• Sílvio Munhoz
  • 03 Julho 2022

Da selva ao shopping

Segurança pública, armas e mais incongruências...

Sílvio Munhoz

“Arma da morte de Bruno e Dom é símbolo da política belicista de Bolsonaro. [...] O descontrole sobre as armas de fogo, cuja consequência pode ser a morte de inocentes, também está na conta do presidente.”[1]

         A manchete espetaculosa, bem no sentido literal da palavra, como definia Aurélio: “3.Que é dado a espetáculos, a cenas ridículas e/ou escandalosas; espalhafatoso” que orna a matéria publicada em revista de circulação nacional, que já teve uma das maiores tiragens do País, confere razão ao ponto que, insistentemente, chamo atenção em minhas crônicas, quando apelido tais órgãos de ex-imprensa (existem exceções a confirmar a regra, poucas, é verdade), pois ao invés de cumprir o nobre objetivo de informar, hoje, parecem muito mais partidos políticos ou verdadeiras torcidas organizadas.

Como o fato aconteceu na Amazônia e não podem mais falar das girafas – todas já exterminadas, para desgosto da Greta e do Di Caprio – nem de desmatamento, pois ocorreu muito mais na época do time para o qual torcem[2] e só passaram pano, necessitavam achar alguma coisa para atacar o time adversário, eis que surge a “política belicista”... e à la Arquimedes, EUREKA é com essa tese que eu vou detonar.

Na matéria a torcida organizada diz ser a arma que matou Dom e Bruno uma arma de caça (e a licença aos caçadores tem sido incentivada no novo governo), como se no universo amazônico não existissem caçadores – legais e ilegais – desde os primórdios da civilização (lembram aquela história de caçadores-coletores) e tal atividade fosse mais uma invenção hedionda do atual Governo. Aliás, não avisaram aos autores do ‘novo cântico’ que a região é conhecida – tríplice fronteira, Brasil, Peru, Colômbia – como uma das mais perigosas e onde ocorre gigantesco tráfico internacional de drogas e armas, que muito se desenvolveu, assim como o crime em todo o Brasil, pela leniência com que os bandidos eram tratados quando quem governava era o time para o qual torcem.

Continuam, na insuperável sanha lacradora, com afirmações risíveis, tamanha a incongruência, como afirmar que os CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) que somariam hoje em torno de 600.000, possuem um contingente maior que o Exército e tal número de pessoas armadas seria um perigo à segurança pública (mais armas com o cidadão honesto é perigo? Responderei mais adiante) e que, nos últimos 02 anos, surgiu notícia de ao menos 06 CACs utilizando a prerrogativa para vender armas aos traficantes...

Olvidam dois pequenos detalhes: primeiro, maçãs podres existem em todos os cestos, com certeza, por exemplo, conhecem algum jornalista corrupto que vendeu sua alma e consciência pelo vil metal; segundo, precisam voltar à escola e aprender matemática (tema negligenciado ao longo dos anos de pátria educadora, bem sabemos) ou será que imaginam mesmo que 06 CACs em 600.000, o que significa 0,0001 (vamos imaginar os atiradores esportivos que podem ter até 60 armas, 6 x 60 = 360 armas) representa alguma coisa no verdadeiro ARSENAL ILEGAL – composto na maioria de armas de guerra - que existe nas mãos das ORCRIMs do Brasil. Para contexto, estima-se existir em torno de 5.000 fuzis só nas mãos das facções que dominam 1.400 favelas no Rio de Janeiro. Na realidade, o armamento de 06 CACs é uma gota no oceano.

Em qual fonte beberam os torcedores para escrever cânticos tão disformes... quem seria? Tcham, tcham, tcham... Adivinharam? Como diz no texto, foi o gerente de projetos do “Instituto Sou da Paz”. Tal “instituto”, como denunciei outrora[3], recebe dinheiro da[4]open society, sabe, aquela do titio Soros – pretendente a dono do mundo -, que defende desarmamento, desencarceramento, legalização de drogas, aborto, extinção da polícia etc... e, igualmente da ford foundation, como já fora detectado pelo TSE quando a impediu de fazer propaganda antes do plebiscito do desarmamento, pois não podia participar quem estivesse recebendo dinheiro estrangeiro[5].

