• Vanderlino H. Ramage
  • 02 Abril 2024

Vanderlino H. Ramage

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”!

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

No ano de 2005 estive na Colômbia, e naquela ocasião estava chegando às livrarias a biografia de Pablo Escobar, o mega narcotraficante do chamado “Cartel de Medellin”. Impressiona a semelhança do que vivenciava aquele país, nos anos 80 e 90 do século passado, com o Brasil de hoje, com os níveis de violência, como decorrência do narcotráfico.

A biografia é um depoimento contundente e sem firulas, dado por Jhon Jairo Velásquez Vásquez, conhecido no mundo do crime como “Popeye”, à jornalista colombiana Astrid Maria Legarda Martínez. “Popeye” era o segundo na hierarquia do “Cartel de Medellin”, abaixo apenas do super “capo”, Pablo Escobar, sobreviveu ao Cartel, e deu estes depoimentos a partir de 1998, na prisão em Bogotá, Colômbia.

Para aqueles que se interessam, estudiosos, curiosos, sociólogos, professores de direito, enfim todos aqueles que acreditam, de que não há efeito sem causa, e sobretudo acreditam no nosso país, recomendo que leiam “El Verdadero PABLO, Sangre, traicion y muert...”, mutatis mutandis, concluirão de que o Brasil de hoje se encaminha (ou já vive) à Colômbia de ontem.

É inacreditável, mas Pablo Escobar, com seu “Cartel de Medellin”, chegou a dominar o país inteiro. O Estado Colombiano, foi posto de joelhos, ficou à mercê do traficante. Dominou o Congresso Nacional, chegando ao ponto de mudar a legislação que permitia extradita-lo para os EUA. Entretanto para atingir este nível de dominação, amedrontou a nação através do terror.

É necessário ressaltar, que Pablo angariava a simpatia de parte da população, que via nele um salvador, um benfeitor. Na realidade era um populista bandido, que sabia como poucos manipular as pessoas e carrear os anseios das populações humildes e carentes. Um Robin Hood às avessas, do século XX. Qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência.

No auge do seu poder e na luta titânica para não ser extraditado, Pablo Escobar cooptou especialistas dos grupos guerrilheiros ETA, das FARCs, do ELN, do M-19 etc, para as quais fornecia drogas em troca de armamento e treinamento operacional militar. É incontestável, nesse relato biográfico, a simbiose do narcotráfico com as esquerdas latino-americanas. Os Sandinistas da Nicarágua, o General Noriega do Panamá, e os donos de “La Isla Paradiso”, Cuba. Pablo tinha a simpatia dos ditos “movimentos da sociedade organizada”, do “indigenismo”, dos “direitos humanos”, do “ambientalismo” etc.  

As “FARCs” brasileiras têm outros nomes, mas são bem conhecidas. Tem apelidos camuflados como “Movimentos Sociais”, inclusive ONGs. Daí talvez, se possa começar a entender porque os “direitos humanos” nunca acodem as vítimas, o policial assassinado ou seus familiares, mas se apiedam sempre do bandido!

No final de sua vida, Pablo com seu “Cartel de Medellin”, entre outros recordes, contabilizava a morte de 1500 policiais, o assassinato de 03 candidatos à presidência da república, 02 ministros da justiça, 01 senador, 01 procurador da república, a derrubada  de um avião um avião com 107 passageiros abatido em pleno voo, mais de 250 atentados com dinamite, morte de mais de 1000 jovens das comunidades, centenas de civis inocentes, sequestros de empresários, jornalistas, políticos, etc, e a proeza de ter acabado com a cúpula do judiciário colombiano de uma tacada só, incluindo a morte de mais de 100 pessoas num único atentado. Foi aí que a nação começou a acordar! Será que o Brasil está necessitando de um choque semelhante?

No caso do Brasil a situação é mais grave, pois contabilizamos quase 50.000 assassinatos por ano, em grande parte, como decorrência do consumo de drogas ilícitas, o narcotráfico e seus desdobramentos. Incluindo as mortes no trânsito (50.000 por ano), chegamos a um número apocalíptico, de mais de 1.000.000 de mortes violentas em 10 anos. E ainda não acordamos!

É uma guerra das mais devastadores de todos os tempos. E o custo psicológico? Medo, descrença, insegurança. E o custo social e financeiro? Quanto custa aos contribuintes deste país pagar esta guerra fratricida?

Entretanto, o mais inverossímil foi o debate político das últimas eleições sobre o tema, quase nada. A preocupação relevante orbitava sobre a questão LGBT, casamento gay, homofobia etc, temas que passaram a ser prioridade nacional, uma questão de Estado. Aliás, continuam como prioridades no Congresso Nacional. Enquanto isso a nação sangra.

Nas questões estratégicas, que realmente interessam para o futuro do nosso país, o Brasil virou o “samba do criolo doido”: Na TV o herói é do UFC, violência que faz do boxe um esporte para os fracos; do “BIG Brother”, da “novela das oito”, e para fechar a semana, o herói da “Dança dos famosos”.

O narcotráfico já mantém muitas áreas “liberadas” em cidades brasileiras, e está na gênese da maior parte da violência deste país. As medidas para extirpar esta chaga, tomadas pelas autoridades, são de uma candura de fazer chorar o mais insensível dos mortais.

