Alex Pipkin, PhD em Administração
Conta-se que, há muito tempo — embora os habitantes jurem que tudo aquilo parecia acontecer diariamente — havia um reino pitoresco chamado Janjolândia, cuja bandeira ostentava, sem pudor, vermelho, verde e amarelo, como se anunciasse ao mundo que ali a fantasia gozava de mais autoridade do que a realidade.
Ali reinava Sua Majestade Perdularius I, um bom-mocista convicto cuja maior virtude — e orgulho público — era gastar. Gastava com a leveza irresponsável de quem trata o amanhã como simples abstração incômoda.
Sua principal atividade, além de posar como benfeitor perpétuo, era angariar dinheiro. Naturalmente o dos outros, porque gastar o próprio seria um desperdício de majestade. Aliás, no DNA dele e de seus conselheiros palpitava uma lógica invertida. Ao invés de proteger o erário, protegiam os próprios bolsos, recheando-os com o suor dos contribuintes.
Perdularius I reinava amparado por conselheiros que jamais haviam aberto um livro de economia, mas falavam com ar professoral sobre “bem-estar social financiado pelo universo”. Cochichava-se nos corredores do palácio que seu principal assessor econômico ostentava um doutorado na extinta Economia Soviética Aplicada à Utopia. Evidente, uma honra suprema entre os que confundem estatização com sabedoria. Inspirado por tais luminares, Perdularius fazia promessas inalcançáveis. Com a costumeira astúcia, mantinha-se no poder justamente porque discursava contra a pobreza para mantê-la, e, assim, justificar a própria permanência.
Certo dia, teve uma epifania iluminada. Reuniu seus sábios, ajeitou a coroa e proclamou, com a grandiloquência típica dos que confundem delírio com política econômica:
— A dívida pública ultrapassará 100% do que o reino produz, mas não há problema algum. Se faltar dinheiro, imprimimos mais!
Os conselheiros explodiram em aplausos, como se presenciassem uma nova física. A imprensa, que não era imprensa, mas sucursal do partido, celebrou a frase como ciência revolucionária, mais avançada que a roda.
E assim seguiram. A cada novo gasto perdulário, surgia um novo imposto; a cada novo imposto, um novo pretexto para gastar ainda mais. Em Janjolândia acreditava-se, com devoção quase litúrgica, que quanto mais o Estado devorava o povo, mais próspero o povo se tornaria. Uma lógica impecável, desde que se abolisse a aritmética básica.
Na vida real, tudo seguia previsivelmente irracional… Quanto mais Perdularius gastava, mais os preços subiam. Quanto mais os preços subiam, mais ele culpava os mercadores gananciosos. E quanto mais culpava os mercadores, mais impostos criava. Para Sua Majestade, não havia dilema econômico que não pudesse ser resolvido com a solução mais singela — e mais destrutiva — de todas: tributar mais, mais e mais, como se o bolso do súdito fosse um poço sem fundo e a paciência humana, um recurso infinitamente renovável.
Claro, fazia-se tudo isso não para resolver o problema, mas para exibir sua virtude excelsa. Afinal, vivia-se em Janjolândia o apogeu da sinalização virtuosa, onde a aparência de bondade valia mais do que qualquer resultado concreto e útil.
Como toda boa fábula, havia ali uma moral, sussurrada nos becos, feiras e oficinas. Seguramente, reino algum prospera quando o soberano gasta como um poeta bêbado, desses que se jactam de nunca terem estudado, que assassinam a língua portuguesa diariamente, embora bêbados de fato sejam. Na Janjolândia se cobrava impostos tal qual um glutão devora um prato de comida. Mas todos sabiam, embora não pronunciassem: prosperidade nasce de um Estado que pesa menos, cobra menos e deixa o povo trabalhar, produzir e inovar.
Reluzente, o óbvio “lulante”, transparente como água cristalina. Mas uma verdade luminosa demais para ser tolerada naquele reino de virtudes imaginárias, das falácias do coletivismo e da ideologia do fracasso.
Em suma, das mentiras “românticas” e das verdades “romanescas”.
Dartagnan da Silva Zanela
Todo herói, por sua própria natureza, é uma figura controversa, e o é por inúmeras razões. De todas as razões, há duas que, no meu entender, seriam intrínsecas à condição de personagem notável.
