Para quem deseje se orientar na política de hoje – ou simplesmente compreender algo da história dos séculos passados –, nada é mais urgente do que obter alguma clareza quanto ao conceito de "revolução". Tanto entre a opinião pública quanto na esfera dos estudos acadêmicos reina a maior confusão a respeito, pelo simples fato de que a idéia geral de revolução é formada quase sempre na base das analogias fortuitas e do empirismo cego, em vez de buscar os fatores estruturais profundos e permanentes que definem o movimento revolucionário como uma realidade contínua e avassaladora ao longo de pelo menos três séculos.
Só para dar um exemplo ilustre, o historiador Crane Brinton, em seu clássico The Anatomy of Revolution, busca extrair um conceito geral de revolução da comparação entre quatro grandes fatos históricos tidos nominalmente como revolucionários: as revoluções inglesa, americana, francesa e russa. O que há de comum entre esses quatro processos é que foram momentos de grande fermentação ideológica, resultando em mudanças substantivas do regime político. Bastaria isso para classificá-los uniformemente como "revoluções"? Só no sentido popular e impressionista da palavra. Embora não podendo, nas dimensões deste escrito, justificar todas as precauções conceptuais e metodológicas que me levaram a esta conclusão, o que tenho a observar é que as diferenças estruturais entre os dois primeiros e os dois últimos fenômenos estudados por Brinton são tão profundas que, apesar das suas aparências igualmente espetaculares e sangrentas, não cabe classificá-los sob o mesmo rótulo.
Só se pode falar legitimamente de "revolução" quando uma proposta de mutação integral da sociedade vem acompanhada da exigência da concentração do poder nas mãos de um grupo dirigente como meio de realizar essa mutação. Nesse sentido, jamais houve revoluções no mundo anglo-saxônico, exceto a de Cromwell, que fracassou, e a Reforma Anglicana, um caso muito particular que não cabe comentar aqui. Na Inglaterra, tanto a revolta dos nobres contra o rei em 1215 quanto a Revolução Gloriosa de 1688 buscaram antes a limitação do poder central do que a sua concentração. O mesmo aconteceu na América em 1786. E em nenhum desses três casos o grupo revolucionário tentou mudar a estrutura da sociedade ou os costumes estabelecidos, antes forçando o governo a conformar-se às tradições populares e ao direito consuetudinário. Que pode haver de comum entre esses processos, mais restauradores e corretivos do que revolucionários, e os casos da França e da Rússia, onde um grupo de iluminados, imbuídos do projeto de uma sociedade totalmente inédita em radical oposição com a anterior, toma o poder firmemente resolvido a transformar não somente o sistema de governo, mas a moral e a cultura, os usos e costumes, a mentalidade da população e até a natureza humana em geral?
Não, não houve revoluções no mundo anglo-saxônico e bastaria esse fato para explicar a preponderância mundial da Inglaterra e dos EUA nos últimos séculos. Se, além dos fatores estruturais que as definem – o projeto de mudança radical da sociedade e a concentração do poder como meio de realizá-lo –, algo há de comum entre todas as revoluções, é que elas enfraquecem e destroem as nações onde ocorrem, deixando atrás de si nada mais que um rastro de sangue e a nostalgia psicótica das ambições impossíveis. A França, antes de 1789, era o país mais rico e a potência dominante da Europa. A revolução inaugura o seu longo declínio, que hoje, com a invasão islâmica, alcança dimensões patéticas. A Rússia, após um arremedo de crescimento imperial artificialmente possibilitado pela ajuda americana, desmantelou-se numa terra-de-ninguém dominada por bandidos e pela corrupção irrefreável da sociedade. A China, após realizar o prodígio de matar de fome trinta milhões de pessoas numa só década, só se salvou ao renegar os princípios revolucionários que orientavam a sua economia e entregar-se, gostosamente, às abomináveis delícias do livre mercado. De Cuba, de Angola, do Vietnã e da Coréia do Norte, nem digo nada: são teatros de Grand Guignol, onde a violência estatal crônica não basta para esconder a miséria indescritível.
