FARTA TUDO
O Brasil vive, neste momento, motivado por uma forte demanda, um período de FARTURA EXCESSIVA DE INSUMOS, que se faz presente em vários segmentos da indústria. Digo FARTURA porque -FARTA- muita coisa como, por exemplo, peças para motos e automóveis, garrafas para envasar vinhos, embalagens para cerveja, componentes para vestuário, insumos para móveis, e por aí vai...
PESQUISA DA FGV
Segundo pesquisa divulgada recentemente pela FGV a falta de insumos no país atingiu em outubro os maiores níveis desde 2001 em 14 dos 19 segmentos da indústria. No setor VESTUÁRIO, 74,7% das empresas reportaram FALTA de insumos e componentes; no setor PLÁSTICO, 52,8%; no de LIMPEZA E PERFUMARIA, 39,1%; na INDÚSTRIA FARMACEUTICA, (34,2%); INFORMÁTICA E ELETRÔNICOS, 33,1%; METALURGIA, 31%; COURO E CALÇADOS, 31,1%; QUÍMICO, 27,9%; etc...
MALDITO LOCKDOWN
Na avaliação da CNI, essa -FARTURA-, ou FALTA DE INSUMOS, aconteceu em função do MALDITO LOCKDOWN. No início, como se sabe, a DEMANDA, por conta da PARALISAÇÃO, foi fortemente afetada e, como consequência, o FATURAMENTO das empresas foi praticamente a zero. Diante daquele quadro DANTESCO E IRRESPONSÁVEL, quase todos os fornecedores de insumos e matérias-primas ficaram sem ação, sem perspectivas e/ou sem saber o que fazer.
ESCASSEZ E AUMENTO DE PREÇOS
Ora, como as CADEIAS PRODUTIVAS foram OBRIGADAS a permanecer, por muito tempo, em modo -PARADO- e os produtores e fornecedores de INSUMOS estavam com ESTOQUES reduzidos, tão logo iniciou a RETOMADA ECONÔMICA, a DEMANDA REPRIMIDA se encontrou com a inevitável ESCASSEZ provocando um mais do que evidente e esperado AUMENTO DOS PREÇOS DOS INSUMOS. Some-se aí o componente da VARIAÇÃO CAMBIAL, em torno de 40%, que provocou um forte aumento de preços dos insumos importados.
INFLAÇÃO DE DEMANDA
Antes de se deixar levar pelas más informações da mídia, entendam que a atual INFLAÇÃO de preços de produtos e serviços tem como grande responsável o DESEQUILÍBRIO entre OFERTA E DEMANDA. Observem, o propósito, a pesquisa mostra que 82% das empresas perceberam um crescimento nos preços no terceiro trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado.
ACOMODAÇÃO DE PREÇOS
Segundo informa a CNI, a expectativa é que vai existir uma determinada ACOMODAÇÃO DOS PREÇOS DOS INSUMOS, na medida em que a DEMANDA FOR MELHOR ATENDIDA. Ainda assim, na avaliação das indústrias esse problema não vai ser resolvido tão cedo. Mais da metade (55%) acredita que a situação só vai se normalizar em 2021. Essa expectativa mais longa é concentrada nos setores de papel e celulose, têxteis, alimentos, extração de minerais não metálicos, produtos de metal e imóveis.
A liberdade para manifestação do pensamento é um direito constitucional fundamental do indivíduo; hoje, o mais privado de todos os direitos individuais, o mais existencial, o mais digno. Algo que só é alcançável depois de muito amadurecimento cultural e espiritual, patamar em que ainda estamos longe de chegar numa sociedade polarizada, mesmo vivendo formalmente em um Estado Democrático de Direito e suas liberdades públicas.
Sobre o pensamento enquanto ainda não exteriorizado, apresento alguns vieses jurídico-filosóficos importantes na luta democrática por verdades culturais que se pretendem universalizadas. O meio para se chegar a isso: a expropriação do pensamento individual.
A primeira implicação tem a ver com o comportamento do titular deste direito. Ele não tem que dizer o que pensa. O Estado e particulares não podem exigir a exteriorização do pensar e do sentir alheio.
