• Jorge Abeid
  • 27 Agosto 2022

 

Jorge Abeid 

Nota do editor: Recebi do amigo Jorge Abeid, engenheiro radicado no Canadá, a minicrônica a seguir.

"Se eu postar a seguinte informação:

No último dia 8, por ordem do Procurador Geral da República, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em casa de empresário.

Advogados do empresário entram na Justiça e juiz do caso intima o PGR a entregar os autos processuais que instruíram o tal mandado.

PGR remete ao juiz os documentos com tarjas pretas cobrindo vários parágrafos sob a justificativa de serem dados sigilosos.

Juiz intima PGR a remeter o documento completo num prazo de tantas horas.

Você vai me dizer:

“Não, Jorge, a notícia não é bem assim. Não é um empresário, mas oito. Não é o PGR mas um ministro do STF. Não foi no dia 8, mas anteontem, dia 24.”

No entanto, a minha divulgação está certa porque o caso relatado não aconteceu no Brasil, mas nos USA e o empresário, um só, Donald Trump.

E a pergunta que fica O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUNDO?"

 

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  • Hiago Rebello
  • 26 Agosto 2022

 

Hiago Rebello

Ao que tudo indica, a arte ganhou uma aura mágica e irracional de proteção social. Fazer crianças assistirem e tocarem em adultos nus? Arte. Sexo ou nudez pública? Arte! Mutilação ou atentado contra a propriedade pública? Arte de novo… Subir em um orelhão no meio da avenida e chorar quando um guarda o tira à força do lugar que qualquer imbecil consegue perceber que não foi feito para subidas? Arte!

Com arte, você pode fazer tudo. Você pode exigir tudo. Dou um exemplo: verba para um filme de 16h feito com cenas monótonas dentro de uma ruela? Se não der para o artista… ele chora e nos chama fascista. 

Pelo visto, através do prisma da arte, você perde o direito de ser ofendido – o que é irônico, vindo de progressistas… –, pois a arte, pelo visto, foi resumida ao papel de chocar. O choque feito pela classe artística atual, claro, serve majoritariamente para impressionar sujeitos do século XIX. Gordas na praia, travestis, homossexuais, mulheres feias, gritos sem nexo… tudo perfeitamente encaixado para escandalizar a rainha Vitória… se não fosse pela parte que ainda nos choca. Seja em público ou em um evento aberto a este, uma miríade de performances, na busca desesperada para o único norte que lhes restou, tenta a todo custo ofender a população, seus costumes, crenças e valores. Se você passar por alguma rua e notar um “ato artístico” onde uma mulher fique com os seios à mostra, errado é você se por acaso se sentiu ofendido ou se achou o ato errado. 

Isso mesmo: também possuem o elemento mágico de escolherem os culpados. Se vocês forem contra suas performances, serão contra a arte em si. Aprendam isso, leitores! Perderam o direito de discernir logicamente a parte do todo: um desempenho vexatório se torna (através de uma força inexplicável, como um milagre intercedido pelo próprio Moisés, contudo, sem ter o sentido de ser feito pelo Criador da matéria) a própria Arte quando você questiona se aquilo deveria existir ou se deveria ser exibido ao ar livre; as coisas, evidentemente, também não param por aí. Perdem o direito de se expressarem, leitores. Se incomodar o artista… você é um fascista!

Mas “fascismo” é uma palavra interessante. O artista não o xinga de sindicalista, nacionalista, antiliberal, corporativista… nada do que realmente compõe o fascismo, a não ser uma única coisa: autoritário. Como alguém pode ousar ser contra a arte do artista questionador? Como podemos cogitar questionar a autoridade do questionador? Seria um disparate! 

Devemos, claro, no máximo não nos importar, pois sempre temos que abaixar nossas cabeças para a autoridade que nos salvaguarda dos autoritarismos, uma tão alta, tão inquestionável, límpida, perfeita, pura, que impera sobre todos nós… porque caso contrário… seremos fascistas.

