• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 26 Maio 2018

 

RETORNO A RECESSÃO
Pelo andar da carruagem econômica (o termo -carruagem- cai como uma luva), o nosso empobrecido Brasil, que entrou, tecnicamente, em RECESSÃO no segundo trimestre de 2015 e lá permaneceu por oito trimestres seguidos, dá a impressão de que, por vontade e/ou interesse de grande parte dos nossos congressistas, os cavalos estão sendo alimentados para a viagem de RETORNO AO INFERNO.

ULTRAPASSOU O LIMITE

Tudo leva a crer, infelizmente, que ainda levará muito tempo para que a sociedade entenda e, enfim, se convença, de que o ESTADO BRASILEIRO, definitivamente, já ultrapassou o limite da possibilidade de ser sustentado pelo povo.

DESPESAS PÚBLICAS

Este problema -gravíssimo-, é bom que todos entendam, não nasceu neste governo. As DESPESAS PÚBLICAS passaram a crescer, de forma absurda e irresponsável a partir da proclamação da Constituição de 1988. Desde então, a maioria dos deputados e senadores eleitos, sem dar a mínima para o que viria a acontecer no futuro, que já virou presente, resolveu ser ainda mais perverso com os pagadores de impostos.

AGRAVAMENTO COM O PT

Volto a afirmar: o problema não está neste governo. Entretanto, é sempre importante lembrar que foi nos governos Lula e Dilma Petistas que as coisas se agravaram de forma geométrica. A ponto de fazer com que os rombos provocados pela CORRUPÇÃO (marca registrada do PT) fossem considerados como -café pequeno- diante da má condução na administração do país.

O GRANDE PROBLEMA

Pouquíssimos brasileiros se deram conta de que a causa maior, ainda que não seja única, é o tamanho da folha dos servidores públicos (inativos, principalmente) recheada de privilégios. A solução deste grave problema, infelizmente, não está no alcance de nenhum governante. Eles só têm o poder de AUMENTAR o problema (e até fazem isso com gosto). DIMINUIR, jamais.

Este grave PROBLEMA, que foi CRIADO COM A APROVAÇÃO DE TODOS OS PARLAMENTOS, levou a esta atual situação desesperadora, onde a arrecadação de impostos é SIMPLESMENTE INSUFICIENTE para atender apenas esta enorme DESPESA.

OS COCHEIROS SÃO ESCOLHIDOS PELO POVO

Volto a afirmar: SEM REFORMAS e SEM PRIVATIZAÇÕES, a encrenca só aumenta. Como não vejo disposição para tais iniciativas, sugiro que não ponham a culpa da viagem de volta para o inferno da RECESSÃO nos pobres cavalos. Eles só puxam a carruagem do fracasso. Os cocheiros, que a conduzem, são escolhidos pelo povo.

Publicado originalmente em pontocritico.com

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  • Ricardo Bordin
  • 25 Maio 2018

 


Sempre que ocorre um súbito decréscimo da oferta de uma determinado bem, em virtude de eventos das mais diversas naturezas, volta à cena de debates a treta de que os comerciantes, caso tivessem coração, deveriam manter os preços estanques ou mesmo reduzi-los. Não haveria de ser diferente neste episódio recente da greve dos caminhoneiros.

A melhor maneira de visualizar o erro desta lógica é imaginar o que aconteceria caso os estabelecimentos comerciais?—?bem como todos os demais agentes das cadeias produtivas?—?desprezassem o fato de que a relação entre a procura e a disponibilidade de um dado produto ou serviço foi alterada por fatores de ordem externa:

1) Os primeiros clientes que chegassem ao ponto de venda comprariam todo o estoque disponível a fim fazer reserva para o período de carestia que se avizinha, deixando os demais habitantes da localidade considerada de mãos abanando. Com a elevação do preço, a tendência é de que as pessoas adquiram apenas o necessário para subsistência imediata.

É como se o empreendedor, ao substituir a etiqueta de preço, soasse um alerta: “Atenção: racionem esta mercadoria porque o desabastecimento é iminente”. Se ele ou qualquer autoridade governamental apenas fizessem tal pedido encarecidamente à população local, é certo que a maioria ignoraria solenemente, mas mexer no bolso do sujeito é sempre um método eficaz de captar sua atenção e fazê-lo cooperar.