A primeira refere-se à própria condição humana. Todos nós, sem exceção, somos contraditórios, motivados muitas e muitas vezes por desejos conflitantes, impulsos desordenados, paixões avassaladoras, e por aí seguimos em nosso passo demasiadamente humano. E os heróis, humanos que são, nesse quesito não diferem de nós. O que os distingue de nós é a forma como eles lidam com os seus conflitos internos e com sua natureza desordenada.
A segunda seria o fato de que a forma como um personagem elevado à condição de herói é apresentado à sociedade. Dito de outra forma, de um modo geral, todos os heróis acabam refletindo os valores e ideias do tempo presente, daqueles que o reverenciam, não necessariamente as ideias e valores que eram, de fato, defendidos por ele quando estava realizando a sua jornada por esse vale de lágrimas.
Ou seja, cada época histórica acaba vestindo os heróis com as cores ideológicas e com os valores de cada época, servindo como um espelho para refletir as ideias e ideais do momento em que as pessoas estão vivendo. Por isso que, muitas vezes, personagens que em um momento histórico eram celebrados como ícones, em outros momentos acabam caindo no esquecimento. Da mesma forma, personagens que eram desconhecidos passam, em determinados quadros históricos, a serem celebrados como figuras dignas de estarem no panteão dos notáveis de uma nação, ou mesmo de toda humanidade.
Essas mutações, por sua vez, não são aberrações ou produto de conspirações sombrias, nada disso, cara pálida. É apenas e tão somente um traço característico da dinâmica histórica e do funcionamento da memória individual e coletiva. Aliás, quantas figuras que nós um dia admiramos hoje repudiamos? E quantas figuras que eram ignoradas por nós, ou que eram mesmo desprezadas, hoje nutrimos alguma curiosidade ou mesmo uma certa admiração? Então, essa mesma dinâmica faz-se presente na memória coletiva e junto à tessitura das malhas da história.
Deste modo, quando se celebra um herói, a sociedade está celebrando a si mesma, e nós, quando, com humildade, paramos para refletir sobre a vida e os feitos de um personagem histórico notável, com suas contradições e idiossincrasias, estamos dilatando o nosso entendimento, ampliando a nossa consciência e refinando a nossa percepção a respeito dos dramas que dão forma à nossa história e sentido à nossa vida. Enfim, é por isso que digo, sem cerimônia: viva Zumbi dos Palmares!
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Gilberto Simões Pires
BICICLETA USADA
Mais do que sabido, toda e qualquer pessoa que recebe, por exemplo, a PROPOSTA DE VENDA DE UMA BICICLETA USADA, antes mesmo de entrar na FASE DE NEGOCIAÇÃO DE PREÇO o interessado, com absoluta certeza, vai querer ver e/ou examinar o produto para saber se o mesmo está em razoáveis condições de uso, ou seja, se tem RODAS, PNEUS, SELIM , FREIOS, etc...
BANCO
Ora, se este trâmite de verificação do produto acontece com um contrato de COMPRA E VENDA DE UMA SIMPLES BICICLETA USADA, a COMPRA DE UM BANCO vai muito além. Como tal exige um exame extremamente minucioso e intenso, envolvendo tanto auditores experientes como equipes de profissionais -públicos e privados- todos dotados de razoável conhecimento sobre todos os tipos de operações que são realizadas pelas mais variadas instituições financeiras.
CONSELHO SINISTRO
Pois, o que salta aos olhos na LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL DO BANCO MASTER, determinada na manhã de hoje pelo Banco Central, e da prisão do seu dono, Daniel Vorcaro, pela Polícia Federal, é que em março deste ano, 2025, o PÉSSIMO CONSELHO DO BANCO PÚBLICO -BRB-, cujo acionista majoritário é o GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL, APROVOU -SINISTRAMENTE- A COMPRA DE 58% DO CAPITAL DO BANCO MASTER, COM VALOR ESTIMADO DE R$2 BILHÕES.
