• Valdemar Munaro
  • 31 Outubro 2025


Valdemar Munaro

               A Questão Judaica', de Karl Marx (1818 – 1883), originalmente publicada nos Anais Franco-Alemães de 1844, é a mais antissemita obra do século XIX. A lógica de seu raciocínio e o raciocínio de sua lógica são um prelúdio do nazismo efetivado no século XX. O escrito, criminoso e demencial, é um registro da intelectual degradação iluminista que a filosofia hegeliana e materialista 'conquistou'.

Muitos autores da época eram antissemitas, entre eles, poetas e filósofos: I. Kant, G. W. Hegel, Johann Fichte, Ferdinand LaSalle, F. Holderlin, K. Marx, F. Engels, Bruno Bauer, A. Schopenhauer, Frederico Nietzsche, Pierre J. Proudhon, Richard Wagner etc. Todos contribuíram para aumentar e espalhar, com vigor, o antissemitismo.

Marx tinha ciência dos pogroms do seu tempo, da miserável vida das comunidades judaicas espalhadas pela Europa oriental e ocidental, desde Portugal, Espanha, França, Polônia, Hungria, Áustria, Rússia até chegar à Alemanha prussiana, sua terra natal. Em todos esses países e em outros mais, havia hostilidade aberta a judeus, restrição a empregos públicos, proibição de sinagogas, impedimentos ao serviço militar, leis contrárias à posse de terras, trancos à abertura de negócios e comércios específicos, impostos adicionais a aldeias etc.

O quadro era desolador para a maioria dos hebreus que vivia na Europa do século XVIII e XIX. Mas apesar do conhecimento de todos aqueles fatos e circunstâncias, Marx manteve sua ideia estereotipada e preconceituosa contra os judeus, extravasando-a em julgamentos e insultos inexplicáveis.

Seus bajuladores justificam o escrito de Marx atribuindo-o a uma 'crise' pessoal, um posicionamento juvenil e intelectual ainda não plenamente 'marxista'. Ora, a justificativa é fajuta, pois Marx jamais se retratou, guardando um silêncio sepulcral sobre o assunto e se mantendo incólume, até o fim, no seu antissemitismo.

O ódio aos judeus, tentam explicar seus defensores, resultou do ódio de Marx por si mesmo. Transmutado em ressentimento expresso, Marx faria de seu antissemitismo uma espécie de catarse terapêutica pessoal. Permanece, porém, inexplicável a contradição do proclamado defensor dos oprimidos, que, ao mesmo tempo, os ataca e os quer destruir. O marxismo, de matriz essencialmente hegeliana, consegue a cara de pau de não se envergonhar das próprias contradições e hipocrisias.

Karl Marx, dizem ainda seus simpatizantes, vociferou contra os judeus porque tinha um objetivo: obter a adesão e a admiração de seu público-alvo, o operariado. Para chegar à tal conquista, não se importou com o apodrecimento da alma; queria a todo custo convencer seus interlocutores de que era um homem autenticamente irreligioso, materialista e ateu.

Embora fossem judeus, os Marx não prezavam os valores religiosos, muito menos as histórias bíblicas e as tradições cristãs. Foram as conveniências empregatícias que levaram seu pai, Hirschel, e sua mãe, Henriette, mentirosamente, a se converter ao luteranismo.

Nos anos 1817, 1824 e 1825, Hirschel, Karl e Henriette, respectivamente, batizaram-se na igreja protestante, o que lhes permitiu a continuação do soldo mensal correspondente ao exercício advocatício em Treveris. Hirschel passou a se chamar Heinrich, enquanto sua mulher, Karl e as demais crianças continuaram com os mesmos nomes.

A conversão farsesca tornou-se um espinho incomodativo na vida de Marx. Desejava não ter sido judeu e menos ainda ter recebido o batismo cristão. O forçoso judaísmo protestante converteu-se em chaga purulenta e culposa da qual sua alma ateia queria se expurgar.

Mas 'A Questão Judaica', em parte, também contrastava a tese do parceiro Bruno Bauer (1809 – 1882), um socialista hegeliano, preconceituoso e antissemita, metido a teólogo, cuja análise sobre o hebreu, historicamente real, terminava por considerá-lo um ser desprezível e incapaz. Segundo Bruno Bauer, os hebreus herdaram uma esperança messiânica que se personificou na imaginária terra prometida. Nunca, porém, puderam alcançá-la em razão de sua inaptidão e incapacidade.

