• Célio Pezza
  • 10 Favereiro 2016

 

Dentro da estrutura da FAB (Força Aérea Brasileira) existe, em Brasília, um grupo chamado GTE (Grupo de Transporte Especial), que é o responsável pelo transporte aéreo do Presidente da República, Ministros e demais autoridades. Fora o avião presidencial, essa frota dispõe de 15 aviões, desde jatos executivos até aviões com capacidade de, aproximadamente, 50 passageiros. Alguns modelos tiveram seus interiores modificados e transformados em salas VIPs, garantindo o máximo de conforto para seus usuários.

Em geral, o custo dessas aeronaves para deslocar autoridades chega a custar 20 a 50 vezes mais do que o valor das passagens aéreas em voos comerciais, mesmo considerando viagens em primeira classe. No caso de viajar somente um ou dois passageiros, o valor por passageiro fica astronômico. Um avião pequeno custa, aproximadamente, R$ 150 mil para ir de Brasília ao Rio de Janeiro; se forem 03 passageiros, significa um custo de R$ 50 mil por passageiro. A conta da gastança é simples.

Um levantamento efetuado de janeiro a setembro do ano passado mostrou um total de 2.206 voos para atender aos políticos, o que dá mais de 08 voos por dia. É um desperdício imenso de dinheiro público, enquanto o povo não tem moradia decente, saneamento básico, segurança, saúde, transporte, etc..

Por outro lado, a FAB efetuou somente 42 missões de transporte de pacientes e órgãos para transplantes nesse mesmo período, causando sérios problemas à população. Só o Ministério das Cidades fez 187 viagens; o deputado Eduardo Cunha usou a FAB por 110 vezes, e assim por diante. Em contraponto, no início do ano um menino de 12 anos não conseguiu receber um transplante de coração e morreu em Brasília pela falta de aeronave para transportar um órgão que estava disponível em Itajubá, no estado de Minas Gerais.

A FAB simplesmente alegou que não podia atender ao pedido de transporte por "questões operacionais". Uma frase simples que causou a morte de uma criança. Vale lembrar que existe um decreto de 2002 que disciplina o uso de aviões da FAB e diz que seus jatos podem ser requisitados quando houver motivo de emergência médica, o que obviamente não foi considerado nesse caso.

Renan Calheiros usou jato da FAB para ir de Maceió até Porto Seguro para assistir ao casamento do senador Eduardo Braga. Sua assessoria disse, na época, que Renan participou do compromisso como presidente do Senado e que tem direito ao uso de aeronave oficial, mesmo que a viagem não seja oficial. Existem casos de políticos que viajaram para ver jogos da seleção, casos em que foram para Fernando de Noronha, mas que usaram aviões da FAB por questões de segurança e por aí vai.

O fato é que o desperdício do nosso dinheiro continua enorme, apesar dos discursos de muitos "representantes do povo". Para todos os lados que olharmos com atenção, vamos verificar essa prática. Até quando? Essa é a pergunta que continua sem uma resposta. Bem, agora é Carnaval e não podemos nos preocupar com esses detalhes. Devemos nos preocupar com os blocos carnavalescos, com as marchinhas de alto padrão e com o desfile das escolas de samba. Até quando?

* Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo.
 

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  • Miguel Nagib
  • 09 Favereiro 2016


www.escolasempartido.org

O sistema educacional brasileiro é como um edifício gigantesco, cujas estruturas foram corroídas de alto a baixo por cupins ideológicos. De vez em quando, desaba uma parede ou uma laje, e o estrondo acaba chamando a atenção do grande público.

O último desabamento foi provocado pela proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Dias atrás, o historiador Marco Antonio Villa demonstrou, em artigo publicado no jornal O Globo, que, se a proposta do MEC for aprovada, os estudantes brasileiros que quiserem aprender alguma coisa sobre o antigo Egito, a Mesopotâmia e a Grécia; o Império Romano e o nascimento do cristianismo; a Idade Média, o Renascimento, a Revolução Industrial e até mesmo a Revolução Francesa serão obrigados a se virar por conta própria. Na sala de aula, terão de estudar os mundos ameríndios, africanos e afrobrasileiros; interpretar os movimentos sociais negros e quilombolas; valorizar e promover o respeito às culturas africanas e afroamericanas. É um assombro.

