• João Cesar de Melo
  • 12 Outubro 2016

 

(Publicado originalmente em www.institutoliberal.org.br)

Sejamos francos: Você não terá o apoio do meio cultural. Não terá o apoio dos professores universitários. Não terá o apoio dos funcionários públicos. Não terá o apoio dos sindicatos, nem dos movimentos sociais e estudantis. As viúvas do PT irão te caçar, irão te caluniar, irão tentar te sabotar de todas as maneiras até o último dos seus dias no governo. Diante disso, você pode sair do jeito que entrou ou plantar a semente de um futuro que o distinguirá dos demais presidentes. Para isso, contará com apenas alguns meses de apoio da imprensa e do congresso.

Meu consciente libertário fica tentado a sugerir a completa dissolução do estado para se conceder a justa alforria aos municípios, no entanto, rebaixo-me ao espírito democrático federativo para sugerir medidas politicamente viáveis.

A primeira coisa que deve ser feita é se cobrir com certo populismo para ganhar a confiança do povão. Anuncie que doará metade de seu salário a instituições privadas de caridade. Vá todos os meses a um orfanato, asilo ou ONG de ação social diferente, em cada canto do Brasil, e faça sua doação. Ao final, chame os jornalistas e diga: Pessoas é que devem ajudar pessoas. A sociedade precisa parar de acreditar que o estado resolverá todos os problemas. O estado não é a solução. O estado é o problema. Repita isso mil vezes.
No mesmo dia em que anunciar seu programa pessoal de caridade, risque um enorme X num mapa do Brasil representando as duas linhas ferroviárias que construirá ligando os extremos do país. O povo adora essas coisas. Tenha isso como sua obsessão. Dê um jeito de começar a obra no mês seguinte. Vá aos canteiros de obras toda semana. Almoce com os trabalhadores. Ande de bicicleta com as crianças. Isso lhe dará lastro popular para adotar as medidas que listo abaixo.

1 – Ciente de que o congresso não permitiria que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica sejam vendidos, acredito que você poderia pelo menos propor a extinção do BNDES e a venda da Petrobrás, da Eletrobrás, dos Correios e de todas as mais de 140 empresas que estão sob o comando do governo; e também todas as participações minoritárias noutras empresas. Justificativa: Isso será a maior ação anti-corrupção da história do Brasil, além de uma boa fonte de dinheiro para tapar o rombo deixado pelo PT.

Fazendo isso ou não, a extrema-esquerda vai te chamar “entreguista”. Então, faça!
2 – Cortar completamente a destinação de verbas para movimentos sociais e ONGs. Justificativa: Se movimentos sociais e ONGs não conseguem captar recursos na sociedade, é porque a sociedade não os reconhece, portanto, não há razão de existirem.
Fazendo isso ou não, a extrema-esquerda vai te chamar de “fascista”. Então, faça!
Aproveite o embalo e acabe com o imposto sindical sob a mesma justificativa.

3 – O congresso também não aprovaria privatizar todo o ensino que hoje se encontra sob o controle do estado, mas você poderia pelo menos propor a privatização da administração das escolas técnicas e das universidades. Justificativa: Porque a gestão das universidades precisa se desligar da política para se dedicar a formação profissional e a produção científica. Permita que sejam cobradas mensalidades dos alunos e ofereça vouchers aos mais pobres.

4 – No ensino fundamental e médio, elimine todo e qualquer viés comunista do currículo, substituindo Paulo Freire por métodos que priorizem o cálculo e a língua portuguesa. Justificativa: A ideia de mesclar “consciência política” com o ensino tradicional é um eufemismo para doutrinação ideológica, método que já foi utilizado tanto nas ditaduras comunistas quanto no fascismo italiano e no nazismo alemão.

5 – Acabar com o patrocínio a todo tipo de projeto cultural fora do âmbito educacional. Justificativa: Todos os artistas que hoje têm projetos viabilizados com dinheiro público poderiam viabilizá-los captando recursos diretamente na sociedade através de campanhas de crowd funding. Leis como a Rouanetbeneficiam apenas um pequeno grupo de artistas que tem o suporte de produtoras que, juntos, compõem uma verdadeira classe de privilegiados a custa do dinheiro público.

