• Theodore Dalrymple
  • 04 Março 2018

Nota do editor: Se você não quer apenas “achar” isto ou aquilo sobre legalização, leia até o fim.

 

É possível observar uma progressão das mentalidades: num primeiro momento, o impensável se torna pensável. Mais tarde, torna-se uma ortodoxia cuja verdade parecerá tão óbvia que ninguém mais ousará lembrar que alguém já pensou a coisa de forma diferente. É exatamente isso que está acontecendo com a ideia sobre a legalização das drogas, sobre a qual já se chegou ao estágio no qual milhões de cérebros estão em unânime acordo. Deve-se permitir o consumo daquilo que as pessoas queiram usa, essa é a solução óbvia, e de fato a única diante dos problemas sociais que surgem do consumo de narcóticos.

O desejo que as pessoas têm de consumir substâncias que alteram o estado de consciência é tão antigo quanto a própria sociedade – como são antigas as tentativas para regulamentar seu consumo. Se, de uma forma ou de outra, o uso de substâncias desse tipo é inevitável, então, o mesmo vale para as restrições habituais ou legais contrárias ao seu consumo. No entanto, antes da nossa, nenhuma outra sociedade teve que lidar com quantidades tão gigantescas de entorpecentes, aliada a uma histeria coletiva que exige a garantia de direitos associados a prazeres pessoais cada vez mais ampliados.
Os argumentos favoráveis à legalização das drogas têm dois vieses: um filosófico e outro pragmático. Nenhum deles é desprezível, mas creio que sejam equivocados e errem o alvo.

O argumento filosófico diz que, numa sociedade livre, deve ser permitido aos adultos fazerem o que lhes agrade, levando-se em conta que estejam preparados para assumir as consequências de suas próprias escolhas, e que não prejudiquem ou causem danos diretos a terceiros. O lócus classicus desse entendimento é o famoso ensaio de John Stuart Mill, Sobre a Liberdade: “O único propósito com o qual se legitima o poder sobre algum membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é evitar danos aos demais”, Mill escreve. “Seu próprio bem, seja físico ou moral, não é garantia suficiente.” Esse individualismo radical não confere à sociedade qualquer parte de modelação, determinação ou aplicação de um código moral: em resumo, não temos nada em comum, a não ser nosso acordo contratual para não interferimos nas vidas uns dos outros, enquanto prosseguimos em busca de nossos prazeres privados.

Na prática, contudo, é extremamente difícil garantir que as pessoas assumam todas as consequências de seus próprios atos – como elas deveriam fazer, caso o grande princípio de Mill pudesse servir com um guia filosófico para a tomada de decisões políticas. A dependência química ou o uso regular de drogas não afeta apenas a pessoa que as consome, uma vez que não poupa cônjuges, filhos, vizinhos e empregadores de sofrerem consequências. Nenhum homem, com a possível exceção de um eremita, é uma ilha. Assim, é praticamente impossível que o princípio de Mill possa ser aplicado a qualquer ação humana, e muito menos aos casos de consumo de heroína ou crack. Um princípio como esse é quase inútil em determinar o que deveria e o que não deveria ser permitido.
Talvez não devêssemos ser tão duros com o princípio de Mill, já que não está claro que alguém tenha pensado algo melhor. Mas é precisamente esse o ponto. As questões humanas não podem ser resolvidas a partir do apelo exercido por uma regra que se apresente como infalível, e que esteja expressa em poucas palavras, cuja simples aplicação seria capaz de resolver todos os casos, incluindo se o consumo de drogas deve ou não ser liberado para a população adulta. Fundamentalismo filosófico não é preferível à variante religiosa, e uma vez que os anseios da vida humana são muitos, e eles quase sempre estão em conflitos entre si, a mera inconsistência filosófica das políticas adotadas – tal como permitir o consumo de álcool enquanto se proíbe o consumo de cocaína – não é um argumento suficiente contra essa política. Todos valorizamos a liberdade e a ordem; por vezes sacrificamos a liberdade em nome da ordem, e por outras sacrificamos a ordem em nome da liberdade. Mas uma vez que não haja mais proibição, é muito difícil restaurá-la, mesmo quando a nova liberdade adquirida prova ser equivocada e socialmente desastrosa.