Menos comentada, mas não menos importante, é a presença da famigerada ideologia de gênero. Como já se adivinhava, a perspectiva de gênero – cuja inclusão, nos planos de educação, foi rejeitada de maneira veemente pela quase totalidade das nossas casas legislativas – atravessa toda a proposta do MEC.

Mas não é disso que se vai tratar neste artigo. O que nos interessa, aqui, é saber a quem cabe aprovar tal proposta.
A existência da BNCC está prevista na Constituição, desde 1988; e na LDB, desde 1996. Só em 2014, porém, o Congresso resolveu tirá-la do papel; e, ao fazê-lo, determinou que uma proposta, elaborada pelo MEC, fosse encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Portanto, é a esse órgão do Poder Executivo, composto por 24 integrantes nomeados pelo presidente da República, que caberá a palavra final sobre a BNCC. Ou seja: o futuro da educação brasileira será decidido por duas dúzias de professores e burocratas nomeados pelo governo do PT.
Ora, por mais ilibada que seja a reputação desses conselheiros e relevantes os serviços por eles prestados à educação – no juízo de quem os nomeou, obviamente –, a atribuição desse poder descomunal ao CNE definitivamente não combina com as noções mais elementares de autogoverno e democracia.

A quem prestam contas esses servidores, afinal? Ao povo que não é; ou não teriam emitido, no ano passado, uma nota pública de censura endereçada às assembleias legislativas e às câmaras de vereadores – e, implicitamente, também ao Congresso Nacional – por haverem excluído a ideologia de gênero dos planos estaduais e municipais de educação; nem declarado, na mesma nota, em tom de desafio, que as Diretrizes Nacionais de Educação, a serem por eles elaboradas, estarão “voltadas para o respeito à diversidade, à orientação sexual e à identidade de gênero” – donde se conclui, senhores deputados e senadores, que, se depender do CNE, “vai ter gênero” na BNCC.

Não é possível que seja assim. Numa democracia, se alguém deve ter o poder de decidir o que é que dezenas de milhões de indivíduos serão obrigados a estudar ao longo da sua vida escolar, que seja o parlamento, e não um punhado de agentes públicos indicados pelo chefe do Executivo. Cabe, pois, ao Congresso Nacional chamar a si, o quanto antes, essa imensa e histórica responsabilidade.
 

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  • Nivaldo Cordeiro
  • 08 Favereiro 2016

www.nivaldocordeiro.net

Não sei se se pode falar em "erro ideológico", mas não encontro outra expressão para designar a persistência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de reafirmar suas crenças socialistas e distributivistas ao tempo em que faz críticas aos governos do PT, a quem chama de lulopetismo, certamente uma forma de descaracterizar a gênese do PT, supostamente contaminada pelo personalismo de Lula. A fé na igualdade que FHC carrega é cega e estúpida e incompatível com a realidade, mas ele certamente morrerá abraçado com ela. Não beijará a cruz na hora derradeira. O ex-presidente voltou à carga no artigo publicado no Estadão  - Certo e Errado - (Não deixe de ler).

O virtuosismo sofista de FHC se ressalta no artigo ao buscar apoio em dois soldados de sua corriola, um vivo e um morto. Citou a entrevista de José de Souza Martins às páginas amarelas da revista Veja, que disse que a visão dicotômica do PT se deve à sua suposta origem católica. Ora, essa é uma perversão de conceitos. O PT, se teve apoio de setores católicos na origem, e daqueles setores que abraçaram o marxismo e, portanto, não mais eram católicos, mais apoios teve entre os integrantes das esquerdas revolucionárias. Estas sempre viram o mundo de forma dicotômica, é da essência dos partidos revolucionários dizer que os membros do partido são os redentores do povo, os bons, os que têm o sentido da história, e os demais, inclusive o povo, são os maus que precisam ser ou reformados ou exterminados.

Esse mundo em preto e branco é típico dos revolucionários que pregam a igualdade e a sua implantação por diferentes formas. FHC pensa exatamente assim, embora esteja treinado para fazer discurso apaziguador "democrático", tolerante. Essencialmente não há diferença de programa entre FHC e o PT.

O outro autor a que apela, morto, é Sérgio Buarque, que aqui se torna veículo para o sociólogo exibir sua erudição suposta, tomando dele de empréstimo a expressão "atrasado" para impingir ao PT, como se isso fosse algum conceito e explicasse alguma coisa. Ora, todo o socialismo é o atraso ele mesmo, a derrocada espiritual, o descenso civilizacional, a negação as coisas naturais ao homem. É a tentativa de inventar o "homem novo" e, ao fazê-lo, construir o inferno na terra que faz de alguém socialista. É a veia de salão de FHC quase preconceituosa contra o PT. No fundo, a crítica ao PT é a crítica de todos os líderes do PSDB: a da competência técnica para governar supostamente portada pela socialdemocracia ante a notória incompetência administrativa do PT.

