• Alex Pipkin, PhD
  • 10 Junho 2019

 

Dificilmente alguém no mundo dos negócios não tenha ouvido falar no físico e escritor americano Chris Anderson. Sua fama se deve em parte ao livro "A Cauda Longa: Do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho". Nele Anderson analisa a questão da abundância de produtos e da criação de nichos de consumo. Há segundo ele, uma mudança significativa na direção de um grande número de nichos (produtos não "hits") na cauda longa; produtos mais específicos; produtos de baixa demanda ou com baixo volume de vendas, mas que, coletivamente, podem alcançar uma fatia de mercado que rivaliza ou excede os poucos mais vendidos. Esses são os "hits" (produtos que vendem muito no grande mercado) que se encontram no topo da curva de demanda – analogia com Pareto, ou seja, 80% das receitas da empresa provém de 20% de seus produtos.

Anderson, de fato, pode ser considerado um filósofo pós-contemporâneo. Atesta que o dilúvio de dados torna o método científico obsoleto, apregoando o fim da teoria! Será mesmo?! Se anteriormente, as teorias do comportamento humano pareciam explicar consistentemente hábitos e costumes, por exemplo, lançando mão da linguística, psicologia, sociologia e antropologia, atualmente, na era dos dados abundantes, inteligência artificial e algorítimos substituem tais teorias, na medida em que enormes bancos de dados se encarregam de estabelecer as correlações. A partir dessas, as respectivas causalidades. Desnecessário contestar os antigos "modelos errados", isto é, o velho método científico.
A capacidade humana de armazenar, processar e analisar dados está transformando a ciência, os negócios, a medicina, enfim, tudo.

Desse modo, tais números e fatos são capazes de trazer-nos as respostas adequadas para as questões mais fundamentais. Isso exige que as pessoas percam a "ligação" dos dados, já que esses podem ser visualizados em sua totalidade. Força-nos a ver os dados matematicamente primeiro e, após, a estabelecer um contexto para eles. Nenhuma análise semântica ou causal é necessária, sendo prescindível a criação de uma narrativa teórica. Não é preciso de modelos e análises de teste e erro. Não precisamos mais de hipóteses. Só de correlações, uma vez que os algorítimos estatísticos podem encontrar os padrões! A correlação substitui a causação, e a ciência pode avançar mesmo sem teorias unificadas. Os números falam por si. Temos fielmente o comportamento de grupos e mesmo de indivíduos específicos! Filosofar implica em identificar aqui a dessubjetivação do sujeito. Torna-se mera categoria. Positivamente, no mundo empresarial, facilidades para customizar ao "real gosto do freguês"!

Sem a pretensão de filósofo, contudo filosofando, no mundo da política, o governo deve tratar dos meios para preservar a paz, buscar a prosperidade e a estabilidade de todos. Não tem como missão precípua buscar a igualdade social, visto que esse é um objetivo impossível. Infelizmente, alguns o tentam fazer e, no processo, perturbam a ordem social. A política governa a ação humana, diferentemente do pensamento humano! Uma sociedade não pode se basear em direitos que só existem fora da sociedade. Uma economia é um mecanismo de geração de riqueza material para todos, que não uma recompensa retrospectiva pelo mérito, mas por um incentivo futuro pela contribuição para a produção. Pelos resultados de valor! Desse modo, fica evidente a impossibilidade da política como princípios abstratos, descobertos pela análise "racional", a fim de proteger as escolhas dos indivíduos e, soberbamente, decretar a supressão daquilo que foi acumulado sabiamente pela ordem espontânea do passado, determinando um novo recomeço integral e "mais adequado". O mundo real é o único modo confiável de compreender o ideal e buscar reformá-lo. Seria muita presunção particular de certos engenheiros sociais a sua total transformação!

Filosofando, creio que, distintamente de Chris Anderson, no mundo da política, algorítimos e estatísticas, não somente não decreta a morte das teorias, como também potencializa as possibilidades de surgimento de amplas teorias falaciosas. Toda falácia contém algo de verdadeiro, é plausível, mas contem somente parte da verdade! Isso rende apoio político e popular, uma vez que normalmente apela para as emoções e paixões das pessoas.

