“Não é ético ter filhos biológicos”: assim resumiu uma entrevistada pela rede BBC os motivos pelos quais resolveu não apenas evitar ser mãe, mas também adotar uma filosofia de vida que prega que todas as mulheres do mundo deveriam assim agir. Trazer novas vidas a um mundo superpovoado e com recursos limitados seria “uma falta de responsabilidade”, ela alega.
Conhecida nos Estados Unidos como childfree, a doutrina antirreprodução ganhou contornos de produção científica por meio do trabalho acadêmico de David Benatar, diretor do departamento de Filosofia da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, intelectual que assegura que “nascer é uma profunda desgraça”.
O que move os propagadores desta concepção são dois fatores essenciais:
A) O ser humano consome recursos demais do natureza, e a expansão da população terrestre poderia significar o fim da biosfera terrestre;
B) A vida humana seria permeada de tanto sofrimento que não faria sentido trazermos a este mundo cruel mais pessoas para vivenciarem tanta injustiça;
Vale enfatizar que não se trata apenas de uma decisão particular no sentido de não gerar descendentes, mas sim de uma tentativa de persuadir (ou mesmo obrigar) a todos os demais sobre a conveniência desta resolução.
Da mesma forma que o movimento vegano não se contenta em deixar de ingerir carne, leite e ovos, mas busca difundir tal cultura por meio da propaganda ou mesmo pela aprovação de leis (isto é, fazendo uso do poder coercitivo do Estado), também os antinatalistas extrapolam a esfera de suas próprias existências e pretendem interferir nas deliberações daqueles que desejam constituir famílias.
Falta-lhes a humildade de pressupor que possam estar errados e sobra-lhes a petulância de considerarem-se os engenheiros de uma sociedade perfeita.
Vejamos porque as teses deste grupo não merecem prosperar, mas tão somente despertar nos indivíduos mentalmente saudáveis sentimentos de compaixão e pena em relação a seus adeptos.
1) Malthus estava errado. A Teoria demográfica Malthusiana foi criada por volta de 1789 na Inglaterra pelo economista Thomas Robert Malthus, e divulgada em sua principal obra, Ensaio sobre o princípio da população.
Afirmava ele que a produção de meios de subsistência (comida) crescia em ritmo demasiadamente lento, em progressão aritmética, sendo restrita aos limites naturais da Terra. Já o crescimento populacional, evoluindo a taxas geométricas, tenderia a ser 28 vezes maior que o de alimentos disponíveis nos dois séculos seguintes, o que geraria uma grande calamidade mundial, onde significativa parcela da humanidade morreria de inanição e seus sobreviventes travariam guerras por territórios férteis— um verdadeiro cenário de Mad Max.
Tais fundamentos serviram de inspiração para diversos movimentos eugenistas e abortistas ao longo do tempo, e muita gente ganhou dinheiro em cima do terror causado pela mera possibilidade de tais previsões virem a se confirmar?—?lucrar assustando os outros é procedimento bastante comum, afinal de contas (que o diga Al Gore e seu “uma Verdade Inconveniente”, refutado pela própria realidade em menos de 15 anos, mas que engordou bastante as economias do autor neste ínterim).
Só que Malthus não contava com um fator que viria a alavancar a produtividade geral e propiciar o sustento de uma quantidade até então inimaginável de seres vivos: o aumento populacional fomenta a divisão do trabalho, a qual possibilita a especialização nos mais diferentes campos laborais?—?inclusive a produção de alimentos.
Tipo assim: um náufrago solitário em uma ilha precisa fazer de tudo para sobreviver. Montar abrigo, pensar em como fugir de lá e voltar para a civilização, caçar, pescar, trepar na árvore para colher cocos, e tuti quanti.
Mas a partir do momento em que mais cinco desafortunados desembarcam por lá, torna-se possível que cada um deles seja encarregado de uma tarefa específica, e nela possa tornar-se especialista, atingindo um desempenho muito superior ao alcançado pelo habitante solitário de outrora.