Se você, porventura, estiver ponderando que o dono do mercado não adota tal procedimento pensando na estabilidade da sociedade, mas sim porque percebeu que poderia aumentar seu faturamento sem fazer força, acertou: é isso mesmo. Assim como não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter?—?acho que faz só uns dois séculos que Adam Smith tentou explicar isso pela primeira vez.

2) Se o comerciante não subir o preço ele mesmo, podem ter certeza que algum de seus consumidores irá fazê-lo muito em breve. Ora, se poucos indivíduos logram aproveitar a oportunidade e tomam posse da quase totalidade dos galões de água potável da cidade de Mariana/MG, logo após o desabamento da barragem, como exemplo, eles estarão com uma fortuna nas mãos comprada a preço de banana.

É claro que, em algum momento, estes clientes comuns transfigurados em atravessadores vão se dar conta do real valor daquela carga e irão vendê-la a preços majorados em um mercado paralelo. Pior seria, aliás, se eles assim não procedessem, e deixassem seus concidadãos passando sede, pois esses jamais aceitariam de bom grado a situação e até mesmo um cenário de barbárie em disputa pelo precioso bem estaria desenhado.

Ah, mas se o Governo não apenas tabelasse os preços momentaneamente, mas também limitasse as compras por CPF?

Boa sorte fazendo esta lei ser cumprida em um ambiente degradado. Qual seria a maneira mais adequada de impor esta vontade do gestor público? Mandar fiscais para uma região já devastada por uma enchente para multar e confiscar? Parabéns: você acaba de criar mais um pouco de burocracia estatal e piorar o problema! Alguém aí a fim de recriar, quem sabe, a extinta SUNAB ou mesmo virar um “fiscal do Sarney”? Quem viveu a hiperinflação da década de 1980 e o frenesi das máquinas de remarcar sabe do que estou falando…

Mas como seria possível ajudar os prejudicados por uma conjuntura como esta então? Simples: devemos envidar esforços para reequilibrar oferta e demanda na localidade afetada, enviando doações de suprimentos de toda espécie?—?como fez, por exemplo, JJ Wat, o jogador da NFL, quando do furacão que atingiu o Texas.

Desta forma, é restabelecido naturalmente o nível de preços anterior ao fenômeno que desencadeou seu incremento. E esta solidariedade pode vir de diversas fontes, tanto privadas (como instituições religiosas) quanto públicas (fundos governamentais para emergências).

Além disso, atitudes como a dos taxistas de Medellín, que resolveram não cobrar a corrida dos parentes das vítimas que pereceram na queda do avião do time da Chapecoense, são sempre dignas de aplauso, sinal da presença de sólidos valores morais em uma sociedade, mas elas devem sempre partir da iniciativa dos próprios prestadores de serviço, bem como ser adotadas onde as circunstâncias permitem. Fraternidade forçada, como diz o pitoresco Padre Quevedo, no ecxiste.

Mas e no caso que assola o Brasil atualmente, quando todo nosso território irá sofrer com a falta de combustíveis e, em decorrência direta, com a carência de quaisquer bens de primeira necessidade? Aí ficou difícil, porque estamos falando de uma nação inteira sob forte escassez.

É por isso que manifestações populares precisam ser norteadas sempre por um único objetivo claro, factível, de realização no curto prazo, sem coagir ninguém a dela tomar parte e causando o mínimo possível de transtorno?—?muito diferente do que ocorre nas estradas Brasil afora, onde foi apresentada pelos líderes da mini-revolução uma lista interminável de exigências que jamais poderá ser posta em prática por decreto.

Este movimento paradista dos motoristas profissionais, por enquanto, conta com o suporte de parte significativa da população, mas esperem começar a faltar comida e outros itens básicos em nossas casas (como medicamentos), ou então não haver mais gasolina para ambulâncias salvarem vidas, bombeiros apagarem incêndios ou aeronaves transportarem órgãos humanos para transplante, ou para coletar lixo: tudo leva a crer que a simpatia pelos grevistas não vai durar muito. Na hora de escolher entre viver como os personagens de Mad Max ou apoiar que a polícia entre em ação para valer, tenho poucos dúvidas a respeito de qual alternativa as massas irão optar.

