• Claudio Apolinario
  • 24 Maio 2026

 

Claudio Apolinario

No Brasil, existe modo. E ele não começou agora.

Toda censura começa com uma justificativa razoável. Combater mentiras. Proteger a democracia. Garantir a ordem. Defender os mais vulneráveis. São argumentos que ninguém consegue ser contra — e é exatamente por isso que são usados. Não para convencer. Para silenciar sem parecer que está silenciando.

O Brasil está vivendo isso. E não começou agora.

Em 2020, decisões judiciais passaram a ordenar a remoção de conteúdos e o bloqueio de contas nas redes sociais, na maioria das vezes sem explicação pública sobre o critério usado. Em 2022, um documentário foi proibido de ser exibido antes mesmo de ser lançado — censura prévia, que a Constituição proíbe expressamente.

Em 2023, um aplicativo de mensagens usado por dezenas de milhões de brasileiros foi suspenso duas vezes por não obedecer a ordens de retirada de conteúdo. Em 2024, uma plataforma inteira foi bloqueada no Brasil por meses — a primeira vez que isso aconteceu num país que se apresenta como democracia plena.

E em maio de 2026, dois decretos do governo federal mudaram as regras do jogo de forma definitiva: as plataformas digitais passaram a ser obrigadas a retirar conteúdos sem precisar de ordem judicial. Basta uma notificação do governo.

Isso não é uma série de casos isolados. É um método. É um caminho de censura que se consolida passo a passo.

O método funciona em etapas. Primeiro, cria-se o argumento de que certas opiniões são perigosas — não erradas, não discutíveis, mas perigosas. Depois, transfere-se para o Estado o poder de decidir quais opiniões se enquadram nessa categoria. Por último, pune-se quem discorda da classificação.

Em cada etapa, a justificativa parece razoável. É só na soma das etapas que o resultado aparece: quem discorda do poder aprende que discordar tem um preço alto.

E aqui está o problema central que qualquer eleitor de centro e de direita deveria ver com clareza: isso não é sobre proteger a democracia. É sobre quem controla a narrativa num ano eleitoral.

Quando um governo decide o que pode ser dito sobre ele, não existe debate livre. Existe debate permitido. E debate permitido não é democracia — é performance de democracia.

A liberdade de expressão não é o direito de dizer apenas o que o poder aprova. É exatamente o oposto: é o direito de dizer o que o poder não quer ouvir. Retirar esse direito em nome de combater mentiras é o truque mais antigo do autoritarismo. Porque quem define o que é mentira nesse arranjo é sempre quem já está no poder.

Outros países encontraram formas de combater a desinformação real sem abrir mão da liberdade de expressão. O caminho passa por educação, por transparência, por jornalismo independente e por debate aberto — não por decretos que colocam nas mãos do governo a chave do que pode circular.

O que cada um pode fazer é simples: não aceitar a ideia de que calar é proteger. Perguntar sempre quem decide o que é perigoso. Cobrar do candidato posição clara sobre liberdade de expressão antes de votar. E lembrar que toda ditadura da história começou dizendo que restringia apenas o que era prejudicial.

Quem tem razão não tem medo do debate. Tem medo do debate quem sabe que não consegue vencer no campo das ideias.

*            O autor,  Claudio Apolinario,  articulista e analista político.

 

Continue lendo
  • Sílvio Lopes
  • 22 Maio 2026

Silvio Lopes

           Há segredos escondidos que precisam ser descobertos e revelados para, dessa forma, nos permiter libertar dos grilhões que nos são impostos na caminhada da vida. A ideologia política é um desses que, modernamente, se tornam verdadeiras " amarras mentais", como assim as definiu o Sidarta Gautama(Buda), idos dos anos 570 aC. 

Vivemos tempos de milhões de mentes "engessadas" por falsas verdades, que apoiam, de modo irrestrito, visões de sociedade que ao invés de enaltecer o ser humano, o fazem escravos mentais capazes de( inimaginável se pensar!), nutrirem cega adoração pelos algozes que os querem é, justamente, condenar a viver uma vida miserável e indigna. 

Num ambiente como o que vivemos atualmente no Brasil, em que, no dizer de José Saramago, " o tempo das verdades plenas acabou", o que vemos é o prosperar da " mentira universal" provinda da boca de autoproclamados " defensores da democracia", que não passam, isto sim, de vilões a serviço de uma milícia formal de adoradores da mais cruel, sangrenta e desumana das ditaduras do proletariado que a antiga União Soviética nos deixou como exemplo de "catástrofe civilizatória". 