Todos os equívocos em torno da idéia de "revolução" vêm do prestígio associado a essa palavra como sinônimo de renovação e progresso, mas esse prestígio lhe advém precisamente do sucesso alcançado pelas "revoluções" inglesa e americana que, no sentido estrito e técnico com que emprego essa palavra, não foram revoluções de maneira alguma. Essa mesma ilusão semântica impede o observador ingênuo – e incluo nisso boa parte da classe acadêmica especializada – de enxergar a revolução onde ela acontece sob a camuflagem de transmutações lentas e aparentemente pacíficas, como, por exemplo, a implantação do governo mundial que hoje se desenrola ante os olhos cegos das massas atônitas.
O critério distintivo suficiente para eliminar todas as hesitações e equívocos é sempre o mesmo: com ou sem transmutações súbitas e espetaculares, com ou sem violência insurrecional ou governamental, com ou sem discursos de acusação histéricos e matança geral dos adversários, uma revolução está presente sempre que esteja em ascensão ou em curso de implantação um projeto de transformação profunda da sociedade, se não da humanidade inteira, por meio da concentração de poder.
É por não compreenderem isso que muitas vezes as correntes liberais e conservadoras, opondo-se aos aspectos mais vistosos e repugnantes de algum processo revolucionário, acabam por fomentá-lo inconscientemente sob algum outro de seus aspectos, cuja periculosidade lhes escape no momento. No Brasil de hoje, a concentração exclusiva nos males do petismo, do MST e similares pode levar liberais e conservadores a cortejar certos "movimentos sociais", na ilusão de poder explorá-los eleitoralmente. O que aí escapa à visão desses falsos espertos é que tais movimentos, ao menos a longo prazo, desempenham na implantação da nova ordem mundial socialista um papel ainda mais decisivo que o da esquerda nominalmente radical.
Outra ilusão perigosa é a de crer que o advento da administração planetária é uma fatalidade histórica inevitável. A facilidade com que a pequena Honduras quebrou as pernas do gigante mundialista mostra que, ao menos por enquanto, o poder desse monstrengo se constitui apenas de um blefe publicitário monumental. É da natureza de todo blefe extrair sua substância vital da crença fictícia que consegue inocular em suas vítimas. Com grande freqüência vejo liberais e conservadores repetindo os slogans mais estúpidos do globalismo, como por exemplo o de que certos problemas – narcotráfico, pedofilia, etc. – não podem ser enfrentados em escala local, requerendo antes a intervenção de uma autoridade global. O contrasenso dessa afirmativa é tão patente que só um estado geral de sonsice hipnótica pode explicar que ela desfrute de alguma credibilidade. Aristóteles, Descartes e Leibniz ensinavam que, quando você tem um problema grande, a melhor maneira de resolvê-lo é subdividi-lo em unidades menores. A retórica globalista nada pode contra essa regra de método. Ampliar a escala de um problema jamais pode ser um bom meio de enfrentá-lo. A experiência de certas cidades americanas, que praticamente eliminaram a criminalidade de seus territórios usando apenas seus recursos locais, é a melhor prova de que, em vez de ampliar, é preciso diminuir a escala, subdividir o poder, e enfrentar os males na dimensão do contato direto e local em vez de deixar-se embriagar pela grandeza das ambições globais.