Vejamos: como se trata de uma guerra, o problema escapa à soluções meramente policiais. Todos sabem de onde vem as drogas, por onde entram no país, por onde entram as armas que dão suporte bélico e quem são os respectivos fabricantes.

Portanto as UPPs, tão celebradas como soluções em algumas grandes cidades brasileiras, são apenas respostas políticas de candidatos eleitoreiros. Na prática, servem de mortes anunciadas de policiais que morrem às dezenas, no cumprimento inglório do dever.

De outra parte, as campanhas antidrogas se revelam de um cinismo que despreza a capacidade cognitiva e a sensibilidade do ser humano. Se restringem ao “CRACK”, o “genérico” das drogas. O “crack” incomoda ao grande traficante e a sensação que se tem é de que o narcotráfico já controla setores da mídia, dada as investidas para “legalizar” a maconha. Qualquer estudante do segundo grau sabe que a maconha é a porta de entrada para as drogas mais pesadas.

O tabaco e o álcool destroem o físico, o narcótico destrói a alma.

Causa espanto que os bilhões de reais, movimentados pelo narcotráfico, escapem ao controle das autoridades fazendárias deste país. Pois, qualquer brasileiro que já viveu a experiência de movimentar o montante de R$ 100.000,00 sabe que tem um órgão chamado COAF, que controla as movimentações financeiras desse porte. E mais, o dinheiro do tráfico necessita ser “lavado”, e não é feito em lavanderias convencionais. Todos sabem onde eles são “lavados” para legitima-los. Conforme estudiosos do tema, a movimentação financeira do narcotráfico só é superada pelo mercado de armas!

Há muitos anos, na época da inflação galopante, ouvi alguém dizer: “Sabem por que a inflação não acaba? Porque alguém lucra com ela, pois se a sociedade inteira, sem exceção, perdesse, ela acabaria no dia seguinte”.

Este raciocínio vale para o narcotráfico. Além dos narcotraficantes, alguém mais lucra, alguém ou alguns muito poderosos, e dá para inferir quais sejam?!

Poderia continuar este raciocínio usando a lógica capitalista. O narcotráfico existe porque existe mercado. Como o maior mercado consumidor do mundo, até segunda ordem, continua sendo o mercado norte americano, não seria ali, também, que o problema teria que ser atacado prioritariamente?

Num país como o Brasil, onde ocorrem perto de 50 mil assassinatos por ano, esta questão continua não sendo tratada como prioridade nacional, convenhamos, vivemos numa sociedade doente, num paroxismo sem fim!

Lembro-me de uma amiga, que teve seu único filho assassinado num latrocínio. Esta mãe teve que lutar, como só uma mãe o faz, para conseguir prender e manter o bandido na cadeia. Passado algum tempo, alegando insegurança, este facínora conseguiu a transferência de um presídio de segurança máxima para um presídio de segurança mínima, no interior do Estado. Esta mãe, periodicamente, se dirigia àquela cidade para conferir se o “seu bandido” ainda estava lá encarcerado. Como já se passaram muitos anos, “a progressão da pena”, a Lei que autoriza bandidos a continuarem praticando novos delitos, já deve ter colocado este assassino no convívio da sociedade.

Os exegetas do Direito dirão: são conquistas da civilização! E, quem pensa diferente, os esquerdopatas logo rotulam de autoritário, direitista e fascista.

Disse-me aquela mãe: a sociedade brasileira silencia e o silêncio a faz conivente!

Silencia o Executivo, silencia o Judiciário, silencia o Legislativo, silencia a OAB, silencia o MP!

Diz-se que “A história se repete duas vezes, a primeira como farsa, e a segunda como tragédia”. A farsa é a pseudodemocracia que vivenciamos, a tragédia é o que virá depois!

“Isto não é o fim do mundo, é o fim do Brasil, apenas”!

*       O autor, Vanderlino H. Ramage, é Major Veterano da FAB/Administrador

 

Continue lendo
  • Valterlucio Bessa Campelo
  • 30 Março 2024

 

Valterlucio Bessa Campelo

      Com origem perdida em tempos imemoriais, ipsis literis ou com variações dependendo da circunstância histórica, a frase “quem não deve, não teme”, vem sendo utilizada ultimamente com bastante frequência para atribuir a qualquer demonstração de medo, uma culpa evidente. É como dizer “se teme, é culpado”, ou, “se fosse inocente, não temeria” e, com isso, condenar o indivíduo pelo sentimento que demonstre perante a atribuição de crimes de qualquer natureza.

Ocorre que a frase proverbial exprime uma sentença cujos pressupostos se assentam em um sistema de justiça necessariamente idôneo. Por exemplo, na Bíblia, em Provérbios 28:1, está escrito: "Os ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los, mas os justos são corajosos como um leão”, ou seja, o culpado anda com medo, enquanto os inocentes andam com altivez. Sim, mas aí se colocam à presença de Deus, onisciente, justíssimo, infalível. Indiscutivelmente, posto perante Deus, quem não deve, não teme. Para por aqui.