Enquanto isso, para não ficar só em uma das “torcidas”, na data de ontem, outra “grande organizada”, falando sobre o mesmo tema do armamento apresenta “chamativa” e lacradora manchete: “licença para armas crescem quase 05 vezes [...]; exército tem quase 674 mil autorizações ativas, mostra Anuário”[6]. Fazendo alusão aos dados Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, publicado na data de ontem (confesso, não consegui examiná-lo ainda, mas o farei em breve, para as já tradicionais crônicas, apontando as costumeiras incongruências).

A conclusão da matéria é, igualmente, em tom alarmante: "Em síntese, há um conjunto de ingredientes que desconsideram as evidências científicas sobre o impacto de longo prazo que armas de fogo e munições exercem na sociedade brasileira e que preparam o país para um cenário literalmente explosivo".

Como diz a matéria, “dizem os pesquisadores”, referindo-se aos membros (a matéria os nomina, não o farei) do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pela publicação do Anuário e do Atlas da Violência. Segundo a “torcida organizada” essa seria outra fonte prá lá de confiável. Será mesmo? Esqueceram de dizer somente uma coisa, que o FBSP, assim como o “instituto sou da paz”, não trabalha por ideal ou amor à Pátria, mas a soldo de entidades estrangeiras[7].

Pois é, meus amigos, e as “organizadas” querem lhe convencer que são fontes confiáveis... Claro que não são, pois as análises são sempre enviesadas para satisfazer o interesse de quem lhes paga, são os “intelectuais orgânicos”, citando Sowel, que a soldo criam teses, que satisfazem o que pretendem seus patrões, mesmo ofendendo os dados empíricos e depois, no mais das vezes, são chamados como “especialistas” para acrescer argumento de autoridade às matérias.

Prova disto é outra matéria publicada no mesmo site no mesmo dia, só um pouco mais escondida, que fala das mortes violentas no Brasil[8]. Segundo a notícia (talvez por isso não recebe manchetes “gritantes”) as mortes violentas diminuíram em 21 das 27 capitais (as 06 que tiveram alta localizadas nas regiões norte e nordeste, onde predominam Governadores e Prefeitos do time para o qual torcem) e a diminuição das mortes violentas em todo o Brasil foi de 6%. Pasmem (a análise será mais detalhada nas crônicas que falarei do Anuário), uma das causas, segundo os “confiáveis especialistas” seria: “Disputa de territórios entre facções criminosas”.  OPSS... sério, não ficam nem ruborizados, pois desde o começo da diminuição das mortes violentas, principalmente, nos 03 anos do atual governo, sempre disseram ser uma das causas a pax mafiosa[9], com a agravante que sempre diziam ser a “paz realizada pelas facções, principalmente, no norte e nordeste”. Não passará... tal mentira será desmascarada, após a INTERNET não existe mais memória curta, pecha que sempre atribuíram ao brasileiro...

Afinal, decidam-se: há paz ou não entre as facções criminosas do Norte e Nordeste?

Deixaram de mencionar, como seria de esperar, a possibilidade de aumento do número de armas em poder da população colaborar para a diminuição (na primeira matéria dizem ser causa e perigo de um verdadeiro caos futuro). De modo diferente, o Americano, John R. Lott Jr., estudioso do tema de armamento em poder da população civil, cravou no famoso jornal dos EUA, o Wall Street Journal: “More Legal Guns Reduce Crime in Brasil” em tradução livre, mais armas legais reduziram o crime no Brasil.

 Como diria Marx, o do bem, Groucho: “você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?” ou acredita na imprensa e especialistas ou no que você está presenciando?

No interregno de tanta lacração das “torcidas organizadas, no Rio de Janeiro - aquele Estado que o STF proibiu a Polícia de entrar em favelas dominadas por ORCRIMs e de combater o crime – vários membros de uma delas, quiçá, sentindo-se “empoderados”, desceram da  “comunidade” e adentraram um Shopping, fortemente armados, disparam uma infinidade de tiros assustando trabalhadores e clientes, fizeram reféns, roubaram uma joalheria e findaram por matar o vigilante da loja... cadê os partidos não eleitos, as costumeiras ONGs para entrar com uma ADPF e a ex-imprensa para exigir do STF[10] que os impeça de andar armados e cometer crimes...

