• Valterlucio Bessa Campelo
  • 25 Dezembro 2020

 

Valterlucio Bessa Campelo

 

Enfim, o monstro chegou. Era quase certo que viria, os homens da ciência já o pressentiam e aqui e ali avisavam aos poucos que queriam ouvir. Veio invisível, sem corpo, sem alma, sem voz. Mesmo materialmente ínfimo, instalou-se como um vendaval entre nós, revirando tudo, contorcendo tudo, afugentando todos. Sob seu mal, o mundo ficou deserto, a terra parou atônita. O que fazer?

O monstro reduziu toda a esperança a limites rasos, toda a coragem a reações instintivas, toda a razão a pequenos pedaços de certeza. Cada tentativa de luta implicou oferenda de vidas no altar da ciência obtida de supetão. Entre o saber observado nas macas e a ciência que pula processos, o vai e vem das defesas foi como um exercício de advinhas.

O monstro entrou em nossas mentes e aniquilou nossos sonhos. Através das televisões, ele nos acorrentou em nossas camas e sofás e nos alimentou de desgraça. A contagem diária nos portões de saída da vida nos tornou dependentes de uma curva macabra que teimou em crescer.

O monstro invadiu nossas almas e confrontou nossa fé, nos incutindo a dúvida, instalando porquês, testando nossas convicções. A perda de amigos e parentes deixou uma zona cinzenta, assim, como uma névoa que encobre a fatalidade.

O monstro torceu nossa coragem e nos intimidou. Nos fez cobrir nossos rostos e abaixar a cabeça, parecendo mais seres sendo humilhados do que pessoas que lutam. Nossos sorrisos não foram mais vistos, restaram olhares melancólicos, ansiosos, revoltados.

O monstro pegou nossas crianças e as prendeu em gaiolas. Elas não correm, não cantam, não brincam, não riem, não aprendem, apenas perguntam. Suas pequeninas mentes foram estancadas em seu desenvolvimento. Não se mede o dano ao jovem que virá, ao adulto em que se transformará.

O monstro impediu a cultura, silenciou vozes que nos animavam, congelou cenas que nos divertiam e entorpeceu a criação. André Malraux, escritor francês, disse certa vez que, sem cultura, o homem é facilmente escravizado. Faz todo sentido para o monstro.

O monstro solapou a verdade, distorceu-a e a pôs de joelhos perante os interesses globalistas. Organizações mundiais, a mídia mainstream e as big techs instituíram a verdade que se pretende ser. Nada que vemos e ouvimos é seguramente o que parece ser. Nenhuma informação escapa do crivo daqueles que, controlando os controladores da informação, decidem o que é e o que não é a verdade.

O monstro deu carona a outros monstros, os corruptos, os ladrões e oportunistas que vicejam dentro e em volta da administração pública. Pra todo lado se viu novos e velhos bandos aproveitando-se do rastro deixado pelo monstro, comendo seus restos, disputando com ele pedaços de dinheiros sujos de sangue coagulado.

O monstro emprestou-se à política, que o usou para promover governos malsãos e ditadores enrustidos. O monstro que dilui nossas células e empapa de gosma vermelha nossas entranhas, abriu uma porta para a tirania garantida em regulações de última hora, como se esta fosse, afinal, sua maior vitória.

O monstro se instalou na economia gerando miséria e mais mortes dela decorrentes. Como dançando uma valsa fúnebre, o monstro e a recessão disputam o aplauso demoníaco que virá para o mais belo ceifador de vidas.

Só o Amor resiste ao monstro. O Amor entre nós e a Deus, presente em todas as religiões. Neste Natal, que para os cristãos, principalmente, é a comemoração do Amor nascido ao mesmo tempo humano e divino, talvez tenhamos que pensar mais, refletir mais e redobrar nossa fé.

O Amor cristão é restaurador. Que seja então. Que restaure nossa esperança, nossas mentes, nossas almas, nossa coragem, as crianças, a cultura, a verdade, os governos, a política, a economia... que afaste as sombras e reconcilie a humanidade com Deus e a verdade.

