• Diogo Forjaz
  • 22 Agosto 2022

Diogo Forjaz

 

Dia sete de setembro vamos às ruas pra respirar uma vez mais, em liberdade.

A escalada ilegal, inconstitucional e autoritária do STF parece não incomodar os cidadãos romanos da esquerda. Sim, a esquerda hoje assemelha-se ao império romano pelo mundo, em qualquer país eles tudo podem e os nativos nada valem. Os BlackNadaMetters de ocasião podem agredir idosos, incendiar mercados, destruir patrimônio público, privado e símbolos históricos, “pacificamente”.

 Intocáveis como os romanos em Israel, ou na Germânia, tanto faz, mas basta um “Franco” grito de basta por um coração patriota(qualquer pátria) para ser um terrorista “à francesa”. Assim uma placa com um artigo constitucional é inconstitucional ataque a democracia, enquanto os gritos histéricos que incitam esfregar o presidente no asfalto quente para arrancar-lhe os olhos, pedidos públicos para que o esfaqueiem, ou ainda publicadas no jornal as “razões” pelas quais se deve desejar-lhe a morte são a mais pura e pacífica expressão democrática.

 É com esta dinâmica de dois pesos e nenhuma medida que a mídia, e o senso mediano, nada comum, fabricado por ela entre leitores de manchete estamparam crime como lei, violação como proteção, fato como fake e mentiras como verdades.

Não é difícil identificar cidadãos presos por trabalhar e políticos libertos por roubar, 52 milhões em espécie são testemunhas disso.

Deputado preso por falar e traficante livre sem motivo. E por falar em motivo, o mesmo vírus que trancou o país em casa e arrancou-lhe os empregos, o destino, em um desafinado desatino libertou, sob as mesmas canetas 70 mil criminosos, traficantes assassinos, latrocidas e estupradores “de família".

À polícia cabe punir com rigor o crime de caminhar, trabalhar, reclamar, falar ou agir pra fugir do horror da fome, e só. Tranquilos nos morros ficam todos aqueles que vendem drogas, brincam com vidas e reduzem as esperanças das comunidades a seu principal produto, o pó.

E é com cheiro branco de torpor que a redação única de nossa mídia múltipla intoxicou a sociedade com mentiras profissionais para tornar as vítimas, “manipulados”, youtubers e jornalistas de verdade,  “manipuladores”, heróis da liberdade, “ ditadores vilões” e vilões de capa preta em “heróis paladinos da justiça” em seu palácio de lagosta.

Assim, alguns ainda perguntam quando a corda vai romper. Parece que embriagados, alguns ainda esperam não romper a corda. que corda? a que amarra nossas liberdades, nossa voz?

A que enforca a constituição e mata o direito?

A que laçou a democracia?

Não se preocupe leitor de manchetes, esta corda está firme, como rédea nas mãos da toga. A corda está intacta, as liberdades é que estão rompidas.

*           Este artigo de Diogo Forjaz foi publicado no excelente portal Tribuna Diária, 31/08/2021.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 21 Agosto 2022

Gilberto Simões Pires


MÚCIO

Um dos personagens que o humorista Jô Soares interpretava no seu ótimo programa - VIVA O GORDO -, era conhecido como MÚCIO. Tal personagem, cujo bordão era -TIROU DAQUI, Ó! -,se caracterizava por alguém que nunca criava qualquer tipo de atrito com seus interlocutores. Ou seja, quando dizia algo que soasse como inconveniente, o Múcio tratava, imediatamente, de se desdizer. 

POLITICAMENTE CORRETO

Confesso aos leitores, que foi através desse quadro humorístico criado e apresentado de maneira brilhante pelo escritor e apresentador Jô Soares que percebi o real significado do POLITICAMENTE CORRETO. Sem exceção, todos aqueles que usam e abusam deste nojento expediente, muito bem utilizado no quadro -TIROU DAQUI, Ó!-, são os verdadeiros -MÚCIOS- da vida real. Tal qual verdadeiros -contorcionistas-, os adeptos do POLITICAMENTE CORRETO sempre tomam o cuidado de nunca desagradar o próximo. E quando isto acontece tratam, imediatamente, de escalar o muro mais próximo para ficar -de bem- com todos.

