Percival Puggina
Saudades de vocês, meninos!
Vasculhando a nuvem, encontrei imagens do encontro do MBC (Movimento Brasil Conservador), ocorrido em Camaquã no mês de novembro de 2021. Então, éramos felizes e sabíamos, porque se sucediam, pelo país inteiro, em auditórios lotados, as oportunidades de convívio, de reconhecimento e apreço aos bens culturais do Ocidente. Os territórios conflagrados da Cultura e da Educação, parafraseando Thomas Sowell, se haviam convertido na política por outros meios. Havia uma guerra pela Cultura.
Esse antagonismo somou-se às causas da censura que não tardaria em sair das máscaras e vacinas para derrubar a própria máscara e assumir seu rosto real no plano da política e da eleição que se avizinhava. A noite do regime estava chegando e reservava seu riso para a desgraça alheia. Tanto mais se divertia quanto mais gente houvesse para multar e prender.
Os talentosos Paulo Souza, Augusto Pacheco e Bismark Fugazza são exemplos vivos do mau humor de um regime que dizia “salvar a democracia” enquanto, entre outros pecados, acabava com a liberdade de expressão e tentava proscrever a opinião pública. Muitos jogaram a toalha do desalento, colocaram o livre pensar numa gaiola e se recolheram ao cárcere virtual do “sofá com celular”.
Se, por um lado, graças ao trabalho de Olavo de Carvalho e outros, a produção do ideário conservador e liberal no Brasil entrou num fluxo quantitativo e qualitativo ascendente, suplantando pela primeira vez a produção esquerdista, por outro lado, os meios culturais e educacionais se valeram, e ainda se valem, da hegemonia política imposta pelo regime para desqualificar intelectualmente os recursos humanos do país desde o interior das salas de aula.
Por isso, vencer a eleição presidencial não significa derrotar o regime. Essa vitória virá com a recuperação do trabalho de base, interrompido pela repressão instaurada em 2019 e com maioria parlamentar nas duas casas legislativas, a partir de 2027.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Menelau Santos - 20/03/2026 15:03:20
Prezado Professor, as vezes nas fases sombrias da história é que aparecem personalidades e talentos maravilhosos. Além dos que o Sr. citou e estão na fotografia, o Sr. própria é uma delas. Foi através do Midia Sem Máscara do Professor Olavo de Carvalho e José Monir Nasser que eu o conheci. vieram também o Paulo Figueiredo, O allan dos Santos, O Rodrigo Constantino, A prof. Paula Marisa, O Lacombe, O Terça-livre, a Ana Paula Henkel que foi uma surpresa pra mim como jornalista, o Prof. Angueth, o pessoal da Auriverde, o Bernardo Kuster, e tantos outros que agora nao me ocorre. Todos puxados pela locomotiva intelectual do Professor Olavo, cujo nome o Sr. bem mencionou. Muitos perseguidos por esse regime horroroso que o Brasil vive. grande abraço