Ismael de Oliveira Luz
O intelecto humano, desde os primórdios da existência da espécie, só funciona devido a nossa capacidade de percepção do real. Aristóteles, filósofo grego, estava convicto de que nada está na mente humana sem que antes tenha passado pelos sentidos. Portanto, para ele, perceber os objetos do mundo é condição sine qua non para que haja a atividade mental tal qual nós a conhecemos. É a existência dos seres que possibilita a atividade psíquica, visto que sem a presença física dos objetos nada podemos pensar e muito menos dizer. Dessa maneira, evidenciamos que a percepção está em primeiro plano no aprendizado e antecede a qualquer pensamento, pois o mesmo só irá surgir a posteriori, ou seja, após o contato inicial com as coisas do mundo real e concreto. Aristóteles vai mais fundo e afirma que os humanos além de serem seres racionais são também seres fantásticos. A fantasia, segundo ele, é a composição de duas outras faculdades da mente: memória e imaginação. É por meio delas que registramos as impressões oriundas do mundo físico, sendo possível à pessoa normal acessar a essas imagens quando quiser, portanto, a mente possui a capacidade de simplificar e estabilizar tudo aquilo que os sentidos captam, e os aglutinam, condensando-os em símbolos, que só então poderão ser manipulados pelo raciocínio de forma lógica e conceitual. A cultura humana inteira, por sua vez, foi construída sobre um universo imaginativo complexo e sobremaneira denso de imagens, conceitos, símbolos e valores, e sem os quais seria impossível para as civilizações realizarem quaisquer tipos de progresso, uma vez que toda e qualquer comunicação só é eficaz quando se adéqua aos diversos contextos, quando é homogênea nos sons e nas formas e inteligível simbolicamente para todos os que fazem uso dela. A linguagem é a cultura humana por excelência.
Uma guerra se caracteriza pelo fato de que as partes beligerantes procuram atacar-se mutuamente até que seja possível a uma delas neutralizar as ações do inimigo, de modo que reste apenas um lado capaz de conduzir os acontecimentos até o fim, atingindo seu objetivo estratégico, e sobrepondo-se em força sobre os demais. Quando se trata de uma guerra cultural vencerá aquele que conseguir neutralizar a cultura do inimigo, e isso só é possível quando se substitui uma cultura por outra que seja capaz de cumprir com o papel de fecundar a memória e a imaginação das pessoas por meio de novos símbolos, conceitos e valores e de tal modo que consiga manter a coesão e as relações sociais, garantindo a unidade do processo histórico. A cultura ocidental está sob o ataque de incontáveis inimigos e em inúmeras frentes de batalha e por meio do controle da linguagem, da subversão de conceitos fundamentais como o de família, pátria e religião vai se remodelando o imaginário coletivo sem que a sociedade perceba que pouco a pouco vai cedendo a essa infiltração lenta e constante de novas ideias, costumes e valores que se cristalizam e fundamentam uma nova civilização, que pretende sobrepujar a atual, primeiro no campo psicológico e por conseguinte, no campo político e econômico, sem que haja condições de se contestar e muito menos reconduzir o percurso temporal, restando apenas a aceitação da modificação do estado de coisas.
A maneira como nos expressamos por meio da fala revela em partes o nosso campo psíquico, portanto, para analisar a “forma mentes” das pessoas basta analisar minuciosamente o vocabulário utilizado, as construções semânticas, os juízos de valores e padrões linguísticos. E é justamente ai que a guerra cultural é travada de forma profunda, pois tudo o que pensamos só é possível por meio de palavras previamente consolidadas no aparato mental, oriundas dos conceitos condensados no intelecto e que posteriormente serão articulados pelo raciocínio segundo os padrões da lógica elementar. Uma grande cultura é necessariamente aquela que devido à força de suas criações simbólico-culturais penetram nas camadas mais profundas da mente humana expandindo a sua consciência e potencializando cognitivamente e moralmente todo o nosso ser. Como exemplo disso, mencionamos a grande e densa criação da cristandade, que desde o advento do Cristo, produziu elementos que transcendem o mero campo do discurso ideológico e se impregnam na alma humana, obras tais como: o novo testamento, as músicas e orações, as liturgias e os dogmas, pinturas, esculturas, livros, encíclicas, sumas teológicas, catedrais e outros tantos e sofisticados recursos simbólicos que servem como uma grande e densa matriz de intelecções que apontam para o Deus criador e sua criação.