BAJULADORES DE PLANTÃO

Vejam que tão logo foi noticiada a existência da tal CARTA DA DEMOCRACIA escrita pela USP, o que se viu neste nosso imenso Brasil, através das assinaturas de apoio ao documento -socialista- foram os velhos e conhecidos POLITICAMENTE CORRETOS. A rigor, quem se dispôs a assinar a carta, na real colocou a digital que confirma a posição de BAJULADORES DE PLANTÃO, mais conhecidos como -PUXA-SACOS- da destruidora TURMA DA ESQUERDA que levou o Brasil à lona. 

LIBERDADE

Ora, como aprendi desde cedo que - diante de situações que considero equivocadas - é infinitamente mais acertado ser SER SINCERO E FRANCO e não agradar ninguém do que permanecer em SILÊNCIO, vi claramente que não tenho a menor vocação para ser do tipo -POLITICAMENTE CORRETO-. Mais: como sou um ferrenho defensor da LIBERDADE, isto já me exclui totalmente de ser alguém que prefira escalar MUROS como forma de contornar eventuais atritos e/ou dissabores.

ÚNICO OPOSITOR

Portanto, como estamos em pleno período de campanha eleitoral, sugiro que os leitores-eleitores que, eventualmente, não simpatizam com o presidente Jair Bolsonaro, saibam que o seu -único- opositor é um bandido que foi CONDENADO EM VÁRIAS INSTÂNCIAS. Mais: o ex-presidiário diz e repete a todo momento que pretende REVOGAR não apenas tudo aquilo que pode levar o Brasil a um CRESCIMENTO REALMENTE SUSTENTADO como, principalmente a LIBERDADE, que só muito recentemente passou a ser experimentada no nosso País.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 21 Agosto 2022


Alex Pipkin, PhD


Estive no centro de Porto Alegre para uma reunião. Após, resolvi dar uma passada no Mercado Público.

Quando me dirigia para esse destino, um jovem que estava em uma tenda em frente ao Mercado, de um dos partidos vermelhos - acho que era PCdoB -, veio ao meu encontro na tentativa de me entregar um panfleto.

Ato contínuo, eu disse: “Não obrigado, não voto em ladrão, você vota?”. O adolescente, então, retrucou: “Bolsonaro também é ladrão”. Enfim.
Fiquei com isso na retina, e penso que é incalculável o prejuízo que o ex-presidiário está trazendo para uma geração de brasileiros, especialmente para a nossa juventude.

A grande questão é, sem dúvida, de natureza moral.

Perdeu-se a vergonha, inexiste o espectador imparcial - como chamava Adam Smith - aquele interno, que muitas vezes nos cutuca quando colocamos a cabeça no travesseiro, para que façamos uma reflexão honesta, despida de paixões e de devaneios, o verdadeiro árbitro moral.

Objetivamente, nesse novo mundo amoral, da pós-verdade, pseudoprogressista, do vale tudo, o protagonismo é das narrativas, da mentira, da impunidade e da falta de vergonha na cara.

É surreal o que o bandido e seus aliados fazem quando surrupiam a verdade dos fatos, utilizando silogismos e narrativas, e ainda logrando de prestígio imerecido de seguidores de uma seita, de incautos e de jovens idealistas e inexperientes.

O jovem que me abordou, muito provavelmente, está no conforto do seu grupo de pertencimento, com ideias idealistas e “libertárias”, no entanto, o FATO COMPROVADO DE LULA TER ROUBADO DOS COFRES PÚBLICOS, parece ser irrelevante, a essencial questão moral é descartável, já que o objetivo é sacar da presidência o “fascista” Bolsonaro.

Vejam, na réplica do rapaz, ele argumenta que Bolsonaro “também rouba”, baseado em um falso silogismo, em nenhum momento negando o fato comprovado de que o ex-presidiário assaltou a nação.

Decididamente, vive-se no reino de Robin Hood. O próprio ex-presidiário, quando perguntado por um repórter sobre o que faria para esclarecer a corrupção nos governos petistas, afirmou que foi “descondenado” pelo STF, e a partir dos mesmos falsos silogismos começou a realizar ilações sobre o governo Bolsonaro.

Mesmo que o repórter tenha dito que a Petrobras recebeu milhões, fruto de devoluções de corrupção, fato inequívoco, o ladrão-mor continuou mentindo com desenvoltura e naturalidade.