Valterlucio Bessa Campelo escreve contos e opiniões em seu Blog www.valbcampelo.wixsite/conto

Continue lendo
  • Jorge Schwerz
  • 25 Dezembro 2020

Jorge Schwerz

 

A vida em outro País traz um enriquecimento pessoal sem igual.

A cultura, a língua, a gastronomia, a arquitetura, a história como um todo, possibilita-nos a imersão em um mundo completamente diferente do nosso e nos permite um grande crescimento, que se aprofunda com o tempo.

É um exercício de tolerância também, visto que não há como criticar um povo que nasceu, cresceu e se desenvolve com um “protocolo” de pensamento muito diferente do nosso.

É ver e aprender. Descartar o que não serve e incorporar o que é bom.

Mas confesso, que uma coisa muito me incomodava, quando morei em Paris, durante dois anos, na função de Adido de Defesa e Aeronáutica: as Feiras de Natal, os conhecidos “Marchés de Noël”.

Que o leitor não entenda mal a minha colocação, as feiras de Natal são maravilhosas.

São iluminadas e decoradas para um Natal de sonhos. Nos trazem de volta à infância.

O que me incomodava era a falta de referência ao aniversariante, o menino Jesus.

Com o tempo aprendi que, sendo considerado um símbolo religioso, o presépio de Natal só é permitido nas igrejas ou dentro de casa, ou seja, fora do espaço público.

Era o Estado laico francês no seu dia a dia.

A revolução francesa trouxe os ventos iluministas que levaram à separação entre o Estado e a Igreja. A igreja católica ficaria impedida de influenciar o Estado francês, pois a razão deveria dominar a fé.

A ideia foi consolidada na lei de 1905, que oficializou essa separação.

Naturalmente, houve um oportuno “esquecimento” de que o nascimento e o crescimento do Estado francês têm muito a dever à religião católica.

Foi a partir do catolicismo que Clóvis I, considerado o primeiro rei francês, conseguiu unir as diversas tribos, estabelecendo o reino franco a partir da sua conversão à fé cristã. A França tornara-se a “filha primogênita da igreja”, a primeira nação católica na Europa, no ano 496 DC.

Ter a anuência do Papa significava poder, então imagine um País que teve 16 papas franceses na sua história.

Quando Felipe IV, Rei francês de 1285 a 1314, viu-se pressionado por dívidas junto à Ordem dos Cavaleiros Templários, foi com a anuência do Papa Clemente V, também francês, que ele eliminou aquela ordem de cavaleiros, tomando-lhes os bens e se livrando de dívidas incômodas.

Foi este Rei Francês que propôs a canonização do seu avô, Luís IX, que passou a ser chamado São Luís, no intuito de fortalecer o apoio dos cristãos ao seu reinado, bem como levou a sede da igreja para Avignon, a cidade dos Papas da França, que lá permaneceu entre 1309 a 1377.

Sem esquecer que, durante a revolução francesa, os bens da igreja foram tomados pelo Estado.

Ou seja, o Estado francês muito se beneficiou da Igreja Católica, mas tudo isto ficou esquecido na história.

Na verdade, parece que há um movimento para afastar Deus de tudo.

Lembro que o filho do meu Auxiliar, ao frequentar uma escola francesa, foi obrigado a esconder o crucifixo que levava consigo, pois não poderia portar o sinal da sua fé, publicamente.

Bem como a crítica, pouco sutil, de um General francês que, ao notar que um General brasileiro agradeceu a Deus o término de uma jornada de muito trabalho, disse que aquilo seria impensável para um oficial francês.

Como antecipei no início do texto, tolerância.

Na verdade, o que me chateava é que o francês ganha muito dinheiro com as Feiras de Natal. Há de tudo: gastronomia, artesanato, produtos regionais, decoração de Natal e presentes em geral.

Uma maravilha que tomava o coração de Paris, na Avenida Champs Élysées, e os principais pontos turísticos da cidade ao final do ano, durante quase um mês.

Na cidade de Strasbourg, chamada a Capital do Natal da França, o centro da cidade era fechado ao tráfego de automóveis, tal era a afluência de turistas nessa época.