 

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  • Stephen Kanitz
  • 23 Maio 2018

E agora, o que um jovem de esquerda deveria fazer? Sonhar?

90% de meus colegas da faculdade de Economia, pelo menos os que se achavam mais inteligentes, eram de esquerda.
Queriam mudar o mundo, salvar o Brasil, expulsar o FMI e acabar com a pobreza.
Cabulavam as aulas e viviam no centro acadêmico com pôsteres de Che Guevara discutindo como tomar o poder.
A ideia de ajudar os outros fazendo trabalho voluntário na periferia nem lhes passava pela cabeça.

O resto era de centro. Comunitários, liberais e libertários, mais preocupados em libertar o Brasil de uma ditadura do que em implantar outra, a do proletariado.
Para minha surpresa, quando fiz o mestrado em Harvard, a totalidade de meus colegas era apolítica.
Eles estavam lá para estudar.
Adquirir conhecimentos úteis à sociedade e talvez ficarem ricos.
Por isso estudavam, para meu enorme desespero, vinte horas por dia.
Mas, mesmo com essa carga de estudo, todos faziam trabalho voluntário, um dos requisitos inclusive para a admissão ao MBA.

Quarenta anos se passaram, e na última reunião quinquenal dos ex alunos de Harvard constatei que todos ficaram ricos como pretendiam.
Eu a única exceção, Prof. da USP que era.
Ricos, eles devotam a maior parte do tempo a causas sociais e doam bilhões ao terceiro setor.
Mesmo eu que não sou rico, pude com pouco dinheiro criar o primeiro site de voluntários, o www.voluntarios.com.br, criar o Prëmio Bem Eficiente para Entidades Beneficentes, que a velha esquerda nunca apoiou, porque eles estavam ocupados tentando se eleger.

A reunião com meus colegas da USP foi ainda mais surpreendente.
O mais engajado na época, o que mais pregava a luta de classes, é hoje o economista chefe de um grande banco.
João Sayad, meu colega socialista e portanto menos radical, é o dono de banco, junto com Philippe Reichstull, ex presidente da Petrobras.
"Cansei de ajudar os outros" (sic), "estou ficando velho, preciso me preocupar com minha aposentadoria".
"Quem não é de esquerda quando jovem não tem coração, quem continua quando velho perdeu a razão".
Desculpa esfarrapada e ofensiva para velhos como nós que temos ainda coração.

Um dos meus colegas, funcionário público tinha sonhos horríveis. "Sonhei que era um velho mendigo, dormindo na sarjeta".
Foi quando aderiu à corrupção.

Jovens de esquerda ouçam bem.
Vocês ainda não têm competência para mudar o mundo e acabar com a pobreza.
Falta-lhes conhecimento para tocar um botequim, como a Dilma, muito menos uma revolução.
Estudem. Sejam úteis à sociedade, em vez de sonhar com um emprego público porque é garantido e mais seguro.

Antes de mudarem o mundo, mudem primeiro o bairro via meu www.voluntarios.com.br, para depois mudar seu Estado e o país.

Percebam que Dilma, Nelson Barbosa, Luciano Countinho, Aloizio Mercadante, Guido Mantega, Sergio Gabrielli, João Stédile, todos economistas de esquerda, só pioraram o mundo com sua arrogância, autoritarismo e incompetência administrativa.

Sejam de direita pelos menos nos seus primeiros 20 anos, estudem, casem bem, criem filhos honestos, não traiam suas esposas por aí.
Sejam de esquerda dos 50 anos em diante, distribuindo a sua riqueza, trabalhando para os outros em vez de ficar cagando regras e cocô na Paulista, ou sendo procurados como terroristas.

*http://blog.kanitz.com.br/
 

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  • Sônia Zaghetto
  • 23 Maio 2018

 

Uma supernova brilhou nos céus do Brasil. Mal sabia que a explosão que a tornou visível já lhe anunciava o fim. A eleição de Lula para a Presidência da República é o marco inicial de sua queda.

Eleito, carregava consigo a esperança de muitos. Gente simples, que acreditava na lenda do trabalhador inculto que venceu as elites. Gente sonhadora, que o louvava como pai dos pobres, D. Sebastião revivido, campeão da ética, herói que venceria a fome e encantaria o mundo. Nas redações, sindicatos e universidades intoxicados de idolatria infante, era bicho raro, ave exótica que nunca estudara mas cuja sapiência era louvada. Uma lenda que ainda hoje alimenta o imaginário da cada vez mais esquálida academia brasileira e de um jornalismo torcedor e tacanho.