O velho Diógenes de Sinope(Turquia), o Cínico, já dizia que " os piores escravos são aqueles que estão constantemente servindo as suas paixões". Essa frase, vamos ter que admitir, se encaixa perfeitamente no que tem acontecido há pelo menos três décadas no Brasil. A paixão "deslavada e incompreensível" de grande parte do povo a uma figura política desprezível que nunca sequer lhe entregou nada além de esperanças renovadas, e que vem( por isso mesmo), condenando o Brasil a ser um eterno país do futuro...

Mas tenhamos a firmeza, a fé  e a determinação de que o apóstolo João tem toda a razão quando proclamou: " Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Que essa verdade chegue logo. Mesmo que, para isso, tenhamos de usar, em pleno dia, a lanterna do acima citado Diógenes para buscá-la entre os homens. Não há outra saída!

*        O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante 

Continue lendo
  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 22 Maio 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

            A História nos ensina, de forma trágica, que existem mil e uma maneiras de censurar, de calar a boca daqueles que os donos do poder consideram inconvenientes. Não apenas a História, mas também a literatura que, através de obras distópicas, retrata-nos de forma alegórica o quão grande é a criatividade dos tiranos e tiranetes deste mundão para silenciar as vozes que não estão de acordo com sua opereta.

De todas as obras distópicas, o livro "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury, tem um lugar de destaque. Nesta distopia, o autor descreve-nos uma hipotética sociedade futura onde as pessoas não leem mais livros.

Neste universo ficcional, ler é um crime gravíssimo e, por isso, todas as vezes que livros eram encontrados, eles eram queimados, ironicamente, pelo corpo de bombeiros que, com seus lança-chamas, consumia as obras à temperatura de 451 graus Fahrenheit.

Mas por que fazer uma barbaridade dessas? Ora, porque livros são perigosos. Eles são um perigo porque expõem as pobres pessoinhas a diferentes perspectivas sobre a vida; questionam-nas, causando desconforto ao retratar a complexidade da existência humana; e fazem tudo isso exigindo um longo tempo de concentração e reflexão sobre o que foi lido.

E como as pessoas, neste mundo imaginário, chegaram ao ponto de encarar a leitura como algo tão perigoso? Bem, é aí que mora a sutileza desse trem doido: as pessoas desinteressaram-se pela leitura porque estavam saturadas de informações (de serventia pra lá de duvidosa). Todos possuíam em suas casas as tais "teletelas", que nada mais seriam que televisões que ocupavam praticamente toda uma parede.

Essas estrovengas funcionavam como um sofisticado instrumento de alienação e controle social — ou de entretenimento e lazer, se preferir —, fornecendo para a população uma programação incessante, superficial e interativa, que de um jeito muito bizarro substituía a realidade, as relações genuinamente humanas e, de quebra, sabotava sem dó o pensamento crítico, mantendo os cidadãos em um perene estado de transe, como se estivessem hermeticamente encarcerados em uma bolha midiaticamente edificada.

Graças a Deus que esse trem sinistro existe apenas nas páginas distópicas de Bradbury. Já imaginou viver numa sociedade assim, onde as pessoas preferem bater um lero-lero com uma tela fria de cristal do que olhar no olho de uma pessoa de carne e osso para trocar umas ideias? Pois é...

E esse é o ponto: quando as pessoas vão deixando de lado a prática da leitura — de obras literárias, não de postagens aleatórias e mensagens no WhatsApp —, a atenção dos indivíduos vai gradativamente se esfarelando, a paciência vai se esgotando e o discernimento sendo embotado por um fluxo sem fim de informações desconexas que, ao serem consumidas de forma conspícua, produzem uma estranha sensação de satisfação soberba que, sem pedir licença, vai tomando o lugar daquilo que um dia convencionou-se chamar de pensamento crítico, mas que hoje, francamente, não quer dizer muita coisa, sendo apenas mais uma forma diferente de nominar a nossa soberba satisfação frente ao consumo desregrado de informações de pouca ou nenhuma valia.

Enfim, graças a Deus nosso país está a léguas de distância das páginas desta triste distopia onde os indivíduos não mais tem disposição e paciência para ler um livro, não é mesmo?

*       O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS", entre outros livros.