Mill chegou a perceber as limitações de seu princípio como um guia para a aplicação de políticas e negou que todos os prazeres tivessem um significado igual para a existência humana. Melhor seria um Sócrates descontente a um tolo satisfeito, ele disse. Mill reconheceu que alguns objetivos eram intrinsecamente mais valiosos que outros.
Assim sendo, nem todas as liberdades se equiparam, tampouco se equiparam as limitações de liberdade, pois algumas são sérias e outras triviais. A liberdade de que desfrutamos – ou de que deveríamos desfrutar – não compreende somente a satisfação de nossos apetites, sejam lá quais forem eles. Não somos Harold Skimpole de Dickens, exclamando em protesto que “até as borboletas são livres!”. Não somos crianças irritadas com restrições apenas por serem restrições. E chegamos mesmo a reconhecer o aparente paradoxo de que algumas limitações impostas sobre nossas liberdades nos tornaram, afinal de contas, mais livres. O homem mais livre não é aquele que, servilmente, obedece aos seus apetites e desejos por toda a vida – como um bom número de meus pacientes acaba descobrindo depois de muito sofrimento.

Estamos preparados a aceitar limites em nossas liberdades por muitos motivos, e não apenas pelos motivos que emanam da ordem pública. Tomemos um caso hipotético e radical: exibições públicas de necrofilia não são, felizmente, permitidas, embora, segundo o princípio de Mill, elas devessem ser. Um cadáver não tem interesses e não pode sofrer danos, já que não é mais uma pessoa, e nenhum membro da comunidade seria prejudicado caso concordasse livremente em ir a uma exibição como essa.

Além do mais, nossa decisão em proibir exceções como esta não seria alterada caso descobríssemos que milhões de pessoas desejassem assisti-las ou mesmo caso descobríssemos que milhões de sujeitos já tiverem de fato participando ilegalmente dessas exibições. Nossa objeção não se baseia em considerações pragmáticas ou no número de cabeças, e sim no equívoco das exibições como tal. O fato de a proibição representar uma restrição genuína sobre nossa liberdade não conta nesse caso.

Pode ser defendido que a liberdade de escolher entre uma variedade de substâncias tóxicas é uma liberdade muito mais importante, na qual milhões de pessoas desfrutam de um divertimento inocente ao consumir estimulantes e narcóticos. Mas o consumo de drogas tem o efeito de reduzir a liberdade das pessoas, ao reduzir drasticamente o âmbito de seus interesses. O consumo prejudica a busca de objetivos humanos mais importantes, tais como constituir uma família e cumprir obrigações públicas. Muito frequentemente prejudica a habilidade de construir uma vida profissional e promove o parasitismo. Além do mais, longe de expandir a consciência, a maior parte das drogas a limita. Uma das características mais universais dos drogados é a forma intensa e tediosa como ficam absortos em si mesmos, e as jornadas que empreendem ao espaço interior são geralmente incursões a vácuos internos. Consumir droga é uma forma preguiçosa de buscar felicidade e sabedoria, e esse atalho acaba se tornando a mais sem saída das ruas sem saída. Perdemos realmente muito pouco com a proibição do consumo de drogas.
A ideia de que a liberdade é mera habilidade de um sujeito em fazer valer os seus caprichos é um tanto quanto rasa, e mal consegue capturar as complexidades da existência humana; um homem cujos apetites são sua lei nos chama a atenção não como alguém liberto, porém escravizado. E quando uma liberdade tão estreitamente concebida transforma-se no critério das políticas públicas, a dissolução da sociedade estará próxima. Nenhuma cultura que tenha na autoindulgência publicamente sancionada o seu mais alto bem pode sobreviver por muito tempo, e um egotismo radical será desencadeado, no qual quaisquer limites sobre o comportamento pessoal serão experimentados como infrações contra direitos básicos. Perceber as distinções entre o importante e o trivial, entre a liberdade de criticar ideias recebidas e a liberdade para se consumir LSD, por exemplo, é o tipo de discernimento que mantém as sociedades livres do barbarismo.

Dessa forma, a legalização das drogas não pode ser defendida a partir de um princípio filosófico. Mas caso o argumento prático a favor da legalização fosse suficientemente forte, ele poderia facilmente sobrepujar outras objeções. É sobre esse argumento que grande parte dos defensores da legalização sustenta, de que a maciça maioria dos danos causados à sociedade pelo atual consumo ilícito de drogas não se deve às propriedades farmacológicas dos entorpecentes, e sim à própria proibição e à decorrente atividade criminal que a proibição acaba encetando. Uma simples reflexão nos diz que uma oferta invariavelmente cresce a fim de suprir uma demanda; e quando a demanda é disseminada, a supressão se torna inútil. De fato, essa supressão se torna danosa, uma vez que – ao subir o preço do bem em questão – ela aumenta os lucros dos intermediários, o que lhes traz incentivos ainda mais poderosos para estimular futuras demandas. Os enormes lucros acumulados do mercado da cocaína e da heroína – não fosse pela ilegalidade, essas substâncias seriam mais baratas e facilmente obtidas pelos mais pobres no universo das sociedades ricas – exercem um efeito profundamente corruptor sobre produtores, distribuidores, consumidores e, também, sobre agentes policiais e legais. Além disso, é bem conhecido que a ilegalidade, em si mesma, apresenta atrativos para a juventude já inclinada à rebeldia. Muitos dos danosos efeitos físicos das drogas ilícitas são provenientes de seu status ilegal, por exemplo, os diferentes graus de pureza e impureza da heroína que circula nas ruas são responsáveis por muitas mortes por overdose. Se a venda e o consumo dessas drogas fossem legalizados, os consumidores teriam mais controle sobre as doses reais e, portanto, evitariam as overdoses.

