• Manoel Soriano Neto
  • 02 Setembro 2022

Manoel Soriano Neto

Salve 2 de setembro de 1822!

(Breves Considerações de Memorabília)                    
      A Arquiduquesa de Áustria, Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, ou mais simplesmente, Princesa Maria Leopoldina, foi a primeira esposa de Dom Pedro I. O casal teve sete filhos, entre eles, Dom Pedro II. A Princesa, portanto, em linguagem moderna, seria a "primeira primeira-dama de nosso País" e, historicamente, a "Primeira Imperatriz do Novo Mundo"! Ela era filha do Imperador da Áustria, Francisco I, e aos 20 anos, em 1817 (já casada por procuração, desde maio, com Dom Pedro), veio para o Brasil, país que passou a amar, intensamente, como nos dão conta historiadores de tomo. Por relevante, diga-se que Francisco I foi quem negociou junto à coligação Portugal-Inglaterra, em 1825, os termos de nossa Independência, evitando, destarte, que esses dois países interviessem militarmente no Brasil recém-liberto, à custa, infelizmente, de muitas libras esterlinas que, para tal, tivemos de pagar; porém livramo-nos de uma guerra de consequências imprevisíveis, que já planejava a dita coligação. Aliás, Francisco I nada mais fez do que atender um pedido de sua filha, eis que a Princesa, em abril de 1823, escrevera uma carta a seu pai, em que declarava devotado amor pela nova Pátria, não mais Colônia portuguesa, e rogava o seu apoio, ou, pelo menos, a sua neutralidade, para com a nossa emancipação política...

E mais: Francisco I, atendendo a mais um pedido da filha, foi o grande fautor da vinda de alemães e austríacos para o Brasil – a primeira das grandes imigrações, ocorrida a partir de 1824 (o nome da colônia alemã de São Leopoldo, hoje cidade do RS, foi uma homenagem à Princesa). Já adiantamos que a cor heráldica da Casa dos Habsburgo-Lorena, uma das mais tradicionais dinastias europeias, era o amarelo-ouro, como o verde era a da Casa Portuguesa dos Bragança. Em face, pois, da união de Pedro e Leopoldina, as cores oficiais do Brasil, hoje, são o verde e o amarelo, sendo errônea, histórica e heraldicamente, a interpretação popular e lírica para elas, que evoca as nossas matas e as riquezas minerais, como o ouro: entretanto, mesmo equivocado, esse entendimento é válido também, em nosso sentir, pois robustece o sentimento patriótico. Anote-se que Dom Pedro era o Duque de Bragança, futuro Dom Pedro I, do Brasil, e futuro Dom Pedro IV, de Portugal, cognominado de "O Rei-Soldado". Desafortunadamente, máxime na atualidade, tais fatos são pouco conhecidos e divulgados. Mas quando se vê manifestações-monstro em que imensas quantidades de bandeiras nacionais são empunhadas; além de nas roupas de milhões de participantes predominarem as cores nacionais (concebidas por Debret, como abordaremos ao depois), assim como, de há muito, nas camisas "canarinho" de nossas seleções de futebol (penta campeã mundial), de voleibol, de basquetebol etc., deveríamos proceder a uma visada-a-ré, na relembrança da origem desse cromatismo histórico... Para tanto, é preciso aduzir-se, por ilustração e em apertada síntese, alguns registros básicos relativos a duas de nossas Bandeiras Históricas: a do 'Reino do Brasil' e a do 'Império do Brasil' e tecer sumárias considerações a respeito dos primitivos Lábaros e Bandeiras da humanidade.

  Conta-nos a História da Antiguidade Clássica que o Imperador romano Constantino I, quando de uma de suas batalhas, viu no céu uma grande cruz com uma legenda "In Hoc Signo Vinces", cuja tradução vulgar é: "Com este sinal, vencerás". Daí para frente, as tropas das legiões romanas passaram a conduzir em seus estandartes ou bandeiras, o desenho da Cruz de Cristo. A esses estandartes (bandeiras ou lábaros) chamavam de "vexilos", sendo o seu condutor, o "vexilário" (porta-bandeira, hodiernamente). O costume foi transmitido às diversas tropas de todo o mundo, sendo a Bandeira, uma anímica motivação de estímulo, de incentivo, para os combatentes; era um gravíssimo ultraje ao pundonor militar, o inimigo capturá-la nos campos de batalha.