Todo mundo ganha muito dinheiro com essas feiras, principalmente o Estado francês, que leva 46,1% de impostos do cidadão. A maior taxa da União Europeia.

Não há como negar a marca que a religião deixou na formação do Estado francês, mas parece que isso foi esquecido, como se a nação se distanciasse de si mesma, afastando-se da sua alma.

Parece que na luta para separar a Igreja do Estado, a sociedade francesa acabou por substituir o símbolo do menino Jesus por um símbolo de papel. O papel moeda do Euro.

Desejo um Feliz Natal a todos os leitores do Blog Ao Bom Combate! Que a comemoração do nascimento do menino Jesus, nos traga tempos melhores!

“O preço da liberdade é a eterna vigilância!”

 

*Publicado originalmene em aobomcombate.org

 

Jorge Schwerz é Coronel Aviador da Reserva da Força Aérea Brasileira; Mestre em Ciências pelo ITA; ex-Adido de Defesa e Aeronáutica na França e Bélgica; e Coordenador do Blog Ao Bom Combate!

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 24 Dezembro 2020

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

 

É NATAL

Ainda que não sejam poucos nem pequenos os problemas e resistências que não deixam o Brasil ser um PAÍS MELHOR RESOLVIDO ECONOMICA E SOCIALMENTE, quando acende a luz que sinaliza a chegada do Natal as datas de 24 e 25 de dezembro nos levam, automaticamente, a fazer a tradicional TRÉGUA NATALINA.  

 

CONFRATERNIZAÇÃO ENTRE SOLDADOS

Pois, quando o tema é TRÉGUA DE NATAL, o que sempre me vem à lembrança como forma de definição correta do que realmente significa uma TRÉGUA é o filme que assisti muito anos atrás, o qual mostra cenas que aconteceram na região de Ypres, Bélgica, em 1914, durante a 1ª Guerra Mundial, quando soldados alemães e ingleses, por livre vontade, resolveram fazer UM CESSAR-FOGO durante a semana de Natal. Mais: entre tantas comemorações, até uma partida de futebol foi realizada entre os soldados de ambos os países na chamada TERRA DE NINGUÉM, ou seja, na área localizada entre as trincheiras.

 

O STF NÃO MERECE TRÉGUA

Ora, se até uma confraternização entre combatentes já aconteceu durante um período de Natal, isto já seria o bastante para que me dispusesse, também, a conceder uma TRÉGUA neste 24 de dezembro. Entretanto, diante de tantas maldades cometidas pelos péssimos ministros do STF, a minha TRÉGUA NATALINA está declaradamente limitada. Mais: estou convencido de que nem os soldados alemães e ingleses seriam capazes de propor ou realizar uma TRÉGUA NATALINA caso estivessem enfrentando os injustos ministros da nossa Suprema Corte. 

 

FIOCRUZ

Aliás, para mostrar ao mundo todo o elevado índice de maldade dos ocupantes do STF e do STJ, nesta semana de Natal as duas instituições acionaram a Fiocruz para acertar a RESERVA DE VACINAS para 7 mil pessoas, incluindo ministros e servidores.

Como se vê, o que menos existe nesta demanda é a SURPRESA. Ao contrário, o que imperou, como sempre, foi a mais absoluta coerência, ou seja, tudo que é decidido pelos ministros do STF não é para comemorar, mas para lamentar.

 

MASOQUISMO

Portanto, considerando que TRÉGUA significa, DAR UM TEMPO, ESQUECER POR UM MOMENTO O QUE SE PASSOU, quando tomo conhecimento de cada uma das péssimas atitudes dos 11 ministros do STF vejo que dar TRÉGUA a essa gente é como praticar o que existe de mais cruel no MASOQUISMO.    

 

FELIZ NATAL!

Felizmente, no saudável universo que desfruto entre os leitores e anunciantes do PontoCritico não há razão para TRÉGUA, mas para muita comemoração e troca de mensagens sinceras. Assim,  embriagado por esta saudável atmosfera a mensagem que entendo mais adequada está contida na letra da música da cantora Simone - ENTÃO É NATAL!- , que diz assim:  

Então é natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Então é natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem souber o que é o bem.

Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho pra paz afinal.
Então bom Natal e um Ano Novo também.
Que seja feliz quem souber o que é o bem.

 

Continue lendo
  • Alex Pipkin, PhD
  • 22 Dezembro 2020


Sou um liberal e, distintamente de anarco-capitalistas e de marxistas históricos, não sou ingênuo e imprudente o bastante para negar a necessidade do Estado. Penso que verdadeiramente o indivíduo, no que tange a sua liberdade, desabrocha com o próprio surgimento da figura do Estado.

Basta pensar no aparato jurídico estatal (aquele que funciona!) para compreender que sem a garantia de suas liberdades individuais, por exemplo, da própria vida e de sua propriedade, o ser humano não é e nem pode ser livre. Pense na prestação de bens públicos para um determinado contexto social, tais como segurança, saúde e educação, prioridades do foco estatal.

Bens públicos têm duas características que os definem: são não-excludentes de outros indivíduos e não-rivais, ou seja, não impedem que outras pessoas os utilizem.

Evidente que alguns bens públicos podem ser tanto produzidos e/ou ofertados pelo mercado, enquanto que outros não.

Portanto, a fim de se obter uma vida individual e na coletividade de forma plena, orientada para o genuíno bem comum, embora não o tenha assinado, assumo minha parte no grande contrato social da convivência salutar em sociedade.

Dentro de uma lógica racional, precisamos do Estado Necessário, que obviamente tem gastos que devem ser financiados pelos impostos arrecadados dos indivíduos-contribuintes.


Se tivéssemos este Estado Necessário operando de forma eficiente, resignar-me-ia tranquilamente a esta coerção estatal. O grande dilema é que o Estado brasileiro é factualmente mastodôntico e parasitário.

Como conviver num ambiente de generalizada ineficiência e corrupção estatal, que simplesmente reage a sua inoperância repassando a conta aos cidadãos por meio de uma arrecadação escorchante?

Ninguém aguenta mais ter seu suor saqueado por burocratas despreparados, que não estão dispostos a arredar um milímetro de seus privilégios e benesses, essas legais, embora completamente imorais.

Sempre que penso nesta problemática, vêm-me à cabeça o grande economista liberal Frédéric Bastiat. Como dizia ele, muita gente parece estar acometida de uma espécie de miopia, só vendo o que se vê, não enxergando o que não se vê.

Neste sentido, como não indignar-nos frente ao descalabro de um aumento de impostos, quando castas instaladas em empresas estatais e autarquias, por exemplo, gozam de altos salários e benefícios absurdamente desproporcionais àqueles com funções similares na iniciativa privada?

O que se vê é o destino que o Estado dá aos impostos recolhidos, mas não se vê o destino que os contribuintes dariam a tais recursos, e com os quais nada podem fazer.

Num contexto de altíssimo desemprego, muitas pessoas não possuem recursos, inclusive para comer, e ainda assim são coagidas a continuarem sustentando estruturas públicas ineficientes, caras e absolutamente imorais.
Vejam a educação. O que se vê é que parcela dos impostos das pessoas é direcionada para a educação pública. Evidente que investimentos em educação têm enormes repercussões positivas para a sociedade, porém e certamente não a que aí está.

Aliás, serviços de educação também podem ser fornecidos por empresas privadas.

Não há como ficar inerte, tipo sapo fervido, quando parte do meu trabalho vem sendo usado em universidades públicas para formar militantes partidários, ao invés de seres pensantes e de profissionais competentes para inovarem e melhor resolverem as questões circunstanciais e estratégicas da vida em sociedade.

Não creio que haja contribuição factual para a sociedade, com investigações de temas da espécie de “roteiros sexuais de transexuais e travestis”... pois é!

O que não se vê, é que o contribuinte paga por tal ineficiência, pela total prodigalidade com o recurso público!

O sofisma que combato frente a esse tipo de contrassenso, é o fato de que outros temas de impacto e relevância deixam de ser aprofundados, além do que com o recurso que foi retirado do indivíduo-contribuinte, ele próprio poderia financiar o estudo de seus filhos e/ou utilizá-los de acordo com seus próprios interesses pessoais.

