vou acertar, ou melhor, sabendo que vou acertar errando redondamente (ou quadradamente, como poderia ser o caso em se tratando desse pessoal de apoio).
Antes, porém, de me debruçar sobre minhas novas previsões imprevidentes e imprevisíveis para o ano da graça de 2017, vamos fazer um pequeno retrospecto. Aliás, que graça tem esse ano que começa? Depois de dois anos de recessão, vamos continuar recuando no poder de compra, pois o fraquíssimo crescimento da economia, previsto pelos gurus habituais, ficará bem abaixo da inflação, pela primeira vez, não dentro da meta, como andam anunciando, mas dentro da banda, que já é larga. Então, vamos ver o que é que eu que tinha previsto para este ano de 2016, nesta tresloucada profissão?
Previsões imprevidentes para 2016: pela primeira vez a imprevisão ganha da previsão (Brasília, 31 de dezembro de 2015)
1) Criação do programa Pedaladas Legais
2) Cristo Redentor entra no programa de concessões companheiras
3) Companheiros aderem ao livre comércio... de talentos
4) Protocolo aditivo à convenção da ONU sobre corrupção
5) O governo companheiro vai conseguir equilibrar as contas nacionais
6) Os companheiros renovam sua promessa de não mais roubar
7) A Justiça aumenta sua produtividade em 350%
8) Os industriais da FIESP param de reclamar do aumento de juros
9) O PSOL reconhece que Cuba pode não ser um modelo para o Brasil
Como todos podem constatar, eu errei todas, ou seja, acertei a totalidade das minhas previsões, sucesso a 100% portanto. (Quem quiser conferir o detalhe de cada uma dessas previsões destinadas fatalmente ao fracasso completo, pode ver neste link:http://www.diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/01/previsoes-imprevidentes-para-2016.html).
OK, chega da enrolação típica dos preguiçosos. Mesmo sem a contribuição que sempre considerei fundamental dos companheiros, vou tentar arriscar novas previsões imprevidentes para o ano que está começando. Fazer esse tipo de chute contra o futuro imediato apresenta um alto risco, pois nas condições surrealistas do Brasil atual – quando não se sabe quem é situação, quem é oposição, que deu golpe e quem o sofreu – as coisas mais surpreendentes podem ocorrer, até minhas previsões darem certo, ou melhor, errado, e tudo se realizar contra os prognósticos. Vamos portanto dar a partida nos chutes, em mais um exercício de surrealismo futurista na total irresponsabilidade dos adivinhadores improvisados, assim como quem faz esporte com uma bola de ferro amarrada numa das pernas, com uma mão amarrada nas costas, com um olho tapado.
1) Companheiros aderem definitivamente à honestidade teórica
Depois de tentar todas as demais maneiras ter sucesso no mundo da política e dos negócios em famiglia, os companheiros decidiram anunciar que estavam, formal e oficialmente, renunciando a qualquer intermediação escusa com grandes companhias estatais e privados, et pour cause: com todos os seus principais operadores e executivos temporariamente fora de combate – com uma única e grande exceção – e com todos eles colocados na mesa de escuta de companheiros outrora aliados na causa da justiça social, eles decidiram enveredar por novas formas de empreendedorismo político e social, caçando as sandálias da humildade, prometendo ir à missa todos os domingos e comer o pão bento da honestidade. Não sabemos ainda se eles conseguirão refrear seus instintos adquiridos ao longo de anos e anos de treinamento intenso nas artes que o Padre Vieira já encontrava insuperáveis nestas paragens de Pindorama, mas o fato é que eles parecem sinceramente engajados no novo jogo da castidade política. Vai ser difícil, sobretudo com respeito aos companheiros que ainda ocupam cargos públicos, e que podem, por isso mesmo, fazer um por fora), mas o comitê central (ops, a direção) já avisou que a ordem, por enquanto, é se mostrar bem comportado, pelo menos enquanto a República de Curitiba estiver alerta e lépida nos procedimentos. (Atenção: eu disse “teórica”.)