Meus sentimentos aos familiares do guerreiro Jorge Luiz, o segurança morto enquanto trabalhava. Para finalizar, expresso minha indignação com o fato citando um post do Motta, que correu as redes após o episódio.

*       Publicado originalmente em

https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1525/da-selva-ao-shopping.html

 

[1] https://veja.abril.com.br/brasil/arma-da-morte-de-bruno-e-dom-e-simbolo-da-politica-belicista-de-bolsonaro/

[2] https://diariodopoder.com.br/politica/desmatamento-bateu-recorde-no-governo-lula-sob-silencio-constrangedor-de-ongs

[3] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1244/estatistica-idelogia-desinformacao.html

[4] [1]

[5] https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2005-09-09/instituto-sou-da-paz-deve-suspender-propaganda-pro-desarmamento-decide-tse

[6] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/06/28/licencas-para-armas-crescem-quase-cinco-vezes-no-governo-bolsonaro-exercito-tem-674-mil-autorizacoes-ativas-mostra-anuario.ghtml

[7]   https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/quem-george-soros-financia-no-brasil/?fbclid=IwAR22H_T8yntSAPkgkMEaRJayvnTJaYOSPr35xmEjxnvt1A26KhVlQbudV9U

[8] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/06/28/macapa-tem-maior-taxa-de-mortes-violentas-e-sao-paulo-a-menor-veja-ranking-das-capitais-segundo-anuario.ghtml

[9] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1281/estatistica-ideologia-desinformacao.html - Nesta crônica analiso a dita Pax mafiosa.

[10] https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/40158/a-morte-do-vigilante-em-um-shopping-no-rj-e-as-perguntas-que-o-stf-precisa-responder

 

 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 03 Julho 2022


Alex Pipkin, PhD

Quem tem filhos, certamente sabe como funciona a adolescência.
Pai e mãe ensinam pela “janela aumentada”, mas a rebeldia e a vontade de fantasiar parecem não ter fim. Ademais, há sempre os “outros” do grupo que impingem comportamentos a serem seguidos.
Com uma visão maior de mundo e maturidade, as pessoas têm atitudes e comportamentos mais racionais, baseados na lógica da realidade, não necessariamente previsíveis.
É surpreendente que os países latino-americanos, tais como Argentina, Venezuela, agora Chile e Colômbia, e Brasil, entre outros, não tenham ultrapassado a mentalidade adolescente. Com efeito, pesaroso.
Na terra dos caudilhos, as populações em geral acreditam no inacreditável, fantasiando desejos irrealizáveis e, desafortunadamente, apreciando questões presentes que devastam concretamente um futuro melhor.
Existem razões ligadas à colonização, a formação cultural e às instituições extrativas que se formaram nesses países.
Os brasileiros, por exemplo, notadamente creem no salvador da pátria, e quase a metade da população vê o governo como responsável pelo atendimento de suas necessidades, ao invés de creditar seu desenvolvimento ao esforço individual.
Não resta dúvida de que um ensino de qualidade é fundamental para se reverter tal ótica utópica, não por meio do engodo de colocar mais gente para dentro de universidades que formam militantes em vez de profissionais qualificados.
Urge reestruturar o ensino nacional com a participação de especialistas de fato, de todas as correntes doutrinárias. Reproduzir aquilo que dá certo no mundo, também é um sinal de inteligência. Neste sentido, é preciso investir e exigir a certificação de professores, criar cursos nas áreas vocacionais, e fazer com que o governo financie determinadas escolas particulares.
Inevitavelmente, tem que ser cortado na raiz o domínio das “elites progressistas” nas decisões educacionais brasileiras.
Inclusão não deve ocorrer quantitativamente, necessita-se transformar e ocupar todos os espaços, principalmente, técnicos, propiciando melhorias efetivas em nível individual e para a nação.
Aliás, isso não é ideológico, é pragmático, basta ver os péssimos resultados do ensino “progressista”; o que dá errado tem que ser alterado!
O professor Eli Somer, da Universidade de Haifa, em Israel, nominou o transtorno mental de viver uma fantasia, de sonhar acordado, como devaneio excessivo.
Na verdade, o sonho coletivista, que se apossou das instituições brasileiras, logrou na prática, inclusive, transmutar o significado da palavra verdade, uma vez que aqueles que a afirmam factualmente hoje, são acusados de mentir por meio do multifacetado “discurso de ódio”. Os conceitos de liberdade, de direito e de justiça, desgraçadamente, vão nessa mesma linha.
Pois o devaneio próprio da adolescência tem exercido um protagonismo “mágico” na Venezuela, na Argentina, no Chile, na Colômbia, e pode se concretizar nefastamente no Brasil.
Como pode a contundente filosofia do fracasso, o coletivismo, ser profetizado e aceito - a narrativa e a promessa são sedutoras - mesmo quando os resultados de sua implementação são comprovadamente mortes, fome, miséria, pobreza e subdesenvolvimento?
Não tenho a resposta. Porém, isso também é decorrência de transtornos em nível individual, tais como o devaneio excessivo, e transtornos no âmbito coletivo, via o aparelhamento institucional e cultural por meio do pensamento coletivista.
Para a perversão da realidade se materializar foi preciso que embusteiros, politiqueiros, mídia e “intelectuais”, operassem intensamente na divisão da sociedade entre “nós e eles”, embaralhando palavras, políticas e ações, que fundamentadamente conduzem ao crescimento econômico e social.
Nessa era “progressista”, ou melhor, da pós-verdade, de autoritários disfarçados de democratas, tudo pode acontecer.
Lembrei de uma frase, atribuída a Joseph De Maistre: “Cada povo tem o governo que merece”.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 02 Julho 2022

