• Samir Keedi
  • 10 Março 2021

 

Samir Keedi

O que temos visto no país, nos últimos anos, em especial desde 2019, é simplesmente aterrador, inacreditável, irresponsável. Acontecimentos únicos em nossa história. Está certo que não temos uma bela história republicana.

 Mas, deveríamos ter algo compatível com a beleza física do país. E que se assemelhe com as condições naturais do Brasil. Que, como já temos dito e escrito, é inigualável, com tudo que temos. Com todas as condições de ser o melhor país do mundo, de todos os tempos.

 Podemos dizer que o país enlouqueceu, literalmente. E ficamos em dúvidas em classificar quem enlouqueceu mais. Quem comandou este enlouquecimento. Nossos políticos? O Congresso? Nosso "Judasciário"? Governadores e prefeitos? A extrema imprensa, que não existe mais no país? Ou foi o povo?

 Provavelmente ter-se-á as mais diversas opiniões sobre esse assunto. E, naturalmente, até, que quem enlouqueceu foi este colunista por não ver a maravilha de país que temos tido com as Instituições subvertidas.

 A pandemia do Coronavirus uniu todos os habitantes de cada país no mundo para a luta contra a Covid 19. E no Brasil, todos sabem. Todos também se uniram. Mas, claro, contra a vida, contra a economia, que é mais vida que qualquer outra coisa. Tudo pela boa saúde do Coronavirus e pela Covid 19.

 Quando se vê quantos recursos foram destinados à doença, para governadores e prefeitos, para a melhoria da situação, todos sabem o que tivemos. Compras de respiradores por preços várias vezes maiores que o real. Grandes diferenças entre os estados. E nem todos foram entregues. Só para falar sobre eles. E, dinheiro desnecessário ser dado pela União, considerando que temos a maior carga tributária do planeta em termos relativos.

 A montagem de hospitais de campanha, e seu desmonte prematuro, com gastos de recursos suficientes para construir hospitais. Afora hospitais abandonados, não inaugurados, com equipamentos comprados e se perdendo.

 A conclusão que se tira disso é óbvia e simples. Tudo contra a vida e pela destruição do país. O que se fez pelos governos de 1995 a 2018 não foi suficiente. É preciso agora, pela doença, terminar o trabalho.

 Ninguém mais duvida disso. Tudo pelo poder. Para destruir o único governo honesto que temos em décadas. E pelo que jamais deu certo no mundo. Por isso que sempre dissemos, se Marx nunca tivesse nascido, o mundo não seria perfeito, mas, infinitamente melhor.

 Certamente ninguém duvida do que está em andamento. É só ver a politicagem que se tem realizado. Não há uma só atitude que combine com a ciência e a vida. Nenhuma.

 A vida não é só doença. É também trabalho, negócio, ganho, alimentação. O restante nem é preciso mencionar. Numa palavra, dignidade.

 E o que fazem pelo poder é simples. Se o vírus gosta de aglomeração, ótimo, reduzir o tempo de funcionamento de shoppings Centers é excelente medida. Igualmente de restaurantes, tempo reduzido, igual aglomeração. E viva o vírus.

 Aglomeração ajuda a matar? Então vamos reduzir a quantidade de ônibus. Não vamos aumentar a quantidade de trens e metrôs. Faça-se rodízio suplementar de veículos. Reduzam o horário dos bancos, assim provoca-se aglomeração. Estender o horário de todos os estabelecimentos e dos bancos é ser contra o vírus. Não pode, coitado.

 Com o comércio fechado, não se trabalha, a dependência aumenta. Quebremos todos os negócios do país, ou a maioria. O domínio fica fácil, na palma da mão.

 Vamos fechar os parques e as praias, onde se tem ar abundante. Vamos encarcerar todos em casa, assim, respiram ar viciado. Misturamos jovens com idosos, e fica perfeito.

 É a luta contra a ciência e a vida. Este país é único no planeta. Aliás, corroborando o que nossos amigos, conhecidos, alunos, nos vêem escrever e falar sempre, que este país não faz parte da Via Láctea.

 Mas, quem terá mesmo enlouquecido? Os que disseram este escritor acertaram. Não sozinho obviamente. Com todo o povo.

 212 milhões de brasileiros enlouqueceram. Na realidade um pouco menos, tirando-se algumas dezenas de milhares de políticos, julgadores, imprensa sem cérebro, etc.

 Sim, exatamente isso. Quem enlouqueceu fomos nós. E que ninguém duvide. Pare, pense, faça uma reflexão sobre tudo que aconteceu neste país de 1995 a 2018. E, de 2019 até 2021.