Lembre-se: Fazendo isso ou não, os artistas irão te odiar, afinal, você não é comunista. Então, faça!

6 – Não vou te pedir para reduzir o número de ministérios para três ou quatro, afinal, você precisará agradar os partidos de alguma forma. Porém, você pode acabar com 2/3 do funcionalismo público lançando um programa de demissão voluntária. Pague para as pessoas largarem a teta do governo. Justificativa: Além de redução de gastos, minimiza-se o ambiente de criação de dificuldades para se vender facilidades. Seus netos serão gratos.

7 – Lançar um programa radical de redução da burocracia, começando pela extinção dos cartórios. Justificativa: Tornar a vida do cidadão e do pequeno empresário mais fácil e barata, acabando com a necessidade de se contratar despachantes.

8 – Lançar um programa de reforma tributária gradual, triplicando o teto de renda para isentos do imposto de renda, zerando os impostos sobre produtos e serviços básicos, cortando pela metade e unificando os impostos sobre produção. Justificativa: Fazer com que a maior parte da renda circule no mercado em vez de se perder nos labirintos do governo.

9 – Lançar um programa de abertura da economia, acabando com todas as regulações e barreiras, incluindo o setor de telecomunicações. Justificativa: A economia brasileira só se fortalecerá quando aprender a conviver com a concorrência internacional.

10 – Acabar com todo tipo de empréstimos e subsídios às grandes empresas. Justificativa: Elas precisam aprender a viver sozinhas, se tornar eficientes para lucrar e se autofinanciarem. Deixe quebrar quem tiver que quebrar.

11 – Substituição de todos os programas sociais que destinam dinheiro aos beneficiários por um sistema devouchers para alimentação e moradia. Justificativa: Se o objetivo dos programas sociais é acabar com a pobreza, então, dê comida e moradia aos necessitados, não renda a quem não produz.

12 – Lançar um programa de privatização gradual do sistema de saúde mesclando a venda de hospitais com a concessão de vouchers aos mais pobres. Justificativa: Já que toda pessoa, assim que se vê em condição, contrata um plano de saúde particular por enxergar sua qualidade, então, que o governo torne isso mais acessível a um maior número de pessoas.

13 – Transferir a toda a previdência social para o setor privado. Justificativa: Para que as pessoas mais pobres também tenham a liberdade de escolher qual programa de aposentadoria lhes convém.

14 – A saída do PT do governo e sua consequente desmoralização já é uma grande reforma política, mas precisa-se fazer mais: Acabar com o fundo partidário, permitir que apenas pessoas físicas doem dinheiro para campanhas eleitorais, implantar o voto distrital misto, acabar com as coligações regionais e proporcionais, acabar com a reeleição no poder executivo. Justificativas: Assim como deve ocorrer com sindicatos e movimentos sociais, os partidos têm que aprender a captar recursos diretamente de seus eleitores, o que certamente criaria um compromisso entre as partes que hoje praticamente não existe. Quanto ao voto e as coligações, serviria para tornar o pleito mais claro e objetivo. Por fim, numa cultura patrimonialista como a brasileira, não se pode criar a oportunidade de uma pessoa utilizar da máquina estatal para se manter no poder. Faça-se o exemplo, retirando de si mesmo o direito de tentar se reeleger.

Aproveite o embalo e acabe com a ridícula formalidade do “vossa excelência” no tratamento entre parlamentares e com foro privilegiado para políticos. Não custa nada tentar.

15 – Criação de mecanismos constitucionais que impeçam que o estado ou qualquer pessoa do governo identifique cidadãos ou grupos deles a partir da religião, da raça, do gênero ou da inclinação sexual. Justificativa: Não cabe ao estado fazer essas avaliações porque, uma vez com esse poder, o próprio estado pode se tornar um agente segregador em função do perfil cultural e religioso de seus governantes.

16 – Liberação do porte de armas: Justificativa: A liberação do porte de armas não é uma ação de combate à violência, mas apenas a concessão do direito das pessoas defenderem a si mesmas, suas famílias e suas propriedades.