Então, conforme Bauer, sendo essencialmente incapazes, os judeus se tornaram culpados da sua própria opressão e do próprio destino repleto de sofrimentos. A causa, pois, da miserável condição na qual o judeu se meteu está no seio do próprio judaísmo. A opressão do judeu se deve à sua teimosia em se manter judeu. Sua opressão, portanto, é seu judaísmo e seu judaísmo é sua opressão. O judeu, segundo Bauer, tem uma grande maldição: ser judeu. Por consequência, não há, para ele, outra saída, senão deixar de ser o que é.

Como se observa, o antissemitismo proposto por Bauer aumenta sobremaneira o problema judaico e o deixa sem alternativas. Para resolvê-lo, segundo Bauer, o judeu deve não existir. Se o problema está na sua religião e a religião está no seu problema, então o judaísmo deve ser suprimido.

Do ponto de vista da factualidade história, não se pode negar a discriminação e a marginalização sofridas pelo povo judeu ao longo do tempo, mas as perseguições, segundo Bauer, encontrariam solução num hipotético sionismo cujo lugar geográfico permitiria ao judeu exercer sua nacionalidade e sua cultura. Porém, como o judeu, no entender de Bauer, é um incapacitado, melhor seria que desaparecesse.

O antissemitismo abjeto e asqueroso de Bauer, entretanto, é menos grave que o de K. Marx. As páginas de 'A Questão Judaica' deste último, mostram uma cegueira proposital e criminosa que não vê os fatos históricos incontestáveis, mas escreve sobre o que preconceituosamente pensa. Não há no texto um rastro de lucidez, decência e honestidade. Há, sim, ao invés, um dogmatismo abjeto típico de um pensador vigarista e inescrupuloso.

Segundo Marx, não devemos nos preocupar em encontrar soluções para o problema judaico. Devemos, antes, nos libertar dele. A sociedade deve se emancipar do judaísmo. É a humanidade que deve se libertar do judaísmo e não o contrário. "Nós buscamos, diz Marx, o segredo do hebreu não na sua religião, mas buscamos o segredo da religião no hebreu real. Qual é o fundamento mundano do judaísmo? A necessidade prática, o egoísmo. Qual o culto mundano do hebreu? O tráfico. Qual o seu Deus mundano? O dinheiro. Pois bem. A emancipação do tráfico e do dinheiro, do judaísmo prático portanto, real, seria a autoemancipação do nosso tempo".

O raciocínio sofístico de Karl Marx segue a seguinte lógica: 1) o judaísmo é o dinheiro. 2) O dinheiro é a burguesia. 3) A burguesia deve ser destruída. Portanto, é preciso suprimir ou destruir o judaísmo.

"Em tal modo, dogmatizando, diz o comentador Robert Misrahi, Marx passa da acusação popular, 'os hebreus são por essência avaros', à acusação pseudocientífica 'os hebreus são, por essência, a própria burguesia'. O recíproco é, segundo Marx, também verdadeiro, e, se o judaísmo (dado que é a potência financeira mundial) é a burguesia, inversamente a burguesia é o judaísmo: 'o hebreu, que está na sociedade civil (burguesa) como membro particular, é só a manifestação particular do judaísmo da sociedade civil (da burguesia)'."

Como se vê, continua ainda Robert Misrahi, a situação para o hebreu é praticamente desesperadora: se se afirmar que todos os hebreus são burgueses, o judaísmo deve ser combatido no seu complexo e pela sua imediata culpabilidade, mas se se reconhece que existem burgueses não hebreus, igualmente se afirma a culpabilidade do judaísmo porque os burgueses são a realização do judaísmo e porque os hebreus, enquanto tais, exprimem o que há de judaico na burguesia... O mundo se judaizou, e todos os sofrimentos e os conflitos deste mundo provêm do fato que são praticamente judaicos. Estamos diante da forma extrema de delírio antissemita: o mal do mundo é o judaísmo no mundo, e o mundo como judaísmo".