A evolução dos meios de transporte, logística e comunicação ainda aprofundou este fenômeno em escala global, na medida em que nações com vocação agropecuária (como o Brasil) puderam focar ainda mais nesta atividade, a tal ponto que, nos dias atuais, somente em regiões devastadas por conflitos militares, tribais ou religiosos (como o Sudão do Sul) ou dominadas por governos ditatoriais (como a Venezuela) observam-se pessoas morrendo de fome. Nos demais recantos, a obesidade é que tornou-se um problema.
Ou seja, a escassez alimentícia anunciada por Malthus?—?e propagada por “cavaleiros do Apocalipse” preocupados apenas com suas contas bancárias?—?não se confirmou justamente por conta do elemento que deveria ser seu catalisador: a expansão da população humana.
2) Viver já foi uma experiência muito mais sofrida do que o é nos dias atuais. Este é o paradoxo que leva muitos ao desespero desnecessário diante de distúrbios de pequena monta: quanto mais estável e confortável torna-se nossa jornada, menos capaz de reagir a turbulências cotidianas nos tornamos.
Nossos antepassados, em épocas relativamente recentes, sofriam sobremaneira para obter coisas que hoje estão ao alcance de nossas mãos ou a um clique de distância. Perder contato com o sofrimento por eles vivenciado?—?e que constitui a base do conhecimento que nos brindou com tanto progresso?—?é a receita para passar a achar que “vivemos tempos terríveis”.
Diante deste falso quadro, geralmente pintado por oportunistas das mais variadas espécies, tornar-se-ia justificável entregar toda a nossa liberdade nas mãos de determinados “ungidos” pela sabedoria, a fim de que eles aliviem tanta dor e angústia.
Eis porque políticos com pretensões totalitaristas passam o dia tentando nos convencer de que tudo está desmoronando— bom, em verdade, poderia estar bem melhor, não fosse justamente por causa deles mesmos e suas medidas contraproducentes tomadas do alto de cargos eletivos.
Se aqueles que nos antecederam resolveram seguir povoando o mundo mesmo em meio à peste negra e a guerras intermináveis, seria ato de extrema covardia desistir da humanidade logo quando atravessamos sua época mais próspera e esclarecida.
3) Desestabilizar ou mesmo extinguir os núcleos familiares faz parte do plano de metas de qualquer agenda estatizante. A ajuda mútua que caracteriza o vínculo entre parentes não é interessante para quem quer distribuir assistencialismo estatal. No esforço de concentrar recursos e poder decisório na burocracia governamental, não convém que filhos prestem amparo a seus pais em idade avançada, nem que estes deixem seu patrimônio de herança para aqueles.
Melhor mesmo, nesta empreitada de submeter o povo aos governantes, é o “cada um por si”.
4) Ter medo de criar filhos é uma consequência direta da mudança cultural que se abateu sobre o Ocidente após a década de 1960.
Até então, a sociedade entendia que era dever do genitor prover os filhos apenas com o básico para sua sobrevivência durante a infância, e estes, tão logo chegassem a adolescência, já estariam aptos a trabalhar e serem remunerados?—?meu pai e minha mãe, nascidos respectivamente em 1942 e 1945, são parte da última geração criada sob este entendimento.
Ou seja, além de ser menos dispendioso ter um filho, ele rapidamente convertia-se em provedor, e logo em seguida partia para cuidar da própria vida, voava do ninho. Por isso eram tão comuns famílias numerosas: filhos deixavam de ser “despesa” e viravam “faturamento” após um curto período de criação.
Mas tudo mudou nas últimas décadas: tornou-se condenável, tanto pela legislação quanto pelos costumes, que os filhos trabalhem antes dos dezoito anos, independente da condição financeira de suas famílias. Cada vez mais comuns são os famigerados adultecentes, adultos sem responsabilidade que simplesmente não conseguem soltar da barra da saia da mãe aos quarenta anos de idade.
Além disso, cerceiam-se cada vez mais os métodos a serem empregados na educação das crianças. A moral em voga não aceita mais palmadas, castigos, falar alto, apontar o dedo…nada! Assim, criam-se monstrengos desobedientes e ainda responsabilizam-se os pais por seus atos errôneos ou criminosos.