O pensamento, neste particular, enquanto ainda num estágio de mero repositório espiritual e almático, uma caixa de pandora com segredos íntimos e humanos, com boas ou más intenções que vão desde o dar a vida por outrem até a pedofilia em forma de progresso humanitário, revelador de bons ou maus corações, portanto, é copropriedade ou comunhão de apenas duas pessoas: de Deus e do próprio ser pensante.
Rene Descartes conseguiu separar o pensamento do sujeito pensante com o cogito: "Penso, logo existo". Portanto, o pensamento é condição de existência humana, de dignidade, sendo, portanto, propriedade intelectual bem definida e inegociável.
O pensamento é propriedade individual e é intocável. E já não é de hoje que este bem mais precioso do homem é tido como o maior galardão humanitário que se possa conquistar. Quando milhões de mortes não mais surpreendem ou convencem, já pensava Antonio Gramsci quando preso por Mussolini, o jeito é apelar para o pensamento.
Antes desta constatação, John Locke queria fazer da mente uma tábula rasa, um começar do zero para conquistas empíricas e burguesas, acreditando que o que temos no pensamento veio antes dos sentidos e, portanto, a mente deve ser esvaziada. Aliás, entrando nesta questão bastante pertinente da existência ou não da inatalidade das ideias - já que, a depender dela o sujeito passa ou não a ceder a sua capacidade de pensamento e de crença, disponibilizando um direito que se sabe fora de qualquer negociação - Santo Agostinho já dizia que antes mesmo do espírito e dos sentidos vem a crença. Portanto, para ambos, primeiro creio e depois entendo (crede, ut intelligas). Aliás, esta "dialética" entre fé, razão e sentidos, este campo de tensão entre gigantes muito bem armados, nunca deu muito certo na história. Só constatar que, depois do apogeu do iluminismo, eliminando a fé, e sua derrocada com. a crise da razão, avisada por Kant, que calçou as sandálias da humildade para um uso dela, hoje somos governados quase que exclusivamente por modos de sentir. Um a zero para o coração.
A segunda feição do direito de manifestação do pensamento é a autorização para dizer o que se pensa. Mesmo politicamente incorreto o pensamento, por mais absurdo que ele seja, encontrará um destino inevitável nos domínios românticos da cultura de hoje. Ele será réu no tribunal da inquisição do imaginário já formado e formatado para "grandes conquistas humanas progressistas". Sem qualquer contraditório, já que o debate dialógico estará fulminado já nos seus propósitos e de forma liminar, a verdade alheia será aniquilada. Ou melhor, nem mesmo chegará a usar a vestimenta de defesa, já que, no entendimento cultural predominante, ela não passa de mentira, de conspiração, de outra ideologia, já ultrapassada. Todavia, a quem, em não aceitando estas ideias exteriorizadas, só restará render-se diante da mera possibilidade da existência de um direito constitucional que, se bom ou mau, existe e está aí para quem quer usufruí-lo nos limites normativos.
Neste atual diálogo de surdos, principalmente na arena e tribunal das mídias sociais, cada um exerce o direito de liberdade de pensamento do jeito que bem entende. Faz bem, já que até mesmo o maior absurdo, um dia, dependendo de cada um ceder um espacinho dentro do intelecto, poderá passar a ser verdade. Antonio Gramsci que o diga.
Não se tratou, para os americanos, de simplesmente escolher entre um conservador fanfarrão, de cabelo alaranjado e delicado como um rinoceronte e um tio “progressista”, bolinador contumaz e devoto piedoso do deus Morfeu. O buraco, senhores, foi bem mais embaixo: preservar a velha alma americana dos Founding Fathers, que rapidamente transformou treze colônias pobres na maior potência do mundo ou embarcar em uma aventura socialista, justamente no país que sempre foi exemplo de antítese a todos os coletivismos?
Bastam-nos três sapatas para suportar essa afirmativa: a da economia, a da cultura e a da política externa. Na economia, as duas propostas são semelhantes, especialmente no que diz respeito à política monetária frouxa, à manipulação da taxa de juros pelo Federal Reserve e ao protecionismo. O desacordo está na paixão doentia dos democratas por impostos, regulamentações e sistema de saúde estatal.