Ora, o PT é apenas mais coerente e mais urgente na perseguição da sua utopia, daí porque o desastre aparece mais rápido e mais nitidamente nos seus governos. Em favor de si FHC tem o Plano Real, sim, mas esse é um ponto fora da curva. No seu governo tivemos a gênese das políticas compensatórias do PT, a vã tentativa de fazer reforma agrária ao tempo em que a população já nem mais estava nos campos, fez crescer imensamente e rapidamente a carga tributária, uma verdadeira herança maldita. O Plano Real foi apenas um pingo de sensatez num mar de insensatez socialista que foi o governo de FHC, os dois.

Daí FHC poder fazer a sua magna conclusão: "cabe aos políticos de oposição, na luta ideológica, continuar a desmantelar as fortalezas do atraso." Ou seja, a ele mesmo e a sua corriola, que são a oposição consentida e aceita por todos os socialistas que se aboletaram no poder. Por isso FHC pode ensinar: "Erros que não remetem à divisão esquerda/direita, mas se explicam pelo atraso na compreensão da política econômica e pelo interesse em manter o poder e os bolsos dos partidos e de alguns de seus dirigentes recheados com dinheiro alheio, dinheiro do povo. " Entenda-se: não é errado ser de esquerda, é certo ser de esquerda, mas não da esquerda aloprada e incompetente que é o PT. É o discurso do autoengano mais sonso que já vi escrito por FHC.

Diga-se de uma vez: a desgraça do Brasil é que temos visto sucessivos governos esquerdistas buscando sua utopia às custas dos brasileiros de bem, que são roubados, vilipendiados, submetidos à tirania burocrática mais vil e impedidos de construir de forma livre seu próprio destino. FHC é o grande arquiteto dessa tragédia nacional. O PT sempre foi seu filho dileto. FHC passou a faixa de presidente a Lula com a maior satisfação, embora os brasileiros despertos soubessem que seria um passo errado em direção a um oclocracia, como se revelou. Não porque Lula era o atraso, mas porque representava o passo adiante em direção ao "verdadeiro" socialismo.

O cinismo ideológico de FHC chega a ser comovente e quase convincente. Contudo, a utopia da igualdade já está suficientemente desmascarada para seduzir quem pode pensar por si mesmo. FHC, nesse sentido e no plano teórico mais geral, é um grande mentiroso. E se acha o tal da cocada preta. Daria dó tal pretensão se não tivesse tido o poder de cometer tanta maldade contra os brasileiros e, pior, ter condições de voltar ao poder para repeti-las.

 

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  • Ruy Fabiano
  • 07 Favereiro 2016

 

O PT acabou, mas não o projeto revolucionário que intentou – e fracassou. Diversas etapas, no entanto, foram cumpridas, entre as quais o aparelhamento das entidades da sociedade civil e da máquina administrativa do Estado, nos níveis regional e federal.

Não será fácil desmontá-lo. É um patrimônio, cuja construção precede a chegada do partido ao poder. O que se constata, sobretudo após a derrocada de Lula, é a tentativa de mudar a fachada, migrar o projeto para outra sigla.

Há as periféricas – PSTU, PCdoB, PSOL, PSB -, mas nenhuma com o potencial eleitoral da Rede de Sustentabilidade, de Marina Silva, com seus mais de 20 milhões de votos, obtidos nas duas últimas eleições. A Rede já recolhe sobreviventes do Titanic lulista.

Marina é fundadora do PT e só deixou o partido por não encontrar espaço para suas pretensões presidenciais. Não houve – nem há - qualquer divergência ideológica. Ela mesma, reiteradas vezes, já manifestou, além de imensa admiração por Lula, saudades dos tempos em que, ao lado de Chico Mendes, no Acre, deu início ao partido e à CUT. Está, pois, na gênese de tudo isso.

O que dificulta a percepção dessa identidade é que o discurso de Marina é mais difuso: vai do mais abstrato ambientalismo até questões de fundo moral, que explora a descrença popular na política e acena com mudanças que não se explicitam. Contrapõe, por exemplo, a reforma política à reforma “da” política, não esclarecendo exatamente o que a contração da preposição “de” com o artigo “a” distingue uma coisa da outra.