 O país está quebrado, não tem dinheiro para nada. Uma dívida interna da União absolutamente impagável, de 94% do produto interno bruto - PIB. E com o governo federal, mesmo afastado de quase tudo pelo judasciário, em que não tem mais como governar, sendo determinado a pagar tudo, sem dinheiro para nada, e com a dívida crescendo.

 Povo, um recadinho. Não reclamemos da nossa situação daqui 5-10 anos, se estamos concordando com tudo.

 Mas, agora temos um alento, e devemos continuar acreditando no brasileiro. O ministro Fachin acaba de nos dar uma grande esperança, revoltando os brasileiros de bem, anulando todas as sentenças contra o ex-presidente que ajudou a deixar a vida de cada um como está. Pense nisso! Judiciário, continue nos ajudando, nos revoltando.

Samir Keedi - ske consultoria ltda

 

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  • Harley Wanzeller
  • 09 Março 2021

 

Harley Wanzeller

  

Ó pátria amada, idolatrada 

Vilipendiada 

Atacada por matilhas famintas

À caça de presas dóceis e inúteis

Acéfalas e entorpecidas

Que logo perdem a doçura 

Ganham utilidade pelo toque suave das mãos de Midas 

E se juntam ao promíscuo banquete dourado da corrupção.

 

Ó pátria amada, idolatrada

Saqueada

Assaltada pela ignorância do próprio povo

Que enaltece a vigarice de analfabetos fúteis 

E despreza a genialidade de cultos e letrados 

Que difama da polícia aos magistrados

Só para ver livre o "Barrabás"

Enquanto jaz em casa um trabalhador de bem

Trancafiado como animal em jaula

Vendendo a liberdade para comprar a "paz".

 

Ó pátria amada, idolatrada

Tripudiada 

Com o lábaro manchado de vermelho sangue

Tingido pelas feridas abertas do teu povo sofrido

Enganado

Estuprado por covardes cegos e pútridos

Imundos abutres que retiram o pão do faminto

O cobertor do desvalido

A dignidade do cidadão, tratado como cão

Acaso pertencem à espécie daquela matilha?

Claro que não!

 

São pessoas de bem 

Enganadas pelo estômago e pelas telas coloridas 

Pelos pagodes e modinhas

Simulacros das "rodinhas de playboys"

Sonhos de consumo de pobres coitados

Só lhes restam as dores das feridas e dos calos

Melhor a anestesia do fim de semana

"Garçon, desce mais uma pra afogar a mágoa, porque hoje é domingo!"

Eis, então, que a matilha comemora a segunda!

Tudo como dantes

"Viva" nossa democracia! 

A sangria continua...

 

Semana da Pátria, 7 de setembro de 2017

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 09 Março 2021

 

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

REGISTRO

Antes de tudo um registro: da mesma forma como uma enorme parcela da população brasileira confesso que fiquei fortemente ABALADO, ainda que nada surpreso, com a decisão MONOCRÁTICA proferida pelo ideológico ministro-petista do STF, Edson Facchin, que tornou INVÁLIDO todo o processo de julgamento do ex-presidente Lula, tido e havido, com provas exuberantes, como BANDIDO NÚMERO 1 do nosso empobrecido Brasil.

 DESISTIR, JAMAIS

Feito o REGISTRO, o que cabe agora aos brasileiros que nunca desistem dos ideais de DECÊNCIA, ÉTICA e JUSTIÇA, é buscar FORÇAS para poder suportar os constantes e terríveis reveses que são proporcionados a todo momento pelos ideológicos ministros do STF. Não temos outra opção, meus caros seguidores, além de continuar lutando por dias e situações melhores para o nosso Brasil. Portanto, por mais ABALADOS E REVOLTADOS que estejamos, com total razão, jamais podemos pensar em entregar os pontos.  

 COMPETÊNCIA E MÉRITO

A rigor, ainda que soe como um certo consolo temporário, vale lembrar que o BANDIDO LULA, por ora, não foi INOCENTADO de seus inúmeros e terríveis CRIMES, ainda que seja esta a clara INTENÇÃO do ministro-petista Edson Facchin. O que realmente aconteceu, coisa que diminui nem um pouco a INDIGNAÇÃO E A REVOLTA com a decisão tomada pelo ministro canhoto, foi a ANULAÇÃO no que diz respeito à COMPETÊNCIA PROCESSUAL. Ou seja, a esperta decisão não atinge o MÉRITO, pois admite que todo o processo, se alguém tiver estômago para tanto, pode ser reiniciado da estaca ZERO. Que tal?  

