Valterlucio Bessa Campelo
A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. (Aristóteles)
Existem determinadas qualidades humanas que desde a antiguidade temos no ocidente como virtudes. São atributos que movem a sociedade na busca da realização do bem, seja a partir do indivíduo ou de grupos. Para Sócrates, quatro virtudes são fundamentais – sabedoria, ou prudência; fortaleza, ou coragem; temperança e justiça. Embora sejam essencialmente qualidades humanas, ele os expandia à cidade. Seu último ato, antes de ser envenenado foi de coragem.
Resumidamente, pode-se dizer, a partir do próprio Sócrates e de Platão e Aristóteles, que Sabedoria, ou prudência, são para fazer boas escolhas, para decidir corretamente, o que leva à racionalidade, à reflexão. Fortaleza, ou coragem, para levar a efeito a decisão tomada, para seguir com retidão, para não sucumbir às dificuldades enfrentadas. Temperança tem a ver com moderação, com freio aos excessos e às paixões. Justiça é a virtude da medida certa, da equidade, das coisas em seus devidos lugares e funções.
Lembrei dos gregos enquanto refletia sobre a prisão recente de Roberto Jefferson, mas não apenas, posto que antes deles vários outros brasileiros tiveram sua liberdade cassada por “delitos de opinião”, no bojo do infame inquérito das “fakenews”, essa monstruosidade criada para perseguir desafetos e fazer a Justiça pender para um lado, o que propriamente dissolve a si mesma. Justiça que tem lado não é verdadeira justiça.
Não pretendo discutir o mérito de nenhuma prisão em si mesma, não tenho, é certo, condições técnicas para isto. Entretanto, como cidadão, percebo uma espécie de agigantamento desproporcional de um poder que o torna assustador. Toda prisão carrega um conteúdo pedagógico, é um exemplo, uma amostra para a sociedade de que determinado ato é punível pela lei de modo severo – o que seria mais severo do que a restrição da liberdade? – então, quando vejo no patamar superior da Justiça brasileira o vezo em calar vozes e opiniões pela força, sinto que de algum modo a minha própria liberdade de expressão está ameaçada.
Possivelmente os áulicos do esquerdismo e o isentismo de cuecas (ou calcinhas) vermelhas se sentem confortáveis com as prisões facilmente decretadas contra seus adversários políticos. A mim, porém, incomoda muitíssimo, porque a pretexto de punir em um ou outro o que filosoficamente se poderia chamar de vício da falta de temperança, ou de prudência, ou as duas juntas, o STF está deliberadamente inibindo na sociedade a virtude da coragem que, segundo Aristóteles, antecede todas as outras. A coragem para ser livre e livremente se expressar está, por certo, ameaçada, intimidada por tantos ataques a este direito inalienável do SER humano.
Lembremos o que disse um dos pais fundadores dos Estados Unidos da América e seu primeiro presidente entre 1789 e 1797, George Washington. À época, adiantou ele que “Quando a LIBERDADE de expressão nos é tirada, logo poderemos ser levados, como ovelhas, mudos e silenciosos, para o abate.” Agredidos, vilipendiados é como se sentem aqueles que amam a liberdade e são proibidos de reagir ao monstro togado. Satisfeitos é como se sentem aqueles que por covardia ou ignorância abraçam seus futuros algozes. Estes, deveriam estar aprendendo mandarim.
Como se não bastasse censurar, prender e, literalmente, arrebentar, como fizeram com o jornalista Oswaldo Eustáquio (segundo o próprio) através do famigerado inquérito das fakenews, vem ultimamente a mordaça do TSE determinar que as bigh techs desmonetizem canais nas mídias sociais que sejam críticos ao sistema de voto exclusivamente eletrônico, mesmo sendo ele inseguro, como restou provado. Não havendo razão ou condições para prender todos, querem asfixiar financeiramente os canais conservadores. Enquanto isso, os canais dedicados à propaganda comunista estão à vontade para toda ação deletéria em relação ao governo e à democracia, inclusive para se associarem a governos estrangeiros. Aliás, por que se alegra aquele embaixador?
Impressiona que qualquer brasileiro esteja liberado para estupidamente, sem provas, sem sequer indícios, atribuir crimes e insultar o presidente da república ou qualquer do governo, porém, esteja proibido de sequer duvidar, ou questionar a qualidade das urnas utilizadas nas eleições brasileiras, apesar de o TSE jamais haver provado a sua higidez. Pelo contrário, por lá, digo, dentro do sistema eleitoral, durante 6 meses um hacker estagiou impunemente.