Nos outros campos, porém, as divergências são fortíssimas. No sistema moral-cultural, o cotejo é entre a tradição judaico-cristã da civilização ocidental defendida pelos republicanos e a feira livre dos democratas: globalismo, governo mundial, imposição de uma nova ordem, de uma religião única, de hábitos alimentares e sexuais, relativismo moral, intolerância com a tradição, divisões raciais, controle da linguagem e da vida das pessoas, desrespeito à individualidade, centralização, culto ao estado e concentração de poder em um grupo de illuminati. Teoria conspiratória? Não, é só uma questão de não tomar lé por cré. Ou não é essa a pauta dos democratas, cujo “enviado especial” no momento é Joe Biden?
A mídia mundial finge que não sabe, mas a verdade é que as bases dos Democrats vêm se afastando de seu cariz original - de centro com leve tendência à esquerda - e fazendo o semblante do partido ficar cada vez mais socialista. Se antes apenas flertavam, hoje vivem um concubinato ostensivo com o populismo socialista, iniciado por Bill e Hillary e intensificado com Obama, sob os aplausos de Hollywood, da Big Tech, da Big Media e dos “especialistas”.
Já vão muito longe os protestos pacíficos de 1968, que introduziram na sociedade americana, além dos hippies, as pautas de esquerda: liberdade sexual, tolerância a drogas, desconstrução da família, ideologia de gênero, anticristianismo, crescimento do estado, feminismo, antissemitismo, ambientalismo, cotas raciais e outras. Aquele romantismo, olhado pela perspectiva de 2020, parece ingênuo como uma criança. Sim, com o tempo, foi dando lugar à militância ideológica, à intolerância e, mais recentemente, à violência e atos terroristas. O Woodstock de 2020 não tem cabeludos com faixas de love and peace, mas agasalha os baderneiros do black lives matter e antifas; não tem decibéis de guitarras, mas endossa os coquetéis molotov atirados em supostos “supremacistas” e “fascistas”; não tem as metralhadoras da guerra do Vietnã cantadas por Gianni Morandi, mas abriga bombas bem mais perigosas, com petardos que não ferem o corpo, mas adoecem as mentes e borram as almas.
É preciso mostrar ao mundo que Biden está longe de ser o “progressista moderado” que a mídia tenta retratar e para isso basta comparar sua plataforma com as de partidos como PT e PSOL e constatar que as diferenças são mínimas. Infelizmente, o Democrats atual é quase que um PSOL ou um PT falando inglês. Aliás, não só falando, mas também surrupiando e afanando.
No front externo, se o sistema de justiça dos Estados Unidos dobrar-se à enorme pressão da mídia e confirmar a vitória de Biden, retornará aquela pusilanimidade premeditada da era Obama, muito apreciada pelos inimigos dos Estados Unidos, mas que permitiu ao partido comunista chinês perder qualquer receio de anunciar publicamente seu intento de chegar à hegemonia mundial em 20 anos. Já se a verdadeira justiça fizer valer a lisura violentada pelos democratas e Trump for oficialmente reeleito, veremos a continuação e o aprofundamento de sua política de alianças militares para proteger a liberdade e a determinação de neutralizar o ímpeto totalitário chinês, como tem mostrado em várias ações, desde antes da pandemia.
É importante, como brasileiros, notarmos também que não há na história registro de coalizão tão contrária à de um presidente do nosso país como a de Sleepy Joe e sua vice Kamala (a Obama de Saias), que repetiram críticas abertas, infundadas, insolentes e desrespeitosas ao presidente do Brasil, algo sem precedentes nas relações entre os dois países. Meter a mão em formigueiro é imprudência. Goste-se ou não dele e de seus tuites, a melhor escolha, para o Brasil e o mundo livre, é Trump e chega a ser deplorável que muitos brasileiros, pigarreando uma falsa neutralidade, manifestem indiferença entre ele e seu adversário. Das duas, uma: ou essas pessoas estão escondendo sua ideologia socialista para não sair mal na foto ou mostrando sua falta de percepção do que vem “rolando” no mundo de nossos dias.