Ó, o terrível infortúnio contra o artista atual! Quando escuta, do alto de sua torre subjetivista, a opinião de alguém que não entende, acredita ou receia que sua obra, ou a corrente à qual está relacionado, “não é arte”, o artífice do subjetivismo não se aguenta! Dos fortes do Relativo, ele estoura bombas axiológicas contra a opinião da plebe que, como é óbvio, “não sabe o que é arte”. Então, com o bastião de sua relativa opinião, explica ao seu adversário que arte não tem definição, que ela não pode ser contida em nada, mas ainda assim, através de seus parâmetros, mostra que o reles campônio cultural está… errado. A arte moderna encaixa a todos para todos não encaixarem ninguém – são os guardiões das definições!

A arte atual, claro, sem forma ou coesão, é um grito contra o sistema. Todos os arquitetos medievais, os escultores gregos, os poetas romanos, os pintores renascentistas e os romancistas românticos… se não perceberam isso, é porque, claro, não sabiam o que era arte e para que esta realmente servia. Replicavam apenas os discursos de poder e os lugares de fala das elites aristocráticas, burguesas e religiosas de seus tempos! Depois de seis mil anos de Civilização, depois de oitenta mil anos de cultura e de duzentos mil anos de humanidade, apenas agora os críticos sociais descobriram o que é arte! 

Do seu domínio e poder nada sai, nada foge de seus relativismos absolutos, nada pode os perturbar e ninguém ouse os questionar… Pois se irritar o artista… você só pode ser um fascista.

*         Publicado originalmente em 26/11/2019 no site do Instituto Liberal: https://www.institutoliberal.org.br/blog/artistas-ponham-se-em-seus-lugares/

**            Graduado e Mestrando em História pela Universidade Federal Fluminense.

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  • Adriano Alves-Marreiros
  • 25 Agosto 2022

Adriano Alves-Marreiros

Se não puder: faremos você poder...

A economia a gente vê depois...

Chavão favorito dos modinhas...

Fique em casa se puder.  Se não puder: soldaremos suas portas.

Fique em casa se puder.  Se não puder: te prenderemos de biquíni...

Fique em casa se puder.  Se não puder: será presa na pracinha...

Fique em casa se puder.  Se não puder: multaremos sua vendinha.

Fique em casa se puder.  Se não puder: invadiremos sua Igreja.

Fique em casa se puder. Se não puder: aplaudiremos quem te impedir.

Fique em casa se puder. Se não puder: apoiaremos quem não te defender.

Fique em casa se puder. Mas se puder, mas... chamar amigos... invadiremos sua casa e te levaremos com sua filha.

Fique em casa se puder.  Preso, enquanto os presos são soltos

Fique em casa se puder.  Se não puder: o choro é livre...

Só você não é...

Só você chora...

Só você não pode... 

Aliás, pode sim: ou incitaremos quem fará você poder...

Vi as pedras de tantas cláusulas constitucionais virarem areia por meio de malabarismos e magia circense, com escalafobéticas palavras mágicas: “não retrocesso”, “constituição viva”, “nenhum direito é absoluto (exceto se for de alguém da ideologia).  Aberrante...

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, depois que fura, aí prossegue de furadeira elétrica sem nem tentar disfarçar o barulho que serve, inclusive, para que as vozes de protesto não sejam ouvidas: e às vezes sejam caladas sem figuras de linguagem.  Silenciante...

Vi a Sociedade sem pai nem mãe quando mais precisou, aliás, pior, transformados na madrasta, qual Cinderela sem sapatinho ou baile: a não ser que fosse fanque...  Chocante

Vi criminosos colocados nas ruas e a liberdade colocada em prisões...  Encarcerante...[1]

Eu mesmo em 20/12/2021 (que coisa ridícula citar a si próprio..., digo, a mim mesmo...)

Que é uma pessoa livre: pra chorar! – segundo aquela vênus platinada que não deve ser nomeada.