Mas o poder tem lá suas seduções e armadilhas. Uma delas é revelar a verdadeira natureza dos homens. Lula aliou-se aos antigos inimigos, fez tudo o que antes dizia condenar, arrumou justificativas para cada ato indigno. O Fome Zero jamais saiu do papel.

Veio o mensalão. Havia algo de podre no reino das vestais impolutas. O esquema subterrâneo de Dirceu começava a ser conhecido. Ponta de iceberg, mas suficiente para acender o alerta. Uma parte dos antigos aliados debandou. Foram-se o Bicudo, a Heloísa, o Cristovam.

Arrumou substitutos. Agora lambuzava-se com Sarney, Collor, Renan e Jucá. Bebiam na mesma taça de torpezas. Champanhes, jatinhos, adegas e ternos caros eram sua vida, mas ele ainda se apresentava como operário. A aura de herói injustiçado o mantinha enfeitiçando universitários, artistas e outros devotos. Comprou uma bela máquina que moía reputações, apostou em um país dividido, criou frases que nutriram ódios e incendiaram a imaginação pré-adolescente de alguns. E os doutores, que valorizavam os títulos e diziam honrar os livros e a ciência, nem se deram conta de que ele consolidava na alma brasileira a preguiça e o desprezo pelo intelecto.

Apresentou sua sucessora. Era medíocre e arrogante, mas estava embriagada pela possibilidade de voar alto. Criou-se para ela também uma imagem falsa, de eficiência, valentia e honestidade. A realidade se impôs, cruel como sempre, em atos e discursos. Pobre mulher, rainha do auto-engano, imperatriz de um reino imaginário.

No meio do caminho havia a Lava Jato. Caíram o Delcídio, o Palocci, o Dirceu, o Vaccari, o João Paulo, o Mercadante. Martha foi embora. Odebrecht desnudou o apocalipse. E, nas noites, sussurrava-se sobre um cadáver insepulto, o de Celso Daniel. Um fantasma, como o pai de Hamlet, clamando por justiça.

Pedalinhos e pedaladas. Triplex e impeachment. O sonho de poder se desfez entre miudezas, como um sítio que ele poderia ter comprado. Sequer pagou pelos armários da cozinha – o que diz muito sobre sua pequenez.
Soterrado por denúncias, encolheu a cada escândalo, denúncia e depoimento.

Da altivez arrogante de outrora, Lula tornou-se uma figura trágica. Revelou-se de forma plena. Era agora bem visível a extensão de sua indigência moral. Comparou-se a serpentes venenosas, exagerou-se como a alma mais honesta do Brasil. Suas negativas soavam patéticas e a insistência em dizer que nada sabia o transformaram em figura folclórica e ridicularizada.

Marisa morreu. A companheira foi velada em um comício-bravata e tornada responsável por recibos, contratos e negociações. Mais um cadáver a arrastar correntes pesadas com marcas de lodo e horror.

Palocci falou, com voz arrastada: havia um pacto de sangue. Ainda assim, nada parecia abalar a devoção de alguns de seus súditos: encharcados de teorias da conspiração, agarrados à túnica do ídolo, levaram-no a liderar a corrida presidencial. A alguns pouco importava se Lula comandou o maior esquema de corrupção da história brasileira.Às favas o saque aos cofres públicos. Que importa se a Pátria sangra?

Condenada, carregada de processos, com os bens bloqueados, a antiga estrela promoveu uma caravana. Gabava-se da força, da disposição, debochava dos adversários e açulava seus defensores contra os que considerava adversários. Seus advogados protelavam o cumprimento da pena. Recebeu ovos, pedras e tiros no ônibus. Reclamou do ódio que semeou, cultivou e agora colhe.

Veio o julgamento no Olimpo brasileiro. Minerva decidiu o jogo de poder, enquanto as demais divindades guerreavam entre si. Encerrados em suas torres de marfim, alguns deuses não viram a exaustão de um povo. Venceram os que farejaram o perigo de consolidar a sensação de que, no Brasil, os poderosos compram impunidade.

