• Fábio Costa Pereira
  • 03 Favereiro 2021

 

Fábio Costa Pereira

 

Nestes tempos de pandemia, onde o medo e a incerteza do que está por vir tomaram conta de corações e mentes, o termo ciência foi utilizado, por muitos, como um escudo protetor de suas crenças pessoais.

Desde que o vírus chinês iniciou o seu curso pelo mundo afora, certezas científicas, alçadas ao patamar de quase tabu, viraram verdades não sujeitas a contestação.

Aqueles que, aos consensos sedimentados ousavam divergir ou apresentar argumentos em contrário, desde logo eram chamados de terraplanistas e a discussão, com tão “sólido” argumento de autoridade, finalizada com a “retumbante vitória “ de quem produziu o impropério.

A cientificidade, no entanto, aplicada com tanta veemência em alguns casos, tais como na hipótese de tratamento dos infectados pelo sars-covid, em outros, quando a sacrossanta ciência não mais era interessante, pura e simplesmente era abandonada.

Advirto, desde logo, que não estou aqui para falar de prevenção, de tratamento precoce, de vacina ou outra coisa qualquer relacionada à saúde, pois esta não é a minha área e, por hábito, evito dar opiniões sobre o que não domino.

O meu objetivo, com o presente texto, é, tão somente, analisar o discurso do emprego da lógica científica quando convém e da sobreposição do singular ponto de vista daquele que decide quando as evidências apontam em contrário as suas crenças pessoais.

Esta dissonância de pensar, da exigência de cientificidade para algumas coisas e da idealização abstrata para outras, no curso dos últimos doze meses, ficou por demais clara.

Nem bem a pandemia começou e medidas altamente restritivas ao comércio, ao trabalho e à circulação de pessoas, em nome da ciência foram adotadas, com a imposição de punições aos infratores.

De outro lado, uma enorme quantidade de presos, que já estavam em efetivo isolamento social por conta dos crimes por eles cometidos, foram “soltos”, ou melhor, liberados para ir cumprir as suas penas em prisão domiciliar, com pouca ou nenhuma supervisão estatal.

Independentemente do tipo de crime cometido,de sua gravidade ou da quantidade de pena a cumprir, presos que se encaixassem no grupo de risco de contração da moléstia em sua forma mais grave, foram postos nesta branda forma de prisão onde a responsabilidade individual por seu cumprimento é muito mais importante do que a vigilância do Estado.

Como facilmente pode-se perceber, tinha tudo para dar errado, e deu.

O Ministério Público de Minas Gerais, na semana passada, publicou inédito estudo onde demonstrou que, naquele Estado, 33% dos presos postos em prisão domiciliar no período da pandemia, cometeram crimes, inúmeros dos quais deveras grave.

O “Fique em Casa”, por aqueles que não têm o hábito de respeitar normas de convívio social, não foi atendido.

Alguma surpresa? Infelizmente nenhuma, pois as evidências demostravam, para quem quisesse ver, que isso ocorreria.

Agora é aguardar que estudos semelhantes sejam reproduzidos nos demais Estados da federação.

Os resultados, não tenho dúvidas, virão ao encontro das conclusões mineiras.

E que Deus tenha piedade de nós!

*   Publicado originalmente naTribuna Diária, em 2 de fevereiro de 2021.

** Fábio Costa Pereira é Procurador de Justiça no MP/RS.

 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 31 Janeiro 2021

Alex Pipkin, PhD

O grande e educativo programa filosófico da Rede Bobo, BBB - BANDO DE BOÇAIS BRASILEIROS, decretou definitivamente o fim da tóxica masculinidade.

Eu não assisto, já estou bem crescido, e invisto meu tempo naquilo que presta para algum proveito de aprendizagem e de sabedoria.

Recebi um post, demonstrando que um homem neste programa, declarou a sua vergonha e a sua culpa por simplesmente ter nascido homem.

Sim, não dá pra reinventar a roda biológica, nasce-se homem ou mulher. Ponto final.

