Sílvio Munhoz
Há poucos dias, o primeiro mandatário do Brasil pronunciou a frase infame “traficantes são vítimas dos usuários de drogas”, tão ultrajante ao povo trabalhador e honesto quanto aquela outra que relativizava o furto de celular.
A repercussão, à evidência, foi negativa, gigante. Aliados, com o apoio da ex-imprensa, que vive de passar pano para o personagem, rapidamente saíram em socorro divulgando pedido de desculpas pela “frase infeliz”, mas a história já demonstrou que não há nada de infeliz ou mal entendido, ao contrário, significa exatamente seu pensamento a respeito do crime, de bandidos e das vítimas da criminalidade.
O mundo hoje, porém, não caminha a passos lentos como quando o ritmo era ditado pelo andar dos cavalos, ao contrário, a humanidade hoje galopa velozmente na velocidade da internet e da IA e, poucos dias depois, a frase foi submetida ao escrutínio da realidade.
Na missão de cumprir em torno de 100 mandados de prisão e conter o avanço do Comando Vermelho, conhecida facção narcoterrorista, foi necessária a realização da maior operação policial da história do Rio de Janeiro, envolvendo em torno de 2.500 policiais civis e militares e o Ministério Público.
Para surpresa de quase ninguém, as “vítimas”, ao invés de se submeterem à prisão – afinal, recolhidas ao sistema prisional ficariam livres do assédio e opressão de seus algozes, os usuários -, resolveram reagir...
Pior, para surpresa de ninguém, reagiram fortemente armadas, com fuzis, drones, usados para jogar bombas e granadas, enorme número de barricadas - algumas eletrificadas, outras contendo embaixo granadas para explodir quando fossem retiradas -, inúmeros carros para incendiar no caminho, dificultando a ação da polícia, transformando algumas regiões da cidade em verdadeiro cenário de guerra. São essas as vítimas que, segundo o autor da frase, devem ser tratadas com paz e amor.
Só se surpreendeu com o poderio bélico, a estrutura de barricadas, e o crescimento territorial das facções nos últimos anos quem não leu Guerra à Polícia, no qual, junto com vários outros autores, analisamos os efeitos da ADPF 635 na segurança do Rio de Janeiro. Na minha colaboração para a obra, escrevi:
Com a decisão e enquanto ela viger, o futuro da segurança pública no Rio de Janeiro estará a um passo do caos, pois as ORCRIMs, com a folga, voltarão a se capitalizar, a arregimentar seguidores, a aumentar e melhorar armamentos, a disputar territórios, a separá-los do Estado como já estão fazendo ao colocarem barricadas em praticamente todas as ruas de acesso às comunidades... É a beira do abismo da criação de um Narcoestado...”
A obra é a verdadeira crônica do favorecimento do crime organizado anunciado.
Entretanto, fruto da guerra cultural que vivemos, adivinhem quem os aliados políticos do frasista e a ex-imprensa, ideologicamente comprometida, impressionados com o número de mortos no confronto, culpa? Acertaram? A POLÍCIA, na velha esteira da bandidolatria já tão envelhecida e desgastada. Esquecem que estão cumprindo ordens judiciais, como é mesmo aquela história “ordens judiciais se cumprem”...
Claro que a operação e os policiais receberam vários e escabrosos adjetivos, pois o CONFRONTO, manipulado semanticamente, virou chacina. São, na realidade, heróis brasileiros, que colocam a própria vida em risco para proteger a população honesta e ordeira. Claro, esqueci, para essa mídia só são heróis os que cumprem ordem para prender mulher armada de batom, septuagenária portando bíblia, moradores de rua e vendedores de algodão doce, pois aí estão impedindo o “gópi”...
Quanto aos traficantes, inobstante a resistência governamental, precisam ser, o quanto antes, classificados como terroristas, pois são o maior problema da segurança pública brasileira nos dias atuais.
Com quase 30 anos atuando no combate ao crime, até hoje não sei se rio ou choro quando ouço ou leio alguém dizer que o tráfico não é crime violento e, pior, quando um Juiz utiliza tal argumento para soltar um traficante. Claro que a prática do ato de mercadejar a droga em si não é violento, porém olvidar a violência atrelada ao crime de tráfico é negar fato notório e não enxergar a realidade. O preço de ocultar a realidade costuma ser sangue e lágrimas, e o melhor exemplo disso são as inúmeras varas de júris pelo Brasil afora, cuja grande carga de trabalho é cada vez mais homicídios oriundos do tráfico de drogas.
Nunca esqueçam, traficantes matam: o comprador que não paga; o dono da casa que se nega a ceder a moradia para usarem como ponto de tráfico; o cidadão que, num arroubo de cidadania, ousa denunciá-los; o pai que se nega a entregar a filha, nova e bonita, para “uso” do chefe; os moradores que não obedecem às ordens, como quando determinam, p.ex., “toque de recolher”; a testemunha valente que pensa em depor contra a quadrilha; os suspeitos de serem infiltrados nos seus domínios; membros de outras favelas dominadas que os desafiam ao entrarem em seu território; crianças que afrontam a liderança ao roubarem passarinhos; policiais de folga, quando os identificam; policiais em serviço (nestas duas últimas categorias o matador cresce de importância na organização); o membro que usa a droga ao invés de a vender; o comparsa que não obedece as ordens da chefia; o jornalista investigativo que se infiltra para denunciar a quadrilha etc... etc... etc...
Finalizo, dizendo que as “vítimas do Presidente” não merecem compaixão, mas longa e rigorosa pena. Compaixão e orações merecem as vítimas dos delitos ligados ao nefasto tráfico de drogas. Aproveito para deixar minhas orações pelos valentes policiais que tombaram na operação e meu sincero pesar aos seus familiares. Saibam que eles não morreram em vão, são verdadeiros HERÓIS BRASILEIROS!..
Que Deus tenha piedade de nós!..