Embora o topo do Sistema seja habitado por uma espécie de deuses-trans, sua presença não oferece segurança aos justos, pelo contrário. Lembremos da senhora presa na Papuda, que se urinou de medo na hora da visita de algumas autoridades ao presídio. Teria sido por culpa que demonstrou tanto temor? Pelo contrário. Sabendo-se inocente, ela tremeu de medo da INJUSTIÇA ali personificada. Em sua mente, abalada por meses de martírio psicológico, provavelmente se viu diante do carrasco e sentiu quebrarem-se os próprios nervos. Já que estamos na semana santa, é oportuno citar o apóstolo Pedro que, amedrontado, negou Jesus três vezes, obviamente, não por culpa.

Pois bem. Especula-se, depois do vazamento criminoso de imagens da embaixada da Hungria, que o ex-presidente Jair Bolsonaro cogitou pedir asilo político àquele país, após lhe tomarem o passaporte (outra indignidade). Apareceu uma versão na web de que o serviço secreto húngaro foi informado de um novo atentado para aqueles dias e o protegeu (não foi confirmada pela Globo, deve ser fake). Certo é que imediatamente após a divulgação da notícia, os “corajosos” lulopetistas correram para o esconderijo de suas redações e bunkers digitais pedindo prisão preventiva e, hipocritamente, acusando-o de fugitivo. O próprio Ministro Alexandre Padilha deu um tempo nas dezenas de processos que responde e referiu-se ao ex-Presidente como fugitivo confesso, ou seja, propagou a ideia de que a visita à embaixada era medo e medo é culpa e culpa implica condenação e condenação só pode ser prisão.

Ora, o medo é, ele mesmo, excluindo-se os psicopatas, inerente ao homem tanto quanto ter cérebro. Duvida? Perguntemos sobre ele a algumas personagens um tanto mais sabidas do que eu e os lulopetistas:

  • Sócrates: "A coragem não é a ausência de medo, mas a superação do medo."
  • Platão: "O medo é o início da sabedoria."
  • Sêneca: “A verdadeira coragem reside na capacidade de enfrentar os próprios medos.”
  • Confúcio: "O homem corajoso não teme a morte, mas teme não viver de acordo com seus princípios."

Não bastasse isso, a história é prodiga em revelar grandes nomes que em determinado momento ousaram fugir para não serem aprisionados por regimes ditatoriais. De Ghandi ao Dalai Lama, de Aung San Suu Kyi a Alexei Navalny (recentemente assassinado na Rússia), inúmeros líderes políticos enfrentaram o medo com a coragem de racionalizá-lo e agir com serenidade. Portanto, se não estou enganado, depreciável é aculpa, não o medo.  

Sob regimes ditatoriais, a frase "quem não deve, não teme" perde seu significado original e se torna uma ferramenta de propaganda e controle, largamente utilizada para silenciar críticas, legitimar a repressão e manipular a percepção pública. Em tais regimes, a frase não serve para proteger os cidadãos, mas sim para oprimi-los e controlá-los.

Quando anunciam “quem não deve, não teme”, regimes como o que avança sobre os brasileiros, em primeiro lugar se arroga infalível, ou seja, inserem no imaginário popular um “acreditem em nós, somos sábios, justos e imparciais”, para daí em diante se sentirem legitimados e perseguirem sem freios quem se atravessar no caminho. Assim, por cima, no balaio de objetivos dessa gente, pode-se encontrar facilmente: autocensura e submissão; silenciamento de dissidentes; criminalização de opositores; deslegitimação de qualquer forma de resistência; associação dos opositores à culpa e ao medo enfraquecendo-os moralmente; apatia e inação da população. Tudo amparado na frase estendida “somos sábios e justos, quem não deve, não teme”.

Já se disse que sem a funcionalidade do medo, nem mesmo as religiões teriam sobrevivido. O mesmo aplica-se aos regimes ditatoriais. Qual romano não temia Nero? Qual alemão não obedecia a Hitler de olhos fechados? Qual soviético não tremia sob a mira de Stálin? Qual cubano não tinha medo de Fidel? Qual brasileiro não tem medo de Alexandre de Moraes? Qual idiota dirá que não tem medo porque não tem culpa? Nos dias atuais, a culpa é o de menos. Quer saber, pergunte aos vários jornalistas autoexilados, à juíza Ludmila Lins Grillo refugiada nos EUA, à viúva do Clesão, ou, ainda, a cuidadora dona Jupira e a professora aposentada dona Iraci Nagoshi, condenadas com centenas de inocentes, em baciadas jurídicas, por um crime impossível.

Já se vão pelo menos 5 anos que Jair Bolsonaro enfrenta uma caçada sem tréguas, um cerco político-jurídico jamais conhecido em qualquer democracia. Escarafuncharam cada centímetro de seu espaço privado, filtram cada palavra que pronuncia, espionam cada passo que dá e, agora, como clímax da podridão do sistema, querem prendê-lo pelos pensamentos e emoções. Há algum tempo, inaugurou-se no Brasil uma nova doutrina jurídica – a punibilidade da cogitação sem meios de ação (vide 8 de janeiro), o que significa censura do pensamento. “Ex cogitatione mea, culpa oritur”, diria o jurisconsulto de camisa vermelha. E fazem isso das torres de seus palácios, arrotando um saber jurídico que traem de modo vil.