A pós-modernidade “sadia” sofre de uma severa crise patológica, obsessiva pela mentira e pelo desapego a ciência.
A burrice aguda assola o mundo e o nosso país. Poucos sabem que a humanidade nasceu matriarcal, mas foi devido a própria genética, determinante da divisão dos papéis sociais, exatamente a capacidade física - embora alguns argumentem que em machos e fêmeas no mundo animal tais diferenças não sejam tão acentuadas - que os homens foram mesmo para o combate, lutando contra invasores rivais e protegendo seus territórios. As deusas mulheres tinham geneticamente outros papéis importantes.

No período dessas deusas mulheres, parece brincadeira, mas não o é, os homens eram meros reprodutores.

Na busca de reinventar o mundo, “progressistas”, feministas - ou melhor feminazes - e fanáticos doutrinários, aludem a consciência sexual, por meio da construção social do gênero e de sua identidade, que passam a ser vistas como uma imposição cultural.
Gritos ecoam na sagrada direção de libertar as mulheres da opressão e da escravidão!

Neste contexto doentio, todo o homem é um potencial predador sexual, um irracional, um insensível e um ser extremamente perigoso.

Os engenheiros sociais, desaculturados, rejeitam ferozmente as virtudes masculinas forjadas pelos genes, tais como a coragem, a resistência e a valentia militar, e agora querem a imposição de hábitos e de atitudes mais “suaves” nos grotescos homens.
Que loucura, perdeu-se a razão; mergulhamos no mundo da pós-verdade, em que tudo se metaformoseou para o terreno destruidor da hipócrita e da fanática ideologização dos gêneros. Nesse pântano de falsos selfs, a construção vai além da eliminação do masculino, e do próprio feminino - nem se precisa mais de reprodutores -, o moderno e legal nesse mundo factoide é o vale tudo sexual, holofotizado nas telinhas.

Claramente eu percebo um borramento das diferenças entre os indivíduos; sendo que as peculiaridades dos universos masculino e feminino tornaram-se afrontas para aqueles que pregam a utopia da uniformidade. O que se deseja é uma igualdade que desconhece as naturais características distintivas entre nós, justamente aquilo que nos torna mutuamente desejáveis.
Evidente, esses ignaros não percebem que o desejo entre homens e mulheres é muito mais amplo do que o mero ato sexual.
Ei, mulheres, reprodução é vital, mas os homens também servem para outras coisas...

O homem “bom” é o que precisa desculpar-se por ser homem, ninguém mais parece atribuir valor àquilo que mais conta, a dignidade e o caráter do ser humano, independentemente do gênero.

E para o espanto dos “machistas” como eu (risos), toda a massa aplaude efusivamente o fim da natureza e da biologia humana.
A massa não pensa e o extremismo que quer apagar o masculino do mapa, é burro e doentio! Somos todos seres humanos, e como tal agimos como seres morais.

Precisamos moldar os relacionamentos e nos entendermos com base nas virtudes da razão, da dignidade e da bondade racional, a fim de humanizar as relações humanas nos campos social e do trabalho.

A tentativa de aniquilar um lado (genuinamente os dois), conduz unicamente ao caos social - já que biologicamente é impossível - e ao abismo destruidor.

Há homens e homens, assim como mulheres e mulheres!
Será que não se compreende que a cortesia masculina nada tem a ver com gênero, ela é humana??

Pois eu continuarei acreditando na razão, na dignidade das diferenças, e na cortesia, sem ceder um milímetro às pressões sociais desses construtores sociais do radicalismo e da destruição.
Como ser pensante, livre, racional e HOMEM, qualquer pessoa com um mínimo de consciência sabe que pedir desculpas por quem se é, além de ser rotunda hipocrisia é a máxima negação de si. Tenho dito.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 31 Janeiro 2021

 

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

 

PROBLEMAS SEM MODERAÇÃO

Antes de tudo é preciso admitir, por tudo que já aconteceu desde a chegada dos descobridores portugueses, em 1500, que os governantes do nosso imenso Brasil sempre se destacaram pela enorme CAPACIDADE para construir PROBLEMAS de todos os tipos e tamanhos, e por uma NOTÓRIA INCAPACIDADE para buscar SOLUÇÕES ou medidas neutralizadoras para as mais variadas encrencas que foram impostas a todo momento, SEM QUALQUER MODERAÇÃO. 