Quer dizer, muito deste receio em ter filhos é culpa do “politicamente correto”, que busca incessantemente intervir indevidamente nas relações parentais, e dos agentes da máquina estatal que, da mesma forma, julgam estarem acima dos direitos naturais dos pais, como ocorreu com Alfie Evansno Reino Unido recentemente.
5) A suposta preocupação com uma eventual superpopulação de determinadas regiões planetárias não faz sentido quando observamos que a elevação dos índices de desenvolvimento humano, por si só, trazem em seu bojo a redução dos índices de natalidade?—?fato que na Europa, por exemplo, escasseou a mão de obra e motivou a abertura sem controle das fronteiras (o que vem aumentando os índices de criminalidade em vários países europeus).
Ou seja, sobrevoar a África subsaariana e a Ásia Meridional despejando pílulas abortivas não é de valia alguma. Devemos, sim, ajudar a liberdade a chegar a estes lugares, pois somente ela traz desenvolvimento e proporciona melhorias na qualidade geral de vida?—?reduzindo naturalmente, durante o processo, o número de nascimentos.
6) Criou-se, no imaginário popular, uma quase obrigação de “ser feliz”, de “aproveitar a vida”. Qualquer empecilho a esta busca incessante do prazer como único e verdadeiro propósito deve ser prontamente eliminado do caminho?—?e não tenha dúvida de que aqui entram os filhos.
“Fazer valer ao máximo cada momento” é uma falácia das mais mais sem-vergonhas já disseminadas. Cada momento, considerado apenas em si mesmo, é incapaz de conter tanto significado existencial a ponto de justificar nossas vidas, não interessa o que você faça nele ou quantas vezes este momento se repita.
Somente dentro de um contexto mais amplo, onde momentos ruins alternam-se com momentos bons, e onde estes momentos bons só existem porque nos sacrificamos e aprendemos durante momentos ruins, é que forma-se um todo harmonioso que faz sentido e proporciona a sensação de que vale a pena seguir em frente.
Criar filhos significa abrir mão de parte da própria vida por eles? Claro. É assim que tudo no universo funciona, um eterno trade-off onde abrimos mão de algumas coisas para obter outras. Perdemos a possibilidade de dormir até mais tarde para trabalhar e comprar aquele carro que sonhamos. Desistimos de ter infinitas parceiras sexuais para poder cultivar o amor de uma única companheira. E por aí vai.
E isso tudo, em hipótese alguma, é sinônimo de infelicidade. Pelo contrário: contemplar a obra pronta (ou os filhos criados), após anos ou décadas de relativa abnegação, é a própria felicidade em estado puro.
Conclusão: Só posso lamentar pelos antinatalistas. Sinto muito que vocês jamais possam vir a conhecer a emoção de ver uma imagem como esta abaixo. Bem-vindo ao mundo, Lucas!
Publicado originalmente em https://medium.com/@rickbordan/o-antinatalismo-%C3%A9-uma-mistura-de-ignor%C3%A2ncia-com-arrog%C3%A2ncia-das-mais-graves-a3b0684d9e4c
Quem se afastar do fluxo diário dos fatos políticos da conjuntura, em busca de elementos de maior permanência e maior presença ao longo da nossa História, vai descobrir os componentes estruturais da sociedade brasileira.
Hoje em dia, o que se encontra subjacente à práxis política e governamental é a dinâmica centrípeta em torno do Estado, que os governos do PT instituíram no País. Outra não era a lógica e a dinâmica do governo Sarney, dos governos militares, do governo Jango, dos governos de Vargas, dos governos da Velha República (à exceção de São Paulo), dos governos do Segundo e do Primeiro Impérios, do governo português de 1808, do governo português do período colonial e do Portugal que desembarcou das caravelas em 1500.
Quem chega ao Brasil no início do século 16 não é Portugal, é o Estado português. Não é qualquer Estado. É talvez o mais moderno de sua época. O Portugal que ocupou o Brasil, antes de aqui existir uma sociedade, era representado pelo Estado patrimonialista. Essa definição vincula o fato conjuntural da descoberta a um componente estrutural decisivo (*).