Por fim, a ordem de prisão. Sergio Moro concedeu ao ex-presidente benefícios devidos à dignidade do cargo presidencial: nada de algemas, cela especial. Uma ironia final, destinada a contrastar com a indignidade dos atos de quem ocupava o cargo.

Lula terá o tempo de vida que lhe resta para descobrir que livros são úteis, sim. Faltou-lhe ler os filósofos, os pais de outras nações e os grandes mestres da retórica e do Direito. Se houvesse conhecido o velho Aristóteles, descobriria que pathos (as paixões) precisam de ethos (o caráter do orador) e de logos (o conhecimento) para que ocorra a persuasão que captura em definitivo a alma da audiência. As biografias o ensinariam que mesmo o grande Cícero, que mesmerizava multidões, terminou com um alfinete de cabelo espetado na língua. Coisas da política.

Era uma vez uma estrela que brilhou nos céus do Brasil. Mal sabia que era uma supernova.

*Publicado originalmente em soniazaghetto.com
 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 21 Maio 2018

PRINCIPAIS PROBLEMAS

Na última Pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, os entrevistados disseram que o PRINCIPAL PROBLEMA DO PAÍS é a CORRUPÇÃO. Em 2º lugar aparece a SAÚDE; a VIOLÊNCIA em 3º; e só em 4º lugar vem a EDUCAÇÃO.


TIRA-TEIMA
Tão logo tomei conhecimento do resultado da pesquisa parti para um TIRA-TEIMA, embalado pela desconfiança que paira sobre os mais diversos institutos. Para tirar a minha dúvida resolvi dedicar algumas horas para ouvir, e anotar, o que dizem os brasileiros, espontaneamente (não são perguntados), nesta boa iniciativa deflagrada pela TV Globo - O BRASIL QUE EU QUERO-.

NA MOSCA
Pois, sem tirar nem pôr o resultado deu NA MOSCA. Tudo que está dito na pesquisa pode ser confirmado através dos vídeos produzidos pelos brasileiros que vivem por todos os cantos do nosso imenso país. Os principais problemas apontados são esses mesmos: CORRUPÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA, EDUCAÇÃO.

EDUCAÇÃO
Mas, a conclusão (que não é nova) desta importante comparação, aponta para uma confirmação dramática: a EDUCAÇÃO, que deveria se constituir no PRINCIPAL PROBLEMA, ao aparecer em 4º lugar esclarece sob todos os aspectos que a baixa escolaridade é a responsável direta pelo constante ataque às CONSEQUÊNCIAS deixando intactas as CAUSAS.

GOVERNO
Na imensa maioria dos vídeos onde os brasileiros manifestam -O BRASIL QUE EU QUERO- deixa bem claro o que o povo ESPERA DE SEUS GOVERNANTES. Esta terrível e comprovada FALTA DE EDUCAÇÃO faz com que os brasileiros QUEIRAM que o governo, que é o grande criticado por fazer coisas erradas (ou não fazer), faça aquilo que pode ser feito pela iniciativa privada.

OUTROS PROBLEMAS
Pois, -O BRASIL QUE EU QUERO- é aquele que ataca diretamente todos os PROBLEMAS revelados, tanto na pesquisa quanto nos vídeos mostrados pela TV Globo, que não passam de CONSEQUÊNCIAS. Resumindo: todas as demandas podem ser resolvidas, ou fortemente amenizadas, com MAIS LIBERDADE. Tirando o enorme peso do ESTADO, os problemas passarão a ser outros. Bem menores, certamente.

 

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  • Maria Tereza Mendes
  • 20 Maio 2018

Quando uma amiga francesa me disse que tinha visto uma placa alusiva à participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial no jardim do Hôpital de Vaugirard em Paris, franzi a testa e a corrigi com um sorriso condescendente: “Segunda Guerra”. Ela me sorriu de volta: “Não, Primeira. Me lembro de ter visto as datas 1914-1918. Tenho certeza.”

Oi? Como assim? Nós não participamos da Primeira Guerra Mundial! Ou participamos? Vasculhei todos os cantos da minha memória procurando uma referencia sobre isso e não encontrei nenhuma. Só encontrei o sorriso dela de certeza absoluta. Constrangida com minha ignorância, me fingi de morta mas registrei mentalmente que ia checar aquela informação.

