• Luiz Carlos Da Cunha
  • 08 Outubro 2015


“A geografia prefigura a história” (Euclides Da Cunha)

Há um século e dez anos Euclides Da Cunha publicou o ensaio histórico intitulado O primado do Pacífico, profetizando sobre severos termos estatísticos da época, o determinismo da república americana no viés integracionista ao comércio asiático. À ocasião despontava como seu parceiro principal o Japão, e, de longe, o Império do Meio esboçava inclinar-se da influência inglesa ao anelo americano.

 Desde então até hoje, episódios surpreendentes e dramáticos estremeceram a instabilidade histórica mundial: a derrota do Japão na II Guerra Mundial, a criação da republica Popular da China em 48, a ousada virada diplomática de Nixon–Kissinger em 1972, estabelecendo relações com o inimigo, e assoalhando a escalada comercial de trinta anos de parceria interdependente das duas maiores potências econômicas mundiais.

Assistimos agora o presidente Obama anunciando a formação do acordo Transpacífico, com dez países distanciados 20 mil quilômetros de mar, do oeste asiático à margem oeste da América, articulados na maior malha marítima comercial ao peso respeitável de 40% do PIB mundial. O acometimento foi fermentado em oito anos de tratativas diplomáticas, econômicas, jurídicas e comerciais. Nele se exclui adrede a China. E por razões de prudência e pragmatismo; a China – agora parceira - ao embalo de seu crescimento ininterrupto, expõe explícitas e ambiciosas demonstrações de força sobre as nações circunvizinhas. A criação desta coalizão comercial debruçada sobre o Pacífico liderada pelos EEUU, credencia Obama entre os grandes condutores da presidência americana. Visão estratégica de cem anos.

A presença do Chile Peru e México relegou ao ostracismo os países prisioneiros do MERCOSUL, que há vinte anos desacertam um tratado comercial com os USA e a União Europea. As conseqüências mais percucientes da Parceria Transpacífico para conosco , na perspectiva de duas décadas no concerto mundial do comércio, são nada animadoras. O Brasil pagará um alto preço pela insensatez diplomática dominante nesta década. Nossa diplomacia estiolou-se.
 

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  • Eliane Catanhêde - Estadão
  • 06 Outubro 2015

Podem anotar aí: a próxima etapa da “reforma ministerial” do Lula é limar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Lula demorou a exercer seu domínio sobre a pupila Dilma Rousseff, que esperneou o quanto pôde, mas, agora, ele não vai parar mais. A intervenção no governo, ou o impeachment branco, vai longe.

A estratégia e o cronograma do ataque a Levy, cada vez mais estranho no ninho, já está claríssima: deixar que ele faça o “trabalho sujo” e depois jogá-lo às traças, ou de volta aos bancos. Como “trabalho sujo”, entenda-se a correção de rumos, o ajuste fiscal, o aumento de impostos, o corte de gastos.

Depois, põe-se a culpa nele por tudo o que der errado, aponta-se Levy como o “inimigo do povo, o algoz dos pobres, o neoliberal, o que manchou os ideais do PT” e parte-se para uma política a la Lula: muito crédito barato, consumo, populismo e oba-oba. Embevecido com os seus oito anos, movidos pelos ventos externos, pelo efetivo processo de inclusão social e por sua inegável capacidade política, Lula acha que pode recuperar a deificação perdida e voltar nos braços do povo em 2018. Mas as coisas mudaram e mudaram muitíssimo, dentro e fora do País.

Os sinais da estratégia e da cronologia do ataque de Lula a Levy estão aí na praça, a céu aberto. Começaram com declarações daqui e dali de lulistas empedernidos, foram formalizados pela Fundação Perseu Abramo, viraram conversa animada no Congresso e disseminaram-se pelos restaurantes onde a pauta é “como salvar a pátria”. Leia-se: como salvar Lula e o PT.

Dilma não decide mais nada. E quem decide - Lula e os seus - imagina que a reforma ministerial, com o corte de 39 para “só” 31 ministérios, a dança de cadeiras e a invasão desenfreada do PMDB, vai resolver dois problemas imediatos: arquivar os processos de impeachment e possibilitar o aumento de receita, seja com a CPMF ou com outras ideias engenhosas do tipo.

Dois fatores são fundamentais. Eduardo Cunha não vale mais um tostão furado, seu destino aponta para a renúncia ou a cassação. E Lula acaba de ganhar um substituto não só à altura de Gilberto Carvalho, mas muito, muito, muito mais hábil como seus olhos, ouvidos e voz no gabinete presidencial: o carioca-baiano Jaques Wagner. Malandro, cheio de lábia, Wagner é o único grão petista que consegue ser, ao mesmo tempo, lulista e dilmista. Haja competência política! Que ele vai exercitar com a “base aliada”.

Depois do Congresso amansado, com o leão Cunha desdentado e a raposa Wagner botando as unhas de fora, o passo seguinte é “cuidar da economia”. Não interessa o custo para o País e o futuro, o que realmente importa é tomar um rumo que garanta a recuperação da popularidade esgarçada e o reencontro do PT com suas bases. Com Levy é que não seria.

