Stephen Kanitz
É difícil entender por que um número de professores universitários ainda acredita que o mundo é composto de somente duas classes definidas pelas suas relações de trabalho.
Surpreende a todos que estudam história que Marx desconhecia que a Índia já era composta de 3.000 classes, que também possuíam interesses próprios.
São as chamadas castas, as castas profissionais definidas exatamente pelas suas relações de trabalho, pedreiros, tecelões etc.
Hoje existem muito mais do que somente duas classes, todas com características próprias e interesses comuns.
No Capitalismo, a terceira classe que logo surgiu foi a classe de administradores, que se infiltrava como um fulcro entre capitalistas e trabalhadores.
Os professores da Harvard Business School já em 1908 identificaram essa nova classe.
E decidiram tomar o poder dos capitalistas treinando administradores socialmente responsáveis, em vez de pregar a revolução sangrenta de 1917.
E conseguiram muito progresso. Afastaram os herdeiros das famílias para a filantropia e deixaram a gestão com administradores, que criaram a palavra stakeholders, não preciso dizer mais.
Mesmo formados em outras faculdades, os administradores possuem interesses próprios, um dos quais foi transformar os capitalistas em meros acionistas, com muito menos poder do que imaginara Marx.
A quarta classe que surgiu foram os engenheiros da indústria mecânica que passaram a vender bens de produção para quem quisesse comprar, gerando enorme concorrência aos capitalistas já instalados.
Milhares de trabalhadores finalmente puderam deter seus bens de produção, se juntando e comprando os seus bens de produção financiados ou não.
Foi a indústria mecânica que permitiu a criação das 235 milhões de pequenas empresas do capitalismo de hoje.
Um Estado planificado jamais conseguiria algo perto disso.
A quinta classe que surge é justamente a classe de pequenos e médios empresários, que também tem interesses próprios e trava uma luta de classes entre si, com seus fornecedores, com os seus trabalhadores, com as grandes empresas capitalistas.
A sexta classe que logo surgiu foi a dos advogados, que chegaram a ser o poder dominante no início do século, controlaram o Judiciário, muitos congressistas são advogados, e criaram a poderosa OAB.
Se você realmente acha que os empresários exploram seus advogados, todos dirão exatamente o oposto.
Tem a classe dos funcionários públicos, que não há como extrair mais valia deles, novamente é o contrário, eles que tiram 40% de mais valia de nós.
Tem a classe dos políticos profissionais.
Tem a classe dos aposentados, cada vez maior, que faz a mesma coisa.
Estou assistindo entrevistas de novos representantes de esquerda, e fico imensamente decepcionado que a maioria não percebe o mundo que os cerca.
Achar que ainda existem somente duas classes no século XXI é um reducionismo científico fora de propósito.
* Publicado originalmente no excelente Blog do Kanitz - https://blog.kanitz.com.br/so-existem-duas-classes/
Júnia Turra
Meu avô paterno trabalhou a vida inteira. Era veterinário e pesquisador: o responsável pelo Departamento da Universidade Federal onde se estudava as doenças caninas e o tratamento delas. Era de família portuguesa. Minha avó era professora. Tiveram três filhos. Duas mulheres e um homem.
Meu avô materno trabalhava no Banco Central no Rio de Janeiro. Ele era um dos responsáveis por assinar as notas de dinheiro.
Minha avó professora, depois funcionária da Rede Ferroviária Federal.
Meu avô levava no bonde do Centro do Rio para as Laranjeiras, onde morava, duas malas cheias todas as sextas-feiras para não deixar o trabalho acumular. Nunca foi roubado e nunca roubou.
Era um italiano-brasileiro que foi pai após os 40 anos. Teve uma filha só.
Meus avós pagavam impostos. Eram homens e mulheres íntegros. Quando eu era pequena, a minha avó mostrava anéis onde estava escrito "dei ouro para o bem do Brasil", lá dos tempos em que a minha mãe era criança.
Meus avós compraram imóveis, pagaram impostos corretamente para o Estado todos os meses, todos os anos. Taxas, impostos, sobretaxas.
Quando morreram, os filhos pagaram impostos de transmissão de propriedade e mais taxas, taxas e taxas e impostos e um valor que a cada ano se tornava mais absurdo e que ia para um 'grupo cartorário' e para o Estado.
