Alex Pipkin, PhD Administração
Onde chegamos?
Pior: para onde chegaremos?
Zohran Mamdani será o próximo prefeito de Nova York.
Sim, o berço do capitalismo, a antiga vitrine da liberdade econômica e da pujança empreendedora, elegeu um socialista sedutor. O símbolo máximo do mercado agora se curva diante de seu algoz ideológico.
E por quê? Singelo, meu caro Watson. Porque Nova York, partes dos Estados Unidos e o mundo — em especial a nossa republiqueta vermelho, verde e amarela — sucumbiram à sedução das utopias e falácias igualitaristas. O socialismo de boutique, embalado em discursos sobre “justiça social”, venceu não por mérito, mas pelo fracasso do capitalismo adulterado, deformado por décadas de estatismo e intervencionismo.
Em Nova York e em grande parte do globo, o mercado foi trocado pela burocracia, e a liberdade, pelo controle. Regulamenta-se tudo e todos, sufocando a iniciativa, os investimentos e o mérito. O resultado é o mesmo em qualquer latitude, isto é, menos oportunidades, menos empregos, menos prosperidade. O empreendedor é desestimulado, o investidor punido e o cidadão produtivo esmagado sob impostos escorchantes e leis — em especial, trabalhistas para as empresas — contraproducentes.
Nada disso surpreende. A cidade que já foi sinônimo de liberdade transformou-se em laboratório do wokismo, um palco de delírios ideológicos encenados por jovens lobotomizados por professores marxistas e por elites culpadas que tentam expiar privilégios através da autodestruição. O caos político de Cuomo foi apenas o prelúdio.
Como na nossa republiqueta tropical, a violência em Nova York é tratada com condescendência progressista, como se criminosos fossem vítimas inocentes da sociedade. É a inversão moral perfeita, punindo-se os que produzem e desculpando-se os que destroem. Espere o fim dos quatro anos de Mamdani para ver o que restará da cidade que não dorme.
Quanto à violência e ao crime, o economista Nobel Gary Becker já havia desvendado o enigma; o crime é resultado de uma escolha racional. O indivíduo compara custos e benefícios e decide. Quando o Estado afrouxa punições e cultiva impunidade, o crime compensa. Mas os “progressistas do atraso” preferem ignorar a ciência e a realidade, reféns das narrativas morais e de surrados clichês.
A vitória de Mamdani não é um acidente — é um sintoma civilizacional. O mesmo veneno se espalha por várias cidades do Ocidente, alimentado pelo ressentimento e pela ignorância econômica de quem acredita que o Estado pode criar igualdade sem destruir a liberdade.
Como faz falta outros Mileis.
Líderes com coragem, conhecimento e disposição para aplicar o que a ciência econômica e a razão exigem. Milei fez o que precisava ser feito na Argentina. Implementou reformas duras, impopulares, mas inevitáveis — acompanhadas de redes de proteção inteligentes para quem realmente precisa.
Porque não há saída indolor. O remédio é amargo, mas é o único que cura.
Se quisermos evitar novos “casos Mamdani”, o mundo — e especialmente a nossa republiqueta vermelho, verde e amarela — precisará reencontrar urgentemente o que esqueceu.
Urgem coragem moral, lucidez intelectual e as essenciais liberdades econômica e individual.
Dartagnan da Silva Zanela
Quando vamos avaliar a qualidade de alguma coisa, para constatar se esta tem realmente alguma valia, é imprescindível que o critério utilizado por nós seja claro, substancial e justo. Se não for assim, não tem essa de "mamãe a barriga me dói", porque os juízos advindos da nossa avaliação terão o valor de um vintém furado, e olhe lá.
Quando se procura apresentar a boa qualidade dos resultados de algo, como a educação, as primeiras coisas que são exibidas são números que, muitas vezes, são obtidos de uma forma bastante duvidosa e divulgados de uma maneira um tanto problemática. E assim o é porque se mostram elementos quantitativos como se fossem sinônimos de um dado qualitativo. E sejamos francos: qualquer um que faça isso, bom sujeito não é.
Ainda sobre a forma como esses números são obtidos, é importante indagar sobre os critérios utilizados para nortear a verificação e quais os fins que se pretendem atingir com a utilização deste ou daquele critério.