“É a economia, estúpido!”, lembram-se? Depois de dar carne às feras aliadas, será a vez de dar sangue às bases e aos eleitores. Não pode ser o de Dilma, que precisa manter a cadeira para evitar que o vice Michel Temer puxe o PSDB de volta ao Planalto. E muito menos pode ser o de Lula, que é o eixo de tudo e um sobrevivente por natureza. Logo, o próximo a ser estraçalhado e jogado à opinião pública será Levy.

Quem vai levantar um dedo para defendê-lo no Planalto, no governo, no PT, na Fundação Perseu Abramo, no MST, na UNE, no MTST? Viv´alma. Se foi fácil desfazer-se até dos ícones José Dirceu e José Genoíno, será facílimo desvencilhar-se de Levy, como culpado número um. Só tem aquele probleminha: todo mundo sabe que a tragédia da economia começou com Dilma1, que as soluções populistas serão um novo desastre e que, apesar de Lula estar mandando e desmandando, a Lava Jato vai continuar firme e forte com ou sem Levy, com ou sem José Eduardo Cardozo. Eles saem, os problemas ficam. E tendem a piorar muito, inclusive para Lula. Gato comeu. E o PSDB, hein?! O PMDB usou, abusou e jogou fora.

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  • Luciano Henrique
  • 06 Outubro 2015

(Publicado originalmente em http://lucianoayan.com/)

Acabei de ler um troço inacreditável, que por si só já deveria levar o Sr. Luís Inácio Lula da Silva para a cadeia. Está na notícia Lula critica Foro de São Paulo e propõe nova organização de esquerda, do Estadão. Bem lembrou Ricardo Almeida, no Facebook: “O Estadão diz que Lula critica uma organização que não existe e propõe criar outra que eles vão esconder a existência no futuro.”

Diz o Brahma, em evento que contou com a presença do vice-presidente da Bolívia, Alvaro Linera:
Faço o mea culpa. O PT não soube transformar em grandeza de política internacional aquilo que fizemos aqui no Brasil. O PT poderia ter feito muito mais. Nós ficamos só no Foro de São Paulo e cada vez com menos gente importante comparecendo. Temos que criar um instrumento na América Latina para unificar as forças de esquerda.
Quer dizer: já não estão satisfeitos com o butim. O caso é que os partidos do Foro já saquearam todos seus países, e daí, em um mundo globalizado, estão se complicando. Por isso, estão tendo que apelar a golpes mais radicais e muita violência para se sustentar no poder. Mas isso dá trabalho. Qual a solução? Organizar mais países no “esquema”.
Mas a coisa ainda piora. Veja isto:

Petrobrás. Ao lado do segundo homem na cadeia de comando da Bolívia, Lula revelou que foi consultado por Evo Morales, então candidato a presidente do país vizinho, sobre a possibilidade de estatizar as plantas da Petrobrás em território boliviano.

“O Evo me perguntou: ‘como vocês ficarão se nós nacionalizarmos a Petrobrás’. Respondi: ‘o gás é de vocês’. E foi assim que nos comportamos, respeitando a soberania da Bolívia”, disse Lula.

No dia 1º de maio de 2006, assim que assumiu o poder, Morales determinou a nacionalização de toda cadeia de exploração de gás e petróleo da Bolívia e a ocupação militar das plantas, inclusive da Petrobrás, sob alegação de que as petroleiras ganham muito, pagam pouco ao Estado e que os contratos haviam sido fechados em governos anteriores sob suspeitas de corrupção. A estatal brasileira havia investido US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) no país andino desde 1997.

É isto!
O Foro de São Paulo também serve como um cartel, cujos membros combinam táticas e métodos para tomar o poder totalitário, e utilizarem o dinheiro suado de seus pagadores de impostos para manutenção de ditaduras. Conforme a necessidade, um líder político ajuda o outro. Basicamente como funciona um cartel do tráfico de drogas.
Mas será que Lula havia bebido nesse dia? Pois ele soltou a língua e confessou ser um entrevista, praticando um crime contra o Brasil. Ele não podia combinar o jogo em um cartel dessa forma, pois a Petrobrás não é sua propriedade privada. Ele só poderia ser considerado inocente se conseguisse convencer aos demais de que “não sabia de nada”, mas suas declarações demonstraram o exato oposto.

Fica a pergunta: será que ninguém vai fazer nada?
Outra dica: há muitos direitistas que acham que os ataques ao Foro de São Paulo devem ser priorizados (enquanto outros acham que priorizar o ataque ao PT, neste momento), é melhor. Para os primeiros, que tal transformarem esse discurso em realidade e exigirem que deputados não-bolivarianos do Brasil exijam a prisão do Sr. Lula e, agora sim, punições mais assertivas ao PT, pelo crime de lesa-pátria?

 

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  • Gilberto Simões Pires
  • 05 Outubro 2015

(www.pontocritico.com)

MALDIÇÃO
A noticia divulgada hoje, no jornal O Globo, que trata das infames e injustas pensões vitalícias pagas pelo governo a pelo menos 60.707 filhas, maiores de 21 anos, de funcionários civis da União, tem tudo a ver com que venho escrevendo nos últimos editoriais do Ponto Critico.
 

