A passagem da assim chamada “caravana” de Lula da Silva por Minas Gerais, encerrada na segunda-feira passada com um discurso do ex-presidente na Praça da Estação, em Belo Horizonte, foi marcada, como todas as outras, pelo cipoal de mentiras do léxico petista que só pode ser tomado como verdadeiro por quem despreza os fatos e só precisa de meia dúzia de frases de efeito, carentes de sentido, para formar suas convicções.
Lula da Silva ultrapassa, e muito, a linha que divide um mero jogo de palavras, recurso próprio dos discursos políticos, da mais desavergonhada mentira. Aliás, caso fosse tipificado como crime o ato de mentir para a população em cima de um palanque ou carro de som, o chefão petista teria mais algumas anotações a engrossar a sua já robusta ficha penal.
Comparando-se aos ex-presidentes Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek, personagens que teriam sido “moralmente destruídos todas as vezes que a direita nesse país resolveu usurpar o poder”, Lula da Silva mostrou-se magnânimo e disse que estava “perdoando os golpistas”, prometendo “trazer a democracia de volta para o Brasil”.
Com sérias dificuldades para combater seus “inimigos” na vida real - vale dizer, as leis e a Justiça -, só mesmo uma ditadura imaginária para servir como polo antagônico na narrativa de um réu já condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Réu em mais seis ações penais, ainda pendentes de julgamento, Lula da Silva precisa desesperadamente manter acesa a chama de sua militância a fim de preservar, pelo menos, a fatia histórica do eleitorado - entre 25% e 30% - que já o apoia a despeito de seus crimes.
Em um trecho particularmente cínico de um de seus discursos em Minas Gerais - que seria hilário se não remetesse a um enorme prejuízo para o País -, o ex-presidente, falando sobre a Petrobrás, disse que, “se tem corrupção em uma empresa, você prende o dono da empresa, não acaba com a empresa”. Só o uso da condicional “se” já diz muito sobre a índole de Lula. Sob os governos lulopetistas, a maior empresa estatal brasileira viu seu valor de mercado derreter ao ser submetida à sanha criminosa do grupo político comandado pelo ex-presidente.
A Petrobrás só voltou a trilhar o caminho das boas práticas empresariais quando a gestão da empresa foi entregue a Pedro Parente, um administrador reconhecidamente íntegro e competente, já no governo do presidente Michel Temer.
Seguindo em sua narrativa delirante, o ex-presidente Lula disse que “tiraram a Dilma do poder e levaram esse país a um estado de deterioração”, ignorando propositalmente a melhora dos indicadores de inflação, crescimento, juros e emprego que mostram, de maneira objetiva, que a dura recuperação da economia, após o desastre das administrações lulopetistas, já apresenta sólidos resultados.
Diante dos mineiros, Lula voltou a se comparar a Tiradentes. “Aqui em Minas”, disse, “mataram e esquartejaram um alferes que queria independência. A independência veio mesmo assim porque mataram a carne, não a ideia.” No início de outubro, durante um “ato em defesa da soberania nacional”, no Rio de Janeiro, ele já havia feito a mesma comparação com o herói nacional ao dizer que tanto um como outro só podem ser atacados em suas dimensões humanas, já que, antes de tudo, “representam uma ideia assumida por milhões de pessoas”.
“Vocês sabem que sem Minas Gerais eu não seria nada”, disse Lula no encerramento de seu discurso. Talvez tenha sido a única verdade que disse durante toda a sua passagem pelo Estado, a julgar pela votação que ele lá obteve para a sua candidata Dilma Rousseff.
Aliás, é acintoso que Lula da Silva possa sair em “caravanas” pelo País que, a pretexto de representarem uma defesa contra as “injustiças” de que julga ser vítima, nada mais são do que campanhas eleitorais fora de época.
* Reproduzido do Estadão 6/11/2017
(Pubicado originalmente no Diário do Poder)
“Não há terra mais dificultosa de governar que a pátria, nem há mando mais malsofrido, nem mais mal obedecido, que o dos iguais”. A frase é do Sermão da Dominga Vigésima Segunda depois de Pentecostes, pregado pelo padre Antonio Vieira “na ocasião em que o estado do Maranhão se repartiu em dois governos, e estes se deram a pessoas particulares moradoras da mesma terra” (Sermões, vol. VI, pág. 225).