  JUÍZES, DESEMBARGADORES E MINISTROS HUMILHADOS

O que mais preocupa é que desta vez todas as INSTÂNCIAS, exceto a última (que decide tudo ao seu bel prazer e não ao que manda a lei), foram ostensivamente HUMILHADAS, DESCONSIDERADAS e tornadas INCOMPETENTES perante a opinião pública, quer dos entendidos em leis quer dos que querem e defendem um mínimo de JUSTÇA. O ministro-petista Facchin deixou muito claro que os juízes da PRIMEIRA INSTÂNCIA são imbecis; os desembargadores da SEGUNDA INSTÂNCIA, idem; e os ministros do STJ, que ocupam a TERCEIRA INSTÂNCIA nada sabem de JUSTIÇA E MUITO MENOS DE LEIS.  Pode?   

O QUE PODE SER FEITO

Como a encrenca parece nunca ter fim, pois tudo que é decido pela Corte Suprema depende da lua, dos mares, dos planetas e, principalmente, daquilo que José Dirceu manda, o que pode ser feito, pela via democrática, é: 1- o uso do artigo 142 da Constituição Federal; ou, 2-  a aprovação, no Senado, da PEC DA BENGALA, reduzindo a idade de aposentadoria compulsória, que no meu entender deveria ser de 40 ANOS e não 70, como muitos querem. E mesmo assim é preciso definir critérios para nomeação daqueles que vão compor o STF, pois as últimas escolhas ATESTAM que os ocupantes não tem apreço por JUSTIÇA.  

 VOCÊ DECIDE!

Ah, para concluir, nunca devemos esquecer que entre os presidenciáveis para as eleições do próximo ano, 2022, só existem duas forças: BOLSONARO E LULA. Ainda que Lula não queira se candidatar, o que é pouco provável, ele vai fazer de tudo para ajudar seu escolhido a vencer o pleito. Isto significa, claramente, que quem não gosta da FORMA como Bolsonaro trata dos mais variados temas, não tem outra escolha senão ele ou Lula (ou quem ele vai indicar). De novo: a CRISE DE LIDERANÇAS nos obriga a entender que só temos apenas estas duas alternativas. Você decide! 

 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 08 Março 2021

Alex Pipkin, PhD

Parem o carro, o avião, o trem, o navio, seja lá o que for, porque eu quero descer!

Esse mundo “inteligente e igualitário”, retratado nas telinhas da Netflix, não é somente risível e burlesco, mas é sobretudo mentiroso.

Eu diria mais, perigoso. Tudo que tenho visto ultimamente, parece nos empurrar para uma escolha inevitável, quase como aquela travada entre o bem e o mal.

O bem é o mundo de Alice, nas maravilhas de um paraíso sem as amarras opressoras, da justiça social e do coletivismo, evidentemente, que com o insuflamento do Estado.

Preciso falar do mal? Ora bolas, a tradição, os costumes, a religião, os valores virtuosos que sobreviveram ao teste dos tempos, enfim, os valores civilizacionais judaico-cristãos.

Desculpem-me, mas muitos amigos escandalizados, recomendaram-me assistir “O Dilema das Redes”, classificando-o como espetacular e fidedigno.

Minha opinião, após assisti-lo: todo o filme é manipulado por meio de uma única visão compartilhada - sem nenhum contraditório - para justificar que somos controlados e aprisionados pelas redes sociais.

Evidente que não é assim; eu tenho minha agência, e teria várias perguntas sobre o que ali é mostrado como uma verdade incontestável.

Dilema implica na necessidade de escolha entre duas posições que são contraditórias. Neste documentário, como ele é apresentado, não me parece que haja dilema algum, há genuinamente uma única visão!

Bem, ontem assisti “Mary Queen of Scots” (2018).

Logo no início do filme, quase pulei do sofá.

A rainha Mary pode ter sido excepcional, uma mulher de fibra e tolerante, mas historicamente como o filme a retrata, é algo digo de uma legítima piada. Sim, claro, a força e a personalidade da mulher...

A visão “progressista” desse filme é uma piada histórica.

Colocar atores negros e asiáticos na corte do século XVI é um assassinato da verdade, grotesco.

Mary é apresentada como uma mulher extremamente tolerante, inclusive em relação a religião. Era católica, e é óbvio que naquele tempo e pelas circunstâncias vividas, ela não teria nenhuma condição de impor qualquer coisa.