17 – Acabar com todo tipo de publicidade estatal, permitindo apenas uma placa nas obras e a promoção de campanhas de utilidade pública, como as de vacinação. Justificativa: A sociedade precisa julgar as ações do governo pelo que vê em seu dia a dia, não pelo que é transmitido na televisão em campanhas de marketing; e também porque, sem os anúncios do governo, os grandes jornais seriam obrigados a cativar o público pelo quanto infernizam a vida dos políticos, não pelo tanto que os protege.

18 – Proibição do uso de rojões. Pena de 30 anos de cadeia aos infratores. Justificativa: Porque o autor desse texto odeia rojões. Esse é o preço cobrado pelas sugestões acima.

Faça isso, Temer. Faça! Lance tudo isso de uma só vez, num único pacotão. Faça isso no primeiro dia de governo. Mesmo que algumas coisas sejam cortadas, se conseguir aprovar pelo menos a metade dessas medidas, com toda certeza você será lembrado como o presidente que fez as loucuras que o Brasil precisavae sua esposa bela, recatada e do lar terá muito orgulho de você.

 

* Artista plástico formado em arquitetura e urbanismo. Estuda e escreve sobre filosofia política e econômica porque gosta. Libertário, sente-se muito bem entre liberais e conservadores. Ateu, defende com segurança a cultura judaico-cristã.
 

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  • Ênio Meneghetti
  • 12 Outubro 2016

 

Nem bem concluídas as eleições municipais, mas já com o clima bem mais passível de ser interpretado, começam as projeções acerca da próxima eleição presidencial. Entre nomes cotados, Lula, Marina Silva, Aécio Neves, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, José Serra, Ronaldo Caiado, Henrique Meirelles. Mas não apenas estes.

Depois de Michel Temer declarar que não concorrerá a reeleição, Henrique Meirelles gostaria de recuperar a economia e ser presidente. Porém, se isso ocorrer, ninguém garante que Michel Temer não mude de ideia e resolva ele mesmo disputar a reeleição.

Lula, embora repetidamente “ameace” o país com sua candidatura, com os resultados obtidos pelo PT nas recentes eleições municipais, ficou claro que isso não passa de tática para poder vitimizar-se ao sofrer as sanções legais que seus inúmeros problemas em processos criminais inevitavelmente lhe trarão. Se insistir, com chances impossíveis de sucesso, submergirá frente a um vexame que enterrará de vez o “mito” que nunca foi. Além disso, mesmo que ainda não tenha sido condenado em segunda instância e preso até 2018, alguns de seus processos estarão em pleno julgamento justamente no ano da eleição. Se concorrer, seria a renúncia à possibilidade de fazer-se de vítima.

O PSDB tem Serra, Aécio e Alckimin- este último fortalecido após a vitória de João Dória Jr em São Paulo. Já cogita-se a realização de prévias. Com ou sem a escolha pelo voto dos filiados, como sempre o partido sairá dividido do processo de escolha. Já especula-se até que José Serra cogita filiar-se e concorrer pelo PMDB, se não for o nome escolhido.

Para embaralhar mais o processo, Marina Silva tentaria ser candidata a vice numa chapa com o PSDB. A pretensão teria causado frisson em integrantes da Rede. Cabe lembrar que embora Marina tenha apoiado o impeachment, o Senador Randolfe Rodrigues, nome de destaque em seu partido, foi repreendido por Marina por ter posição favorável a Dilma.

O PDT ensaia o lançamento de Ciro Gomes. Candidato de temperamento difícil, uma candidatura que tem tudo para não decolar.

Diante de tantas incertezas pairando sobre os antigos protagonistas PT e PSDB, além da fragilidade das demais candidaturas, é bem possível que um outsider possa ter força para ganhar a eleição.

Partido que apoiou o PSDB em várias disputas para presidência da República, o DEM quer ser protagonista em 2018.

Recém reeleito prefeito de Salvador com mais de 74% dos votos e provável candidato ao governo baiano, ACM Neto afirmou que o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) deverá entrar na disputa presidencial.