O movimento revolucionário, também representado pelos movimentos socialistas nacionais e internacionais, é um dos poderosos inimigos do Ocidente, pois ele possui, assim como o seu adversário, elementos culturais suficientemente capazes de penetrar no âmago da sociedade, transformando-a desde dentro. Conceitos como, “justiça social”, “luta de classes”, “igualdade de gênero”, “minorias oprimidas”, “sociedade patriarcal”, “liberdade sexual”, entre outros, já começam a fazer parte do vocabulário coletivo, já estão nos cinemas, televisão, revistas, músicas, editoriais jornalísticos e se manifestam nas rodas de conversas escolares e vão até os círculos mais elevados de poder do país, fazendo parte do debate público e ocultando os verdadeiros problemas sociais que assolam o país como, a má administração pública, o desvio de verbas, a corrupção, o crime organizado, políticas internacionais desruptivas, os planos globalistas para a destruição das soberanias nacionais e sobretudo a ausência de uma classe intelectual que tem o papel fundamental e urgente de influenciar a população desde as classes mais elevadas até o povo mais simples e carente de informações verdadeiras e necessárias para a manutenção da vida cotidiana. Para vencermos os nossos inimigos teremos que combater no campo estratégico de maior impacto psicológico, usando as armas adequadas e fortalecendo a cultura ocidental nos seus aspectos mais basilares: A língua nacional, a religião cristã e sua elite intelectual, pois é por meio da capacidade linguística que o ser humano consegue materializar suas ideias, visto que aquilo que não é pensado não pode ser executado e pensamos por meio da língua pátria, já a religião tem o papel exclusivo de nos conduzir até Deus por meio da purificação da alma, e por fim a formação da elite intelectual possibilitará que o debate de ideias se torne público e se liberte das cátedras universitárias, do jornalismo arrivista e da militância orgânica que hoje em dia estão à serviço dos movimentos partidários revolucionários.
Uma guerra cultural não é simplesmente um conflito entre discursos ideológicos, não se trata de saber quem tem ou não tem razão argumentativa. A guerra cultural é a conquista total e absoluta do campo psicológico, imaginativo, intelectual e espiritual e somente por meio de uma elevada estrutura simbólica e artística que seja capaz de permear e preencher a alma humana nos seus mais profundos recônditos é que uma cultura se sobrepõe e absorve uma outra de menor valor simbólico. Uma guerra cultural é o “bom combate” mencionado pelo apóstolo Paulo, aquele que se vence pela manifestação tácita da luz.
* Publicado originalmente no Burke Instituto, no dia 22 de março de 2022.
Mauricio Nunes
Recentemente vi uma entrevista de uma influencer jovem, com seus 20 anos de idade e milhões de seguidores, onde a moça afirmava que a sua geração reclama de tudo, não gosta de nada e se considera superior a qualquer outra geração do passado.
Achei corajosa a postura da menina, que eu sequer sabia que existia. Ela foi ao menos justa no comentário.
Eu acho divertido, por exemplo, a galera que inocentemente acredita que Lady Gaga inventou o discurso e as canções LGBT, ou que Pablo Vittar é uma espécie de visionário e provocador, mesmo fazendo o que Ney, David Bowie, Boy George, Little Richard, e tantos outros já fizeram com mais talento e muito mais elegância, afinal isto só comprova uma total e completa ignorância histórica das plateias de hoje.