HISTÓRICO COMPLICADO
Para quem não sabe, a OPERAÇÃO só era vista como boa, ou ótima, apenas pelo DONO DO BANCO MASTER, Daniel Vorcaro. Vejam que, em maio, a Superintendência-Geral do CADE -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DEFESA ECONÔMICA- APROVOU A OPERAÇÃO SEM IMPOR RESTRIÇÕES. Da mesma forma a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou uma lei AUTORIZANDO A COMPRA. Detalhe: a PROPOSTA FOI SANCIONADA EM TEMPO RECORDE PELO GOVERNADOR IBANEZ ROCHA, entusiasta DEFENSOR DA TRANSAÇÃO. Felizmente, em setembro, o BANCO CENTRAL, DE FORMA UNÂNIME, APÓS MAIS DE CINCO MESES DE ANÁLISE MONETÁRIA, RESOLVEU REJEITAR A COMPRA DO MASTER PELO BRB, colocando em SÉRIAS DÚVIDAS a "viabilidade econômico-financeira do empreendimento".
VIGARICE OSTENSIVA
Como se vê, pouco importa o produto. O fato é que, EMPRESAS ESTATAIS, através de PÉSSIMOS E CORRUPTOS CONSELHOS, conseguem enxergar VANTAGENS na COMPRA DE QUALQUER COISA, inclusive BICICLETAS SEM QUADRO, RODAS, SELIM, etc... Mais: entendem que quanto menos peças existem nos produtos ofertados, maior o PREÇO A SER PAGO e/ou REPARTIDO COM OS VIGARISTAS.
Gilberto Simões Pires
MINISTROS PSOLISTAS
A maioria dos ministros da nossa -sinistra- SUPREMA CORTE, com o nítido propósito de DEMONSTRAR o quanto vê como LEGÍTIMO, SIMPÁTICO E NECESSÁRIO dar prosseguimento a toda e qualquer AÇÃO apresentada pela enlouquecida turma do PSOL, achou por bem, na semana passada, RECONHECER a -OMISSÃO DO CONGRESSO NACIONAL- em INSTITUIR -o quanto antes- o estúpido -IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS-.
INEFICIÊNCIA COMPROVADA
Antes de tudo, para que não paire mínima dúvida, a EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL COM O IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS MOSTRA -TIM TIM POR TIM TIM- QUE A GRANDE MAIORIA DOS PAÍSES QUE INSTITUÍRAM A ESTÚPIDA TRIBUTAÇÃO, como ALEMANHA, JAPÃO, ÁUSTRIA, SUÉCIA E FRANÇA, por exemplo, acabou por REVOGÁ-LO OU MODIFICÁ-LO DEVIDO A INEFICIÊNCIAS E À FUGA DE CAPITAIS.
7 VOTOS A 1
Pois, nem mesmo o FATO -mais do que comprovado- de que praticamente todos os países voltaram atrás, tratando de REVOGAR A ESTÚPIDA TRIBUTAÇÃO, consegue fazer com que a maioria dos ministros do STF enterre o pleito do PSOL. Até o momento, para quem não sabe, o placar é de 7 votos a 1 para RECONHECER A OMISSÃO DO LEGISLATIVO.
FUX - O DIVERGENTE
Até agora, pelo que foi divulgado, Luiz Fux foi o único ministro que DIVERGIU dos MINISTROS PSOLISTAS. Como tal CRITICOU OS PARTIDOS POLÍTICOS que “perdem na arena política e vêm procurar a solução no Judiciário”. Com ênfase, DEFENDEU que COMPETE À UNIÃO, E NÃO AO PODER JUDICIÁRIO CRIAR TRIBUTOS. Fux destacou, também, a diferença entre -OMISSÃO E OPÇÃO- e lembrou que o Congresso discute inúmeros projetos na área econômica.
ESTADO DE ESCULHAMBAÇÃO
Já o ministro Flávio Dino, com o claro intuito de se mostrar sempre pronto para atender os pleitos do PSOL e/ou mostrar que o BRASIL VIVE UM PLENO -ESTADO DE EXCEÇÃO-, ou -ESTADO DE ESCULHAMBAÇÃO- fez a seguinte afirmação: - se o Congresso se omitir, aí cabe a nós, STF, criar o IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS. Que tal?