Não deve, pois, surpreender que hoje, já no século 21, questões do nosso dia a dia político como a interferência dos governos na economia, o exacerbado fiscalismo, o arraigado empreguismo, o exagero dos gastos públicos, a corrupção, a tara do adesismo político, a centralização administrativa sejam a reiteração de um padrão que esteve presente em todos os momentos da nossa História.
Do Estado patrimonialista português implantado no Brasil se originou o paradigma do Estado hegemônico, que implicava:
• o poder para penetrar os demais setores da vida social e organizá-los de acordo com a lógica de seus princípios, sem ser por eles penetrado em igual medida;
• o poder para "metabolizar" as mudanças inevitáveis, adotando-as como a nova forma dos velhos padrões e subvertendo seu impacto transformador, pelo preenchimento do seu conteúdo com as mesmas pautas até então vigentes;
garantindo, por este processo, a sua reprodução nos novos tempos.
Os sinais da hegemonia do Estado em relação às demais dimensões da vida social eram:
• No sistema econômico - o poder para a determinação de objetivos não econômicos à atividade econômica e decidir sem constrangimentos "em que e como" aplicar os recursos.
• No sistema social - ao manter a tutela da sociedade pela cooptação da cooptação das lideranças sociais.
• No sistema político - pela centralização do poder e confusão do patrimônio público com o do governante.
• No sistema cultural - mediante a identificação com valores e crenças compatíveis com o paradigma, ainda que dissociados - quando não antagônicos - das exigências de uma sociedade moderna.
Paradigma, para os propósitos dessa análise, é, então, uma configuração estrutural duradoura da sociedade, que se exterioriza em modelos com ele compatíveis e histórica e conjunturalmente determinados.
A mudança de modelos, pois, não produz mudanças de paradigmas estruturais. É nesse sentido que se pode dizer que a nossa História tem sido a história de diferentes modelos de organização política e econômica, gerados por um mesmo paradigma.
A permanência no tempo, por meio de sucessivas reencarnações do paradigma em diferentes modelos políticos, foi coadjuvada poderosamente pelo fato de que movimentos políticos e ideológicos, tanto de direita como de esquerda, conservadores ou revolucionários, compartilharam sempre os princípios básicos do paradigma: o estatismo, a desconfiança com o mercado, o autoritarismo e a inabalável convicção de que somente o Estado pode realizar o bem comum.
Já as mudanças paradigmáticas são precedidas de cataclismos sociais (guerras, revoluções, crises econômicas), que desestabilizam ou destroem as bases da configuração estrutural, vigentes na sociedade e no sistema de valores das pessoas, predispondo-as à mudança não mais de modelo, e, sim, de paradigma.
Nenhuma dessas condições até hoje se fez presente na história política brasileira. Se há uma linha de continuidade histórica identificável no Brasil, é a que registra o aumento do poder do Estado em relação à sociedade.
A contrapartida dessa crescente intervenção do Estado se tem revelado tanto mais insatisfatória em seus resultados quanto maior for o grau da intervenção.
Na realidade, é o paradigma do Estado hegemônico que está enfrentando sua exaustão. A lógica da centralização extremada está conduzindo ao que Tocqueville criticava na centralização política do Ancien Régime: a obstrução das artérias nas extremidades e o enfartamento do centro.
Ressalvadas, então, as óbvias variações conjunturais, há mais semelhanças estruturais entre os modelos políticos da colônia, do Império, da República, do Estado Novo, do regime de 1964 e do governo do PT que diferenças.
O paradigma do Estado hegemônico, que no período Collor, Itamar e Fernando Henrique começou a perder substância e poder - apesar de marcado por inconsistência, transigência e culpa -, recebeu dos governos Lula e Dilma o sopro renovador que o reinstalou mais uma vez na sua histórica posição hegemônica em face da sociedade.