Que o globalismo é um processo revolucionário, não há como negar. E é o processo mais vasto e ambicioso de todos. Ele abrange a mutação radical não só das estruturas de poder, mas da sociedade, da educação, da moral, e até das reações mais íntimas da alma humana. É um projeto civilizacional completo e sua demanda de poder é a mais alta e voraz que já se viu. Tantos são os aspectos que o compõem, tal a multiplicidade de movimentos que ele abrange, que sua própria unidade escapa ao horizonte de visão de muitos liberais e conservadores, levando-os a tomar decisões desastradas e suicidas no momento mesmo em que se esforçam para deter o avanço da "esquerda". A idéia do livre comércio, por exemplo, que é tão cara ao conservadorismo tradicional (e até a mim mesmo), tem sido usada como instrumento para destruir as soberanias nacionais e construir sobre suas ruínas um onipotente Leviatã universal. Um princípio certo sempre pode ser usado da maneira errada. Se nos apegamos à letra do princípio, sem reparar nas ambigüidades estratégicas e geopolíticas envolvidas na sua aplicação, contribuímos para que a idéia criada para ser instrumento da liberdade se torne uma ferramenta para a construção da tirania.
*Publicado originalmente em Digesto Econômico, setembro/outubro de 2009.
A grande mídia tem um papel importante na sociedade atual, pois ainda é por ela que a maioria dos indivíduos se informam e tem parcelas de acesso ao entretenimento, independentemente do meio midiático, seja pela televisão, rádio, mídia impressa e internet. Autores "progressistas" como Antonio Gramsci, Walter Benjamin, Jürgen Habermas, Frederick Pollock e Jean Paul-Sartre atentaram para o poder da mídia para uso político, na busca da dominação das massas, culminando na revolução socialista. Andrew Fletcher, poeta e político escocês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, em um dos seus discursos, dizia que "Me deixe fazer as canções de uma nação que eu não me preocupo com quem fará as leis". Com essa frase, o escocês atenta para a importância da cultura na formação política, mostrando que a política é o reflexo da cultura da população.
No Brasil, desde a fundação do Partido Comunista Brasileiro em 1922, há trabalho midiático para difusão de ideias socialistas e comunistas. Primeiramente com a formação intelectual que tem como marco a ascensão de Leônidas de Rezende, professor da Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ), defensor das ideias marxistas e importador das leituras de Marx para o ambiente acadêmico. Leônidas foi um dos fundadores do primeiro jornal declaradamente de esquerda do Brasil, o jornal "A Nação", no ano de 1923 que em 1927 tornou-se um órgão oficial dentro do Partidão, como também é chamada a legenda.
Posteriormente, formou-se uma nova geração de intelectuais socialistas com nomes como Roland Corbsier, Nelson Werneck Sodré, Álvaro Vieira Pinto, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, Celso Furtado, Sérgio Buarque de Hollanda, Antônio Cândido e Ignácio Rangel. Uma parcela desses intelectuais usa, como exemplo de se levar o Brasil ao socialismo, o exemplo soviético, de criação da chamada intelligentzia, um grupo de pensadores que buscaria explicar o socialismo para a população.
No ano de 1952, é criado o Clube de Itatiaia, onde os pensadores debateriam o desenvolvimento nacional e as formas de como se atingir resultados. Do grupo, nasce o ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) criado pelo decreto No 37.608/1955, do então presidente Café Filho. O ISEB nasce com uma mescla de intelectuais das mais diversas correntes políticas, do comunista Nelson Werneck Sodré ao liberal Roberto Campos. Porém, os intelectuais ligados ao pensamento socialista foram hegemonizando o ISEB, sobretudo após o governo de Juscelino Kubitschek realizar a internacionalização da economia brasileira. E em 1958, o grupo liderado por Hélio Jaguaribe e Roberto Campos é expulso da composição do instituto, fazendo com que o corpo diretor tenha apenas pensadores de esquerda.
A partir da saída do grupo liderado por Hélio Jaguaribe, saem publicações do instituto com um viés marxista, como as coleções "Cadernos Brasileiros", "Revista Civilização Brasileira" e "História Nova", em parceria com o Centro de Popular de Cultura (CPC), criado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1961. Tal grupo foi criado para divulgar a chamada arte popular revolucionária, promovendo o caráter didático e coletivo das artes, bem como o engajamento político do artista.