A educação brasileira, acho eu, é a área que exige uma mudança transformacional urgente em toda a sua estrutura, nos currículos e nos conteúdos ministrados, objetivamente, se quisermos alcançar politicas inovadoras e geradoras de progresso e lógico desenvolvimento econômico e social no amanhã.

O Brasil não precisa ficar rico para dar um salto de qualidade na educação, mas só deixará de ser o eterno país de renda-média baixa, caso consiga transformar positivamente suas políticas educacionais. A própria - e genuína - liberdade individual repousa em uma educação de qualidade!
Não, não nos deixemos seduzir pelo efeito pseudo igualitário na educação, e em outras áreas estatais absolutamente ineficientes, e que são financiadas por meio dos nossos impostos.

Não, ninguém suporta mais impostos, especialmente sem as devidas contrapartidas em termos de serviços eficientes e de qualidade.
Ironicamente, só mesmo com educação superior é que passaremos a enxergar as consequências.

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 17 Dezembro 2020

 

ANALFABETISMO MATEMÁTICO

Partindo da inquestionável aferição obtida através dos mais variados levantamentos feitos e refeitos por todos os institutos de pesquisa, de que os brasileiros em geral simplesmente ODEIAM A MATEMÁTICA, isto prova o quanto é imenso o grau de ANALFABETISMO FUNCIONAL MATEMÁTICO que reina no nosso país, que se traduz pela incapacidade de mobilizar conhecimentos associados à quantificação, à ordenação, à orientação e também sobre suas relações, operações e representações, aplicados à resolução de problemas similares àqueles com os quais a maior parte da população brasileira se depara cotidianamente, como bem diz a pesquisadora Renata Soares de Andrade Timótio.

 

PERDA DE TEMPO

Esta triste realidade, por óbvio, faz com que o interesse do povo brasileiro, e, por lamentável consequência, principalmente daqueles que são eleitos para tomar decisões em nome de todos, pela leitura de RELATÓRIOS ECONÔMICOS seja praticamente NULO. Até porque seria uma grande perda de tempo pedir que ANALFABETOS EM MATEMÁTICA procurassem ler aquilo que jamais seriam capazes de compreender.

 

CLUBE DOS RICOS

Pois, mesmo assim, embora já venha dizendo e escrevendo de forma insistente sobre quase tudo que está posto no RELATÓRIO da OCDE -Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico-, sugiro que leiam as RECOMENDAÇÕES que a Organização faz para o nosso Brasil. Só para lembrar, a OCDE, que o Brasil almeja ingressar, reúne 36 países (clube dos ricos) cujos membros precisam estar firmemente enquadrados em determinados padrões nos campos econômico, financeiro, comercial, social e ambiental.

 

RECOMENDAÇÕES

Pois, no relatório sobre o Brasil, divulgado ontem, 16, a OCDE faz algumas RECOMENDAÇÕES, como:  -Melhorar as POLÍTICAS MACROECONÔMICAS, a GOVERNANÇA e a PROTEÇÃO SOCIAL; MANTER as TAXAS DE JUROS BAIXAS “até que as pressões inflacionárias se tornem claramente visíveis”; dar AUTONOMIA ORÇAMENTÁRIA AO BANCO CENTRAL, assim como MANDATOS COM TEMPO DETERMINADO ao presidente e seus diretores; MANTER o TETO DE GASTOS com o propósito de garantir a sustentabilidade fiscal; REVISÃO DAS ESTRUTURAS DE REMUNERAÇÃO dos SERVIDORES PÚBLICOS, dos SUBSÍDIOS INEFICAZES, DOS REGIMES FISCAIS ESPECIAIS E DOS GASTOS TRIBUTÁRIOS- para poder FORTALECER as CONTAS PÚBLICAS.  

 

SÍNTESE

Mais: na boa síntese feita pelo Valor Investe, a OCDE SUGERE:

- A criação de uma base legal para a execução de sentenças a partir da SEGUNDA INSTÂNCIA de recurso ou limitar o número de recursos, inclusive para o STF e implementar uma lei específica de proteção a denunciantes. Para combater a insegurança jurídica, a recomendação é garantir o alinhamento das decisões judiciais com as decisões de precedência dos tribunais superiores. Isso poderia ser estimulado com a vinculação das promoções e salários dos juízes ao cumprimento dessas regras.