Em outras palavras, Marx afirma que, de todos os modos, os judeus são culpados pelos males do mundo, tanto por serem burgueses, quanto por serem judeus. O judaísmo, segundo Marx, é a causa de todas as alienações, por isso, deve ser exterminado. A natureza hebraica, intrinsecamente má, faz do judeu um ser sem direitos à emancipação e à vida. Devemos, pois, batalhar pela emancipação da sociedade, libertando-a do judaísmo e de seu desdobramento, o cristianismo. É a sociedade humana que deve se libertar dos judeus e, por consequência, dos cristãos, e não o inverso.

Se as considerações antissemitas de Bauer reservavam ainda alguma pálida ideia sionista para resolver o problema judaico, um confinamento em algum lugar do mundo para os hebreus, Marx, ao invés, propõe seu radical e completo extermínio.

Segundo suas palavras, "apenas a sociedade suprima a essência empírica do judaísmo, o tráfico e os seus pressupostos, o hebreu se tornará impossível, porque a sua consciência não terá mais algum objeto, porque a base subjetiva do judaísmo, a necessidade prática se humanizará, porque será abolido o conflito da existência individual sensível com a existência do homem como espécie. A emancipação social do hebreu é a emancipação da sociedade do judaísmo."

Se o judaísmo é a causa dos males da humanidade, a solução está na sua erradicação. Marx revela aqui sua patologia maniqueísta que se outorga a si mesmo a monstruosa tarefa de julgar definitivamente os que devem ou não viver no mundo do qual não é autor.

Como se vê, o antissemitismo marxista é violento e criminoso. É inconcebível e inexplicável observar a travessura de muitos judeus marxistas indo atrás de uma doutrina que os matará. Da mesma forma, é inconcebível e desolador ver cristãos seduzindo pela mesma filosofia, cujos princípios, nutrem ódio ao judaísmo e desprezo visceral à religião de Jesus.

Marx insultava Moses Hess chamando-o de rabino e Ferdinand Lassalle de negro. Ambos eram alemães, socialistas e colegas pensadores de semelhante perfil. Hess não era rabino e Lassalle não era negro, mas Marx era racista.

O ódio aos judeus se tornou, tristemente, um combustível a diversas mobilidades políticas e sociais. Se porventura, um dia ele vier a se extinguir, veremos como hão de se extinguir também, automaticamente, os interesses por Gaza, o amor aos palestinos, as flotilhas solidárias, as lutas Lgbt, as batalhas feministas, etc. Marx não inventou a hipocrisia e a mentira, mas ensinou magistralmente como 'bem utilizá-las'.

Santa Maria, 30/10/2025

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 30 Outubro 2025

Gilberto Simões Pires

 

EM TESE

Preste bem a atenção: EM TESE, há quem imagine, e até se convença, que em países com ALTA CARGA TRIBUTÁRIA,  o IDH - ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO- por conta do bom uso dos IMPOSTOS EM BENEFÍCIO DA POPULAÇÃO, se mostre em NÍVEIS ELEVADOS. Pois, para desespero geral da maioria do povo brasileiro, a ELEVADÍSSIMA CARGA TRIBUTÁRIA, que se aproxima celeremente de 43% sobre o PIB, não se traduz em efeitos minimamente DECENTES na formação do IDH do nosso empobrecido país. 

COMPARAÇÃO SIMPLES

Quem se dispõe a fazer, por exemplo, uma comparação do IDH do CHILE, ARGENTINA, URUGUAI e PERU, para ficar apenas no quintal da América Latina, onde a CARGA TRIBUTÁRIA/PIB- é MUITO INFERIOR À NOSSA (em alguns está por volta da metade) verá -com os olhos bem fechados- que o IDH desses países é SUPERIOR ao nosso. Esta simples constatação é a -PROVA PROVADA- de que este INJUSTO E CRIMINOSO GOVERNO LULA NÃO ARRECADA IMPOSTOS, COM A FINALIDADE DE MELHORAR O -ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DO POVO BRASILEIRO-. 