Parece que tomar o poder sem ganhar eleições entrou na moda. De Zé Dirceu ao mais idiota útil perambulante nas redações, sindicatos ou universidades, todos vêem a possibilidade de expulsar um governante mediante expedientes de força, ilegais e infames, como uma opção razoável. Caem no anti-bolsonarismo histérico sem um tostão de reflexão e, assim, ajudam a colocar o Brasil calmamente na antessala do domínio vermelho, à espera de uma venezuelização. Essa gente não mede ou não faz ideia das consequências de sua vileza.
Por seu turno, a velha imprensa, órfã das verbas milionárias que lhe sustentava a ineficiência, cala-se frente à censura e aos desmandos. Os antigos jornalões e as TV’s agacham-se perante a força togada, chegando ao cúmulo de atribuir culpa ao silenciado. Vejam só! A imprensa é incapaz de defender a liberdade de expressão e sedizentes jornalistas a seguem sem se envergonharem.
Como se pode ver nos últimos tempos, a liberdade de expressão de uma parcela da população, a parte conservadora, se transformou alvo do humor de ministros de qualquer tipo e tribunal. Querem impor uma narrativa embusteira, historicamente podre, passando por cima dos mais elementares princípios do direito. Pior. Fazem isso sob a complacência das nossas personalidades ditas democratas.
FHC saiu do buraco onde se esconde para passar pano pró autoritarismo. Sociólogos e os filósofos de auditório se calaram. Cadê os defensores dos direitos humanos? Onde se meteram as feministas de sovaco cabeludo? Os intelectuais, os artistas? Onde? Não precisam responder. Estão escondidos, achando que golpeando Bolsonaro, o Brasil dará um giro para trás de 20 anos e recuperarão seus prestígios e suas sinecuras. Como faz pra gargalhar numa hora dessas?
Até a velha Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, no passado sóbria e séria, hoje se transformou num puxadinho da esquerda e é incapaz de emitir sequer uma nota em defesa da liberdade de expressão. Pensam eles, talvez, que será suave se transformar em “Ordem dos Advogados Bolivarianos” para não perder a sigla.
Vivemos um momento gravíssimo da história brasileira. Talvez a cisão política levada a cabo pela esquerda odienta, aquela que não se livra do coletivismo mofado e nos últimos 30 anos vem dividindo o Brasil entre pobres e ricos, homens e mulheres, pretos e brancos, homossexuais e heterossexuais, ateus e religiosos, precipite outra ainda maior. Sinceramente, creio que há tempo ainda para a sabedoria e a temperança, do contrário, em busca da maior das virtudes - a justiça, precisaremos muito da primeira - a coragem.
Valterlucio Bessa Campelo escreve opiniões, contos e poemas eventualmente em seu BLOG.
Adriano Marreiros
Não terás medo do terror da noite, nem da flecha que voa de dia, da peste que se propaga nas trevas, nem da epidemia que grassa pela hora meridiana.
Caiam mil a teu lado, e dez mil a tua direita, e tu não serás atingido. Só com os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios...
Salmo 91 Versículos 5-8
Falam muito em ciência, até mesmo os que escolheram Direito por pouco saberem de matemática, física, química, biologia... Hoje, quando o mundo paralelo do Direito tem o poder de impor a narrativa da ficção sobre os fatos da realidade, colhemos o fruto desse pouco conhecimento: alguns entendem que ciência é uma religião com dogmas inquestionáveis que sujeitam os que questionarem ou sequer testarem esses dogmas à condição de herege.
Na verdade eles não sabem nem História, ao menos a de verdade, aquela que trabalha com fatos ocorridos e não inventados, e desconhecem que grandes mentes que impulsionaram o conhecimento científico pertenceram, por exemplo, à Royal Society, associação que não fazia distinção entre esoterismo e ciência, porque a busca do conhecimento envolve questionar as hipóteses atuais e testar novas, o tempo todo. Você sabe por que as cores do arco-íris são sete embora o número das cores do espectro seja infinito? Porque 7 sempre foi um número considerado cabalístico, místico, mágico, esotérico, e por isso Newton o adotou. Ele era da Royal Society. E nem estamos falando de esoterismo: mas, mesmo diante de indícios e evidências reais, eles não admitirão o debate...
Mas esqueça, nem tente argumentar com quem não gosta de discussão e que, por isso, jamais colocará à prova o que pensa que sabe e jamais contribuirá para a busca da verdade... Lembre da advertência do Senhor em Mateus 7:6.