Ora, se os critérios são claros e os fins a serem alcançados são substanciais, com certeza os elementos quantitativos se tornam uma ferramenta utilíssima para ampliar a base qualitativa. Agora, quando há um desencontro ou um descompasso entre ambos, o que será obtido no frigir dos ovos não será algo realmente bom, pouco importando se estamos com o coração cheinho, até a tampa, de boas intenções.
Creio que um aspecto ilustrativo disso seria o ufanismo que muitas autoridades públicas externam em torno de determinados números, como sendo um símbolo de uma educação de magnificente qualidade. Números esses que, para poderem ser comprovados, necessariamente devem ser confrontados com alguns fatos. Por exemplo: o número de leitores, em nosso país, aumentou ou diminuiu? Entendo. Qual é o tipo de literatura que as pessoas, de um modo geral, costumam ler? Compreendo, mas não entendo. A quantas anda o mercado livreiro nestas terras onde canta o sabiá? Sei. Qual livro você está lendo, agora, neste momento? Hum. Interessante.
Enfim, estes são os frutos de todo esse colóquio flácido de "educação de qualidade", "pedagogias ativas", "nativos digitais" e companhia limitada. E por essas e outras que recomendo o livro "Faça-os ler - para não criar cretinos digitais", do neurocientista Michel Desmurget, cujas lições são de grande valia para a educação dos infantes e, principalmente, para a correção das falhas da nossa [falta de] educação.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Gilberto Simões Pires
LULA SOLIDÁRIO
Nem mesmo o fato de ter sancionado uma lei que transfere a capital do Brasil para Belém durante a badalada COP30, que inicia no próximo dia 11 de novembro e vai até o dia 21, conseguiu fazer com que o presidente Lula deixasse de viajar para a Colômbia, onde vai acontecer na cidade de Santa Marta, nos dias 10 e 11 de novembro, a reunião de Cúpula da CELAC-UE - Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e da União Europeia. A -REPENTINA DECISÃO- tem como único e grande motivo PRESTAR TOTAL APOIO E IRRESTRITA SOLIDARIEDADE AO DILETO AMIGO NICOLAS MADURO, presidente-tirano da Venezuela.
MENTIROSAMENTE
Sem causar mínima surpresa, o presidente Lula e seu fantástico grupo de DEFENSORES DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS, tidas e havidas em vários países como -ORGANIZAÇÕES NARCOTERRORISTAS-, vivem pregando, MENTIROSAMENTE, que a posição da nossa política externa é de que a América Latina e sobretudo a América do Sul, são uma REGIÃO DE PAZ E COOPERAÇÃO, como afirmou, ontem, o sinistro-ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores.
PESQUISA ATLAS/INTEL
A título de melhor esclarecimento, a MAIORIA DOS LATINO-AMERICANOS APOIA UMA EVENTUAL INTERVENÇÃO DOS EUA NA VENEZUELA, como bem informa a recente e pra lá de importante pesquisa divulgada pela ATLAS/INTEL em parceria com a Bloomberg. Segundo o levantamento, 53% apoiam uma AÇÃO MILITAR no país sob o comando de MADURO, enquanto outros 34,7% reprovam. A maior parte dos entrevistados também demonstrou preocupação com a situação política e social na VENEZULEA, envolvendo fraude nas eleições, pobreza, migração em massa, violação dos direitos humanos e prisão de opositores, entre outros aspectos.
NARCO-ESTADO
Mais: cerca de 67% acreditam que MADURO é o principal responsável pela crise humanitária que resultou na migração de mais de oito milhões de pessoas, o que representa um quarto da população do país. A pesquisa indicou ainda a preocupação com a fraude eleitoral e a percepção - para 73,2% - de que a Venezuela é uma DITADURA EM PROCESSO DE SE TORNAR UM NARCO-ESTADO.
É ESSA A PAZ E COOPERAÇÃO QUE LULA DEFENDE????
Adriano Alves-Marreiros
(Esta semana, precisamos trazer de volta esta crônica: Mais atual que nunca!!! Do saudoso Tribuna Diária...)
“– Ah, a música – disse Dumbledore, secando os olhos. – Uma mágica que transcende todas que fazemos aqui!”
J.K. Rowling
Prosseguimos com nossa série de artigos de inspiração na Música. Com uma abordagem crítica da bandidolatria, do coitadismo penal e expondo a guerra cultural, passamos, agora, à famosa “O meu guri”. Embora muitos vislumbrem a obra como um relato de alienação, da mãe que estaria cega por amor ao filho e nada vê, vamos mostrar uma análise bem mais... desagradável do assunto.