AUMENTO DE IMPOSTOS
Estou certo de que ao ler o texto publicado em O Globo, os leitores entenderão, claramente, as razões pelas quais o governo está tão interessado em aumentar a arrecadação tributária. Olhem só o tamanho do absurdo:

FILHAS SOLTEIRAS
Há beneficiárias que recebem pensão há pelo menos 25 anos. A lei que prevê a pensão a filhas solteiras foi instituída no caso dos servidores civis, em 1958, e diz que para manter o privilégio, basta que elas se mantenham solteiras e não tenham cargo público ou outra ocupação capaz de prover subsistência.
A lei foi extinta em 1990, mas as beneficiárias que já tinham a pensão seguiram recebendo o dinheiro. Pode?

2,4 BILHÕES/ANO
A maior parte das pensionistas está no Executivo Federal. Elas corresponde a 60.461 benefícios, cujo valor médio é de 3.048,46 reais mensais, conforme informou o Ministério do Planejamento. O impacto estimado APENAS AOS COFRES DO GOVERNO FEDERAL ( tem muita coisa tipo nos Estados) equivale a 2,4 bilhões de reais por ano.

SENADO
No Senado, o recurso é distribuído a 195 mulheres e consumirá 32,55 milhões de reais apenas neste ano. Dessas pensionistas, 49,2% recebem mensalmente mais de 10.000 reais e outras 23,5% ganham acima de 20.000 reais. Onze mulheres recebem 30.000 reais ou mais - respeitando o teto do serviço público, que é de 33.700 reais.

1a CLASSE
Além da estúpida e injusta ESTABILIDADE NO EMPREGO, que só existe no setor público, a sociedade ainda é obrigada a sustentar o escândalo das aposentadorias e pensões dos chamados - servidores -, considerados de 1a Classe.

OUTRA FORMA
Como não há santo que consiga acabar com a CLASSE DOS PRIVILEGIADOS, quem sabe tentamos outra forma: forçando a barra para fazer com que a turma da 2a CLASSE seja promovida.

 

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  • Paulo Moura
  • 04 Outubro 2015


Prof. Paulo Moura - professorpaulomoura.com.br

Uma breve passagem pelo noticiário sobre dos desdobramentos da recém-concluída(?) reforma ministerial do governo Dilma revela alguns consensos:

1. Lula entrou de cabeça na operação política;
Com isso, o petista comprometeu-se definitivamente com a condução política do governo, passando a ser uma espécie de ministro-chefe sem pasta. Por mais que Jaques Wagner e Berzoini venham a ser negociadores e executores dos próximos movimentos do Planalto, Lula terá que ser o fiador e, muitas vezes, ele mesmo terá que agir para garantir a eficácia daquilo que for deliberado. Em política é sempre difícil fazer-se afirmações definitivas sobre o que pode vir a acontecer, mas, esse lance tem as características de “última cartada”. Lula é a última bala. O PT dificilmente terá outra oportunidade se essa jogada fracassar.

1. Dilma tornou-se irrelevante, mas o PT ganhou algum fôlego;
O PT mata um leão por dia na ânsia de permanecer no poder. Uma mudança da magnitude dessa que Lula acaba de patrocinar sempre exige dos demais players um certo tempo para avaliarem o cenário e se reposicionarem. Isso, por si só, coloca em questão o calendário das ações patrocinadas pelos adversários do PT. É hora de o TCU rejeitar as contas da Dilma ou vale protelar? É hora de prosseguir com a tramitação do impeachment ou vale segurar mais um pouco? É hora de voltar às ruas? Se três manifestações com milhões de pessoas nas ruas não foram suficientes para derrubar Dilma, o que será preciso fazer para consumar o impeachment?

Os movimentos anteriores de Dilma tiveram fôlego curto. Em pouco tempo as “mudanças” que Dilma patrocinou se mostraram ineficazes. Em seguida o rio dos acontecimentos que conduz a conjuntura na direção do impeachment retomou seu curso e a presidente se mostrou mais encurralada pela sua incompetência política até o momento em que se rendeu a Lula.

Dessa vez a mudança foi efetiva. Em primeiro lugar, porque a operação política mudou de mãos com a substituição de Dilma e Mercadante por Lula, Jaques Wagner e Berzoini. Em segundo lugar, porque novos segmentos do PMDB foram trazidos para dentro do governo, sugerindo possíveis obstáculos à tramitação do impeachment.

1. Cunha está ferido, mas não está morto;
A revelação das contas de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) na Suíça, visivelmente abalou sua imagem e roubou-lhe força para agir com a desenvoltura com que vinha pautando a agenda antipt. Para os partidos de oposição e os movimentos de rua, ficou, no mínimo, constrangedor associar-se a Cunha daqui para frente. Mesmo assim, nada impede que sigam atuando de forma combinada.

Por outro lado, Lula patrocinou um movimento inteligente de cooptação de liderados (ou seriam ex-liderados?) de Cunha, apostando no possível ocaso da liderança do presidente da Câmara dos Deputados dentro do PMDB. Mas, Cunha segue no cargo, no controle da tramitação da pauta e da agenda do impeachment e, agora, com maiores razões para querer vingança de quem o teria ferido de morte.

