• Adolpho Crippa
  • 27 Junho 2019


Em 1985, a revista Convivium dedicou um número especial (nº 4 – 1985) aos problemas constitucionais, com estudos de diversos autores. Promulgada a Constituição, esses e outros pensadores analisam diversas questões que se põem a partir do texto da nova Carta. Há uma constatação inicial desconcertante. Promulgada a nova Constituição, longe de se ter tornado o instrumento de democratização e da modernização do país, tornou-se descartável. O Brasil não cabe dentro dos limites que lhe impuseram. Para poder viver e trabalhar o país se vê obrigado a ignorar seu principal instrumento jurídico. Ao que parece, a Constituição de 1988 foi um grande equívoco político.

O equívoco político tem diversas faces. O mais grave foi o de ignorar o país real para o qual estava sendo redigida. Somos um país que nunca levou muito a sério suas Constituições, muito mais em razão do irrealismo e inadequação das determinações constitucionais do que por obra de alguma disposição anticonstitucional ou propensão à ilegalidade. Mais que as anteriores, a Constituição de 1988 surgiu anacrônica e obsoleta. O conluio de interesses regionais, locais e individuais com ideologias ultrapassadas deu origem a um texto jurídico inviável e inútil. Muitos procuram amenizar o equívoco constitucional invocando as "coisas boas" que aparecem no novo texto. Na verdade, não se trata de saber se há ou não "coisas boas", avanços sociais, promessas de paz e de bem-estar. Trata-se da Constituição como um todo. Como tal, nasceu anacrônica e obsoleta, além de confusa, contraditória e, de fato, inviável.

A Constituição de 1988, com efeito, se levada a sério, obriga o país a permanecer dentro dos limites da pobreza no contexto de um mundo que avança para uma situação de riqueza e impensável bem-estar. Aceitou-se como fato fundamental que o país deve permanecer no âmbito de Terceiro Mundo – pobreza -, porque muitos outros são parte do Primeiro Mundo – riqueza. Para salvar a dialética e a ideologia é indispensável que os ricos explorem os pobres ou que os países do Terceiro Mundo – as novas colônias – garantam o bem-estar dos países ricos – as novas metrópoles.

O mundo de hoje vive uma época de prosperidade. O progresso no conhecimento científico e nas realizações tecnológicas determina uma alteração completa nas relações internacionais. Os "blocos econômicos" surgem não em obediência a teorias ou ideologias de cunho nacionalista ou de teor dialético, visando a algum futuro milênio paradisíaco, mas em razão das regras impostas pela realidade política e econômica do mundo. Somente para o Brasil, o que parecia impossível alguns anos atrás continuará impossível. Perguntaram-se muitos: como o Brasil, com seus recursos naturais e com inteligência de seus habitantes, consegue ser pobre? Seria tão difícil deixar de pensar no poder e na ganância dos outros e começar a pensar no que somos e no que podemos ser nas próximas décadas? A nossa crise cultural não vive dos detritos da transição política nem dos juros da dívida externa. A nossa crise alimenta-se em teses obsoletas e ultrapassadas e sobrevive pela ausência de ideais nacionais capazes de empolgar de maneira suficiente as vontades. Somos obsoletos e fazemos questão de permanecer assim. Permanecemos positivistas quando o mundo havia esquecido o prolixo e confuso escritor A. Comte. Buscamos ainda soluções marxistas quando o mundo inteiro abandonou a doutrina pré-industrial e pré-capitalista do escritor e revolucionário alemão K. Marx. Somos obsoletos.

Alguns de nossos dirigentes, que se julgam a consciência viva na nação, aceitam e impõem como modelo político e como receita econômica uma inqualificável mistura de nacionalismo e socialismo que jamais suscitou progresso e bem-estar em lugar algum do mundo. É difícil imaginar porque os derradeiros defensores dos erros do século XX – o nacionalismo e o socialismo – devessem sobreviver no Brasil. Mantivemos a reserva de mercado na era dos mercados integrados, preservamos nossos minerais na era da criação de novos materiais, defendemos uma quase inexistente tecnologia própria num mundo sem fronteiras! Parece óbvio que no mundo contemporâneo o sindicalismo dos "empregados" está sendo rapidamente ultrapassado pela automatização. Os operários sindicalizados serão rapidamente ultrapassados pelos "acionistas", como convém a um capitalismo moderno e popular. Na era da eletrônica, da informática, da biogenética e das intercomunicações, as relações sociais e econômicas entre os povos serão alteradas. Não haverá "trabalhadores explorados" nem patrões "exploradores". Haverá ciência, pesquisa, tecnologia e riqueza, independentemente de reclamos nacionalistas.