Chico Buarque foi um grande autor como uma imensa produção de obras primas – mesmo sendo um autor muito ideológico, já que a forma prevalece na análise da qualidade lírica – e boa parte dessas obras é essencialmente de cunho político com uma visão extremamente parcial. A que abordaremos é claro instrumento de atuação na guerra cultural, neste caso, romantizando o bandido e justificando seus crimes. Claro: vai parecer que algumas coisas são repetições do artigo anterior (faroeste caboclo)[1], mas devo explicar a você – são mesmo!!! Esta música não foge da proposta anterior: se “Maria Lúcia era uma menina linda, o coração dele pra ela o santo Cristo prometeu” e fomos manipulados pela redenção do bandido por meio da paixão homem-mulher, neste nos manipularão por meio da nossa sensibilidade ao amor de mãe.
Enfim, a música perdeu muito quando Chico perdeu a mão há uns 30 anos: nestas 3 décadas mais recentes pouco produziu de relevante, exceto opiniões políticas também baseadas na ficção.
O meu guri: tentando romantizar a figura do criminoso, Chico acaba escancarando o cinismo da mãe de bandido...
Nos anos 80, época em que essa música foi lançada, havia muita filosofia e esoterismo circulando em todos os círculos: na maior parte de origem duvidosa ou distorcida. Lembro que que disseram que a de Lao Tsé – o TAO— pregava que “Antes de se estudar o Tao o mar é mar e a montanha é montanha. Quando se está estudando o Tao, o mar deixa de ser mar e a montanha deixa de ser montanha. Mas quando se conclui o estudo: o mar volta a ser mar e a montanha volta a ser montanha”. Pode até ser falsificação barata e Lao jamais ter dito isso, mas o fato é que isso aconteceu comigo quanto a essa música: primeiro achei que era uma defesa cínica dos bandidos, apelando para o sentimentalismo. Depois achei que era apenas a expressão da ingenuidade da mãe, cega por seu amor. Mas finalmente vi que era mesmo uma defesa cínica dos bandidos: e no contexto da guerra cultural, tentando se aproveitar do amor do brasileiro por um coitadinho...
Claro que a narração tinha que ser genialmente em primeira pessoa, para obrigar você a se colocar no lugar dela, e tinha que se começar pelas dificuldades da mãe solteira (já que “Não era o momento dele rebentar” e que ele “já foi nascendo com cara de fome”. Isso já nos induzindo a lembrar que sua vida foi difícil desde o nascimento e que apenas isso foi a causa invencível de sua vida dedicada ao crime, apesar do que já dissemos no artigo anterior sobre vizinhos na mesma situação, parentes, e tantas outras pessoas filhas de mães solteiras e que são trabalhadores honestos. Aliás, a própria narradora (a mãe) nada fala sobre ter praticado assaltos e outros crimes para criá-lo.
Na “filosofia” de R$ 1,99[2] anos 80, é claro que teremos uma “pérola de otimismo”[3] dele, do “meu guri” , que “um dia me disse que chegava lá”. Vejamos, então, até onde Chico pretende chegar para nos convencer que somos culpados da opção do “meu guri” pelo crime.
Claro que o criminoso é um trabalhador que “chega suado e veloz do batente”, ganhando o pão com o suor do seu rosto, aliás, não só o pão, mas também “Tanta corrente de ouro, seu moço, que haja pescoço pra enfiar” sugerindo que provavelmente outras pessoas também suaram: suaram frio com o “trabalho” do “meu guri”. Aliás, é justamente a partir de alguns frutos de seu trabalho – “Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá, um lenço e uma penca de documentos, pra finalmente eu me identificar” que não restam dúvidas de que a mãe não era “cega de amor a ponto de não ver o óbvio”, como o personagem Tavares do Jô Soares[4], a coisa se torna tão evidente que temos que dar à coisa o seu nome: CINISMO! O mesmo cinismo que gera aquelas entrevistas em que mães e parentes de traficantes, assassinos, membros de facções criminosas e corruptos sempre exaltam seus filhos como trabalhadores honestos injustamente presos pela polícia “opressora” ou perseguidos pelos “malignos” membros do Ministério Público e Juízes “fascistas” mancomunados.