A dúvida que o futuro logo responderá é: o PMDB vai entregar o que Lula comprou?

2. O PT reposicionou-se no governo;
A imprensa, de modo geral, apontou enfraquecimento do PT no governo. Discordo. Se os movimentos que Lula está patrocinando derem certo a ponto de tirar o governo das cordas, o PT terá ganhado poder.

Ninguém na imprensa percebeu dois lances estratégicos muito importantes que Lula bancou na reforma ministerial. O primeiro deles foi alojar Miguel Rosseto no ministério dos sindicatos, agora com orçamento turbinado pela fusão com a Previdência. Nesse momento em que o STF proibiu financiamento empresarial das campanhas, irrigar os sindicatos com polpudos repasses governamentais pode ser uma forma de o PT retomar (se é quem um dia abandonou), o conhecido método de usar os sindicatos para “alavancar” candidatos de esquerda. Afinal, embora vivam de dinheiro público, os gastos dos sindicatos não são controlados pelo TCU e nem por qualquer outro órgão que os audite externamente. Igualmente, nunca se viu a Justiça Eleitoral jogar a lupa sobre a forma como os candidatos oriundos do sindicalismo financiam suas campanhas.

O segundo foi a extinção do Gabinete de Segurança Institucional e a transferência das responsabilidades (ABIN, inclusive) a ele atribuídas das mãos de um General (que abriu a boca, diga-se de passagem), para as mãos de Berzoini. Se, a esse gesto se somar o decreto de Jaques Wagner (que não foi revogado, de fato) retirando do Comando das FFAA o poder deliberativo sobre promoções, ver-se-á em andamento uma estratégia deliberada de aparelhamento dessa área, de grande utilidade nas disputas de poder que se travam longe da vista ingênua dos leigos.

Se, por um lado, Lula patrocinou movimentos decisivos para comandar a política do governo, o mesmo não se pode dizer sobre a gestão da economia. A imprensa especula sobre a eventual substituição de Joaquim Levy (que iria para o BC) por Henrique Meirelles, que assumira o ministério da Fazenda. Se confirmada, essa jogada visaria contornar o segundo rebaixamento do Brasil por mais uma agência de rating (Fitch), e ganhar tempo para o governo assaltar nossos bolsos com mais impostos de modo a conter a deterioração das contas públicas e das suas débeis condições de governabilidade.

Mesmo com todo esse esforço, tudo indica que a volta da CPMF não passa no Congresso devido à dificuldade de aprová-la com maioria de 3/5 nas duas Casas Legislativas com duas votações em cada uma. O governo terá que buscar alternativas, e rápido. Por outro lado, quanto mais busca meter a mão no bolso da população, mais insatisfação e impopularidade causa. A deterioração da economia se acelera e o agravamento da situação tende a gerar fatos capazes de chacoalhar o tabuleiro e embaralhar as peças que Lula recém “organizou”.

Se isso acontecer, o PT terá que enfrentar um PMDB reposicionado, ocupando maiores fatias do governo, e sempre com a possibilidade do impeachment ao alcance da mão. Cunha, que controla o calendário do impeachment, aparentemente, não foi comprado e quer vingança. Temer segue reticente, distante e enigmático. Tendo ido até onde foi, fica difícil ao vice retroceder. A convenção nacional do PMDB, na qual seria anunciado o desembarque do governo, segue marcada para 15/11. Faltam seis semanas. Uma eternidade prenhe de imprevisibilidades.

O TCU pode rejeitar as contas de Dilma essa semana. A Fitch pode rebaixar o Brasil a qualquer momento. Sérgio Moro não está parado e as investigações sugerem Lula cada vez mais próximo da prisão. Nos grupos que convocam as manifestações nas mídias sociais já se discute a volta às ruas em 15/11 e a radicalização das ações preparatórias visando constranger de forma mais incisiva os aliados do PT no TCU; no STF e no TSE.

 

 

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  • Carlos I. S. Azambuja
  • 04 Outubro 2015


(Publicado origialmente em www.alertatotal.net)

Os terroristas são como baratas. Para cada uma encontrada existem centenas escondidas.

Desde o primeiro atentado ao World Trade Center em 1993, passando por um tiroteio diante da sede da CIA, até à bomba nos Jogos Olímpicos de Atlanta, entre outros, nenhum desses acontecimentos havia sido imputado pela CIA ou pelo FBI a algum organismo denominado Al Qaeda.

