• Rodrigo Constantino
  • 14 Março 2016

(Originalmente publicado em http://rodrigoconstantino.com/)

O que dizer? Apenas que era preciso ter estado lá, com o povo brasileiro, reunido por um país melhor, contra o governo mais incompetente e corrupto de nossa história. Não tinha como ficar de fora disso, e estou muito feliz por ter vindo direto da Flórida “só” para essa manifestação. Foi incrível. Foi fantástico. Foi lindo de ver.

A energia nas ruas, a esperança renovada, famílias inteiras, crianças, idosos, jovens, todos juntos num protesto apartidário e pacífico, o que dá um nó na cabeça dos petistas. Eles não sabem o que é isso. Nunca entenderam o conceito de patriotismo e de civilidade. Não é de sua natureza golpista e revolucionária.

Carlos Andreazza, editor da Record, resumiu bem a situação de perplexidade dos petistas:
Para quem sempre teve o domínio dos protestos de rua, compreendo que seja difícil assimilar a derrota monumental de ontem. Foi golpe mesmo. A maior manifestação pública da história do Brasil não foi sua. É duro. É um tremendo baque narrativo. Mas é do jogo.

Sei que o repúdio à figura do político tradicional de qualquer partido – Aécio e Alckmin foram hostilizados, entre outros – causa-lhe curto-circuito. Mas é o que é: quem foi às ruas ontem não tem compromisso seletivo; não tem compromisso de defender Fulano, Sicrano ou Beltrano. Este compromisso – eletivo – é seu. Vire-se com ele. Cada um tem a jararaca que merece. Enrole-se com ela.

Tenho clareza sobre o fato de que a exploração cafajeste da imagem de uma família com babá – trabalho regulamentado e recolhedor de impostos como o meu e (espero) o seu – é reação representativa do desespero de uma constatação: você sabe que elite nenhuma no mundo reúne milhões de pessoas nas ruas; você sabe que a conta não fecha.

Você sabe…

Foi o povo brasileiro.

O povo brasileiro, esse ilustre desconhecido dos petistas, que transita apenas em seus discursos, nada mais. Algo mudou: o PT não tem mais as ruas, não tem mais nada além dos vendidos, da gangue da mortadela. Até a classe artística, que outrora fez tanta campanha pelo “partido”, mudou. Suzana Vieira estava lá, eu vi, assim como Márcio Garcia, entre outros. No passado, vejam quantos deram seu apoio a essa ilusão furada chamada Lula:

Muitos ainda continuam defendendo o indefensável, ou calados, com vergonha. Mas não é mais algo “descolado” defender Lula, uma “estrela que brilha”. O que brilha em Lula é todo o ouro que ele roubou. E não venham dizer que ele mudou no poder; ali ele foi apenas revelado. Seus defensores é que se iludiram e quiseram acreditar numa farsa, pois era charmoso, romântico ter o ex-metalúrgico com discurso populista como mascote. São os que defendem o PSOL hoje.

O PT joga tão baixo que até no horóscopo da Folha de domingo ele se meteu, por meio de Bárbara Abramo (o nome diz tudo, o mesmo da fundação do partido). Foi algo tão escancarado que impressiona. Todos os signos tinham como recomendação afastar o leitor das manifestações, incentivando os leitores a permanecer em casa, no campo, no cinema, longe de emoções e gente.
Vão todos na mesma linha de desincentivar “atividades improvisadas”, de evitar o “emocional coletivo” que “anda teimoso” com “fantasias”. É simplesmente absurdo! Parece até que Verissimo voltou a escrever horóscopos. Essa Falha de SP…

Por falar no maior jornal do país, “golpista” segundo o PT, seu instituto de pesquisas, Datafalha, cometeu genocídio: eliminou um milhão de brasileiros! Diz que foram 500 mil na Av. Paulista, e basta olhar a capa do Estadão para ver o absurdo:

Um mar de gente! Uma multidão impressionante! O MBL contratou empresa israelense especialista no assunto e sua contagem deu 1,4 milhão. Ou seja, o Datafolha sumiu com um milhão de paulistas patriotas! A revolta do povo com a classe política está evidente, e a imprensa será a próxima vítima, se continuar assim.
 

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  • Fernanda Barth
  • 13 Março 2016

(Publicado originalmente em fernandabarth.com.br)

Uma “tempestade perfeita” é uma situação na qual um evento, em geral não favorável, é drasticamente agravado pela ocorrência de uma rara combinação de circunstâncias, ampliando seus efeitos e transformando-se em um desastre de proporções magníficas. O Brasil está vivendo uma tempestade perfeita, tanto no aspecto econômico quanto no político, e no centro desta tempestade, quase sendo levado por um tornado de 300 km por hora, está o governo do PT, Dilma e Lula.