 

Gilberto Simões Pires

ILUSÃO DA VERDADE

Por mais revoltante que seja, o fato é que a máxima de que "basta repetir uma mentira para que ela se torne verdade", técnica largamente utilizada pelo nazista Joseph Goebbels, funciona e muito. Esta consagrada máxima, como bem define a psicologia, se traduz pelo efeito da ILUSÃO DA VERDADE. Mais: exaustivos estudos sobre os efeitos desta técnica -infalível-, as pessoas em geral tendem a aceitar como VERDADES as afirmações que elas já ouviram antes, mesmo que sejam FALSAS. 

PELA MESMA LÓGICA...

Ora, se a máxima da REPETIÇÃO DE UMA MENTIRA QUALQUER produz o efeito desejado pelos anunciantes mentirosos, isto significa, pela mesma lógica de raciocínio, que a REPETIÇÃO DE UMA OU MAIS VERDADES produz efeito idêntico. Ou seja, faz soar como algo familiar do tipo que as pessoas já ouviram antes.

FALSOS BENEFÍCIOS

Assim, sob o aspecto econômico -mundial- uma grande -MENTIRA- que vem sendo repetida à exaustão diz respeito aos FALSOS BENEFÍCIOS que o mundo, notadamente os países europeus, obtém através dos mais diversos BANIMENTOS IMPOSTOS À RÚSSIA. Ora, quanto mais sanções impostas à Rússia mais os países dependentes -diretos- e -sem outra alternativa de substituição-, de certos produtos e serviços, vão sofrer. Em alguns casos, o drama já se mostra maior e mais complicado nos países que dependem por exemplo, de produtos derivados de petróleo e/ou demais commodities exploradas na região dominada pela Rússia.

OURO

A propósito, para Leonardo Trevisan, professor de economia e relações internacionais na ESPM, a proposta que defende o presidente americano, Joe Biden, de banir a Rússia do comércio internacional de ouro é um legítimo TIRO NO PÉ. Ora, como o ouro é “reserva de valor” e, a Rússia é um player importante nesse ramo (negocia algo em torno de US$ 15 bilhões/ano e é o terceiro maior produtor de ouro do mundo) em momento de CICLO RECESSIVO não faltarão compradores para esse metal. Isto, portanto, resultará numa alta de preço do ouro, da mesma forma como já aconteceu com o petróleo. Ou seja, a Rússia acumulará ainda mais reservas em moeda forte com a venda desse ‘commodity’. 