2) Governo golpista anuncia anistia preventiva, com validade de dez anos
Um imenso alívio ouviu-se nos mais diferentes recantos do país: do Oiapoque ao Chuí, a chusma respirou aliviada com essa promessa de cheque em branco, quero dizer, de vale habeas-corpus com prazo delongado de validade, até, pelo menos, que consigam aprovar a tal lei do “pega leve” no propinoduto. A medida (ainda provisória, mas que deve ser rapidamente aprovada pelos garotos em plenário) não concede total liberdade preventiva aos meliantes políticos, apenas alivia os processos, solicitando documentos em cartório, em três vias cada um, devidamente legalizados, antes de passar por três comissões parlamentares e obter pelo menos dois relatórios favoráveis, o que deve fazer com que cada processo demore três legislaturas, tempo suficiente para que cada um em perigo possa repousar na doce aposentadoria congressual. Estava sendo esperada essa medida, pois do contrário não seria possível votar mais nada na Santa Casa legislativa.
3) Odebrecht passa a operar unicamente com o banco do Vaticano
A caminho de uma difícil regeneração, com seu patrimônio diminuído em vários bilhões de dólares, e governos arredios a continuar operando com uma empresa que parece ter o DNA da malversação, ou seja, ser geneticamente corrupta, a outrora maior construtora do país liquidou todas as suas 3.547 contas em 189 bancos em 25 países, e anunciou solenemente que, doravante, e em conformidade com seu espírito cristão, vai trabalhar única e exclusivamente com o Istituto per le Opere dei Religione, mais vulgarmente conhecido como Banco do Vaticano (antigamente Ambrosiano, mais do que centenário), indiferente ao fato de que o banco já foi colhido mais de uma vez em lavagem de dinheiro pelo Fisco italiano. O que vale, no entanto, são as boas intenções: a Odebrecht e o IOR devem fazer uma bela dupla a caminho do paraíso fiscal. As duas empresas prometem se sustentar mutuamente, e até combinaram que vão fazer confissões conjuntas, desde que essas delações premiadas mereçam indulgência eterna, o que o papa peronista prometeu examinar. Como diria Santo Agostinho, “Uma virtude simulada é uma impiedade duplicada: à malícia une-se a falsidade.”(Quem duvidar da total correção e da fidelidade desta frase aparentemente debochada pode ver aqui:http://www.frasesfamosas.com.br/frases-de/agostinho/).
4) Teremos candidatos absolutamente honestos sendo preparados para 2018
A palavra do momento é aquela famosa frase – provavelmente mentirosa – sobre a “mulher de César” (quem era ela, mesmo?). Segundo essa hipocrisia cansativamente repetida por 11 jornalistas entre cada 10, ela deveria não só ser, como parecer honesta. Ninguém conferiu, no entanto, se era isso mesmo que ocorria naqueles tempos de traições e golpes baixos E alguém de fato acreditava nessa coisa? Repetida a frase, todo mundo seguia adiante, como se nada tivesse acontecido, e assim segue a vida. Em todo caso, já aquecendo os músculos para a maratona do ano seguinte, os principais candidatos a qualquer coisa, estão em busca de novos laranjas naquele cantinho da Ucrânia cuja soberania ainda permanece indeterminada, pelo menos enquanto durar o reinado do neoczar. Vão precisar de um dicionário de bolso russo-português, mas nada que a Amazon não possa encontrar, inclusive em formato Kindle, o que facilita um bocado os negócios. Estima-se novo equilíbrio no balanço de pagamentos da Ucrânia oriental, a ponto de poderem até emprestar para a pátria-mãe, caso as sanções se agravem no futuro imediato.
5) PEC dos Gastos ganha Emenda constitucional: banda da inflação
Com o agravamento da situação fiscal dos estados e municípios, e sem a possibilidade de criar novos ou amentar os impostos já existentes, os parlamentares resolvem fazer um favor a seus amigos governadores e aprovam uma emenda à emenda constitucional (de número 117, na sequência linear) sem mudar o vínculo dos gastos públicos à inflação, mas criando uma banda para o número, que deixa de ser um número e passa a ser um espaço flexível, com trezentos pontos-base para lá e mais trezentos para cá. Chamado de “nova banda diagonal endógena”, o sistema, engenhoso, como se vê, vai permitir salvar “gregos e goianos”, empurrando as obrigações futuras para os tataranetos dos atuais estudantes do ensino fundamental. Trata-se de um novo conceito de ajuste gradual e seguro, compatível com a qualidade reconhecida dos melhores economistas da UniCamp e adjacências. Os brasileiros, sobretudo os desempregados, podem dormir tranquilos: não há que os economista da UniCamp não imaginem que os bravos representantes do povo deixam de aproveitar em seus labores parlamentares.