O fato histórico está aí a desafiar a perspicácia dos historiadores, analistas políticos e sociais. O país vive à margem da nova Constituição recém-promulgada. Nada menos que 330 preceitos constitucionais estão no aguardo de leis ordinárias ou complementares. O país continua vivendo, trabalhando e progredindo, com um governo sem orçamento, com o Congresso sem comissões, à mercê de medidas provisórias mensais, sem legislação eleitoral, sem um sistema tributário, sem uma adequada regulamentação do direito de greve e de diversos outros direitos. Conseguimos "preservar" as instituições com um Congresso parlamentarista e um Executivo presidencialista. Conseguimos sustentar uma burocracia inútil e ineficiente. Conseguimos pagar as contas das empresas estatais desnecessárias. Conseguimos sustentar com alegria as mais inacreditáveis falcatruas, garantindo privilégios inaceitáveis e negociatas inqualificáveis. Tudo em nome da República, do bem-estar do povo e da preservação das instituições democráticas!

A Constituição terceiro-mundista e socialista de que fala M. Reale, diretiva e detalhista (M. G. Ferreira Filho), anacrônica (P. Mercadante), assimétrica, normativa, redundante e casuística (N. Saldanha), estatizante (A. Paim) nasceu com data marcada para morrer. Infelizmente, teremos que começar a preparar uma nova Constituição antes mesmo de a atual ter sido lida e regulamentada. Os problemas suscitados pelo ministro do Supremo tribunal Federal José Carlos Moreira Alves, pelos professores R. Poletti, O.S. Ferreira. R.Lobo e Ives G. da Silva Martins oferecem a medida da gravidade dos problemas postos pelo novo texto constitucional. Com estes estudos, a Revista Convívium continua participando da análise e do debate dos problemas nacionais.

*O autor, Adolpho Crippa, licenciado em Filosofia, foi autor de vários livros, entre os quais Mito e Cultura, A universidade, A ideia de cultura em Vicente Ferreira, e diretor de Convivium Revista de Investigação e Cultura. Faleceu no ano 2000.
** Publicado originalmente em Convivium Revista Bimestral de Investigação e Cultura uma publicação da Editora Convívio, Novembro/Dezembro – 1988 ano XXVII – Vol 31 – Nº 6 Página 493 a 495
 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 22 Junho 2019

 

PRIMEIROS SEIS MESES

Faltando uma semana para o encerramento dos primeiros seis meses do governo Bolsonaro, é inegável que o resultado colhido ao longo do período, em termos de realizações, ficou longe daquilo que eleitores gostariam e/ou esperavam. Isto, no entanto, não significa que o governo não tenha avançado com algumas boas propostas voltadas para tirar o Brasil do enorme sufoco que está metido.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

De antemão é preciso levar em conta que o governo nunca escondeu que centraria todos os esforços na importante, necessária e inadiável -REFORMA DA PREVIDÊNCIA-, mesmo sabendo que, independente da boa ou má vontade dos nossos congressistas, o projeto, inevitavelmente, deveria passar por uma longa -VIA-SACRA- até chegar aos plenários da Câmara e do Senado.

ABORDAGEM SOCIALISTA

Ademais, como os ferrenhos opositores do governo, desde a divulgação do resultado das eleições, ganharam um apoio irrestrito dos principais veículos de comunicação, a partir de então as atitudes do presidente, assim como propostas e/ou decisões tomadas pelo seu governo, ganharam os noticiários acompanhados de escancarados comentários pautados por intenso viés ideológico-socialista.

PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO

Pois, ainda que as coisas estejam andando sem a pressa que a situação econômica exige, o fato é que o Brasil está passando por um indisfarçável PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO, que ficará muito transparente no SEGUNDO SEMESTRE, quando a REFORMA DA PREVIDÊNCIA, mesmo mutilada, estará, enfim, aprovada.