A certeza histórica de liberdade sexual vivenciada na corte de Mary, imagino que só possa ser certeira nas mãos de cineastas do beautiful people.

Relações homossexuais existem desde que o mundo é mundo, mas no século XVI, até pelos tabus impostos pela igreja, duvido muito que fosse possível à liberdade na corte que o filme quer fazer crer.

Está mesmo magnífico assistir toda essa criatividade da turma progressista, com suas mentiras românticas e suas verdades romanescas.

Acho e espero que eles deem uma baixada de bola.

A mentira tem pernas curtas, e eles não vão continuar andando com elas...

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  • Valterlucio Bessa Campelo
  • 06 Março 2021

 

Valterlucio Bessa Campelo

"O melhor método para expulsar um demônio, se ele não ceder aos textos das Escrituras, é ridicularizá-lo, zombar dele, pois ele não suporta o escárnio." LUTERO

Em 1942, C. S. Lewis (Clive Staples Lewis), ex-ateu convertido ao cristianismo em 1929 aos 31 anos, publicou o livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, em que Fitafuso, o protagonista, educa seu sobrinho Vermebile na arte de iludir e tentar as pessoas no sentido contrário ao cristianismo. Hoje em dia, certamente o autor é mais conhecido pela obra “O leão, a feiticeira e o guarda-roupas”, transformada há alguns anos em filme de sucesso estrondoso sob o título “As crônicas de Narnia”. Mesmo assim, as “Cartas” são fonte permanente de estudo e oferece uma leitura excepcional, repleta de sarcasmos em estilo que saltam do divertido para o profundo. Pensando sobre o momento que vivemos, lembrei do livro e, ao relê-lo, encontrei logo na primeira carta o que procurava. Vejamos no trecho abaixo, um alerta do diabo ao aprendiz.

“Parece que você vê a argumentação como o melhor método para mantê-lo afastado das garras do Inimigo. Talvez fosse esse o caso se ele tivesse vivido alguns séculos atrás. Naquela época, os humanos sabiam muito bem quando algo era provado logicamente ou não; em caso afirmativo, simplesmente acreditavam. Ainda não dissociavam seus pensamentos de suas ações. Estavam dispostos a mudar o modo como viviam a partir das conclusões tiradas de uma certa cadeia de raciocínio. Mas, com a imprensa semanal e outras armas semelhantes, conseguimos alterar tudo isso. O seu paciente sempre foi acostumado, desde criança, a ter uma dezena de filosofias incompatíveis dentro de sua cabeça. Ele não classifica doutrinas basicamente como ‘verdadeiras’ ou a ‘falsas’, e sim como ‘acadêmicas’ ou ‘praticas’, ‘antiquadas’ ou ‘contemporâneas’, ‘convencionais’ ou ‘cruéis’. O jargão, e não a argumentação, é o seu melhor aliado para afastá-lo da Igreja. Não desperdice seu tempo tentando fazê-lo pensar que o materialismo é verdadeiro. Faça-o pensar que é algo sólido, ou óbvio, ou audaz - enfim, que é a filosofia do futuro. É com esse tipo de coisa que ele se importa”.

Eis o ponto. Se fosse usual na época, seguramente Lewis teria empregado a palavra “narrativa” para sintetizar aquilo que Vermebile, o aprendiz, teria que dominar para atrair pro lado diabólico o seu paciente. Não é exatamente a superficialidade do raciocínio o que estamos assistindo no dia a dia? Quem se importa, principalmente entre os jovens, com a argumentação mesma que envolve qualquer teoria? Doutrinados por ideias contaminadas pela contemporaneidade rasa, pela fluidez de conceitos, pela subversão da lógica e pela ruptura com tudo que signifique tradição, o novo homem, como se influenciado por Vermebile não perde tempo com o aprofundamento de coisa nenhuma.

A geração “lacradora” aceita a “lacração” como fim de papo e o “cancelamento” como expulsão da contradita incômoda do território dialético. O tal “lugar de fala”, essa invenção fascista e torpe, limitou a liberdade do indivíduo que, se não pode se expressar, não tem motivos para pensar. Isso sem um segundo de reflexão, levada pela onda de bolhas, “tribos” e grupos identitários de toda espécie, que dominam a cena. Em decorrência, o debate fica tão consistente quanto as discussões do BBB que, aliás, apenas replicam as plenárias das universidades. Reduz-se as transformações sociais mais profundas a qualquer ideia que, mesmo de modo epidérmico, dê impulso ao progressismo globalista. Então, pelo menos aparentemente, o que verdadeiramente é submerge, dando lugar ao que mesmo não sendo se estabelece como se fosse. Vivemos, portanto, um mundo de mentiras e autoritarismo.