6) Trump propõe um pacto de não agressão ao Estado Islâmico
Ops, esse tipo de previsão internacionalista não costuma fazer parte do menu habitual de previsões imprevidentes (e irresponsáveis) já tradicionais neste blog, mas como é preciso exercer todas as competências que a divina providência nos concedeu, aqui vamos nós pelos terrenos sempre pantanosos das relações internacionais. O fato é que o novo, imprevisível e imprevidente, presidente da maior potência planetária (depois da torcida do Barça, claro) ainda em estado de propor qualquer coisa fez uma oferta aparentemente irrecusável ao califa-chefe do Daesh, também conhecido como EI: parar com o mercado de escravas brancas em troca de deixar estacionados na Turquia os drones ditos inteligentes. O EI ficou de pensar, e ao que parece só vai parar com seu departamento de operações estruturadas se a OTAN enviar um suprimento adequado de garotas de programa, de maneira a aquietar os ardores belicistas dos seus combatentes do profeta. Não se sabe, no momento do fechamento destas previsões, se negociações sérias poderiam ser estabelecidas num terreno apropriado, em Genebra ou Viena, de preferência, com interrupções para algumas escapadas no Folies Bergères.
Voilà: é tudo que eu posso prometer para o novo ano que pronto se inicia, mesmo sabendo que minhas previsões imprevidentes são tudo, menos seguras. Não se pode oferecer certezas num país no qual sequer sabe se vamos terminar o ano com o mesmo governo. Em todo caso, eu desejo a todos e a todas (ou a todxs, como quer certo pessoal chatérrimo), um feliz início, um ótimo desenvolvimento e uma excepcional finalização de um ano altamente incerto, como são, aliás, estas minhas previsões imprevidentes. Nisso 2017 também me ajuda, já que nem toda bola de cristal funciona.
Numa coisa, portanto, estou alinhado com eles: sem os companheiros eu estava me sentindo, como direi?, órfão, sem qualquer indício de que poderia contar com eles para errar em toda a linha (ou seja, acertando 100% dos chutes formulados ao longo dos últimos treze anos durante os quais fui por eles maltratado). Eu lhes sou, de verdade, devotamente reconhecido: sem sua proverbial inépcia, sua incompetência, aa tradicional improvisação, a tremenda burrice, a estupidez contumaz e a sua ignorância crassa, eu teria corrido o risco de acertar algumas, pelo menos, de minhas previsões ao longo de todo este milênio tão rico de babaquices por eles perpetradas. Se vocês duvidam do que estou dizendo, basta conferir a série completa:
Previsões anteriores:
2016:
2912. “Previsões imprevidentes para 2016: pela primeira vez a imprevisão ganha da previsão”, Brasília, 31 dezembro 2015, 5 p. Continuidade do exercício, com apenas quatro previsões imprevisíveis. Postado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/12/previsoes-imprevidentes-para-2015-pela.html), e disseminado no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1061451080585008). Revisão ampliada, 14 de janeiro de 2016, 8 p. Postado novamente no Diplomatizzando (link: http://www.diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/01/previsoes-imprevidentes-para-2016.html) e no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1069196793143770).
Para as previsões anteriores a 2016, ver estas duas postagens:
Preparando as previsões imprevidentes para 2016: conferindo as de 2015:
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/12/preparando-as-previsoes-imprevidentes.html
e
Preparando as previsões de 2016: algum retrospecto pode ser útil:
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/12/preparando-as-previsoes-imprevisiveis.html
A despeito de tudo, e desculpando qualquer erro de previsão, feliz 2017 a todos!
Paulo Roberto de Almeida
* Doutor em Ciências Sociais e diplomata de carreira.
(Publicado originalmente em http://bdadolfo.blogspot.com.br/)
Cansado de ouvir tantas besteiras na grande imprensa, decidi escrever esse post.
1) Quem é a nova direita?