Escrevo este artigo no dia 9 de novembro, uma segunda-feira, quando já se sabe que, embora a mídia tenha “decretado” a vitória de Biden no último dia 9, os republicanos estão hoje ingressando na justiça em várias frentes, em decorrência de indícios inacreditavelmente fortes de que os democratas trapacearam nas apurações. Sendo assim, parece que o resultado definitivo, que não é esse da imprensa torcedora, mas que será o da justiça moralizadora, só será conhecido, na melhor das hipóteses, no dia 14 de dezembro, na convenção dos delegados.
Trump e os republicanos, encabeçados por Rudy Giuliani, acusam, aparentemente com razão, a imprensa de ter se encarregado antecipadamente de determinar o vencedor final da eleição, mesmo sem nenhum estado ter certificado oficialmente os resultados, incluindo, obviamente, aqueles onde há contestações e pedidos de recontagem de votos. A lista de truques dos esquerdistas é ampla e bastante audaciosa, mas, felizmente, parece que eles se excederam e há possibilidade de que sejam vítimas do próprio atrevimento.
O rol inclui votos ilegais, inclusive de falecidos, softwares maliciosos, inúmeros casos de obstrução a observadores republicanos de participarem das contagens, milhões de cédulas misteriosas, desaparecimento de milhares de votos de militares, votos recebidos após o dia da eleição, votos com datas modificadas, enfim, um conjunto inacreditável de pontapés, socos na barriga, “carrinhos”, “tostões”, camas de gato, mãos na bola, xingamentos de mães e muito mais, especialmente – que coincidência, não? - em estados que tradicionalmente são redutos republicanos e onde a vantagem de Biden sobre Trump na “contagem” foi muito pequena, como Pensilvânia, Geórgia, Michigan, Delaware, Wisconsin e Nevada.
Em suma, a eleição vai ser decidida no “VAR”. Pelo bem da democracia e - sem nenhum exagero - pela preservação da liberdade que sempre foi a marca registrada do país, espera-se que a mais antiga constituição do mundo em vigor seja respeitada e que a verdadeira justiça prevaleça. E que fique como exemplo para o Brasil, como de resto para todo o mundo, do que a esquerda globalista é capaz de fazer, em nome de uma democracia de mão única, para alcançar o poder. Precisamos estar alertas para o que poderão fazer aqui em 2022. Muito alertas.
* O autor é doutor em Economia pela FGV
** Artigo do Mês - Ano XIX– Nº 223 – Novembro de 2020
*** Publicado originalmente em https://www.ubirataniorio.org/index.php/artigo-do-mes/411-nov-2020-eleicoes-americanas-fraude-explica
NO SHOW
O elevado ÍNDICE DE ABSTENÇÃO foi, indiscutivelmente, a grande vedete destas Eleições Municipais 2020. Segundo o TSE, o NO SHOW atingiu a marca de 23,14%, sendo que em quatro capitais do Brasil esta taxa se mostrou acima de 30%, como é o caso de Porto Alegre (33,1%); Rio de Janeiro (32.8%); Goiânia (30,7%) e Curitiba (30,2%).
A ABSTENÇÃO VAI PARA O SEGUNDO TURNO
Observem, por exemplo, que em Porto Alegre, o candidato a prefeito, Sebastião Melo, obteve 31,01% dos votos e a candidata comunista, Manuela D`Ávila, 29%. Ou seja, ambos ficaram atrás da ABSTENÇÃO, cuja marca histórica, repito, atingiu 33,1%. Em 2016, vale registrar, o -NO SHOW- já havia mostrado um percentual recorde ao bater na marca de 22,5%.
VONTADE DO POVO?
Ora, considerando que o Brasil tem 147,9 milhões de ELEITORES APTOS, e 23,14% não votaram, isto significa que 34,2 milhões de VOTOS deixaram de ser depositados, ou digitados, nas urnas. Com isso, a DEMOCRACIA LITERAL define, com todas as letras e números, que os ESCOLHIDOS para comandar as Prefeituras e Câmaras de Vereadores não retratam a necessária VONTADE DO POVO, mas a VONTADE daqueles que POR DIREITO se dispuseram a votar.
O VOTO NÃO É OBRIGATÓRIO!