NA RABEIRA

A propósito, vejam que -de acordo com o relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) mantido pela ONU, o Brasil, mesmo depois de subir 5 posições ocupa o 84º LUGAR no ranking. Enquanto isso o CHILE se mantém no 45º lugar; a ARGENTINA no 47º;  o URUGUAI no 48º; e o PERU, mais atrás, ocupa a 79ª posição. Mais: o BRASIL também está atrás do MÉXICO, AZERBAIJÃO, IRÃ E BÓSNIA, que não por acaso ostentam uma CARGA TRIBUTÁRIA BASTANTE INFERIOR À NOSSA.

ESPECIALIZAÇÃO

Como se vê, a posição do nosso empobrecido Brasil no ranking de DESENVOLVIMENTO HUMANO, não é nada boa. E para piorar o que já é péssimo, os GOVERNOS PETISTAS se notabilizam por TRIBUTAR, TRIBUTAR E TRIBUTAR. Mesmo assim, a IMENSA E INDECENTE CARGA TRIBUTÁRIA nunca consegue ZERAR OS RECORRENTES DÉFICITS DA CONTAS PÚBLICAS, assim como não consegue ZERAR OS INCRÍVEIS E PESADOS ROMBOS DAS ESTATAIS, que AUMENTAM A CADA DIA, DE FORMA IMPLACÁVEL. Ou seja, pouco ou nada dos tributos arrecadados é destinado para melhorar o nosso ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO. Pode?

Continue lendo
  • Alex Pipkin, PhD
  • 30 Outubro 2025

 

Alex Pipkin, PhD em Administração

                Um dos maiores males do Brasil, e creio eu do mundo, é a ignorância econômica. O brasileiro médio não entende como o dinheiro público é criado, gasto ou desperdiçado. Paga imposto em tudo, do pão ao caixão, e ainda acredita, tristemente, que o Estado é o protetor benevolente. De tempos em tempos reaparece a conversa burlante sobre revisão de despesas ou controle de gastos. Desconfie. É enganação. Estão tentando enganar você de novo.

Desde o início do governo Lula, já foram 24 novas medidas tributárias — uma média grotesca de um novo tributo a cada 37 dias. É o milagre da multiplicação dos impostos, versão tropical. Enquanto isso, a carga tributária sobe como se fosse virtude. Segundo o IBPT, a carga sobre o PIB pode atingir 40,82% em 2025 . Será o maior índice da história recente. O brasileiro paga como sueco e recebe como venezuelano. É o retrato perfeito do país do confisco.

E, como sempre, surge o discurso moralista de que é preciso “fazer os super-ricos pagarem mais”. Medida comprovadamente ineficiente, que destrói incentivos à inovação, mina processos criativos e reduz soluções reais para os problemas da sociedade. O governo posa de Robin Hood, mas age como Sherife de Nottingham. Ele tira dos que produzem para sustentar o castelo da burocracia.

O Estado brasileiro é como um bufê caríssimo que serve comida azeda. Cobra couvert, sobremesa e gorjeta antes mesmo de o prato chegar, e, quando chega, está frio.

A gestão pública virou mistura de ineficiência, privilégio e chantagem moral. O cidadão paga caro por serviços medíocres e ainda acredita que está sendo solidário. Um verdadeiro gênio do engano não faria melhor.

A ignorância econômica é o combustível do populismo. Sustenta a falácia de que imposto alto é justiça social, gastar mais é progresso e o assistencialismo é virtude. O governo rouba pela via tributária, chama de redistribuição e ainda é aplaudido. A população, como sempre ludibriada, confunde dependência com cidadania e transforma o privilégio estatal na ilusão da bondade do Estado.

O resultado é visível: menos investimento, menos produtividade, menos inovação, menos futuro. A iniciativa privada, sufocada, desiste de crescer. O empresário vira vilão, o rentista vira herói e o Estado, esse glutão inconsequente sem limite, engole a energia de quem produz. A roda da economia gira mais devagar, mas o discurso oficial segue otimista, pois o populismo é a droga popular mais consumida nesse país.

Enquanto o brasileiro não compreender que riqueza não se redistribui, se cria, e evidentemente não é o Estado que a cria, continuará explorado com o sorriso de quem acredita estar sendo salvo.

O país do confisco seguirá marchando alegremente rumo à pobreza, acreditando que avança rumo à justiça. É o triunfo da ignorância econômica, a mais cara de todas as nossas tragédias.