E quando esse dinheiro entra nos cofres públicos, sabemos o que acontece...
E sabemos muto bem o agravamento do que passou a acontecer com o dinheiro público desde o início do revezamento no poder entre o grupo do "Boca de Godê Duplo" e "O Que Nunca Foi Retirante" .
Você tem Bens?
Eu herdei propriedade.
Paguei impostos altíssimos de transmissão.
Eu comprei imóveis.
Paguei impostos altíssimos de transmissão.
Todos os anos pago impostos pelo que possuo.
Impostos cada vez mais altos.
Independente da economia ir bem ou mal.
Sabemos...
Você pagou o IPTU esse ano?!
Em São Paulo, o valor das vagas na garagem é o equivalente ao IPTU de muito imóvel no interior por aí...
Mas o interior "por aí" colocou o valor na estratosfera. Logo, equivalente a muito imóvel da maior capital do país.
O "grandioso" Calça Enfiada nas Pregas e a turma dele coligada aquela outra e a mais outras (porque são inúmeras siglas partidárias para confundir o cidadão), jogou para a estratosfera o aumento de impostos, retirou o tombamento da maioria dos imóveis tombados (isso lá quando prefeito) e acelerou o esquema de enfiar gente pra morar na rua.
Espalhou a Cracolândia.
Com direito a banheiros públicos, local pra banho, para alimentação gratuita e ainda para receber o "up" de cada dia. E com barracas de marca numeradas.
Você conta ou eu conto o que essa turma política pretende?
Vão ocupar e invadir propriedades. Estão fazendo isso nos prédios públicos no centro das grandes cidades e na área rural.
E querem acabar com o direito de transmissão da propriedade e de possuir propriedade. Essa que nós pagamos para manter todos os meses a preços de arrancar o couro. Essa que nossos pais e avós pagaram tanto com suor do trabalho deles e dando até "ouro pelo bem do Brasil".
O Estado quer manter as mordomias para os funcionários do povo tirando tudo do povo.
O discurso de políticos da esquerda caviar tem por objetivo ter sem merecer, se apropriar do que é do outro, pago com o suor do outro.
É o mesmo modus operandi dos parentes picaretas que toda família tem e que querem se apropriar do alheio que nunca suaram para ter. Está na hora de mudar a lei também.
Nem o Estado e nem parente serpente deve ficar com o que não lhes pertence. Querem o ouro e o seu couro!
* Publicado originalmente na página da autora no Facebook
Diogo Forjaz
Dia sete de setembro vamos às ruas pra respirar uma vez mais, em liberdade.
A escalada ilegal, inconstitucional e autoritária do STF parece não incomodar os cidadãos romanos da esquerda. Sim, a esquerda hoje assemelha-se ao império romano pelo mundo, em qualquer país eles tudo podem e os nativos nada valem. Os BlackNadaMetters de ocasião podem agredir idosos, incendiar mercados, destruir patrimônio público, privado e símbolos históricos, “pacificamente”.
Intocáveis como os romanos em Israel, ou na Germânia, tanto faz, mas basta um “Franco” grito de basta por um coração patriota(qualquer pátria) para ser um terrorista “à francesa”. Assim uma placa com um artigo constitucional é inconstitucional ataque a democracia, enquanto os gritos histéricos que incitam esfregar o presidente no asfalto quente para arrancar-lhe os olhos, pedidos públicos para que o esfaqueiem, ou ainda publicadas no jornal as “razões” pelas quais se deve desejar-lhe a morte são a mais pura e pacífica expressão democrática.
É com esta dinâmica de dois pesos e nenhuma medida que a mídia, e o senso mediano, nada comum, fabricado por ela entre leitores de manchete estamparam crime como lei, violação como proteção, fato como fake e mentiras como verdades.
Não é difícil identificar cidadãos presos por trabalhar e políticos libertos por roubar, 52 milhões em espécie são testemunhas disso.
Deputado preso por falar e traficante livre sem motivo. E por falar em motivo, o mesmo vírus que trancou o país em casa e arrancou-lhe os empregos, o destino, em um desafinado desatino libertou, sob as mesmas canetas 70 mil criminosos, traficantes assassinos, latrocidas e estupradores “de família".