Aliás, o Instituto de Finanças Internacionais de Berlim avaliou que entre fevereiro e maio a Rússia acumulou US$110 bilhões com a alta do preço do petróleo. Trevisan ressalta que não faltaram compradores, pois só a Índia aumentou em 700 mil barris diários a compra do óleo russo. Mais: a China acumulou mais de um milhão de barris em pouco menos de um dia. Muitas potências médias asiáticas seguiram o mesmo caminho.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 29 Junho 2022

Alex Pipkin, PhD

Não tenho nenhuma brecha de dúvida de que a grande maioria do eleitorado “vota com a barriga”.
Em última análise, o povo escolhe seu candidato à presidência em função da situação econômica.
Nesse sentido, e de acordo com alguns analistas políticos, as pesquisas eleitorais no Brasil têm refletido os efeitos da alta inflação, especialmente, e justificam a liderança do ex-presidente Lula da Silva.
Parece haver consenso de que a inflação é um fenômeno global, sobretudo em razão da pandemia da Covid-19 e dos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Penso que, sem dúvida, há variáveis globais que a explicam, porém, muitas vezes passam despercebidas as políticas implementadas por governos específicos, a fim de estacar a inflação e retomar a rota do crescimento.
Os EUA, por exemplo, vive uma alta da inflação inédita, com 8,6% em maio, reduzindo a renda e empobrecendo as famílias americanas, com grandes chances do país entrar em uma situação de recessão.
Os motivos desse panorama, devem-se as políticas do governo Biden de impulsionar enormes gastos governamentais, inclusive na condição pandêmica, e a demora no aumento das taxas de juros.
Aqueles dotados de conhecimento econômico efetivo, já haviam previsto o inferno na torre americana. Não importa, essa turma parece sempre colocar o foco no “progressismo social”, ao invés de por naquilo que tem que ser realizado prudentemente na esfera econômica.
Pelas bandas verdes-amarelas, embora se conviva com alta inflação, desemprego e fome, as políticas adotadas pelo PR e sua equipe de governo são, felizmente, outras.
O PR se posicionou contra a “festa dos lockdowns, e a economia a gente vê depois”, e na medida do possível, mesmo com o necessário auxílio emergencial, apoiou o incansável defensor do teto de gastos, o ministro Paulo Guedes.
Apesar da alta inflação, o país vem crescendo e, segundo Guedes, o Brasil poderá entrar em um ciclo de crescimento longo de 3% ao ano.
As previsões do Banco Central e de Guedes são de que a inflação começará a cair, e com isso, o país deverá crescer 2% neste ano.
De alguma maneira, a política fiscal demonstra uma queda nos impostos - que precisam ser simplificados -, além de um aumento significativo de arrecadação. O Brasil tem a seu favor o fato de ser vocacionado para o agronegócio, além de ser um polo atrativo para investimentos no setor de infraestrutura. Evidente que para tanto, é necessário melhorar a questão da segurança jurídica.
Muito embora a boa notícia seja a de que o desemprego esteja caindo, esse ainda é alto e, portanto, é necessária uma série de reformas, que envolvem a transformação da educação e o estímulo ao envolvimento das empresas nacionais nas cadeias globais de suprimentos, por exemplo.
Sou totalmente contra a interferência do governo nas estatais - claro que é essencial privatizá-las -, mas o PR, centrado no problema das pessoas, “agitou” e logrou reduzir tributos, a fim de fazer baixar o preço dos combustíveis e da energia.
Sim, o povo “vota com a barriga”, a crise é real, porém, não se pode acreditar em Coelhinho da Páscoa e hipotecar o futuro do país.
O candidato ex-presidiário já verbalizou que se eleito irá acabar com o teto de gastos e impulsionará uma ampla agenda de gastos governamentais, justamente o oposto daquilo que o conhecimento econômico recomenda para o ajuste das políticas fiscal e monetária. O semianalfabeto e analfabeto econômico, não aprendeu nem com a cadeia.
Verdadeiramente, ele e os mais de Quarenta Ladrões, estão centrados nas “vitais questões progressistas”, tais como a regulação da mídia, as causas LGBTQIA+, o controle de armas, enfim. Claro, continuam com o encantador papinho morfético do “O Petróleo é Nosso”, e são contra as privatizações.
Não, não estamos bem, mas num mundo real, para lá das bravatas e dos devaneios, imaginem como ficaria a inflação e os preços dos bens, dos alimentos e dos combustíveis, com uma equipe de ignorantes econômicos e incompetentes - e alguns mal-intencionados - retornando a cena do crime.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 28 Junho 2022