Caiado tem a seu favor um posicionamento que vai ao encontro da mensagem que veio das urnas no último dia 2 de outubro. Seu partido sempre fez a mais forte oposição ao PT e está passando incólume pelos escândalos que abalaram o país.

Será um pleito histórico, onde abre-se a possibilidade de um segundo turno sem partidos de esquerda.

 

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  • Marcel van Hattem
  • 11 Outubro 2016

 

Sim, exatamente isso - e em letras garrafais. Li a matéria de capa deste fim de semana da Veja (A FORÇA DA DIREITA) e, como cientista político, fiquei abismado com o conteúdo. Raso, distorcido e cientificamente errado.

Em resumo, pois poderia escrever a noite toda sobre o assunto: a matéria classificou o PSDB - um partido social-democrata - como direita e fez uma caricatura de cinco supostos "tipos da direita" (como a revista se referiu, literalmente, a Caiado, Feliciano, Meirelles, Bolsonaro e Holiday). Não mencionou o partido NOVO e a proeza de eleger quatro vereadores em quatro capitais brasileiras (BH, SP, RJ e Porto Alegre) - e não estou aqui dizendo que o NOVO é de "direita" por ser "liberal", mas é sem dúvida um partido que merecia menção nesta edição. Podia ter tratado sobre o número incrível de jovens que foram às ruas e que agora se elegeram vereadores municipais.

Mas, não.

A matéria de capa de Veja achincalhou o "conservadorismo" como termo pejorativo sempre que pôde e deu status científico ao termo "neoliberal", que nada mais é do que um monstrengo ideológico em forma de palavrão criado pela esquerda para xingar um liberal clássico, mais ou menos no mesmo patamar de outro palavrão de ocasião da mortadelada: "fascista".

Com TANTOS cientistas políticos no Brasil, uma única fonte foi consultada para a matéria para fazer a classificação partidária no Brasil. UMA ÚNICA FONTE! E, ainda por cima, para uma matéria de capa! Foi consultado o cientista político Adriano Codato, da Universidade Federal do Paraná. Basta uma pequena visita ao Google para ver que é um acadêmico marxista. Exemplos de artigos publicados: "O marxismo e o elitismo"; "Marx e seu legado para a teoria contemporânea do Estado capitalista"; "Marxismo como ciência social". Para coroar: Codato é signatário de uma "carta contra arbítrios da Lava Jato", ao lado de "intelectuais" do quilate de Marilena Chauí, aquela que ODEIA a Classe Média (não acredita? Dá uma olhada
aqui: http://www.valor.com.br/…/intelectuais-divulgam-carta-contr…)

Sim, um sectário inimigo da Lava Jato foi o "especialista" entrevistado como fonte de Veja para uma matéria que tinha tudo para ser ótima na esteira da derrocada da esquerda petista nas eleições do último domingo.

Quem te viu, quem te Veja! Que decadência, que matéria mais pobre e manipuladora! A matéria de capa intencionava mostrar ao leitor a "força da direita". O que ela realmente demonstrou ao leitor atento é a "força da esquerda" nas redações brasileiras. Inclusive de Veja.
 

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  • José Luiz de Sanctis
  • 11 Outubro 2016

 

Simplesmente porque elas não oferecem risco às vítimas e aos policiais. Se forem proibidas e tornado crime o seu porte, os bandidos usarão armas reais. A vantagem de bandidos usarem essas armas é justamente por não ser crime. Em sendo crime, qual a vantagem de usarem uma arma de brinquedo e não uma real? Nenhuma!

Atentem para o que disse o repórter no final da reportagem. O "adolescente" tinha dez registros de "imprudência". O crime mudou de nome.

https://www.youtube.com/watch?v=hBYfzcQhQ1E

É por isso que o ART. 126 do relatório do PL 3722/2012 precisa ser excluído do texto.

A Globo em sua sórdida campanha pelo desarmamento civil vem atacando armas de brinquedo e air soft, pois bandidos as usam no cometimento de crimes. Se forem proibidas e tornarem crime o porte destas, os bandidos usarão armas reais que, obviamente, oferecem risco real às vítimas e policiais. Estão mais preocupados com o susto (risco subjetivo) e não com a impossibilidade de ferimentos.