CATIVEIRO SOCIALISTA

Embora as FORÇAS DO MAL jamais se darão por vencidas e, portanto, continuarão fazendo de tudo e mais um pouco para manter o nosso empobrecido Brasil preso no CATIVEIRO SOCIALISTA, o governo, com a clara ajuda do povo nas ruas, está disposto a vencer os obstáculos que dificultam o RESGATE definitivo, que levará o nosso País a viver com mais LIBERDADE.

FELIZ SEGUNDO SEMESTRE

Aliás, esta penúltima semana do semestre encerra com a notícia de que o ministro Onyx Lorenzoni, na reunião que aconteceu na residência de Rodrigo Maia com líderes e dirigentes dos principais partidos de centro e centro-direita, fechou acordo para viabilizar a votação da REFORMA DA PREVIDÊNCIA, no plenário da Câmara, até a primeira quinzena de julho.

Aprovado o texto, tudo leva a crer que o Brasil será, enfim, um País mais confiável e pronto para receber investimentos. Assim, o que me resta é desejar um FELIZ SEGUNDO SEMESTRE! 

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  • Maria Lucia Victor Barbosa
  • 21 Junho 2019

 

Em um país como o nosso onde o crime compensa largamente era de se esperar que recrudescesse o embate entre a República dos Velhacos, que tenta voltar ao poder e almeja soltar o velhaco mor, e a República de Curitiba composta pelo então juiz e hoje ministro Sérgio Moro, pelos procuradores da força-tarefa da Lava jato e pela Polícia Federal.

Quando o juiz competente, íntegro, de moral ilibada deixou sua brilhante carreira para se tornar ministro, certamente não buscou poder pessoal, mas sonhou que o cargo lhe daria mais possibilidade de continuar sua incansável luta contra a corrupção.

Como ministro Moro apresentou um projeto anticrime que está parado no Congresso e que dificilmente será aprovado por certos parlamentares envolvidos na Lava Jato. O projeto também foi bombardeado pela OAB, por grupos de advogados, de juízes, de juristas e criticado no STF. Além disso ele perdeu a COAF, órgão através do qual poderia outrossim combater o crime organizado.

Aliás, estamos vivendo numa espécie de parlamentarismo na medida em que o Legislativo esvaziou o poder do Executivo engessando projetos e atos presidenciais. A última prova disso foi o texto da reforma da Previdência apresentada pelo relator Samuel Moreira, que atendeu de tal forma o lobby dos servidores e a oposição tangida pelo PT que a recente greve geral, além de ter sido mais uma vez um fracasso retumbante perdeu inteiramente o foco. Afinal, a reforma da Previdência está do jeito que eles querem.

No momento é evidente a costumeira politização do Direito, o que fica claro na maneira de tratar a trama sórdida que surgiu no afã de libertar o hóspede de honra da Polícia Federal em Curitiba, destruir o ministro Moro e acabar com o Lava Jato. Trata-se da ação do site The IntercePT Brasil, dirigido pelo americano Glenn Greeewald, que hackeou ou mandou hackear conversas informais entre o então juiz Moro e o procurador e coordenador da lava jato, Daltan Dallagnol, supostamente feitas entre 2015 e 2017.

Foram pinçados criminosamente trechos de supostas falas de um contexto que não se conhece na íntegra, porém isso bastou para que a República dos Velhacos, adeptos do crime e da impunidade acendessem a fogueira da Inquisição para queimar a reputação do ministro e incinerar a Lava Jato.

 Curiosamente, a divulgação dos áudios adulterados surgiu dia 9. Dia 10 o ministro Gilmar Mendes do STF liberou para dia 25 o milionésimo pedido de liberdade para o hóspede de honra da cobertura da Polícia Federal em Curitiba. Dia 14, no gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, materializou-se o advogado do presidiário da cobertura da PF de onde o condenado dá entrevistas e recebe quem quer. Cristiano Zanin certamente não foi tomar chá com Fachin. Aí pode?