  Segundo José Wasth Rodrigues, in "Dicionário Histórico-Militar" (são 86 volumes ilustrados!!), "vexilo", s. m., era a bandeira dos exércitos romanos e o pavilhão dos navios. Existiram entre os romanos, diversas insígnias deste gênero, que distinguiram a coorte, o manípulo etc., e que eram o "signum", a "flamula" e o "labarum". Quando do retorno vitorioso dos generais legionários à "Roma Quadrata", eles eram homenageados pelas multidões, com uma profusão de lábaros, pendões, flâmulas, guirlandas, guiões, estandartes, galhardetes, trombetas, cornetas, bombos e tambores, em indescritível espetáculo de exaltação patriótica. Contudo, enquanto os vitoriosos eram aclamados em apoteóticos desfiles, por determinação dos césares, um escravo os acompanhava, e, de tempos em tempos, lhes diziam: "Lembra-te de que és mortal"... Mas para concluir este já longo parêntese, não custa recordar, em relação à importância das bandeiras nacionais, de nosso 'Brasil real e profundo'. Quem já não ouviu, a velha e tradicional cantiga de roda, que vem dos tempos imperiais, "Marcha Soldado, Cabeça de Papel", que resistiu às brumas do esquecimento e nunca é demais rememorá-la:  


  "Marcha Soldado
   Cabeça de Papel
   Se não marchar direito
  Vai preso no quartel.


 O quartel pegou fogo
  Pai Francisco deu sinal,
  Acode, acode, acode,
  A Bandeira Nacional!".


  Entre 1820-1821, Dom João VI - "O Fundador do Brasil-Nação" – na iminência de ser destronado pelas Cortes de Portugal, com aguda sagacidade, imaginou criar uma Bandeira para o "Reino do Brasil", ainda integrante, desde 1815, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Então, a encomendou ao notável pintor francês Jean Baptiste Debret. Eis a descrição heráldica do novo Pavilhão, segundo Gustavo Barroso: "Em campo verde, um losango amarelo, em cujo centro, um círculo de 19 estrelas sob uma coroa real, sendo maior a estrela logo abaixo desta; rodeia a esfera armilar com a cruz da Ordem de Cristo, sustida por dois ramos, um de cana e outro de fumo, unidos na parte inferior, por um dragão, tudo de verde". Eis a verdadeira origem de nossas cores - o verde e o amarelo - concepção, repetimos, de Debret.

Mas o Brasil se fez independente, em 1822, e urgia que fosse criada outra Bandeira Histórica - a do Império do Brasil. Então, o Príncipe Dom Pedro recorreu ao mesmo pintor Debret, já conhecido desde os tempos de Dom João VI, que confeccionou a nova Bandeira, com pequenas modificações em ao seu projeto anterior. Houve também a participação de outro pintor francês, Félix Emílio Taunay, da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro. A cor do escudo, v.g., foi mudada de vermelho, que era a cor do brasão português, para verde. E tudo se compaginou, para felicidade nossa! Juntaram-se, no novel Pavilhão, as cores principais: o verde da Casa de Bragança, de Dom Pedro, e o amarelo, da Casa de Habsburgo-Lorena, da Princesa - depois Imperatriz Leopoldina, a partir de 1824, quando o Príncipe passou a ser o Imperador Dom Pedro I. Havia, como na Bandeira anterior, um losango de coloração dourada; e 'losango', nos Vocabulários Heráldicos, significa 'lisonja', ou seja, uma lisonja, uma honorificência, aos Habsburgos-Lorena, melhor especificando e consonante a interpretação de historiadores de nomeada, à Princesa Leopoldina! Uma curiosidade: em 10 de novembro de 1822, houve a Solenidade católica da bênção de vários exemplares da nova Bandeira, sendo o primeiro desses Símbolos Nacionais, entregue, com honras e circunstâncias, ao Alferes do Batalhão do Imperador, Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias e Patrono do Exército Brasileiro...

  Leopoldina era uma mulher extraordinária! Era dotada de um sesquipedal repertório de poliédrica cultura. Poliglota, ela falava, lia, escrevia e traduzia várias línguas, como o alemão, o inglês, o francês, o italiano, o português e até o antigo latim (esse devotamento ao estudo de idiomas foi transmitido, por certo, como bagagem heredobiológica, para seu filho, o nosso Dom Pedro II). Dona Leopoldina era uma exímia pianista e também pintava, tendo trazido ao Brasil, em sua airosa comitiva, intelectuais, pintores, músicos, botânicos, médicos, cientistas etc., etc.