E mostrando que é um trabalhador incansável e que diversifica, “Chega no morro com o carregamento, pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador”. A vida é dura e não se pode perder oportunidades, mesmo quando isso significa que a vida é ainda mais dura pra quem “perdeu, play”: as vítimas de seus crimes, se é que eles ainda têm vida...
Prosseguindo no cinismo, ela quer que você pense que sua cegueira deliberada seria alienação, e busca demonstrar preocupação e fé dizendo “Rezo até ele chegar cá no alto, essa onda de assaltos tá um horror”. Reforçando o cinismo já comprovado antes e que não se importa com as pessoas prejudicadas pelo seu filho bandido: só com “meu guri”.
Aí, pra deixar você ainda mais próximo e comovido com a atitude e a profunda humanidade de um bom filho, ela te romantiza: “Eu consolo ele, ele me consola, boto ele no colo pra ele me ninar”, só esquecendo de falar de tantas mães que não podem mais consolar nem ser consoladas pelos filhos por causa de guris como o “o meu guri”. Mas elas não importam, nem meros números são, pois não fazem estatísticas com mães e pais de vítimas... Ela, sim é que é merecedora de todos os direitos, da atenção de ONGs, de ativistas, de “garantistas”, pois é mãe de um batalhador, que vai cedo labutar, como ela relata: “De repente acordo, olho pro lado e o danado já foi trabalhar, olha aí”. Que importa se, no dia seguinte de cada labuta de seu guri, OUTRA MÃE ACORDA, OLHA PRO LADO E FILHO DELA JÁ NÃO TÁ MAIS LÁ, OLHA AÍ...
Levando a dramaticidade ao ponto máximo, chegamos ao epílogo quando ele “Chega estampado, manchete, retrato, com venda nos olhos, legenda e as iniciais” referindo-se à barrinha preta que colocavam na foto do jornal para não expor o rosto de um “di menor” e às iniciais para não revelar o nome. Aí, claro que ela que ela vai reclamar das pessoas que estão criticando ou falando daquela prisão, já que, ela só vê motivo de orgulho, já que ela não se importa com mais ninguém, não se importa com a maldade de seu filho: “O guri no mato, acho que tá rindo, acho que tá lindo de papo pro ar”. Há quem ache que esses versos significariam que o bandido morreu e que a alienação da mãe, com a dor da perda, ter-se-ia tornado total, mas entendemos que é orgulho mesmo, já que ele apareceu no jornal, que seu “papo pro ar” seria aquela pose arrogante de bandido convicto de que “não vai dá nada porque sô di menor” e até porque para chegar a ponto de sua prisão aparecer na manchete do jornal, é porque ele se tornou uma bandido muito procurado e com hierarquia alta no crime... É como ela diz “Desde o começo, eu não disse, seu moço, ele disse que chegava lá”.
É, olha aí, olha “o meu guri, olha aí” porque o seu guri, vítima dele, você não vai poder olhar mais: nunca mais...
Algumas pessoas vivem cheias de EUforia,
Todas as outras vivem cheias dos egoístas
(Millôr Fernandes)
Agradeço à Fernanda, minha mulher, por algumas sugestões essenciais para o estilo. (te amo!)
Agora vou ouvir a música...
Adriano Alves-Marreiros é alguém que detesta cinismo...
[1] face
[2] Muito antes das lojas de 1,99, e nem real era: era Cruzeiro.
[3] Daria um ótimo nome de livro de autoajuda (outro ajuda?) dos anos 8º, se é que não deu...
Valdemar Munaro
A Questão Judaica', de Karl Marx (1818 – 1883), originalmente publicada nos Anais Franco-Alemães de 1844, é a mais antissemita obra do século XIX. A lógica de seu raciocínio e o raciocínio de sua lógica são um prelúdio do nazismo efetivado no século XX. O escrito, criminoso e demencial, é um registro da intelectual degradação iluminista que a filosofia hegeliana e materialista 'conquistou'.
Muitos autores da época eram antissemitas, entre eles, poetas e filósofos: I. Kant, G. W. Hegel, Johann Fichte, Ferdinand LaSalle, F. Holderlin, K. Marx, F. Engels, Bruno Bauer, A. Schopenhauer, Frederico Nietzsche, Pierre J. Proudhon, Richard Wagner etc. Todos contribuíram para aumentar e espalhar, com vigor, o antissemitismo.