A sucessão de acontecimentos vividos nas últimas semanas, com a delação premiada de Delcídio, o aprofundamento das investigações sobre o triplex e o sítio de Atibaia, os containers com os tesouros do Palácio do Planalto descobertos em depósito pago pela OAS, o pedido de prisão preventiva feito pelo MP de São Paulo, a manifestação do dia 13 de março, parecem encaminhar para um desfecho próximo, onde parte do esquema descoberto pela da Lava Jato é desvendado. Eu digo parte porque estou convencida de que muito ainda está por vir.

Os indícios são fortes de que o crime mais grave cometido até agora tenha sido o de tráfico de influência, com evasão de divisas e lavagem de dinheiro, envolvendo o BNDES, as empreiteiras, as palestras do ex-presidente, os países do Foro de São Paulo e João Santana. Quando penso na triangulação que parece ter sido feita com o dinheiro dos Fundos de Pensão, do Fundo de Garantia por Tempo de Trabalho (FGTAS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que alimentam o BNDES, para pagar obras bilionárias em países como a República Dominicana, Cuba, Angola, Gana, Botswana, Uruguai, Venezuela, Nicarágua, Argentina – apenas parte dos 3 mil empréstimos estrangeiros, ainda mantidos em segredo, sem nenhuma transparência (veja lista parcial abaixo) – fico revoltada e entristecida.

Estas obras de infraestrutura que não temos em nosso País, que fazem tanta falta, que fariam o Brasil dar um salto em desenvolvimento sustentável, como saneamento básico, moradias populares, portos, aeroportos, usinas, metrôs, hidrovias, estradas, ferrovias, foram dadas de bandeja, com taxas subsidiadas por nós, para outros países, a maioria componentes do Foro de São Paulo, para irrigar de recursos o projeto de poder socialista, continental, que a esquerda brasileira liderada pelo PT construiu.

Coincidentemente, João Santana foi o marqueteiro escolhido para fazer campanha na maioria destes países. Quando foi chamado pela Polícia Federal para voltar ao Brasil à convite da Lava Jato, estava fazendo a campanha de reeleição do presidente da República Dominicana, onde o BNDES colocou R$ 6,2 BILHÕES de reais em obras. Ora, olhando o tamanho da RD no mapa, ali do ladinho de Cuba, cabe pensar que nós devemos ter pago uma reconstrução completa da infraestrutura daquele país. Estou louca para ver fotos de tudo isto!

Depois disto ou paralelamente a isto a Lava Jato deve dar prosseguimento as denuncias que sejam consideradas consistentes feitas contra os líderes de outros partidos, inclusive da oposição. O que veremos é uma operação que mudará a cara de nosso país, fazendo um verdadeiro efeito dominó, um trabalho de assepsia necessário para o corpo doente da nossa democracia. Com isto a democracia se fortalecerá e os eleitores-cidadãos, tomados por uma maior consciência da importância de seu ativismo político para além do voto, passem a ser protagonistas e fiscais dos novos governos e seus representantes. Nosso trabalho está apenas começando. Eu estou feliz em estar viva neste momento histórico e poder presenciar isto. Que venha a tempestade, precisamos dela.

Investimentos brasileiros no Exterior via BNDES:
No governo Lula –Dilma, tivemos forte remessa de recursos para investimentos nos países integrantes do Foro de São Paulo, países de regimes ditadores ou de governos de esquerda populista. Vendo a lista podemos perceber que também ouve um forte investimento nos países da América Central e da África
Segundo dados divulgados, só a Odebrecht totalizou 70% do crédito total do banco em contratos com o BNDES para operações no exterior entre 2007 e 2015. Foram US$ 8,4 bilhões – cerca de R$ 28,3 bilhões na cotação atual – em financiamentos só para a empreiteira de Marcelo Odebrecht. Os empréstimos foram feitos com taxas, em média, muito abaixo do mercado, cerca de 5%. Em alguns casos, os valores são inferiores até à meta de inflação e possuem prazos para pagamento que se estendem, literalmente, por décadas. As operações também estão sendo investigadas pois em vários casos os países contemplados não ofereciam as garantias que o BNDES costuma exigir para liberar recursos.