  Em agosto de 1822, o Príncipe Regente se dirige à província de São Paulo,  a fim de debelar uma rebelião e nomeia a Princesa, 'Regente-Interina do Brasil' e 'Chefe do Conselho de Estado'. À chegada de insolente correspondência das Cortes portuguesas informando que seriam enviadas tropas para forçar o retorno de Dom Pedro, a resoluta Princesa-Regente não trepida em convocar, em caráter de urgência, o Conselho de Estado. E na manhã de 2 de setembro assina um decreto em que declara a separação entre o Brasil e Portugal, que contou com o apoio do dito Conselho de Estado e de seu Ministro do Reino e Negócios Estrangeiros, José Bonifácio de Andrada e Silva ("O Patriarca da Independência"). E neste mesmo 2 de setembro, determina que o mensageiro Paulo Bregaro vá, a toda brida, para São Paulo, para entregar a Dom Pedro, uma carta de sua autoria e outra de José Bonifácio. Era 7 de setembro de 1822 e o Príncipe encontrava-se às margens do riacho Ipiranga, com uma indisposição intestinal. Sua Alteza ao ler as missivas, revoltado e furioso, as rasga, amarrota e pisoteia, rompendo, em definitivo, com Portugal. Realce-se que este ato foi apenas de coonestação do decreto de cinco dias antes, da Regente-Interina, a Princesa Leopoldina! Deram-lhe o cognome de "Madrinha da Independência do Brasil". Todavia, ela foi muito mais do que isso, porquanto o Brasil já estava, por ela, formalmente emancipado do jugo português, repita-se, em 2 de setembro de 1822. Leopoldina, por seu protagonismo, não foi, portanto, um personagem meramente coadjuvante, secundário, em nossa Independência, como preleciona uma mal concebida e contada historiografia nacional...  A respeito do ato de Dom Pedro, seguido do "heroico brado retumbante" do Ipiranga, na tarde de 7 de setembro, cumpre citar o ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli, em seu brilhante artigo "A mulher que decretou a Independência do Brasil" (Folha de São Paulo, 8 de março de 2020, "Dia da Mulher"): Citação - "Ato meramente declaratório. O decreto, ato formal, foi de Leopoldina, cinco dias antes". - Fim da Citação (o destaque é nosso).

  Daí para frente, o Brasil se manteve uno, indivisível e monolítico, diferentemente dos países republicanos em seu derredor, pois manteve o projeto de Estado monárquico-constitucional, em vigor, desde Dom João VI. Quanto a isso, assim se manifestou o ministro Dias Toffoli, no artigo linhas atrás referenciado: "A Constituição Imperial, de 25 de março de 1824, manteve-se na linha da ruptura com continuidade. Inovou, acrescentando um quarto Poder, o Moderador, à tríplice repartição de Montesquieu.

Sou propenso a acreditar que esse quarto Poder, que assegurou um longo período de estabilidade institucional sob dom Pedro 2°, deveu-se à influência da imperatriz, que sabia conciliar modernidade com tradição, ruptura com continuidade".

  Aqui cabe uma brevíssima abordagem acerca do episódio do "Grito do Ipiranga" - o "Independência ou Morte"! Tal episódio carece de estudos mais aprofundados quanto à realidade fática, o que certamente ocorrerá, à aproximação do bicentenário da Independência. Há três narrativas referentes às palavras de Dom Pedro, na memorável ocasião: a do padre Belchior Pinheiro, partícipe da comitiva; a do Capitão-Mor Manuel Marcondes, 2° comandante-interino da Guarda de Honra do Príncipe (os "Dragões da Independência") e a do tenente Canto e Melo, ajudante-de-ordens de Dom Pedro, declaração esta registrada bem mais tarde. Prevaleceu, "ad perpetuam rei memoriam", a versão do tenente, "ipsis litteris": "Após Dom Pedro ter lido a correspondência e após breve reflexão, bradou: É tempo! Independência ou Morte! Estamos separados de Portugal!" (demos destaque). Aduza-se que as duas outras versões não citam o brado de "Independência ou Morte!". E a gigantesca tela de Pedro Américo (que nem era nascido quando da proclamação da Independência), exposta na parede da primeira sala do Museu do Ipiranga (SP) e pintada em 1888, também é uma belíssima licença artística, fruto da imaginação criadora do grande pintor paraibano, eis que as cenas não ocorreram como constam na portentosa obra. Mas essas patrióticas e mesmo que romanceadas mitificações servem, até hoje, para exacerbar o patriotismo e a nossa brasilidade!! Hosanas!!