Fala, por exemplo, em “aeróbica da musculatura do acerto”, e em combater a “musculatura do erro”. Coisas do gênero, que, ditas de um palanque, impressionam, mas que, concretamente, não sinalizam nada, nenhum projeto. Ela é contra o mal e se apresenta como a face do bem. E basta.

Quando o discurso evangélico conflita com a agenda comportamental da esquerda – casos da legalização do aborto e do casamento gay -, muda de assunto ou diz que uma coisa é o Estado laico e outra sua religião – embora sua religião não distinga uma coisa da outra e abomine a agenda dos seus (dela, Marina) aliados.

A demonização de uma atividade - no caso, a política – por alguém que a pratica há décadas e dela vem extraindo dividendos é, em si, um paradoxo. Mas o eleitor brasileiro é mais emocional que racional. Não percebe, nem liga para paradoxos.

Marina se vale de simbolismos e metonímias, sem descer a fundo nos conflitos e complexidades que o país vive. Louva tanto o sociólogo Fernando Henrique quanto o “operário” Lula, evitando o divisionismo classista, pobres versus ricos, sulistas versus nordestinos, explorado pelo PT.

Mas o fundamentalismo é o mesmo, expresso na ideia revolucionária de que é preciso inventar outra nação, outro povo e que os cinco séculos anteriores foram uma soma de equívocos, que precisam ser revogados – o “nunca antes neste país”, bordão de Lula. O PT é o socialismo carnívoro; Marina, o vegano.

Não é casual que Marina não tenha manifestado nenhuma opinião a respeito da Lava Jato. Considera o impeachment de Dilma sem fundamento e só recentemente passou a defender a cassação do mandato via TSE, que contempla o seu projeto eleitoral.

Observem o movimento não só de petistas, como o senador Paulo Paim, mas de gente do PSOL, como o senador Randolfe Rodrigues, em direção à Rede. A própria Martha Suplicy, petista histórica, co-fundadora do partido em São Paulo, cogitou de aderir a Marina. Acabou optando pelo PMDB, por lhe oferecer melhor estrutura para sua candidatura à prefeitura de São Paulo.

A esquerda pragmática já desistiu do PT e procura recriar-se com Marina e sua Rede. O próprio Rui Falcão, presidente do PT, ciente do estigma que a legenda hoje carrega, já defende que o partido se dilua numa frente de esquerda nas próximas eleições, que permita que seus candidatos ocultem a estrela outrora tão festejada.

O declínio de Lula já não deixa dúvida. Sem uma liderança – pior: com uma ex-liderança que hoje expressa a farsa de um paraíso perdido -, o partido faz uma defesa quase burocrática de seu chefe, ciente de que sua carreira chegou a um ponto de não-retorno. A defesa do mandato de Dilma é circunstancial, até que outra porta se abra e o projeto revolucionário encontre sua continuidade em outra legenda. A Rede de Marina é a opção.

* Jornalista
 

 

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  • Renato Sant'Ana
  • 07 Favereiro 2016

(Publicado originalmente no Alerta Total)

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) enviou ofício a Dilma Rousseff pedindo a federalização da segurança pública e a criação de um ministério para fazer frente à violência no País.[1] Mais um ministério! Mais CENTRALIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, MAIS CONCENTRAÇÃO DE PODER EM BRASÍLIA, mais gastos com a burocracia, mais "cargos comissionados" para militantes, a ampliação da máquina estatal, quando já temos um Estado mastodôntico.

A OAB tenta enfiar na cabeça dos incautos um raciocínio malicioso: "se é a União que tem dinheiro, é ela que deve resolver o problema." Pior, muitos cairão nessa!

A armadilha da OAB parte de um fato: a arrecadação de impostos no Brasil ultrapassou folgadamente DOIS TRILHÕES de Reais em 2015.[2] Dessa fabulosa montanha de dinheiro, em torno de 70% fica para a União. Apenas cerca de 30% são divididos entre Estados e municípios. Em suma, por uma aberração na distribuição dos tributos (apenas por isso), é a União que acumula dinheiro. E a OAB tentando piorar as coisas...