Se não o foi, deve ser lido por Michel Temer e Carmen Lúcia, presidente da República e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), cujas dificuldades de presidir e de mandar saltam aos olhos de quem acompanha o que se passa em Brasília.
O Dr. Michel Temer é conhecido pelas versatilidades que o fizeram deputado federal, presidente da Câmara dos Deputados, vice-presidente e presidente da República. Logrou sobreviver à queda do governo Dilma Roussef, escapou de ser atingido pelo impeachment, e se safa das acusações do Dr. Rodrigo Janot, cuja aljava continha inesgotável número de flechas.
Pouco conhecida fora de Minas Gerais, a Dra. Carmen Lúcia chegou quase desapercebidamente à Alta Corte. Dedicada aos estudos, discretamente elegante, de poucas palavras, fala mansa, permaneceu longos anos protegida pelo anonimato. Tudo que se sabe dela é positivo, como o fato de ser exigente consigo e com os servidores que lhe prestam assistência. Superou galhardamente a sabatina a que se submeteu no Senado, graças à reputação ilibada e invejável saber jurídico.
A História recente do Supremo Tribunal Federal divide-se em dois períodos: antes e depois da transmissão das sessões, ao vivo, pela televisão. Confrontadas com o passado, a conduta dos novos ministros experimentou mudanças radicais. A modéstia deu lugar à vaidade, espartana simplicidade ao cuidado com a cabeleira e a gravata, o recato às explosões de temperamento, a economia de palavras à prolixidade, a cordialidade a pugilatos verbais como viram os brasileiros na sessão de 26 de outubro. De um lado iracundo ministro Gilmar Mendes e do outro o cordato, mas incisivo ministro Luís Roberto Barroso, tendo a presidente Carmen Lúcia ao centro impotente para contê-los. Foi deplorável. A televisão transmitia cenas inimagináveis no cenário da Alta Corte, com magistrados quase chegando ao desforço físico. Não foi a primeira vez que aconteceu e, pelo andar da carruagem, não será a última.
O Supremo e os Tribunais superiores estão acima de medidas corretivas. Quando exerci o cargo de Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho senti-me obrigado a afastar oito juízes (desembargadores) de determinado Tribunal Regional do Trabalho por quebra do decoro público. A medida foi referendada pelo Pleno do Tribunal Superior do Trabalho e restabeleceu a credibilidade da Corte perante os jurisdicionados.
Quem passou pela vida pública conhece o poder da televisão. Com a facilidade que tem para difundir boas imagens, poderá destruí-las. Não acreditem os senhores ministros que o STF conserva a credibilidade que mereceu em distante passado. Está prestes a igualar-se em descrédito ao Poder Executivo, à Câmara dos Deputados e ao Senado.
Pregava o mesmo padre Antonio Vieira que “o juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus; porque Deus julga com o entendimento, os homens julgam com a vontade”. Recentes julgados do Supremo expressam julgamentos de vontade: vontade de absolver ou de procrastinar. “Quem julga com o entendimento pode julgar bem, e pode julgar mal; quem julga com a vontade nunca pode julgar bem”.
A presidente Carmen Lúcia carrega a responsabilidade de repor o Supremo no caminho de decisões fiéis ao espírito da Constituição, fundadas na ética e na moralidade, em harmonia com o anseio geral de combate à corrupção, que não cedam diante do nome, partido político e posição social dos acusados.
O destino do Estado de Direito democrático depende do STF. Não permita a Corte que o descrédito abra caminho para o retorno do regime autoritário, como aparentemente desejam os brasileiros revoltados contra a impunidade.
* Almir Pazzianotto Pinto é advogado; foi Ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Autor do livro A Falsa República.
Desmantelado o Império, as igrejas disseminadas pelo território tornaram-se os sucedâneos da esfrangalhada administração romana. Na confusão geral, enquanto as formas de uma nova época mal se deixavam vislumbrar entre as névoas do provisório, os padres tornaram-se cartorários, ouvidores e alcaides. As sementes da futura aristocracia européia germinaram no campo de batalha, na luta contra o invasor bárbaro. Em cada vila e paróquia, os líderes comunitários que se destacaram no esforço de defesa foram premiados pelo povo com terras, animais e moedas, pela Igreja com títulos de nobreza e a unção legitimadora da sua autoridade. Tornaram-se grandes fazendeiros, e condes, e duques, e príncipes, e reis.
