• Autor desconhecido
  • 08 Setembro 2021

 

Autor desconhecido.

 

Importantíssimo para compreende a comunicação social no Brasil, hoje.

Nota do editor:  Encontrei este texto traduzido para o português em algumas fontes. Busquei o original e o encontrei, em inglês, aqui. Trata de uma realidade norte-americana, mas é inteiramente aplicável ao que vemos acontecer no Brasil! O texto, indica “Autor desconhecido”. Se alguém souber algo sobre a autoria do original, por gentileza, me informe.

O termo se origina na manipulação psicológica sistemática de uma vítima por seu marido na peça de teatro de Patrick Hamilton de 1938, Gas Light, e nas adaptações para o cinema lançadas em 1940 e 1944. Na história, o marido tenta convencer sua esposa e outras pessoas de que ela é louca manipulando pequenos elementos de seu ambiente e insistindo que ela está errada, lembrando-se das coisas incorretamente ou delirando quando aponta essas mudanças. O título da peça alude a como o marido abusivo lentamente apaga as luzes de gás em sua casa, enquanto finge que nada mudou, em um esforço para fazer sua esposa duvidar de suas próprias percepções. A esposa pede repetidamente ao marido que confirme suas percepções sobre as luzes que estão diminuindo, mas, desafiando a realidade, ele continua insistindo que as luzes são as mesmas e, em vez disso, é ela quem está enlouquecendo.

O termo “gaslighting” para definir essa forma de abuso psicológico deriva dessa peça teatral.

Estamos vivendo em um estado perpétuo de iluminação a gás. A realidade de que a mídia nos diz é totalmente diferente do que vemos com nossos próprios olhos. E quando questionamos a falsa realidade que estamos sendo apresentados, ou afirmamos que o que vemos é essa realidade real, somos vilipendiados como racistas ou intolerantes ou simplesmente loucos. Você não é racista. Você não é louco. Você está sendo manipulado.

O estado de Nova York tem duas vezes mais mortes por Covid-19 do que qualquer outro estado, e Nova York foi responsável por um quinto de todas as mortes de Covid-19, mas somos informados de que o governador de Nova York, o Democrata Andrew Cuomo, lidou com a pandemia melhor do que qualquer outro governador. Mas se apoiarmos políticas de governadores cujos estados tiveram apenas uma fração das infecções e mortes de Nova York, seremos chamados de anticientíficos e queremos que as pessoas morram. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

Vemos multidões saqueando lojas, quebrando janelas, incendiando carros e queimando prédios, mas somos informados de que essas manifestações são protestos pacíficos. E quando chamamos isso de destruição de nossas cidades, motins, somos chamados de racistas. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

Vemos que o maior problema que destrói muitos centros urbanos é o crime; assassinato, violência de gangues, tráfico de drogas, tiroteios, assaltos à mão armada, mas dizem que não é o crime, mas a polícia que é o problema nas cidades do interior. Somos informados de que devemos despojar a polícia e remover a aplicação da lei de cidades crivadas de crime para torná-las mais seguras. Mas se advogarmos por mais policiamento nas cidades invadidas pelo crime, seremos acusados ??de sermos supremacistas brancos e racistas. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

Os Estados Unidos da América aceitam mais imigrantes do que qualquer outro país do mundo. A grande maioria dos imigrantes são “pessoas de cor”, e esses imigrantes estão desfrutando de liberdade e oportunidades econômicas não disponíveis para eles em seu país de origem, mas somos informados de que os Estados Unidos são o país mais racista e opressor do planeta, e se discordamos, somos chamados de racistas e xenófobos. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

Os países capitalistas são os países mais prósperos do mundo. O padrão de vida é o mais alto dos países capitalistas. Vemos mais pessoas pobres subindo na escada econômica para a classe média e até mesmo para a classe rica por meio de seu esforço e habilidade nos países capitalistas do que em qualquer outro sistema econômico do mundo, mas somos informados que o capitalismo é um sistema opressor projetado para manter as pessoas para baixo. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