Marx tinha ciência dos pogroms do seu tempo, da miserável vida das comunidades judaicas espalhadas pela Europa oriental e ocidental, desde Portugal, Espanha, França, Polônia, Hungria, Áustria, Rússia até chegar à Alemanha prussiana, sua terra natal. Em todos esses países e em outros mais, havia hostilidade aberta a judeus, restrição a empregos públicos, proibição de sinagogas, impedimentos ao serviço militar, leis contrárias à posse de terras, trancos à abertura de negócios e comércios específicos, impostos adicionais a aldeias etc.
O quadro era desolador para a maioria dos hebreus que vivia na Europa do século XVIII e XIX. Mas apesar do conhecimento de todos aqueles fatos e circunstâncias, Marx manteve sua ideia estereotipada e preconceituosa contra os judeus, extravasando-a em julgamentos e insultos inexplicáveis.
Seus bajuladores justificam o escrito de Marx atribuindo-o a uma 'crise' pessoal, um posicionamento juvenil e intelectual ainda não plenamente 'marxista'. Ora, a justificativa é fajuta, pois Marx jamais se retratou, guardando um silêncio sepulcral sobre o assunto e se mantendo incólume, até o fim, no seu antissemitismo.
O ódio aos judeus, tentam explicar seus defensores, resultou do ódio de Marx por si mesmo. Transmutado em ressentimento expresso, Marx faria de seu antissemitismo uma espécie de catarse terapêutica pessoal. Permanece, porém, inexplicável a contradição do proclamado defensor dos oprimidos, que, ao mesmo tempo, os ataca e os quer destruir. O marxismo, de matriz essencialmente hegeliana, consegue a cara de pau de não se envergonhar das próprias contradições e hipocrisias.
Karl Marx, dizem ainda seus simpatizantes, vociferou contra os judeus porque tinha um objetivo: obter a adesão e a admiração de seu público-alvo, o operariado. Para chegar à tal conquista, não se importou com o apodrecimento da alma; queria a todo custo convencer seus interlocutores de que era um homem autenticamente irreligioso, materialista e ateu.
Embora fossem judeus, os Marx não prezavam os valores religiosos, muito menos as histórias bíblicas e as tradições cristãs. Foram as conveniências empregatícias que levaram seu pai, Hirschel, e sua mãe, Henriette, mentirosamente, a se converter ao luteranismo.
Nos anos 1817, 1824 e 1825, Hirschel, Karl e Henriette, respectivamente, batizaram-se na igreja protestante, o que lhes permitiu a continuação do soldo mensal correspondente ao exercício advocatício em Treveris. Hirschel passou a se chamar Heinrich, enquanto sua mulher, Karl e as demais crianças continuaram com os mesmos nomes.
A conversão farsesca tornou-se um espinho incomodativo na vida de Marx. Desejava não ter sido judeu e menos ainda ter recebido o batismo cristão. O forçoso judaísmo protestante converteu-se em chaga purulenta e culposa da qual sua alma ateia queria se expurgar.
Mas 'A Questão Judaica', em parte, também contrastava a tese do parceiro Bruno Bauer (1809 – 1882), um socialista hegeliano, preconceituoso e antissemita, metido a teólogo, cuja análise sobre o hebreu, historicamente real, terminava por considerá-lo um ser desprezível e incapaz. Segundo Bruno Bauer, os hebreus herdaram uma esperança messiânica que se personificou na imaginária terra prometida. Nunca, porém, puderam alcançá-la em razão de sua inaptidão e incapacidade.
Então, conforme Bauer, sendo essencialmente incapazes, os judeus se tornaram culpados da sua própria opressão e do próprio destino repleto de sofrimentos. A causa, pois, da miserável condição na qual o judeu se meteu está no seio do próprio judaísmo. A opressão do judeu se deve à sua teimosia em se manter judeu. Sua opressão, portanto, é seu judaísmo e seu judaísmo é sua opressão. O judeu, segundo Bauer, tem uma grande maldição: ser judeu. Por consequência, não há, para ele, outra saída, senão deixar de ser o que é.
Como se observa, o antissemitismo proposto por Bauer aumenta sobremaneira o problema judaico e o deixa sem alternativas. Para resolvê-lo, segundo Bauer, o judeu deve não existir. Se o problema está na sua religião e a religião está no seu problema, então o judaísmo deve ser suprimido.