À polícia cabe punir com rigor o crime de caminhar, trabalhar, reclamar, falar ou agir pra fugir do horror da fome, e só. Tranquilos nos morros ficam todos aqueles que vendem drogas, brincam com vidas e reduzem as esperanças das comunidades a seu principal produto, o pó.
E é com cheiro branco de torpor que a redação única de nossa mídia múltipla intoxicou a sociedade com mentiras profissionais para tornar as vítimas, “manipulados”, youtubers e jornalistas de verdade, “manipuladores”, heróis da liberdade, “ ditadores vilões” e vilões de capa preta em “heróis paladinos da justiça” em seu palácio de lagosta.
Assim, alguns ainda perguntam quando a corda vai romper. Parece que embriagados, alguns ainda esperam não romper a corda. que corda? a que amarra nossas liberdades, nossa voz?
A que enforca a constituição e mata o direito?
A que laçou a democracia?
Não se preocupe leitor de manchetes, esta corda está firme, como rédea nas mãos da toga. A corda está intacta, as liberdades é que estão rompidas.
* Este artigo de Diogo Forjaz foi publicado no excelente portal Tribuna Diária, 31/08/2021.
Gilberto Simões Pires
MÚCIO
Um dos personagens que o humorista Jô Soares interpretava no seu ótimo programa - VIVA O GORDO -, era conhecido como MÚCIO. Tal personagem, cujo bordão era -TIROU DAQUI, Ó! -,se caracterizava por alguém que nunca criava qualquer tipo de atrito com seus interlocutores. Ou seja, quando dizia algo que soasse como inconveniente, o Múcio tratava, imediatamente, de se desdizer.
POLITICAMENTE CORRETO
Confesso aos leitores, que foi através desse quadro humorístico criado e apresentado de maneira brilhante pelo escritor e apresentador Jô Soares que percebi o real significado do POLITICAMENTE CORRETO. Sem exceção, todos aqueles que usam e abusam deste nojento expediente, muito bem utilizado no quadro -TIROU DAQUI, Ó!-, são os verdadeiros -MÚCIOS- da vida real. Tal qual verdadeiros -contorcionistas-, os adeptos do POLITICAMENTE CORRETO sempre tomam o cuidado de nunca desagradar o próximo. E quando isto acontece tratam, imediatamente, de escalar o muro mais próximo para ficar -de bem- com todos.
BAJULADORES DE PLANTÃO
Vejam que tão logo foi noticiada a existência da tal CARTA DA DEMOCRACIA escrita pela USP, o que se viu neste nosso imenso Brasil, através das assinaturas de apoio ao documento -socialista- foram os velhos e conhecidos POLITICAMENTE CORRETOS. A rigor, quem se dispôs a assinar a carta, na real colocou a digital que confirma a posição de BAJULADORES DE PLANTÃO, mais conhecidos como -PUXA-SACOS- da destruidora TURMA DA ESQUERDA que levou o Brasil à lona.
LIBERDADE
Ora, como aprendi desde cedo que - diante de situações que considero equivocadas - é infinitamente mais acertado ser SER SINCERO E FRANCO e não agradar ninguém do que permanecer em SILÊNCIO, vi claramente que não tenho a menor vocação para ser do tipo -POLITICAMENTE CORRETO-. Mais: como sou um ferrenho defensor da LIBERDADE, isto já me exclui totalmente de ser alguém que prefira escalar MUROS como forma de contornar eventuais atritos e/ou dissabores.
ÚNICO OPOSITOR
Portanto, como estamos em pleno período de campanha eleitoral, sugiro que os leitores-eleitores que, eventualmente, não simpatizam com o presidente Jair Bolsonaro, saibam que o seu -único- opositor é um bandido que foi CONDENADO EM VÁRIAS INSTÂNCIAS. Mais: o ex-presidiário diz e repete a todo momento que pretende REVOGAR não apenas tudo aquilo que pode levar o Brasil a um CRESCIMENTO REALMENTE SUSTENTADO como, principalmente a LIBERDADE, que só muito recentemente passou a ser experimentada no nosso País.