P.S.: Compre o livro de crônicas aqui: < https://editoraarmada.com.br/produto/2020-d-c-esquerdistas-culposos-e-outras-assombracoes-colecao-tribuna-diaria-vol-iii/ >

P.S.2.:  Agora o livro 2020 D.C. Esquerdistas Culposos e outras assombrações tem uma trilha sonora com canções e músicas de filmes citados: < https://open.spotify.com/playlist/49FDRIqsJdf4oxjnM2cpc3?si=SSCu339_T5afOSWjMkk9wA&utm_source=whatsapp >

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 

Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

[1] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1269/que-o-natal-console-o-arrependimento-decepcao-e-dor.html

 

 

 

 

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  • Flávio Pereira, Redação O SUL
  • 24 Agosto 2022

Flávio Pereira, O SUL

 

Passados poucos dias das badaladas cartas alertando para riscos à democracia, o país, atônito, assistiu ontem pela manhã, a um duro ataque à liberdade de expressão e às garantias constitucionais. Lamentavelmente, este ataque às garantias constitucionais partiu de um ministro do STF. Alexandre de Moraes que, sem ouvir o Ministério Público, invadiu competência do parquet e autorizou a Polícia Federal a cumprir mandados contra oito empresários, acusados de tramarem um golpe de Estado via WhatsApp.

Marco Aurélio: “estou atônito, não há crime de cogitação”

O colunista se socorre do ex-presidente do STF e do TSE, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, para quem a operação deflagrada ontem, “trata-se de censura à liberdade de manifestação, garantida pela Constituição. Em um Estado democrático de Direito, a Constituição é cidadã, segundo Ulisses Guimarães, a liberdade de expressão é um princípio básico. Você pode não concordar com as expressões. Agora, cercear é perigoso. Eu acordei de manhã atônito, principalmente quando se aplicam atos de conscrição. A busca e apreensão, a quebra de sigilo, bloqueio de contas contra cidadãos que não são julgados pelo Supremo”. Para Marco Aurélio, “se eles praticaram algum crime, eles seriam julgados na primeira instância. Mas não sei como tudo cabe naquele inquérito”, completou. “O que se entende como atos antidemocráticos sobre o ângulo penal? Não sei. Nós não chegamos ainda neste ponto. Não vejo com bons olhos o cerceio à liberdade de expressão”, disse.

“Como eles estão pregando golpe? O que eu soube é que eles disseram ‘olha, eu prefiro golpe do que o ex-presidente Lula. Isso não é pregar. Não há crime de cogitação”, completou.

Carta assinada por mais de 1.700 advogados repudia ação

Em nota, mais de 1.700 advogados divulgaram ontem sua crítica à ação contra a liberdade de expressão:

“Manifestamos nosso repúdio contra as medidas adotadas pelo Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, na tentativa de criar fatos políticos sem qualquer nexo de causalidade contra cidadãos de bem, trazendo de volta a triste figura do preso e/ou exilado político que tanto assombrou essa nação, que não se vergará, porque a par da soberania do povo sobre os seus próprios destinos, levanta-se a soberania do indivíduo sobre si mesmo e “nunca duvideis da santidade da liberdade de pensamento expressada por palavras, que é o instrumento irresistível da conquista da liberdade. “Deixai-a livre, onde quer que seja, e o despotismo está morto.” – Rui Barbosa”

*          Publicado no jornal O Sul, em 24 de agosto de 2022

 

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  • Roberto Motta
  • 24 Agosto 2022

 

Roberto Motta

A "primeira onda" da esquerda foi a Revolução Francesa. Acabou na ditadura do imperador Napoleão.

A segunda onda foram as Revoluções Russa e Chinesa. Acabou nos campos de concentração de Stalin e nos massacres de Mao Tsé-Tung.

A terceira onda foi a Escola de Frankfurt, Gramsci, Adorno, Foucault, Saul Alinsky e a tomada do poder através da cultura.

A quarta onda é o sequestro de bandeiras sociais importantes pela extrema-esquerda: direitos humanos, direitos das mulheres, defesa de minorias, proteção ambiental - tudo isso virou monopólio de marxistas revolucionários.

Os mesmos marxistas que, quando chegam ao poder, destroem a natureza e colocam minorias em campos de concentração.