Continue lendo
  • Dagoberto Lima Godoy
  • 21 Maio 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

           Há comparações históricas que, tomadas literalmente, mais confundem do que esclarecem, mas há outras que funcionam como advertência. A analogia entre a degenerescência político-moral do Brasil e a queda do Império Romano pertence a essa segunda categoria. Não porque o Brasil esteja destinado a repetir Roma, nem porque os estados da federação sejam equivalentes às antigas províncias imperiais, mas há um ponto de contato inquietante: quando a autoridade central perde legitimidade moral, capacidade administrativa e força simbólica, a unidade política pode continuar existindo formalmente enquanto, por dentro, se enfraquece.

É aqui que a comparação com o Brasil ganha sentido. O risco brasileiro talvez não seja uma queda espetacular, uma ruptura súbita, uma dissolução imediata da federação. O risco mais plausível é mais insidioso: uma degradação por acomodação. O país não se desmancha porque todos querem destruí-lo, mas porque muitos aprenderam a sobreviver — e até a prosperar — dentro de sua disfunção. Todos criticam os privilégios, desde que não sejam os seus. Todos condenam a corrupção, mas muitos toleram a pequena vantagem, a proteção corporativa, a exceção conveniente, o favor político, a esperteza administrativa. O resultado é uma decadência sem dramaticidade: uma lenta perda de energia moral.

A degenerescência brasileira manifesta-se na substituição do interesse público por pactos de sobrevivência, na captura do orçamento por grupos organizados, na transformação do adversário em inimigo moral, na judicialização excessiva da política e na percepção de que a lei é rigorosa para alguns, negociável para outros e irrelevante para os mais poderosos. Essa situação não equivale ainda ao colapso. Mas produz algo talvez mais perigoso: a normalização do anormal.

Ainda assim, nenhuma comparação histórica deve servir apenas ao pessimismo. Roma é advertência, não sentença. A reforma do prédio ainda é possível se as rachaduras da estrutura ainda não chegam à falência. O Brasil não está condenado, embora já não possa se permitir a ilusão de que suas fissuras são superficiais.

A reabilitação nacional exigirá recomposição moral e institucional: restauração da responsabilidade, recuperação do sentido republicano, reforma do federalismo, reconstrução da educação como projeto civilizacional, enfrentamento da ilegalidade organizada e da ilegalidade tolerada, além de uma linguagem pública capaz de distinguir adversário de inimigo.

A pergunta, portanto, não é se repetiremos Roma. É se teremos lucidez suficiente para reconhecer os sinais de exaustão antes que eles se convertam em normalidade definitiva.  Um país não se salva apenas por indignação contra sua decadência. Salva-se quando transforma a indignação em responsabilidade, a crítica em reforma e a esperança em ações eficazes.

*          O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 19 Maio 2026

Gilberto Simões Pires

DIFERENÇA BÁSICA ENTRE ESQUERDA E DIREITA NO BRASIL

Mais do que sabido, enquanto a ESQUERDA BRASILEIRA, de forma estratégica, se mostra sempre muito ARTICULADA, defendendo suas IDEIAS assim como seus LÍDERES, independente dos partidos políticos que integram e representam, a DIREITA BRASILEIRA, por incrível que possa parecer, não por acaso se mostra, de forma intencional e direta, como -DIREITA TORTA-, do tipo que concentra suas IDEIAS, AÇÕES E INTENÇÕES no sentido da -AUTODESTRUIÇÃO-.

DIREITA TORTA

Esta incrível AUTODESTRUIÇÃO se verifica, claramente, através de ATAQUES -COMBINADOS OU NÃO- que os grupos da -DIREITA TORTA BRASILEIRA- trocam constantemente- CONTRA POLÍTICOS DE PARTIDOS admitidos como -ALIADOS-. Assim, o que menos acontece nesse NEFASTO SISTEMA DE AUTODESTRUIÇÃO são ações e manifestações em DEFESA DA -LIBERDADE ECONÔMICA, DA VALORIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, DA PROPRIEDADE PRIVADA, DA PRESERVAÇÃO DE TRADIÇÕES E VALORES MORAIS, DO LIVRE MERCADO E DA REDUÇÃO DO TAMANHO E DA INTERFERÊNCIA DO ESTADO NA SOCIEDADE-, que caracterizam o legitimo papel da -DIREITA- NO MUNDO TODO.  