Eu poderia listar, no mínimo, uns 100 artistas declaradamente gays e que criaram obras belíssimas com esta temática e que NINGUÉM sequer se importou, pois o lance era cantar junto, se emocionar, vivenciar, curtir a ARTE, não o panfleto, que convenhamos sempre foi algo careta e piegas.
Não há liberdade na militância.
Esta é uma regrinha básica que todo "jovem dinâmico" deveria compreender, mas dizer o que de quem bate palmas até para personagens caricatos como Greta Thumberg?
No Brasil, duas grandes estrelas do rock, imortalizadas e respeitadas tanto em vida quanto em morte, criaram hinos gays que eram (e ainda são) cantados por milhões de pessoas numa época em que, repito, ninguém dava a mínima para isto, pois gays, heteros, trans (Roberta Close) eram recebidos com carinho, respeito e completa admiração por todos, portanto qual história contaram pra esta molecada ressentida dos dias atuais?
Será que eles entendem a letra de "Daniel na Cova dos Leões"?
Alguma destas "celebridades envocadinhas" sabe o real significado da frase "aquele gosto amargo do seu corpo ficou na minha boca por mais tempo"?
E quanto "teu corpo é meu espelho e em ti navego"? Renato cantou isto em estádios lotados com coro de milhares de pessoas, sendo elas gays, heteros, não importa, todos gritavam em uníssono declamando juntos um belo poema musicado, que nitidamente fala sobre o amor entre duas pessoas do mesmo sexo.
Viram? Não era necessário usar palavrões ou frases de baixo calão. O amor sempre será AMOR, não importa o sexo dos envolvidos, e isto é que deve ser respeitado sempre.
Quem se incomoda com a cama do outro, provavelmente tem problema na própria.
Cazuza, homossexual assumido, porém completamente anti-bandeiras (o que é de se admirar ainda mais), cantou em pleno Rock in Rio a música "Narciso", onde a letra diz claramente "eu tenho tudo o que você precisa, e mais um pouco, nós somos iguais na alma e no corpo", claramente se referindo a uma paixão homossexual.
TODO MUNDO cantou junto e vibrou com Cazuza em plena cidade do rock aos olhos do mundo para tristeza de apenas alguns "malas" faias e companhia Ltda.
Entendem quando a gente diz que não haverá nada como os anos 80?
Músicas, letras, poesia, atitude, tudo estava ali, em excesso e muito bem digerida pelo público.
O que há hoje além de ódio, baixaria, reclamação sobre tudo?
E o que dizer da cereja do bolo do progressismo: conflitos entre gerações, credos, raças e opções sexuais?
Não caiam nesta balela, por favor.
Deixem a preguiça de lado e usem esta maravilha que vocês tem nas mãos (o celular, calma, tô falando do seu smart phone) e vão em busca de informações para que se aprenda com a história, para que assim possam descobrir a verdade além do cenário patético e burro que vendem para vocês.
Acreditem, vocês se surpreenderão.
* Texto Original A Toca do Lobo
** Marício Nunes, o autor, é jornalista, roteirista, dramaturgo, artista, criador da imperdível A Toca do Lobo e autor, entre outros de Playcenter, o ABC do Rock e Fragmentos de Uma Mente em Construção.
Valdemar Munaro
Os textos das 'Campanhas da Fraternidade' (promovidas anualmente pela CNBB) produzem no leitor quaresmal, atento e sedento, mistos de tristeza e desolação. É mísera a teologia aí encontrada e parca a reflexão sobre os dramas e mistérios do pecado e da morte que ferem a vida humana, sobre o amor de Jesus aos que sofrem, sobre as iniquidades sombrias que afligem o coração dos fiéis, sobre o sangue e a graça de Cristo derramados na cruz.