Tudo o que assistimos hoje faz parte dessa quarta onda: ideologia de gênero, racismo do bem, doutrinação no ensino, "checagem de fatos", ativismo judicial descontrolado, terror sanitário e, agora, uma polícia secreta investigando grupos de WhatsApp.

A quarta onda também será derrotada. E depois dela virá outra.

A utopia esquerdista - criar "igualdade" e "justiça social" através de totalitarismo, violência, censura, tortura, doutrinação, roubo e massacres - é um vírus que jamais será erradicado por completo.

Essa utopia é a desculpa perfeita - o veículo perfeito - para levar canalhas, psicopatas e assassinos ao poder.

A maioria desses bandidos não tem qualquer convicção ideológica. São meros disseminadores do vírus totalitário.

Esse vírus estará sempre à espreita.

O preço da nossa liberdade será sempre a vigilância contra ele.

*       Publicado originalmente na página do autor no Facebook

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  • Juliano Roberto de Oliveira
  • 23 Agosto 2022

Juliano Roberto de Oliveira

Em recente ato público o descondenado e ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva prometeu à sua horda de ativistas que, se eleito, irá recuperar a indústria brasileira que, segundo ele mesmo e seus seguidores mais aguerridos, tem sido destruída pela ameaça da privatização. Nas palavras do meliante, "[...] a Petrobras não será mais privatizada. O Banco do Brasil não será privatizado. A Caixa Econômica não será privatizada. O BNDES não será privatizado. Esses bancos públicos estarão a serviço do desenvolvimento desse país. E os Correios também não serão privatizados".

Nada novo. O velho dirigismo estatal com a mesma roupagem. A mesma tara pelo estatismo, pela mão forte do estado em contraposição à mão invisível do mercado. Há quem acredite que Lula acredita (o jogo de palavras é quase inevitável, neste caso) que o Estado é a única instituição capaz de promover o desenvolvimento do país e de levar prosperidade às famílias mais pobres. Eu acredito que Lula não acredita em nada disso. Ele acredita, de fato, que a única forma de manter seu domínio sobre um povo e submetê-lo às vontades das ordens políticas é apostando no intervencionismo, no estatismo, no inchaço da máquina estatal. Se os recursos estão concentrados nas mãos do Estado, afinal, a socialização plena se torna uma meta facilmente alcançável.

Por isto, certamente, enquanto esteve no poder, Lula defendeu os interesses particulares em detrimento dos interesses coletivos. Calma, leitor! Não se trata de uma contradição. Os particulares de que falo não são as empresas privadas que nos premiam, por meio de disputas pacíficas que são comuns ao livre mercado, com os mais sofisticados tipos de produtos e serviços a preços cada vez menores. Os particulares de que falo são os amigos íntimos do rei. Os grandes empresários com alto poder de lobby. Os militantes afinados ideologicamente com as doutrinas e cartilhas do socialismo.

É por esta razão que, enquanto esteve na presidência, o BNDES foi utilizado como instrumento de poder e seus recursos (os quais são provenientes de encargos sociais que incidem sobre a folha de pagamento das empresas) foram direcionados para o financiamento de obras realizadas por empreiteiras bem conectadas. Estas obras, para adicionar ainda mais insulto à injúria, foram realizadas em outros países, maciçamente em países cujos governos também estavam alinhados com a ideologia petista. Este era o modus operandi do PT: impor cargas tributárias a pequenas empresas para financiar grandes empreiteiras bem conectadas. Em troca, claro, os caixas do partido eram irrigados com muita propina.

Até aqui, caro leitor, limitei-me apenas a descrever o esquema de corrupção de uma máfia que tomou de assalto empresas que, em tese, haviam sido criadas para o povo e em benefício do povo.

Para tornar o debate ainda mais sofisticado, no entanto, e apresentar objeções às argumentações dos que advogam em favor do dirigismo estatal lançando mão, para isso, da tese de que sem créditos subsidiados (a exemplo dos que a trupe petista defende) não haveria desenvolvimento econômico, quero fazer uso da boa teria econômica apresentada por Henry Hazlitt em seu livro “Economia numa única lição”.