Do ponto de vista da factualidade história, não se pode negar a discriminação e a marginalização sofridas pelo povo judeu ao longo do tempo, mas as perseguições, segundo Bauer, encontrariam solução num hipotético sionismo cujo lugar geográfico permitiria ao judeu exercer sua nacionalidade e sua cultura. Porém, como o judeu, no entender de Bauer, é um incapacitado, melhor seria que desaparecesse.
O antissemitismo abjeto e asqueroso de Bauer, entretanto, é menos grave que o de K. Marx. As páginas de 'A Questão Judaica' deste último, mostram uma cegueira proposital e criminosa que não vê os fatos históricos incontestáveis, mas escreve sobre o que preconceituosamente pensa. Não há no texto um rastro de lucidez, decência e honestidade. Há, sim, ao invés, um dogmatismo abjeto típico de um pensador vigarista e inescrupuloso.
Segundo Marx, não devemos nos preocupar em encontrar soluções para o problema judaico. Devemos, antes, nos libertar dele. A sociedade deve se emancipar do judaísmo. É a humanidade que deve se libertar do judaísmo e não o contrário. "Nós buscamos, diz Marx, o segredo do hebreu não na sua religião, mas buscamos o segredo da religião no hebreu real. Qual é o fundamento mundano do judaísmo? A necessidade prática, o egoísmo. Qual o culto mundano do hebreu? O tráfico. Qual o seu Deus mundano? O dinheiro. Pois bem. A emancipação do tráfico e do dinheiro, do judaísmo prático portanto, real, seria a autoemancipação do nosso tempo".
O raciocínio sofístico de Karl Marx segue a seguinte lógica: 1) o judaísmo é o dinheiro. 2) O dinheiro é a burguesia. 3) A burguesia deve ser destruída. Portanto, é preciso suprimir ou destruir o judaísmo.
"Em tal modo, dogmatizando, diz o comentador Robert Misrahi, Marx passa da acusação popular, 'os hebreus são por essência avaros', à acusação pseudocientífica 'os hebreus são, por essência, a própria burguesia'. O recíproco é, segundo Marx, também verdadeiro, e, se o judaísmo (dado que é a potência financeira mundial) é a burguesia, inversamente a burguesia é o judaísmo: 'o hebreu, que está na sociedade civil (burguesa) como membro particular, é só a manifestação particular do judaísmo da sociedade civil (da burguesia)'."
Como se vê, continua ainda Robert Misrahi, a situação para o hebreu é praticamente desesperadora: se se afirmar que todos os hebreus são burgueses, o judaísmo deve ser combatido no seu complexo e pela sua imediata culpabilidade, mas se se reconhece que existem burgueses não hebreus, igualmente se afirma a culpabilidade do judaísmo porque os burgueses são a realização do judaísmo e porque os hebreus, enquanto tais, exprimem o que há de judaico na burguesia... O mundo se judaizou, e todos os sofrimentos e os conflitos deste mundo provêm do fato que são praticamente judaicos. Estamos diante da forma extrema de delírio antissemita: o mal do mundo é o judaísmo no mundo, e o mundo como judaísmo".
Em outras palavras, Marx afirma que, de todos os modos, os judeus são culpados pelos males do mundo, tanto por serem burgueses, quanto por serem judeus. O judaísmo, segundo Marx, é a causa de todas as alienações, por isso, deve ser exterminado. A natureza hebraica, intrinsecamente má, faz do judeu um ser sem direitos à emancipação e à vida. Devemos, pois, batalhar pela emancipação da sociedade, libertando-a do judaísmo e de seu desdobramento, o cristianismo. É a sociedade humana que deve se libertar dos judeus e, por consequência, dos cristãos, e não o inverso.
Se as considerações antissemitas de Bauer reservavam ainda alguma pálida ideia sionista para resolver o problema judaico, um confinamento em algum lugar do mundo para os hebreus, Marx, ao invés, propõe seu radical e completo extermínio.
Segundo suas palavras, "apenas a sociedade suprima a essência empírica do judaísmo, o tráfico e os seus pressupostos, o hebreu se tornará impossível, porque a sua consciência não terá mais algum objeto, porque a base subjetiva do judaísmo, a necessidade prática se humanizará, porque será abolido o conflito da existência individual sensível com a existência do homem como espécie. A emancipação social do hebreu é a emancipação da sociedade do judaísmo."