  Dona Leopoldina (este era um dos vários nomes batismais por ela escolhido, para ser conhecida) acrescentou a 'Leopoldina', o prenome de 'Maria', passando a ser a Princesa, depois Imperatriz Maria Leopoldina do Brasil. Foi assim que ela assinou a nossa primeira Constituição, de 1824, sendo, para gáudio nosso, a "Primeira Imperatriz do Novo Mundo", o que tornamos a assinalar. Há algumas versões, uma delas popular, quiçá fantasiosa, quanto ao acréscimo 'Maria'. A propósito, afirmam conspícuos historiadores, que na viagem para o Brasil, ela já usava o citado prenome, no trato de negócios particulares. Porém, nos parece a mais razoável explicação, a de que isso ocorreu em vista de sua grande devoção à Virgem Maria; ou uma homenagem a Portugal, eis que todas as infantas portuguesas daquela época ostentavam o nome de 'Maria'.

  A jovem Princesa foi infeliz em seu matrimônio, à exceção dos dois primeiros anos. O seu casamento passou a ser uma sensaboria só, devido, principalmente, à infidelidade de Dom Pedro I, amante da Marquesa de Santos. Mas este é um assunto assaz abordado por seus biógrafos e não é intuito deste escrevedor aprofundar-se no mesmo. O nosso trabalho é um simples e incompleto epítome acerca da fundamental atuação da Imperatriz Leopoldina com o processo da Independência da Pátria, conforme o seu título explicita, a par de enfoques ilustrativos e conexos ao tema.

  Em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos, vem a falecer, em decorrência de complicações de um parto, a Imperatriz Maria Leopoldina. No venerável mausoléu do majestático "Monumento à Independência", também chamado de "Monumento do Ipiranga" ou "Altar da Pátria", no Parque da Independência, na Colina do Ipiranga, na cidade de São Paulo, encontram-se os restos mortais do Imperador Dom Pedro I, ladeados pelos de suas duas esposas: as Imperatrizes Maria Leopoldina e Amélia de Leuchtenberg.

 Eia, pois!! Honra e Glória à excelsa Libertadora do Brasil, Imperatriz Dona Maria Leopoldina!!
  *         O autor, Manoel Soriano Neto, é Coronel Veterano de Infantaria e Estado-Maior e Historiador Militar.

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 01 Setembro 2022

Gilberto Simões Pires

CUMPRIMENTOS À REDE BANDEIRANTES

Antes de tudo, da mesma forma como apoiei todas as NOTAS DE REPÚDIO contra as decisões TIRÂNICAS e/ou absolutamente ANTIDEMOCRÁTICAS do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sinto-me no dever de CUMPRIMENTAR a Rede Bandeirantes pelo EDITORIAL que foi lido ontem, 30, na abertura do Jornal da Band, no qual chama o ditador Moraes de MANDANTE FORA DA LEI E MINISTRO JUSTICEIRO. A Band até poderia ter ido mais fundo, mas o fato de ser a primeira emissora de rádio e televisão que resolveu sair do silêncio ensurdecedor, isto me agrada muito. Parabéns, Band!

NOTAS DE REPÚDIO

 

A rigor, as mais diversas NOTAS DE REPÚDIO que foram publicadas até agora, cuja primeira, vale ressaltar, foi emitida pelo CLUBE DE JORNALISTAS E EDITORES DE OPINIÃO DO RS, do qual orgulhosamente ocupo uma vice-presidência, não precisariam ter sido escritas e tornadas públicas caso o COLEGIADO do STF, atendendo apenas e tão somente o que manda a nossa Constituição, resolvesse frear os medonhos e insanos atos ANTIDEMOCRÁTICOS que, em série, passaram a ser tomados pelo tirano Alexandre de Moraes. Infelizmente, a instituição que deveria cumprir o efetivo papel de GUARDIÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, através de seu péssimo presidente, já declarou apoio irrestrito ao MOVIMENTO TIRÂNICO conduzido por Moraes, Facchin e Luiz Barroso. 

PASSO SEGUINTE

 

Pois, na medida em que entidades e instituições começam, enfim, a SAIR DOS ARMÁRIOS, manifestando total REPÚDIO pelos INEQUÍVOCOS E NOJENTOS atos ANTIDEMOCRÁTICOS, o que a sociedade brasileira espera, com muita pressa, é que as NOTAS EMITIDAS produzam os necessários e devidos EFEITOS. Ou seja, se as INSTITUIÇÕES que foram criadas com o propósito de estabelecer e/ou garantir 1- a HARMONIA ENTRE OS PODERES e,  2- o devido CUMPRIMENTO DA CARTA CONSTITUCIONAL - não cumprirem com suas responsabilidades -, ninguém poderá se dizer surpreso se o POVO -SOBERANO- resolver assumir a encrenca. Resumindo: as NOTAS DE REPÚDIO indicam, com total clareza, que o próximo passo, que não pode demorar, é -FAZER ACONTECER-.