Alex Pipkin, PhD
Estive no centro de Porto Alegre para uma reunião. Após, resolvi dar uma passada no Mercado Público.
Quando me dirigia para esse destino, um jovem que estava em uma tenda em frente ao Mercado, de um dos partidos vermelhos - acho que era PCdoB -, veio ao meu encontro na tentativa de me entregar um panfleto.
Ato contínuo, eu disse: “Não obrigado, não voto em ladrão, você vota?”. O adolescente, então, retrucou: “Bolsonaro também é ladrão”. Enfim.
Fiquei com isso na retina, e penso que é incalculável o prejuízo que o ex-presidiário está trazendo para uma geração de brasileiros, especialmente para a nossa juventude.
A grande questão é, sem dúvida, de natureza moral.
Perdeu-se a vergonha, inexiste o espectador imparcial - como chamava Adam Smith - aquele interno, que muitas vezes nos cutuca quando colocamos a cabeça no travesseiro, para que façamos uma reflexão honesta, despida de paixões e de devaneios, o verdadeiro árbitro moral.
Objetivamente, nesse novo mundo amoral, da pós-verdade, pseudoprogressista, do vale tudo, o protagonismo é das narrativas, da mentira, da impunidade e da falta de vergonha na cara.
É surreal o que o bandido e seus aliados fazem quando surrupiam a verdade dos fatos, utilizando silogismos e narrativas, e ainda logrando de prestígio imerecido de seguidores de uma seita, de incautos e de jovens idealistas e inexperientes.
O jovem que me abordou, muito provavelmente, está no conforto do seu grupo de pertencimento, com ideias idealistas e “libertárias”, no entanto, o FATO COMPROVADO DE LULA TER ROUBADO DOS COFRES PÚBLICOS, parece ser irrelevante, a essencial questão moral é descartável, já que o objetivo é sacar da presidência o “fascista” Bolsonaro.
Vejam, na réplica do rapaz, ele argumenta que Bolsonaro “também rouba”, baseado em um falso silogismo, em nenhum momento negando o fato comprovado de que o ex-presidiário assaltou a nação.
Decididamente, vive-se no reino de Robin Hood. O próprio ex-presidiário, quando perguntado por um repórter sobre o que faria para esclarecer a corrupção nos governos petistas, afirmou que foi “descondenado” pelo STF, e a partir dos mesmos falsos silogismos começou a realizar ilações sobre o governo Bolsonaro.
Mesmo que o repórter tenha dito que a Petrobras recebeu milhões, fruto de devoluções de corrupção, fato inequívoco, o ladrão-mor continuou mentindo com desenvoltura e naturalidade.
É surreal que um bandido comprovado esteja concorrendo ao cargo máximo da nação; a ética e a moral foram para o espaço, juntamente com uma geração de brasileiros.
Mais impressionante ainda, é que embora ele não possa ser considerado inocente, o Supremo órgão da Justiça nacional, numa manobra processual e imoral, anulou seus processos, a fim de que Lula pudesse concorrer.
Kafkiano o fato de Alckmin, vice de Lula, ter dito que Lula queria “retornar a cena do crime”.
Importante frisar que estamos pisando em terreno firme, confrontando fatos comprovados com narrativas e falsos silogismos, esse é o ponto.
É devastador que além de um povo iletrado, a experiência que o país vive com o incivilizado e semianalfabeto Lula da Silva, aprofunde as marcas da impunidade e do completo relaxamento com a vital questão moral.
Enquanto esse corrupto pseudo-salvador do Brasil, com suas narrativas, seus falsos silogismos e suas maracutaias, mantiver notoriedade indevida, os jovens serão os mais prejudicados na esperança de um futuro melhor.
Luan Sperandio
Com um pequeno barco que comprou aos 16 anos com dinheiro da mãe, Cornelius Vanderbilt (1794 – 1877) começou navegando pelas águas do porto de Nova York e acabou formando um vasto império no crescente ramo de transportes. Aos 20 já era rico e, quando morreu, tinha acumulado uma fortuna de 105 milhões de dólares (ou, em valores corrigidos, quase 200 bilhões de dólares, mais do que o dobro do patrimônio de Bill Gates). Em contrapartida, o fundador da Microsoft usufrui amplamente os benefícios do capitalismo.