É claro que Bolsonaro tem medo da ditadura lulo-alexandrina. Como não teria? Eles mesmos se gabam em público de terem derrotado o bolsonarismo, são seus inimigos políticos declarados, dia sim dia sim se revezam na mídia para opinarem fora dos autos em um ativismo político exacerbado nos termos da Constituição Federal. Chegam a dar prazo para a sua prisão. Repito. Como não ter medo da injustiça praticada por quem deveria zelar pela justiça?

Alguns camundongos vermelhos que habitam livremente a velha imprensa e as mídias sociais, chegaram a comparar o caso Bolsonaro com o de Lula em 2018. Esqueceram de dizer que Lula foi alvo de trocentas delações aceitas porque provadas, declarações livres de gente do governo, de empresários, de políticos e até de ministros da sua cozinha, como Antonio Palloci. Bilhões de reais afanados dos cofres públicos foram devolvidos. Além disso, se desenvolveram trocentos processos, julgamentos e condenações em várias instâncias, por corrupção e lavagem de dinheiro, rigorosamente respeitado o devido processo legal. Todos “surpreendentemente” anulados, engavetados ou prescritos a posteriori por filigranas que em nenhum momento examinaram as provas dos autos. Para esses lobotomizados, Lula enfrentou e “não fugiu”. Quanta hipocrisia. Embora tenha cogitado se meter em algum cafofo do Foro de São Paulo, Lula não fugiu basicamente porque percebeu que não havia razão de medo. Não porque não tivesse culpa, mas porque “estava em casa”, sabia (nomeou a maioria) quem eram os donos do malhete. Tanto que, na primeira oportunidade, como confessou Gilmar Mendes, foi dado um cavalo de pau jurídico pelo STF e, enfim, sua elegibilidade foi possível.

A pergunta honesta cabível é: Como Jair Bolsonaro reúne coragem suficiente para enfrentar as bestas-feras que transformaram o Brasil em uma republiqueta governada a canetadas com traços de psicopatia (royalties para o Ministro Barroso), que prendem e torturam, que escolhem a dedaços quem pode ser candidato e quem deve ser inelegível, com o parlamento ajoelhado, vendido, diariamente aviltado por eles próprios? Com o apoio bem pago da velha imprensa amestrada, estamos assistindo a gradual implantação de uma ditadura. Só não a reconhece quem não sabe o que é, quem nunca viu uma ou quem, de algum modo, nela se locupleta.

Os brasileiros estão com medo, significando que percebem o sinal de perigo e que precisam reunir coragem para enfrentar e vencer o inimigo. Somente idiotas não teriam medo ao enxergar bem na frente um furacão político, capaz de transformar uma nação enorme, rica, cristã, pacífica, de uma só língua e um só povo em um corpo totalitário, miasmado, humilhado, a andar de mãos dadas com ditaduras sanguinárias, a ameaçar o pôr do sol a cada amanhecer.

*      O autor, Valterlucio Bessa Campelo, escreve às segundas-feiras no site AC24HORAS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor Percival Puggina e em outros sites. A imagem que ilustra o presente texto foi copiada do seu livro “Desaforos e Desaforismos (politicamente incorretos)” que pode ser adquirido por este LINK.

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 28 Março 2024

 

Gilberto Simões Pires

JÁ ERA

Antes de tudo, para infelicidade geral do povo do nosso empobrecido País, a nossa DEMOCRACIA JÁ ERA. Gostem ou não, o FATO é que ela foi substituída, sem paralisação da partida, por uma CRUEL DITADURA cujas decisões -TIRÂNICAS- são emanadas e aceitas, sem questionamentos, por praticamente todas as lideranças dos -POBRES PODERES- da nossa cada dia mais afundada REPÚBLICA. 

ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

Como LIBERAL -convicto-, por mais que me esforce para me manter VIVO E ATIVO, o FATO é que a julgar pela insaciável fome dos integrantes e/ou simpatizantes da JUNTA FORMADA PELOS TIRANOS, devo admitir que já faço parte de uma ESPÉCIE EM FRANCO PROCESSO DE EXTINÇÃO. 

AUTORIZAÇÃO DOS TIRANOS

Mais do que sabido, todos aqueles que aplaudem e festejam as perseguições de quem ousa defender a LEI E A ORDEM se transformaram em PREDADORES DA ESPÉCIE -LIBERAL-. Desprovidos da necessária proteção AMBIENTAL, conferida pela CONSTITUIÇÃO, os PREDADORES foram agraciados com AUTORIZAÇÃO DOS TIRANOS para DAR SUMIÇO nos LIBERAIS. 

 ATENTADO À DITADURA

O que chama a atenção é que os TIRANOS E SEUS APOIADORES pregam a grande MENTIRA de que as falas e atitudes dos perseguidos LIBERAIS E CONSERVADORES se identificam como ATENTADOS À DEMOCRACIA, quando a mais PURA VERDADE é um claro ATENTADO À DITADURA. 