Além do mais, uma vez que a sociedade já permite o uso de algumas substâncias alteradoras do estado de consciência, as quais causam dependência e são nocivas, tais como o álcool e a nicotina, a proibição de outras pode parecer hipócrita, arbitrária e ditatorial. Sua hipocrisia, como também seu patente fracasso em aplicar com êxito as proibições, leva inevitavelmente a um declínio no respeito às leis como um todo. Então, tudo se parte, o centro não se sustenta.

Portanto, parece razoável pensar que todos esses problemas seriam resolvidos de uma só vez, caso fosse permitido que as pessoas fumassem, ingerissem, cheirassem ou injetassem o que quisessem. A corrupção policial, a cooptação de crianças de onze e doze anos em atividades ilegais, a acumulação de fortunas pelo tráfico, que faz o trabalho honesto e tolo parecer e sem sentido por comparação, as guerras contra as gangues que tornam os bairros excessivamente violentos e perigosos, todas essas coisas cessariam de uma só vez, caso houvesse a descriminação das drogas, e caso o fornecimento fosse regulado da mesma forma que o álcool.

Mas certa modéstia diante de um futuro inerentemente desconhecido é aconselhável. Esse é o motivo pelo qual a prudência é uma virtude política. O que a razão pensa que deveria acontecer nem sempre acontece, necessariamente, na prática. Mas, como disse Goethe, toda teoria, meu amigo (incluindo teorias do livre mercado e teorias monetárias), é cinza. E verde a árvore dourada da vida. Caso as drogas sejam legalizadas, creio que a árvore dourada da vida frutificará algumas surpresas bastante desagradáveis.

É certamente verdade, mas apenas de forma trivial, que a atual ilegalidade das drogas é o que mantém a criminalidade que domina a sua distribuição. O mesmo acontece com a ilegalidade do roubo de veículos, cuja existência cria os ladrões de carro. De fato, a causa primeira de toda criminalidade é a lei. Até onde sei, nem por isso ninguém jamais sugeriu que a lei devesse ser abandonada. Além do mais, a impossibilidade de vencer a “guerra” contra os furtos, roubos e assaltos e fraudes nunca foi usada como argumento para se revogar a criminalidade dessas práticas. E desde que uma demanda por bens materiais supere a sua oferta, as pessoas ficarão tentadas a cometer atos criminosos contra a propriedade privada, ou um que favoreça a propriedade comum de todos os bens. Todavia, o argumento sugere que continuaremos precisando de uma força policial por um bom tempo.

De qualquer forma, há motivos para se duvidar se realmente o índice de criminalidade cairia abruptamente como os defensores da legalização costumam sugerir. Amsterdã, onde o acesso às drogas é relativamente aberto, está entre as cidades mais violentas e sórdidas da Europa. A ideia que está pode trás do crime – de ficar rico, ou ao menos mais rico, depressa e sem muito esforço – pouco provavelmente desaparecerá uma vez que as drogas se tornem livres e disponíveis a todos que queiram consumir. E pode ser que um comportamento antissocial oficialmente sancionado – a supressão oficial dos tabus – gere novas formas de comportamento antissocial, como sugere a teoria das “janelas quebradas”.

Tendo conhecido muitos traficantes, duvido que essas pessoas vivam de forma respeitável caso o principal produto de seu negócio seja legalizado. Longe de mostrar um desejo de serem reincorporados ao mundo do trabalho regular, eles expressam um profundo desprezo por ele, e consideram aqueles que aceitam a barganha de um honesto dia de trabalho em troca de um pagamento honesto como covardes e estúpidos. Uma vida criminosa tem os seus atrativos para muito que, de outra forma, levariam uma existência mundana. Desde que haja a possibilidade de lucrativos expedientes criminosos como o tráfico ilegal de entorpecentes, entre outros, essas pessoas irão se envolver nessas atividades, ampliando-as. Portanto, embora os favoráveis à legalização hesitem diante da perspectiva de permitir o consumo de drogas para as crianças, a descriminação pode resultar facilmente na criação de um mercado, entre os traficantes, que vise mais e mais ao público infantil, o qual – na atmosfera permissiva que já prevalece – foi introduzido à subcultura das drogas em números absolutamente alarmantes.