Recordemos apenas dois fatos entre muitos para não alongar demais o artigo, que aconteceram sem nenhuma aparição de hackers ou gritaria do judiciário que se diz rigorosamente imparcial:

1º) O desfecho do impeachment de Dilma Rousseff, quando o então presidente do Supremo Ricardo Lewandowski, juntamente com o ex-presidente do Senado, portanto do Congresso, Renan Calheiros, rasgou a Constituição ao manter os direitos políticos da destituída senhora. Ninguém reclamou.

2º) A presença do ministro Toffoli no julgamento do mensalão apesar de ter trabalhado como advogado para outro indigitado: José Dirceu. Em momento nenhum o ministro se considerou impedido ou pessoas o julgaram parcial.

Outra coisa que ressalta é a pressa com que querem condenar e pedir a saída do Ministro Moro, sem conhecimento do teor da matéria que é fragmentada e obtida criminosamente. E se alguém da República dos Velhacos também estiver em envolvido na escuta de um hacker, como é que fica? Normal?

Essa pressa em pedir a cabeça do ministro contrasta enormemente com o julgamento do velhaco mor, que se arrastou por longo tempo com o objetivo de obter provas irrefutáveis de crimes depois confirmadas por outros tribunais superiores ao da Primeira Instância. Ao final ainda tivemos o espetáculo da prisão no Sindicato de São Bernardo, uma ópera bufa onde não faltou até uma "missa negra".

Como sempre resta a esperança acreditemos que vencerá não a República dos velhacos, mas, sim, a República de Curitiba. In Moro we trust.

*Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga
 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 21 Junho 2019

 

Uma coisa é crescer no curto prazo, intervindo, manipulando preços de serviços públicos essenciais, expandindo consumo "artificialmente" e, literalmente, arrombando os cofres públicos, inescrupulosa e irresponsavelmente.

Ventos ajudam - podendo também atrapalhar! Ventos de feição impulsionaram fortemente o barco verde-amarelo, dotado de vocação exportadora baseada em commodities agrícolas e industriais (recursos naturais/trabalho), visto que entre 2002 e 2011, essas alcançaram alta total de inacreditáveis 163%! Qualquer criança sabe - e sente - que eles mudam de direção!

Outra coisa, completamente distinta, é criar bases sólidas para crescimento de longo prazo e desenvolvimento sustentado, embasado em investimentos produtivos e, principalmente, por meio de novas tecnologias e inovações, educação básica de qualidade genuína, criação de novas indústrias, melhoria do capital humano; enfim, alcance de maior produtividade. Evidente que para isso acontecer, necessita-se de ambiente de negócios favorável, políticas macroeconômicas inteligentes e, sobretudo, instituições políticas e sociais de qualidade, que funcionem bem!

Num país repleto de leis corporativistas e discriminatórias, de transferências de recursos da sociedade para cartéis e negócios patrimonialistas, de corrupção institucionalizada por políticos populistas que não representam seus eleitores, encontramos-nos, oceanicamente, muito longe da utilização eficiente dos recursos e potencial produtivo da sociedade brasileira. Será que nossos políticos saberiam diferenciar entre eficiência e eficácia?! Dúvidas abissais...
Por aqui, o Chernobil tropical da era lulopetista ainda emite seus efeitos devastadores; diferentemente da radiação, visíveis. As instituições foram e ainda continuam aparelhadas! STF, tribunais, universidades, entidades classistas, parte da mídia... Sistema de pesos e contrapesos notoriamente "apadrinhados" e, para o terror diário de comuns como nós, direitos de propriedade expropriados cotidianamente. Escandaloso!

Enquanto o mundo desenvolvido e emergentes, tais como China e Índia, focam em produtivas discussões e ações sobre Revolução 4.0 e avanços tecnológicos, o Brasil segue seu caminho improlífero, de profunda letargia e paralisia produtiva! Estamos agudamente atolados em disputas narrativas burras e estéreis (brasileiro adora retóricas refinadas e emocionais!), que proibi-nos de avançar!