As fraternidades divulgadas e prometidas por tais Campanhas têm caretas cristãs, mas são essencialmente caiadas e kantianas. Têm o perfil dos imperativos morais, em tudo semelhantes aos grimpados nas obras do prussiano, Immanuel Kant (1804).
Iluminista de carteirinha, este conhecido e rebuscado filósofo alemão dos tempos modernos, pretendeu encontrar na faculdade racional as inteiras credenciais da decência humana. Morreu (12 de fevereiro), ironicamente, atormentado por alucinações e amnésias.
A prática cristã, para Kant, equivale à vida ética. O Cristo de Nazaré é apenas um homem moral excelente, dispensável às súplicas e preceitos evangélicos. Segundo sua filosofia, o homem não precisa de alavancas sobrenaturais para melhorar e suplantar ações morais e capacidades cognoscitivas. A razão tem coordenadas e imperativos suficientes que o possibilitam ser bom e digno da coroa da justiça.
Numa carta dirigida a Lavater, em 28 de abril de 1775, escreveu: "em lugar de propor como essencial a doutrina religiosa prática do santo mestre (Lehrer), (os apóstolos) defenderam a veneração desse mestre e uma maneira de buscar favores por meio de bajulações e louvores". Em outras palavras, Kant entende que os apóstolos deturparam os fatos e as palavras de Cristo, transformando-o em divindade. Ao invés de absorverem seus ensinamentos morais, fizeram dele um ser divino.
Ora, essa conclusão kantiana tem uma ousadia intelectual malandra. Sorrateiro anticristão, Immanuel Kant, desdenhou simploriamente as notícias neotestamentárias narradas pelos evangelistas: palavras, discípulos, milagres, morte, paixão, ressurreição, humanidade e divindade de Jesus de Nazaré. Prevalecendo a interpretação epistemológica dada por ele, os fatos registrados nos Evangelhos são claramente deturpados.
Como diz o poeta Heirich Heine, nada mais avassalador e aniquilador. A 'imoral' desonestidade intelectual de Kant inviabiliza a sua pretensa moralidade filosófica. O seu sacana apriorismo crítico foi capaz de criticar tudo, exceto a própria criticidade.
Católicos e protestantes, gentes das academias, ainda o veneram, sem desfazer o fato que sua doutrina fere a verdade cristã. Com razão, tardiamente (11 de junho de 1827), o magistério da Igreja católica o considerou não apenas um agnóstico, mas também "um velado ateu e pai de ateus".
A linguagem kantiana, astutamente, não exclui elogios ao Nazareno, mas, como dissemos, o faz apenas para adornar e complementar sua pedagogia ética. Mesmo negando a divindade, Kant se utiliza das qualidades humanas de Jesus para corroborar seus ideais morais abstratos.
Em outras palavras, a ética kantiana, incapaz, por si mesma, de exemplificar ideais morais humanos inexistentes, toma a excelência moral de Cristo (que é divino) para amostragem e vitrine. O 'Santo do Evangelho', como o designa, não é, para Kant, modelo, Deus e mestre a ser seguido, imitado, amado e adorado, mas apenas 'excelência moral', empiricamente demonstrada, possível e acessível a todos os homens.
Para o kantismo, só a racionalidade libertada da 'menoridade' (exigência e tarefa imprescindíveis aos pensantes), pode ser ferramenta e porta de acesso à vida adulta, autônoma e livre do indivíduo.
Em outros termos, os ideais éticos, segundo a doutrina kantiana, enraizados na íntima estrutura racional humana, postulam, peremptoriamente, uma vida prática decente. Os próprios divinos mandamentos, aparentemente revelados, não passam de códigos nascidos do estuário racional no qual estão enraizadas as credenciais necessárias à perfeição moral. Ser eticamente bom (estágio correspondente à vida cristã), é cumprir o dever e a justiça, nível comportamental 'qualificado' e suficiente à vida humana.