POVO INSATISFEITO COM O STF

 

De novo: quanto mais NOTAS E EDITORIAIS DE REPÚDIO, melhor para uma correta compreensão do que se passa no nosso país. Tais manifestações servem para esclarecer, de uma vez por todas, quem são os verdadeiros GOLPISTAS. O povo, graças às decisões monocráticas e estúpidas de alguns ministros do STF, começando pela DESCONDENAÇÃO DO PRESIDIÁRIO LULA, tirada da cartola pelo ministro -companheiro- Edson Facchin, passou a conhecer de perto o que realmente significa a prática da INJUSTIÇA. Não é à toa, portanto, o fato de que as pesquisas revelam que a maioria do povo brasileiro está muito INSATISFEITA COM O STF. Pudera... 

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  • Guilherme Baumhardt
  • 31 Agosto 2022

Guilherme Baumhardt 

 

O início dos anos 2000 trouxe uma interessante produção cinematográfica alemã. Recomendo o fantástico “Adeus, Lênin” (2003), em que uma senhora entra em coma antes da queda do Muro de Berlim e desperta em um país já unificado – sob rigorosa recomendação médica de não ser submetida a emoções fortes. Já o filme “O Grupo Baader Meinhof” (2008) retrata o surgimento e as atrocidades dos terroristas de extrema-esquerda, responsáveis por atentados na então Alemanha Ocidental. Mas a obra que mais se assemelha ao que vivemos hoje no Brasil certamente é “A Vida dos Outros” (2007).

 Aos que não assistiram, um breve resumo. Um dos grandes dramaturgos da Alemanha Oriental (Georg Dreyman) é considerado por muitos o modelo de cidadão alemão a ser seguido. É o sujeito perfeito, que não questiona o regime e sobre o qual não pairam suspeitas. Ao menos até o dia em que um burocrata do governo resolve vigiá-lo 24 horas por dia, utilizando o aparato da STASI, a polícia secreta da Alemanha soviética.

 Escutas são instaladas no apartamento em que Dreyman vive. Cada passo dele e sua companheira passam a ser monitorados. Toda palavra ou ação é alvo da atenção dos espiões. Ao perceberem que viraram foco dos agentes, as conversas na casa passam a ser feitas ao pé do ouvido, com música alta ao fundo, para que os microfones instalados de maneira clandestina não captem o que é dito. Alguma semelhança com a operação da Polícia Federal contra oito empresários brasileiros ocorrida nesta semana? Sim, o Brasil de Alexandre de Moraes e do STF virou isso.

 A vida imita a arte. A ação autorizada pelo autossuficiente Moraes (que instaura inquéritos, investiga, julga e condena) é a reprise desse estado policialesco. Celulares foram apreendidos, contas em redes sociais foram bloqueadas, o sigilo bancário de investigados foi quebrado. Para quê? Inúmeros motivos foram elencados, nenhum deles minimamente plausível até aqui. O que parece bastante claro, porém, é o caráter intimidatório da ação.

 Estamos tratando de mensagens trocadas em um espaço privado. E, do que veio a público até agora, nada (repito, nada) representa um atentado contra a democracia. “Ah, mas alguns ali falaram em golpe, Guilherme!”. Sim, e desde quando alguém deve ser punido por uma ideia, por mais estapafúrdia que ela seja?

Não custa lembrar: o ainda todo-poderoso petista José Dirceu já disse com todas as letras que “eleição não se ganha, se toma”. Inúmeros integrantes da esquerda e extrema-esquerda não escondem o fascínio e a admiração por regimes ditatoriais, alguns com boas doses de saudosismo da extinta União Soviética. No Brasil, idolatra-se um ditador chamado Getúlio Vargas (que governou o país durante muito mais tempo sem ter sido eleito, do que pela via democrática). E? Todos são livres para defenderem, inclusive, absurdos. É a beleza da liberdade.

Desde a eleição de Jair Bolsonaro alguns alertam para “tempos sombrios” e para o “obscurantismo”. Alertas de araque, feitos por pensadores de fundo de quintal. A afronta às liberdades vem do outro lado da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Foi o Supremo Tribunal Federal quem mandou prender jornalistas. Foram os “supremos” que ordenaram a prisão de um deputado federal que goza de imunidade parlamentar. Se há uma ameaça às liberdades nesse país, ela começa na casa dos togados.