Segue o soneto que este cronista fez aos 20 anos. Essa é a época em que o homem diz e faz mais besteiras: quase sempre manipulado por quem deseja usar sua inexperiência. Talvez ter passado por 7 anos de Colégio Militar e 4 de Agulhas Negras tenha me protegido um pouco desses manipuladores que usam a doutrinação como arma para colocar os jovens contra a realidade. Talvez hoje já a estejam impondo aos experientes, só que usando o medo: a mais poderosa das armas.
Como disse o Lupin ao Harry, é muito sábio que o seu maior temor seja o medo... Não sou sábio, tenho certeza que não, mas ter medo é, de longe, meu maior temor. Meus maiores temores se realizam agora. Então vai, com medo mesmo:
Pérolas
Labutas tu com mente fértil e aberta
Em argumentar com mil cabeças duras
Lanças a ideia clara, justa e certa
Mas não dás luz às mentes vis e escuras
Malhas em vão o ferro frio e impuro
Com frágil malho de madeira fraca
´Inda que o braço seja forte e duro
Quebra-se o malho sem ferir-se a placa
Larga essa luta improdutiva e inútil
Busca a argila que se amolda à mão
Sem te cansares em esforço fútil
Pois que a Verdade e a luz são perigosas
E os porcos vis despedaçar-te-ão
Por lhes lançares pérolas preciosas...
(Do então Cadete Marreiros em 23 de maio de 1991)
“Treme, perna traidora. Tremerias mais,
se soubesses onde ainda vou te levar hoje”
(Osório, o Legendário, Patrono da Cavalaria e Herói Nacional, quando sua perna tremeu, minutos antes da Batalha do Tuiuti.)
Adriano Alves-Marreiros é Cristão, Devoto de São Jorge, Cronista, Pessimista, Mestre em Direito, membro do MCI e MP Pró-Sociedade e autor da obra Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais, da Editora E.D.A. e organizador do Livro Guerra à Polícia.
* O autor se nega a colocar SQN e outros ridículos avisos de uso de figuras de linguagem
** Publicado originalmente no Portal Tribuna Diária
https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1082/o-que-mais-se-deve-temer-e-o-medo.html
Gilberto Simões Pires
REMENDO PREVIDENCIÁRIO -PROVISÓRIO-
Os leitores devem estar bem lembrados que bem antes de ser aprovado o -REMENDO PREVIDENCIÁRIO-, que os brasileiros em geral, de forma insistente e totalmente equivocada, chamam de REFORMA, escrevi vários editoriais evidenciando que boa parte daquilo que constava no texto original da proposta que o governo enviou ao Congresso Nacional foi brutalmente desfigurado. Como tal, o que resultou aprovado não passou, infelizmente, de um REMENDO PREVIDENCIÁRIO -PROVISÓRIO-. E mesmo assim, para manter uma boa relação com o LEGISLATIVO, o ministro Paulo Guedes declarou que estava animado com o Congresso -REFORMISTA-.
FESTEJOS DO HALLOWEEN
O ministro Guedes, assim como as pedras da minha rua sabem muito bem que este Congresso nada tem de REFORMISTA. Ao contrário: é CONTRARREFORMISTA. Mas, basta o ministro dizer isto para que nem mesmo os REMENDOS venham a ser apreciados, votados e aprovados. Pois, para confirmar -ipsis literis- tudo aquilo que escrevi nos meus editoriais, a PEC que leva o falso nome de -REFORMA ADMINISTRATIVA-, considerada como extremamente importante para o nosso empobrecido Brasil, já está sendo cuidadosamente maquiada para fazer e acontecer nos festejos do HALLOWEEN deste ano.
DESCARTE
Bingo. Hoje, o relator da PEC da falsa REFORMA ADMINISTRATIVA, deputado Arthur Maia (DEM-BA) disse, ao jornal Valor Econômico, que vai antecipar a apresentação de seu parecer para a semana que vem (a previsão anterior era que o relatório fosse encaminhado até a primeira semana de setembro). Disse mais: “Vamos descartar parte considerável do que veio proposto pelo governo. Será um novo texto”. Que tal?
GRANDES REFORMAS
Fazendo um exame rápido da situação, o fato é que nenhuma das GRANDES REFORMAS de inúmeras que o Brasil precisa para poder respirar sem a ajuda de aparelhos, será feita de acordo com o exigido. O pior nisto tudo é que ao invés de apontar o LEGISLATIVO como real responsável pela inanição do país, muita gente, de forma equivocada, aponta todos os dedos para o EXECUTIVO dizendo que o governo não tem projetos.