 

Continue lendo
  • Alex Pipkin, PhD
  • 26 Março 2024

 

Alex Pipkin, PhD
       Como seria salutar se os homens melhor compreendessem o comportamento dos homens. Burocratas estatais creem ser semideuses honoríficos.

A paixão pelo poder é uma característica imanente desses de ambição avantajada que, dessa forma, desejam controlar a tudo e a todos. Eles adoram controlar e regular a vida dos outros nas mais distintas esferas, sempre aludindo o bondoso “é para o seu bem”, ou melhor, para maior bem-estar da sociedade. Nobre, não?

É evidente que tal “sociedade” não passa de uma pequena (des)elite estatal, sempre acompanhada e de mãos dadas com “empresários” espertos do compadrio. Costumo afirmar que o maior câncer social é o abusivo intervencionismo estatal, que vai lenta e progressivamente matando a todo o tecido social.

É por meio de regulamentações, de controles risíveis - e de muita burocracia para inchar a máquina estatal - que burocratas vão asfixiando genuínos empresários e demais indivíduos. A meta – depois, é só “dobrar a meta” - é a coletivização geral, mesmo que exista uma aparente proteção à propriedade privada. Essa se torna, pragmaticamente, uma mera marionete nas mãos sujas desses “semideuses” estatais.

Neste ardil contexto, fico pensando em como parte do “empresariado” brasileiro não deseja empresariar coisa alguma. Como podem empresários apoiar um desgoverno coletivista? Boa parte da resposta é conhecida por aqueles com um rasgo de discernimento: a grande mãe Estado vende privilégios e benesses para tais empresários com “e” minúsculo, às custas de legítimos empresários e de todo o conjunto de cidadãos comuns.

Assim, o círculo vicioso se perpetua, e a tábua da salvação da destruição criativa, das inovações e do crescimento econômico, desaparecem. Elimina-se do mapa econômico o eficiente mecanismo de preços de mercado. Mínguam as oportunidades e o estabelecimento de relacionamentos colaborativos e voluntários entre os indivíduos, apagam-se as ações no mercado e, evidente, perde-se a direção e o foco na produtividade e na eficiência.

Os genuínos empresários somente sobrevivem se utilizando de tubos de oxigênio. Eles deixam no armário o vital estímulo pelo alcance de uma lucratividade superior. A produção diminui pela quantidade de expropriação que esses devem suportar. Na verdade, são sufocados pelo nefasto intervencionismo estatal. Ainda que desejem alcançar a eficiência, eles são amordaçados por uma legislação draconiana, que se ajusta aos interesses de burocratas e de “empresários” amigos do rei.

Tais comparsas não têm a preocupação com a eficiência, uma vez que se existirem perdas, a voraz máquina tributária faz com que genuínos empresários e cidadãos comuns paguem a conta. Neste ambiente coletivista, de fato, tudo passa a ser “gerido” pelo grande Estado. E tudo que é “tocado” pelo Estado é mal administrado e ineficiente! Simples assim.

O mais sombrio é que a medida que as complexidades sociais se amplificam, o povaréu, subsidiado, manipulado e incauto, vai perdendo o seu interesse e a preocupação com os assuntos relacionados ao verdadeiro mercado produtivo. De outra parte, cresce o interesse e a preocupação de burocratas estatais em regular e, especialmente, em tributar a tudo e a todos.

Esse é o retrato fiel da sociedade verde-amarela do emblemático “rent seeking”. Por meio do intervencionismo estatal, especificamente, do compadrio, agentes estatais mancomunados com “empresários”, controlam e manipulam as atividades econômicas, despreocupados com a eficiência e a correspondente agregação de valor aos produtos e serviços produzidos e ofertados. Ao cabo, eles sugam a renda dos reais criadores de riqueza.

O resto dessa história é conhecida: a (des)elite estatal e uns poucos outros se tornam os únicos favorecidos. O resto, coercitivamente, deve carregar o Estado todo-poderoso nas costas. Ao resto, escravizado, só resta mesmo beijar a mão do soberano Estado.

Continue lendo
  • Valdemar Munaro
  • 23 Março 2024


Valdemar Munaro
           O prussiano, Immanuel Kant (1804) herdou de seus mestres e progenitores uma espiritualidade pietista cuja liturgia esquivava-se de instituições religiosas e clericais. O filósofo, refinado e astuto intelectual, usava palavras doces e respeitosas quando se referia a Jesus Cristo. Chamava-o de 'Santo do Evangelho'. Na intimidade de sua alma racionalista, porém, rejeitava sua natureza divina e não levava a sério suas palavras redentoras, seu amor, nem seus milagres. O Nazareno, para Kant, representava apenas um exemplar humano de magnífica vida moral.

Contudo, quando a doutrina ética kantiana penetrou as veias da teologia cristã, produziu duas catástrofes emblemáticas: embretou a fé religiosa nos limites frios da racionalidade e utilizou da mesma para convencer eticamente aqueles que julgava como 'menores' intelectuais. Com tais efeitos, cresceu no seio da Igreja o designado teísmo moral.