No dia 11 de setembro de 2001, os EUA e o resto do mundo puderam ver que um pseudo-financista excêntrico havia sido associado, de modo distante e especulativo, a um ou dois eventos mas não responsabilizado por eles. Segundo a CIA, talvez ele estivesse ligado ao fracassado atentado a americanos no Iêmen, em 1992, e provavelmente houvesse certa conexão entre ele e Ramzi Youssef, que praticara o atentado ao World Trade Center em 1993 e fugira para as Filipinas. Supostamente conhecidos, os responsáveis pelos atentados terroristas discutidos pela mídia formavam um conjunto desconexo, com ameaças aparentemente controláveis: à Inteligência iraquiana, pelo atentado ao ex-presidente Bush; à Inteligência iraniana, pelo atentado à Força Aérea Americana nas Torres de Khobar, na Arábia Saudita; dois americanos excêntricos, pela bomba de Oklahoma; um clérigo egípcio, pelo plano para explodir os túneis da cidade de Nova York; um aspirante a policial, atuando como guarda de segurança, pela bomba nas Olimpíadas de Atlanta; um grupo de sauditas, logo decapitados pelas forças de segurança, pelo atentado à bomba contra a missão norte-americana em Riad; e um atentado à bala matando dois agentes da CIA, nas portas da Agência, praticado por Rim Amal Kansi, que quatro anos depois seria capturado no Paquistão por uma equipe da CIA.

Esse padrão regular de destruição e mortes fez com que a administração Clinton iniciasse uma escalada de verbas destinadas ao antiterrorismo. Paralelamente, Clinton enfocou o terrorismo em uma série de discursos importantes: na Academia da Força Aérea, em Oklahoma, na Universidade George Washington, em Annapolis, duas vezes nas Nações Unidas, duas vezes no Monumento aos Mortos do vôo Panam 103, na Casa Branca, em Lyon, França e em Sharm e-Sheik, no Egito. No entanto, a maior parte da mídia ignorou essas advertências.

Enquanto alguns funcionários federais encontravam-se alarmados diante da ascensão do terrorismo e trabalhavam diligentemente contra ele, outros, inclusive no FBI e na CIA, davam mostras de não terem percebido ainda a urgência do assunto. É isso que nos dizem os livros que resgatam esse passado.

Hoje sabe-se que o atentado ao World Trade Center, em 1993, fora uma operação da Al-Qaeda. Na ocasião, todavia, esse evento foi atribuído pela CIA e pelo FBI a Ramzi Youssef e ao xeque cego Omar Abdel al-Rahman, ambos presos em 1995, e mais Muhammad Sadiq Awda. Todos condenados pelos tribunais norte-americanos. Circulavam rumores de envolvimento árabe nos incidentes contra as tropas norte-americanas na Somália, mas a CIA não conseguiu confirmá-los.

Os detalhes do atentado à missão americana de treinamento militar em Riad não foram bem esclarecidos devido à falta de cooperação saudita. O atentado a Khobar, na Arábia Saudita, foi praticado pelo Hezbollah saudita, sob a estreita supervisão da Guarda Revolucionária do Irã. O Irã organizara também atentados terroristas em Israel, Bharein e Argentina.

Os atentados de Oklahoma e Atlanta haviam sido realizados por americanos ligados a milícias de origem local e a extremistas religiosos. Outro atentado, potencialmente devastador, havia envolvido também milícias americanas, que pretendiam explodir uma instalação de armazenamento de gás. A vigilância do FBI sobre essas milícias evitou uma calamidade.

Apesar da falta de provas de uma participação de Osama Bin Laden nessa série de eventos terroristas, membros importantes da comunidade de Inteligência dos EUA, em 1993 e 1994 continuaram a solicitar que se descobrisse mais sobre o homem cujo nome parecia soterrado nos relatórios da CIA como “o financista terrorista Osama Bin Laden”, pois parecia improvável que esse homem, que tinha um dedo em tantas organizações aparentemente desconexas, fosse apenas um doador, um filantropo do terror. Tais organizações pareciam ter um poder centralizador e esse centro talvez fosse ele, que constituía o único elo conhecido entre os vários grupos terroristas.

Em 1991, o governo da Arábia Saudita desistira de tentar persuadir Osama Bin Laden a cessar suas críticas à família real, que havia permitido a presença de tropas dos EUA no país após a Guerra do Golfo e à aliança militar do país com os EUA, determinando que ele deixasse o país. Bin Laden decidiu ir para o Sudão, que na época era o supra-sumo do porto seguro para terroristas de todos os matizes. O governo do Sudão era dominado pela Frente Islâmica Nacional, chefiada por Hassan al-Turabi, um suposto líder religioso. Bin Laden chegou com seu dinheiro e seus homens, árabes veteranos da guerra no Afeganistão contra os russos. A maioria desses veteranos seria presa caso voltasse para o Egito, Kuwait, Argélia ou Marrocos.

Para entender Osama Bin-Laden é preciso entender o mundo em que ele operava: foi o ator principal de uma emaranhada e sinistra teia de Estados patrocinadores do terrorismo, chefões de serviços de Inteligência, como o ISI-Serviço Interno de Inteligência do Paquistão, o VEVAK-Serviço de Inteligência do Irã, e terroristas experientes. Há que entender também que nenhum sistema de defesa resiste à determinação de alguém que quer tornar-se um mártir.