Brasileiros acuados

O temor é generalizado, eis que generalizada e crescente é a violência no país. Aí, a OAB mira no pavor dos brasileiros e dispara o seu raciocínio: "se é a União que tem dinheiro, é ela que deve resolver o problema." Uma armadilha! Como em histórias de bruxas, a OAB oferece um chá com veneno: o PRETEXTO é solucionar o problema da violência, mas o real PROPÓSITO é centralizar o poder e potencializar o controle estatal, o que significa, entre outros, fracasso econômico e ameaça às liberdades individuais. É o modelito venezuelano, se alguém não percebeu!

Macabra estratégia

Concentrar tudo em Brasília e acabar com a configuração federativa é um projeto de poder conforme as diretrizes do nefasto Foro de S. Paulo. A iniciativa da OAB é apenas parte de uma orquestração. Dou apenas mais três exemplos.

1. O Sen. Cristovam Buarque, que enfeitiça os desavisados com seu blá-blá-blá sobre educação, propõe a federalização do ensino fundamental. Belo projeto de ditadura! "Áh, mas ele é defensor da educação..." Bem se vê! Ele imagina que, de um mundo de fantasia, perdulário e fora da realidade, isto é, de Brasília, sairão ideias iluminadas para conduzir a educação em todo o território nacional, como se acúmulo de dinheiro garantisse lucidez e respeito.

2. Tramita no Congresso o Projeto de Lei 186/14, que legaliza o jogo no Brasil, dando, à União, o monopólio para credenciar, outorgar e, óbvio, arrecadar com os jogos legalizados. Os Estados ficam apenas com o ônus e o custo da fiscalização. Sérgio Ricardo de Almeida, presidente da Loterj (loteria do RJ), recentemente advertiu que aqueles Estados que têm loterias estaduais, se aprovada a lei, deixarão de arrecadar bilhões.[3] Só mais um artifício para Brasília sugar dinheiro!

3. Em janeiro de 2007 Lula sancionou a Lei do Saneamento Básico. Aproveitou para fazer seu discurso populista e chamar de irresponsável a administração de FHC. Passados nove anos, Brasília não fez avançar um milímetro sequer no saneamento básico.[4] O Aedes Aegypti agradece...

O grande imbróglio

Por comodismo, ignorância ou má-fé, a maioria dos brasileiros ajuda a manter este modelo de Estado paternalista - que arrecada uma fábula em impostos e não dá solução satisfatória a coisa alguma. Tudo está montado para que, aqueles que chegam ao poder, lá se perpetuem. Entende-se, pois, por que são raros os que têm a grandeza de pensar no melhor para o país: é difícil renunciar a privilégios legalmente instituídos.

A OAB, o Sen. Cristóvam Buarque, os 513 deputados federais, os 81 senadores e todos os brasileiros decentes, em vez de suplicar a tutela da União para problemas locais, deveriam empenhar-se em restaurar o pacto federativo, garantindo maior grau de autonomia aos entes federados, reduzindo a concentração de poder e de dinheiro em Brasília, ou seja, deveriam reformar o Estado. Mas quem se dispõe a fazê-lo?

Uma certeza há: se os cidadãos comuns (contribuintes escorchados, mas eleitores de cujo voto políticos dependem) não buscarem um mínimo de esclarecimento e compreensão do quadro atual, nada vai mudar. Contrário senso, se a sociedade tiver esclarecimento e consciência da própria legitimidade para exigir mudanças, então o Brasil começará a aprumar-se. Ainda vivemos num regime em que a opinião pública é levada em consideração.

* Psicólogo e Bacharel em Direito.

 

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  • Bruno Braga.
  • 06 Favereiro 2016

 

Publicado originalmente em [http://b-braga.blogspot.com.br/]

No dia 21 de janeiro, o governador de Brasília criou uma delegacia especial para apurar crimes de "intolerância religiosa". Na cerimônia que a instituiu, Rodrigo Rollemberg, do PSB (Partido Socialista Brasileiro) - partido que pertence ao Foro de São Paulo - acolheu as protagonistas do evento: representantes de "religiões de matriz africana" [1].