Resposta) A nova direita é a mesma de sempre: reúne liberais, conservadores e anticomunistas em geral. A nova direita reúne pessoas comuns que só querem ser deixadas em paz, que querem um Estado eficiente e que respeite nossas famílias, nossas liberdades, e nossas instituições. Nós sempre estivemos por aqui, mas a grande mídia, os intelectuais, o "beautiful people", e movimentos organizados (tais como sindicatos, e movimentos estudantis) há muito tempo fazem questão de nos ignorar. Esse pessoal dividiu o mundo entre PT (partido de esquerda) e PSDB (partido de centro esquerda), e passou a chamar qualquer um mais a direita do PSDB de extrema direita, ultra radical conservador, ou neoliberal.
O avanço da internet e de mídias alternativas deu vazão, deu representatividade ao que agora se chama de Nova Direita. Daí a impressão de que nosso crescimento é grande, na realidade os conservadores e liberais no Brasil sempre foram maioria. Eram apenas deixados de lado, mas isso está mudando e incomoda muita gente. Incomoda principalmente os "intelectuais", os partidos de esquerda, e jornalistas que estavam acostumados com o monopólio da bondade da esquerda no debate nacional.
2) O Que a Nova Direita pensa?
Resposta) Valorização do indivíduo e da família como unidade básica da sociedade, isto é, a direita quer menos poder para o Estado e mais poder para o indivíduo. A direita não gosta de coletivos (tais como sindicatos) tomando decisões que deveriam ser tomadas pelo indivíduo. A direita protege a vida desde sua concepção, pois entende que o direito a vida precede qualquer outro direito. A direita defende também o direito do indivíduo defender sua família e sua propriedade. Logo, a direita é a favor da propriedade privada e dos meios privados necessários para defende-la (tal como o porte de armas). A direita é também a favor da responsabilização individual, o que quer dizer que a culpa em última instância pelo ato criminoso é do indivíduo. A direita defende também o direito dos pais educarem seus filhos de acordo com sua crenças e convicções. A direita costuma gostar da tradição, pois entende que as tradições são respostas a problemas já esquecidos pela sociedade, e o abando de determinadas tradições pode resultar na volta de antigos problemas. Por fim, a direita é sempre favorável a mudanças lentas na sociedade. Isto ocorre por causa de nossa desconfiança na capacidade do Estado. Logo, para evitar grandes rupturas da ordem, o melhor é que a mudança seja sempre gradual. Assim, sempre será possível corrigir eventuais erros antes que os mesmos se transformem em catástrofes.
Em resumo, a direita defende a liberdade individual, a propriedade privada, e a vida humana. Exatamente por que os "intelectuais" temem tanto a direita?
3) Por que os "intelectuais" temem tanto a Direita?
Resposta) Já notou a quantidade de analistas na grande mídia que diz temer o crescimento da direita? Ora, a direita defende a liberdade individual, a propriedade privada, e o direito a vida. Exatamente por que isso é perigoso? É perigoso apenas para os esquerdistas que se acostumaram a ter o monopólio das virtudes. A esquerda domina tanto a academia como os veículos de comunicacao em massa, o crescimento da direita representa para eles uma ameaca direta ao seu monopólio na divulgação das ideias, e ver seu monopólio em xeque os assusta.
Note que a esquerda taxa seus inimigos de "canalhas", "xenófobos", "homofóbicos", entre outras ofensas. Em momento algum ela discute ideias, a esquerda perdeu o hábito de debater. Quando você ouvir algum "intelectual" dizendo estar com medo da ascensão da nova direita pergunte a ele o porque dele ter medo das ideias de liberdade, propriedade, e vida. Você verá que ele irá lhe ofender, mas nunca irá lhe responder.
Eu sou um conservador, não sou um radical e nem um canalha. Defendo ideias nobres, ideias que são o coração de nossa sociedade. Basta de ofensas! Eu exijo respeito ao meu pensamento!
(Publicado originalmente em www.institutoliberal.org.br)
No início não acreditei. “Só pode ser brincadeira”, pensei. Mas infelizmente parece que a coisa é séria: algumas feministas suecas chegaram ao ponto de dizer que prefeririam o estupro a serem salvas por um homem! Isso porque consideram a intervenção masculina como machismo, já que elas alegam que podem proteger a si mesmas.