Entre os membros do CPC estavam Oduvaldo Vianna Filho, Dias Gomes, Cacá Diegues, Nara Leão e Geraldo Vandré, artistas que nunca esconderam suas posições políticas. As peças teatrais produzidas pelos membros da instituição fizeram muito sucesso nos anos 1960, catapultando tais nomes no cenário cultural brasileiro da época. No livro "Em Busca do Povo Brasileiro", de Marcelo Ridenti é mostrada toda a história do CPC e desses artistas de esquerda, na busca de conquistar as classes médias e populares para apoiarem o socialismo.
Com a tomada do poder pelos militares em 1964, o ISEB e o CPC foram fechados sob acusação de serem difusores do comunismo. Intelectuais ligados ao ISEB foram morar em outros países, como França e Chile. Mas muitos membros do CPC ficaram Brasil e conquistaram cada vez mais sucesso no meio cultural mesmo com a censura, como Dias Gomes e Oduvaldo Vianna Filho. E em 1969, Dias Gomes é convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, também conhecido como Boni, que a época era chefe de programação e produção da Rede Globo para escrever novelas para a emissora.
Da sua fundação em 1965 até 1969, a Rede Globo comprava folhetins colombianos, mexicanos, cubanos e argentinos para serem exibidos na emissora, porém a audiência era baixa e Boni tinha sido contratado pela emissora com a intenção de catapultar a audiência da emissora. O chefe de programação estabeleceu o atual modelo do horário nobre da emissora, com três novelas (18h, 19:30h e 21:00h), com um noticiário local e o Jornal Nacional intercalando as novelas.
A partir da chegada de Dias Gomes e Boni na emissora carioca, a Rede Globo passou a liderar nos índices de audiência em todo o país. E a novela "O Bem Amado", escrita por Dias Gomes em 1973 teve índices de audiência altíssimos no Brasil. O sucesso da novela foi tão estrondoso que abriu o mercado brasileiro de novelas para o exterior, com a exibição em 30 países do folhetim.
A novela é uma crítica a classe política da época, representado na figura do protagonista Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), que tentava inaugurar o cemitério da cidade fictícia de Sicupira de qualquer forma, criticando sobretudo as obras do chamado "Milagre Econômico", realizadas durante o governo Emílio Garraztazú Médici. As críticas militares vieram a direção da emissora da vênus platinada, mas o dono da emissora Roberto Marinho, não fez nenhuma resistência ao trabalho de seus dramaturgos. Marinho dizia em reuniões com lideranças governamentais que "dos meus comunistas, cuido eu".
Aliado a não-resistência dos veículos de mídia, havia também a chamada "estratégia da panela de pressão", criada pelo General Goldbery do Couto e Silva. O governo da época pautava-se em combater a esquerda revolucionária, representada pelas guerrilhas, deixando o debate de ideias em um segundo plano, entregando de bandeja toda a atividade intelectual para a esquerda brasileira.
Depois do sucesso de "O Bem Amado", outras novelas com mensagens de esquerda foram exibidas, como "O Espigão" (1974), "Roque Santeiro" (1985), "O Rei do Gado (1996)", "Mulheres Apaixonadas" (2003), "Avenida Brasil (2011)", "Babilônia" (2015), para dar alguns exemplos. Nas novelas da Globo, como mostra Leandro Narloch em artigo a Veja, observa que sempre os grandes vilões de novelas são pessoas de alto poder aquisitivo em uma grande sede pelo poder, na eterna busca da demonização da riqueza.
Para se entender o problema atual e para buscar a sua resolução, é necessário entender como chegamos até este estágio. A liberdade econômica e a liberdade individual tem sua importância em uma sociedade livre, mas a cultura tem a sua própria, pelo fato de moldar a classe política. Se estamos no estado atual no Brasil, muito se deve a hegemonia cultural de esquerda que predominou pelos últimos 50 anos, e teve como seu marco os governos do PT nos últimos 13 anos, governo que sofreu impeachment devido a conhecida incompetência das gestões socialistas. Está em jogo, agora, a guerra cultural, e, como Ludwig von Mises dizia: "Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão".