 

PAÍS DO FUTURO

Neste clima -crônico- que só fez AUMENTAR O CUSTO DO ESTADO, o povo brasileiro, na medida que foi sendo educado, ou doutrinado, para não fazer uso do importante RACIOCÍNIO LÓGICO, acabou por aceitar, aprovar e/ou entender que quanto maior o Estado for, maior a certeza (falsa) de que o nosso Brasil estaria sempre próximo de ser o desejado e sonhado PAÍS DO FUTURO.   

 

NOVAS MESAS DIRETORAS

Pois, para manter sempre muito vivo o HÁBITO DA ENGANAÇÃO, sentimento este que prospera muito na cabeça dos OTIMISTAS SEM CAUSA, os brasileiros mais esperançosos aguardam a entrada do mês de fevereiro na expectativa de que as NOVAS MESAS DIRETORAS da Câmara e do Senado venham a ser ocupadas por políticos dispostos a enfrentar e resolver os grandes problemas do país com alto grau de acerto. 

 

NÃO AO POSTE DO MAIA

A considerar a necessidade de ver a pauta de votações de inúmeros projetos que estão pendentes na Câmara e no Senado, por vontade dos péssimos presidentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, que simplesmente não deixaram o PODER EXECUTIVO governar o país, espero que Artur Lira resulte como eleito presidente da Câmara, embora não tenha dúvida de que o melhor para o país seria a escolha do deputado Marcel Van Hattem. O pior, sem dúvida alguma, é a vitória do deputado Baleia Rossi, tido e havido como legítimo POSTE DO MAIA.  

 

REFORMAS E MARCOS REGULATÓRIOS

Estou, portanto, disposto a colocar um bom número de fichas no Brasil caso os novos presidentes das DUAS CASAS venham a se dedicar a acelerar as REFORMAS e, da mesma forma, dar andamento aos diversos projetos que se encontram paralisados, notadamente os MARCOS REGULATÓRIOS, que têm o poder de atrair investimentos jamais vistos no nosso empobrecido Brasil.  

 

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  • Autor desconhecido
  • 30 Janeiro 2021

 

Nota do editor: Por oportuno, compartilho com meus leitores  esta pequena história recebida em homenagem a uma das vítimas do “Inquérito do fim do mundo”.

Autor desconhecido

“Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, Senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - vamos começar .
- Para que servem as leis? Perguntou o professor - Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor .
- Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:
Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais!

Vou buscar o Nelson. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.”

Nota do editor: Nossa dignidade é aviltada quando silenciamos perante a injustiça que vemos.



 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 27 Janeiro 2021

Gilberto Simões Pires

INSTRUMENTOS ANALÓGICOS E DIGITAIS

Os mais conservadores, do tipo que ainda estão mais familiarizados com os instrumentos -analógicos- que medem o RISCO FISCAL do nosso empobrecido Brasil, já devem ter percebido que o ponteiro está na posição -ALARME- indicando, portanto, que a situação das nossas CONTAS PÚBLICAS é simplesmente pavorosa. Já os mais modernos, que preferem os instrumentos -digitais-, não estão conseguindo pegar no sono porque os sons emitidos pela forte SIRENE não permitem qualquer forma de descanso. 

 GAMBIARRAS

Ora, em condições normais, independente da preferência -analógica ou digital-, o correto seria se todos os -moradores- do nosso imenso Brasil se preocupassem com a necessária PREVENÇÃO para evitar que a SIRENE do estridente ALARME viesse a ser disparada. Pois, infelizmente, não é o que acontece: em todas as vezes que a SIRENE tocou, os condôminos, ao invés de exigir uma pronta e imediata solução do problema, têm se mostrado plenamente satisfeitos com as -gambiarras- que, historicamente, são utilizadas com o propósito de empurrar a encrenca para sabe lá quando. 

 VONTADE POLÍTICA OU HABILIDADE POLÍTICA?