Os países comunistas mataram mais de 100 milhões de pessoas no século XX. Os países comunistas privam seus cidadãos dos direitos humanos básicos, ditam todos os aspectos de suas vidas, tratam seus cidadãos como escravos e derrubam suas economias, mas somos informados de que o comunismo é o sistema econômico mais justo, equitativo, livre e próspero no mundo. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

O exemplo mais flagrante de Gaslighting é o conceito de “fragilidade branca”. Você passa a vida tentando ser uma boa pessoa, tentando tratar as pessoas com justiça e respeito. Você rejeita o racismo e a intolerância em todas as suas formas. Você julga as pessoas apenas pelo conteúdo de seu caráter e não pela cor de sua pele. Você não discrimina com base na raça ou etnia. Mas dizem que você é racista, não por causa de algo que você fez ou disse, mas apenas por causa da cor da sua pele. Você sabe instintivamente que acusar alguém de racismo por causa da cor da pele é em si racista. Você sabe que não é racista, então defende a si mesmo e seu caráter, mas lhe dizem que sua defesa de si mesmo é a prova de seu racismo. Então, nós nos perguntamos, estou louco? Não, você está sendo manipulado.

 Gaslighting tornou-se uma das táticas mais difundidas e destrutivas da mídia atual e de alguns governos. É exatamente o oposto do que nosso sistema político deveria ser. Trata-se de mentiras e coerção psicológica, e não da verdade e do discurso intelectual. Se você já se perguntou se você é louco, não é. Pessoas loucas não são sãs o suficiente para se perguntar se são loucas. Então, confie em si mesmo, acredite no que está em seu coração. Confie em seus olhos sobre o que é dito. Nunca dê ouvidos às pessoas que dizem que você é louco, porque você não é, você está sendo manipulado.

Sófocles disse: “O que as pessoas acreditam prevalece sobre a verdade.”

E é isso que a mídia está tentando explorar.

Não se permita ser manipulado.

 

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  • Valterlucio Bessa Campelo
  • 04 Setembro 2021

Valterlucio Bessa Campelo

 

Não trata o atual debate público brasileiro, como podem pensar apressadamente alguns tolos e cretinos, de mera disputa entre personalidades, estilos de governo ou sequer entre projetos sociais e econômicos díspares. Mas de uma luta que se replica no mundo inteiro, opondo as pessoas que se sentem e se pretendem livres e aquelas que apenas cedem ou, por sua ideologia malsã, oferecem o pescoço à coleira apresentada pelos poderosos promotores de uma nova ordem. A peste chinesa serve, neste sentido, de plataforma para que determinadas autoridades desatem suas vocações autoritárias, e imponham sobre o cidadão um poder que não lhes foi conferido pelo voto ou pela Lei.

Vivemos um mundo distópico que exige, como reação de cada homem e mulher livre, muito mais que indignadas mensagens de celular, “lives” diárias, ou sábias análises em sites de notícias. Não podemos perder sem verdadeiramente lutar, nos render ao totalitarismo sem enfrentá-lo com toda força e tirar-lhes a máscara que encobre sua face sórdida. Devemos, pela liberdade, ir às ruas e, direta ou indiretamente, por qualquer via, mandar para o esgoto as tentações despóticas de quem quer que seja.

Presenciamos um momento “Orwelliano” da vida nacional, de controle da verdade, de censura de nossas opiniões e de punição liminar de quem não entra no “supremo bonde progressista”. Nesta quadra tenebrosa em que pairam sobre todos nós a insegurança, a dúvida e o medo, provocados por inúmeras e poderosas investidas sobre o direito à livre expressão, é necessário que declaremos o nosso mais profundo desprezo a toda espécie de tirania. Indico:

- A dos políticos, dos que pedem e recebem do povo a confiança para que atuem em sua defesa, governem e legislem em seu benefício, mas cuidam somente de suas próprias famílias, seus negócios e ideologias, algumas tão funestas quanto totalitárias, desprezando a liberdade.