VANTAGENS ADQUIRIDAS
Ora, se levarmos em conta que a PREVIDÊNCIA foi apenas REMENDADA por vontade da maioria dos deputados e senadores, e como são os mesmos que vão votar as -REFORMAS (?)- ADMINISTRATIVA E A TRIBUTÁRIA, tudo leva a crer, por dedução lógica, que teremos duas CONTRARREFORMAS, o que é pior do que REMENDOS. Resumo: do jeito que as coisas estão acontecendo, uma coisa é certa: a CARGA TRIBUTÁRIA continuará crescendo para que os privilegiados não deixem, jamais, de receber pelas VANTAGENS ADQUIRIDAS. Viva!
Jay Goldberg, no Financial Post
A liberdade de expressão garante que os canadenses tenham o direito de dizer aos governos quando eles estão errados. Embora isso possa ser desagradável para os governos, é absolutamente vital em uma sociedade democrática.
Em vez de fortalecer os direitos dos canadenses, o governo Trudeau deseja filtrar a liberdade de expressão através das lentes de uma superestrutura burocrática. Não pode haver dúvida de que existem coisas ruins na internet. A pornografia infantil, o discurso de ódio e outros crimes semelhantes são detestáveis. Mas esses crimes já são rotulados como tal no código penal, com longas sentenças de prisão para os condenados.
Se o governo federal deseja revisar essas leis, vale a pena discutir essa questão. No entanto, é um problema totalmente separado.
O governo quer que você acredite que tem como alvo o discurso de ódio, quando na realidade o seu alvo é a liberdade de expressão. Especialistas dizem que a nova proposta de lei de danos on-line do governo de Trudeau enfraqueceria fundamentalmente a liberdade de expressão no Canadá e exigiria uma superestrutura burocrática dispendiosa para fazer cumprir todas as novas regras do governo.
Como disse o professor de direito da Universidade de Ottawa, Michael Geist, o governo parece tratar a “liberdade de expressão como um perigo a ser restringido”, em vez de um direito a ser defendido. A legislação planejada criaria quatro novos órgãos governamentais, que se tornariam a base de uma nova superestrutura burocrática dispendiosa.
Os novos órgãos incluem uma Comissão de Segurança Digital, liderada por um comissário nomeado pelo gabinete federal, e um conselho consultivo composto por sete membros escolhidos pelo Ministro do Patrimônio. O comissário e o conselho consultivo seriam encarregados de identificar o conteúdo que não deveria ser mantido online e encaminharia esse conteúdo a um novo tribunal.
Alguém realmente acredita que um comissário nomeado pelo gabinete e um conselho consultivo nomeado pelo ministro do patrimônio seria completamente imparcial ao identificar o que deve ser removido online?
Claro que não.
Se esses novos órgãos fossem criados hoje, todos os oito burocratas seriam nomeados pelo gabinete Trudeau. Isso soa justo, equilibrado e neutro? Alguns dos poderes que seriam entregues ao novo tribunal são uma reminiscência do Ministério da Verdade em George Orwell de 1984. O tribunal, agindo sob as recomendações do comissário, poderia ordenar que serviços de comunicação online como Facebook e Twitter retirassem qualquer conteúdo do o governo considera prejudicial.
Essas plataformas teriam que resolver qualquer reclamação dentro de 24 horas. Deixar de remover o conteúdo pode resultar em uma ofensa condenável e multas de até US $ 25 milhões. Essas propostas antidemocráticas parecem assustadoramente semelhantes àquelas apoiadas por regimes autoritários.
Os canadenses não deveriam ter que confiar na esperança e na oração de que burocratas nomeados por um governo partidário salvaguardem nosso direito de criticar esse mesmo governo. Para colocar a cereja no topo deste bolo desastroso, a nova superestrutura burocrática do governo Trudeau custaria aos contribuintes milhões de dólares por ano.
Os serviços de comunicação online enfrentariam encargos regulatórios para fazer negócios no Canadá, que sem dúvida serão repassados ??aos consumidores.
As novas propostas do governo representam uma mudança perigosa em direção à censura estatal. Os canadenses, e não os burocratas, devem ser capazes de determinar exatamente como e por que querem criticar o governo online. Faltando apenas algumas semanas para as eleições, agora é o momento perfeito para um vigoroso debate nacional sobre a censura governamental.
* Jay Goldberg é o Diretor Interino de Ontário da Federação Canadense de Contribuintes
Alex Pipkin, PhD
Nós, seres humanos, possuímos a capacidade imaginativa de nos colocarmos numa posição empática, simpática à la Adam Smith, e elaborar sentimentos de tristeza, de alegria, enfim, que outras pessoas possam estar sentindo.