 

Continue lendo
  • Sílvio Munhoz
  • 29 Outubro 2025

Sílvio Munhoz         

           Há poucos dias, o primeiro mandatário do Brasil pronunciou a frase infame “traficantes são vítimas dos usuários de drogas”, tão ultrajante ao povo trabalhador e honesto quanto aquela outra que relativizava o furto de celular.

A repercussão, à evidência, foi negativa, gigante. Aliados, com o apoio da ex-imprensa, que vive de passar pano para o personagem, rapidamente saíram em socorro divulgando pedido de desculpas pela “frase infeliz”, mas a história já demonstrou que não há nada de infeliz ou mal entendido, ao contrário, significa exatamente seu pensamento a respeito do crime, de bandidos e das vítimas da criminalidade.

O mundo hoje, porém, não caminha a passos lentos como quando o ritmo era ditado pelo andar dos cavalos, ao contrário, a humanidade hoje galopa velozmente na velocidade da internet e da IA e, poucos dias depois, a frase foi submetida ao escrutínio da realidade.

Na missão de cumprir em torno de 100 mandados de prisão e conter o avanço do Comando Vermelho, conhecida facção narcoterrorista, foi necessária a realização da maior operação policial da história do Rio de Janeiro, envolvendo em torno de 2.500 policiais civis e militares e o Ministério Público.

Para surpresa de quase ninguém, as “vítimas”, ao invés de se submeterem à prisão – afinal, recolhidas ao sistema prisional ficariam livres do assédio e opressão de seus algozes, os usuários -, resolveram reagir...

Pior, para surpresa de ninguém, reagiram fortemente armadas, com fuzis, drones, usados para jogar bombas e granadas, enorme número de barricadas - algumas eletrificadas, outras contendo embaixo granadas para explodir quando fossem retiradas -, inúmeros carros para incendiar no caminho, dificultando a ação da polícia, transformando algumas regiões da cidade em verdadeiro cenário de guerra. São essas as vítimas que, segundo o autor da frase, devem ser tratadas com paz e amor.

Só se surpreendeu com o poderio bélico, a estrutura de barricadas, e o crescimento territorial das facções nos últimos anos quem não leu Guerra à Polícia, no qual, junto com vários outros autores, analisamos os efeitos da ADPF 635 na segurança do Rio de Janeiro. Na minha colaboração para a obra, escrevi:

Com a decisão e enquanto ela viger, o futuro da segurança pública no Rio de Janeiro estará a um passo do caos, pois as ORCRIMs, com a folga, voltarão a se capitalizar, a arregimentar seguidores, a aumentar e melhorar armamentos, a disputar territórios, a separá-los do Estado como já estão fazendo ao colocarem barricadas em praticamente todas as ruas de acesso às comunidades... É a beira do abismo da criação de um Narcoestado...”

A obra é a verdadeira crônica do favorecimento do crime organizado anunciado. 

Entretanto, fruto da guerra cultural que vivemos, adivinhem quem os aliados políticos do frasista e a ex-imprensa, ideologicamente comprometida, impressionados com o número de mortos no confronto, culpa? Acertaram? A POLÍCIA, na velha esteira da bandidolatria já tão envelhecida e desgastada. Esquecem que estão cumprindo ordens judiciais, como é mesmo aquela história “ordens judiciais se cumprem”...

Claro que a operação e os policiais receberam vários e escabrosos adjetivos, pois o CONFRONTO, manipulado semanticamente, virou chacina. São, na realidade, heróis brasileiros, que colocam a própria vida em risco para proteger a população honesta e ordeira. Claro, esqueci, para essa mídia só são heróis os que cumprem ordem para prender mulher armada de batom, septuagenária portando bíblia, moradores de rua e vendedores de algodão doce, pois aí estão impedindo o “gópi”... 

Quanto aos traficantes, inobstante a resistência governamental, precisam ser, o quanto antes, classificados como terroristas, pois são o maior problema da segurança pública brasileira nos dias atuais.