- A dos juízes, daqueles que por décadas se dedicam laboriosamente ao Direito, mas quando alcançam o alto da escadaria, acomodam-se em tronos eternos, apropriam-se da verdade, escolhem na balança sempre o lado do coração e decidem com desprezo à liberdade.

- A da ciência, dos cientistas endeusados em altares de falsos consensos sobre temas globais, atribuindo às próprias conclusões caráter irrefutável, negando o questionamento mais elementar, fazendo-se desse modo anti-ciência e desprezando a liberdade.

- A do dinheiro, de todos os que alcançando grande riqueza, apoderam-se do Estado, corrompem seus agentes em todas as esferas, descumprem as leis, impõem criminosamente seus interesses, destroem sem critérios os bens naturais, dão como invisíveis os pobres e desvalidos, e desprezam a liberdade.

- A do ensino, dos professores e alunos que dançam a música do saber nas universidades, como esponja absorvem doutrinas, teorias e pesquisas, olham com lupa para o passado e o presente, aprendem sobre governos totalitários e, mesmo assim, desprezam a liberdade.

- A dos advogados, daqueles que juram solenemente “defender a liberdade, pois sem ela não há justiça”, mas atraídos pelas chances de enriquecimento e poder, traem seu juramento, vendem suas convicções, aliam-se aos corruptos, sustentam suas baixezas e desprezam a liberdade.

- A dos clérigos sacripantas, daqueles que em nome de Deus prometem abrir-nos o caminho da fé e guiar-nos no percurso do bem, mas não resistindo ao reluzir do ouro ou à fama, transmutam-se em mercadores ou reles ideologizadores, em desprezo à liberdade.

- A da imprensa, dos seus editores, jornalistas, analistas e de todos aqueles que no exercício da comunicação renunciam ao seu papel crucial na democracia, e transformam a informação em meio para achaques, chantagens, perseguição e manipulação em desprezo à liberdade.

- A da cultura, dos artistas e intelectuais que sabendo do infinito valor da beleza, das letras  e de todas as artes, se deixam levar pela ambição e narcisismo, algemam-se ao “politicamente correto”, e põem-se vulgarmente em desprezo à liberdade.

Em certo trecho (Cap. 58), o grandíssimo Miguel de Cervantes Saavedra diz em sua obra prima “Dom Quixote”, de 1605; “A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus; com ela não podem igualar-se os tesouros que encerra a terra nem que o mar encobre; pela liberdade assim como pela honra pode-se aventurar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens”.

Nada pode ser mais importante que a liberdade. Com ela, lutamos, ainda que em desvantagem; nos expressamos, ainda que sejamos incertos; vivemos, ainda que surjam moléstias; doamos, ainda que tenhamos pouco; seguimos, ainda que possamos cair; servimos, ainda que estejamos fracos; aprendemos, ainda que se torne difícil; crescemos, ainda que fique tardio e penoso.

Às ruas!

Valterlucio Bessa Campelo escreve ensaios, crônicas e contos eventualmente em seu BLOG e é colaborador do site Conservadores e Liberais.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 01 Setembro 2021

Alex Pipkin, PhD

 

Costumo ler bastante, e já queimei a pestana sobre o Iluminismo do século XVIII. O Iluminismo se constituiu, basicamente, num movimento intelectual, filosófico e político que acreditava no conhecimento - na luz -, como forma de preconizar a razão em detrimento do pensamento religioso.

Os pensadores iluministas faziam oposição aos reis monarcas, ao absolutismo, e lutavam pelos direitos individuais.

Pois eu sou um ferrenho defensor do pragmatismo, do conhecimento, da razão, da ciência e do humanismo racional.

Tenho andado com uma dúvida atroz a respeito da literatura que o Ministro do STF, Luís Roberto Barroso, leu e assimilou referente aos conhecimentos iluministas.