Afinal, Cornelius não chegou a experimentar a maior parte dos confortos modernos trazidos pela industrialização. Água corrente, vasos sanitários com descarga e ar-condicionado. Geladeira, microondas, remédios e anestesia. Isso sem falar nos telefones celulares, acesso à Internet e televisão por satélite. Apesar de o magnata da logística ter sido o homem mais rico de seu tempo, provavelmente trocaria toda a sua fortuna pela vida confortável de alguém de classe média hoje.
Tanto a história quanto os dados disponíveis mostram que, longe de produzir miséria, o capitalismo é uma magnífica máquina de geração de riqueza. Em primeiro lugar, porque a condição natural do homem é a pobreza, desde os primórdios da humanidade. Parece evidente dizer que, a princípio, há dezenas de milênios, não existia nada na Terra para o ser humano além de animais, plantas e demais recursos naturais.
Essa realidade foi transformada gradativamente, especialmente em virtude da acumulação de capitais, da expansão dos mercados e do empreendedorismo. A Revolução Industrial, que consolidou o processo de surgimento do modo de produção capitalista, foi uma combinação desses fatores.
Em suma, sob diversos aspectos, o mundo se desenvolveu mais, e de forma mais rápida, após o século XVIII: o crescimento da população mundial, a redução da pobreza, a melhora dos índices de desigualdade, a alfabetização, a queda da mortalidade infantil, o aumento da expectativa de vida, entre outros. Os parâmetros de avaliação são muitos. O resultado, contudo, é incontroverso: o mundo mudou para melhor.
Mais mercado, mais prosperidade
Pela primeira vez na história, segundo dados do Financial Times, há mais pessoas na classe média do que na pobreza. O mundo não está apenas mais rico; as pessoas estão migrando cada vez mais rápido para a classe média — que, por sua vez, também está enriquecendo. Tudo isso melhorou os índices de bem estar para patamares jamais alcançados na história.
Nesse sentido, os números podem nos deixar otimistas. De acordo com estimativas do Our World in Data, a taxa de pobreza extrema, que era de 94% em 1820, caiu para menos de 10% em 2015. Isso é ainda mais impressionante se considerarmos que a população mundial cresceu mais de sete vezes nesse período.
Isso só foi possível pela livre iniciativa. Países ricos, com maior probabilidade de sucesso e com melhor qualidade de vida, são países economicamente livres. É o que indica uma forte correlação entre os critérios do ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation e os indicadores sociais de um país. Quanto mais livre economicamente é um país, maior tende a ser seu Índice de Desenvolvimento Humano. De forma geral, quanto melhor a colocação de um país no levantamento, maior é o bem estar dos cidadãos.
Embora nos dias de hoje milhões de pessoas ainda estejam em situação de privação de necessidades básicas, os dados mostram que a vida melhorou. A maioria dos indivíduos se encontra mais protegida contra doenças, mais bem abrigada, mais bem alimentada, vive mais e tem luxos inimagináveis em relação a seus antepassados.
Como luxos de magnatas são popularizados
Bens luxuosos, antes restritos a nobres, donos de petrolíferas e grandes banqueiros, passaram a fazer parte da vida dos mais pobres. Com o aumento de produtividade proporcionado pelo capitalismo, bens e serviços antes restritos à elites ficaram mais acessíveis, tornando possível seu consumo pelas massas.
No Brasil colonial, por exemplo, até mesmo produtos que hoje encontramos em qualquer padaria da esquina, como queijos e azeites, eram restritos aos senhores de engenho, entre outras pessoas ricas, em virtude das dificuldades de importação. Além disso, naquela época, os ricos nem sonhavam com a conserva de alimentos em um refrigerador.
Em 1937, uma geladeira Frigidaire custava 15 milhões de réis, o equivalente a 62 salários mínimos na época. Hoje, mais de 98% dos brasileiros têm geladeira. As mais simples custam menos ou o mesmo valor do que um salário mínimo, segundo o IBGE.
Da mesma forma, há algumas década,s somente pessoas com alto poder aquisitivo podiam ter um telefone celular. Em 1983, um Motorola Dynatac 8000X custava US$ 4 mil, o equivalente a US$ 10 mil (ou mais de R$ 40 mil!) em valores de 2010. O aparelho pesava quase 2,5kg e sua bateria durava apenas 20 minutos. Atualmente, há 230 milhões de smartphones em uso no Brasil, mais de um por habitante.