É evidente que a imigração para a Europa trouxe inúmeras atribulações àqueles países – o que a esquerda insiste em negar. A despeito da grande quantidade de imigrantes que nada tem a ver com os crimes que são praticados por estrangeiros, é inegável que os casos de estupros cometidos por imigrantes sejam um fato concreto.
Mas segundo o site Woman Against Feminism UK, algumas feministas obcecadas não estão preocupadas se as mulheres estão sendo estupradas e se não podem se defender. As feministas nem mesmo estão minimamente inquietas com o fato de seus governos negarem a ligação que existe entre o aumento dos estupros e o aumento da imigração. Sabe o que realmente revolta essas mulheres? O fato de que “os homens querem protegê-las do estupro”.
As radicais criaram a hashtag #inteerkvinna, que em sueco significa “Não sua mulher”. Algumas escrevem: “Não precisamos de vocês! As Mulheres podem proteger a si mesmas!” Contudo, de acordo com a indagação do Woman Against Feminism UK, onde estão os grupos de vigilantes feministas para proteger as mulheres? Estão na internet e postando fotos com cartazes inúteis! Nenhuma mulher será protegida com cartazes onde se lê a palavra “Peace” nem com vozes emocionadas cantando “We are the world, we are the children…” Isso não passa de pose para ganhar likes.
Quando Luiz Felipe Pondé publicou seu texto intitulado Nós que Amamos as Mulheres no qual defendia que os homens, por serem fisicamente mais fortes, deveriam proteger as mulheres, feministas histéricas surgiram para falar bobagens consoantes com aquelas ditas pelas feministas europeias. Quer dizer, ao passo que o filósofo apontava que os homens deveriam se encarregar da segurança das mulheres que amam, as feministas diziam que seu texto era machista por insinuar que as mulheres seriam frágeis e precisariam dos homens para se proteger.
Talvez o leitor já tenha visto, mas na Alemanha, que tem sido vitimada pelos mesmos problemas de vários países europeus, também existem feministas que preferem os estupradores, vide a imagem abaixo:
Nem racistas, nem estupradores, todos devem ser combatidos, inclusive esse tipo de feminismo que está mais próximo dos criminosos do que imagina. Mas é inacreditável. Não há limites para a paranoia militante. Se a moda pega, um homem que livrar a mulher de um estupro pode ser considerado machista por salvá-la de um criminoso. O que fazer? Novamente é a política sectária prestando um desserviço àqueles que alegam apoiar.
A mulher que está sendo vítima de um estupro quer ser socorrida. Aquele que intervém em seu favor pode ser negro, branco, indígena, gordo, alto, europeu ou não. Digo mais, a mulher que está sendo estuprada não reclamaria se fosse salva por um neonazista ou por um assaltante de bancos. Não importa, a mulher vítima de uma violência inconcebível como o estupro só quer se livrar do estuprador. Difícil entender isso? Tudo indica que para as feministas sectárias, sim.
Os estupradores são mais odiados por outros criminosos do que por feministas tais como estas suecas transtornadas, o que me leva a concluir que esse feminismo absurdo advogado por lunáticas como elas só pode ser um tipo de crime. Um crime contra as mulheres que sofrem uma violência traumática e inesquecível como o estupro.
Mas o que esperar de pessoas que nada tem na vida a não ser uma causa radical?
Talvez um dia, como assinala o Woman Against Feminism UK, as feministas possam oferecer algo a mais para as mulheres além de seus protestos na internet e das suas manifestações que servem como desculpa para poderem andar sem roupa pelas ruas.
Diferentemente dos homens que defendem as mulheres, essas feministas que dizem preferir o estupro a proteção masculina não passam de covardes. Ainda de acordo com o Woman Against Feminist UK, essas feministas “não vão defender os direitos das mulheres na Europa porque isso significa que elas teriam que assumir uma pequena quantidade de risco pessoal”. Não resta dúvida que é mais fácil postar fotos com cartazes e com o punho cerrado e erguido do que organizar grupos que enfrentem estupradores violentos, fisicamente mais fortes, e em quantidade significativa.
Enquanto essas feministas radicais ficam girando dentro de si mesmas e alimentando reciprocamente seus delírios políticos, as mulheres só querem liberdade, o que esses movimentos sectários detestam.