Afonso Pires Faria
É raso, para não utilizar outro termo menos palatável, o que o governo do PT está fazendo com o povo brasileiro. Utilizando técnicas tão antigas quanto criminosas, enganam e ludibriam toda a população, sem dó nem piedade. Sabendo do pouco conhecimento e capacidade cognitiva da grande maioria da população brasileira, mente e tergiversa como se não houvesse amanhã. A velha e surrada técnica de criar um espantalho para bater nele, é usada dia sim, dia também. Acusam de fascistas todos aqueles que apontam os seus crimes e desmandos.
Quando no poder, incham o estado com leis populistas e ilusórias. Quando não estão criando leis absurdas, estão a louvar aqueles que criaram algumas que são utilizadas e incrementadas por eles. A própria CLT, que engessa o empregador e escraviza o trabalhador, tem sua origem na “carta del lavoro”, criada pelo pai do regime que eles acusam seus opositores de defender. Não bastasse posar de “bom moço” com o dinheiro alheio, aumentam e criam impostos toda a vez que os cofres já não suportam tanto assistencialismo. Ao mesmo tempo, tiram vultosos recursos de trabalhadores e de empresários e distribuem pequena parte do bolo, para aqueles que nada produzem. Sim, nada produzem porque não é vantajoso trabalhar para ganhar um valor semelhante, se não menor, do que o pai Estado lhes fornece.
Criando uma massa de desocupados no país, o governo segue outra cartilha também nada democrática. Estão fomentando a existência no país, do lumpemproletariado. Estes estarão dispostos a votar no governo de plantão, ou até mesmo de praticar atos antidemocráticos e criminosos para que este lhes garanta o ganho fácil.
A oposição, não tem a menor chance de lograr êxito em uma disputa democrática. A ignorância, a esperteza e a pouca vontade de um lado, e a ganância pelo poder e do lucro fácil de outro. Eis o que estamos vivendo no nosso pobre país. À oposição somente resta “cantar para ouvidos surdos”.
Dartagnan da Silva Zanela
Hannah Arendt nos ensina que a educação é o alicerce de uma república. É através de uma formação sólida que se edificam as bases sobre as quais os cidadãos poderão construir as suas vidas e desenvolver de forma plena a sua participação na sociedade. Por essa razão, não se deve brincar com a educação, nem agir de forma leviana em relação a ela, porque é através dela, da forma como ela é constituída, que se desenha o futuro e se edifica a personalidade dos indivíduos.
Sobre esse ponto, José Ortega y Gasset nos chama a atenção para um fato que, muitas e muitas vezes é esquecido por nós: se almejamos saber como será a sociedade em que vivemos daqui a uns trinta anos, basta que voltemos os nossos olhos para aquilo que é vivenciado hoje nas salas de aula. Não tem erro, nem "lero-lero"; ali encontra-se o germe do futuro que nos aguarda.
E tendo essa preocupação em mente, preocupação essa que há muito fora manifestada pelos dois filósofos acima citados, é que a professora Inger Enkvist faz uma dura advertência a todos aqueles que tiverem ouvidos para ouvir: um governo que não trata com a devida seriedade a educação das nossas crianças e jovens está agindo de forma frívola com relação ao futuro da nossa sociedade. Quando os governantes atuam de forma negligente com relação à educação das tenras gerações, eles estão agindo de forma irresponsável com relação à continuidade da existência da própria sociedade.
Uma das colunas fundamentais para se preparar as bases do futuro é criar os meios para transmitir o patrimônio cultural, a herança intelectual que nos foi legada pela humanidade, para as gerações mais jovens, para que, deste modo, elas possam ter uma visão mais ampla da realidade e das possibilidades humanas, como bem nos lembra o professor Gregório Luri.
Agora, se nós não conseguimos fazer isso, transmitir essa herança para as tenras gerações, a sociedade tal qual nós a conhecemos, em um curto espaço de tempo, sofrerá uma profunda transubstanciação.
Ora, quando vemos inúmeras pessoas imersas nas sombras do analfabetismo funcional, quando nos deparamos com incontáveis indivíduos presos num círculo vicioso onde o narcisismo, as compulsões, o egocentrismo e a adolescência sem fim predominam, constatamos que a forma leviana como a educação vem sendo tratada nas últimas décadas já está dando os seus frutos e que o futuro já está apresentando os seus primeiros traços. Traços esses que, em alguma medida, estão estampados nos rostos de todos nós.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.