O tesouro da razão, conforme Kant, contém deveres e ideais 'imperativos' a serem obedecidos. Eles nos bastam. Dispensam-se, portanto, santidades cristãs, autoridades externas, dogmas, dons ou suplementos extra racionais. Mestra e guia é somente a razão dentro da qual se deve permanecer, pois fora dela só há superstição e dogmatismo.
Como se vê, Kant amesquinha a vida cristã estreitando-a aos muros racionais e usa a fé unicamente como instrumento de ação pragmática. O efeito é devastador, pois propõe uma crença ficcional, isto é, uma fé em um Deus inexistente.
A doutrina racionalista kantiana, assim, não realiza apenas a proeza apocalíptica do 'nem frio, nem quente (3, 16) que, simultaneamente, amorna crentes e ateus, senão também cria rupturas metafísicas niilistas, de um Deus sem mundo e de um mundo sem Deus, de uma existência vazia de divino, de um divino vazio de existência.
Nenhuma outra época como a nossa experimentou, justamente, tristes avalanches de solidão e desespero, loucura e violência que aquelas premissas fomentaram. Que mundo seria o sem Deus? E que Deus seria o sem mundo? Se Ele não nos tivesse consigo, também não O teríamos conosco. Do mesmo modo, se planetas tresloucados ficassem indo e vindo elipticamente, sem eira, nem beira, sem origem e sem destino, exterminariam absolutamente o sentido e a razão de ser de nossa frágil existência.
O deicídio intelectual e moral no homem contemporâneo abriu, por consequência, comportas de psicopatias nunca vistas. Alucinantes e inimagináveis gritos de dessacralizados e sem esperança ecoam por todas as partes invocando amor e significado para o que fazem e vivem. Se Deus não estiver conosco, seremos apenas frangalhos de explosões ridículas e ocas do acaso.
Sabemos, porém, que não é assim. O agnóstico e sarcástico Voltaire (1778) entendeu bem que a negação absoluta de Deus inviabilizaria tudo, sobretudo a vida humana. Por isso saiu em defesa da sensatez dizendo: "Se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo".
O estudioso Eric Voegelin, por sua vez, considerou que as serpentes nazistas e suas consanguíneas (comunismo, fascismo) só puderam eclodir seus ovos porque ninhos culturais alemães e europeus os chocaram fecundados por doenças 'pneumáticas'. As enfermidades espirituais, com efeito, infectam sobremaneira intelectuais sendo mil vezes mais perigosas que as do corpo.
Houve e há, como se vê, intelectuais seguidores de Kant. O célebre teólogo protestante, Rudolf Bultmann (1884 -1976), por exemplo, foi um deles. Sob feitiços kantianos que orientaram sua mente, produziu uma teologia que destrói a fé dos que têm Deus e o Deus dos que têm fé. Igual a Kant, postulou uma crença sem conteúdo, desvestida de história, fatos e presenças reais.
Pela lógica kantiana (e bultmanniana), qualquer pessoa poderá ser cristã sem precisar de Cristo já que o importante é a 'ideia', útil e eficaz do mesmo posta a serviço da ignição e da ação preferencialmente revolucionária.
Por este caminho somos conduzidos a esquizofrenias e catástrofes espirituais: fés esvaziadas da presença real de Cristo e presença real de Cristo inacessível ao coração humano. Se a racionalidade for a rainha do pedaço, a única a postular condições para haver encontro vivo e real com o Senhor, então a vida e a graça de Cristo nunca nos acontecerão. As vidas éticas estão sempre emaranhadas de teias racionais que condicionam o encontro e o acesso à Boa Nova de Jesus. Muitas vezes, porém, são a ruína do edifício cristão.
Vemos como os mecanismos éticos e teóricos kantianos fazem de Jesus um adorno moralista posto à disposição de catequeses e doutrinas 'fraternalistas'. Teólogos da libertação e seus agentes fazem o mesmo que fez Bultmann. Sob vestimentas aparentemente cristãs escondem corações e mentes não fixadas em Cristo, mas em ideais, preferencialmente socialistas e revolucionários, nos quais as fraternidades são imaginariamente dependuradas. Ali, na própria fraternidade imaginada, adornam o Cristo que por sua vez os adorna.