 

Gilberto Simões Pires

 

ONTEM, SÃO PAULO

Ontem, 27, de forma surpreendente, o governador de São Paulo saiu na frente e oficializou a redução do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e serviços de comunicações para o TETO de 17%, atendendo ao que determina a LEI COMPLEMENTAR 194, sancionada na última 6ª feira, 24 pelo presidente Jair Bolsonaro. 

 HOJE, GOIÁS

 Hoje, 28, o governador de Goiás acompanhou a atitude do governo de São Paulo e achou por bem também oficializar a redução do ICMS sobre os PRODUTOS considerados como ESSENCIAIS ao TETO DE 17%.

MANOBRA NOJENTA

Pois, enquanto isso Governadores de 11 Estados (Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Piauí, Bahia, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará), na companhia do Distrito Federal, trataram de protocolar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) com pedido de liminar contra a tão aguardada LEI 194. Entretanto, pelo que se imagina depois das iniciativas de São Paulo e Goiás, esta nojenta manobra -TOTALMENTE CONTRÁRIA AO PENSAMENTO DO POVO BRASILEIRO- tem tudo para dar, literalmente, com os BURROS N'ÁGUA. De novo: tem tudo, mas não é certo, porque o STF, como se sabe, adora legislar. Principalmente quando se oferece a oportunidade de ferrar com as intenções do atual governo.

TETO E NÃO PISO

Volto a insistir: produtos e serviços que são considerados como ESSENCIAS, ou INDISPENSÁVEIS, por si só não deveriam ser tributados. Quando muito, ainda que absurdamente INJUSTA sob os aspectos -social e econômico-, a taxação deveria ser de, no máximo, UM DÍGITO (vejam, por exemplo, que na Flórida (USA), os combustíveis são taxados com 4% de imposto). Mais: como o TETO, como determina a LEI 194, é 17%, isto significa, categoricamente, que o PISO pode ser ZERO ou próximo de ZERO. Ou seja, nada impede que qualquer governador resolva ser minimamente HONESTO E DECENTE e pronto para atender os reais desejos do SOBERANO POVO.

 

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  • Sílvio Munhoz
  • 27 Junho 2022

 

A incongruência sem fim..

 

Sílvio Munhoz

 

             A manchete da revista Oeste (um dos bastiões da verdadeira imprensa nos dias atuais), não faz você pensar o porquê do sucesso imediato e estrondoso da série ENTRE LOBOS? A razão é singela, por tratar de forma realista – nua e crua como se costuma dizer – aquele que talvez seja o maior problema brasileiro nas últimas décadas e que com certeza impacta a vida de todo brasileiro do Oiapoque ao Chuí, deixando no seu caminho: rios de sangue; pilhas de cadáveres; milhares de familiares que choram em seus túmulos; incontáveis vítimas sobreviventes, mas traumatizadas; e uma população atemorizada.

Esse que, um dia foi o cenário das grandes cidades, hoje atinge os mais recônditos rincões brasileiros, pois a criminalidade organizada, seja através de espécies de crimes como o “novo cangaço” ou por intermédio do flagelo do tráfico de drogas não se importa mais com o número de habitantes.

Vemos hoje grades, muros altos, arame farpado, câmeras de vigilância, seguranças vigiando cada centímetro. O cenário pintado lido fora do contexto – por quem não leu os primeiros parágrafos, por exemplo -, poderia levar a imaginar que descrevo um presídio... não, descrevi as ruas e as casas brasileiras nos dias atuais, sem importar o tamanho da cidade. Pior é quando nossos coirmãos brasileiros, pela condição econômica não podem pagar por tais cuidados vivem à mercê da criminalidade, cada dia mais violenta e mais ousada, pois, ao invés, de dura e severamente combatida como necessário, ao contrário por muitos é “empoderada” (detesto essa palavra).