A trupe "humanista" que botou o país no fundo (mesmo!) do poço, agora, no papel de oposição, de forma nefasta, usa de todas as artimanhas para barrar a execução de medidas estruturantes vitais para geração de emprego, renda e desenvolvimento. Num país de extrema complexidade territorial, fica muito mais facilitado atrapalhar, postergar e impedir a vitória da eficiência frente a conhecidas falácias. Estamos numa área delimitada geograficamente por um misto de surrealismo, populismo, despreparo e desonestidade. Ah como reinam! Aqui o surreal é real

Nossos grandes representantes políticos são craques, e estão de fato interessados em legislar sobre "sal em cima das mesas", promulgar leis sobre o Dia do Tomate, da Ressaca (baita importância e compromisso com escolhas eficientes!?) roubando, criminosamente, tempo e recursos de projetos e reformas modernizantes fundamentais para um futuro promissor. Não há como deixar de recordar o saudoso Roberto Campos: "A burrice - e a safadeza (grifo meu!) - no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor"!

Meu D´eus! Faz quanto tempo que se discutem no Parlamento e na mais alta Corte situações e processos do ex-presidente, agora presidiário, condenado em várias instâncias, sobre seus incontáveis recursos, saídas da prisão, entrevistas, tipos de regime, entre outros?! Faz sentido para a sociedade?! A olhos nus assistimos - e pagamos -, perplexos, o custo de tempo e recursos de parlamentares, ministros, assessores, e demais integrantes da máquina pública, priorizando "nobres crimes", ao invés de escolhas e caminhos críticos para a geração de real produtividade e prosperidade para todos cidadãos brasileiros!

Qualquer aluno de primeiro ou segundo ano da área de gestão e negócios já sabe bem o que significa custo de oportunidade! Surreal!! Rematado equívoco consciente! Quando esses senhores vão ter vergonha na cara e focar no aumento de eficiência, a começar por eles (reforma já!), a fim de melhorar a regulação para negócios em livre mercado, restringir o poder de monopólios ou oligopólios, reduzir burocracia e custos de se fazer negócios e, importantemente, criar medidas que resultem em melhor utilização e incentivo para geração de fatores de produção?! Tecnologia e inovação úteis, esses são os nomes do jogo no tabuleiro competitivo global.

Demagogia e populismo têm nos levado, como sempre, ao abismo! Só uma questão de profundidades distintas. O país não pode desperdiçar mais tempo, precioso! Sempre deveríamos ter uma visão comparativa das estratégias e avanços dos demais países! Precisamos de foco total em medidas positivas e urgentes, tais como a reforma da Previdência. Resistência insana! Ou ingenuidade minha? Como afirmam petistas e psolistas: "não exite déficit"; e Papai Noel, de carne e osso, vai aterrizar em Dezembro!

Sem racionalidade, para além de cegas paixões partidárias, não conseguiremos dar um passo além da esquina, desse povoado que nos tornamos. Não se trata de ser uma nação rica, mas de uma mentalidade moderna e transformadora. Enquanto China e Índia crescem aproximadamente 7% ao ano, preferimos crescer tal qual rabo de cavalo.
Optamos - afinal nós os colocamos lá - por discutir o sexo dos anjos, falácias sobre gênero, estratégias heterodoxas para crescer, comprovadamente equivocadas, como tornar a vida do cidadão mais burocratizada, custosa e controlada, como continuar gastando mais do que se arrecada (sabedoria machadiana: vocação da riqueza sem vocação do trabalho; dívidas!) e, sobremaneira, empregar tempo e recursos para livrar uma minoria de corruptos em desfavor da maioria da população brasileira de bem! Quando vai sobrar tempo para o inapelável, para o povo e o respectivo desenvolvimento nacional?!

Políticas públicas envolvem escolhas com benefícios e custos para todos. Como professor de estratégia empresarial, por experiência pragmática no mercado, além da acadêmica, encho meus pulmões para verbalizar aos jovens acadêmicos: mais importante do que escolhas estratégicas quanto ao que deve ser feito, são decisões sobre aquilo que não deve ser feito!

God be praised! Ajude-me, por favor!? Não seria melhor pra todos escolher na melhor e mais racional opção pelo aumento de eficiência?!