Esse é o verdadeiro conteúdo da política brasileira no seu nível estrutural. No nível conjuntural, no dia a dia da política, outras são as questões que alimentam as controvérsias. O futuro do País depende, entretanto, deste sempre adiado desfecho do conflito estrutural.
(*) Simon Schwartzman, no seu artigo seminal Representação e cooptação política no Brasil, recuperando o insight de Raymundo Faoro (Os Donos do Poder), aplicou o conceito weberiano de patrimonialismo como variável estratégica na compreensão da organização social brasileira.
(**) Professor de Ciência Política na UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton
*** Publicado originalmente em O Estado de SPaulo
SITE: www.politicaparapoliticos.com.br
Existem apenas quatro países com governos declaradamente marxistas-leninistas. Todos são governados por um partido comunista único ou hegemônico: China, Vietnã, Coréia do Norte e Cuba. O marxismo é uma teoria socioeconômica que postula basicamente a nacionalização de toda a economia, com vistas a eliminar os "donos" e a desaparecer a exploração a que estavam submetidos os seus trabalhadores. O leninismo é outra teoria, neste caso teoría política, que estabelece a necessidade de uma ditadura partidária nas sociedades marxistas para evitar o retorno dos proprietários e preservar os benefícios da nova sociedade sem "exploradores".
Assim, a união das duas teorías - marxista e leninista - conforma um sistema totalitário marxista-leninista, também chamado de comunista, porque o marxismo define esse objetivo a tais sociedades. Quando, dentro da sociedade chinesa marxista-leninista, o Partido Comunista decidiu eliminar a estatização e chamar os proprietários novamente para administrar toda a economia, de fato, materializou a morte do marxismo, mas manteve o leninismo para uso e abuso da ditadura política que havia sido estabelecida, precisamente, para evitar o retorno dos proprietários!
O promotor dessa reforma, Deng Xiaoping, se atribuiu a tarefa de justificar o injustificável: que a sociedade tenha violado o marxismo e continuado a ser marxista-leninista, e preservado o partido comunista. Cabe registrar aquí, sem entrar em detalhes, que os chineses possuem uma profusa literatura que justifica seu novo tipo de sociedade, capitalista na economia (assassinando o marxismo) e "comunista" na política (ditatorial). Como o capitalismo na economia os salvou da ruína, agora defendem tais "mudanças" apenas para conservar o poder.
O atual chefe do Partido Comunista chinês, Xi Jinping, emergiu como ideólogo e disseminador de tal esquema capitalista, misto com a ditadura comunista, e pretende estendê-lo aos países restantes (Cuba e Coreia do Norte, porque Vietnã já foi para esse esquema), onde ainda governam os partidos comunistas, a fim de manter a ditadura política. Quase resolvido o problema na Coreia do Norte, Xi agora enfatiza sua implementação em Cuba, para onde enviou o chefe vietnamita a dizer que essa é a única maneira de manter o poder.
No momento, os únicos países marxistas restantes são a Coreia do Norte e Cuba. O fracasso do marxismo, que a China constatou na década de 70 do século passado, materializa-se na Cuba castrista por uma economia absolutamente racionada de bens e serviços há mais de meio século e na Coréia do Norte, onde sucessivas faltas de alimentos matam de fome milhares de cidadãos. Portanto, não é irracional que os comunistas chineses insistam em convencer os norte-coreanos e os cubanos dos benefícios do capitalismo! As coisas na Coreia do Norte estão indo. Em Cuba permanece a incerteza.
Aparentemente, ao menos, o Partido Comunista Cubano decidiu ir para o capitalismo em sua economía, e isso revela seu fracasso econômico. Tendo fracassado o marxismo, não há justificativa para a ditadura leninista, que foi implementada precisamente para evitar "o retorno dos proprietários". Se estes, contraditoriamente, já estão sendo chamados à ilha para salvá-la, como se justifica a pura e simples ditadura política - Castrista ou Canelista?
* Traduzido do original em espanhol pelo editor do blog.
Tem algo de muito errado escondido em nosso país. Algo está passando despercebido frente a algumas "boas" notícias relacionadas a economia. Sim, o Brasil saiu da recessão. Sim, o Brasil está crescendo. Contudo, o ritmo do crescimento deveria ser bem mais intenso do que o que está sendo observado.