Mas por trás da aparente imbecilidade e falta de lógica, existe o objetivo maior de evitar que crianças brinquem com essas armas de brinquedo e que venham a querer uma real quando adultos.

A estratégia faz parte do processo de emasculação, de acovardamento da população.
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/06/aumentam-os-assaltos-com-armas-falsas.html
O absurdo consta no relatório do PL 3722/2012, que será votado em plenário.

Art. 126. São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo que com estas se possam confundir.
Parágrafo único. Excetuam-se da proibição do caput:
a) as armas de pressão por ação de mola, ar comprimido ou gás comprimido de calibre igual ou inferior a 6mm, os lançadores de projéteis de plástico maciços (airsoft) e os lançadores de projéteis de plástico com tinta em seu interior (paintball);
b) as réplicas e simulacros de armas de fogo destinados à instrução, adestramento, prática esportiva, coleção de usuário autorizado e para fins artísticos, tais como teatro, cinema ou televisão, que serão regulamentadas pelo Exército Brasileiro;
c) os brinquedos lançadores de água ou espuma que adotam cores chamativas não utilizadas na fabricação de armas de fogo, tais como amarelo, vermelho, azul, verde, laranja e roxo ou a combinação de várias cores.

JUSTIFICATIVA PARA EXCLUIR ESTE ARTIGO
Trata-se de simples demonização das armas, a partir dos brinquedos. É inócua medida, eis que nada de útil traz. Dificulta a crianças e adolescentes conhecerem as profissões às armas ligadas, mormente asMilitares e Policiais. Nada fará sobre crimes cometidos com simulacros. Nem deve. Bem fez o Relator ao eximir de crime o uso de simulacros ou brinquedos no cometimento de outros crimes.

O uso de brinquedos ou simulacros em crimes não pode nem deve ser apenado. Quanto mais os criminosos optem por usá-los em suas ilegais atividades menor o risco objetivo a ser enfrentado por pessoas que sejam por eles abordadas e por policiais que tenham de contê-los. É recomendável sempre crer que um criminoso tenha arma real e municiada. Contudo, inexiste motivo para que isto seja sempre verdade.

Sobre armas de brinquedo. Há de se considerar a diferença entre risco objetivo e subjetivo. Um objeto com aspecto de arma de fogo pode ser usado para intimidar a vítima de um crime como roubo ou estupro. É um risco subjetivo. Porém, caso o objeto seja um brinquedo ou simulacro, o risco objetivo é quase nulo. Será impossível ao criminoso e injusto agressor atirar, já que o objeto não pode disparar. Ao se criminalizar a conduta de utilizar um brinquedo ou simulacro no cometimento de um crime aumenta-se o risco objetivo de qualquer pessoa que possa vir a ser vítima, eis que o criminoso não terá vantagem nenhuma em usar brinquedo ou simulacro. O mesmo vale para a proibição da produção ou venda de tais objetos.

Não criminalização do porte de arma de brinquedo. Sendo crime o porte de arma real e de arma de brinquedo, evidentemente que o criminoso, não havendo vantagem nenhuma em portar uma arma de brinquedo, preferirá portar uma arma verdadeira, oferecendo assim risco real à vida da vítima e dos policiais em eventual confronto.

Que 100% dos crimes que ocorram sejam cometidos com simulacros e brinquedos. Isto reduzirá o risco objetivo das vítimas, a restar apenas o subjetivo.

Os brinquedos são vistos por crianças e adolescentes como... brinquedos!
Caso inexista brinquedo em forma de arma de fogo em lojas ele pode ser feito em casa com madeira, cartolina ou qualquer outro material.

Precisa ser permitida a fabricação de armas de brinquedo e o seu porte não pode se tornar crime.
 