Assim, os FUGITIVOS DOS PROBLEMAS que corroem o nosso Brasil por todos os cantos, valem-se, constantemente do velho CLICHÊ de que a solução das nossas crônicas encrencas dependam de VONTADE POLÍTICA do Chefe do Executivo, quer seja ele presidente, governador ou prefeito. Ora, antes de tudo o mais correto seria usar o termo HABILIDADE POLÍTICA e não VONTADE. Ainda assim, o que acontece é que tanto a HABILIDADE quanto a VONTADE POLÍTICA dos governantes esbarra: 1- nos nojentos DIREITOS (alguns protegidos por Cláusulas Pétreas) impostos pela Constituição; 2- na não rara MÁ VONTADE dos ocupantes do Poder Legislativo; e, 3- no entendimento IDEOLÓGICO dos ministros do STF.   

 PÁTRIA E FAMÍLIA

Como fui ensinado que o amor à Pátria é nutrido com a mesma intensidade que é devotada à família, onde todos fazem o máximo possível para que seus dependentes prosperem social, humana e economicamente, entendo que este mesmo comportamento precisa ser exercido quando alguém impede que o Brasil busque a JUSTA ROTA do crescimento e do desenvolvimento. E quem coloca obstáculos -alguns intransponíveis, por determinação da CF de 1988, precisa ser atacado com muita e persistente força até que o caminho seja desobstruído.  

 NOVA CONSTITUIÇÃO

Estou convencido, portanto, de que enquanto não forem removidas as CLÁUSULAS PÉTREAS, a nossa Constituição vai continuar barrando totalmente, quer a VONTADE POLÍTICA quer a HABILIDADE POLÍTICA. Mais: Cláusulas Pétreas, repito, só podem ser retiradas com uma NOVA CONSTITUIÇÃO, ou seja, a possibilidade de que isso seja alcançado com o uso de uma ou mais PECs (Proposta de Emenda Constitucional)  é simplesmente igual a ZERO. Ou começamos a tratar de uma NOVA CONSTITUIÇÃO, ou nada pode ser feito. 

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  • Paulo Moura, em Dextra
  • 26 Janeiro 2021

Paulo Moura, em Dextra

Com o fracasso da tentativa de impeachment de Bolsonaro em 2020, a oposição recuou na mesma medida em que o Palácio do Planalto reagiu, e mudou seu modelo estratégico de 2019 (pressionar o establishment com ajuda das ruas) para o modelo de 2020 (cooptar o centrão, ganhar o comando do Congresso e apartar a aliança do parlamento com o STF).

A nova estratégia de Bolsonaro está em curso e, tudo indica, se completará com sucesso com a provável vitória de seus aliados para os comandos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

A segunda fase da estratégia do governo começa dia 2/2, supondo-se a vitória de seus candidatos. Se confirmada a vitória, o passo seguinte é trazer os aliados do centrão para ocupar ministérios e, em seguida, botar para andar as pautas do governo no parlamento, que Rodrigo Maia manteve engavetadas em 2020.

Não basta vencer, é preciso fazer a agenda do governo avançar no parlamento. Controlar o parlamento não é suficiente. O Palácio do Planalto precisa impor a dinâmica das votações e debates no Congresso para controlar um dos vetores centrais da conjuntura e botar a oposição para correr atrás do governo, em vez de ficar gerenciando as crises que a oposição cria e se defendendo das consequências políticas e econômicas da paralisação das reformas.

Para isso funcionar, dois requisitos se fazem necessários:

1 – O presidente precisa definir que reformas vai estimular, pois sua ambiguidade em relação às pautas do ministro Paulo Guedes e os freios que ele mesmo impôs à tramitação das reformas administrativa e tributária emitem sinais controversos para o mercado e muito claros para o centrão;

2 – Remover dos seus cargos os militares dos postos que envolvem coordenação política e relações com o Congresso e substituí-los por operadores do centrão.

Não se engane o leitor, a provável vitória de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco para o comando da Câmara e do Senado é obra de Arthur Lira e Alcolumbre. Os generais do governo são meros coadjuvantes e observadores desse jogo e, para consolidar as novas bases estratégicas do governo, também não se engane o leitor, convém ao presidente entregar ao centrão, “ministérios que dão voto”, como se diz no jargão político.