CONSELHEIROS DO BANCO MASTER

Vejam que enquanto a ESQUERDA BRASILEIRA se mantem UNA, CONFIANTE e ARTICULADA apontando que o conteúdo das mensagens que envolvem o PATROCÍNIO DO FILME/DOCUMENTÁRIO SOBRE A VIDA DO EX-PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, é ATO CRIMINOSO, a DIREITA TORTA  não consegue se UNIR EM DEFESA -UNÍSSONA- DAQUILO QUE REALMENTE SE IMPÕE, qual seja, de APONTAR QUE A BUSCA DE PATROCÍNIOS PARA A REALIZAÇÃO DE QUALQUER TIPO DE OBRA OU PROJETO, NOTADAMENTE JUNTO À INICIATIVA PRIVADA, ALÉM DE LÍCITO, passou pelo crivo do CONSELHO DO BANCO MASTER, onde a maioria dos seus integrantes era formada por ex-ministros do GOVERNO LULA, como é o caso de -GUIDO MANTEGA, RICARDO LEWANDOWSKI, HENRIQUE MEIRELLES, GUSTAVO LOYOLA e GERALDO MAGELA, por exemplo, onde TODOS DERAM  AVAL INCONDICIONAL ÀS INÚMERAS SAFADEZAS COMETIDAS.

 

Continue lendo
  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 15 Maio 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

             De tempos em tempos, todo cronista, seja ele um mestre ou um mero artesão, se defronta com o dia fatídico em que lhe dá um terrível branco na cuca; em que não lhe pinta nenhuma inspiração para escrever, por mais insípida que seja. Quando isso acontece, sinceramente, é de lascar.

Imagino que deva existir uma série de razões sociológicas e psicológicas que nos ajudem a ter uma visão mais clara das causas desse fenômeno, mas que, francamente, não vêm ao caso neste momento. Isso porque, quando deitamos nossas vistas nas páginas que foram redigidas pelos grandes cronistas brasileiros — naquelas que foram escritas sem a menor fagulha de inspiração —, entendemos em dois palitos que, nas mãos certas, até mesmo a monotonia e a ausência de qualquer lampejo tomam uma forma singular, criativa e profundamente humana.

Quando Rubem Braga escrevia suas crônicas sem assunto, convidava-nos a prestarmos mais atenção em nossa monotonia cotidiana, nos detalhes da vida que, por inúmeras razões, acabam sempre passando despercebidos pelos nossos olhos que vivem aferrados às nossas rotinas.

Podemos dizer o mesmo de Fernando Sabino que, com sua pena — e sem pena —, era capaz de extrair uma sutil e delicada prosa do canto de um pássaro imaginário que estava a assuntar ao pé de seu ouvido.

E o mesmo pode ser dito das crônicas de Drummond, Janer Cristaldo, José Carlos Oliveira, Carlos Heitor Cony, Stanislau Ponte Preta e tutti quanti. Quando a musa não cantava para os inspirar, cada qual com sua toada, cada um com o seu estilo, tirava não uma carta, mas um baralho inteiro da manga. Não tinha lesco-lesco.

E essa falta de inspiração é algo que me fascina, porque todos nós, cada qual em seu quadrado existencial, vez por outra nos vemos invadidos por ela. Tal sensação é um trem danado que, se ganhar espaço em nossa alma, é capaz de fazer um estrago daqueles.

Ora, quem nunca se viu ao final de um dia, especialmente em um fim de semana, totalmente cabisbaixo, desanimado sabe-se lá com quê? Sim, é algo humano. Porém, também é humano — pra lá de humano — sermos capazes de olhar para essa atmosfera macambúzia e ressignificá-la,

transformando-a em um trampolim para atingirmos pontos mais elevados em nossa existência. Para realizar essa empreitada, é necessário algo que poucas pessoas têm em sua algibeira: disciplina. Isso mesmo! Disciplina.

Sim, eu sei, todo mundo sabe e faz questão de esquecer: o que nos faz encarar a vida com altivez não é a motivação. Esse trem, além de ser desprovido de substância, é efêmero e, de quebra, quando se esvai, acaba nos atirando no lamaçal da ausência de sentido.

A disciplina não; essa parada é bem diferente. Ela é o elemento que permanece conosco quando tudo o mais desmorona. É por isso que as crônicas "sem assunto" dos grandes mestres me encantam: elas são uma prova viva de que, quando assimilamos uma disciplina em nossa personalidade, ela nos habilita a imprimir sentido onde tudo aparentemente é desprovido de propósito, e a extrair significado onde outros apenas reconheceriam o reflexo do vazio de suas próprias almas.

Enfim, lembremos e, se possível for, procuremos não nos esquecer: a monotonia não está à nossa volta; ela está apenas e tão somente presente em nosso olhar.

*          O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS", entre outros livros.

Continue lendo