Aqueles que não estão envolvidos com o tráfico de drogas, mas que cometem crimes a fim de financiar o consumo pessoal de entorpecentes são, por certo, mais numerosos do que os traficantes de larga escala. É verdade que uma vez que esses viciados em ópio, por exemplo, participem de programas de tratamento, os quais em geral incluem a manutenção de pequenas doses de metadona, constata-se que o índice de seus crimes cai drasticamente. A clínica para drogados em meu hospital alega uma redução de 80% nas condenações por crimes entre os dependentes de heroína, ao serem estabilizados com metadona.

Esse é um dado impressionante, mas não é certo que os resultados possam ser generalizados. Em primeiro lugar, esses pacientes estão lá por conta própria, ou seja, já têm alguma motivação para querer mudar, caso contrário eles não estariam na clínica. Apenas uma pequena minoria dos dependentes ingressa nesse tipo de tratamento, portanto não é seguro concluir que, caso outros dependentes recebessem a metadona, sua atividade criminosa também diminuiria.

Em segundo lugar, um declínio nas condenações não corresponde necessariamente a um declínio na criminalidade. Se a metadona de fato estabiliza a vida de um viciado, pode ser que ele se torne um criminoso mais eficiente e ardiloso. Além do mais, quando a polícia em nossas cidades prende um viciado, há uma grande possibilidade de ele escapar de qualquer processo caso prove que está passando por algo que remotamente se assemelhe a um tratamento psiquiátrico. As autoridades o levam diretamente ao médico. Ter passado por uma consulta psiquiátrica é um álibi bastante funcional para o assaltante ou ladrão; a polícia, que não quer preencher mais de quarenta formulários que agora são necessários para se processar alguém, sobre qualquer coisa, na Inglaterra, considera um único contato com um psiquiatra um motivo suficiente para privar o sujeito de qualquer responsabilidade criminosa para sempre.

• Médico psiquiatra e escritor brtânico.
 

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 02 Março 2018


SIMPLIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA
O enterro da Reforma da Previdência, que rendeu imediatamente o rebaixamento da nota de classificação de risco do nosso empobrecido Brasil, abriu a possibilidade da abertura da sepultura onde jaz a Reforma Tributária, ou melhor dizendo a SIMPLIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA.

EFICIÊNCIA
Antes de tudo é importante esclarecer que este projeto, de SIMPLIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA, nada tem a ver com REDUÇÃO DE CARGA TRIBUTÁRIA, como muitos brasileiros estão imaginando. O propósito deste importante projeto, que considero altamente positivo, se aprovado vai proporcionar enorme EFICIÊNCIA.

SIMPLIFICAÇÃO
Enquanto a REFORMA DA PREVIDÊNCIA tem (ou teria) como propósito aliviar o drama FISCAL, com redução (não eliminação) do DÉFICIT das Contas Públicas, as mudanças previstas na REFORMA TRIBUTÁRIA, só por tirar os nós do EMARANHADO e ABSURDO sistema tributário brasileiro, já proporciona uma grande economia pela simplificação.

REVOLUÇÃO ECONÔMICA
Aliás, o relator do projeto, deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), depois de plenamente convencido pelo MBE - Movimento Brasil Eficiente, manifestou com muita convicção, que com as mudanças previstas, o Brasil poderá ter "uma revolução econômica três vezes maior do que o plano Real".

ELIMINAÇÃO DE TRIBUTOS
O importante projeto, que espero tenha menor resistência, prevê a eliminação de dez tributos, dentre eles o ISS, o ICMS, o IPI, o PIS e o PASEP além da eliminação total de impostos sobre alimentos e medicamentos. A tributação ficaria fixa em um único IMPOSTO DE RENDA e um IVA NACIONAL com alguns serviços destes sendo cobrados a parte, tais como energia, combustíveis, telecomunicações, veículos e cigarros.

BRASIL MELHOR
Portanto, mesmo lamentando pelo cruel assassinato da REFORMA DA PREVIDÊNCIA, que por si só já produziu um abalo de confiança no nosso débil crescimento econômico, a guerra continua. Se queremos um Brasil melhor é preciso dar continuidade à outras REFORMAS, como é o caso desta REFORMA TRIBUTÁRIA.

Continue lendo
  • Alexandre Garcia
  • 02 Março 2018


Quando eu estava no segundo ou terceiro ano do Grupo Escolar, lá pelo fim dos anos 40, tinha que saber de cor Os Direitos e Deveres do Cidadão Brasileiro. Naquele tempo, a gente tinha no curso primário o aprendizado de cidadania. E só anos depois percebi que talvez nosso problema nacional esteja numa ordem de fatores que altera o produto: nos acostumamos com “direito” em primeiro lugar - e só depois “dever”. Obviamente que direitos se conquistam com o cumprimento dos deveres. Hoje me deram para ler o Estatuto do Idoso. Como idoso que sou - pelo menos na idade - tratei de ler a lei e vi que é uma sucessão infinda de direitos, embora sejam os mais óbvios - quase todos direitos naturais que nem precisam ser expressos em lei.