O mais incrível é que há quem diga e repita que no Brasil o VOTO É OBRIGATÓRIO. Esta, volto a dizer com a mesma ênfase que usei nas vezes anteriores em que me manifestei, é uma bobagem sem limites. A OBRIGAÇÃO é apenas e tão somente a JUSTIFICATIVA e não o COMPARECIMENTO ÀS URNAS. Ora, ora, se o VOTO FOSSE REALMENTE OBRIGATÓRIO, como se explica o fato de que 34,2 MILHÕES DE ELEITORES -APTOS- simplesmente deixaram de votar?
FIDELIDADE COM CANDIDATOS E PARTIDOS DE ESQUERDA
Respeitando todas as análises que cuidam de explicar o número expressivo de candidatos de esquerda que foram eleitos como VEREADORES das maiores capitais do país, no meu entender deve ser levado em conta, com boa probabilidade de ocorrência, que a ABSTENÇÃO ELEITORAL foi bem menor entre os eleitores mais identificados com a IDEOLOGIA SOCIALISTA. Considero que a FIDELIDADE com candidatos e partidos de esquerda se mostrou muito mais efetiva.
CUMPRIMENTOS
Para finalizar envio os meus cumprimentos aos LEITORES QUE AJUDARAM A ELEGER OS TRÊS CANDIDATOS que indiquei para VERADOR DE PORTO ALEGRE. - Felipe Camozatto, Fernanda Barth e Ramiro Rosário. Estou certo de que fizeram uma boa escolha. Parabéns, portanto aos três, desejando uma boa jornada na Câmara. Da mesma forma cumprimento a chapa SEBASTIÃO MELO / RICARDO GOMES, para a Prefeitura, na expectativa de que confirmem a necessária vitória, no segundo turno, contra a chapa comunista. Para tanto peço um comparecimento maciço!
Hoje ainda não temos lei que prescreve que comunismo ou sua apologia seja crime. Existem, sim, projetos de lei com esse intento ainda em andamento. Tais projetos vagam nas filas burocráticas de alguma das duas casas legislativas federais também como se não existisse amanhã.
Existe lei incriminadora do genocídio (Lei n. 2.889, de 1956), dos crimes de preconceito, raça e de cor (Lei n. 7.716, de 1989); também existe a criminalização da homofobia e da transfobia, pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento da ADO 26 e do MI 4.733); comunismo não. Existem motivos mais do que suficientes, embora não justificáveis sob qualquer ponto de vista, que são empecilhos a tal transformação moral, e começam pelo tratamento honrado que se tem dado ao regime totalitário na sua acepção mais sanguinária.
A começar pela quantidade de vidas ceifadas, há razão mais do que fundante para constar as mortes nos “considerando” do projeto de lei incriminador.
Soa incompreensível que um regime político opressor e matador seja elevado ao apogeu da redenção humana em camisetas, bonés, discursos, teorias, práxis, quando se tem conhecimento de suas consequências para a humanidade. Trouxe mais violação de direitos humanos e mortes do que qualquer outra catástrofe natural ou humana. Contabilizando as mortes, um total de quase 140 milhões, número muito maior do que o do nazismo e o das duas guerras mundiais juntas. Um verdadeiro “império do mal”, como disse Ronald Reagan.
Por outro lado, existem vítimas vivas de seu sucedâneo contemporâneo, o socialismo, uma espécie de comunismo gourmetizado. Desses não temos número contabilizado, embora já se faça ideia que seja infinitamente maior, se contados desde o seu nascedouro em Karl Marx e Antonio Gramsci.