Não, não é preciso ter o tal “lugar de fala”…
A tomada de Cabul pelo Talibã representa um retrocesso tão grande à barbárie, que basta ver as cenas deploráveis de indivíduos afegãos se grudando aos cascos de aviões para tentar escapar de uma realidade já vivida de violência e de totalitarismo. Puro horror.
Eles sabem bem que a mentira, a violência e a tirania são características de grupos extremistas. Sentiram na pele.
Na primeira coletiva de imprensa, um dos líderes do Talibã, desejou passar ao mundo uma mensagem de moderação, claro, desde que tudo se enquadre dentro das estruturas das leis islâmicas do próprio Talibã, ou seja, uma leitura ultraconservadora do Alcorão.
E quanto às mulheres? Para essa turma, mulheres são seres inferiores. Embora a retórica seja da moderação, o grupo extremista governou anteriormente impondo um reinado brutal e de misoginia.
Mulheres compulsoriamente deveriam estar cobertas com burcas e só podiam sair com a permissão por escrito de homens, seus donos.
Penso que a interpretação própria da doutrina islâmica não deve se alterar; os direitos e as liberdades individuais continuarão a não existir para esses extremistas.
Não acredito na transformação da espécie extremista.
Pois bem, o descrito acima me parece idêntico à situação e à sensação de homens e de mulheres que viviam uma vida digna, com paz e prosperidade em seus países, Venezuela e Argentina - e outros recantos - suportadas pelas liberdades individuais e econômicas, até a chegada de líderes autoritários e adeptos da ideologia coletivista da destruição e do fracasso, quando esses se apoderaram de suas nações e de seus sonhos.
O fanatismo religioso e ideológico são irmãos siameses, que torturam de maneiras distintas e, por vezes, iguais.
O mundo e os seres humanos não são perfeitos; vivemos guerras, exploração, fanatismo, racismo, escravidão de negros e de brancos, e muito mais.
Mas a história da humanidade atesta cabalmente que a paz, o progresso e o desenvolvimento econômico e social ocorrem fundamentalmente em ambientes que respeitam a dignidade humana, e operam com a liberdade econômica.
Se retrocedermos no tempo, e analisarmos os últimos 20 anos, constataremos que no mesmo Afeganistão, apesar de todos os pesares e a convivência com a pobreza, as pessoas lá viviam com relativa paz e relativa prosperidade. Muito triste…
Dagoberto Lima Godoy
Sinto estarmos muito próximos do ponto de ruptura. Sem um FATO determinante de mudança do rumo atual, a casa -- quer dizer, a ordem pública -- pode ruir, porque os seus esteios -- as instituições -- estão desmoralizadas pelas próprias autoridades que as representam, em grande parte corruptas e infratoras de mandamentos básicos da Constituição. Ainda há tempo para que esse fato seja gerado por iniciativa dos poderes constituídos de forma a restabelecer entre eles a harmonia e resgatar a prioridade devida ao interesse público.
Há quem pense que a desobediência civil ou o povo nas ruas ou as duas coisas poderiam ser a resposta alternativa à anomia em que o país parece mergulhar, um estado social caótico, de moral abalada, em que impera o desregramento e a corrupção.
Mas, uma vez rompida a ordem vigente, o comando tende a ser assumido (ou “tomado”) pela facção mais bem organizada, capaz de conduzir ou MANIPULAR o movimento popular e levá-lo ao objetivo da própria facção. Lembro dos exemplos de três marcantes revoluções: na Rússia, foram os bolchevistas minoritários que instalaram o comunismo; na França, o caos levou ao terror; nos EEUU, lideranças sábias fundaram a democracia mais bem sucedida dos tempos modernos.
Neste momento, quem seriam as organizações brasileiras capazes de assumir a liderança pós-ruptura? Partidos políticos? Entidades empresariais? Igrejas? De minha parte, só vejo duas: 1) a esquerda neocomunista e globalizante, que aparelhou as máquinas governamentais, minou as instituições constitucionais, infiltrou-se nas centrais sindicais, nas universidades e na mídia, quase toda; ou 2) as Forças Armadas, sob o comando do Exército Brasileiro, assumidas como fiéis aos princípios republicanos, segundo a tradição brasileira.
Então, de coração apertado, anseio por resquícios de bom-senso e patriotismo porventura existentes em Brasília que levem a algum tipo de solução de compromisso democrático. Ou teríamos, como únicas alternativas, repetir 64 ou amargar trágicos "remakes" bolchevistas ou robespierreanos?
* Cidadão brasileiro.