Falou-se ali em incêndio contra um "terreiro de candomblé", contudo, sem que fosse apresentado qualquer esclarecimento sobre as motivações do crime - elemento necessário para saber se de fato estaria caracterizada a tal "intolerância religiosa". O promotor que acompanha as investigações não tem ainda uma conclusão definitiva a respeito do caso: “É possível que tenha sido acidental, pois havia uma fiação elétrica no local que podia gerar um curto-circuito. Mas também é possível que seja criminoso. O que a gente tem recomendado é que não se afaste qualquer possibilidade” [2]. De qualquer maneira, na reportagem de referência para este texto - e em outras utilizadas para pesquisar o tema - não havia qualquer menção a crimes cometidos contra cristãos, nem mesmo às frequentes ridicularizações que "colorem" as Paradas Gay na capital do país - crime previsto no Código Penal (Cf. art. 208). Bom, a omissão não é por acaso, pois os cristãos são o alvo.

A delegacia não tem nada a ver com "intolerância religiosa". A propósito, qual será o padrão estabelecido para o "tolerável"? É um despropósito criar toda uma estrutura - sendo que policiais, na própria cerimônia de sua criação, protestavam por condições mínimas de trabalho [3] - para cuidar de crimes e condutas já contemplados de forma eficiente na legislação penal e que não têm número de ocorrências significativo que justifique tratamento "especial".

O teatrinho montado serve a interesses políticos, e é peça de uma disparatada engenharia social. Uma imagem traduz muito bem o que se passa por trás das cortinas. Recentemente, Porto Alegre (RS) sediou o Fórum Social Temático - evento do Fórum Social Mundial, criado pelo Foro de São Paulo. No dia 19 de janeiro, na marcha que deu início ao encontro comunista, macumbeiros levantaram a mesma bandeira dos "povos de matriz africana". Mas, logo atrás deles, um grupo carregava o seguinte estandarte: "Busque à [sic] Jesus, NENHUMA 'IGREJA'" (Cf. Imagem).

Não é interessante identificar agentes do mesmo tipo e grupos com os mesmos propósitos políticos marchando em fóruns comunistas e celebrando a criação de "delegacias especiais" contra a "intolerância religiosa"? Não é curioso notar que os cristãos têm sido o maior estorvo para as suas ambições? Afinal, não são os cristãos que começam a se dar conta do totalitarismo comuno-petista que tomou de assalto o Brasil e até as suas igrejas e templos? Não são eles que, na tentativa rasteira de amordaçá-los, são acusados de "fundamentalistas", que ouvem gritos histéricos contra uma tal "teocracia" e reivindicações estapafúrdias por um "estado laico"? Não são os cristãos que têm frustrado a sanha assassina dos abortistas, que se opuseram à engenharia social da união entre pessoas do mesmo sexo, lutaram nas câmaras legislativas de todo o país contra a ideologia de gênero gayzista nas escolas?

Para implantar um projeto totalitário de poder - que abarque não só instituições políticas, mas as dimensões sociais e culturais - é necessário "domesticar" os cristãos. Não se trata aqui de formular uma tese conspiratória, basta recorrer à história dos regimes totalitários ou estudar os propósitos e efeitos da Teologia da Libertação dentro da Igreja Católica. Mas, para os cristãos "raivosos" e "indomáveis", que não seguem o "catecismo" do "politicamente correto" - ou que não se adequam ao padrão do "tolerável" - resta a força: eles são transformados em caso de polícia, sob o pretexto de se estar combatendo a "intolerância religiosa".


ADENDO.

O Fórum Social Temático de Porto Alegre contou com uma seita comuno-ecumenista para celebrar a "paz" e a "tolerância religiosa" [4]. No entanto, na marcha de abertura do evento comunista, havia bandeiras pontificando: "Tem que buscar a Jesus, não as igrejas"; "As 'igrejas' são uma fraude, por favor, busque a Jesus apenas por si mesmo" (Cf. imagens). Contradição? Expressão de "pluralismo"? Não. Nada disso tem a ver com "religião". É o vale tudo, tudo que possa beneficiar a revolução comunista.

REFERÊNCIAS.

[1]. Cf. "Brasília cria Delegacia de Repressão aos Crimes de Discriminação", Agência Brasil, EBC, 21 de janeiro de 2016 [http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-01/brasilia-cria-delegacia-de-repressao-aos-crimes-de-discriminacao].

[2]. Cf. "Governo cria delegacia de combate à intolerância religiosa", Jornal de Brasília, 21 de janeiro de 2016 [http://jornaldebrasilia.com.br/noticias/cidades/663601/governo-cria-delegacia-de-combate-a-intolerancia-religiosa/].

[3]. Cf. [1].

[4]. Cf. "Fórum Social Comunista 2016", V [http://b-braga.blogspot.com.br/2016/01/forum-social-comunista-2016.html].

  

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