Como hoje se sabe, Bin Laden e al-Turabi estabeleceram vários projetos conjuntos: uma nova companhia de construção, uma empresa de investimentos, controle dos mercados sudaneses de commodities, um novo aeroporto, uma estrada entre as duas maiores cidades, novos acampamentos para treinamento de terroristas, uma fábrica de couro, residências para veteranos árabes da guerra afegã, remessas de armas para a Bósnia, apoio a terroristas egípcios em complôs para derrubar o presidente Mubarak e desenvolvimento de uma indústria nacional de armas (incluindo armas químicas). Os dois fundamentalistas eram almas gêmeas, compartilhando a visão de uma batalha mundial para estabelecer um Califado puro.

Nas sombras e utilizando suas empresas, Bin Laden coordenou uma vasta operação para introduzir na Somália e em Cartum, no Sudão, em 1993, cerca de 3 mil terroristas de vários países, a maioria dos quais que havia lutado no Afeganistão contra a invasão soviética, bem como grandes quantidades de armas e equipamentos, além de 900 combatentes do Hezbollah.

Desde Cartum, organizou um conjunto de linhas de comunicação e sistemas de apoio logístico, principalmente através da Etiópia e Eritréia. Em 26 de setembro de 1993, uma emboscada abateu um helicóptero Blackhawk em Mogadício, capital da Somália, e as imagens na TV mostraram uma turba arrastando os corpos dos militares americanos pelas ruas. Pode ser dito que esse foi o início da luta contra as tropas norte-americanas e da ONU que se encontravam na Somália e em 1º de março de 1994 grande parte das forças norte-americanas já havia deixado esse país.

Bin Laden, que já mantinha contatos com o Serviço de Inteligência paquistanês, nessa época estabeleceu relações com os Serviços de Inteligência do Irã (VEVAK) e do Iraque, que viriam a se mostrar úteis em seu caminho para o alto. Os acontecimentos na Somália podem ser considerados um marco em sua evolução, por ter sido a primeira vez que liderou um empreendimento de vulto, com complexas tomadas de decisões e formulações políticas.
Paralelamente, os muçulmanos aproveitaram o colapso da União Soviética para buscar independência para a província da Chechênia. Bin Laden enviou veteranos árabes afegãos, dinheiro e armas para o conterrâneo saudita Ibs Khatab, na Chechênia, que parecia um cenário perfeito para a jihad (guerra santa).

Também a Bósnia parecia se qualificar para uma jihad. A queda do comunismo na Iugoslávia fez com que as repúblicas étnicas naquela união artificial passassem a girar em torno de suas próprias órbitas. A província predominantemente muçulmana da Bósnia por muito tempo havia sido discriminada pelo centro cristão, e sua tentativa de independência em 1991 havia sido brutalmente reprimida pelo governo de dominação sérvia de Belgrado.

Ao contrário da jihad na Chechênia, que a Rússia tentou manter longe dos olhos do mundo, a Bósnia tornou-se o centro das atenções durante sua luta com a Sérvia. A partir de 1992, os árabes que anteriormente haviam sido mujahidins (aqueles que travam a jihad) afegãos, começaram a chegar. Com eles vieram os coordenadores, os homens do dinheiro, da logística e dos fundos de “caridade”. Organizaram empresas e redes bancárias de fachada, tudo sob a coordenação direta de Bin Laden. Tal como haviam feito no Afeganistão, os árabes criaram sua própria brigada, supostamente parte do exército bósnio mas que operava por conta própria. Os mujs, como se tornaram conhecidos, eram ferozes lutadores contra os sérvios, se envolviam em horríveis torturas, assassinatos e mutilações que pareciam excessivas até para os padrões balcânicos.

O presidente bósnio, Alija Izetbegovic, decidiu aceitar toda espécie de ajuda que aparecesse. O Irã enviou armas. A Al-Qaeda fez melhor: enviou combatentes, homens treinados e durões. Os serviços de Inteligência europeus e americano começaram a rastrear o financiamento e apoio aos mujs, chegando até Bin Laden, no Sudão, e até às instalações que já haviam sido estabelecidas pelos mujs na própria Europa Ocidental.

Essas ligações levaram à Mesquita do Parque Finsbury, em Londres, ao Centro Cultural Islâmico, em Milão, e à Agência de Auxílio ao Terceiro Mundo, em Viena. Também levaram à Fundação Internacional de Benevolência, em Chicago, e à Organização Internacional de Auxílio Islâmico, na Arábia Saudita. Essas instituições de caridade estavam fornecendo fundos, empregos, documentos de identificação, vistos de viagens, escritórios e outros apoios à brigada internacional de combatentes árabes dentro e ao redor da Bósnia. Antes do 11 de Setembro, os governos ocidentais, entre os quais o norte-americano, não encontraram justificativa legal adequada para fechar essas organizações.

O dinheiro fluía através de um sistema financeiro imaginado e montado por Bin Laden. A princípio (meados dos anos 80) esse sistema foi organizado na então existente Fundação Al-Qaeda, uma instituição de caridade que Bin Laden criara para dar respaldo ao treinamento de guerrilheiros islamitas no Paquistão. Esse sistema semi-legal multiplicou-se rapidamente por todo o mundo em uma miríade de contas bancárias e obras de caridade aparentemente sem conexão e em organizações multifacetadas que interagiam e enviavam pessoas e fundos.