Mark Twain aponta que existem três tipos de mentiras - "as mentiras, as grandes mentiras e as estatísticas". Políticos e intelectuais demagogos, populistas e, sobretudo, interesseiros e/ou mal-intencionados,utilizam-se do cenário amplamente inundado de dados e estatísticas, ordenando-os de maneiras distintas para sugerir e propor conclusões e teorias perniciosas. Espécie de conta de chegada! Essas contemplam um abundante estoque de falácias sobre a realidade econômica e social. Políticos e pseudo-intelectuais partem de seus dados manipulados de grupos de pessoas, coletados por meio de contextos equivocados, a fim de teorizar sobre circunstâncias econômicas e sociais verdadeiramente errôneas. Por sua vez, criam, cada vez mais, teorias enganosas e tendenciosas ao bel prazer de seus interesses! Presunçosos que pensam ser superiores e dotados de mais conhecimento geral do que a maioria dos reles mortais. O conhecimento dos mortais é, efetivamente, mais específico e relevante para decisões fundamentais da vida econômica e social. Todos esses "deuses na terra" acreditam ter e conhecer as informações e o conhecimento - impossível - dos valores, preferências, prioridades, circunstâncias e limitações de forma melhor do que os próprios indivíduos. Claro, pressuposições normalmente morais, ao invés de realmente intelectuais.

Oh, D´eus! As novas velhas teorias econômicas e sociais! Com dados e estatísticas enganosas esses blasfemos proliferam falsas teorias e tentam nos ludibriar! Somente Ele conhece tudo e a todos! Crer que tais humanos mal-intencionados possam dispor de todas as informações e poder sobre os diferentes desejos e necessidades econômicas e sociais do conjunto de pessoas do todo no tecido social, em que o pensamento humano sobrepõe-se a realidade das ações humanas e da respectiva ordem espontânea nos mercados, é muita presunção. Mais do que isso, capacidade especulativa e teórica para um mundo político. Pura distorção malévola e interesseira por meio da formação de teorias falaciosas que exageram a natureza e o poder da razão!

Tal qual Adam Smith afirmou sobre o teórico doutrinário, "inteligente na própria presunção", acredita ele poder dispor dos membros de uma grande sociedade como, singelamente, pode dispor as diferentes peças por um tabuleiro de xadrez. Tristemente, as teorias - falsas - políticas não morreram!

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 09 Junho 2019

 

Antes de tudo é preciso reconhecer que esta primeira semana de junho está terminando de forma muito alvissareira. Ainda que a montanha de problemas que precisam ser enfrentados superam, tanto em altura quanto em extensão, a Cordilheira do Himalaia, há que se reconhecer que a esperança voltou a dar o ar de sua graça.

ESPECULAÇÃO POSITIVA
Começando pela REFORMA DA PREVIDÊNCIA, depois de tantas idas e vindas o pessimismo que reinava à solta até o final de maio já dá lugar a uma perspectiva bem mais robusta de que, enfim, a PEC venha a ser aprovada.
Ainda que tudo não passe de uma ESPECULAÇÃO POSITIVA, o fato é que a probabilidade da REFORMA ser aprovada já parece próxima.

VELÓRIO
Desta vez, em que pese os obstáculos que TODOS os deputados socialistas-comunistas, amantes inveterados do CAOS, seguem colocando no árduo caminho, a maioria dos deputados, senadores, governadores, prefeitos, etc., já se deram conta de que basta não aprovar a REFORMA DA PREVIDÊNCIA para dar início ao VELÓRIO DO BRASIL.

AUTÓPSIA
Àqueles que ainda teimam em não entender que a REFORMA DA PREVIDÊNCIA é a mãe de todas as reformas, e que outras mais só podem ser atacadas após a sua aprovação, é preciso deixar claro o seguinte: caso a REFORMA DA PREVIDÊNCIA seja rejeitada (nem pensar), de nada adianta aprovar qualquer outra. Afinal, em CADÁVERES não há o que fazer além da AUTÓPSIA.

88 ESTATAIS SUBSIDIÁRIAS NÃO EXIGEM APROVAÇÃO
Voltando ao aspecto alvissareiro, ontem, o plenário do STF derrubou, ainda que em parte, a decisão liminar -provisória- do péssimo ministro Ricardo Lewandowski, que impedia a venda de estatais sem o aval do Poder Legislativo. Como o STF decidiu que só a venda das empresas-mãe exigem autorização do Legislativo, isto significa que das 134 estatais federais, 88, por serem subsidiárias, estão livres da encrenca.