Assim, escreveram também os direitos dos adolescentes, no Estatuto da Criança e do Adolescente. Assim como o Estatuto do Idoso não tem impedido que idosos fiquem ao desamparo de seus próprios descendentes, a bonita lei do ECA não impede que jovens entrem no mundo do crime, tão atraente no Brasil de hoje. Mais do que isso, o ECA é o protetor daqueles jovens que entram no mundo do crime. Semana passada, no Rio, um menino de 10 anos foi morto com um tiro na cabeça, porque um menor de 17 anos lhe emprestou uma arma para brincar, e depois tentou tirar-lhe a arma da mão. O jovem dono da arma de fogo já havia atirado na polícia, e fora apreendido; já havia sido flagrado com tráfico de drogas e fora apreendido; já havia sido pego com porte ilegal de arma e fora apreendido; já havia aparecido no Jornal Nacional assaltando pessoas em Copacabana e fora apreendido - mas estava sempre solto logo depois, protegido pela lei.

Quando começaram as primeiras prisões no mensalão, deputados e senadores logo providenciaram um afrouxamento ainda maior de leis penais e de execuções penais, para evitar prisão em regime fechado. A tal progressão de pena ficou ainda mais suave para o criminoso. Ao mesmo tempo, ONGs manifestavam suas preocupações com bandidos dentro das prisões, mas não com bandidos nas ruas. Intelectuais do Judiciário passaram a fazer campanhas para aliviar as prisões superlotadas. Na onda, entraram os direitos humanos dos bandidos, que sempre esquecem dos direitos humanos das vítimas.

Também semana passada, aparece um líder de facção criminosa sendo fuzilado no Ceará, com a ajuda de um helicóptero, e em São Paulo, outro líder sendo fuzilado diante de um hotel de cinco estrelas. Os dois justiçamentos, comandados de presídio, mostram que líderes de facções, já conhecidos e identificados, andam soltos por aí, graças as leis que foram mudadas para aliviar políticos, mas aliviaram todos os outros criminosos. Por outro lado, no país dos direitos, se deixa de lado o mais básico de todos, que é o direito à vida. O estatuto do desarmamento não desarma bandidos - ao contrário, os deixa mais à vontade, porque sabem que a cidadania desarmada está sem a ferramenta derradeira do exercício da legítima defesa. Uma idosa, como aquela de Caxias do Sul, encontrou em um revólver velho, o direito à vida, que a igualou à força do jovem bandido que entrara na casa dela. Está na hora de os legisladores mostrarem de que lado estão e mudarem essas leis.

• Publicado originalmente em http://www.sonoticias.com.br/coluna/deveres-e-direitos
 

Continue lendo
  • Cláudia Wild
  • 28 Favereiro 2018


 

“Hoje me deparo com esta reportagem em que o chefe da polícia holandesa declara; “perdemos a luta contra o crime” e que a Holanda está se tornando um “narco-Estado”. Ele relata que após a política de tolerância - gedoogbeleid - com as drogas e a legalização da maconha com sua venda nos Coffee-Shops, "a porta para a criminalidade foi aberta e que ela está tomando o país".

Notem que o alerta vem do CHEFE DA POLÍCIA holandesa, e não de um sociólogo, antropólogo, historiador, ou cientista político.

Conforme é cediço, o tráfico de drogas tem longos tentáculos. A partir dele, uma série de delitos tornam-se ‘praticamente' obrigatórios, sendo que os crimes mais comuns são os crimes contra o patrimônio, crimes sexuais e crimes contra a vida.

Pieter-Jaap Aalbersberg conta que a polícia holandesa consome de 60 a 70% do seu tempo de trabalho apenas investigando os crimes ligados à máfia das drogas que se instalou no país. Pelo porto de Roterdã passa pelo menos metade da cocaína que entra na Europa. A Holanda tem o mais robusto mercado de produção do Ecstasy - contralado por marroquinos. Ele relata que, a legalização da erva só fez aumentar o tráfico de drogas no país. Segundo Aalbersberg, ele viu "pequenos traficantes se tornarem grandes empresários do ramo com excelentes contatos políticos e no meio empresarial”. A tolerante Holanda se tornou um paraíso para o tráfico de drogas na Europa - que foi indubitavelmente reforçado depois da legalização da cannabis.