Referências bibliográficas
RIDENTI, Marcelo. Em Busca do Povo Brasileiro. São Paulo, UNESP, 2014.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1999.
PÉCAUT, Daniel. Os Intelectuais e a Política no Brasil: entre o povo e a nação. São Paulo, Ática, 1992.
NARLOCH, Leandro. Os ricos segundo as novelas e os intelectuais de esquerda. Disponível emhttp://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/os-ricos-segundo-as-novelas-e-os-intelectuais-de-esquerda/.
QUINTELA, Flávio. Mentiram (e muito) pra mim. São Paulo, Vide Editorial, 2015.
Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba apresentaram um “incidente de falsidade”, relacionado aos 26 recibos dos aluguéis do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo.
Pediram ao juiz Sério Moro uma perícia para apurar as circunstâncias de sua produção. Para eles, “sem margem de dúvida os recibos juntados pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva são ideologicamente falsos, visto que é simulada a relação locatícia representada pelo engendrado contrato de locação”, disseram. Inclusive, o MPF aponta que não houve movimentação financeira por parte de Lula que comprovasse os pagamento dos aluguéis como reais.
Tanto para o MPF, como para qualquer pessoa com raciocínio normal, Lula nunca pagou aluguel e o imóvel foi bancado pela Odebrecht como propina.
O suspeito de ser ‘laranja’ na operação, Glaucus da Costa Marques, disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que nunca recebeu qualquer valor no período indicado nos recibos e que não foi o responsável pela emissão deles. Segundo ele, os documentos foram fornecidos por um contador indicado por Roberto Teixeira, amigo de Lula, que pediu-lhe que os assinasse todos de uma só vez, em dezembro de 2015.
O juiz Moro deve decidir o caso nas próximas semanas, o que pode resultar na segunda condenação de Lula.
Isso foi o fato da quinta feira passada, dia 5. No dia seguinte, sexta, o MPF pediu aumento da pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo sobre outro apartamento, aquele tríplex do Guarujá, no qual Lula já foi condenado em primeira instância a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso está sendo reexaminado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre. Os procuradores acham que Lula deve responder por cada um dos três contratos fechados entre as empreiteiras e a Petrobras como crimes individuais, e nãocomo “crime continuado”, como na condenação da lavra do juiz Moro. Se o TRF 4 aceitar a tese dos procuradores, isso pode resultar em uma pena maior.
Não é fácil acompanhar o andamento de todas as falcatruas pelas quais Lula responde. Mas convenhamos, não conseguir explicar algo que deveria ser simples, um mero aluguel, é dose.
Apesar de ter adquirido o hábito de colocar a culpa de tudo o que não tem como explicar na falecida dona Marisa, o conteúdo do processo, os depoimentos dos delatores e agora mais recentemente, as revelações parciais de Palocci, deixam tão poucas dúvidas, que só mesmo aqueles “muito interessados” na pessoa de Lula consigam sustentar sua inocência.
*Publicado originalmente em https://eniomeneghetti.com
Fantástico ontem promoveu um verdadeiro show de horrores envolvendo uma alta produção com belas palavras, chavões e com trilha sonora comovente e envolvente.
A 1a matéria foi uma preparação para a lavagem cerebral. Mais uma vez, ideologia de gênero. Mostram pais que dizem que deixam seu filhos livres para serem o que quiserem, que querem que eles sejam felizes e por isso não definem para eles que existem brinquedos nem modos de agir específicos de meninos ou de meninas, chegando ao ponto de dizer que não se deve elogiar crianças com adjetivos padronizados, pois isso gera um trauma em suas vidas, dando o exemplo do adjetivo "princesa", que criaria na cabeça da garota a imagem de uma menina loira e delicada. A reportagem mostra meninos se vestindo de meninas e com uma atmosfera alegre e que iludiria qualquer incauto e ignorante. Em determinado momento surge uma "especialista" para falar sobre o tema, adivinhem: diretora do departamento de GÊNERO e FEMINISMO da UFBA.