Se o judaísmo é a causa dos males da humanidade, a solução está na sua erradicação. Marx revela aqui sua patologia maniqueísta que se outorga a si mesmo a monstruosa tarefa de julgar definitivamente os que devem ou não viver no mundo do qual não é autor.
Como se vê, o antissemitismo marxista é violento e criminoso. É inconcebível e inexplicável observar a travessura de muitos judeus marxistas indo atrás de uma doutrina que os matará. Da mesma forma, é inconcebível e desolador ver cristãos seduzindo pela mesma filosofia, cujos princípios, nutrem ódio ao judaísmo e desprezo visceral à religião de Jesus.
Marx insultava Moses Hess chamando-o de rabino e Ferdinand Lassalle de negro. Ambos eram alemães, socialistas e colegas pensadores de semelhante perfil. Hess não era rabino e Lassalle não era negro, mas Marx era racista.
O ódio aos judeus se tornou, tristemente, um combustível a diversas mobilidades políticas e sociais. Se porventura, um dia ele vier a se extinguir, veremos como hão de se extinguir também, automaticamente, os interesses por Gaza, o amor aos palestinos, as flotilhas solidárias, as lutas Lgbt, as batalhas feministas, etc. Marx não inventou a hipocrisia e a mentira, mas ensinou magistralmente como 'bem utilizá-las'.
Santa Maria, 30/10/2025
Gilberto Simões Pires
EM TESE
Preste bem a atenção: EM TESE, há quem imagine, e até se convença, que em países com ALTA CARGA TRIBUTÁRIA, o IDH - ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO- por conta do bom uso dos IMPOSTOS EM BENEFÍCIO DA POPULAÇÃO, se mostre em NÍVEIS ELEVADOS. Pois, para desespero geral da maioria do povo brasileiro, a ELEVADÍSSIMA CARGA TRIBUTÁRIA, que se aproxima celeremente de 43% sobre o PIB, não se traduz em efeitos minimamente DECENTES na formação do IDH do nosso empobrecido país.
COMPARAÇÃO SIMPLES
Quem se dispõe a fazer, por exemplo, uma comparação do IDH do CHILE, ARGENTINA, URUGUAI e PERU, para ficar apenas no quintal da América Latina, onde a CARGA TRIBUTÁRIA/PIB- é MUITO INFERIOR À NOSSA (em alguns está por volta da metade) verá -com os olhos bem fechados- que o IDH desses países é SUPERIOR ao nosso. Esta simples constatação é a -PROVA PROVADA- de que este INJUSTO E CRIMINOSO GOVERNO LULA NÃO ARRECADA IMPOSTOS, COM A FINALIDADE DE MELHORAR O -ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DO POVO BRASILEIRO-.
NA RABEIRA
A propósito, vejam que -de acordo com o relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) mantido pela ONU, o Brasil, mesmo depois de subir 5 posições ocupa o 84º LUGAR no ranking. Enquanto isso o CHILE se mantém no 45º lugar; a ARGENTINA no 47º; o URUGUAI no 48º; e o PERU, mais atrás, ocupa a 79ª posição. Mais: o BRASIL também está atrás do MÉXICO, AZERBAIJÃO, IRÃ E BÓSNIA, que não por acaso ostentam uma CARGA TRIBUTÁRIA BASTANTE INFERIOR À NOSSA.
ESPECIALIZAÇÃO
Como se vê, a posição do nosso empobrecido Brasil no ranking de DESENVOLVIMENTO HUMANO, não é nada boa. E para piorar o que já é péssimo, os GOVERNOS PETISTAS se notabilizam por TRIBUTAR, TRIBUTAR E TRIBUTAR. Mesmo assim, a IMENSA E INDECENTE CARGA TRIBUTÁRIA nunca consegue ZERAR OS RECORRENTES DÉFICITS DA CONTAS PÚBLICAS, assim como não consegue ZERAR OS INCRÍVEIS E PESADOS ROMBOS DAS ESTATAIS, que AUMENTAM A CADA DIA, DE FORMA IMPLACÁVEL. Ou seja, pouco ou nada dos tributos arrecadados é destinado para melhorar o nosso ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO. Pode?