Vamos supor que a taxa de crescimento de longo prazo do PIB per capita brasileiro esteja ao redor de 1,7% ao ano. Isso implica numa taxa anual de crescimento do PIB ao redor de 2,5%. Em 2014 o PIB cresceu 0,1%, em 2015 caiu 3,8%, em 2016 caiu outros 3,6%, em 2017 cresceu 1%. Em outras palavras, estamos mais de 15% abaixo da trajetória de longo prazo. Num cenário assim, a taxa de crescimento do PIB deveria ser bem mais alta. Notem que número significativo de analistas preveem um crescimento de 2,8% para 2018, e de 3% para 2019. Caso tais valores se confirmem, ao final de 2019 estaríamos ainda abaixo do PIB de 2014, e continuaríamos mais de 15% abaixo de nossa trajetória de longo prazo.
O normal seria a economia brasileira estar se recuperando a taxas bem mais rápidas. Se isso não está ocorrendo é porque algum problema bem sério está sendo desconsiderado nas análises. Será que nossa já baixa taxa de crescimento de longo prazo ficou pior ainda? Será que os desastres microeconômicos da administração petista derrubaram ainda mais nossa já estagnada produtividade? Será que a dívida pública, aliada a nossa péssima situação fiscal, está tendo efeitos deletérios bem mais sérios do que estamos notando?
Tem algo de muito sério acontecendo no subterrâneo de nossa economia que não está recebendo a devida atenção. Em minha opinião, são dois os culpados:
1) o estrago microeconômico das políticas econômicas do PT é bem mais sério do que parece. Tudo leva a crer em severos problemas de má alocação de investimentos (a famosa política de escolha de setores e de campeões levados a cabo pelo BNDES e pelo governo petista). Ao investir em setores pouco capazes de competir (tal como os vultosos investimentos no setor naval ou nas péssimas escolhas de investimentos da Petrobras) não só foram "queimados" importantes recursos, pior que isso: a própria manutenção desse investimento implica em novos e custosos desembolsos. Por exemplo, por pior que tenha sido investir em estádios para a Copa do Mundo, ainda assim foi pior ainda colocar bilhões de reais na Refinaria Abreu e Lima ou no complexo Comperj. Quem poderia imaginar que investir em estádios seria a menos pior das ideias petistas?; e
2) A delicada situação fiscal da União, estados e municípios pode estar assustando bem mais do que os jornais levam a crer. São vários os problemas que nos levam a ter severas dúvidas sobre a sustentabilidade da trajetória fiscal atual.
Em resumo, o Brasil precisa de grandes reformas macroeconômicas e microeconômicas. Reformas que coloquem nossa trajetória fiscal num patamar aceitável. Nesse sentido, a reforma da previdência é um primeiro passo urgente. Mas muito mais precisa ser feito no lado fiscal: revisão das desonerações tributárias, revisão dos subsídios governamentais, ampla política de privatização e concessões, reforma administrativa, e freio no crescimento constante dos gastos públicos, são objetivos a serem perseguidos. Pelo lado da produtividade, temos que aprovar medidas que recoloquem o Brasil no caminho do crescimento sustentável. Nesse sentido, abrir a economia, modernizar a legislação trabalhista, simplificar a tributação, valorização e proteção efetiva da propriedade privada, reduzir drasticamente a burocracia, diminuir o volume do crédito direcionado, aprovar o cadastro positivo, e várias outras medidas precisam ser urgentemente implementadas em nosso país.
* Doutor em Economia e advogado.