Por fim, Matt Ridley, no livro O Otimista Racional, calculou que em 1800 uma pessoa com salário médio precisava trabalhar 1 hora para adquirir reles 10 minutos de luz. Hoje, a mesma hora de trabalho custeia, em média, 300 dias inteiros de luz artificial. Qualquer brasileiro que tenha uma lâmpada em casa faria um magnata do século XIX morrer de inveja.
Outros benefícios do capitalismo
Até 1750, 60% das pessoas trabalhavam produzindo alimentos, isto é, eram necessárias 60 pessoas produzindo para alimentar 100 habitantes. Sem tratores, controle de pragas ou adubos artificiais, trabalhavam muito para colher pouco. De lá para cá, o desenvolvimento da tecnologia e a mecanização da agricultura liberaram bilhões de pessoas do trabalho pesado no campo. Hoje, na Europa, só 3% das pessoas trabalham no setor. No Brasil, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, esse número é de 10%.
Estima-se que, em 1994, há pouco mais de 25 anos, um rodízio de carnes custava aproximadamente R$13, cerca de 20% de um salário mínimo. Hoje o mesmo salário mínimo paga rodízio para até seis pessoas em uma churrascaria tradicional.
Além disso, para comprar um carro popular em 1994, eram necessários, em média, 113 salários mínimos. Atualmente, é possível adquirir modelos novos de automóveis por cerca de 43 salários mínimos. E a gasolina? Em 1994, o salário mínimo comprava 117 litros de gasolina; hoje, compra 257 litros.
Assim, pessoas que trabalharam no setor de transportes, como Henry Ford ou o próprio Cornelius Vanderbilt, foram responsáveis por levar você mais rápido aonde quiser. Porém, não apenas isso: elas possibilitaram que você trabalhe menos horas para conseguir pagar por isso (e pelo combustível necessário).
Na prática, ao enriquecerem, essas pessoas permitiram que você tivesse mais tempo livre, o que aumentou o seu bem estar e o tornou mais rico também. Em suma, vale observar: o tempo é a verdadeira métrica da prosperidade. Afinal, você é tão mais próspero quanto mais bens e serviços consegue consumir como resultado de uma mesma quantidade de trabalho.
Considerações finais
Até mesmo o sal, hoje em dia tão acessível ao cidadão comum, já foi considerado uma espécie de “direito fundamental” em sociedades antigas. Inclusive, a extração foi monopolizada em diversos lugares, sendo o produto provido pelo Estado. Os romanos, embora não tivessem estabelecido um monopólio, subsidiavam o produto com o lema “Sal para todos”. Por fim, o que já motivou guerras, ergueu impérios e era uma obsessão até o final do século XIX, hoje custa menos de R$2/kg.
Como bem define a frase “o capitalismo transforma luxos em necessidades”, atribuída ao empresário americano Andrew Carnegie, eis a maior virtude desse sistema: criar confortos e torná-los parte do cotidiano.
Não é à toa que esse processo de desenvolvimento, que sempre aconteceu de forma lenta ao longo da humanidade, experimentou uma aceleração exponencial nos últimos 200 anos. De fato, os padrões de vida hoje são significativamente melhores do que os de um século atrás. Consequentemente, mais pessoas escapam da morte na infância e vivem o bastante para usufruir dessa prosperidade.
Agora, ao sacar o smartphone do bolso e assistir a um simples vídeo, você está desfrutando de algo com o que mesmo alguém poderoso e rico como Cornelius Vanderbilt provavelmente nunca foi capaz de sonhar.
* O autor é Editor-chefe da casa de investimentos Apex Partners, analista político e colunista da Folha Vitória. Integra diversas organizações ligadas ao desenvolvimento de instituições com melhor ambiente de negócios, como o Ideias Radicais, o Instituto Mercado Popular e o Instituto Liberal, onde escreve desde 2014. É associado do Instituto Líderes do Amanhã.
** Publicado originalmente em https://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/como-o-capitalismo-populariza-o-que-era-luxo-no-passado/