Reiteradamente, o ministro Barroso tem afirmado que o país precisa de um “choque de Iluminismo”, apontando, similarmente, que Iluminismo significa razão, ciência, humanismo e progresso.

Talvez seja em razão do “choque” aludido pelo togado, ou seja, por um encontro violento e um impacto brusco, que exista uma colisão de ideias e de significados entre aquilo que penso serem ideias iluministas e as praticadas pelo ministro.

Dentre os principais filósofos iluministas, o grande John Locke afirmava que os indivíduos nascem com direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à propriedade. Importante relembrar ao ministro, que Locke dizia que onde não há lei - aplicada igualmente a todos - não há liberdade.
Já para Voltaire, outro filósofo iluminista, crítico dos dogmas da religião, um valor fundamental é a liberdade de expressão; e que valor…

Aparenta que o ministro Barroso, que tem afiançado o absurdo inquérito das fake news, é favorável ao autoritarismo e a censura, que tolhe a liberdade dos indivíduos de expressar o que acreditam e o que pensam, visto que o Supremo é absoluto e absolutista em definir “a verdade”. Onde está a razão?!

Alerto ao Sr. Ministro que Montesquieu advogava, especialmente, a separação e a independência entre os poderes executivo, judiciário e o legislativo, este último fundamental, pois as leis deveriam representar a sociedade como um todo. Neste sentido, espanta o quê a grande mídia marrom, e o próprio STF, têm feito e dito em relação ao comportamento do executivo.

Embora tenha minhas reservas em relação a Rousseau, ele defendeu arduamente os valores democráticos e humanistas.

Quanto ao “humanismo”, o Ministro Barroso tem se notabilizado, junto com seus colegas do STF, na prática do nobre ativismo, que consideram “iluminista”, no que diz respeito ao aborto e à homofobia, por exemplo, embora a singela competência da lei e de seu cumprimento estejam muito aquém daquilo que a sociedade brasileira deseja. Enquanto bandidos e corruptos são soltos rotineiramente por decisões do STF, pessoas comuns e parlamentares são presas sem o devido processo legal, por conta de decisões absolutistas deste Supremo Tribunal, incluindo o ministro “iluminista” Barroso.

Bem o “Iluminismo” do ministro Barroso, diferentemente do meu, que preza pelos direitos e pelas liberdades individuais, advoga a coerção e a imposição estatal sobre os cidadãos.

Definitivamente, a visão de Iluminismo do togado é rústica e trivial; e claro, eu fico com meus livros.

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  • Alexandre Garcia
  • 01 Setembro 2021

Alexandre Garcia

 

Muita gente se pergunta o que são esses índios acampados em Brasília e que tocaram fogo na frente do Palácio do Planalto, e que agora muitos estão se retirando. O que é isso afinal?

Em primeiro lugar, eu passei pelo acampamento dos índios na sexta-feira (27), no dia que eles puseram fogo na frente do Palácio do Planalto e vi uma quantidade enorme de ônibus estacionados. Não eram ônibus que eventualmente parados lá, estavam à disposição dos índios.

As centenas de barracas eram uniformes, como se tivessem feito uma licitação para comprá-las; além disso, todo mundo se alimentou durante o período que estiveram lá.

Fica a pergunta: quem está sustentando isso? Porque o pessoal não estava trabalhando e muitos ainda ficaram por lá.

A segunda pergunta é como eles conseguiram material para produzir aquela fumaça preta ao pé da rampa do Palácio do Planalto? Aliás, num momento que o presidente estava em Goiânia.

E terceiro: o que está sendo julgado no STF?

Esse caso é de Santa Catarina, de uma reserva que foi demarcada em 1965 de 14.000 hectares. De repente, estão aumentando a reserva para 37.000 hectares. Isso iria desalojar 5 mil pessoas, cerca de mil famílias de pequenos agricultores que tem escritura dos terrenos desde 1902.