MARCO REGULATÓRIO
Se levarmos em conta que boas decisões são muito raras no nosso empobrecido Brasil, ontem o senadores contribuíram de forma muito positiva, aprovando o projeto que define o NOVO MARCO REGULATÓRIO do SANEAMENTO BÁSICO do País. Tal decisão é importantíssima porque facilita sobremaneira a exploração, por parte da iniciativa privada, do saneamento. Ufa!
 

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  • Irineu Berestinas
  • 09 Junho 2019

 

A China de Mao-Tsé-Tung e da Revolução Cultural já não é mais a mesma (a Revolução Cultural foi um aprofundamento da luta de classes em seu território, sob a liderança de Mao, e quem dela discordasse teria que acertar as contas com o ‘Grande Timoneiro’).

Mudanças históricas, porém, foram perpetradas a partir da morte do “camarada” Mao (1893-1976) e da consequente chegada de Deng Xiaoping ao poder (1904-1997), pois o espírito pragmático deste se chocava com os dogmas daquele.

No período da Revolução Cultural, empreendida por Mao, Deng e seus companheiros foram punidos e despojados das funções que exerciam no partido comunista e obrigados a desfilar em praça pública com cartazes nada edificantes: “Bandido capitalista nº 2” e “bandido nº 1”. O primeiro deferido a Deng, e o segundo a Lio Shao Shi, então Presidente da República Popular, que morreu na prisão resgatando as contas das ideias que professava. Tempos de chumbo! Reinado da ortodoxia, do purismo ideológico, que reduziu ainda mais a já insuficiente quantidade de proteínas, gorduras e calorias consumidas pelos chineses... Em vez de pão, aprofundamento ideológico, promovido pela Revolução Cultural...

Com a chegada de Deng Xiaoping, é edificado o mantra: “Não importa a cor do gato, o que importa é que cace os ratos”. Desse modo, organizou ações em direção a uma China com dois sistemas: um capitalista e o outro comunista. Zonas costeiras foram liberadas para o capitalismo (depois estendeu-se essa liberação por todo o continente). E empresários egressos do exterior, ávidos por aumentar o seu faturamento, aportaram para acudir aqueles setores que o governo indicou, excetuados os bancos, o câmbio, as fontes energéticas e as terras. Alguns setores de bens de capital viriam a ser liberados mais adiante, desde que houvesse a transferência de tecnologia para os chineses.

Quem diria que esse País, sob a égide do regime comunista e do manto marxista, iria azucrinar o mundo ocidental com os seus produtos de consumo, impondo sucessivos déficits nas contas correntes dos americanos, por exemplo. E, ainda mais, hoje os chineses são compradores de jazidas de minério de ferro, bem como de terras agricultáveis. Certamente, a intenção é influenciar nos preços dessas commodities, pela manipulação do mercado.

Como a China está conseguindo tudo isso? Com abertura econômica, que atrai capitais e tecnologias; com rígido controle cambial, ao promover forte desvalorização da sua moeda, para facilitar as exportações; com uma carga tributária reduzida; com encargos trabalhistas que estão muito aquém dos exigidos no mundo ocidental; com baixos salários. Na área trabalhista, ainda são incipientes decisões arbitradas para resolver conflitos. A Previdência Social fica por conta da poupança que cada trabalhador deve empreender por si mesmo.

E a coesão social, em que estágio se encontra? Até aqui as ideias de Confúcio, que apregoam a harmonia social e o respeito às autoridades, têm dado a sua contribuição, a despeito da revolta dos estudantes em Tiananmen (a Praça Celestial), ocorrida em 1989, que Deng Xiaoping não vacilou em conter, com os seus tanques dissuasivos?

É elementar: qualquer país com moeda desvalorizada corre o risco de ver os seus ativos depreciados, adquiridos por estrangeiros (prédios, terras, jazidas, ações, etc.). Regra que não se aplica à China, que liberou, basicamente, a sua economia para indústrias produtoras de bens manufaturados. Nas de bens de capital, pontualmente foi admitida a presença do capital estrangeiro, desde que haja a transferência de tecnologia para os chineses.

Toda essa situação foi facilitada, em 1972, pela mudança geopolítica promovida pelo então presidente norte-americano Richard Nixon e por seu chanceler Henry Kissinger, do lado americano; e por Mao Tsé-Tung e ZhouEnlai, pelo lado chinês. A diplomacia, por esses acertos, selou a convivência pacífica entre os dois sistemas antagônicos. Deng XiaoPing, mais adiante, aproveitou-se desses fatos e avançou enormemente, não que tivesse deixado de ser comunista, mas apenas pretendia trazer conhecimentos do Ocidente para consolidar ainda mais o regime idealizado por Karl Marx... se bem que, na esteira dessas ações, é despertado o olho gordo do povo chinês para o capitalismo, que facilita a produção de riquezas e de bens de consumo em abundância, capazes de atender às necessidades do enorme contingente populacional da China.