Alex Pipkin, PhD


 

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  • Irineu Berestinas
  • 21 Junho 2019

 

 

    Assunto que passa ao largo da pauta dos partidos políticos situados à esquerda do espectro político. Para esses setores é mais importante estar ao lado dos pobres, com discursos exaltados, atiçando o conflito de classes, pois, desse modo, a ideologia estaria sendo difundida, e o caldo do materialismo dialético seria engrossado sobremaneira (a lógica do marxismo). A igualdade seriam favas contadas, resultado da marcha histórica, bastando um pequeno empurrão, que o paraíso chegaria como fruto do determinismo histórico, ou seja, o que ocorreria independentemente da vontade dos homens... Pelo menos, foi assim que Karl Marx gerenciou as suas “descobertas”! Mas se esse lance demiúrgico não se confirmar (os deuses também podem falhar, ainda mais os do materialismo...), então entraria em cena a Escola de Frankfurt (Horkheimer, Adorno, Marcuse, etc).

É o chamado marxismo cultural, que se afastou dos exércitos de Lenin, Stalin e Trotsky para promover a destruição dos valores da civilização ocidental (religião, família, instituições, a educação tradicionai, direito, por serem agentes da superestrutura), por meio da revolução cultural. Foi assim que Paulo Freire e Antonio Gramsci caíram de paraquedas nas escolas, universidades, jornais e canais de televisão. É uma luta subliminar, não declarada, pois se negam a estabelecer o debate, o contraditório, mas apenas se dispõem a rotular os seus adversários com os mais intimidadores chavões.. De outro lado, quanto mais gente desempregada houver, mais grandioso será o exército do lumpemproletariado para se juntar às minorias e pôr um fim à exploração do homem pelo homem...

Num dos polos da luta, segundo a compreensão desses setores, estão os malfeitores, os gananciosos capitalistas, como se o resultado da produção não se esparramasse por toda a sociedade. Na verdade, pode-se dizer que é a existência dos livres mercados, um mecanismo pelo qual o voto impera rotineiramente na economia, seja nas situações de consumo, seja nas situações de investimento, que impulsiona todo o sistema produtivo. E é por meio dele que as riquezas e os bens são criados abundantemente, descontando-se a falácia de que as riquezas são produzidas apenas em favor dos empresários. E os impostos gerados, os empregos, o FGTS, as contribuições para a previdência, os investimentos em tecnologia e máquinas, o aprendizado e treinamento não entram nessa conta? E ainda é preciso considerar que, se os bens não fossem consumidos também pelos operários, o capitalismo não ficaria de pé, porque apenas os ricos não dariam conta do consumo. Elementar, elementar, meu caro Watson! Daí, sim, teríamos o colapso da superprodução previsto por Marx.

A bem da verdade, a produtividade se realiza no dia a dia, no chão das fábricas e nos ambientes de trabalho, seja qual for a natureza da atividade, por meio da busca da eficiência, mas apenas alguns poucos economistas do nosso cenário abordam esse tema, pois, afinal de contas, a esquerda não está ai para dar “sobrevida” a um sistema que condena com veemência embrutecida.

Não é sem razão que o salário mínimo do operário americano é quatro vezes superior ao nosso. Bondade, generosidade, luta sindical? Não, não! Simplesmente, porque o operário americano tem produtividade superior a 4 por 1 em relação ao nosso (é evidente que para isso vários fatores estão conjugados).

Essa questão não pode passar ao largo de pessoas interessadas verdadeiramente em juntar teoria e fatos empíricos para amalgamar as ciências econômicas. Assim, tem de ser construída uma agenda que considere a importância da produtividade na economia. Karl Marx já havia compreendido, na sua obra A Ideologia Alemã, que a fonte da abundância reside no aumento da produtividade, ou seja, o aumento do produto por hora de trabalho. A máquina a vapor e o carvão deram a largada.