Com quase 30 anos atuando no combate ao crime, até hoje não sei se rio ou choro quando ouço ou leio alguém dizer que o tráfico não é crime violento e, pior, quando um Juiz utiliza tal argumento para soltar um traficante. Claro que a prática do ato de mercadejar a droga em si não é violento, porém olvidar a violência atrelada ao crime de tráfico é negar fato notório e não enxergar a realidade. O preço de ocultar a realidade costuma ser sangue e lágrimas, e o melhor exemplo disso são as inúmeras varas de júris pelo Brasil afora, cuja grande carga de trabalho é cada vez mais homicídios oriundos do tráfico de drogas.

Nunca esqueçam, traficantes matam: o comprador que não paga; o dono da casa que se nega a ceder a moradia para usarem como ponto de tráfico; o cidadão que, num arroubo de cidadania, ousa denunciá-los; o pai que se nega a entregar a filha, nova e bonita, para “uso” do chefe; os moradores que não obedecem às ordens, como quando determinam, p.ex., “toque de recolher”; a testemunha valente que pensa em depor contra a quadrilha; os suspeitos de serem infiltrados nos seus domínios; membros de outras favelas dominadas que os desafiam ao entrarem em seu território; crianças que afrontam a liderança ao roubarem passarinhos; policiais de folga, quando os identificam; policiais em serviço (nestas duas últimas categorias o matador cresce de importância na organização); o membro que usa a droga ao invés de a vender; o comparsa que não obedece as ordens da chefia; o jornalista investigativo que se infiltra para denunciar a quadrilha etc... etc... etc...

Finalizo, dizendo que as “vítimas do Presidente” não merecem compaixão, mas longa e rigorosa pena. Compaixão e orações merecem as vítimas dos delitos ligados ao nefasto tráfico de drogas. Aproveito para deixar minhas orações pelos valentes policiais que tombaram na operação e meu sincero pesar aos seus familiares. Saibam que eles não morreram em vão, são verdadeiros HERÓIS BRASILEIROS!..

Que Deus tenha piedade de nós!..

 

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 24 Outubro 2025

Gilberto Simões Pires

 

QUÍMICA FALSA

Antes de tudo há que se admitir que nem os mais ingênuos são capazes de acreditar que a tal -QUÍMICA- que -teria pintado- entre Lula e Trump, no rápido encontro de ambos na abertura da Assembleia Geral da ONU, no dia 9 de setembro, em Nova York, é algo que carregue um mínimo de VERDADE. Na real, gostem ou não, o FATO é que não há a menor possibilidade de PINTAR UMA QUÍMICA entre COMUNISTAS e CAPITALISTAS. Trata-se, portanto de uma QUÍMICA FALSA!

MOEDAS LOCAIS

Como se sabe, por tudo que se lê e assiste, Lula tem PRAZER INCOMENSURÁVEL em criticar todas as declarações e decisões tomadas pelo presidente Donald Trump. Ontem, por exemplo, Lula,  pela enésima vez, voltou a provocar Trump ao dizer que os negócios comerciais entre IINDONÉSIA E BRASIL serão feitos com as MOEDAS LOCAIS. Ou seja, pela LÓGICA SURREAL de Lula, os PRODUTOS IMPORTADOS DA INDONÉSIA SERÃO PAGOS  EM -RÚPIAS-; da mesma forma, os PRODUTOS BRASILEIROS EXPORTADOS PARA A INDONÉSIA SERÃO LIQUIDADOS EM -REAIS-.

FALTA DE DISCERNIMENTO

Ora, por conta da absoluta FALTA DE DISCERNIMENTO,  Lula não perguntou ao presidente da Indonésia, Prabowo Subiano, se os EXPORTADORES daquele país estão DISPOSTOS A ACEITAR O -REAL- como moeda de liquidação das operações. Mais: a que preço, ou cotação, da nossa moeda em relação ao câmbio com outras moedas? Lula e Prabowo vão levar em conta que a cotação de ambas as moedas - REAL E RÚPIA- são calculadas e fixadas -internacionalmente- com base no DOLAR? 

ESCAMBO

Como um exímio POPULISTA, em matéria de CÂMBIO é possível que Lula pretenda usar o ESCAMBO, ou TROCA DIRETA,  prática antiga que remonta a tempos anteriores à invenção do dinheiro, como forma de negociar e/ou liquidar as operações comerciais que serão realizadas com a INDONÉSIA. Confesso que estou curioso para ver a reação dos IMPORTADORES E EXPORTADORES mundo afora. 