Quando a bela Carol Teixeira foi perguntada sobre afinal, o que quer uma mulher, ela respondeu: “Mulher quer ser amada e idolatrada!” E acertar um estuprador com um murro nada mais é do que a demonstração empírica desse amor e idolatria. Lamentavelmente as feministas suecas e suas partidárias só enxergam as mulheres através de lentes ideológicas e a si mesmas como redentoras daquelas. Mas elas estão equivocadas, afinal, com posicionamentos tão grosseiros como pudemos observar, o feminismo está mais para carrasco do que para libertador.
Para 2017, mais bom senso e menos feminismo!
No momento em que as enormes dificuldades e incertezas da conjuntura política, econômica e social do País não encorajam previsões auspiciosas de um Feliz Ano Novo, soa como escárnio a desfaçatez com que o Partido dos Trabalhadores vem a público para confirmar a intenção de lançar a pré-candidatura de Lula à Presidência da República “com um programa de reconstrução da economia nacional”. Porque assim, afirma o presidente nacional do partido, Rui Falcão, “ficará muito claro para a população qual o objetivo dessa perseguição”, de que seu líder é “vítima”.
É um desafio estimulante imaginar qual possa ser o “programa de recuperação da economia” a que se refere o alto comissário petista. O País tem um governo em exercício há menos de oito meses, encabeçado por Michel Temer, cuja prioridade tem sido criar condições exatamente para resgatar dos escombros o que sobrou da economia nacional, varrida pela “nova matriz econômica” que Dilma Rousseff tirou da manga do colete. Talvez os petistas tenham em mente agora uma “novíssima matriz econômica”, já que nem mesmo um surto de insanidade poderia justificar a repetição de um erro pelo qual pagam hoje, de modo muito especial, mais de 12 milhões de brasileiros desempregados.
Em resumo: qual a credibilidade do PT para propor qualquer coisa na área econômica depois de ter praticamente destruído o mercado brasileiro com sua obstinação pela concentração de poderes nas mãos de um governo que prometia “distribuir” a riqueza mas acabou dizimando o que compartilhar? Pior: um governo que liberou os cofres públicos a políticos e empresários corruptos, todos eles beneficiários de uma promiscuidade que, a partir do Palácio do Planalto, alastrou-se como nunca antes na história deste país por todos os desvãos da administração federal direta e indireta.
O lançamento da pré-candidatura presidencial de Lula, na verdade, é o derradeiro recurso do PT para garantir a sobrevivência política de ambos: o partido e seu líder maior. Do ponto de vista eleitoral, até onde a vista alcança deverá prevalecer o veredicto selado nas urnas municipais de outubro, que transformou o PT exatamente naquilo que sempre usou para desqualificar as legendas concorrentes: um partido sem votos. A pré-candidatura presidencial de Lula – cuja imagem, como sempre, sobrepaira à de seu partido – serviria, pelo menos, para lembrar à militância que o PT ainda existe.
Ocorre que é no mínimo improvável que Lula consiga sobreviver ileso à Lava Jato. Foi-se o tempo em que os figurões da República estavam fora do alcance da Justiça. Hoje as cadeias estão abarrotadas de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, juízes, executivos, donos de grandes corporações privadas e criminosos do colarinho branco das mais variadas extrações, a maior parte lá colocados a partir do advento da Operação Lava Jato.
Mas, de acordo com o que deixou claro Rui Falcão, é necessário fazer uma distinção entre os petistas e os demais investigados e condenados pela Lava Jato. Os episódios de corrupção que envolvem correligionários de Lula, segundo Falcão, “nós vamos avaliá-los a nosso próprio juízo, dado o processo de parcialidade que tem na Justiça brasileira”. Quer dizer, quanto à condenação de um Eduardo Cunha ou de um Sergio Cabral, ambos do PMDB, nada a opor. Mas, quando se trata de petistas acusados, “temos mecanismos internos, comissão de ética, uma corregedoria, para avaliar comportamentos de filiados dentro de nossas regras, com direito de defesa, contraditório, no devido processo legal do PT”. Ou seja, a Justiça que vale, para os petistas, é a do PT. O que não é novidade, pois já no julgamento do mensalão os dirigentes petistas condenados foram imediatamente glorificados, pela direção partidária, com a honrosa condição de “guerreiros do povo brasileiro”.