Foi assim que desci na estação de metrô Convention (linha 12) e fui caminhando pela rue Vaugirad em direção à Porte de Versailles. Cinco minutos de caminhada e cheguei ao Jardim do Hôpital de Vaugirard. O lugar é um pequeno oásis verde com uma longa alameda ladeada por gramados verdinhos, muitos bancos e árvores. Flanei pelo lugar a procura da placa e depois de alguns minutos eu a encontrei. Sim, lá estava ela. Meu francês é bem meia-boca mas deu pra entender o que estava escrito: “Aqui se ergueu o hospital franco-brasileiro dos feridos de guerra criados e mantidos pela colônia brasileira de Paris como contribuição na causa aliada 1914-1918. Placa inaugurada por ocasião do 80° aniversário da presença da Missão Médica Brasileira Especial na França.”

Gelei. Uma Missão Médica Brasileira na França na Primeira Guerra Mundial? Como eu nunca ouvi falar sobre isso? Como é que eu conheço toda a história do American Field Service, uma organização voluntária de norte-americanos para tratar os feridos durante a Primeira Guerra e nunca sequer ouvi falar de uma Missão Médica do meu próprio país? Imperdoável!

Com a ajuda do meu incansável amigo google, sentei em um dos bancos e pesquisei sobre o assunto. Descobri uma história fantástica de coragem, sacrifício e competência quando um navio brasileiro (La Plata) saiu do porto do Rio de Janeiro em 1918 iniciando uma viagem que seria, difícil, perigosa e trágica.

O perigo rondava os mares com a presença dos famigerados U-boats alemães, submarinos de alta tecnologia que afundavam qualquer barco (política da Guerra Submarina Irrestrita) militar, mercante ou de passageiros, mesmo de países neutros. Inicialmente neutro, o Brasil só se declarou em estado de guerra em outubro de 1917 posicionando-se com os Aliados (EUA, França, Grã-Bretanha) por ter tido vários navios mercantes civis brasileiros afundados pelos alemães. Sem uma marinha ou exercito preparado para conflitos da envergadura de potências belicosas como Alemanha, Rússia, EUA e Grã-Bretanha, a ajuda do Brasil para o esforço de guerra foi muito mais voltada à causa humanitária. É aí que entra a Missão Médica Militar Brasileira (MMMB).

O La Plata levava a bordo 168 brasileiros entre médicos, cirurgiões, enfermeiros e farmacêuticos voluntariados para a missão, além de alguns oficiais da marinha e exército, cujo objetivo era chegar a Marsellha e de lá seguir para Paris para instalar e operar um hospital com capacidade para 500 leitos para cuidar dos feridos da guerra.

Os franceses cederam o belo prédio de um antigo convento jesuíta na rue Vaugirard e o hospital brasileiro foi instalado ali recebendo principalmente soldados franceses classificados como “grandes feridos”. Quando a Guerra terminou no final de 1918, o hospital, considerado pelos franceses como de ponta, ainda funcionou até 1919 atendendo a população civil francesa que ainda lutava contra a pandemia da gripe espanhola que varreu a Europa naquele ano. Com a desmobilização do hospital militar, alguns médicos foram convidados a permanecer na França, mas a maioria retornou ao Brasil.
Os franceses jamais se esqueceram desse ato fraterno dos brasileiros e alí estava eu diante da prova, em frente àquela placa. Fiquei envergonhada por desconhecer essa história, que é muito mais emocionante que vocês possam imaginar. Fiquei pensando: Por que não nos falam sobre isso na escola? Por que escondem de nós os nossos heróis? Por que nos autodenominamos “terra do samba e futebol” quando somos tão mais que isso?

Estou escrevendo esse post por duas razões: a primeira é para mostrar como os franceses são gratos por nossa ajuda; a segunda é para desafiar vc a ir além da nossa mediocridade escolar. Se estiver em Paris, visite o Jardin Hôspital Vaugirard (metrô Convention), mas antes, para dar significado à sua visita, conheça essa história em detalhes em http://www.revistanavigator.com.br/navig20/art/N20_art2.pdf e também no livro “O Brasil na Primeira Guerra” de Carlos Darós (ed. Contexto).

Sim, nós também temos nossos heróis... e não são aqueles que jogam bola ou participam de reality shows.
 

Extraído do Facebook da autora.

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