E qual é a base para essa disputa? O artigo 231 da Constituição, que diz que as terras são “indígenas” quando ocupadas tradicionalmente por eles, ancestralmente. É óbvio que “ocupadas” a partir da data quando foi promulgada a Constituição, em 5 de outubro de 1988.

Porque senão os índios podem ocupar terra para o resto da vida, até expulsar todo mundo para seus continentes de origem: África, Ásia e Europa.

Nesse caso, como lembrou o ex-deputado Aldo Rebelo, os descendentes de Tibiriçá e Bartira vão exigir de volta o Parque do Ibirapuera, e coisas do gênero.

O STF vai votar nesta semana para decidir esse caso. Se a maioria do STF decidir que as ocupações após o ano de 1988 valham, aí vai ser um horror.

Lá no Alto-Uruguai no Rio Grande do Sul, os pequenos agricultores estão desesperados. Porque lá tem grupos de Caingangues, e Santa Catarina tem Guaranis e Caingangues. No Mato Grosso, a área potencial para pegar 4 milhões e meio de hectares de soja, milho, algodão, pastagens para gado, e 1 milhões de pessoas.

Já chega a maluquice que fizeram em Roraima. Só o STF não reconhece, porque não tem humildade para reconhecer o erro. Aquilo foi um atentado a soberania nacional com a demarcação contínua de terras indígenas em plena fronteira com a Venezuela, num local onde índios e não-índios antes viviam em simbiose produtiva para ambos.

Depois, ficaram os índios escanteados, muitos migraram para a periferia de Boa Vista. Os arrozeiros de lá perderam os negócios. Uma maluquice que poderia ter sido resolvida reservando uma pequena área para os índios.

Aldo Rebelo, que era do PCdoB, e foi ministro em várias pastas durante o governo do PT – ou seja, é insuspeito para opinar nesse assunto – falou que isso é interesse das ONGs e não dos índios. Essas ONGs disseminam ódio entre índios e não índios, os dois lados igualmente brasileiros. Isso é crime de lesa-pátria. E alguém está financiando a manifestação dos índios para tentar atemorizar o STF.

Contudo, acaba o viés político e ideológico ao tacar fogo ao pé da rampa do Palácio do Planalto, sendo que quem vai julgar o caso é o STF. Mas isso é bem revelador do que está por trás desse movimento.

 

 

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  • Roberto Rachewsky
  • 31 Agosto 2021

 

Roberto Rachewsky

  

O economista Daron Acemoglu arrisca dizer que os Estados Unidos falharam menos por sua incompetência militar do que por sua visão da política local afegã.

Segundo ele, os estrategistas americanos pensavam que um estado construído de cima para baixo, com instituições, leis e um governo forte, seria suficiente para restabelecer a ordem naquele país medieval, religioso, tribal e bárbaro.

Ao longo desses 20 anos, os militares americanos, os burocratas da Secretaria de Estado, os homens e mulheres de torraram 2 trilhões de dólares numa guerra que ceifou 100 mil vidas por nada.

O Afeganistão não coube no molde construído por Washington. Ele é formado por peças que não se encaixam, seja na questão cultural, seja na idiossincrasia das tribos que ocupam aquele território hostil.

Nações são mais fortes que os projetos que as tentam moldar. No século XX, só duas nações responderam positivamente à reconstrução institucional em larga escala, feita de cima para baixo: Japão e Alemanha, após terem sido devastadas, desarmadas e humilhadas totalmente na II Guerra Mundial.

A União Soviética se desmantelou, porque o projeto comunista nasceu fracassado. A China quase matou toda a população pelo mesmo motivo. A influência britânica na Índia se desvaneceu, porque indianos não eram ingleses. Outros países só começaram a dar certo quando a nação encontrou por si só seu modelo ideal e conseguiu alcançar o consenso – casos marcantes são os da Estônia, República Tcheca e da Geórgia.