Continue lendo
  • Alex Pipkin, PhD
  • 23 Outubro 2025

 

Alex Pipkin, PhD

                    As instituições brasileiras se tornaram fábricas de medo — e, mais do que isso, fábricas emblemáticas da autolocupletação e difusoras da intimidação. O poder e a liderança já não se afirmam pela confiança ou pela competência que inspira e serve de modelo; virtudes essenciais, sobretudo para a geração mais jovem. Historicamente, o poder flertou com o medo; no Brasil atual, ele o faz de forma escancarada e sem pudor. O medo tornou-se o método oficial das lideranças institucionais, que confundem força com coerção e autoridade com intimidação.

A universidade, que deveria ensinar a pensar por meio de várias visões de mundo, transformou-se em laboratório de obediência. O contraditório foi banido — e, de forma estúpida e ideológica, cancelado. Não se pode discordar, muito menos pensar contra o dogma. Não há debate; há apenas a catequese das falácias do coletivismo, do “progressismo” do atraso.

Enquanto isso, a suposta “suprema” corte tornou-se um espetáculo dantesco. O tribunal virou palco de arbitrariedades, vaidades e decisões nada republicanas. Cada juiz interpreta conforme seu humor ideológico, e a lei passou a ser pretexto para o arbítrio. Jornalistas são punidos, opiniões censuradas, e a liberdade de expressão, que um dia nos fez cidadãos, tornou-se risco calculado.

Vivemos sob a ditadura do medo institucionalizado, que transbordou para a vida comum. As pessoas evitam expor-se, opinar ou confrontar. Tornaram-se cúmplices involuntárias da própria servidão. Esse silenciamento é não apenas político, mas psicológico e moral. O resultado é o tipo humano mais perigoso para uma civilização: o vitimista submisso, que transfere a culpa e terceiriza a responsabilidade. Quem estuda a história sabe que este sempre foi o método de líderes autoritários travestidos de humanistas, que arrotam governar para o povo. A culpa pelos fracassos sempre recai sobre um inimigo criado, nunca sobre suas próprias falácias.

Como consultor empresarial, vejo isso de forma evidente. É impossível liderar se você fica limitado aos problemas atuais, sem olhar para a mudança. Muitos líderes estão nesse estado, agarrados ao passado, aos próprios erros e frustrações, culpando o sistema. Eles não mudam; esperam que alguém ou as circunstâncias os mude. A política do medo funciona como antídoto perverso: mantém-nos imóveis e impede que assumam responsabilidade, transformando a inação em obstáculo à mudança.

O legítimo líder é um homem livre que pensa criticamente e que, portanto, age de maneira diferente. Diante do fracasso, ele não repete suas queixas: ele aprende e age. Não diz “ninguém me ouviu”, mas “não construí confiança suficiente para fazer o que precisa ser feito”. Ele entende que a liberdade é inseparável da autorresponsabilidade e de sua ação crítica e deliberada.

Essa é a fronteira decisiva entre cidadão e súbdito. O medo institucionalizado impacta de maneira avassaladora todas as esferas da vida brasileira, impedindo o crescimento individual, corporativo e social — nas empresas, universidades, mídia e sociedade.

No Brasil, a vitimização tornou-se virtude pública. O resultado é uma sociedade de subalternos — dóceis, ressentidos, distraídos — que preferem culpar outros ao desconforto de pensar por si.

Diante dessa realidade, cada indivíduo precisa fazer um exame de consciência. É necessário criar seus próprios incentivos, refletir sobre valores e visão de mundo, e buscar mudar a si mesmo e, na medida do possível, este sistema perverso. É possível pensar diferente, adotar visões diversas, mas sem se acovardar ou se resignar à estagnação e ao retrocesso que medo e vitimização nos impõem. A responsabilidade é pessoal. A ação consciente é o único caminho para não nos tornarmos cúmplices de nossa própria mediocridade.

Enquanto o medo for o cimento das nossas instituições e a vitimização o refúgio das consciências, permaneceremos estúpidos. Não por falta de inteligência, mas por covardia moral.

 

Continue lendo