Obras da Odebrecht
Venezuela (ditadura) – U$ 747 milhões para Construção da Linha II do Metrô de Los Teques: US$ 527 milhões e a construção da Linha V do Metrô de Caracas: US$ 219 milhões. US$ 201 milhões foram antecipados pelo banco na obra em Los Teques, sem justificativa.
Cuba (ditadura) – U$ 832 milhões para serem pagos em até 25 anos com taxas de 4,44% ao ano para a construção do Porto de Muriel.
Angola (ditadura) – U$ 2,6 Bilhões em 42 obras. Entre as principais: Construção de uma hidrelétrica em Cambambe: US$ 464 milhões (em 3 linhas de crédito diferentes); Construção de 3 mil unidades habitacionais: US$ 281 milhões; Construção de usina hidrelétrica em Laúca: US$ 146 milhões; 6ª fase do programa de Saneamento Básico de Luanda: US$ 145 milhões.
República Dominicana – U$ 1,8 Bilhão. Entre as principais: Construção de uma central termelétrica a carvão: US$ 656 milhões; Corredor Ecológico de Pontezuela: US$ 200 milhões; Reconstrução da Estrada Cibao Sur: US$ 200 milhões; Obras de melhoria da Rodovia Bavaro-Uvero: US$ 185 milhões.
Argentina – U$ 1,6 Bilhão em 348 linhas de crédito abertas com taxas de 4,98% ao ano. Entre as principais: Expansão de gasodutos da distribuidora Cammesa: US$ 636,8 milhões; Ampliação dos gasodutos da TGS e TGN: US$ 436,4 milhões; Sistema de tratamento e distribuição de água do Rio Paraná de Las Palmas: US$ 293,8 milhões; Gasoduto de San Martin: US$ 226 milhões.
Equador – U$ 227 milhões com taxas de juros de 3,27% ao ano. Obras: Construção de hidrelétrica em Manduriacu: US$ 90,2 milhões; Projeto de Irrigação Transvale Daule-Vinces: US$ 136 milhões.
Guatemala (governo de esquerda) – U$ 280 milhões com 4,94% de juros ao ano para a ampliação da rodovia Centro Americana na Guatemala.
Moçambique (ditadura disfarçada de democracia) – U$ 125 milhões Construção do Aeroporto Internacional de Nacala: US$ 80 milhões; Obras Complementares do Aeroporto Internacional de Nacala: US$ 45 milhões.
Obras da Queiroz Galvão
Nicarágua – U$ 1,1 bilhão para a construção da Hidrelétrica de Tumarin.
Bolívia – U$ 199 milhões para o Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro.
Angola – Valor não informado – para a construção da Via Expressa Luanda/Kifangondo.
Obras da Andrade Gutierrez
Moçambique – US$ 350 milhões para a construção da Barragem de Moamba Major
Peru – valor não informado – Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar.
Obras da OAS
Argentina – US$ 180 milhões para a construção do Aqueduto de Chaco.
Uruguai – Valor não informado – Renovação da rede de gasodutos em Montevidéu.
 

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  • Fábio Lavinsky
  • 13 Março 2016

(Publicado originalmente em http://lavafabio.tumblr.com/)


Gosto muito de utilizar premissas médicas/biológicas/cientificas para me posicionar frente a situações controversas e dilemas. O “senso comum” científico ajuda muito pois mesmo os fenômenos sociais e políticos muitas vezes se comportam de forma análoga aos fenômenos patológicos.

Muitos argumentam que ir amanhã é inócuo pois o que vivemos é uma crise total na classe política e na relação desta com o dinheiro público. Que a corrupção é sistêmica e que vivemos em um oceano de incompetência que transcende partidos e aflige municípios e estados tanto quanto a federação.

Concordo.

O Brasil sofre de uma neoplasia político-administrativa. Um câncer que vige há séculos após uma monarquia e um período colonial malfadado cujos paradigmas não se dissiparam com a Republica. A mentalidade de monarquia ibérica- espoliação, aristocracia, burocracia, foco na regulação e não na produção, aversão a competição e ao resultado, cultura de impostos brutais, corte mancomunada com coronéis e com a indústria mamando na classe média- continuam. O PT realmente não inventou.

O PT aprimorou de forma exponencial nossas mazelas estruturais e criou mecanismos de auto sobrevivência com políticas aparentemente positivas, mas que foram cabalmente utilizadas como cabresto e imortalização do poder. Ou seja, um câncer de crescimento lento se transformou em um câncer maligno e agressivo. E assim como o câncer maligno que ao focar na sua própria sobrevivência deixa o corpo astênico, gera metástases e acaba matando o indivíduo, o PT no governo Dilma adquiriu este tipo de atitude.