É surreal que um bandido comprovado esteja concorrendo ao cargo máximo da nação; a ética e a moral foram para o espaço, juntamente com uma geração de brasileiros.

Mais impressionante ainda, é que embora ele não possa ser considerado inocente, o Supremo órgão da Justiça nacional, numa manobra processual e imoral, anulou seus processos, a fim de que Lula pudesse concorrer.

Kafkiano o fato de Alckmin, vice de Lula, ter dito que Lula queria “retornar a cena do crime”.

Importante frisar que estamos pisando em terreno firme, confrontando fatos comprovados com narrativas e falsos silogismos, esse é o ponto.

É devastador que além de um povo iletrado, a experiência que o país vive com o incivilizado e semianalfabeto Lula da Silva, aprofunde as marcas da impunidade e do completo relaxamento com a vital questão moral.

Enquanto esse corrupto pseudo-salvador do Brasil, com suas narrativas, seus falsos silogismos e suas maracutaias, mantiver notoriedade indevida, os jovens serão os mais prejudicados na esperança de um futuro melhor.

 

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  • Luan Sperandio, em Instituto Liberal
  • 19 Agosto 2022

Luan Sperandio 

 

Com um pequeno barco que comprou aos 16 anos com dinheiro da mãe, Cornelius Vanderbilt (1794 – 1877) começou navegando pelas águas do porto de Nova York e acabou formando um vasto império no crescente ramo de transportes. Aos 20 já era rico e, quando morreu, tinha acumulado uma fortuna de 105 milhões de dólares (ou, em valores corrigidos, quase 200 bilhões de dólares, mais do que o dobro do patrimônio de Bill Gates). Em contrapartida, o fundador da Microsoft usufrui amplamente os benefícios do capitalismo.

Afinal, Cornelius não chegou a experimentar a maior parte dos confortos modernos trazidos pela industrialização. Água corrente, vasos sanitários com descarga e ar-condicionado. Geladeira, microondas, remédios e anestesia. Isso sem falar nos telefones celulares, acesso à Internet e televisão por satélite. Apesar de o magnata da logística ter sido o homem mais rico de seu tempo, provavelmente trocaria toda a sua fortuna pela vida confortável de alguém de classe média hoje.

Tanto a história quanto os dados disponíveis mostram que, longe de produzir miséria, o capitalismo é uma magnífica máquina de geração de riqueza. Em primeiro lugar, porque a condição natural do homem é a pobreza, desde os primórdios da humanidade. Parece evidente dizer que, a princípio, há dezenas de milênios, não existia nada na Terra para o ser humano além de animais, plantas e demais recursos naturais.

Essa realidade foi transformada gradativamente, especialmente em virtude da acumulação de capitais, da expansão dos mercados e do empreendedorismo. A Revolução Industrial, que consolidou o processo de surgimento do modo de produção capitalista, foi uma combinação desses fatores.

Em suma, sob diversos aspectos, o mundo se desenvolveu mais, e de forma mais rápida, após o século XVIII: o crescimento da população mundial, a redução da pobreza, a melhora dos índices de desigualdade, a alfabetização, a queda da mortalidade infantil, o aumento da expectativa de vida, entre outros. Os parâmetros de avaliação são muitos. O resultado, contudo, é incontroverso: o mundo mudou para melhor.

Mais mercado, mais prosperidade

Pela primeira vez na história, segundo dados do Financial Times, há mais pessoas na classe média do que na pobreza. O mundo não está apenas mais rico; as pessoas estão migrando cada vez mais rápido para a classe média — que, por sua vez, também está enriquecendo. Tudo isso melhorou os índices de bem estar para patamares jamais alcançados na história.

Nesse sentido, os números podem nos deixar otimistas. De acordo com estimativas do Our World in Data, a taxa de pobreza extrema, que era de 94% em 1820, caiu para menos de 10% em 2015. Isso é ainda mais impressionante se considerarmos que a população mundial cresceu mais de sete vezes nesse período.

Isso só foi possível pela livre iniciativa. Países ricos, com maior probabilidade de sucesso e com melhor qualidade de vida, são países economicamente livres. É o que indica uma forte correlação entre os critérios do ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation e os indicadores sociais de um país. Quanto mais livre economicamente é um país, maior tende a ser seu Índice de Desenvolvimento Humano. De forma geral, quanto melhor a colocação de um país no levantamento, maior é o bem estar dos cidadãos.