- Para acelerar a abertura de empresas, a OCDE recomenda adotar a regra “silêncio significa consentimento” e criar janelas únicas para todos os pedidos de licenças, sempre que possível. Sugere também que seja intensificada a ABERTURA COMERCIAL, com a redução de barreiras tarifárias e não tarifárias, a começar pelos bens de capital e insumos intermediários.

- No campo tributário, a RECOMENDAÇÃO é consolidar os impostos sobre o consumo em um único imposto sobre valor agregado. Com diferentes estratégias, esse é o objetivo perseguido pelo Congresso Nacional e pelo Poder Executivo em suas propostas de reforma tributária.

- Revisão de subsídios e isenções fiscais, que correspondem a 5% do PIB, e a REFORMA ADMINISTRATIVA, uma vez que o Brasil gasta mais com o funcionalismo do que o padrão internacional.

- REVER o ambiente de negócios. Uma empresa média brasileira gasta 1.500 horas para pagar impostos, ante 159 horas da média da OCDE.

- O governo deve continuar com avanços em sua agenda de reformas estruturais. Deve promover a concorrência e reduzir cargas regulatórias e complexidade fiscal.

Pelas estimativas da OCDE, as REFORMAS poderiam ELEVAR O CRESCIMENTO MÉDIO ANUAL em 0,9 ponto percentual.

Continue lendo
  • Sérgio Mello
  • 17 Dezembro 2020


 

O rótulo de "teórico da conspiração" é um dos instrumentos bélicos mais usados e mais eficazes no combate ao inimigo na guerra cultural. Para entrar nesta guerra e passar a ser rotulado é muito fácil. Basta dizer que você é contra as drogas e contra o aborto que já estará nela inserido. Um exemplo bem simples, embora a disputa pelo pensamento alheio não se resuma à saúde pública ou ao corpo feminino. 

O rotulado é sempre visto como um maluco pregador de profecias, um idealizador do passado, um fanático, um paranoico, um religioso que não quer a dita evolução social. Enquanto isso, o rotulador é o portador dos bons antecedentes, o titular da moral hodierna e evoluída; suas ideias são sempre as melhores. Ele acredita ser um hegeliano de primeira. Numa acepção essencial da teoria dialética de Hegel, a história da frente é sempre a evolução de bons e maus pensamentos rivais do passado.

Essa desqualificação é utilizada para evitar a resistência a novas ideias evoluídas da modernidade ou pós-modernidade. A intenção é desviar a atenção do verdadeiro foco do debate e fugir do enfrentamento de uma realidade sensível trazida pelo rotulado para um quadrante de escarnecedores. Os sofistas fariam melhor, já que jamais se recusariam a debater intensamente. É o abandono da inteligência, da razão, do pensar livre e democrático, em nome de supostas verdades consensuais ou contemporâneas. 

O pensamento é aviltado em nome de sensações românticas que ladeiam a razão humana. As melhores decisões são as pragmáticas, aquelas que resolvem tudo na hora e sem perder muito tempo. Afinal, o mundo anda rápido e precisamos acompanhar esse "trem bala". 

As repetições são usuais em detrimento do pensamento criativo. É uma espécie de barbarismo intelectual que invadiu sorrateiramente as mentes e os corações humanos a partir de um certo momento na história. Mario Ferreira dos Santos nos diz que estamos hoje no maior caos aporético já visto, com a caricaturização da pessoa inteligente e a coroação do "pensador" malandro (em Invasão vertical dos bárbaros).

O tal do "inimigo das verdades consensuais" modernas tem as suas próprias verdades e quer expô-las contra aquilo que Theodore Dalrymple também combate: a frivolidade do mal. O pensamento do rotulado é voltado para o futuro. A sua "conspiração" nada mais é do que história e filosofia pura e autêntica.

Evitar a degradação cultural, a desumanização humana. Esse é o intento dos tais "conspiradores". 

 

Continue lendo