A propriedade agrária não foi nunca o fundamento nem a origem, mas o fruto do seu poder. Poder militar. Poder de uma casta feroz e altiva, enriquecida pela espada e não pelo arado, ciosa de não se misturar às outras, de não se dedicar portanto nem ao cultivo da inteligência, bom somente para padres e mulheres, nem ao da terra, incumbência de servos e arrendatários, nem ao dos negócios, ocupação de burgueses e judeus.
Durante mais de um milênio governou a Europa pela força das armas, apoiada no tripé da legitimação eclesiástica e cultural, da obediência popular traduzida em trabalho e impostos, do suporte financeiro obtido ou extorquido aos comerciantes e banqueiros nas horas de crise e guerra.
Sua ascensão culmina e seu declínio começa com a fundação das monarquias absolutistas e o advento do Estado nacional. Culmina porque essas novas formações encarnam o poder da casta guerreira em estado puro, fonte de si mesmo por delegação direta de Deus, sem a intermediação do sacerdócio, reduzido à condição subalterna de cúmplice forçado e recalcitrante. Mas já é o começo do declínio, porque o monarca absoluto, vindo da aristocracia, dela se destaca e tem de buscar contra ela — e contra a Igreja — o apoio do Terceiro Estado, o qual com isso acaba por tornar-se força política independente, capaz de intimidar juntos o rei, o clero e a nobreza.
Se o sistema medieval havia durado dez séculos, o absolutismo não durou mais de três. Menos ainda durará o reinado da burguesia liberal. Um século de liberdade econômica e política é suficiente para tornar alguns capitalistas tão formidavelmente ricos que eles já não querem submeter-se às veleidades do mercado que os enriqueceu. Querem controlá-lo, e os instrumentos para isso são três: o domínio do Estado, para a implantação das políticas estatistas necessárias à eternização do oligopólio; o estímulo aos movimentos socialistas e comunistas que invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal; e a arregimentação de um exército de intelectuais que preparem a opinião pública para dizer adeus às liberdades burguesas e entrar alegremente num mundo de repressão onipresente e obsediante (estendendo-se até aos últimos detalhe da vida privada e da linguagem cotidiana), apresentado como um paraíso adornado ao mesmo tempo com a abundância do capitalismo e a "justiça social" do comunismo. Nesse novo mundo, a liberdade econômica indispensável ao funcionamento do sistema é preservada na estrita medida necessária para que possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios político, social, moral, educacional, cultural e religioso.
Com isso, os megacapitalistas mudam a base mesma do seu poder. Já não se apóiam na riqueza enquanto tal, mas no controle do processo político-social. Controle que, libertando-os da exposição aventurosa às flutuações do mercado, faz deles um poder dinástico durável, uma neo-aristocracia capaz de atravessar incólume as variações da fortuna e a sucessão das gerações, abrigada no castelo-forte do Estado e dos organismos internacionais. Já não são megacapitalistas: são metacapitalistas – a classe que transcendeu o capitalismo e o transformou no único socialismo que algum dia existiu ou existirá: o socialismo dos grão-senhores e dos engenheiros sociais a seu serviço.
Essa nova aristocracia não nasce, como a anterior, do heroísmo militar premiado pelo povo e abençoado pela Igreja. Nasce da premeditação maquiavélica fundada no interesse próprio e, através de um clero postiço de intelectuais subsidiados, se abençoa a si mesma.
Resta saber que tipo de sociedade essa aristocracia auto-inventada poderá criar – e quanto tempo uma estrutura tão obviamente baseada na mentira poderá durar.
* Publicado originalmente no Jornal da Tarde, em 17 de junho de 2004
** Transcrito de www.olavodecarvalho.org
O vídeo da Prager University com tradução e legendas do sempre excelente site Tradutores de Direita, que você pode e deve assistir aqui, apresenta uma importante reflexão a respeito da influência britânica no mundo, coisa que a historiografia de viés esquerdista dominante no sistema de ensino descura, quando não reescreve a história adaptando-a a uma narrativa conveniente ao processo comunista dito 'revolucionário' cujo legado tem sido a opressão, a fome (vide a Venezuela e Ciuba) e os assassinatos em massa.