Embora nos dias de hoje milhões de pessoas ainda estejam em situação de privação de necessidades básicas, os dados mostram que a vida melhorou. A maioria dos indivíduos se encontra mais protegida contra doenças, mais bem abrigada, mais bem alimentada, vive mais e tem luxos inimagináveis em relação a seus antepassados.

Como luxos de magnatas são popularizados 

Bens luxuosos, antes restritos a nobres, donos de petrolíferas e grandes banqueiros, passaram a fazer parte da vida dos mais pobres. Com o aumento de produtividade proporcionado pelo capitalismo, bens e serviços antes restritos à elites ficaram mais acessíveis, tornando possível seu consumo pelas massas.

No Brasil colonial, por exemplo, até mesmo produtos que hoje encontramos em qualquer padaria da esquina, como queijos e azeites, eram restritos aos senhores de engenho, entre outras pessoas ricas, em virtude das dificuldades de importação. Além disso, naquela época, os ricos nem sonhavam com a conserva de alimentos em um refrigerador.

Em 1937, uma geladeira Frigidaire custava 15 milhões de réis, o equivalente a 62 salários mínimos na época. Hoje, mais de 98% dos brasileiros têm geladeira. As mais simples custam menos ou o mesmo valor do que um salário mínimo, segundo o IBGE.

Da mesma forma, há algumas década,s somente pessoas com alto poder aquisitivo podiam ter um telefone celular. Em 1983, um Motorola Dynatac 8000X custava US$ 4 mil, o equivalente a US$ 10 mil (ou mais de R$ 40 mil!) em valores de 2010. O aparelho pesava quase 2,5kg e sua bateria durava apenas 20 minutos. Atualmente, há 230 milhões de smartphones em uso no Brasil, mais de um por habitante.

Por fim, Matt Ridley, no livro O Otimista Racional, calculou que em 1800 uma pessoa com salário médio precisava trabalhar 1 hora para adquirir reles 10 minutos de luz. Hoje, a mesma hora de trabalho custeia, em média, 300 dias inteiros de luz artificial. Qualquer brasileiro que tenha uma lâmpada em casa faria um magnata do século XIX morrer de inveja.

Outros benefícios do capitalismo

Até 1750, 60% das pessoas trabalhavam produzindo alimentos, isto é, eram necessárias 60 pessoas produzindo para alimentar 100 habitantes. Sem tratores, controle de pragas ou adubos artificiais, trabalhavam muito para colher pouco. De lá para cá, o desenvolvimento da tecnologia e a mecanização da agricultura liberaram bilhões de pessoas do trabalho pesado no campo. Hoje, na Europa, só 3% das pessoas trabalham no setor. No Brasil, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, esse número é de 10%.

Estima-se que, em 1994, há pouco mais de 25 anos, um rodízio de carnes custava aproximadamente R$13, cerca de 20% de um salário mínimo. Hoje o mesmo salário mínimo paga rodízio para até seis pessoas em uma churrascaria tradicional.

Além disso, para comprar um carro popular em 1994, eram necessários, em média, 113 salários mínimos. Atualmente, é possível adquirir modelos novos de automóveis por cerca de 43 salários mínimos. E a gasolina? Em 1994, o salário mínimo comprava 117 litros de gasolina; hoje, compra 257 litros.

Assim, pessoas que trabalharam no setor de transportes, como Henry Ford ou o próprio Cornelius Vanderbilt, foram responsáveis por levar você mais rápido aonde quiser. Porém, não apenas isso: elas possibilitaram que você trabalhe menos horas para conseguir pagar por isso (e pelo combustível necessário).

Na prática, ao enriquecerem, essas pessoas permitiram que você tivesse mais tempo livre, o que aumentou o seu bem estar e o tornou mais rico também. Em suma, vale observar: o tempo é a verdadeira métrica da prosperidade. Afinal, você é tão mais próspero quanto mais bens e serviços consegue consumir como resultado de uma mesma quantidade de trabalho.

Considerações finais

Até mesmo o sal, hoje em dia tão acessível ao cidadão comum, já foi considerado uma espécie de “direito fundamental” em sociedades antigas. Inclusive, a extração foi monopolizada em diversos lugares, sendo o produto provido pelo Estado. Os romanos, embora não tivessem estabelecido um monopólio, subsidiavam o produto com o lema “Sal para todos”. Por fim, o que já motivou guerras, ergueu impérios e era uma obsessão até o final do século XIX, hoje custa menos de R$2/kg.