O que me leva a dizer: o aumento da produtividade resulta de uma combinação de fatores, quais sejam: a) - aumento do estoque de capital, a ser obtido por meio da poupança; b) - aquisição de máquinas modernas (tecnologia); c) - elevação da escolaridade dos trabalhadores e treinamento da mão de obra (nos EUA, a média de treinamento por trabalhador é cento e trinta horas anuais, aqui, entre nós, apenas trinta horas), isso até a bem pouco tempo; d) - elevação da capacidade gerencial. E simultaneamente: a) - logística adequada, ou seja, transportes mais baratos e eficientes; b) - carga tributária compatível; c) - melhoria dos serviços públicos ofertados à população, principalmente nas áreas de saúde, educação e saneamento básico, cuja ausência é o principal responsável pela poluição dos ambientes e da morte de nascituros em nosso País, embora esse diagnóstico passe ao largo dos folhetos esquerdistas. De outro lado, devemos ter o respeito ao tripé macroeconômico (câmbio flutuante, superávit fiscal e regime de metas para a inflação); ou seja, um basta à gastança desordenada, de modo a não permitir que a macroeconomia saía dos trilhos. Nunca é demais relembrar que a nossa carga tributária, a partir de advento da Constituição de 1988, passou de 24% do PIB para 45%, considerados os déficits operacional e nominal (este último inclui as despesas do governo com os juros e amortização da dívida).

Ainda é tempo de botar o País nos trilhos. Deputados e Senadores estão com a palavra, a menos que pretendam fazer do Brasil uma outra Venezuela...


    

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  • Walter Williams
  • 20 Junho 2019

 

Um supermercado tradicional e bem estocado possui entre 60.000 e 65.000 itens diferentes. Um supermercado de uma grande rede possui aproximadamente 120.000 itens.

Agora, imagine que toda a economia tenha sido estatizada e que o governo tenha nomeado você para a tarefa de produzir e abastecer este supermercado com apenas um item: maçãs.

Toda a cadeia de produção de maçãs, agora estatizada, está sob seu comando. Assim, você não pode simplesmente comprar maçãs no atacado. Já que tudo é do governo, não há nem mercado nem preços para os produtos.

Logo, você terá de descobrir todos os insumos necessários para cultivar maçãs, colhê-las e transportá-las ao supermercado. Você é o responsável por todas as etapas de produção e distribuição. Como fazer?

Você precisará de caixotes para transportar as maçãs. Contabilize todos os insumos necessários para produzir esses caixotes. Você precisa de madeira. Mas, para obter madeira, será necessária uma serra elétrica para cortar as árvores. A serra elétrica é feita de aço, o que significa que minério de ferro terá de ser extraído das minas. Máquinas e equipamentos pesados de mineração serão necessários e terão de ser fabricados. Ah, e todos os trabalhadores necessitam de roupas e sapatos.

A lista de insumos e matérias-primas necessários para apenas levar maçãs ao mercado é incontável. É impossível precisar um número exato. Esqueça um item - velas de ignição ou correia do alternador - e você fracassará.

Imagine, então, todos os outros alimentos. Por isso, o povo passa fome em economias socialistas.

A tarefa de abastecer um supermercado com maçãs, algo que o mercado faz diariamente sem nenhum comitê de planejamento central, é bem menos complexa do que, por exemplo, gerenciar todo o sistema de saúde de um país inteiro. E, no entanto, o governo se arvora a capacidade de fazer este último.

Hoje, só em São Paulo, aproximadamente 12 milhões de pessoas almoçaram. Decidir a variedade de alimentos e a quantidade exata de comida disponíveis no lugar certo e na hora certa para fazer com que tudo funcione fluentemente é um problema de impressionante complexidade, o qual se torna ainda mais complicado pelo fato de que várias pessoas se decidem apenas no último minuto onde irão comer.

Quem está no controle supremo deste arranjo? Há um comitê central coordenando tudo? Você seria capaz de coordenar este arranjo? Por que um sistema tão crucial como este não é subsidiado? Como ele pode ser tão pouco regulado e funcionar tão bem?

Mais: você confiaria em um político para tal tarefa? Não? Se você não confia em um político para coordenar seu almoço, por que confiaria a ele o controle da educação de seus filhos, dos hospitais que você utiliza e das estradas em que você viaja?

Thomas Sowell disse: "É necessário ter um conhecimento considerável para se dar conta de quão grande é a sua própria ignorância".

Por isso, na economia, a diferença entre ignorância e estupidez é a diferença entre prosperidade e miséria.

Confira: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2802

*O autor é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.

** Texto reproduzido da página do Instituto Mises Brasil no Facebook: https://www.facebook.com/MisesBrasilhttps://www.facebook.com/MisesBrasil/
 

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