Portanto vale muito a pena ver este vídeo sintético mas que oferece de forma didática informações e reflexões fundamentais para entender os fundamentos da cultura ocidental que vêm sendo vilipendiados sobretudo no que diz respeito à questão moral. Aliás, uma velha tática da doutrinação comunista. Aliás, a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e eleição de Donald Trump nos Estados Unidos são dois eventos que se combinam e constituem os marcos fundamentais dessa batalha em defesa da civilização ocidental que postula manter seus fundamentos culturais, econômicos e políticos, justamente aqueles disseminados pelo velho Império Britânico.
Recomendo também que leiam o texto a seguir dos Tradutores de Direita comentando o conteúdo do vídeo. Informações como estas que jamais aparecerão na grande mídia, muito menos no deletério Fantástico, programa da Rede Globo especializado em promover a lavagem cerebral bundalelê imoral e pervertida. E não permitam que os cérebros de seus filhos sejam conspurcados pelo veneno esquerdista da mentira destilada pelas escolas. Leiam:
Um império surge quando uma nação domina várias outras. Muitas pessoas reagem imediatamente ao som desta palavra por associa-la a opressão, submissão, roubo, etc. A história revela que praticamente nenhum continente esteve imune ao surgimento dos império, nem mesmo a América, que conviveu com o Império Inca, Asteca e Maia. O tema deste vídeo da Prager University diz respeito a influência do Império Britânico e seu legado no mundo que, apesar das nuances, permitiu avanços extraordinários aos países que governou. Entender a influência do Império Britânico, que deixou suas impressões digitais nos territórios que controlou, decorre de entender a história da Inglaterra visto que tamanha influência e poder não poderiam ter existido se não fossem as sólidas raízes de sua cultura.
Talvez o primeiro grande marco para a liberdade tenha começado com a promulgação da Magna Carta, que conferia mais poderes aos aristocratas diante de um rei que tudo podia e que não pagava por seus erros. Mais tarde, na época da dinastia Tudor, o pais foi se consolidando religiosa e militarmente, atingindo por fim, o controle dos mares após derrotar a Incrível Armada espanhola, iniciando ai o seu período de colonização no além-mar. Um pouco mais adiante, as invasões napoleônicas que se alastraram ferozmente pela Europa foram barradas (por terra e mar) pelos ingleses, os únicos capazes de confrontar de igual para igual o exército francês. No entanto, na época, o ambiente cultural já criava raízes na Grã-Bretanha, garantindo o crescimento intelectual, que daria mais tarde origem a revolução industrial e a noção de livre mercado, fatores que mudaram não somente a história econômica do mundo mas também atingiram populações fora do âmbito do Império Britânico. Dentro deste período a veia abolicionista, cultivada por religiosos fervorosos, se tornou realidade, fazendo com que o Império Britânico fosse o primeiro no mundo a proibir a escravatura em seus territórios. A Inglaterra livrou tribos árabes do Império Otomano e acabou dando aval para a criação do moderno Estado de Israel. Lutou contra a opressão e teve um papel preponderante nas duas grandes guerras mundiais, acabando por ceder mais tarde a autonomia, ou liberdade, a vários de seus territórios pondo um ponto final a seu domínio imperial. Mesmo assim, alguns países preferiram permanecer debaixo do cetro da Inglaterra visto que o legado de liberdade já se fazia sentir, sem a necessidade de ressentimentos.
E quais foram essas impressões digitais que os britânicos deixaram por onde passaram? A construção de uma pesada infraestrutura (barragens, portos, estradas-de-ferro, rodovias, pontes, etc) que ainda hoje garantem o funcionamento de várias de suas ex-colônias. A influência da Common Law, cujo sistema permite uma mudança pratica e ativa da lei, que não fica somente nas mãos de reis ou parlamentos, mas também dos tribunais, cujo sistema de casos precedentes desburocratiza boa parte das decisões tomadas adiante. O legado político, filosófico e econômico, que se faz sentir ainda hoje, mesmo em países que estiveram fora de sua alçada. A noção de liberdade religiosa, individualismo e igualdade dos cidadãos perante a lei. A influência cientifica que abriu portas para uma revolução sem precedentes que ainda hoje nos tem guiado para novos mundos e ideias. E muito mais se pode dizer, visto que tentar encaixar séculos de contribuição em um pequeno post nunca fará justiça a rica história e o legado deixado pelos britânicos ao mundo. Não foi à toa que a língua inglesa se sobrepôs ao francês e ao latim com sua hegemonia cultural repercutindo no mundo até os dias de hoje e nesse vídeo, o historiador e autor H.W. Crocker III explica os motivos pelos quais devemos refletir sobre o que aprendemos a respeito do Império Britânico.