Como bem define a frase “o capitalismo transforma luxos em necessidades”, atribuída ao empresário americano Andrew Carnegie, eis a maior virtude desse sistema: criar confortos e torná-los parte do cotidiano.

Não é à toa que esse processo de desenvolvimento, que sempre aconteceu de forma lenta ao longo da humanidade, experimentou uma aceleração exponencial nos últimos 200 anos. De fato, os padrões de vida hoje são significativamente melhores do que os de um século atrás. Consequentemente, mais pessoas escapam da morte na infância e vivem o bastante para usufruir dessa prosperidade.

Agora, ao sacar o smartphone do bolso e assistir a um simples vídeo, você está desfrutando de algo com o que mesmo alguém poderoso e rico como Cornelius Vanderbilt provavelmente nunca foi capaz de sonhar.

*   O autor é Editor-chefe da casa de investimentos Apex Partners, analista político e colunista da Folha Vitória. Integra diversas organizações ligadas ao desenvolvimento de instituições com melhor ambiente de negócios, como o Ideias Radicais, o Instituto Mercado Popular e o Instituto Liberal, onde escreve desde 2014. É associado do Instituto Líderes do Amanhã.

**    Publicado originalmente em https://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/como-o-capitalismo-populariza-o-que-era-luxo-no-passado/

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  • José Antônio Lemos dos Santos
  • 17 Agosto 2022

 

José Antônio Lemos dos Santos

 

     À beira das eleições de 2022 ainda discutimos a urna eletrônica como escrutinadora confiável da vontade do eleitorado. Pena que tais discussões se restrinjam às eleições majoritárias, já que o Brasil usa também eleições proporcionais para os parlamentos. Nestas, a escolha do candidato se dá em listas, sendo eleitos os mais votados nelas, porém de acordo com o Quociente Eleitoral (QE), que é o número mínimo de votos correspondente a cada vaga em disputa. Ou seja, o voto não é direto e o eleitor pode votar em um candidato e eleger outro, situação muito repetida em cada pleito a ponto de comprometer a representatividade dessas eleições, como pretendo mostrar com base nas eleições de 2018 para deputados estaduais e federais em Mato Grosso.

Naquelas eleições, Mato Grosso contou com 2.329.374 eleitores aptos a votar e o QE foi de 185.158 votos para federal e 63.138 para estadual. Deste total de eleitores, 571.047 e 555.860 votaram nos candidatos que foram eleitos, respectivamente, a deputado federal e estadual. Ou seja, naquelas eleições proporcionais menos de 1 em cada 4 dos eleitores de Mato Grosso (menos de 25%) elegeu o candidato em quem votou.  Ao contrário, daquele mesmo total de eleitores, 800.033 e 841.164 votaram em candidatos que não foram eleitos para federal ou estadual. Nas eleições proporcionais, os que não foram eleitos tiveram, em seu conjunto, muito mais votos diretamente neles do que os eleitos. Isso sem contar a maior parte, os 958.294 e os 932.350 que nem foram votar, nem para federal nem para estadual.  

Mas os votos nas proporcionais nunca são perdidos. Mesmo que o eleitor não saiba, seu voto aparentemente “perdido”, vai se somar aos dos eleitos para determinar o número de vezes que a agremiação atingirá o QE, o que dará o número dos eleitos pela agremiação. Daí que um candidato menos votado poderá ser eleito com votos dados a outros, ou seja, o eleitor pode votar em um e eleger outro.

Assim são as proporcionais aqui e nos países de democracia mais avançada. E elas são necessárias. A grande diferença no Brasil é a maioria de eleitores que indiretamente elegem candidatos sem saber quem, e são decisivos no pleito. Por exemplo, mesmo o candidato mais votado para deputado federal com 126.249 votos, precisou de mais 58.909 votos dados a outros candidatos companheiros de chapa para completar o QE, sem os quais não seria eleito. Já o menos votado teve 49.912 votos e precisou de 135.246 votos dados a seus companheiros de chapa derrotados para se eleger. O estadual mais votado alcançou 51.546 votos e mesmo sendo o mais votado precisou de 11.592 votos de companheiros não eleitos, enquanto o menos votado, que teve 11.374 votos, precisou de mais 51.764 votos dos seus aliados derrotados para conseguir sua eleição. Só neste último caso mais de 50 mil eleitores ficaram sem saber quem elegeu. Qual a representatividade disso?