Pois bem. Vamos aos projetos. São eles, segundo o portal da Câmara dos Deputados:
1) PL n. 4.425, de 2020, de Eduardo Bolsonaro, que criminaliza a apologia ao nazismo e ao comunismo; aguardando despacho do Presidente da Câmara dos Deputados;
2) PL n. 4.159, de 2020, de Carla Zambelli - PSL/SP , Luiz Philippe de Orleans e Bragança - PSL/SP , Carlos Jordy - PSL/RJ , Major Fabiana - PSL/RJ , Bia Kicis - PSL/DF , Filipe Barros - PSL/PR , Caroline de Toni - PSL/SC e outros, que equipara o tratamento jurídico dispensado aos regimes totalitários nacional-socialistas (nazistas) e comunistas em território nacional, vedando sua apologia e propaganda; aguardando Despacho do Presidente da Câmara dos Deputados;
3) PL n. 5.358, de 2016, de Eduardo Bolsonaro, que altera a redação da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 e da Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016, para criminalizar a apologia ao comunismo; aguardando Parecer do Relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC);
4) PL n. 8.229, de 2017, do Professor Victório Galli - PSC/MT , tornando-se crime qualquer forma de elogio, enaltecimento ou apologia ao “comunismo” na forma dessa lei; apensado ao projeto anterior;
5) PL n. 4.826, de 2019, de Julian Lemos do PSL/PB, altera a redação da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, para criminalizar o comunismo; apensado ao Projeto de Lei n. 5.358, de 2016.
Nenhum deles ainda foi convertido em lei. Como adiantado no primeiro parágrafo, razões culturais e políticas, quando não espirituais, existem e que militam contra a aprovação de tais projetos.
Em primeiro lugar, os seus agentes são elevados ao altiplano de revolucionários, pregadores de um ideal apenas, por isso há inversão da consciência do mal. O termo sofre transmutação de seu sentido, no melhor estilo orwelliano de ser.
Enquanto o comunismo e o socialismo forem considerados uma mera ideologia, um modo de vida, uma política por mais igualdade, tolerância, menos ódio (!!), seja lá o que quiserem colocar neste saco de virtudes santíssimas produzido dos escombros da Revolução Francesa, os atos praticados serão sempre tidos como justificáveis, os seus agentes paladinos da humanidade e embaixadores divinos, a moral que eles carregam embaixo do braço a única aceitável. E os adversários ideológicos estarão agindo contra o bem humano.
Nos dias de abril e maio que andei pelo Velho Mundo, vi muita coisa que me encheu os olhos e a alma de admiração. Não discorda Platão das Sagradas Escrituras, quando diz que a admiração é o princípio da sabedoria, porque o temor filial, segundo São Gregório e Santo Tomás, é um estremecimento da alma agradecimento que permanece e resplandece no céu. Torno a dizer: vi muita coisa que me encheu os pulmões da alma de gratidão e admiração. Deus é grande e todo-poderoso, e o homem, esse quase-nada, espécie de mofo nascido nos desvãos de um planeta, quando se ergue para louvar a Deus torna-se gigantesco e admirável, e é capaz de gravar nas pedras o sorriso dos anjos, e de construir catedrais, rosáceas, vitrais que nos enchem de estupefação. "Passou por aqui uma raça de gigantes...", dizia eu com meus botões na Sainte-Chapelle ou no Alcobaça.
Era sempre diante de um passado mais lendário do que histórico, e por isso mais verdadeiro, porque as lendas cuidam das coisas essenciais que escapam aos historiadores perdidos na imensa feira de superfluidades. "Passou por aqui uma raça de gigantes..." "Passou..."
Mas num lugar do Velho Mundo pude ver o prodígio da permanência e da sobrevivência da raça de gigantes, até os dias deste século, até ontem. Refiro-me ao Toledo.
Toledo é uma cidade, hoje pequena, regada pelo Tejo, o mesmo Tejo de Camões e o mesmo rio de minha aldeia de Fernando Pessoa. A sudoeste de Madri, distante uma hora. Toledo é um prodígio sem igual. Sua preciosidade começa por imemorial antiguidade. Já dois séculos antes de Cristo, Toledo foi colônia cartaginesa e depois colônia romana. E logo nos primeiros dias do cristianismo Toledo se torna centro de irradiação, foco de difusão e núcleo de estudo e de doutrinação. Desde o primeiro século até o oitavo da era cristã reuniram-se em Toledo 18, sim, dezoito concílios, sendo os mais importantes os de 396, 400 e 589 com o triunfo da Igreja Católica na Espanha contra a heresia ariana.