Há raros exemplos de sucesso da estratégia de cima para baixo. Um deles é Hong Kong. Mas Hong Kong é um dos países mais livres do mundo, é o lugar onde cada um pode construir por si sua vida, realizando seus sonhos sem intervenção do governo, desde que não importunem os outros.

Os americanos poderiam ter estudado mais sobre como não funciona um país onde o estado chegou primeiro que o povo ou como instituições monolíticas, rígidas, contraditórias no seu âmago, fracassam; bastaria terem estudado o modelo brasileiro.

Somos o exemplo de um “melting pot”, onde o estado veio primeiro e tenta há 500 anos modelar sem sucesso pessoas com culturas, educação e interesses tão ou mais diversos que os concidadãos dos talibãs.

Arrisco a dizer que a maioria das tentativas de fazer do Brasil um país civilizado falhou. O que se iniciou como uma revolução libertadora acabou em tirania ou fracasso. Não é por acaso que tivemos meia dúzia de constituições que acabaram rasgadas. O modelo que os americanos tentaram implantar no Afeganistão ao longo de 20 anos gerou conflitos, corrupção e expatriados.

No Brasil, não foram 20 anos. Devemos somar a estes mais 500 anos de uma sociedade onde o estado veio primeiro e se manteve no poder para ditar o que cada brasileiro faria com sua vida do berço ao túmulo.

É por isso que costumamos rejeitar instituições que, em vez de protegerem nosso ser, tentam nos moldar como sonham os ideólogos educados por jesuítas, pombalistas e esquerdistas como Anísio Teixeira, Darci Ribeiro e Paulo Freire.

*       Publicado originalmente em objetivismo.com.br

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 25 Agosto 2021

 

SEGUNDA MAIS LONGA DO MUNDO

A Constituição brasileira, com 250 artigos, mais 114 relativos ao Ato das Disposições Transitórias, é a segunda mais longa do mundo. Perde apenas para a Constituição da Índia, que contém 448 artigos e 94 emendas. Mais: a nossa Carta, mesmo depois de ter sido alterada mais de 105 vezes, ainda tem 119 dispositivos para regulamentar. 

ARTIGO 142

 

Pois, além de longa, a nossa Carta contém certos artigos que, passados mais de 30 anos desde a promulgação, mostraram ser TOTALMENTE INÚTEIS. Um desses é, sem a menor dúvida, o ARTIGO 142, o qual, pelo visto, foi ali colocado apenas para ser lido. Mais: quem ousar entender, ou propor, que em algum momento ele possa ser útil e/ou necessário, este alguém será imediatamente rotulado como GOLPISTA.

ABSOLUTAMENTE INÚTIL

 

A rigor, sem qualquer ponta de ironia, tudo leva a crer que o ARTIGO 142 só foi colocado na Constituição com um único propósito, qual seja de apenas figurar como instrumento de ALONGAMENTO DO TEXTO. Como tal, não passa de algo absolutamente INÚTIL.

RAZÕES E MOTIVOS

 

O que mais me deixa pasmo é que nem mesmo as escancaradas e maldosas decisões que vem sendo tomadas por desafiadores ministros do STF, que simplesmente deixaram de cumprir com a Constituição, assim como dos senadores que nada fazem para impedir tamanha e indevida interferência na vida dos cidadãos -de bem- do nosso empobrecido Brasil, se oferece como RAZÃO E MOTIVO para o pronto uso do ARTIGO 142.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS

 

Nesta toada maldita, o Brasil vive um drama intenso e preocupante: na nossa história em quadrinhos, quem está impondo um inquestionável GOLPE na Constituição está posando de MOCINHO. Por outro lado, quem se coloca ao lado da JUSTIÇA, com o propósito de defender os CIDADÃOS, é tratado e considerado como BANDIDO. Mais: qualquer pretensão de fazer uso do ARTIGO 142, para GARANTIR a LEI e a ORDEM, é considerado como CRIME.

 

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