Após preparar o subconsciente do telespectador, fazendo o crer num mundo preconceituoso em que se deve abordar gênero e quebrar padrões, veio a 2a reportagem falando sobre intolerância. Com a abertura mostrando estatísticas de "preconceitos" como homofobia e até GORDOFOBIA (sim, chegaram a esse ponto), entram repentinamente no preconceito religioso e colocando de forma canalha imagens de traficantes que supostamente seriam evangélicos destruindo imagens de entidades da umbanda, como se apenas as religiões africanas sofressem discriminação e por CRISTÃOS.
Logo em seguida, ingressaram na questão do Queer Museu, aquela exposição grotesca que faz vilipendio a elementos e símbolos do cristianismo, apologia à pedofilia e à zoofilia. Criaram uma narrativa de que não havia crimes nem apologia a esses crimes na exposição, colocando canalhas globais e defensores da "arte moderna" para distorcer tudo que temos presenciado, até falso pastor do PSOL colocaram para falar suas baboseiras distorcidas do cristianismo.
Para concluir, abordaram o caso do manifestação La Bête do MAM/SP, construindo o cenário de que não houve estímulo à pedofilia, fazendo a comparação intelectualmente desonesta e grotesca de que os mais renomados artistas retratavam nudez em seus quadros.
Existe uma grande diferença em representação do nu em obras de arte e naturalizar a nudez, preparando o terreno para a pedofilia. O que acontece se um adulto mostra suas partes íntimas para uma criança? Ela sabe que é errado e conta para seus pais. Desde o momento em que há esse incentivo para dessensibilizar a criança para a nudez adulta, ela não mais verá isso como algo errado, seja num museu, seja no ônibus, seja na escola com professores mal intencionados..
A Globo demorou a falar sobre esses casos grotescos, pois percebeu a reação da população, que é majoritariamente contra a pedofilia, zoofilia e o desrespeito às religiões, mas isso estava sendo uma ameaça a sua agenda globalista e sua instrumentalização para redefinir os conceitos morais da sociedade. Agora ela mostrou sua face e partiu para o ataque. E nós vamos ficar parados? É hora de agir ou daqui a alguns anos estaremos sendo processados por ser contra ideologia de gênero, presos por sermos contra a pedofilia e repreendidos por preconceito com a zoofilia.
* O autor é vereador em Niteroi
ATO DE RESPONSABILIDADE
O deputado estadual do RS, Marcel Van Hattem, para felicidade geral dos (poucos) gaúchos que têm noção clara do quanto é dramática e desesperadora a situação financeira do governo, tomou uma atitude lúcida e digna de um político responsável: está protocolando hoje, na Assembleia Legislativa do RS, um projeto que propõe a criação do FUNDO-RS, para DEPÓSITO e REINVESTIMENTO do valor arrecadado com a venda de ações do Banrisul.
FUNDO-RS
Ontem à noite, na esteira do anúncio feito pelo Governo do Estado de que venderá 49% das ações ordinárias do Banrisul e o restante das preferenciais sob seu controle, o deputado Marcel van Hattem anunciou a sua proposta que prevê a criação de um fundo para o depósito dos recursos arrecadados com privatizações.
FUNDO BLINDADO
Marcel Van Hattem, ao admitir, corretamente, que a sociedade gaúcha não concorda que o valor obtido com a venda das ações do Banrisul evapore, se colocado no caixa único para financiar despesas correntes, propõe que o dinheiro arrecadado seja depositado em um FUNDO BLINDADO a fim de que apenas o VALOR DOS SEUS RENDIMENTOS seja utilizado para o que for prioritário.
"Avalio, inclusive, a possibilidade de se fazer isso por meio de PEC – Emenda à Constituição – para ampliar a garantia de que o dinheiro da venda não seja gasto de uma vez, mas reinvestido para gerar lucros ao Estado", diz o excelente deputado.