Pelo viés ideológico imposto à sociedade por anos a fio e que tomou conta das escolas (onde ladrão é chamado, propositalmente, de trabalhador) e universidades (onde penetrou profundamente a teoria de um comunista italiano chamada “garantismo”) o bandido é a vítima da sociedade e protegido por muitos, cristalizando a cena descrita em 1967 por Mário Ferreira dos Santos em invasão vertical dos bárbaros[1], só é punido severamente quem ataca alguém da tribo ou ideais desta; crimes cometidos por membros da tribo, contra inimigos ou quem não pertence ao “grupo”, ou por pessoas que não pertencem à “patota”,  recebem pouca ou nenhuma punição.

Como pode? A criminalidade aumenta cada dia mais e o combate não aumenta na mesma proporção, pior, por vezes é dificultado? EIS AS INCONGRUÊNCIAS SEM FIM do sistema atual de combate ao crime. Presenciamos verdadeiros duplipensares Orwellianos de alguns e outros que olvidam a CF, a Lei e até a regra básica de aplicação do direito no Brasil, que determina: “seja observado pelo Juiz ao aplicar a lei o BEM COMUM”[2]...

Dois exemplos a título de contexto. Lembram do episódio da Vila Cruzeiro no RJ e o Procurador do MPF – veja Império da Bandidolatria[3]- que após o evento impetrou ação civil pública para impedir a atuação da Polícia Rodoviária Federal, mesmo estando em vigência a Lei 13.675/2018 que criou o SUSP (sistema único de segurança pública), que incentiva atuação conjunta das polícias para o combate permanente ao crime organizado e à corrupção, sob o argumento de que no meio daquelas favelas do RJ não passava nenhuma Rodovia Federal e esta seria a competência da PRF, combater os delitos em tais estradas... pois bem, o Juízo da 26ª Vara Federal do RJ, nos autos da Ação Civil Pública n.º 50403630320224025101, acolheu o pedido liminarmente, impedindo a atuação da PRF, ao menos até o julgamento final da ação.

Dias após a decisão, o Procurador, em foco, envia ofício/urgente[4] ao Diretor-Geral da PRF do RJ, para dizer que deveria atender às requisições do Ministério Público, não obstante o determinado pelo Judiciário na ação que impetrara (se as determinações do MP prevalecem as decisões do judiciário não entendi o porquê de impetrar a ação). No caso a PRF deixara de participar, em virtude da decisão judicial, de uma operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (formado por Auditores-Fiscais do Trabalho, Procuradores da República, Procuradores do Trabalho e Defensores Públicos da União) visando ao combate do trabalho escravo (crime grave que deve ser combatido). O motivo da ação não era por inexistir rodovia federal na Vila Cruzeiro. Será que o trabalho escravo ocorria no leito de alguma estrada da união. Pergunta retórica e irrespondível, pois frutos da INCONGRUÊNCIA. O combate aos “pequenos empresários das drogas do RJ” não faz parte da agenda, proíbo a participação. Para atacar aquele delito que “quero” investigar por fazer parte da agenda, obrigo o auxílio. A PRF deveria participar nas duas situações. Como digo, verdadeiro duplipensar Orwelliano.

Por sorte ainda há juízes no Brasil e o Presidente do Tribunal Regional da 2.ª Região, Dr. Messod Azulay Neto, a pedido da União cassou a liminar que impedia a participação da PRF nas operações conjuntas.

O outro caso, que demonstra o desprezo à Constituição Federal e ao bem comum, aconteceu em uma cidade da Serra do Rio Grande do Sul, chamada Bento Gonçalves – já ouviram falar por conta dos vinhos e espumantes e do recente “desconvite” de um Ministro.

No dia 13 de junho na cidade de 120mil habitantes, a Brigada Militar (como chamamos aqui a Polícia Militar) foi informado por seu Setor de Inteligência da ocorrência de tráfico de drogas em duas residências: em uma era feita a distribuição para várias pessoas que a repassavam na forma de tele-entrega, enquanto a outra servia de depósito.