O problema é que no Brasil as regras das proporcionais e as listas dos candidatos por partido ou coligação, agora federação, não são dadas ao conhecimento do eleitor, que vota em um time de candidatos desconhecendo seus componentes. Essa maioria de eleitores que não elege diretamente seus escolhidos acaba indiretamente elegendo outros sem saber quem, zerando a representatividade das proporcionais pois ao fim não expressa nem a escolha por candidatos individuais, nem a proporcionalidade política que deveria expressar. Pior, o eleitor fica com a pecha de não saber votar. Algo me sugere que isso tem a ver com a longevidade nos cargos de muitos caciques partidários, os que organizam as listas partidárias. Agora o TSE está divulgando em seu site o nome dos candidatos às eleições de outubro, porém por ordem alfabética. Por que não divulgar organizados por partido ou federação? Só esta simples providência já ajudaria grande parte dos eleitores a escolher em quem votar e ao mesmo tempo saber quem poderá ser eleito com seu voto, sem ser mais enganado. Por que não? Por hora resta ao eleitor tentar decifrar e montar suas próprias listas.

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  • Adriano Marreiros
  • 17 Agosto 2022

Adriano Marreiros

 

Não sei mais o que faço

Eu já fumei dez maços

Mandei tudo pro espaço

Agora eu só quero paz

Tchê Gomes e TNT 

           O pior de tudo foi aquele abraço, naquela foto, naquele local, naquela ocasião e justo com aquele...  Realmente eu não esperava ver aquilo.  Pensava que era um garoto (já nem tanto), que como eu, até hoje comemorava a queda do Muro e que, mais que isso, que ele sabia pra que lado as pessoas tinham corrido quando ele caiu.  Aquele muro oficialmente chamado de Muro de Proteção Antifascista e tão antifascista quanto era democrática aquela Alemanha ou a “democracia” corintiana[1] que garantia a liberdade de todos concordarem com Sócrates e Wladimir.

Não sabia que ele era um desses “democratas” “antifascistas”.  Pensava que ele era um dos sem aspas.  Fiquei chocado...

Fico aqui pensando: como tem gente crédula.  E pior: gente que se faz de crédula... Agora também serei.  Veja:

A Alemanha Oriental era muito democrática: bastava  obedecer e não tentar fugir.

Vontade popular é aquilo que é mais protegido lá na República Popular.

Atos democráticos são aqueles que quebram tudo e atacam a Polícia.

Censura é um meio de garantir a liberdade de expressão.

Liberdade de religião é poder professar livremente seu credo desde que apenas  dentro do templo, quando abrir for autorizado e desde que o discurso religioso não discorde da ideologia...

E defender a “democracia” exige que se contrarie a maioria, pois ela não é o Povo de quem emana o poder.  O povo é só aquele referido no “popular” lá de cima, vivendo da “democracia” citada um pouco mais acima.

E Sociedade: só se for a civil organizada.  Organizada por quem? Por... ELES....  A desorganizada não.  Ela não é sociedade: é milícia...

E Direito? É quando vejo uma ementa com um texto tão estranho que acho que é meme: e não é...

Mas deixando a credulidade e voltando à realidade: o pior mesmo foi ver aquele abraço naquela foto, naquele local, naquela ocasião e justo com aquele...  Realmente eu não esperava ver aquilo. 

Hein?! Havia coisas muito piores ali?!  Talvez,  mas essas: eu já esperava...

Já que você quis assim, tudo bem

Cada um pro seu lado, a vida é isso mesmo

(...)

Espero que seja feliz

No seu novo caminho

Tim Maia

*       O autor é mestre em Direito, membro do Movimento Contra a Impunidade (MCI) e do Ministério Público Pró Sociedade (MP Pró Sociedade), autor de “2020 D.C., Esquerdistas Culposos e Outras Assombrações” e de “Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais”.

 **    Publicado originalmente no portal Tribuna Diária, em https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1580/republica-democratica-alema-e-outras-ldquo-democracias-rdquo.html

 

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