Das tentações de Jesus no deserto há a da fome e do pão (Campanha da Fraternidade, 2023). Cristo, faminto e solitário, é visitado pelo demônio que o instiga a solucionar o gigantesco problema da fome no 'canetaço': "Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães" (Mt 4, 3).
Poder-se-ia quase dizer: 'Deus do céu! Por que não facilitar as coisas invertendo e reformulando a criação, fazendo o amor não ter renúncias, o pão não ter suor, os filhos não ter sacrifício, a liberdade não ter responsabilidade, a riqueza não ter trabalho?!'
Mas Jesus nos ilumina: "Não só de pão vive o homem". O Filho do Homem sabe que o pão necessário ao corpo, não é tudo o que precisamos, pois o entupido de pão não é capaz de partilhá-lo. Morre com ele.
A assustadora fome corporal que assola os homens, porém, não é pior que a morte. Saciados e bem nutridos, estão na iminência de morrer tanto quanto famintos. 'Farturas' de miséria se aproximam das 'misérias' de fartura e corpos bem nutridos podem se reunir apodrecidos aos mesmos túmulos dos mortos pela fome.
Quem nos assegura o 'vigor da uva', a vida, o pão e a fraternidade é o Crucificado Ressuscitado. Sem Ele, com Ele e por Ele nosso pão mofaria, nosso trigo caruncharia, nosso vinho vinagraria, nosso fermento azedaria, nosso azeite rançaria e nossa fraternidade seria afetação diplomática.
Famintos, pobres, doentes, decaídos, endividados, carentes de toda ordem, presas fáceis da 'compaixão' política e sociológica, normalmente afetada, são os primeiros a serem vistos e visitados por demônios que os quer sempre desvalidos, perpetuamente 'cativos' na duradoura dependência lhes dá guarida a caridades hipócritas. Vê-se que vulneráveis 'amam' benfeitores e benfeitores 'amam' vulneráveis exatamente na recíproca colaboração que apazigua e acalma consciências morais.
Evocando ideais que poderiam ser promovidos em qualquer lugar, tempo e religião, teólogos, bispos e assessores 'libertadores' proclamam Campanhas da Fraternidade encharcadas de síndromes kantianas temperadas de pelagianismo e romanticismo, teses exaltantes e exultantes de fraternidades fáceis e baratas. Pressupõem o amor cristão surgindo mágico de catequeses e conscientizações, decretos e propagandas, sermões e cânticos, textos e técnicas pastorais.
As moralidades kantianas uniram-se ao espírito revolucionário marxista pondo lenha no fogo 'teológico libertador' de metas sempre surrealistas. Infelizmente, ideais surrealistas produzem na alma dos próprios protagonistas, atitudes invertidas de hipocrisia e/ou rebeldia. O comunismo, por exemplo, é um ideal tão alto, tão excelso, só possível fora da face da terra. Nas condições humanas, porém, produz o efeito de transformar comunistas em hipócritas ou rebeldes já que a impossibilidade de ser vivido faz o vivente ser fingido ou revoltado. Fraternidades adornadas e fingidas sobram aos cântaros. Delas não precisamos.
'Comovidos' e 'comprometidos' com os famintos do Brasil, entre eles políticos e católicos moralistas de plantão (como Ackmin, Lula, Haddad e tutti quanti), não fossem fingidos teriam destinado vultoso dinheiro aos desabrigados de SP e nada aos desfiles e artistas da Sapucaí.