Além disso, convém lembrar que foi em Toledo que durante toda a Idade Média se forjaram as melhores espadas com que a Cristandade defendia seu território como defendera sua doutrina. Saltando por cima dos visigodos e dos mouros, temos em Toledo a capital da Espanha até Filipe II. No século XVI temos em Toledo o pintor El Greco, cuja maravilhosa casa até hoje exibe o ainda mais maravilhoso Enterro do Conde de Orgaz.
Tudo isto se inscreve no patrimônio de grandezas deixadas pela raça de gigantes que passara pelas terras da Cristandade; mas o que me deixou sufocado na visita que fiz a Toledo foi uma cripta do Alcázar restaurada, e nesta cripta com um altar o que me fascinou foi a dupla lápide aos pés do altar, com os seguintes nomes:
José Moscardó Ituarte
Luis Moscardó
Eu não sabia que ia ali encontrar seus túmulos e seus nomes, e por isso fui tomado por uma surpresa que me prostrou de joelhos. O mundo inteiro, digo mal, o mundo inteiro que não fechou os olhos à evidência e não se recusou à admiração dos feitos admiráveis, sabe o que foi a resistência do Alcázar, em 1936. Sitiado voluntário na fortaleza de Toledo, com 1.000 combatentes — e mais mil mulheres, crianças, velhos — Moscardó organizou-se para resistir e para sustentar seus dois mil habitantes. De início teve de entregar seu filho. A história é conhecida. Estão lá ainda a mesa de trabalho e o telefono que naquele dia tocou. Era o Chefe de Milícia dos Rojos que chamava Moscardó para intimidá-lo a render-se em 10 minutos, sem o que mandaria fuzilar seu filho Luis, em poder dos 12.000 milicianos que cercavam o Alcázar. A resposta de Moscardó foi seca e instantânea:
— Você não sabe o que é a honra de um soldado, e por isso me faz essa proposta.
— Você fala assim porque pensa que estou blefando. Venha cá, Moscardó. Fale com teu pai.
Luis: — Oiga, papá?
José Ituarte: — Que hay, hijo mio?
Luis: — Nada de particular, papá. Dicen que me van a fusilar si no te rindes. Que debo hacer?
José Ituarte: — Tu sabe como pienso; tu padre no se rinde. Si es cierto que te van a fusilar, encomienda tu alma a Dios y muere como español: da un Viva España! y Viva Cristo Rey!
Luis: — Es muy facil, papá. Haré las dos cosas... Un beso muy fuerte, papá.
José Ituarte: — Adios, hijo mio. Un beso muy fuerte.
E foi depois desse começo que José Ituarte desenvolveu uma sobre-humana energia para organizar a defesa, com um mínimo de armas, e organizar a subsistência de seus dois mil filhos adotivos. O que realmente espanta nessa epopéia de nossos dias não é a bravura, é sobretudo a força de resistência, a força de paciência com que se transformou o forte bombardeado dia e noite, por muito mais bocas de fogo do que The Light Parade de Tennyson, porque sobre o Alcázar, além das quatro rosas do vento, chovia fogo do céu. Aviões despejavam bombas, e José Ituarte ocupava-se com a moenda das reservas de trigo, com um motor de automóvel, e a organização de um circo para divertir as crianças...
Não cabe aqui a centésima parte da epopéia do Alcázar de Toledo. Cabe ainda um reparo. Estas coisas aconteceram neste século de tantas degradações. Eu vivia, respirava, comia, dormia e trabalhava nos meus esquemas eletrônicos, enquanto a Espanha, Toledo, o Alcázar, Moscardó defendiam o cristianismo, a civilização, a honra, e tudo o mais que dá à vida o valor de ser vivida. Por um conjunto de bloqueios e conjurações, em que este século é fértil, passou-me despercebido o feito no momento mesmo em que eu poderia ter respirado em sincronismo com os heróis do Alcázar. Estupidamente perdi essa oportunidade de ser contemporâneo de uma raça de gigantes. Convertido à Fé Católica, ainda mais estupidamente perdi a oportunidade de agradecer a Deus tanta grandeza humana. Por um triz tive a sorte de sobreviver, e de ainda poder admirar, e de ainda poder agradecer. Parte dessa história está no meu livro O Século do Nada.
* Reproduzido de https://permanencia.org.br/drupal/artigos_corcao (sempre uma fonte de muita sabedoria)