Em resumo, Lula e o PT continuam exatamente os mesmos. Haverá quem caia de novo nessa esparrela?
Acontecem situações assim: os trabalhadores perdem horas no transporte público. A empresa resolve oferecer o conhecido fretado. O trabalhador chega a tempo e mais disposto.
Acontece em seguida: trabalhadores demitidos pedem nas indenizações as horas extras passadas nos fretados. Alegam que estão à disposição da empresa desde o momento em que apanham o ônibus, logo, é hora extra, dormindo.
Outra situação: a empresa resolve oferecer um café da manhã. Claro que o sujeito, para pegar o lanchão, tem que chegar meia hora antes de bater o ponto. É optativo, o funcionário pode comer em casa. Mas não. Em qualquer conflito, o trabalhador alega que a hora do lanche matinal é hora extra.
A tese, claro, é invenção de advogados trabalhistas. É argumento jurídico, sustentam, mas, vamos falar francamente: é um truque que não resiste ao bom senso.
Mas o leitor já desconfia. Não raro, a tese vence na Justiça do Trabalho. E quando esse tipo de processo começa a prosperar, a empresa resolve cancelar o fretado e o café da manhã.
Aí voltam os advogados para dizer que o benefício não pode mais ser retirado, porque já havia se incorporado aos vencimentos. Fica, pois, a empresa obrigada a oferecer o fretado e o lanche e a pagar horas extras nos dois casos.
Que os advogados formulem essas teses, vá lá, é da profissão, embora não pareça, digamos, ético.
Mas por que muitos juízes concedem as vantagens?
Aqui é mais ideologia. A seguinte: o papel do juiz não é interpretar e aplicar a lei, mas fazer justiça. E quem decide onde está a justiça? O juiz, claro. Mas se ele não precisa e não deve, alegam, observar a letra e o espírito da lei, a decisão torna-se subjetiva. Com critério: a decisão a favor do suposto mais fraco.
Quem é o mais fraco? O empregado, o segurado de um plano de saúde, o cidadão comum que demanda contra o banco ou qualquer grande empresa. Resumindo: qualquer demanda contra o capital é boa.
Em debates, já dividi mesas com juízes que garantiam: "Toda vez que tenho um caso entre o segurado e o plano de saúde, eu decido a favor do segurado, não importa se o procedimento está ou não está previsto no contrato; a vida não tem preço".
Ora, a vida tem preço: quanto custa uma sala de UTI? Médicos e enfermeiros não trabalham de graça. O remédio custa dinheiro, mesmo sendo fornecido pelo Estado.
Neste caso, o juiz está apenas transferindo a conta para outras pessoas — outros segurados do plano, cujo preço sobe, ou os contribuintes, que pagam um pouco mais de imposto. Ou pacientes do SUS que ficam sem o seu medicamento porque o dinheiro foi aplicado em outros procedimentos mais caros, por decisão judicial.
Instala-se a confusão, e tudo funciona mal. Empresas não concedem benefícios porque estes podem gerar custos trabalhistas. A Justiça do Trabalho fica entupida com três milhões de processos por ano, gerando custos para o contribuinte (na forma de impostos para sustentar a instituição), para as empresas e para os trabalhadores.
Por trás de tudo, há uma visão autoritária, pela qual o Estado tem que tomar conta e proteger o trabalhador, o cidadão comum, ambos considerados incapazes. Isso é cultural.
O caso da Justiça do Trabalho é o mais evidente. E ali está também a evidência do equívoco. Leis e contratos existem para que a justiça seja feita de modo tão objetivo quanto possível. Está suposto que o legislador escreve leis para regular e organizar as relações sociais e os direitos individuais. Sempre há situações em que o juiz tem que interpretar qual lei e como se aplica ali.
Mas se o juiz entende que não precisa da lei para fazer justiça, instala-se a insegurança jurídica para todos — o que atrasa o país e trava negócios.
A ideia de que o trabalhador é incapaz de saber quais são seus direitos faz parte dessa visão autoritária. Assim como, por exemplo, a ideia de que o governo é que deve administrar a poupança do trabalhador, caso óbvio do FGTS. O dinheiro é da pessoa, mas quem dá a taxa de correção e decide sobre a aplicação são os tecnocratas e os políticos.