Donde se pode dizer: o futuro a Deus pertence! A sabedoria popular socorre-me neste momento derradeiro da escrita...


*Bacharel em Ciências Sociais e escritor
 

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  • Luiz Carlos Da Cunha
  • 09 Junho 2019

Mais uma gafe atinente a contratos comerciais lisamente acertados entre Empresa estrangeira investidora e órgãos públicos. A administradora de aeroportos alemã venceu concorrência pública pela qual adquiriu a concessão de gerir nosso aeroporto. Contrato que envolveu a INFRAERO, governo estadual e prefeitura de Porto Alegre. Nele ficou estabelecida a questão comercial que a empresa receberia a área portuária, prédios existentes, e nestes espaços elaboraria reformas e ampliações, investimentos monetários par custear a seu critério o projeto arquitetônico e deengenharia estabelecidos pela concessionária, livre de obstáculos aos trabalhos de engenharia.

O serviço de remoção de invasores não lhe compete. E este foi o compromisso assumido pelos órgãos públicos brasileiros. A FRAPORT banca o custo de investimentos e a administração da obra. Nada mais. As invasões ilegais e anormais afrontadas na área portuária são de responsabilidade exclusiva das autoridades brasileiras, que permitiram e toleraram as ações ilegais e recalcitrantes. E assumiram o compromisso de entregar a área à investidora livre de obstáculos alheios ao projeto acordado.

Que direito pode pleitear aquele que invade terreno público e depois, para devolver o alheio, exige indenização? Nenhum. Nestes termos que se deve abordar o problema entre os compromissários brasileiros em cumprir o acordo legal, no desiderato superior de não comprometer o conceito comercial do Brasil frente aos organismos internacionais, ferindo danosamente o conceito de confiabilidade do país.

A proposta da procuradoria de transferir o encargo de despejo de invasores da área concedida, soa ultrajante ao senso comum, degradante ao nível jurisdicional brasileiro. Tende a reforçar ante os organismos internacionais, a insegurança legal no Brasil ao investimento estrangeiro, de que somos tão carentes há décadas. Ressuscitar de meio século a epígrafe hilariante do general De Gaulle: O Brasil não é um país sério.

• Arquiteto, urbanista, professor aposentado.
  

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  • Instituto Mises Brasil
  • 07 Junho 2019


Eis os dados oficiais, divulgados pelo próprio governo venezuelano.
No terceiro trimestre de 2018, o PIB era 52% menor que o do terceiro trimestre de 2013.

A moeda perdeu simplesmente 99,96% do seu valor durante este mesmo período.

As exportações e importações desabaram 70%.

O setor da construção civil caiu 95%; o setor industrial, 76%; e as instituições financeiras, 79%.

A taxa de inflação de preços de 2018 ficou em 130.060% (cento e trinta mil por cento).

Vale ressaltar que estas são estatísticas do próprio governo socialista, sem nenhuma auditoria. Não é desarrazoado imaginar que os números reais sejam muito piores.

Ou seja, em apenas cinco anos, a economia venezuelana vivenciou um dos maiores colapsos econômicos da história: os venezuelanos produzem as metades dos bens e serviços que produziam em 2013, sua moeda simplesmente deixou de existir, não há mais obras no país, indústrias e bancos foram dizimados, e suas relações comerciais com o resto do planeta se tornaram quase inexistentes.

O roteiro foi básico:
* Primeiro, entre 2004 e 2008, desenvolveu-se uma economia baseada na monocultura do petróleo, com o governo utilizando as receitas desta indústria estatal para criar uma extensa rede assistencialista com o intuito de tornar os cidadãos dependentes do poder político.

* Em seguida, a partir de 2009, quando estas receitas entraram em colapso (tanto por causa da péssima e corrupta gestão da estatal PDVSA quanto pela queda global do preço do petróleo), optou-se por manter este arranjo clientelista por meio do endividamento público.

* Quando apenas o endividamento não mais funcionava, isso já em 2013, o governo passou a imprimir dinheiro livremente para bancar estes gastos. Tal medida empurrou o país para a hiperinflação.