No capítulo 6 da obra, o autor faz uma bela e irrefutável defesa da necessidade de que empréstimos sejam realizados apenas por instituições bancárias/financeiras privadas. Para demonstrar sua tese, o economista narra com riqueza de detalhes o processo por meio do qual ocorrem os empréstimos governamentais que são, conforme descreve, créditos de grande risco.

O apelo que leva os mais incautos a acreditarem que sem as mãos do estado produtores com grande potencial estariam completamente desassistidos é, de fato, muito convincente. Com o apoio de malabarismos macroeconômicos paridos pelas mentes de economistas desenvolvimentistas, ganha força a tese de que com subsídios governamentais famílias e produtores pobres seriam transformados em grandes geradores de riqueza para a sociedade. Basta dar às pessoas pobres algum crédito para que, magicamente, tornem-se produtivas e aditivem a riqueza nacional e/ou regional. Quem poderia se opor? Produtores com grande potencial receberiam créditos do governo, com eles produziriam riqueza, pagariam as dívidas contraídas e, a partir deste momento, tornar-se-iam homens dependentes de suas próprias habilidades laborais que, antes dos empréstimos concedidos por critérios políticos, estavam subaproveitadas. Toda a nação, supõe-se, estaria mais rica.

Ao analisarmos mais detidamente esta proposta, porém, se a submetermos aos ensinamentos de Bastiat, segundo o qual “Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro efeito é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los”, veremos que se trata de uma proposta insustentável.

Hazlitt explica que o dinheiro emprestado pelo governo não é nada mais que um símbolo monetário. Quando o governo arroga a si a tarefa de promover o desenvolvimento econômico ele está, na prática, dando um duro golpe na produtividade e na capacidade empreendedora dos mais habilidosos homens de negócio. Quando uma instituição governamental empresta a uma pessoa que não possui crédito, está fazendo uma alocação equivocada de capital escasso. Os produtores mais habilidosos, que possuem crédito junto às instituições bancárias privadas deverão, devido à intervenção governamental no mercado de crédito, pagar mais caro pelo dinheiro disponível. Dado que bens de capital foram colocados em mãos erradas (uma vez que os critérios políticos de concessão de crédito não levam em consideração as habilidades de um produtor de contribuir com o incremento da riqueza nacional), os homens de negócio que poderiam fazer melhor aplicação dos recursos escassos existentes na sociedade estarão limitados agora a poucas opções de bens de capital que não foram ardilosamente ofertados aos empreendedores menos produtivos.

Noutras palavras, empréstimos privados estão invariavelmente concentrados em empreendedores que possuem forte compromisso com geração de riqueza. Os riscos assumidos pelos emprestadores que fazem empréstimo no mercado privado precisam ser muito bem compreendidos, razão pela qual os recursos que emprestam são direcionados aos mais promissores projetos. Com o governo, cujas normas observadas para a concessão de benefícios visam apenas o curto prazo, os riscos são levados ao extremo e toda a sociedade se torna mais pobre em decorrência de investimentos em projetos de má qualidade.

Embora esta seja uma sucinta explicação dos mecanismos dos empréstimos realizados pelo governo vis a vis dos empréstimos realizados pelas instituições bancárias privadas, acredito que tenha um grande potencial de explicar porque os subsídios governamentais ofertados com o dinheiro da viúva são sempre maléficos.

No paroxismo deste arranjo, ao financiar obras e empreendedores bem conectados, os políticos poderiam exigir que os lucros das empresas que financiam sejam socializados. Afinal, se o dinheiro destinado ao financiamento de um arranjo mercantilista é proveniente do pagador de impostos, por que não socializar os lucros? Eis aí uma defesa inquestionável para a pavimentação do comunopetismo. Eis aí a razão da defesa apaixonada que Lula faz das empresas estatais.

*       O autor é Bacharel em Administração de Empresas – FAI; Especialista em Qualidade e Produtividade – UNIFEI e Mestre em Eng. da Produção - UNIFEI

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