Os escritos kantianos parecem vir de autor 'manso e humilde', mas, na verdade, sua filosofia é orgulhosa e arrogante, iluminista e perigosa aos metafísicos e crentes. O magistério da Igreja Católica, em 1827, de fato, considerou Kant um velado ateu e multiplicador deles. O fiel cristão que se aproximar da doutrina kantiana e a aceitar como suporte teórico para sua fé, terminará por confiar num Deus inexistente e ilusório. Coisa esquisita e paradoxal: Kant não confia em religião alguma, mas utiliza a 'idéia religiosa' para ser bengala de persuasões éticas.

Justamente, no condomínio do pensamento kantiano encontramos uma fé oca, formal, conceitual, idealista e vazia de conteúdo real. De Deus, pensava Kant, nada podemos saber nem obter, tanto menos escavar razões para crer e confiar, mas a 'ideia' que Dele tivermos, pode ser proveitosa e útil, sobretudo nos quesitos relacionados à vida moral e à educação.

Ora, confiar em verdades que não existem se asssemelha a socar ilusões e fantasias ou a dar crédito a ficções. É outorgar às miragens um papel educativo que beneficie e impulsione as condutas morais. A sequência esquisitoide dessa manobra racional kantiana foi a obtenção de fés adornadas e enfeitadas com a figura de Cristo. Ou seja, o 'Santo do Evangelho' se tornou apenas uma ideia para servir de estímulo a motivos revolucionários e morais.

O 'caso' Cristo, assim, virou uma fotografia útil para qualquer coisa, inclusive para a vida moral e fraterna. Teólogos da libertação, endemicamente kantianos, subsidiam teologias com estilo similar: sob vestes e adornos cristianizados, têm cabeças e estratégias doutrinárias que propõem ideais fraternos surrealistas utilizando a figura do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, como ornamento corroborante, não como causa da fraternidade.

Rudolf Bultmann (1864 - 1976), o mais kantiano dos teólogos protestantes do último século, muito ligado ao suiço Karl Barth (1886 - 1968) e ao seu conterrâneo e amigo, Martin Heidegger (1889 - 1976) fez um trabalho monumental de demitização das Sagradas Escrituras visando depurar o essencial das narrativas bíblicas de suas formas literárias míticas.

No fim do seu labor, Bultmann afastou-se do Jesus histórico para se aproximar do Jesus da fé. Isto significa que, para ele, os fatos sobre Jesus e seus ditos, tais como nos contaram os evangelhos, podem ser dispensados da vida cristã, porquanto não há como verificar e comprovar empiricamente a veracidade das fontes. O que sobra como valor e utilidade, segundo Bultmann, é o Cristo da fé, isto é, o Cristo 'preservado' na memória e no pensamento dos crentes, ocorrendo então, uma inversão da lógica religiosa: são os cristãos que mantêm o Cristo da história e não o Cristo da história que mantém os cristãos.

Vê-se que, por esse percurso, Bultmann transformou a fé cristã num ato de confiança que se enraíza num vazio de incertezas e irrealidades. As coisas, pensava ele, provavelmente não foram assim como os Evangelhos nos contaram; apesar disso, continuam válidas na forma de cabides onde se penduram ideias e pensamentos. A fé no Cristo, vazia de conteúdo real, pode ser, mesmo assim, útil e necessária à vida ética humana, subsistindo apenas como pensamento e memória na vida dos crentes.

Bultmann levou até às últimas consequências o ofício kantiano que foi o de utilizar o Senhor Jesus unicamente para fins morais e pedagógicos. O Cristo Ressuscitado, para esses senhores, não é o Deus que deve ser amado, adorado, escutado e seguido, mas é a figura da encarnação moral para ser usada como persuasão ética. Seu papel: alavancar a vida moral dos homens. As ideias religiosas, segundo Kant, são boas e úteis na medida em que servem ao agir ético. A ética finalmente, aqui, acaba por engolir a religião.

Como se vê, o iluminismo kantiano pôs um fim à dramaturgia cristã. Depurando e expulsando do recinto sagrado o amor de Cristo, seus milagres e os mistérios que envolvem sua paixão, morte e ressurreição, Kant jogou a Revelação Cristã no túnel da pólvora moral e de seus conflitos.

Teólogos da libertação, por sua vez, bicados pelo vírus kantiano, de modo simiesco, adicionam Jesus às fraternidades morais que propõem. A amizade social, meta da campanha quaresmal 2024, é um convite dirigido a todos os homens de boa vontade para que exerçam boa convivência e se sintam irmanados de um jeito a não excluir ninguém de seu horizonte. Desse modo, se todos colaborarem para esse fim, certamente Cristo também poderá fazê-lo e seremos 'felizes para sempre'.

Tem-se um abrumado sentimento de esterilidade e tristeza quando se manuseiam os textos das Campanhas da Fraternidade, cujos autores, em geral anônimos, buscam e oferecem receitas mágicas à prática da fraternidade. A inutilidade de tais páginas é patética...