Onde está o 'amor fraterno petista' pelos milhões esfomeados brasileiros? Revelam-se tão perversos quanto parlamentares europeus socialistas, situados em Bruxelas, que se 'mostram' comovidos com os 'terremotados' turcos sem diminuir uma gota de suas benesses (pagos pela população) para ajudá-los. São portadores de amores e comoções vernizados num rosto 'cosmético' de hipocrisias e mentiras.
Muitos dos promotores das Campanhas da Fraternidade no Brasil apoiam governantes e políticos anticristãos, abortistas, ladrões, empenhados na liberação de drogas e do crime, dispensando-lhes salamaleques e favores.
Aos protagonistas e promotores de tais campanhas, os sedentos de fraternidade perguntam: "Onde morais? Mostrai-nos a fraternidade que ensinais e com quem a praticais para que também a possamos viver e saborear. Porém, se não tendes como no-la mostrar, se não tendes como no-la testemunhar, então, calai-vos! Vossos julgamentos, admoestações e mandamentos se assemelham 'aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão. Por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?" (Mt 23, 27s).
* Santa Maria, 24/02/2023
** O autor, Dr. Valdemar Munaro, é professor de Filosofia.
Raul Jafet
A frase parece trocada, mas infelizmente é o retrato que vejo hoje, mundo afora, sobre os filhos que estamos deixando nos substituir, para viver e participar do mundo futuro já presente.
Jamais pensei que seria saudosista, afinal, procuro estar sempre atualizado, principalmente na tecnologia, um sonho que acompanho se tornar realidade a cada instante.
Recentemente uma frase que li, me inspirou a escrever esse artigo:
"Os filhos de hoje sabem o preço de tudo, mas o valor de nada!"
Cada vez mais afastados da religião, da família, os valores éticos e morais que nos foram transmitidos durante gerações, vão se perdendo a olhos vistos, substituidos pelo "importante é ser feliz, custe o que custar" .Os fins justificam os meios...pelo sucesso e poder, se abatem uns aos outros, se afundam em bebidas e outras drogas, vivem o hoje....o futuro, e a provisão estão longe de suas prioridades.
Os adolescentes, por sua habilidade na tecnologia, desprezam os pais - heróis em nosso tempo - considerando-os apenas provedores de seus Iphones, roupas, games, baladas...
Por isso, em pouco tempo, apareceram 54 tipos de gênero - antes só o masculino e feminino - pela dificuldade em se situar em algum deles, e vão nos obrigando - graças aos poderosos que estão por trás disso - a modificar a linguagem que aprendemos nos bancos escolares, para não ferir as suscetibilidades das frágeis e confusas cabecinhas, que após terem passado da adolescência e juventude, ainda não decidiram o que são e como se situam nesse mundo....
Durante o último período eleitoral brasileiro, exacerbaram-se rancores entre pais e filhos...esses, incapazes de aceitar a experiência e vivência dos mais velhos, respondiam com desprezo e descaso às considerações dos familiares....ouvi de muitos pais, que seus filhos pareciam inimigos dentro de casa....
A competitividade, a luta por espaços cada vez mais reduzidos, a falta de estrutura familiar, somados a fenômenos climáticos cada vez mais devastadores, os conflitos entre nações que continuam fazendo milhões de vítimas, experiências atômicas e biológicas, estranhas pandemias e suas ainda mais estranhas vacinas...uma decadência acentuada do mundo Ocidental, propõe rapidamente, severas e trágicas modificações do mundo como o conhecemos.....cabe a reflexão de onde é que erramos, continuamos errando... como sucumbimos às irremediáveis mudanças e não demos os alicerces necessários, como nossos filhos irão enfrentar o que está porvir e de que forma transformarão o mundo? ????
* Raul Jafet, autor do artigo, é engenheiro, jornalista e empresário.