No princípio era o caos - a frase se aplica ao gênesis do governo Temer. Quando a presidente saiu, deixou inflação acima de 10%, 13 milhões de desempregados, recessão, descrença, falta de disposição de investir, só o agronegócio sustentando o país, com o comércio e a indústria perdendo produção e vendas. E em menos de ano e meio, o Brasil voltou a crescer, faz seis meses que cai o desemprego, aumentou o poder aquisitivo do assalariado, a inflação está em 2,5% ao ano, o superávit comercial vai bater recorde de 70 bilhões de dólares, os índices de confiança do consumidor, do comerciante e do industrial, na Fundação Getúlio Vargas estão em alta, a taxa básica de juros está reduzida a 7,5%, deixando os juros reais em 3% ao ano e, embora com tanta insegurança pública, os investimentos estrangeiros nos últimos 12 meses chegaram a 83 bilhões de dólares.
Meus amigos se perguntam “Que governo é esse?”. Eu perguntaria, como Francelino Pereira, que país é este? Paradoxal, pois sempre que a economia vai bem, o governo vai bem na opinião pública. Mas este praticamente, não tem popularidade alguma. Está com míseros 3% de aprovação - e menos de 3% de inflação e 3% de juros reais. Paradoxal. Ora, dirão que é a administração de Meirelles, o Ministro da Fazenda e de Ilajn Golfeinj, do Banco Central, mais o novo rumo que Pedro Parente dá à maior estatal, a Petrobrás - que já foi antro da bandidagem apurada pela Lava-jato. Mas quem segura essa barra é o Presidente, chefe deles.
Não ter aprovação popular é vantagem, porque faz o que é preciso, sem preocupação de perder o que não tem. O presidente Lula, quando recebeu de seu Ministro da Fazenda Palocci o projeto da necessária reforma da Previdência, em 2006, desistiu por ameaça das centrais sindicais de se mobilizarem contra o governo. Com medo de perder popularidade, Lula desistiu da reforma e o déficit se agravou geometricamente.
O ex-presidente disse agora, em sua campanha para 2018, que Temer gastou 14 bilhões para comprar a derrubada das denúncias de Janot. Boa parte da população acredita nisso, porque não sabe que emendas de parlamentares ao orçamento de 2017 têm que ser liberadas no mesmo ano. Nada que não estivesse no orçamento. A propósito, o Estadão mostra o cálculo do professor da FGV Carlos Pereira sobre os gastos políticos do governo com ministérios para partidos e emendas orçamentárias. Num índice de zero a 100 de custo da governança, Temer tem 15, Dilma chegou a 88 e Lula a 95. Conhecedor do Legislativo, Temer governa com o Congresso e vem obtendo resultados. Ano que vem, prevê o Banco Mundial, vai aumentar a onda de crescimento que já começou nas economias avançadas e nas emergentes. Isso reforça o impulso brasileiro. A previsão para o Brasil é de, no mínimo, 3% a mais no PIB, ano que vem. O Grande Eleitor de 2018 pode ser o crescimento e o emprego.
Toda cultura tem seu próprio estilo de conversação que muitas vezes inibe o diálogo genuíno. No Japão, por exemplo, a divisão de estudiosos e cientistas em universidades e institutos de pesquisa em senpai (idosos) e kohai (juniores) obstrui a busca da verdade através do diálogo. Um estudioso japonês ou cientista acha extremamente difícil discordar abertamente, mesmo com uma pequena observação feita por seu sênior. Qualquer oposição deve ser expressada de forma indireta.