Antevendo essa dinâmica, a oposição política e midiática, resolveu não esperar e tirou da gaveta novamente a já fracassada tentativa de impeachment do presidente Bolsonaro. Trata-se de reprise do mesmo filme de 2020, cujo roteiro é o seguinte:

  1. Aproveitando-se da epidemia do Covid19, a mídia cria um ambiente de terror na opinião pública. A imprensa é coadjuvada por Doria, que aumentou 69% os gastos publicitários do governo de São Paulo e, com suas coletivas diárias, cria factoides para alimentar as manchetes da imprensa oposicionista (quase toda);
  2. A mídia mira em ministros-alvo com o objetivo de derrubá-los de seus cargos para desestabilizar o governo. Em 2020 os alvos eram Paulo Guedes e Moro, com o desfecho mal sucedido conhecido. Em 2021 os alvos são Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo;
  3. A esquerda aciona a PGR e o STF para acuar o presidente e jogar o governo numa dinâmica defensiva;
  4. O STF impõe limitações e/ou obrigações ao governo de forma a limitar seu poder de inciativa e tentar criar algum pretexto jurídico para o processo de impeachment;
  5. A esquerda tenta (sem sucesso) mobilizar as ruas para jogar o povo contra o governo;
  6. Rodrigo Maia tenta, agora desesperadamente já que seu mandato termina dia 01/02, pautar o impeachment do presidente no Congresso.

A estratégia da oposição tem claros limites e, apesar do estardalhaço da mídia, tem tudo para repetir o fracasso de 2020.

Aproveitando-se da epidemia do Covid19, a mídia cria um ambiente de terror na opinião pública. A imprensa é coadjuvada por Doria, que aumentou 69% os gastos publicitários

A estratégia da oposição tem claros limites e, apesar do estardalhaço da mídia, tem tudo para repetir o fracasso de 2020.

Em primeiro lugar, como já dito, sem o comando da Câmara e do Senado, a oposição perde o controle da pauta do Congresso.

Em segundo lugar, a aliança do Congresso com o STF será substituída por uma aliança do Congresso com o Executivo.

Em terceiro lugar, com toda a artilharia contra ele, apesar de sofrer uma queda em seus índices de aprovação (como em 2020), esses índices não baixam de 30% e, complementarmente, o presidente se mantém na liderança isolada dos rankings eleitorais para 2022 com cerca de 28% das preferências, sem que a população abençoe nenhum dos pretendentes da oposição com mais de 12%, segundo as pesquisas mais recentes.

O mapa da dinâmica do jogo é esse, mas há, no horizonte, algumas variáveis que requerem atenção do presidente. O socorro emergencial às pessoas físicas e jurídicas vítimas das quarentenas acabou e o limite fiscal para reeditá-los é crítico, sem a aprovação de reformas que apontem para a geração de receitas e a redução do déficit público (nem que seja em perspectiva).

A pressão da mídia e de Doria por uma nova onda de lockdowns se explica pelo objetivo de aprofundar a crise econômica e o desemprego, já crescente como consequência de 2020, e manter o clima da opinião pública receptivo a um possível impeachment do presidente, mesmo sem a oposição deter o comando do Congresso.

No entanto, essa estratégia de Doria e da oposição implica em provocar quebradeira de empresas e mais desemprego. Em São Paulo, o aumento do ICMS patrocinado por Doria e a decretação de bandeira vermelha à noite e nos fins de semana, já está levando empreendedores às ruas contra o governador.

Esse fator, se bem usado politicamente pelo presidente, que sempre alertou para as consequências nefastas do fechamento da economia, pode se converter num problema para Doria, principal inimigo de Bolsonaro e que comanda a locomotiva da economia nacional, embora padecendo de crescente antipatia do eleitor paulista e paulistano.

O jogo está posto. Aos movimentos senhores jogadores.

*O autor é cientista político com doutorado em Comunicação Social e titular do excelente  Dextra.jor.br, recomendado por este site.

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