Veja-se na obra de C. S. Lewis que em seu aconselhamento ao sobrinho, o diabo já identifica como aliado a “imprensa semanal e outras armas semelhantes”. Alguma surpresa em relação ao que estamos vivendo? Os meios de comunicação de massa, não apenas no Brasil, estão a serviço permanente de uma transformação que, sem investigar as raízes dos problemas, sem considerar o pensamento médio da sociedade, afirma uma falsa ordem, incluindo neste processo a religião cristã em todas as suas formas. O anticristianismo atual é tão patente que o próprio Papa só aparece para emitir mensagens quando são de concessão ao “politicamente correto”. Neste ponto, é legítimo especular se o mesmo não estaria colaborando de boa vontade para o esquecimento da cultura tradicional e da própria religião.

Também pode-se perguntar a que se referia Fitafuso quando citou as “armas semelhantes” à imprensa, no conjunto de aliados do diabo na tarefa de retirar o homem do seu caminho cristão e da compreensão das coisas. Provavelmente tinha em vista os livros e teorias com as quais se debatia na época, mas, estivesse escrevendo em 2021, Lewis diria pelo diabo, com todas as letras, que Facebook, Twitter, Whatsapp, Instagram etc., atuam no mesmíssimo sentido de destruição da fé em Deus e da religião pelo selo ameaçador que possui sobre a liberdade de expressão. Vozes discordantes são canceladas, nenhuma oposição é permitida. Alguém garante que os textos bíblicos seriam publicados sem restrições em uma dessas plataformas? Sua excelência, o algoritmo, permitiria?

O forçamento e limitação da comunicação global às plataformas big tech’s atende plenamente outro conselho do diabo ao sobrinho. Disse o Fitafuso em certo trecho do livro que “o problema da argumentação é que ela leva a batalha para o campo do Inimigo. Ele também pode argumentar”. Com isso, o diabo requer um território no qual seja imbatível, um no qual o argumento não tenha espaço. Lembrou o “lugar de fala”? É um bom exemplo. Quando, em qualquer circunstância, ele for negado, estará em curso uma manifestação diabólica – de impedimento do argumento, nos termos de C. S. Lewis. O domínio da linguagem, ao modo sugerido pelo diabo distribui termos que dispensam qualquer elaboração acerca do seu significado. Outro exemplo é o “negacionismo”. Esta palavra, antes associada quase exclusivamente ao holocausto promovido pelo nazismo, foi primeiramente capturada pelos aquecimentistas climáticos e, agora, aproveitada pela “covideiros”, para interditarem um justo debate acerca de argumentos que podem ser tão somente carregados de ceticismo, de prudência, ou pertencerem ao senso comum.

Ouso dizer, em vista das transformações em curso, e da evidente subordinação humana a condições e regramentos dos quais não participa a não ser como plateia obediente, sem que possa pensar, expressar, agir e cumprir seu destino livremente, que este é um bom momento para levar a sério as “cartas do diabo”. Quem sabe, cada um de nós, que enxergamos o missivista, deva elaborar e realizar respostas à altura e, se possível, ridicularizá-lo, como recomendou Lutero.

*Conteúdo enviado pelo autor a Conservadores e Liberais.

Valterlucio Bessa Campelo escreve contos e opiniões em seu BLOG

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  • Gustavo Corção
  • 05 Março 2021

Gustavo Corção

A idéia de pátria e a correlata de patriotismo vêm sendo sabotadas, há séculos, pelas correntes históricas que nas últimas décadas formam o enorme estuário de equívocos que constituem o néctar, o uísque escocês dos “intelectuais” das chamadas esquerdas. A corrente anarco-socialista, bem como a marxista, sempre anunciaram em canto e prosa a Internacional, sem nunca suspeitarem que deste modo pretendiam combater uma exigência da alma humana tão profunda como a de querer constituir família.

 À primeira vista, e numa análise sem vigor, parece que o amor da pátria exclui o resto da humanidade e assim se opõe ao mandamento de Deus. Na verdade, todo amor exclusivo será egoísta e defeituoso, já que o próprio do amor, ainda que inclua as mais densas dileções, é ser difusivo. E se não for difusivo não é amor; será quando muito egoísmo ou amor próprio. 