 Foi o ministro Alexandre de Moraes que acionou a Polícia Civil de São Paulo para enquadrar um grupo que conversava no Jockey Club da capital paulista, fazendo críticas ao STF. Detalhe: Moraes não estava ali, foi “avisado” por terceiros. E, assim, voltamos ao filme “A Vida dos Outros”. Temos, portanto, uma Stasi para chamar de nossa.

 Enquanto isso, parte de uma imprensa calhorda comemora. Mal sabem eles que amanhã ou depois podem ser os próximos alvos da fúria suprema. Para a burrice, infelizmente, ainda não há remédio.

*          O autor é jornalista e o artigo foi publicado originalmente no Correio do Povo de 28 de agosto de 2022

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  • Fernão Lara Mesquita
  • 31 Agosto 2022

Fernão Lara Mesquita

 

Se o debate de domingo na Band serviu para alguma coisa além de embalar o seu sono foi para provar que Lula não resiste a um grama de contraditório. Ele só está nesta eleição porque ainda não tinha tido nem isso da imprensa nacional. E só acabou sendo chamado na cara exatamente daquilo que é domingo porque nem Alexandre de Moraes pode, por enquanto, prender e arrebentar por "fake news", "discurso de ódio" ou "ato antidemocrático" todos os outros candidatos a presidente fora Bolsonaro como acabará fatalmente fazendo se não for detido.

Resposta?

Nenhuma, pois não ha resposta possível para o que Lula é senão a que lhe deram os 9 unânimes juízes das três instâncias profissionais do sistema judiciário brasileiro que o monocrata Edson Fachin, guindado ao STF pela militância aguerrida que tinha no MST, revogou com uma única canetada expressamente inconstitucional.

Quem ainda hesita em aplicar a essa imprensa os qualificativos que ela pede pode basear-se ainda nas primeiras páginas e nas páginas editoriais de terça-feira, passados dois dias, em que se lê que cobrar Lula pelo "maior assalto de todos os tempos", na definição do Banco Mundial,  é "ataque pessoal", não havendo qualquer diferença digna de nota entre os 13 anos de saque à nação que o levaram à cadeia e a tentativa rejeitada de suborno que, segundo um obscuro cabo de uma guarda municipal, "teria havido" na compra que não aconteceu da vacina Covaxin.

Nada de novo, portanto, já que essa imprensa é aquela que jura de pés juntos que o que realmente ameaça a democracia brasileira é "o potencial de financiamento de atividades digitais ilícitas e incitação a atos antidemocráticos" do velhinho da Havan e outros "empresários bolsonaristas golpistas" noticiados por um site de internet mais obscuro ainda e não as prisões e as des-prisões ilegais, as violências inconstitucionais, a censura prévia, os bloqueios de contas de familiares de suspeitos, as prisões sem julgamento e a espionagem chinesa do WhatsApp de gente menos abastada mas igualmente protegida pela Constituição concretamente perpetradas por Alexandre de Moraes. É aquela imprensa, enfim que, olhando nos seus olhos com cara de séria, jura que a urna do monocrata Barroso "é inviolável" e que tudo que Lula deve ao Brasil são "desculpas" e "explicações" sobre o que fará para "deixar de ser" o que sempre foi...

Quanto ao mais, quanto aos demais candidatEs, homens e mulheres no corpo com que nasceram ou no que acham que têm lá dentro das suas cabeças feitas, o debate foi o que faz deles a bizantina legislação eleitoral que transforma a "democracia brasileira" na piada triste que é: um espetáculo de mau teatro "levado" por candidatos de si mesmos, por si mesmos e para si mesmos, produtos de "partidos políticos" estatais, propriedade intransferível de "líderes" sem liderados, com que o eleitorado brasileiro nada tem a ver nem antes, nem durante, nem depois de tiradas das cartolas as suas "candidaturas", ora fazendo-se de bravinhos e indignados, ora querendo ser engraçados.

Nenhum deles vê defeitos no sistema de (não) relacionamento entre o País Oficial e o País Real de que todos os problemas brasileiros decorrem e sem a solução do qual nenhum, por definição, poderá ser resolvido dentro de um contexto democrático. 

Decorre dessa falsificação do fundamento que define a democracia que todos juram querer macaquear que tudo se resuma a mais um debate de "eus" inteiramente apoiado no "quesejismo": "Eu quero um país que seja assim e assado e partidos e políticos que sejam isto ou aquilo" sem qualquer palavra que indique que suas excelências suspeitem que são diferentes tecnologias institucionais que determinam que tudo processado por elas "seja" inevitavelmente como é, e contemplem ainda que remotamente a ideia de montar um sistema que permita que o povo brasileiro, que sabe melhor que ninguém do que exatamente é que precisa, possa governar por si e para si como é da definição da verdadeira.