Não existe nenhuma Osama Bin Laden Inc. Em vez disso uma rede de companhias, empresas, parcerias e entidades em nome de outras pessoas, que interagem entre si e, por fim, encontram-se ocultas em outra camadas de entidades financeiras internacionais maiores, de modo que seu envolvimento em quaisquer desses investimentos não possa ser descoberto. Essas empresas administram investimentos, holdings imobiliárias, transporte marítimo, empresas comerciais, projetos de obras públicas, empresas de construção, locação de aeronaves, importação e exportação, empresas de contratação e empresas agrícolas. Esses empreendimentos possuem negócios na Ásia, África, Europa e América Latina. Com o seu envolvimento direto e o seu profundo conhecimento dos negócios internacionais na era da informática, solucionou os problemas relativos à movimentação clandestina e à lavagem de grandes somas necessárias para dar suporte ao terrorismo e à subversão em todo o mundo.

Além disso, Bin Laden mantinha participação em negócios politicamente corretos, que ajudam a sustentar o Sudão, o Iêmen e o Afeganistão, numa ampla variedade de empresas e negócios locais. Eis o resultado dos investimentos do Sudão no terrorismo internacional: em novembro de 2004, segundo as Nações Unidas, 1,6 milhão de pessoas passam fome em Darfur, no Sudão, mas esse número pode aumentar para 2 milhões no próximo ano.
Enquanto isso os organismos de Inteligência do Ocidente lutavam para deslindar a rede e concluíram, em meados de 1993, que na ex-Iugoslávia, especialmente na Bósnia, a maioria dos fundos para essas obras de caridade era coordenado pela Fundação Mostazafin, uma fachada da Inteligência iraniana, que mantinha de 4 a 6 mil terroristas islamitas em operação na Bósnia, sob a proteção de cerca de 20 “obras de caridade” ou “projetos humanitários”.

Desde então, a situação não mudou muito.

No verão de 1995, a CIA passou a desenvolver planos para uma equipe exclusivamente destinada a investigar o que agora concordavam ser uma “rede Bin Laden”. E, finalmente, em 1996, duas peças se moveram no tabuleiro: Bin Laden dirigiu-se ao Afeganistão, fechando algumas de suas empresas em Cartum, Sudão, e Jamal Al-Fadl, que tinha informações secretas sobre grande parte da “rede Bin Laden” baseada no Sudão, procurou proteção americana, pois vinha desviando fundos e receava que a Al-Qaeda o eliminasse.

O interrogatório de Fadl ajudou na descoberta do tamanho e forma da rede. Foi descoberto que ela era generalizada e ativa em mais de 50 países e dela faziam parte o xeque cego Omar Abdel al-Rahman e Ramzi Youssef. Bin Laden não era apenas seu financiador e mentor intelectual. Foi descoberto que a rede também tinha um nome. Osama Bin Laden, filho de um empreiteiro da construção, chamara sua rede terrorista pela palavra árabe Al-Qaeda (“A Fundação” ou “A Base”), uma primeira peça, a base necessária para o edifício que seria uma teocracia global, o grande Califado.

Muitos dos nomes encontrados na Bósnia, mais tarde, revelaram-se vinculados à Al-Qaeda. Entre os principais estavam Abu Sulaiman Al-Makki, que mais tarde apareceria ao lado de Bin Laden, em dezembro de 2001, quando o líder da Al-Qaeda elogiou os atentados de 11 de setembro; Abu Zubair Al-Haili, que seria preso no Marrocos, em 2002, num complô para atacar navios norte-americanos no Estreito de Gibraltar; Ali Ayed Al-Shamrani, que foi preso, em 1995, pela polícia saudita e rapidamente decapitado por envolvimento no atentado à missão americana de ajuda militar na Arábia Saudita; Khalil Deek, que seria detido em dezembro de 1999, por seu envolvimento no planejamento de atentados a bases americanas na Jordânia; e Fateh Kamel, que seria delatado como integrante da célula “Conspiração do Milênio”, no Canadá. Embora as agências de Inteligência ocidentais nunca rotulassem a atividade dos mujs na Bósnia como uma jihad da Al-Qaeda, está claro agora que era exatamente isso que ocorria.

O governo dos EUA fez da cessação da guerra nos Bálcãs a sua mais alta prioridade de política externa, introduzindo tropas americanas e elaborando a duras penas o Acordo de Dayton. Uma parte desse Acordo previa a expulsão dos mujs da Bósnia após o fim dos combates. Ainda não se sabia que eles eram da Al-Qaeda, mas sabia-se que eram terroristas internacionais.

Em 1998, na medida em que ficava claro que a diplomacia não estava funcionando inteiramente, tropas francesas invadiram uma das bases mujs restantes, que ainda operavam na Bósnia, em violação ao Acordo de Dayton. Prenderam onze deles, entre os quais dois diplomatas iranianos e nove mujs. A base estava cheia de explosivos, armas e planos para atentados terroristas a tropas americanas e outras tropas ocidentais. Ainda em 1998, um carregamento de explosivos plásticos C-4 foi interceptado, na Alemanha, a caminho de uma célula terrorista da Jihad Islâmica Egípcia. Havia indícios de que os explosivos destinavam-se a uma rodada de atentados a bases militares americanas no país.