 Vejamos como se entende, dentro do imperativo de universalidade, o bom fundamento do amor da Pátria. É sabido que nenhum homem esgota em sua vida e com suas aptidões todas as virtualidades da alma humana. Para bem manifestar toda a grandeza e toda a beleza da alma humana, em todas as suas possibilidades, foi preciso que os homens se multiplicassem e se diversificassem. A perfeição do homem se vê na humanidade desdobrada. Mas não basta essa multiplicação. Para bem exibir diante do universo e das galerias angélicas toda a riqueza do animal-racional, ou da alma feita à imagem e semelhança de Deus, foi preciso ainda recorrer ao curso da história e ao contraponto das civilizações. E além dos desdobramentos e dos alongamentos individuais, foi preciso diferenciar os agrupamentos humanos em tipo, com línguas, costumes e cultura diversificados.

 E este é o fundamento natural da pátria.

 Faz parte da grande e inebriante aventura humana esse tipo de experiência que consiste em viver, num dado território e ao longo de uma história, uma vocação comum, uma cultura comum, que se exprime não apenas pela língua comum mas por todo o jogo de símbolos, de significações multiplicadas que resultam das alegrias comuns e dos sofrimentos comuns expressos na profundidade das almas por sinais comuns.

 Quando eu penso com simplicidade no objeto do amor pátrio, eu penso numa grande comunidade que acabou de chegar na ponta de uma grande história e que acampou, se instalou numa imensa geografia. Tudo isso me envolve numa cercadura enorme, e tudo isso nos diz que somos portadores duma vocação, de uma parte, de uma tarefa na grande aventura humana. Toda essa cercadura, esse envoltório humano, cultural, sociológico, histórico, geográfico é um campo de forças que nos penetra, e que se cruza dentro de nós, e nos faz o que somos, o que sentimos e amamos. Curioso processo psicológico que sempre se repete para as coisas mais amplas e mais próximas. Nossos envoltórios, a família, o bairro, a pátria, são obras emanadas de nossas almas, e são elas que refluem e modelam nossas almas. Há por fora de nós um enorme Brasil exterior; há dentro de nós um Brasil interior de sentimentos e de virtudes que devem ser cultivadas e apuradas para que o Brasil exterior seja melhor e mais Brasil, e mais e melhor para formar as almas de seus filhos.

Precisamos cultivar essa piedade, esse respeito pelo grande quinhão que nos coube na prodigiosa aventura do gênero humano, não para nos excluirmos e nos fecharmos, mas para que nosso amor pátrio seja difusivo e se transforme em amor universal. Precisamos sentir e agir como se o mapa-mundi a cosmografia e a história fossem inconcebíveis sem a nossa presença.

 Não há nenhum espasmo de eloqüência convencional nem sombra de orgulho nesse reconhecimento de nosso valor: haverá até um ato de humildade acompanhado de um sentimento de responsabilidade. Aprendi essa lição do valor de cada ser dentro da Criação com um pobre cego, a quem uma senhora bondosa queria confortar e de quem lamentava a triste sorte. Agradecendo a bondade, o ceguinho confortou-a com estas palavras:

 — Sem eu o mundo não estaria completo. Faltaria minha cegueira...

 Tudo tem valor. Que valor tremendo, terrível, não terá essa comunidade pátria? Que aleijão enorme faria no mundo a falta desse jeitão coletivo, nosso, meu, seu, vosso, que chamamos Brasil! Esse modo de sermos, de falarmos, de sentirmos, essa esparsa alma comum: Brasil.

 E para não desmerecermos em tal tarefa (a de completar o universo!) precisamos friccionar nossos sentimentos e nossas virtudes, e para isto precisamos de comemorações, de sinais e símbolos já que nesta vida terrena, como disse o apostolo Paulo, vivemos entre sinais e enigmas. Daí a utilidade das bandeiras, dos hinos e das festividades cívicas que todos os povos normais sempre amaram. Mas a necessidade mais imperiosa e contínua que decorre da consciência patriótica é a do serviço prestado no dia a dia da vida profissional. Festejemos os dias da pátria, mas essas festividades seriam vazias e até falsas se não fossem sinais do desejo de servi-la.

 ***

 E peçamos a Nossa Senhora da Aparecida, à onipotência suplicante da Mãe de Deus, que nos proteja sempre como recentemente nos protegeu.

 (Este artigo foi publicado durante a semana da Pátria, em “O Globo”, de 05/09/1970.)

*     Reproduzido de Permanencia.org.br

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