**Publicado originalmente em http://bdadolfo.blogspot.pt/
A Venezuela foi o primeiro país sul-americano a conquistar sua independência da Espanha, em 1813, pelas mãos de Simon Bolívar. Em 1922, descobriu-se a primeira grande jazida de petróleo, na cidade de Zulia. Em seis anos, aquele país já era o segundo maior produtor de petróleo do mundo, atrás apenas dos EUA. Durante a segunda grande guerra, foi o maior fornecedor de óleo bruto aos americanos. Em 1945, produzia mais petróleo que todos os países do Oriente Médio juntos. Em 1950, apresentava o quarto maior PIB per capita do planeta. A Venezuela era duas vezes mais rica que o Chile, quatro vezes mais rica que o Japão e doze vezes mais que a China. Em 1960, junto com Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait, fundou a OPEP. Em 1990, os venezuelanos eram, na média, um povo rico. Contudo, bolsões de miséria ainda persistiam, como de resto em todos os países da América Latina.
Foi aí que, em 1998, surgia um "Salvador da Pátria" que iria acabar com a pobreza do povo: Hugo Chávez. A partir de 1999 e durante os próximos dez anos, os aumentos do preço mundial do petróleo fizeram de Hugo Chávez um homem muito poderoso e multibilionário, que chegou a influenciar diretamente vários países latino-americanos e até mesmo outros continentes, com suas doações de óleo em troca de "serviços" - apoio a sua revolução bolivariana. A PDVSA, estatal do petróleo venezuelana, foi precisamente o instrumento de que Chávez se utilizou para a construção do "seu mundo". Como uma "vaca leiteira", a empresa foi usada com propósitos político-ideológicos, mas também para o luxo e a riqueza do núcleo duro do chavismo.
Em 1999, Chavez e Fidel Castro assinaram um acordo, pelo qual a Venezuela remeteria 53 mil barris de petróleo diários para Cuba, em troca do envio de 12 mil "médicos" cubanos para a Venezuela. Essas remessas de petróleo chegaram a 100 mil barris diários, mais que o consumo de toda a ilha caribenha, sendo que Fidel vendia o excedente para outros países (atualmente há cerca de 60 mil cubanos na Venezuela, controlando desde a segurança do presidente Maduro, até as forças armadas e de inteligência). Chávez entregou aos cubanos toda a emissão de passaportes e demais documentos de identificação. Além disso, deixou de investir dinheiro no seu país, para comprar bilhões de dólares em títulos da dívida de países amigos, como Cuba, Argentina, Bolívia e Equador.
O ditador venezuelano, no seu delírio proto-comunista, estatizou todos os setores da agricultura, que foram relegados ao abandono, assim como fábricas de alimentos, supermercados, redes de rádio e TV. A maioria fechou. O resultado disso foi que, em menos de uma década de chavismo, a proporção de alimentos produzidos na Venezuela caiu mais de 60%. A partir de 2008, a importação de itens básicos, como remédios e alimentos, foi terceirizada para empresas estatais cubanas, como Alimport, CubaControl e Surimport, que cobram altas taxas de intermediação. Mais uma forma de financiar a ditadura cubana. No final de 2013, os preços do petróleo começaram a cair, levando a Venezuela a atrasar seus compromissos internacionais.
A partir de 2014, com a posse de Maduro em função da morte de Chávez, a destruição daquele país se acelerou. A inflação chegou a 700%, e o índice de desabastecimento chega a ser superior a 80%. Em 2017, a inflação chegou a 2.616%, a maior do planeta. Entre 2015 e 2016, 74% da população perdeu 8 quilos ou mais, em função da fome. No final de 2016, 93,3% dos venezuelanos não tinham como cobrir as despesas com alimentação para garantir uma dieta mínima de 2000 calorias. As pessoas passaram a abandonar seus animais de estimação nas ruas, porque não tinham mais como lhes comprar ração. Esses animais passaram a ser caçador e abatidos para servirem de alimento à população faminta. Nem os animais dos zoológicos foram poupados, bem como os famosos pombos que habitavam as centenas de praças chamadas Simon Bolívar em todo o país. Em 2017, a Venezuela teve de aumentar drasticamente sua importação de petróleo, devido ao sucateamento da PDVSA, cuja direção havia sido entregue aos "cumpanhêros" dos sindicatos.