Pajelança pura, mas com a desvantagem de que os nossos modernos morubixabEs não acreditam nem por um segundo, como os dos bons tempos da Idade da Pedra, nos "passes" que estão dando.

*      Publicado originalmente em O Vespeiro, site do autor, que é jornalista.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 30 Agosto 2022

 

Alex Pipkin, PhD

Eu professo que a política e a verdade nunca andam de mãos dadas, algo dito com brilhantismo por Hannah Arendt.

Porém, num mundo da pós-verdade e da dilapidação dos valores virtuosos, a mentira e a má-fé atingiram patamares inimagináveis em terras verde-amarelas.

Nada mais revelador do que o ataque presunçoso à verdade, em escala industrial, do que os tais debates presidenciais. A corrosão da verdade é tão vergonhosa quanto devastadora.

Não sou nenhum paladino da veracidade, e sei que a mentira do tipo “arranjo político” não vai desaparecer.

O que me embrulha o estômago é a mentira suja, o arranjo premeditado, a sacanagem de quem só tem por objetivo ludibriar o povo e alcançar o poder.

Por uma manobra jurídica imoral, o ex-presidiário conseguir deixar o seu habitat natural com a intenção de voltar a cena do crime. Para tanto, ele precisa surrupiar a verdade e mentir, muito!

Na cadeia, ele teve tempo de maturar seus atos - ilícitos - e suas mentiras românticas. O demiurgo de Garanhuns preparou um “plano de voo” em terras brasilis, ajudado por ativistas políticos e, mais tristemente, por togados ativistas jurídicos.

Neste sentido, o ex-presidiário é extremamente hábil em mentir, expressando justamente aquilo que o povo  iletrado deseja ouvir.

Como a realidade traz o inesperado, é chocante e grotesco ouvir o sofrível português de um meliante que insiste em mentir, descaradamente, que foi inocentado. Isso é FAKE NEWS com letras maiúsculas. Ele o afirma alto e bom som, sob holofotes, e não há grandes movimentos na direção de apontar a veracidade dos fatos.

Evidentemente eu já estava preparado, mas é caricato!

O doente ex-presidiário, desde sempre é tão mentiroso que ele próprio se convence de que suas mentiras e bizarrices são verdadeiras. Ele mente por princípio e pelos cotovelos, e faz crer que age em benefício do povo.

Muito embora tais debates presidenciais sejam o apogeu da mentira, esse ex-presidiário “Honoris Causa” em mentira, começa a ruir com intensidade, uma vez que o bombardeio é forte, de vários lados, e a noção clara e real de seus inúmeros crimes ficam ainda mais transparentes. Por mais debates, então!

Não será por uma questão moral que o pai dos ricos irá desmoronar, mas sim pela singela realidade que vai se impor, despedaçando parte por parte sua falsidade e sua maledicência, no que é mestre.

Como estampado ontem no debate, a postura acuada e os lapsos de memória do ex-presidiário demonstram que o mentiroso não será capaz de encobrir o que há de factual em seus atos espúrios.

O ex-braço direito do ex-presidiário, Antonio Palocci, declarou: “No fim do seu 2º. mandato (Lula), ele preparou sua aposentadoria”.

Pobre povo brasileiro, pois como afirmou Charles de Gaulle, um político nunca acredita no que diz, mas fica surpreso quando outros acreditam.

O ex-presidiário aparenta acreditar.

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  • Ricardo Vélez Rodríguez
  • 29 Agosto 2022

 

Ricardo Vélez Rodríguez

Torço para que o Presidente Bolsonaro seja reeleito no próximo dia 2 de outubro e nele votarei, ciente de que é a melhor opção para o Brasil neste momento. Voto em Bolsonaro, em primeiro lugar, porque o Brasil precisa consolidar o caminho da opção liberal/conservadora defendida por ele. Não quero que o nosso país se transforme em terra de ninguém posta a serviço de uma servidão global, que é o que a esquerda oferece. Quero que o nosso país respeite a diversidade das pessoas e as suas opções éticas. Não quero um mandatário que aja com critério totalitário, como se fôssemos uma manada de entes sem identidade pessoal, sem preferências, sem diversidade, sem valores. Quero um Presidente que represente dignamente o nosso país no conjunto das Nações.

Ora, Lula seria uma volta ao passado que queremos esconjurar. Mostrou, nos seus dois governos e nos governos da sua pupila, a que veio. Veio para roubar e se perpetuar no poder, aniquilando o que de mais prezado temos: família, religião, pátria, livre iniciativa, moral. Não quero esse tipo de trapaça para os meus filhos e netos.

