Percival Puggina
Dezenas de milhões de brasileiros arrendaram a consciência ao senso moral do Estado, desse Estado a que chegamos. Exclamará o leitor: “Impressionante! E a que preço? Qual o valor desse arrendamento?”. Pois então: trata-se de mercadoria alienada a preço vil. A consciência desses cidadãos não vale um centavo mais do que o senso moral do Estado que tenham como senhor de seus bolsos e almas.
Se estas são palavras duras, a realidade que todos veem e sentem deveria cortar como lâminas do mais puro aço alemão a couraça de quantos não percebem a malignidade do patrão a que se submetem – o Estado que virou feitor da sociedade. Abriram mão da liberdade de pensar, malgrado os milhares de alertas com que Millôr Fernandes, ao longo dos anos, carimbava suas páginas afirmando que “Livre pensar é só pensar”. E ele não falava na liberdade do pensamento irrelevante, da coisa à toa, sem valor ético nem estético.
Para usar uma expressão da moda que não significa coisa alguma, a exemplo de tantos outros modismos como a estampa das meias, os cidadãos a que me refiro abriram mão de seu “lugar de fala”. Como cidadãos, podem e devem falar, mas o Estado em que vivemos, esse Estado a que chegamos, esvaziou em sala de aula os pneus do pensamento, substituído por maus sentimentos contra qualquer um que ouse pensar fora da esparrela mental em que foram capturados. Só quem já observou a naturalidade com que vandalizam seus próprios ambientes e os assistiu, como que em matilha, expulsando deles, aos gritos de “Recua, fascista, recua!” quem tem a ousadia de pensar, sabe do que e de quem estou falando. E sabe quanto essa conduta faz lembrar um regimento da Hitlerjugend, a juventude hitlerista.
Sucessivas décadas de domínio esquerdista do ambiente educacional garantiu a esses moços a condição de face visível do Estado a que chegamos. Refiro-me a um Estado que considera totalmente ociosa a opinião pública. Em si e por si, ele detém o “notável saber”, sendo motivo de escândalo que alguém expresse um pensamento ou um argumento. Aliás, para esse Estado em que vivemos, o cidadão é, sobretudo, um chato, indesejável, de quem se espera e a quem se recomenda o silêncio eterno.
Quando se acumulam os escândalos, esse Estado a que chegamos investiga e inferniza a vida do denunciante. Ele interroga quem formula perguntas e se cobre de misteriosos segredos. Enquanto expõe quem incomoda, impõe sigilo sobre o incômodo que causou...
Em outubro haverá eleições. É o último recurso disponível para nos resgatar dos abusos do Estado, desse deplorável Estado a que chegamos. Sigamos o bom ânimo inaciano que nos indica trabalhar como se fôssemos a democracia com que sonhamos e tudo dependesse de nós, mas vamos rezar colocando os resultados nas mãos de Deus.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
IGNÁCIO J.A. MAHFUZ - 16/03/2026 16:49:53
PUGGINA, CARO MESTRE PERCIVAL. SAÚDE E PAZ! PARABÉNS! "N" VEZES PARABÉNS! COMO SEMPRE, ACERTAS NA MOSCA - O TAL "SISTEMA" QUE SE CONSIDERA PAI DO MUNDO SEGUE TENTANDO NOS IMPINGIR A A PECHA DE IDIOTAS... NÃO VAMOS NOS ENTREGAR! COMO DIZES: "QUEREMOS NOSSO PAÍS DE VOLTA"! Fraternal abraço, Ignácio J.A. MahfuzMenelau Santos - 16/03/2026 16:18:25
Prezado Professor Puggina, Atualmente, observo com frequência figuras midiáticas tecendo críticas severas ao governo atual e aos seus aliados envolvidos em casos de corrupção. Ocorre que muitos desses críticos são os mesmos que contribuíram para o atual estado de coisas, ainda que indiretamente, ao atacarem gestões anteriores de conduta ilibada. Cito como exemplo Pondé e Neumanne: cansaram de "metralhar" Bolsonaro e, agora, demonstram escândalo com o cenário vigente. Se me permite, há uma anedota que ilustra bem essa incoerência: Todos os dias, um trabalhador abria sua marmita e encontrava um sanduíche de pasta de amendoim. Invariavelmente, ele reclamava: "Não aguento mais, de novo sanduíche de pasta de amendoim!". Até que, certo dia, um colega perguntou por que ele não pedia para a esposa preparar algo diferente. Ele respondeu: "Mas eu não tenho esposa. Moro sozinho. Sou eu quem preparo minha própria marmita".Nelson S. F. de Azambuja - 16/03/2026 12:49:59
Prezado amigo Puggina: Exatamente por tudo que foi tão bem colocado, chegamos à triste conclusão que a única coisa que nós, pobre povo, que não tem sequer a força da pena, podemos fazer é comparecer às eleições e votar bem, sem qualquer garantia de que se estará votando bem e de que o seu voto será devidamente computado! Esse é, de fato, o Estado a que chegamos .... tristemente!Reynaldo Farah - 16/03/2026 09:37:12
Caro Professor: Eleições com urnas eletrônicas que não imprimem o voto e com apuração secreta?Ajacio Brandão - 16/03/2026 09:36:44
Um texto que resume o que ponto chegamos. ObrigadoVitorio Perozzo - 16/03/2026 08:43:53
Bom dia meu querido AMIGO PERCIVAL, é isso mesmo que temos que fazer ,multiplicar nossas influências para demover mais eleitores a abrir suas mentes e pensar no seu futuro e acima de tudo REZAR e colocar nas mãos de DEUS. ABRAÇO E UMA BOA SEMANA8db67