Aliás, basta ver a situação do FGTS para se verificar que o Estado é justamente o mais incompetente para gerir essas contas. Para não dizer corrupto.
Também faz parte dessa visão autoritária a lei que proibia que comerciantes e fregueses negociassem. O preço deveria ser sempre o mesmo, quer o pagamento fosse em dinheiro ou cartão, à vista ou dez vezes. Uma estupidez. Mas tinha e ainda tem muita gente dizendo que isso protegia o consumidor. Obrigando um a pagar mais para aliviar a conta do outro? E quem mesmo o Estado estava protegendo, o consumidor ou a empresa de cartão de crédito?
Tudo considerado, está correta essa proposta de reforma trabalhista. Diz que trabalhadores e empresas podem resolver livremente diversas questões.
Também está correta essa MP que permite "a diferenciação" de preços e condições de pagamento. Até acharam um jeito de escapar do ridículo que seria uma lei dizendo: é permitida a negociação de preços.
Também foi uma boa ideia liberar uma parte do FGTS. Mas ainda falta: o titular da conta deveria ter o direito de dizer onde vai ser aplicada.
"A gente não somos inútil".
* Jornalista
O excelente articulista Percival Puggina propõe uma pergunta: Se o Poder Público lhe oferecesse seus serviços de segurança, saúde, educação, transporte, justiça, como um pacote pago de serviços, você o compraria? No Brasil real, você pode responder que não, porque a qualidade dos serviços é péssima, mas você é obrigado a "comprar", mediante pagamento de impostos que consomem de 30% a 50% do que você ganha. Para sustentar um estado pesado, ineficiente, que dá para os seus próprios integrantes benefícios e salários bem acima dos que estão fora dele. Um estado injusto, que vende o que não tem, que cobra caro, que se endivida e que é você quem arca com as consequências, com a recessão, o desemprego, os juros altos, a falta de futuro. Um estado que é grande mais no que não precisamos e pequeno demais no que precisamos. E quando se erguem governadores, prefeitos e presidente propondo medidas para encontrar soluções, o corporativismo estatal cerra fileiras para impedir.
Assim foi com a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista de Lula, anos atrás, ainda no primeiro mandato. A da Previdência era até mais ousada e mais completa que a atual proposta, e estava sendo tocada pelo Secretário-Geral da Fazenda, Bernardo Appy, em tempos de Palocci. A Trabalhista era negociada com êxito pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Luiz Marinho, íntimo de Lula. Não foram adiante porque barradas pelos sindicatos do funcionalismo. Quando chegou o governo Dilma, aí tudo se degringolou. Agora, estranhamente, o PT está contra Temer apresentar uma proposta que era do Partido dos Trabalhadores, para salvar empregos e a previdência.
País estranho, esse. PT e PMDB eram companheiros de chapa. Os petistas votaram em Temer e os peemedebistas elegeram Dilma. E agora são os que gritam "fora Temer", e ficam contra quando Temer apresenta projetos que eram do PT. Vão lembar que foi um peemedebista que abriu caminho para o impedimento de Dilma. Pois um amigo mineiro me afirmou, na noite de Natal, que o pixuleco recebido por Eduardo Cunha é pouco para pagar o que ele fez pelo país, ao abrir caminho para que a nação se livrasse do desastre Dilma. É de pensar. Seria uma atenuante para a pena que ele vai receber? Pobre país!
Entre o Natal e o Ano-Novo, talvez a palavra mais pronunciada no Brasil seja esperança. Eu diria que quanto mais decepções e frustrações que se tenha, maior é a esperança. Como temos um presente de recessão e desemprego, o futuro fica ainda mais cheio de esperança. E a esperança em 2017 está na Lava-Jato. Que essa grande operação, tal como a Mãos Limpas da Itália, seja um marco que ponha um basta na cultura da corrupção, que impregna os três poderes nos três níveis da Federação. Que se investigue e se puna, para que possamos ter esperança em 2018, quando vamos eleger deputados, senadores, presidente e governadores. Se 2017 pegar e punir, os partidos se sentirão na obrigação de apresentar candidatos menos ruins. E pode ser que o estado se sinta constrangido a nos vender um melhor pacote de serviços a mais baixo custo.