As vestes kantianas que os cobrem duram já mais de 60 anos e continuam carregadas de mandamentos catequéticos e moralistas, não garantindo, porém, a eficácia ou conversão de seus leitores. os que os redigem se parecem a 'corpos religiosos' portando estandartes maniqueus recheados de medíocres e recorrentes apelos prometeicos misturados a palpites de economia e política. Neles, os textos, raramente se garimpam meditações que verdadeiramente conduzem o destinatário ao encontro dos mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

O dinamarquês S. Kierkegaard (1855) já denunciava o vilipêndio sofrido pelo manto de Cristo quando líderes religiosos submetiam a missão profética e apostólica à funcionalidade da política e da moral. Se quereis matar o vigor do apóstolo, dizia Kierkegaard, transformai-o em funcionário religioso.

'Vendilhões' templários, ainda hoje, negociam o sacrifício de Cristo às conveniências benevolentes do poder estatal. O episódio da missa em louvor ao ingresso de Flávio Dino no STF e o abraço de membros da CNBB dirigidos a ele (ex ministro da justiça, comunista, bajulador de Stalin e admirador de Mao) indicam o grau refestelado de nossos pastores no rol das arenas políticas militantes.

Enquanto para Kierkegaard o Cristo não é um adorno, nem enfeite, mas causa e razão da fraternidade cristã, pois Nele, com Ele e por Ele é que podemos fraternar, F. Nietzsche (1900), por sua parte, como observa Kolakowski, morreu 'convencido que a ciência havia roubado do mundo, e também da história humana, seu sentido, de que Deus havia abandonado o universo para sempre e que nunca mais encontraria um substituto para Ele. A dignidade que nos permite aceitar a verdade e desafiar, por meio de atos criadores, o vazio do Ser, era para ele a única maneira de suportar o peso de uma vida sem ilusões'.

Um mundo sem Deus e sem amor nos conduziria ao suicídio ou à loucura. Sem eternidade, não haveria temporalidade, nem sentido ao que fazemos e somos. Estaríamos fadados ao extermínio niilista da morte.

Um mundo sem Deus e sem ressurreição não serve a nada, nem a qualquer trabalho, esforço ou fraternidade. Se Cristo apodreceu no túmulo e não ressuscitou, vã seria nossa fé e sem sentido nosso amor. A que serviriam imortalidades e fraternidades se não houvesse Deus? A que nos serviria Deus e seu Filho crucificado se não fôssemos participantes de sua ressurreição?

Anemias antropológicas sobressaem nessas doutrinas que analisamos. Desconhecendo a perturbada alma dos que estão à sombra do pecado e da morte, da dor, dos sofrimentos, dos infortúnios, dos ressentimentos, das culpas e remorsos, os engenheiros da fraternidade ignoram as incapacidades humanas de amar e perdoar, desconhecem a força da malícia e da preguiça, o poder da inveja e da vaidade, a bigorna do orgulho e do egoísmo, as feridas do desespero e da solidão. Ignoram as fragilidades, as contingências, as traições, as promessas não cumpridas, as hipocrisias e as mentiras que rondam as portas dos corações humanos, sem exceção. Kantianos e marxistas creem em suas catequeses e conscientizações como se fossem capazes, por si só, de gerar homens novos e justos. Mas se enganam.

A fraternidade cristã não nasce da arte psicológica, nem da boa convivência, por mais refinadas que sejam, nem de articuladas diplomacias, nem de doutrinas adjacentes. Nascem, ao invés, do encontro com o Senhor Ressuscitado cujo sangue de cruz realizou o amor incondicional. Só Ele pode nos dar esse amor impossível: o amor que dá a vida a inimigos. Sem esse amor, a fraternidade permanece barateada e inflacionada pelo baixo custo. Estas podem ser encontradas nas esquinas e quintais, em ambientes diplomáticos e festivos, no afeto da parentela e, sobretudo, nos jardins políticos dos simpatizantes e agremiados.

Ninguém é obrigado a ser cristão. Aquele, porém, que desejar um dia sê-lo, somente o conseguirá, lavando suas vestes no 'sangue do Cordeiro' para moldar seus comportamentos a Ele. Os que vivem de sua graça não precisam de moralismos e os que vivem de moralismos não precisam de sua graça.

Idealistas das CFs enchem a pandorga com suas engenharias sociais e seus mandamentos impossíveis. Promotores das Campanhas da Fraternidade, vos pedimos: dai-nos o Cristo, pois só Ele possibilitará em nós a fraternidade que apregoais! De moralismos kantianos e hipócritas estamos fartos.

*O autor, Dr. Valdemar Munaro, é professor de Filosofia.
Santa Maria, 22/03/2024

Continue lendo
  • Editorial da Gazeta do Povo
  • 23 Março 2024

Gazeta do Povo, em 20/03/2024 

 

Nota do editor do site Conservadores e Liberais: Não tenho o hábito de reproduzir conteúdos de outros veículos, mas este editorial da Gazeta do Povo, a exemplo de tantos outros, demonstra o que se deve esperar de um bom editorial quando quem o publica tem consciência de sua responsabilidade perante a opinião pública.

***

Na vida política, existem os fatos como eles são na realidade e existe a guerra da propaganda, atualmente referida muitas vezes como guerra de narrativas. No plano nacional e nas unidades da Federação – estados e munícipios –, a atividade política é exercida pelo conjunto de partidos em funcionamento, pelos políticos com mandatos outorgados pelo voto popular, e pelos burocratas instalados na máquina estatal. Esses são os agentes políticos que operam segundo certos meios de ação, a exemplo das instituições estatais e os recursos extraídos da população via tributos, tudo regulado pela Constituição Federal, as Constituições estaduais e os milhões de leis e normas governamentais que constituem o corpo de leis do país.