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  • Ivan Lima
  • 10 Outubro 2016

(Publicado originalmente em http://libertatum.blogspot.com.br/)

Na sua obra A Arte da Guerra, o general Sun Tzun estabelece que a “invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante.” Essa citação do grande teórico chinês da estratégia militar é para nos lembrar da imediata, acertada e firme decisão das FFAA brasileiras no enfrentamento da guerrilha comunista no século passado. Sobretudo na guerrilha rural. E também a propósito da ausência da mesma atitude no exército colombiano tão logo surgiu à guerrilha comunista no seu país há mais de sessenta anos. Certa vez o General Augusto Heleno, em entrevista sobre o bando mega - criminoso e subversivo auto-intitulado de “forças armadas revolucionárias da Colômbia”, lembrou exatamente o quanto o exército brasileiro foi responsável e eficiente em ter atacado logo no seu inicio á guerrilha comunista que estava se instalando na Amazônia. Não lhe deu a mínima chance de sobrevida. Dizimou-a.

Todos sabem do altíssimo custo que esse descaso inicial (quase leniência) que o exército colombiano fez causar ao seu país: milhares de vítimas na população civil colombiana, com assassinatos, atentados, mutilações, seqüestros, destruição de igrejas e povoados, campos de concentração, aliciamentos e seqüestros de jovens e crianças para servir á guerrilha, inclusive como escravas sexuais. Num dado momento, no passado, o exercito colombiano resolveu agir premido pela população e enorme baixa de oficiais assassinados. Mas já era tarde demais. O câncer vermelho já havia se fortalecido muito e estabelecera na Colômbia uma matança só parecida com a revolução marxista de Fidel Castro contra a população cubana além de ter destruído o país com o socialismo.

E, decorridos todo esse período de humilhação e dor impostos ao povo colombiano pelos monstros da guerrilha comunista, o que vemos? A premiação do governo Colombiano com o Premio Nobel da Paz, por um acintoso e cínico acordo que legaliza e legitima os mega-criminosos e esbofeteia á memória dos milhares de suas vítimas, vivas, e mortas. E espanca o sentimento de dor e justiça da nação colombiana. Que ainda buscando forças entre as lagrimas e toda a dor existente em sua alma ainda rebelou-se contra mais esse ato bárbaro do marxismo, que agora maquia sua máscara sanguinária e de algoz dos colombianos, de vestal da paz. O povo sabe que é mais uma armadilha comunista na tentativa de escravizá-lo, via democratismo com as eleições.

E lembrar que no governo comunista do PT recém-deposto no Brasil se andava firmando acordos de atuação com essa mega-organização criminosa colombiana...

Sim, Sun Tzun também fala em sua obra da importância da paz. E evidentemente, tudo estando adequado ao momento, disposição e ação ou inação dos atores no cenário.

Felizmente, a pronta ação histórica do exército brasileiro foi ter decepado á tempo a cabeça do monstro.

* Ivan Lima é editor de Libertatum
 

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  • Carlos Alberto Di Franco
  • 10 Outubro 2016

 

No dia seguinte ao debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo na TV Globo, em que a pichação foi criticada por João Doria (PSDB) e Marta Suplicy (PMDB), o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, na zona sul, e a Estátua do Borba Gato, em Santo Amaro, na mesma região, amanheceram cobertos de tinta colorida: rosa, verde, amarelo e azul.

A barbárie é ponta do iceberg de algo mais grave: a degradação das cidades e a incompetência arrogante das suas autoridades. A reação do prefeito Fernando Haddad (PT) foi emblemática. Em campanha na zona leste, Haddad disse achar que as pichações podem ser fruto da radicalização criada no debate.

“Acho que tem a ver com o tipo de provocação que foi feito no debate. Quando você instiga as pessoas, desafia as pessoas, como Doria e Marta fizeram, dizendo que ‘não vai acontecer nunca mais’. Não é assim que se fala com as pessoas, se dialoga”, afirmou. Lamentável. É a defesa do diálogo demagógico e transgressor. O crime não deve ser punido. A lei não deve ser cumprida. No episódio, a cidade de São Paulo foi demitida por seu governante.

O centro antigo de São Paulo, por exemplo, está à deriva. Edifícios pichados, prédios invadidos, gente sofrida e abandonada, prostituição a céu aberto, zumbis afundados no crack, uma cidade sem alma e desfigurada pela ausência criminosa do poder público.