* Sob uma hiperinflação, o governo impôs controles de preços que desestruturaram por completo o resquício de economia privada que ainda existia no país.

* Quando esses controles de preços provocaram desabastecimentos generalizados, o governo estatizou as indústrias privadas e colocou os militares para cuidar da distribuição de alimentos, que passaram a ser intensamente racionados.

* Sob hiperinflação, preços controlados e indústrias estatizadas, aboliu-se por completo qualquer perspectiva de investimento privado dentro do país.

* Para culminar, o país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo vive hoje um racionamento de gasolina: os motoristas só podem comprar 30 litros de combustível por semana, e de acordo com o número das placas dos veículos.

* Com tudo isso, a taxa de homicídios do país disparou de 73 assassinatos por 100.000 pessoas em 2012 para 91,8 assassinatos por 100.000 pessoas em 2016.

* Ao mesmo tempo em que enfrenta manifestações civis — nas quais os manifestantes são assassinados pelo estado e esmagados com tanques —, o governo também recorre aos ‘colectivos’, que são as infames unidades paramilitares pró-governo que assassinam os inimigos do regime.


Confira a íntegra da matéria no site do Mises Brasil:

 

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  • Alex Pipkin PhD
  • 06 Junho 2019

 

Nas transações de mercado, em que existe concorrência, não há como deixar de solucionar efetivamente os problemas do cliente, caso contrário uma organização corre o risco de perdê-los para os concorrentes no mercado.

Será que os desejos dos contribuintes que financiam as universidades federais estão sendo, de fato, considerados e atendidos? Difícil e extremamente incomum! Raramente aqueles que fornecem o dinheiro, por meio dos impostos pagos (coercitivamente) estão numa posição que permita monitorar a eficiência de como esse dinheiro é realmente empregado.

As universidade federais são administradas por professores que possuem grande - se não total - autonomia na gestão de cursos e na designação de recursos. Diante deste quadro, caberia indagar se os membros da administração e do respectivo corpo docente buscam atender os objetivos dos alunos e da sociedade com a prestação de serviços de educação de qualidade ou se estão interessados nas diferentes oportunidades de atender a interesses próprios? Tristemente, a situação da educação no país serve de claro indicador orientativo para responder a essa pergunta.
Não é novidade para ninguém que desde muito tempo no Brasil, as universidades federais, e até mesmo as particulares, são majoritariamente dominadas por uma única visão ideológica; a ditadura do pensamento esquerdizante. Neste sentido, evidente que os planos de ensino, material didático, bibliografia e o pensamento do espírito dominante e segregador - de manada - esteja quase que totalmente confinado a esse espectro ideológico. É, desse modo, inegável que os interesses educacionais genuinamente de qualidade estão sendo relegados, uma vez que os alunos não são confrontados com uma visão de mundo diferente daquela expressada por seus doutrinadores. Fica óbvio que esses, assim, têm pouca oportunidade de desenvolver uma capacidade crítica de analisar argumentos conflitantes àqueles que serão expostos no mundo real. Embora a ênfase atualmente recaia sobre os cursos de ciências sociais, esse ambiente esquerdizante faz parte até mesmo de cursos relacionados a gestão e negócios. Cabe aqui por em relevo, por exemplo, a "nova onda" verbalizada em tom de sabedoria bondosa e superior sobre a mudança de consciência nas organizações. O que conta é a nobre missão e que, consequentemente, o mais importante para as organizações seria o cumprimento de sua missão. Não, não é nada disso! Papo e retórica falaciosa de intelectuais do ensino de administração! A empresa com fins lucrativos tem como objetivo principal lucrar, sempre! Somente por meio deste é que ela conseguirá sustentar seus objetivos ambientais - que remete a melhoria de reputação - e investir em suas respectivas metas sociais. O lucro é que paga, sustentavelmente, os salários dos "colaboradores" e que perpetua a organização nos mercados, cada vez mais, competitivos. É preciso lembrar a todos que uma organização dificilmente está sozinha no mercado! Ah, como acadêmicos e intelectuais "pós-modernos" querem disfarçar seus desejos próprios e suas falsas morais para a opinião pública! Notadamente, aspiram manter-se no poder de instituições acadêmicas ou quem sabe até galgar uma posição de destaque no grande Estado benfeitor brasileiro!

Bem, aqueles que conhecem apenas um lado do argumento - da moeda - genuinamente sabem pouca coisa. Não tenho dúvida que diante desse panorama, os alunos não estão sendo ensinados a pensar e, assim, interesses e idiossincrasias de professores interesseiros superam em muito as reais necessidades educacionais dos alunos.