Adivinhem qual é o maior fornecedor de óleo à Venezuela? Sim, o "grande satã" norte-americano. Segundo Ricardo Haussman, da Universidade de Harvard, a tragédia venezuelana eclipsa qualquer outra da história dos Estados Unidos, Europa Ocidental e do resto da América Latina. Isso sem contar que a Venezuela se tornou um narco-estado, sendo a maior exportadora da cocaína das FARC e da Bolívia para os cartéis de drogas mexicanos e do norte da África. Chávez (enquanto vivo), Maduro, Cabello e toda a cúpula militar venezuelana esteve ou está envolvida com o narcotráfico. Em 2015, dois sobrinhos de Maduro foram presos no Haiti por agentes da DEA americana quando tentavam vender 800 kg de cocaína. Essa é uma breve história de como um psicopata criminoso e seus asseclas conseguiram em menos de 20 anos arruinar um dos países mais promissores da América Latina, com sua utopia socialista.
P.S. Todas as informações acima foram retiradas do livro "HUGO CHÁVEZ, O ESPECTRO", do jornalista brasileiro Leonardo Coutinho, cuja leitura eu muito recomendo.
*Publicado originalmente no Facebook do autor.
Estava relendo “A Morte de Ivan Ilitch” quando recebi a notícia da morte do pequeno Alfie. A célebre novela de Tolstói conta a história de um homem que às portas da morte descobre que sua vida foi inteiramente vazia e destituída de sentido. Ivan Ilitch é juiz numa província russa; morre aos 45 anos de idade, após sofrer um acidente doméstico e desenvolver uma doença que os médicos jamais saberiam qual foi. O menino britânico tinha uma doença rara, de difícil tratamento. A diferença é que a morte de Ivan Ilitch pareceu sem sentido a todos que o rodeavam: família, amigos, colegasde trabalho. Já a morte de Alfie contém uma mensagem que jamais esqueceremos, e que ele levará para a eternidade.
Ivan Ilitch morre como peça de um imenso aparato estatal que, de sua época para os nossos dias, só fez crescer e fortalecer-se. Alfie morre vítima dessa máquina de controle social, fria e desumana, que se considera imensamente superior aos vínculos verdadeiros entre as pessoas, especialmente o vínculo entre pais e filhos.
Ivan Ilitch talvez tenha sido salvo no último instante, como o Bom Ladrão, ao contemplar a luz divina. Alfie agora, com toda certeza, está na presença deDeus, como mártir de uma civilização doente e desesperada. Ivan Ilitch morreu diante da frieza de seus familiares e amigos, que só pensavam na herança e nos cargos que se abririam com a sua morte. Alfie morre cercado pelo amor dos pais e de milhões de cristãos em todo o mundo, que rezaram e lutaram por sua salvação.
Alfie morre para mostrar o que os donos do poder global pretendem fazer com todos aqueles que se coloquem como obstáculos para seus planos de“justiça social”, “diversidade”, “empoderamento” e “igualdade”. Morre como vítima da ideologia da morte, da estupidez materialista e da arrogância pseudocientífica. Morre como nós morreremos, se nada fizermos.
A exemplo de milhões de vítimas que nem sequer tiveram o direito denascer, o destino de Alfie seria desaparecer anônimo. Mas a máquina coletivista também se engana — e Alfie teimou em nascer, para desespero dos ideólogos. A correção dessa “falha” do sistema foi dada pela justiça britânica: passar o pátrio poder ao hospital e desligar as máquinas que mantinham a criança viva.
No entanto, inesperadamente, o menino que deveria morrer em questão deminutos acabou sobrevivendo vários dias. Esses poucos dias em que Alfie continuou entre nós têm mais sentido do que a vida inteira daqueles que o condenaram à morte.
“A morte de um indivíduo é uma tragédia; a de milhões, uma estatística”, disse Josef Stálin, responsável por mais de 20 milhões de mortes na terrade Ivan Ilitch. Um mundo que se conforma com a morte programada de um menino acabará por se conformar com a eutanásia da humanidade. Assim como a luz vista por Ivan Ilitch, a tragédia de Alfie é um sinal que Deus enviou para nós.
*Publicado originalmente no facebook do autor, em https://www.facebook.com/profile.php?id=100001948569452&fref=mentions