Daí a conclusão: se a Holanda aquele país mínimo, super organizado, rico, de gente culta e alfabetizada está se tornando um "narco-Estado" sem conseguir controlar a criminalidade após a legalização da maconha e seus efeitos, imaginem só o que se transformará a baderna subdesenvolvida brasileira? O Brasil é um país enorme, de fartíssima bandidagem, pobre, de gente inculta, desorganizado, tomado pelo crime e um grande consumidor de crack, cocaína e maconha - que se liberada poderá fazer do Brasil um Rio de Janeiro continental.

Que o exemplo da fracassada experiência holandesa em relação à tolerância ao consumo e venda de maconha sirva para o Brasil. E não adianta buscar "aconselhamento técnico” - para provar os “benefícios de uma eventual legalização” - com maconheiros de plantão, pois droga é droga e ninguém mudará esta realidade.”
https://www.publico.pt/2018/02/21/mundo/noticia/holanda-em-risco-de-se-tornar-um-narcoestado-1803794/amp#

Desde 1997, quando estive com René Levy, diretor do Bulletin Questions Pénales, órgão informativo sobre assuntos de segurança pública do Ministerio da Justiça da França, passei a receber ditos exemplares. Um deles noticiava o fracasso da política de liberação das drogas na Holanda que só teve como resultado a concentração de drogados e traficantes naquele lindo país. Ninguém nunca quis me ouvir

A reunião com René Levy foi em Paris.

Eu o havia conhecido num seminário internacional de segurança pública na USP, noz Núcleo de Estudos da Violência , em 1995. HOLANDA EM RISCO DE SE TORNAR UM “NARCO-ESTADO”
Por Cláudia Wild

“Hoje me deparo com esta reportagem em que o chefe da polícia holandesa declara; “perdemos a luta contra o crime” e que a Holanda está se tornando um “narco-Estado”. Ele relata que após a política de tolerância - gedoogbeleid - com as drogas e a legalização da maconha com sua venda nos Coffee-Shops, "a porta para a criminalidade foi aberta e que ela está tomando o país".

Notem que o alerta vem do CHEFE DA POLÍCIA holandesa, e não de um sociólogo, antropólogo, historiador, ou cientista político.

Conforme é cediço, o tráfico de drogas tem longos tentáculos. A partir dele, uma série de delitos tornam-se ‘praticamente' obrigatórios, sendo que os crimes mais comuns são os crimes contra o patrimônio, crimes sexuais e crimes contra a vida.

Pieter-Jaap Aalbersberg conta que a polícia holandesa consome de 60 a 70% do seu tempo de trabalho apenas investigando os crimes ligados à máfia das drogas que se instalou no país. Pelo porto de Roterdã passa pelo menos metade da cocaína que entra na Europa. A Holanda tem o mais robusto mercado de produção do Ecstasy - contralado por marroquinos. Ele relata que, a legalização da erva só fez aumentar o tráfico de drogas no país. Segundo Aalbersberg, ele viu "pequenos traficantes se tornarem grandes empresários do ramo com excelentes contatos políticos e no meio empresarial”. A tolerante Holanda se tornou um paraíso para o tráfico de drogas na Europa - que foi indubitavelmente reforçado depois da legalização da cannabis.

Daí a conclusão: se a Holanda aquele país mínimo, super organizado, rico, de gente culta e alfabetizada está se tornando um "narco-Estado" sem conseguir controlar a criminalidade após a legalização da maconha e seus efeitos, imaginem só o que se transformará a baderna subdesenvolvida brasileira? O Brasil é um país enorme, de fartíssima bandidagem, pobre, de gente inculta, desorganizado, tomado pelo crime e um grande consumidor de crack, cocaína e maconha - que se liberada poderá fazer do Brasil um Rio de Janeiro continental.

Que o exemplo da fracassada experiência holandesa em relação à tolerância ao consumo e venda de maconha sirva para o Brasil. E não adianta buscar "aconselhamento técnico” - para provar os “benefícios de uma eventual legalização” - com maconheiros de plantão, pois droga é droga e ninguém mudará esta realidade.”
https://www.publico.pt/2018/02/21/mundo/noticia/holanda-em-risco-de-se-tornar-um-narcoestado-1803794/amp#

Desde 1997, quando estive com René Levy, diretor do Bulletin Questions Pénales, órgão informativo sobre assuntos de segurança pública do Ministerio da Justiça da França, passei a receber ditos exemplares. Um deles noticiava o fracasso da política de liberação das drogas na Holanda que só teve como resultado a concentração de drogados e traficantes naquele lindo país. Ninguém nunca quis me ouvir.

A reunião com René Levy foi em Paris. Eu o havia conhecido num seminário internacional de segurança pública na USP, no Núcleo de Estudos da Violência , em 1995.

Nota do Editor: Para leitores em inglês, mais conteúdos semelhantes no New York Times e no The Guardian.
 