PRIORIDADE
Perguntado sobre o que considera prioridade para o Estado, Van Hattem foi enfático: "em primeiro lugar, colocar as contas em dia. Se houver salário atrasado ou fornecedores com dinheiro a receber, eles devem ser pagos. Depois, segurança pública e o pagamento de precatórios. Estou discutindo com a minha assessoria e com colaboradores próximos, mas a ideia é que haja uma divisão de 50%-50% entre segurança pública e precatórios a pagar".
CÁLCULO OPORTUNO
O deputado Marcel reforça que a ideia é que este fundo seja também o destino dos valores em caso de privatização. "Fala-se muito que o banco não pode ser privatizado porque daria 'lucro'. Em 2016, os valores correspondentes ao repasse feito aos cofres do estado foram em torno de R$ 141,4 milhões. Hipoteticamente, portanto, se o valor especulado no mercado para a venda de R$ 2,6 bilhões se confirmar, se o Estado não reinvestir este dinheiro estará abrindo mão da parte dos lucros que lhe caberia ao transferir a propriedade das ações e não auferiria nenhum centavo de retorno no longo prazo". Segundo cálculos obtidos pelo deputado junto a especialistas no mercado, caso colocasse em um fundo o valor recebido com a venda das ações, o governo poderia receber anualmente, a juros de renda fixa (0,5% ao mês), R$ 156 milhões – mais do que o lucro de 2016 que refere-se não a uma parte de sua participação no banco mas a toda ela.
PARA TODOS OS ATIVOS
Na defesa do importante projeto, Marcel Van Hattem espera que esta proposta avance não apenas para o caso do Banrisul mas para todos os ativos hoje sob o poder do governo. Fruto de um descaso de décadas, há pouca transparência e gestão sobre o que o Estado possui. Passa da hora de criarmos algo como um "Fundo-RS", onde todo cidadão possa de forma transparente acompanhar o que está sob controle do Estado e, também, averiguar se o governo do dia está sendo responsável com a sua administração, gerando inclusive dividendos para o futuro e não apenas significando pesos-mortos na administração estatal.
O que é receita decorrente do resultado de investimentos – ou de alienação de ativos, que são finitos – não deve ser usado para cobrir despesas correntes permanentes. Pelo contrário: precisamos preservar o capital sob propriedade do governo – mesmo que em muitos casos já tivessem que ser alienados há muito tempo – para que se tornem ativos e não passivos, com governança responsável e respeitando as regras de compliance", conclui o deputado.
“E as crianças?” No programa ‘Encontro’, da Rede Globo, Dona Regina defendeu o bom senso e a sacralidade da infância contra enaltecimento cínico de performances que glamorizam a pedofilia.
O que tem Fernanda Montenegro em comum com Dona Regina?
Não é novidade para o grande público nacional que figuras públicas do eixo Leblon-Projac-Jardins-Nova Iorque e Paris, apoiam o regime que destruiu as reais chances de desenvolvimento do Brasil e impôs o que há de mais insalubre na América Latina. Neste sentido, a conhecida atriz Arlette Pinheiro Esteves Torres, também chamada de Fernanda Montenegro, trouxe suas pérolas e mostrou sua insatisfação com relação ao “careta” povo brasileiro.
Povo este que não vive na redoma global, que não está na mídia para exaltar ditadores e suas obras. Um povo como você, eu, nossa avó, nossa tia, nossos pais, nosso vizinho e milhões de brasileiros – que assistiram a implantação do mais ousado projeto de poder e manipulação já visto na humanidade. Um povo que quer trabalhar, criar seus filhos, ter seu lazer saudável e poder viver conforme suas tradições familiares; herdadas na simplicidade da vida e daqueles que acreditam em um Deus. Um povo que não vive do delírio, ou de uma utopia barata que perdeu há décadas seu glamour para se tornar a máxima do atraso e do egoísmo – a antítese do que pregam.