Julga-se que a universidade federal é o lócus de onde saem as melhores pesquisas. É mesmo? Em que posição estamos nos fidedignos rankings mundiais que mensuram tais pesquisas? Qual o verdadeiro benefício utilitário que essas estão produzindo para a sociedade? Quais são os mecanismos que atestam que estão resultando em efeitos positivos? Claro, para além daqueles próprios de doutrinadores tupiniquins. Cabe lembrar que as próprias instituições que classificam a qualidade do ensino e pesquisa brasileiros, foram notadamente aparelhadas de igual maneira àquilo que aconteceu nos seus corpos acadêmicos. Tais organismos garantem a perpetuação das práticas e colaboram fortemente para a manutenção da ditadura do pensamento esquerdizante. Evidente que em algumas áreas específicas como nos cursos da saúde e engenharias, pesquisas acadêmicas agregam valor. Contudo, é vital identificar e mensurar os custos pagos com o dinheiro do contribuinte e contrapor com os reais benefícios produzidos pela pesquisa geral realizada no Brasil. A pesquisa produzida em áreas de gestão e negócios, por exemplo, com temáticas completamente fora da realidade do mercado e das necessidades de inovação e melhoria de processos nas organizações, conforme comprovado por instituições internacionais que atestam a qualidade do ensino e pesquisa nas universidades, aponta cabalmente que tais estudos sequer são conhecidos e empregados nas decisões empresarias no mundo real. Puro desperdício de tempo e recursos, evidente, nos famosos "clubes ingleses" de professores ansiosos por demonstrarem seus "conhecimentos" e terem seus egos enaltecidos unicamente por seus pares, com temas improdutivos e inúteis que ficam, como de costume, enclausurados nos campus universitários. Alguma dúvida de que essas pesquisas atendem interesses próprios - tais como quantidade de pesquisa (a despeito de qualidade e utilidade!) - para fins de promoção acadêmica, ao invés dos verdadeiros interesses acadêmicos e da sociedade?

Os custos das universidade federais são bancados por meio do dinheiro dos contribuintes. Notadamente os custos de um aluno numa universidade federal superam aqueles da média de universidades privadas. Nada extravagante, já que essas federais não precisam enfrentar a concorrência no mercado com outras instituições de ensino. Desconheço os custos daquilo que seria fundamental aos pagadores de impostos conhecerem de forma transparente, ou seja, quais são os custos específicos de aulas de graduação versus os custos incorridos com pesquisas? Ironicamente, a amplitude da pesquisa costuma ser confundida com a real qualidade "superior" do ensino no Brasil!

Todo o sistema está engendrado de tal forma que dificilmente conseguiremos avançar na educação na velocidade necessária para uma mudança efetiva e desenvolvimento. A estabilidade de professores concursados significa a garantia no emprego para professores que não necessariamente se mantem atualizados com os avanços nas suas áreas e nas realidades de mercado, e protege aqueles que se tornam "menos eficazes" com o passar do tempo.

Apesar de toda a gritaria - não poderia ser diferente - é urgente repensar a educação brasileira. Sem sombra de dúvida, inverter as prioridades nacionais e investir na educação de base. A mudança tem que começar por aí! Cabe uma pergunta: por que as limitações econômicas que às empresas precisam enfrentar na concorrência de mercado não servem para o mundo acadêmico? Pensemos!

Finalmente, chegou o momento para uma mensuração de qualidade - fora da tradicional retórica e paixões que contagiam professores interessados - quanto a eficiência e eficácia do ensino brasileiro. Neste sentido, o ambiente "conturbado" atual é bastante propício para uma honesta reflexão!

Vale enfatizar que quanto aos indicadores de qualidade do ensino superior brasileiro, são os mais ricos que conseguem ingressar em universidades federais gratuitas. Desse modo, não há como garantir que as maiores oportunidades no mercado são fruto do valor agregado da formação acadêmica recebida nestas instituições ou resultado do maior capital cultural e influências e conexões familiares dos envolvidos. Similarmente, as cotas raciais que agora discriminam outros estudantes, e que são pagas com o dinheiro do contribuinte, num futuro próximo mostrarão se temos eficiência ou, mais uma vez, mera retórica interesseira e ideológica por parte daqueles que sistemática e poderosamente tomam as decisões nas instituições de ensino estatal no país.

 

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