Continue lendo
  • Ricardo Bordin
  • 27 Favereiro 2018

Tudo por medo de um simples cartaz a ser fixado na parede da sala de aula, facilmente visível e disponível para constante consulta dos alunos: sim, esta é a única inovação no ordenamento jurídico nacional proposta pelo Escola Sem Partido (ESP), uma vez que todas as obrigações dos docentes a constarem deste lembrete aos estudantes já estão previstas na Constituição Federal e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

Ainda assim, a gritaria dos contrários à iniciativa foi de ensurdecer desde o lançamento da campanha, e voltou a subir o volume semana passada em função do anúncio de um curso bastante inusitado ofertado pela UNB, referente ao “golpe” de 2016, e de toda a repercussão que se sucedeu.

Que o ideário socialista/progressista encanta ampla maioria dos professores dos ensinos médio, fundamental e superior não é novidade para ninguém; que muitos deles montam palanque diante da audiência cativa de suas turmas de jovens intelectualmente indefesos também é ponto patente; mas o que costuma dividir opiniões, mesmo entre aqueles que reconhecem o grave problema e concordam que algo precisa ser feito para brecar esta verdadeira produção em série de pessoas desorientadas e despreparadas para a vida adulta, é se o Escola Sem Partido não é mais do mesmo mal que pretende debelar.

Roberto Rachewsky, empresário e articulista, escreveu recentemente em artigo para o Instituto Liberal:
"Quando eu digo que o Escola sem Partido é um engodo por não atacar o problema educacional que temos no Brasil, mas por ajudar a perpetuá-lo, eu quero dizer que deveríamos partir para uma solução definitiva demandando o fim da interferência estatal na educação.
Governo é um órgão de coerção e todo tipo de arbitrariedade acaba sendo praticada por ele, inclusive a própria lavagem cerebral que o tal Escola sem Partido pretende paradoxalmente combater."

Basicamente, a discordância do escriba em relação ao ESP reside no método a ser empregado na resolução do conflito: em tese, o plano do advogado Miguel Nagib consiste em utilizar a repressão estatal para impedir um procedimento perverso que vem ocorrendo em instituições criadas e administradas pelo próprio Estado. Sendo assim, não seria mais fácil simplesmente transferir para o setor privado esta atividade econômica, provendo o governo, para situações de incapacidade financeira comprovada, vagas em colégios particulares (o denominado sistema de vouchers)?

Não há reparos a fazer na sugestão (em tese), com a qual um grande número de liberais concorda. Não faz muito sentido, de fato, lançar mão de uma “canetada mágica” do governo para remediar um distúrbio gerado por ele mesmo. Melhor cortar o mal pela raiz, sem dúvida. Neste cenário ideal, os pais e responsáveis matriculariam seus pupilos naqueles estabelecimentos educacionais cujos princípios de atuação fossem de seu agrado, gerando demanda por escolas com os mais variados perfis, conforme a procura.

Só que (na prática) o buraco é mais embaixo, por duas razões em especial.

1) Em primeiro lugar, privatização é palavra que, a despeito do esforço empreendido por diversos produtores independentes de conteúdo intelectual, ainda é tabu em nosso país. Privatizar mesmo estatais extremamente deficitárias e que foram palco de recentes escândalos de corrupção é sinônimo de desgaste político, protestos ruidosos e publicidade negativa para os governantes envolvidos.

Ora, se transferir refinarias de petróleo e agências de correios ou bancárias para empreendedores privados já é missão das mais ingratas, imagine então privatizar escolas públicas!

Ou seja, seria preciso, antes de tudo, suscitar, no imaginário popular, a noção de que quanto menos o Estado envolver-se em atividades não afeitas à sua tarefa original—?proteger a liberdade dos indivíduos, a propriedade privada e a vida?—?, melhor. E aí emerge a questão: com nossas crianças sendo catequizadas na cartilha comunista a todo momento, como este necessário ambiente favorável a privatizações poderia vingar eventualmente?

A dúvida neste caso, portanto, é como chegar lá?—?naquele dia em que um número suficiente de cidadãos prestará apoio à desestatização. É o imediatismo que leva alguns liberais a desprezar o ESP, passo intermediário sem o qual a jornada contra a doutrinação escolar tende a sucumbir miseravelmente.

Se podemos usar armas do adversário de encontro a ele mesmo, não vejo problema algum nisso. Gol contra também vale. Pensar diferente implica na busca pela pureza fatal que desconsidera qualquer retórica que não catapulte-nos diretamente ao objetivo final. E apressado come cru. Ou fica com fome…

2) A segunda razão é bem menos complexa do que a primeira: professores de escolas particulares, mesmo das mais caras, também praticam proselitismo político, aberto ou velado, durante as aulas. Quem não se lembra da agressão que sofreu o “fascista” Arthur do Val em frente à exposição Queermuseu em Porto Alegre, praticada por um professor dos quadros do Instituto Anglo? E não se enganem pensando que “ao menos ele foi demitido, coisa que dificilmente ocorreria em escola pública”: este foi um caso que ganhou publicidade; caso contrário, permaneceria tudo como estava.