Dona Arlette, a badalada atriz de festivais, uma fiel escudeira da escumalha que afundou o Brasil, sua arte, seus conceitos político-ético-morais, sua educação e seu futuro, está inconformada com a atual conjuntura mundial, em que nós – os ex-bovinos acordamos para a realidade e tentamos interpretar como ocorreu a transformação do mundo em um enorme hospício. Dona Arlette está amedrontada com tantos questionamentos e críticas. Dona Arlette quer que seu povo permaneça mudo, aceitando goela abaixo aquilo que criam nos Projacs da vida, nos laboratórios de engenharia sócio-comportamental que são capazes de mudar conceitos, relativizar valores seculares, “desconstruir“ padrões e em suma…Acabar com tudo de bom que conhecemos da bela civilização ocidental, trazendo o novo, a nova sociedade moldada na falta de valores morais e éticos, onde é proibido proibir e o limite é o além do infinito. Onde o Deus-Estado se encarregará de nos proteger e dirimir nossos passos.
Segundo a iluminada global, “há um desserviço a serviço de um poder político estranhamente poderoso. Isto está tendo uma amplidão assustadora para um mundo absurdamente reacionário onde só vale um único conceito. O conceito que traz alternância, no fundo, no fundo, [para eles] deverá ser morto — diz a mãe de Fernanda Torres, ressaltando ser a favor da liberdade mas contra radicalismos: — O careta deve ter o direito de ser careta, de pensar e de querer o que for, mas o fato de distinguir o contrário diante de um fato, de um fenômeno ou de uma postura humana, é amedrontador”.
A decadente Dona Arlette não deve ter gostado nada quando viu Dona Regina, uma senhora do povo, que poderia ser qualquer um de nós, que não suporta mais tanta “desconstrução lacradora“, tanta inversão de valores, tantos crimes, tantos bandidos oficiais e tanta cara de pau em defender o indefensável. Uma brasileira que não tem PhD em Arte Moderna, frequenta vernissage hodierna movida ao cheiro de cânabis, ou sente orgulho em assistir seu país afundar numa pseudodemocracia que prendeu o brasileiro na mais nefasta escravidão, a patética escravidão ideológica, mas, claro, muito bem remunerada para seus altos expoentes como Dona Arlette.
Dona Regina, uma brasileira simples que pensa como o senso comum, que não deve achar graça na miséria ou glorificar favelas, que muito provavelmente não defende bandidos, que quer proteger seus netos – para quem a infância é sagrada, que abomina a liberação de drogas e que também não é obscurantista, reacionária, racista, homofóbica ou fascista. Ela é o povo do Brasil: farto de uma falsa cultura sem arte e sem conteúdo, que atende apenas à superficialidade de imbecis endinheirados que são pagos para destruir a nossa sociedade e depois mudarem-se para o remanso do primeiro mundo.
Dona Arlette é aquela senhora que tapa o nariz para andar e desviar-se dos cem milhões de cadáveres que o comunismo produziu. Uma senhora que nos acusa de atraso enquanto ela mesma parou de respirar há um século. A simples Dona Regina aos setenta anos é o futuro do Brasil, já a Dona Arlette com seus quase noventa anos, é o atraso dele e não pela idade. Ela é a marca evidente da desfaçatez e da hipocrisia a serviço de um sistema nefasto e caquético – que só sobrevive através de boas transfusões de dinheiro, via Lei Rouanet e ainda graças a notória ignorância do povo brasileiro.
Voltando à pergunta: o que tem Dona Arlette em comum com Dona Regina?
Nada! Ademais, a “careta” Dona Regina é adorável e sensata. Já a “progressista” Dona Arlette é uma lástima.
Claudia Wild, articulista, é colaboradora do Mídia Sem Máscara, onde este artigo foi publicado originalmente, e apresenta o programa ‘A Hora de Europa’, na Rádio Vox.