Os EUA ameaçaram o presidente Izetbegovic com uma interrupção da ajuda militar e, depois, de uma cessação de qualquer ajuda, se ele não implementasse integral e fielmente o Acordo de Dayton, mediante a expulsão dos mujs.

Ainda em 1998, em maio, no Afeganistão, Osama Bin Laden, já então um dos dirigentes da Frente Islâmica Mundial para a Jihad (luta) contra Judeus e Cruzados – constituída em março desse ano, agrupando terroristas de organizações de diversos países - declarou “que as fronteiras geográficas não têm importância para nós. Somos muçulmanos e desejamos o martírio. Não temos preconceito de cor ou raça. Apoiamos cada muçulmano oprimido e pedimos a Deus que nos ajude e nos faça capazes de ajudar cada muçulmano oprimido”. Essa declaração antecedeu os atentados terroristas simultâneos, organizados por essa Frente Islâmica, em 7 de agosto de 1998, uma sexta-feira, contra as embaixadas dos EUA em Nairóbi, Quênia e Dar-es-Salaam, Tanzânia, que causaram 224 mortes e centenas de feridos. Esses atos terroristas foram assumidos oficialmente pelo Exército Islâmico para a Libertação de Lugares Sagrados, entidade até então desconhecida, e patrocinados por um Estado terrorista: o Irã. Dez dias depois, em 17 de agosto, a Frente Islâmica Mundial emitiu uma Declaração endossando e elogiando as operações do Exército Islâmico, sendo que essa Declaração foi divulgada praticamente ao mesmo tempo em que as mensagens do Exército Islâmico sobre os atentados, não deixando dúvidas sobre suas ligações.

O fato de Bin Laden não receber créditos pelas operações, mas antes encorajar as entidades locais a fazê-lo, identificando-se por nomes fictícios, tais como esse “Exército Islâmico”, atraíram para ele a estima dos comandantes locais, que não o viam como uma ameaça às suas posições pessoais.

Nesse mesmo ano de 1998, em outubro, um alto funcionário de um Serviço de Inteligência árabe afirmou que Osama Bin Laden havia adquirido armas nucleares táticas das repúblicas islâmicas da Ásia Central criadas após o colapso da União Soviética. Evidências do número de armas nucleares adquiridas pelos chechenos para Bin Laden variavam de “algumas” (Inteligência russa) a “mais de vinte” (Serviços de Inteligência de países árabes conservadores). A maior parte das armas foi comprada em quatro dos antigos Estados soviéticos: Ucrânia, Cazaquistão, Turcomenistão e Rússia. Os preparativos para a utilização dessas armas constituem um grande segredo.

Voltando à antiga Iugoslávia, somente no ano de 2000, em sua última semana no cargo, Izetbegovic expulsou o líder muj remanescente, Abu Al-Ma’ali, que foi acolhido pela Holanda. No entanto, Izetbegovic nunca chegou a expulsar todos. Células da Al-Qaeda na Bósnia foram identificadas e desmanteladas pela polícia bósnia até o ano de 2002.

Finalmente, analistas internacionais apontam três fatores como tendência regional em favor do Islamismo: 1) É a única ideologia crescente e verdadeiramente popular no Oriente Médio. Muitas pessoas acreditam genuinamente que “o Islã é a solução”, mesmo que variem as idéias do que possa ser esse “Islã”; 2) Os regimes conservadores pró-Ocidente estão perto do colapso, mais por autodestruição do que por qualquer outro fator, especialmente a Arábia Saudita; 3) A tendência histórica dominante na região é a inflexível oposição à mera existência de Israel.

Em uma conferência realizada com os chefes dos 56 escritórios regionais do FBI, antes de setembro de 2001, Richard Clarke, Coordenador Nacional para Segurança, Proteção de Infraestrutura e Antiterrorismo nos governos de George Bush, Bill Clinton e George W. Bush assim definiu a Al-Qaeda:

“A Al-Qaeda é uma conspiração política maquiada de seita religiosa. Ela comete o assassinato de inocentes para chamar a atenção. Seu objetivo é uma teocracia à moda do Século XIV no qual mulheres não têm direitos, todos são forçados a serem muçulmanos e a Sharia (Lei de Deus) é o sistema legal, que corta mãos e apedreja pessoas até a morte. Ela usa um sistema financeiro global para financiar suas atividades. Essas pessoas são inteligentes, muitas estudaram em nossas universidades e têm visão em longo prazo. Eles acreditam que pode levar um século até que alcancem seus objetivos, um dos quais é a destruição dos EUA. Eles têm uma rede eficiente de espiões e formam células e grupos de ataque que planejam suas ações anos antes de agir. Eles são o nosso inimigo número um e estão entre nós. Achem eles!”.

Dados Bibliográficos:
“Bin Laden – O Homem que Declarou Guerra à América”, Editoral Prestígio, 2002
“Contra Todos os Inimigos”, Richard A. Clarke, Editora Francis, 2004
 

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