Os cursos de graduação foram tomados quase que por completo pela ideologia revolucionária, e de lá saem todos os educadores para o mercado de trabalho. Não há porque imaginar que os mais competentes na arte de transmitir conhecimento (normalmente contratados pela rede privada) sejam menos nocivos do que aqueles menos versados no ofício (geralmente captados pela rede pública). Simplesmente não há para onde correr na conjuntura atual, considerando que nem mesmo o homeschooling é legalizado no Brasil.

Conclusão: será possível que exigir o fiel cumprimento de deveres funcionais de uma determinada categoria profissional, ainda que valendo-se do poder de coerção estatal se preciso for, é ideia tão tacanha ou contraproducente assim nesta empreitada contra a mentalidade anticapitalista disseminada? Há controvérsias. Cuidado para não fazer o jogo do adversário…

 

Continue lendo
  • Felipe Pedri
  • 26 Favereiro 2018

 

O massacre midiático em torno da técnica “acuse-os do que voce é”, colocando o termo “fake news” no colo das pessoas comuns, deixa algumas coisas bem expostas:
- O subterfúgio leninista só é usado em último caso, quando não se pode mais vencer o adversário e precisa-se embaralhar o jogo para que haja uma contenção de danos.

- O movimento é global, coordenado por ONU, ONGs e muito dinheiro dos metacapitalistas.

- As mídias sociais mais conhecidas; como Facebook e Twitter, fazem parte, de forma inequívoca, do império da narrativa orwelliana transhumanista. Dia após dia, o cerco se fecha para a liberdade de expressão nestes ambientes. A caça as bruxas virtual, se assemelha a processos de perseguição física em ditaduras com viés maoista. Mesmo com esse monstro censor, a troca de informações de forma direta rompe o muro hegemônico. Isso acontecendo, naturalmente os resultados políticos começaram a mudar no mundo todo. Ou alguém acha que Mark Zulk iria perder 25 bilhões de dólares mudando o algoritmo do Face para calar a direita no mundo por quê?

- A China já tem pronto e funcionando o Maoismo Digital. São mais de 1bi de pessoas usando a web com suas liberdades ceifadas.

- A esquerda trabalha dia e noite o imaginário popular para que a ideia de “noticia falsa” seja algo exclusivo da direita. Desde seriados como Homeland- onde existe a alusão ao Info Wars como maquina de fakes- ate em programas de rádios em cidades como Porto Alegre rodando chamadas em voz alertando para o “conteúdo falso das mídias sociais”.

- O império da mentira através de narrativas controladas sempre foi o maior ativo comunista. Desde os anos 20, quando a KGB começa a plantar desinformação na Europa, até o Bolivarianismo na Venezuela. A psicopolitica é aplicada com frases prontas e figuras de linguagem poderosas.

- Monstrengos cognitivos são edificados com muito dinheiro: “empoderamento”, “Cuba tem saúde e educação”, “desencarceramento”, “diversidade”. Todas técnicas em forma de palavras que amordaçam que as tenta usar, isso muitas vezes sem o interlocutor saber. Então uma nova cartilha comportamental foi colocada ao mundo pelos canais tradicionais, ela se chama: “politicamente correto”.

Enfim, desde de meados de 2008 as informações voltaram a circular de forma livre no mundo. Situação quê não poderia perdurar ja quê, Sindicatos, ONGs, televisão e cinema, já eram favas contadas.

Então o que fazer?

Acusar o seu adversário daquilo que você mesmo faz: FAKE NEWS.

Clipar a montanha de noticias fakes de canais como a Globonews cansa, mas é o trabalho diário que muitos fazem nas midias sociais.

Este verdadeiro Mídia Watch praticado pelas pessoas comuns precisa ser parado, nem que se delete metade do mundo da vida virtual.

É o que está acontecendo. Perfis sendo apagados sumariamente e páginas banidas pois não se “adequam” a “politica correta” das plataformas. Só no Brasil, se formos contar as pages de direita e seus seguidores chegamos ao desligamento de mais de 5 milhões de seguidores.

Mas como diz uma frase clássica do Spielberg em Jurássic Park, não vai adiantar todo este aparato, pois:
“A vida sempre acha um meio”.

Ps. Não estou dizendo que não haja bootsv - enfrentamo-los no impeachment- e fake news grosseira nas midias sociais, se fosse isso ok, mas não é, estão usando este subterfugio para eliminar a liberdade de expressão e espaço conquistado pela direita no mundo pós-midias-sociais.

 

Continue lendo