Os policiais fizeram uma “campana” na frente da primeira e visualizaram movimento de distribuição de drogas, abordaram um dos flagrados que saia e encontraram entorpecentes. O detido admitiu que distribuía na forma de tele-entrega. Neste momento saía outra pessoa que ao perceber a polícia fugiu para se esconder no interior da residência, a polícia o perseguiu e entrou no local onde encontraram mais pessoas, algumas fracionando a droga sobre uma mesa e farta quantidade de maconha e cocaína além de outros pertences comuns à prática do tráfico, após revistaram um carro, que o Serviço de Inteligência apontara como sendo usado para o tráfico, e no seu interior apreendidos 15 tijolos de maconha.

Em face das descobertas feitas no primeiro endereço foram ao segundo (depósito) e entrando no mesmo detiveram outro envolvido o qual guardava, pasmem, 372 tijolos de maconha[5], um veículo roubado, fardamentos das polícias civil e militar, rádios HT na frequência policial, placas falsas, inúmeros celulares dentre outros pertences.

O segundo flagrante não foi homologado. AJuíza[6] entendeu que a invasão de domicílio foi injustificada. Ao contrário da primeira na qual realizaram “campana” e observaram o delito, na segunda casa a entrada estaria embasada só no Serviço de Inteligência. Raciocínio enviesado: parte de jurisprudência equivocada e minoritária para soltar perigoso traficante; não adiantava fazer “campana”, era depósito e quem poderia ir pegar droga, caso necessário, fora detido no flagrante anterior; terceiro, a confirmação da primeira como ponto de distribuição e da efetiva utilização do veículo no negócio espúrio, comprovava a investigação da Inteligência de a segunda ser o depósito da quadrilha, permitindo acesso sem mandato, pois ali ocorria a prática de um flagrante delito (verdadeiramente, permanente), como permite a exceção da regra constitucional. A casa é o abrigo inviolável do cidadão e não o bunker da bandidagem!..

Dos 07 traficantes presos na primeira casa embora homologado o flagrante, concedeu liberdade provisória para 05, “pois não representariam perigo à ordem pública e a preventiva não pode estar sustentada só na gravidade abstrata do crime” (Constituição Federal equipara tráfico de drogas a crime hediondo, regra que muitos aplicadores do direito esquecem). Como quadrilha de traficantes com tal magnitude, em uma cidade média do interior de um Estado, com a qual são apreendidos em torno de 400 tijolos de maconha (somem os quilos da segunda prisão, descritos no rodapé), além de quantidade significativa de cocaína, pode não representar perigo concreto?? Percebem decisão que tangencia a Constituição Federal e a Lei e olvida, totalmente, o BEM COMUM, que deveria orientar os julgamentos de todos os juízes...

Resumo da ópera, de 08 traficantes presos em flagrante, com massiva quantidade de entorpecentes, 06 foram soltos para continuar “empresariando a venda” em Bento Gonçalves, porém, ainda há Promotores de Justiça preocupados em proteger a sociedade e combater a criminalidade no Rio Grande do Sul, pois o Dr. Manuel Figueiredo Antunes recorreu da decisão e impetrou uma cautelar inominada para conceder efeito suspensivo ao recurso, visando a manter os acusados detidos até a decisão do Tribunal de Justiça[7]. Oremos para a reversão da decisão.

Dois casos que bem demonstram o porquê de tamanho sucesso de um documentário sobre segurança pública. O pior é que, ainda há no Brasil quem defenda desencarceramento em massa, sustentando que se prende muito e mal. Quando ouvir alguém dizendo tal asneira lembre um dado informado no documentário e pensem, podem estar caminhando ao seu lado no instante que escrevo estas mal traçadas linhas...

“Existem no Brasil + de 500mil mandados de prisão não cumpridos. Meio milhão de pessoas que deviam estar presas estão soltas, neste exato instante.” Documentário Entre Lobos do Brasil Paralelo.

Que Deus tenha piedade de nós!..   

*         O autor é cronista do Portal Tribuna Diária presidente do Movimento Ministério Público pródo  Sociedade e   membro do COM Movimento Contra a Impunidade.. 

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