Gilberto Simões Pires
FORMATOS
Segundo Theodore J. Lowi, cientista político americano que ganhou notoriedade como professor e pesquisador da Universidade de Cornell, EUA na área de -POLÍTICAS PÚBLICAS-, esta concepção assume QUATRO FORMATOS: -POLÍTICAS REGULATÓRIAS, POLÍTICAS DISTRIBUTIVAS, POLÍTICAS REDISTRIBUTIVAS E POLÍTICAS CONSTRUTIVAS. Mais: esta classificação é feita de acordo com os impactos de custos e benefícios que os grupos de interesse esperam de uma política determinada.
SOLUÇÃO DE PROBLEMAS
A partir daí, sem muito esforço mental, é possível concluir que -POLÍTICAS PÚBLICAS-, geralmente referida no plural, é uma concepção institucionalizada que, em princípio, tem como propósito o encaminhamento da SOLUÇÃO DE PROBLEMAS PÚBLICOS QUE AFETAM A COLETIVIDADE. Como tal se define como uma soma das atividades que os governos escolhem e decidem : 1- FAZER OU PROPORCIONAR QUE OUTROS FAÇAM; ou 2- NÃO FAZER NEM PERMITIR QUE OUTROS POSSAM FAZER.
ATORES PÚBLICOS E PRIVADOS
Ora, por tudo que já está mais do que provado e comprovado, o sucesso das POLÍTICAS PÚBLICAS é resultante da soma do envolvimento e das participações de ATORES PÚBLICOS (governantes, burocratas, tecnocratas, etc) e de ATORES PRIVADOS (empresários, trabalhadores etc.), que atuam de modo -concertado- antes, durante e depois do estabelecimento de um projeto a ser desenvolvido.
SANTA CATARINA E BAHIA
Feitas estas importantes considerações vejam a seguir, por exemplo, o que acontece em Santa Catarina, que nunca foi governada pelo PT e compare com o que acontece na Bahia, que nos últimos 16 anos foi governada pelo PT: De novo: enquanto que em SC boa parte dos projetos e/ou POLÍTICAS PÚBLICAS são discutidos e/ou tocados pelos DOIS ATORES -PÚBLICO E PRIVADO-, na Bahia os números -péssimos- falam por si.
RESULTADO DOS ÚLTIMOS 16 ANOS
1- DESEMPREGO: Bahia -taxa de 15,6%, Santa Catarina - taxa de 3,9%;
2- ANALFABETISMO: Bahia - taxa de 13,2%; SC - taxa de 2,3%;
3- HOMICÍDIOS: Bahia - 46 por100mil; SC - 4,6 por 100 mil;
4- AUXÍLIO BRASIL: Bahia 2, 2 milhões; SC 186 mil
Autor desconhecido (em todo caso, meus aplausos)
Um engenheiro caminhava no campo quando percebe um balão voando baixo.
O balonista acena desesperadamente, consegue fazer o balão baixar o máximo possível e grita:
- Pode me ajudar? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às 2 horas da tarde,
mas, já são 4 horas e nem sei onde estou.
- Poderia me dizer onde me encontro?
O homem no campo responde:
- Sim! Você se encontra flutuando a uns cinco metros acima da estrada; está a 33 graus de latitude sul e 51 graus de longitude oeste.
O balonista escuta e pergunta, com sorriso irônico:
- Você é engenheiro?
- Sim, senhor! Como descobriu?
- Simples! O que você me disse está tecnicamente correto, porém, sua informação não me é útil e continuo perdido! Você tem que me dar uma resposta mais satisfatória pois se eu continuar perdido a culpa será sua.
O engenheiro raciocina por segundos e depois afirma ao balonista:
- E você é petista!
- Sim, sou filiado ao PT! Como descobriu?
- Fácil!
- Veja só: Você subiu sem preparo e sem ter a mínima noção de orientação!
- Não sabe o que fazer, onde está, e tampouco para onde ir!
- Fez promessa e não tem a menor ideia de como conseguirá cumpri-la!
- Espera que outra pessoa resolva o seu problema, continua perdido e acha que a culpa do seu problema passou a ser minha!