Nós, jornalistas, precisamos mostrar a realidade. Não podemos ficar reféns das assessorias de comunicação e das maquiagens que falam de uma revitalização que só existe no papel. Temos o dever de pôr o dedo na chaga. Fazer reportagem. Escancarar as contradições entre o discurso empolado e a realidade cruel. Basta percorrer três quarteirões. As pautas não estão dentro das redações. Elas gritam em cada esquina. É só pôr o pé na rua e a reportagem salta na nossa frente. Os jornais precisam ter cheiro de asfalto.

Jornalismo é isso: mostrar a vida, com suas luzes e suas sombras. São Paulo, a cidade mais rica do País e um dos maiores orçamentos públicos, é um retrato de corpo inteiro da falência do Estado.

Também o Brasil, um país continental, sem conflitos externos, com um povo bom e trabalhador, está na banguela. Os serviços públicos não funcionam. Basta pensar na educação. A competitividade global reclama crescentemente gente bem formada. Quando comparamos a revolução educacional sul-coreana com a desqualificação da nossa educação, dá vontade de chorar. A assustadora falta de mão de obra com formação mínima é um gritante atestado do descalabro da recente “pátria educadora”. Governos sempre exibem números chamativos. E daí? Educação não é prédio. Muito menos galpão. É muito mais. É projeto pedagógico. É exigência. É liberdade. É humanismo. É aposta na formação do cidadão com sensibilidade e senso crítico.

O custo humano e social da incompetência e da corrupção brasileira é assustador. O dinheiro que desaparece no ralo da delinquência é uma tremenda injustiça, uma bofetada na cidadania, um câncer que, aos poucos e insidiosamente, vai minando a República. As instituições perdem credibilidade numa velocidade assustadora.

Os protestos que tomaram conta das cidades precisam ser interpretados à luz da corrupção epidêmica, da impunidade cínica e da incompetência absoluta da gestão pública. Há uma clara percepção de que o Estado está na contramão da sociedade. O cidadão paga impostos extorsivos e o retorno dos governos é quase zero. Tudo o que depende do Estado funciona mal. Educação, saúde, segurança, transporte são incompatíveis com o tamanho e a importância do Brasil. Os gastos públicos aumentaram assustadoramente.

A Lava Jato trabalha bem. Mas a percepção de impunidade é ainda muito forte. Ela empurra a democracia para uma zona de risco. Os governantes precisam acordar. As vozes das ruas, nas suas manifestações legítimas, esperam uma resposta efetiva, e não um discurso marqueteiro. A crise que está aí é gravíssima. A gordura dos anos de bonança acabou. A realidade está gritando no bolso e na frustração das pessoas. E não há marketing que supere a força inescapável dos fatos. Os governos podem perder o controle da situação.

Promessas surrealistas e imagens produzidas fazem parte da promoção de alguns políticos e governantes. Assiste-se, diariamente, a um show de efeitos especiais capazes de seduzir o grande público, mas, no fundo, vazio de conteúdo e carente de seriedade.

Nós, jornalistas, temos um papel importante. Devemos dar a notícia com toda a clareza. Precisamos fugir do jornalismo declaratório. Nossa missão é confrontar a declaração do governante com a realidade dos fatos. Não se pode permitir que as assessorias de comunicação dos políticos definam o que deve ou não ser coberto. O jornalismo de registro, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial, mas oculta a verdadeira dimensão do País real. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela informação. Só assim, com equilíbrio e didatismo, conseguiremos separar a notícia do lixo declaratório.

Transparência nos negócios públicos, ética, boa gestão e competência são as principais demandas da sociedade. Memória e voto consciente compõem a melhor receita para satisfazê-las. Devemos bater forte na pornopolítica. Ela está na raiz da espiral de violência que sequestra a esperança dos jovens e ameaça nossa democracia.

A sociedade está cansada da inconsistência de alguns governantes, de tanto jogo de faz de conta, de tanto cinismo. Quer mudança. Quer um projeto verdadeiramente transformador.

As cicatrizes que desfiguram o rosto de São Paulo e do Brasil podem ser superadas. Dinheiro existe, e muito. Falta vergonha na cara, competência e um mínimo de espírito público. Façamos reportagem. Informação é arma da cidadania.

 * O autor é jornalista.

 difranco@iics.org.br

 

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