Embora os partidos formem uma sopa política de difícil conceituação, já que em termos de rigor científico é quase impossível definir a linha ideológica e as crenças dos partidos e seus integrantes sobre vida, economia e sociedade, costuma-se enquadrar os partidos em quatro grupos distintos: direita, centro-direita, centro-esquerda e esquerda. Observando a prática diária dos partidos políticos e de seus agentes eleitos para o Poder Executivo e o Poder Legislativo, nota-se uma espécie de bagunça ideológica, terreno fértil para a prevalência de interesses pessoais, favores, trocas espúrias e o desinteresse dos políticos por questões teóricas, linhas de pensamento e de valores morais.

O velho truque do “acuse-os do que você faz e xingue-os do que você é” tornou-se prática obsessiva e repetida diariamente por legendas de esquerda.

De qualquer forma, a sociedade entende a distinção entre o pensamento e a visão sobre a vida, o governo e a sociedade segundo as quatro estruturas. Porém, a guerra da propaganda se dá em alto grau de pobreza intelectual, com farto uso de insultos e tentativas de desqualificação de adversários e de tudo quanto não está de acordo com o pensamento do falante. Em especial, a esquerda e seus diversos partidos, no Brasil e no mundo, especializou-se em xingar os adversários de nomes e rótulos supostamente negativos que descrevem características mais semelhantes às da própria esquerda.

O velho truque do “acuse-os do que você faz e xingue-os do que você é” tornou-se prática obsessiva e repetida diariamente por legendas de esquerda, principalmente pela aplicação dos insultos “fascista”, “nazista” e “genocida” contra seus adversários e contra partidos que não são de esquerda. No caso do vocábulo “nazista”, ou os esquerdistas não têm a menor ideia do que realmente significa ou apenas o usam de forma intencional e desonesta contra seus desafetos políticos. Já o regime fascista tem como ingredientes um governo autoritário, que é dono de algumas dezenas de megaempresas estatais (de preferência em regime de monopólio), associado a algumas dezenas ou centenas de megaempresas privadas e alguns megabancos, como instrumento para controlar a política, o aparato estatal, a economia e as principais estruturas produtivas nacionais.

Prática igualmente comum da esquerda e, especialmente do PT, é acusar de “genocida” o governo anterior.

Embora seu funcionamento seja mais sofisticado que o desta breve definição, o fascismo mantém a aparência de uma economia de mercado ao deixar a cargo da sociedade privada os milhões de pequenos negócios, embora, no fim das contas, tudo esteja subordinado ao tacão político e regulatório do sistema estatal. Quando Lula interfere diretamente na Petrobras, tenta interferir no Banco Central, busca meios de colocar Guido Mantega na presidência da megaempresa privada Vale (a antiga estatal Vale do Rio Doce), coopta grandes bancos e se alia a grandes empreiteiras (muitas delas com histórico de corrupção comprovada), ele e seu governo estão agindo nos moldes da economia fascista.

Mas, para confundir a população, Lula e outros petistas – como a presidente do partido, Gleisi Hoffmann – afirmam que “fascistas” são os outros, como os empresários do agronegócio e a obsessão preferida do partido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na onda intervencionista e na tentativa de regular ao máximo a vida econômica, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anuncia políticas que interferem diretamente no funcionamento de aplicativos de transporte e entregas de refeições ou encomendas, práticas distantes do capitalismo de livre comércio e próximas da economia fascista.

Prática igualmente comum da esquerda e, especialmente do PT, é acusar de “genocida” o governo anterior; no início do governo Lula, quatro deputados federais do PT acusaram formalmente Bolsonaro e a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves de “genocídio” contra o povo yanomami – mortes, sem dúvida, lamentáveis e que devem ser prevenidas e combatidas por qualquer governo. Porém, passado o primeiro ano do atual governo, surge a informação de que 2023 terminou com a notificação de 363 mortes de indígenas da etnia – aumento de 20 mortes ou quase 6% na comparação com 2022. Pela lógica da esquerda, o atual governo não seria, então, um governo genocida?

É nesse cenário que o governo e seus aliados de esquerda, apoiados por parte do parlamento e por alas do Poder Judiciário, praticam atos antidemocráticos em nome de salvar a democracia, e empreendem ações de cores fascistas enquanto atiram esse rótulo sobre seus adversários. Pode ser que as narrativas e as atitudes do governo, seu partido e seus aliados esquerdistas enganem alguma parcela da população, mas é cada vez maior o número de pessoas que sabem serem os acusadores o maior perigo para a democracia, as liberdades políticas e a economia de mercado. Afinal, no ano passado, Lula declarou em alto e bom som: “Nós não ficamos ofendidos por sermos chamados de comunistas (...) Ser chamado de socialista ou comunista nos dá orgulho e, às vezes, a gente sabe que merecemos sermos chamados assim”. Ora, isso é uma confissão explícita de quem eles são e em que acreditam.

Continue lendo