Chie Nakane, um antropólogo social na Universidade de Tóquio, descreve um intercâmbio típico entre um senpai e um kohai: "Primeiro, quem for objetar deve apresentar uma longa avaliação da parte do trabalho do senpai em questão, usando termos extremamente honrosos e, em seguida, gradualmente, expõe sua própria opinião ou oposição em um estilo que dará a impressão de que sua oposição é insignificante... O ranking de senpai e kohai, portanto, sufoca a livre expressão do pensamento individual ". [1] Como resultado, cientistas japoneses ganharam cinco prêmios Nobel no século XX, o mesmo número que os cientistas na Bélgica, que tem um duodécimo da população japonesa. Um quarto dos cientistas do mundo são japoneses - mais do que Grã-Bretanha, França, Alemanha Ocidental e Itália juntos. No entanto, o governo japonês acredita que o trabalho de seus 490.000 cientistas está atrasado na América do Norte e na Europa em originalidade.
O estilo de conversação da classe alta bem educada na Inglaterra é o oposto do dos estudiosos japoneses. A antropóloga Ashley Montagu confessa que esse estilo foi concebido como um "inglês rígido e de camisa engomada, que considerava que qualquer exibição de emoção era de classe baixa. Exibir cortante sagacidade, não importa o quão desagradável fosse, quão desconsiderado fosse ao interlocutor, era um comportamento correto. "[2] Uma observação espirituosa exige uma resposta mais inteligente. Essa batalha de inteligência torna impossível o diálogo, embora seja frequentemente divertido testemunhar.
Alexis de Tocqueville observou que os americanos "nunca se inclinam a tomar a palavra do mestre na confiança, mas sempre tendem a procurar o lado fraco de seu argumento". [3] Na vida americana contemporânea, nenhum mestre é reconhecido e, de fato, os três grandes professores da humanidade - Buda, Sócrates e Jesus - são vistos como apenas três vozes entre muitos. De fato, se alguém apresentar um mesre a ser seguido, os americanos irão intencionalmente ignorar ou demitir essa pessoa, uma vez que chega de desigualdade. Por causa dos princípios da igualdade social que a maioria de nós tem assumido sem dar-se conta, não confiamos na autoridade de qualquer pessoa e temos um forte "desgosto em aceitar a palavra de qualquer homem como prova de qualquer coisa". [4] Quando ouvimos atentamente outra pessoa ou lemos atentamente o que um pensador escreveu, fazemos isso para identificar uma falha para a qual possamos dizer "não!", e dessa forma, nenhum interlocutor ou autor jamais será superior a nós.
Muitas vezes simplesmente não ouvimos coisa alguma; como indivíduos isolados e autônomos, não nos interessamos pelo que os outros têm a dizer, embora esperemos que eles nos escutem. Consequentemente, muitas conversas americanas não são mais do que uma série de monólogos.
Para nos envolvermos em um diálogo, devemos ser bons ouvintes, buscando ouvir uma perspectiva visão, por vezes formulada de maneira pouco clara até para quem fala; no entanto, pode haver ali conteúdo digno de exploração. Shunryu Suzuki, um Mestre Zen moderno, dá outro elemento-chave do diálogo: "Quando não pensamos em alcançar algo, quando não estamos interessados em nós mesmos, então somos verdadeiros aprendizes". [5] O diálogo nos coloca no caminho para questionamentos genuínos que inspiram a verdadeira aprendizagem. Se tivermos a abertura de um verdadeiro iniciante, então podemos descobrir que o que realmente conta é nunca ser dado por inequívoco. A realidade é estranha, incrível e mais profunda do que parece ser ao senso comum ou à formação cultural.
* O autor é Ph. D. em Física Teórica na Universidade de Michigan e colaborador de The Imaginative Conservative
** Tradução de Percival Puggina
Notas:
[1] Chie Nakane, Japanese Society (Berkeley: University of California Press, 1970), p. 34.
[2] Ashley Montagu, entrevista Dennis Wholey, descobrindo Happi-ness: Conversas pessoais sobre como tirar o máximo proveito da vida (New York: Avon, 1988), p. 37.
[3] Alexis de Tocqueville, Democracy in America, trans. George Lawrence (New York: Harper & Row, 1966 [1835, 1840]), p. 459.
[4] Ibid., P. 430.
[5] Shunryu Suzuki, Zen Mind, Beginner's Mind (Boston: Shambhala, 2006), p. 2.