Estou ciente de que o candidato Bolsonaro tem defeitos. Mas são falhas que ele poderá corrigir, com a ajuda de um Congresso que some com ele e com a participação de um Judiciário que não seja o superpoder que descamba pelo caminho incerto do “autoritarismo instrumental”, prometendo, com isso, revigorar a nossa democracia. Quero que floresça uma imprensa livre, digna, independente de radicalismos ideológicos, patriota e que cumpra com a sua missão cidadã de informar e de esclarecer tanto o governo quanto a sociedade.

Quero um Presidente que dê continuidade à retomada do crescimento econômico, combatendo a inflação e o desemprego, como até agora fez o Bolsonaro com a ajuda do Ministro Paulo Guedes. Quero que o governo continue aplainando o caminho para a participação da iniciativa privada, notadamente para as nossas médias e pequenas empresas, que são as que mais empregos oferecem. Quero alguém que continue fortalecendo o agronegócio e que não o ameace com uma intervenção fiscal desafortunada como a que o candidato Lula promete. Quero que Bolsonaro, no seu segundo mandato, enfrente com força o problema da desindustrialização, que nos afasta do mundo desenvolvido e que bloqueia, aos brasileiros, oportunidades de trabalho.

Espero sinceramente que o próximo Presidente torne realidade fazer, na educação, a definitiva aproximação entre o MEC e os brasileiros, fiel ao slogan de Bolsonaro em 2018: “Menos Brasília e mais Brasil”. Falta ainda muito para fazer nessa seara, notadamente no que tange à libertação do sistema de ensino, em todos os seus níveis, da ditadura dos sindicatos ligados à CUT, que terminou se tornando uma doença endêmica que infelizmente persiste. Neste terreno, ainda, contudo, prefiro Bolsonaro a Lula, que só acenou com um vergonhoso “revogaço” das medidas saneadoras efetivadas por este governo.

Por outra parte, não quero mais essa assombração do STF que faz pouco caso da nossa liberdade de escolha e da nossa inteligência, e que se incomoda com o exercício da liberdade cidadã, pretendendo sufocá-la, começando com a censura à liberdade de expressão. Não quero um corpo policial de togados que mande e intimide como se fosse o dono do mundo e da lei.

Pensei que já tinha terminado, no nevoeiro do nosso passado republicano, a época dos presos políticos. E vejo, com tristeza, que, nas sombras da alta burocracia do Estado, se instalou um grupelho de pretensos juízes alheios aos valores da liberdade e da cidadania, que passou a agir como autêntico ferrabrás da República, prendendo jornalistas e empresários.

É lamentável o caminho pelo qual se extraviou o STF. De alta Corte, que deveria zelar pela preservação da nossa Constituição, resvalou para o lamaçal pútrido das maquinações escusas em prol de resguardar os interesses da esquerda retardatária, que tornou o Supremo o seu despachante de plantão. A judicialização da política é um mal para o Brasil e nela terminou chafurdando, ignobilmente, o Supremo.

Fiquei emocionado com as multitudinárias manifestações que, pelo Brasil afora, os brasileiros fizeram no 7 de setembro. Nunca imaginei ver a Esplanada dos Ministérios tão repleta de famílias e das cores verde e amarela. Mais de um milhão de pessoas estavam presentes! Não foi uma encenação previamente ensaiada. Foi uma autêntica manifestação popular. E esse ato de civismo se repetiu por todo o nosso País, de Norte a Sul. Jamais tinha visto a Praia de Copacabana literalmente lotada por uma multidão que ultrapassou o milhão de pessoas. A mesma coisa pude observar na Avenida Paulista, com mais um milhão de brasileiros que homenageavam os duzentos anos da nossa Independência. Essas manifestações de civismo multiplicaram-se por todo o território nacional. Mais de trezentas cidades brasileiras somaram-se a essa prova de civismo. Ora, o que fazer diante disso? Somente podemos ter uma atitude: admirar o patriotismo da nossa sociedade e cumprir com a sua vontade: Bolsonaro Presidente!

*         O autor é formado em Filosofia (licenciatura, mestrado e doutorado), pesquisa a história das ideias filosóficas e políticas no Brasil e na América Latina, e fez pós-doutorado em Paris sobre as ideias de Alexis de Tocqueville e os liberais doutrinários.

**        Texto publicado originalmente no blog do autor, em https://www.ricardovelez.com.br/blog/bolsonaro-presidente

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