Mas então, por que ir se manifestar se o câncer de hoje é o mesmo daquele da época Tiradentes, por que só contra o PT?

A resposta é simples. O governo Dilma é um choque. Choque no sentido médico da palavra. O Brasil foi pra UTI com pressão arterial 0/0. Aqueles mecanismos que seguravam o organismo ,mesmo que cancerígeno, funcionante no governo Lula foram quebrados por uma hemorragia potencialmente fatal.

A hemorragia se dá com um PIB negativo mesmo com supersafra, com evasão de capitais pois todo o mundo enxerga o Brasil como uma loja de carros usados picareta, com deterioração de todos os indicadores econômicos e consequentemente de todos os indicadores sociais. Nos últimos 3 anos a nova classe C empobreceu e os parâmetros para classe média foram reduzidos a 50 dólares/mês (!!!).

O Brasil precisa de químio e radioterapia. Precisa revolucionar e reformar a política nos três poderes. Precisa acabar com esse federalismo onde Brasília é metrópole e os estados são as colônias. Precisa revolucionar as relações com os entes privados e encerrar a promiscuidade entre ente público e privado. Muitas vezes essa promiscuidade é fantasiada de vaca sagrada econômica gerando barreiras à competição e àquilo que parece público é fruto de uma paracutaca de cartas marcadas onde todos ganham.

O Brasil precisa de uma revolução na educação. Não só na alfabetização, mas também na mentalidade. As pessoas têm que saber empreender, criar, ser diferentes, aprimorar seus talentos. A educação que coloca todos na mesma panela e tira o MMC dos alunos é cômoda e politicamente correta. Mas ela cria uma massa de improdutivos e de analfabetos funcionais. E estes improdutivos e analfabetos são a massa de manobra mais fácil de cooptar e de alinharem a quadros onde a MILITANTOCRACIA é a métrica de sucesso.

O Brasil precisa de quimio e radioterapia. Porém o Brasil precisa sobreviver ao CHOQUE HIPOVOLÊMICO (perda de sangue) causado pelo governo Dilma. E para encerrar essa hemorragia deve se cauterizar a causadora dela- GOVERNO DILMA ROUSSEF. O pior governo da história do Brasil.

Em nome do pedido de renúncia de DILMA e do fim desta sangria desatada em nossas entranhas eu ESTAREI NA RUA AMANHÃ mesmo que discordando de muitas das bandeiras que serão levantadas lá.

Primeiro salvar a vida do paciente em morte iminente, depois tratar a patologia de base gravíssima. Simples assim.
 

* Médico

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  • Jayme Eduardo Machado
  • 12 Março 2016

 

São quase 200 milhões de mareados viajando no “navio fantasma” perdido no oceano da corrupção do Governo. Que se travestiu de Estado para se apropriar de suas instituições e através delas subsidiar a ilusão dos miseráveis, ao gosto do demiurgo de Garanhuns. Nisso, cavou o abismo da recessão e da inflação, fazendo soar o alarme do desemprego e das consequências do desamparo oficial à saúde, à educação, à segurança e o mais que se possa desamparar. Tudo para que se mantenha e acentue a desigualdade que justifica o cinismo de conveniência do mantra “nós e eles”.

A comandante resiste ao motim generalizado que de há muito contaminou sua própria tripulação, mesmo que supere a todos quantos a sucederam, em incompetência para chefiar, inaptidão para articular e cegueira estratégica para não enxergar a delinquência que a sustenta. Comporta-se como um náufrago que com uma das mãos se agarra ao timão transformado em biruta descontrolada, e com a outra tateia na escuridão à procura de objetos flutuantes lançados pelo “fogo amigo” e pelos bucaneiros-congressistas dos navios de abordagem.

Num deles (na Câmara), o comandante dissimula a condição de cadáver insepulto que se mantém de pé pela negação patológica de todas as evidências de sua morte política. Seu “fantasma”, subsidiado pelo deus de sua assembléia, se esmera na orquestração das patranhas de seus acólitos e aterroriza os inimigos pela chantagem, porque em sua maioria vulnerados ou pela corrupção, ou pela conivência com os corruptos que frequentam a Casa do Povo que mal preside.

No outro (no Senado), reina um “macunaíma” de Maceió que carrega nas costas um número de processos por crimes contra a Administração Pública jamais atingido pela mais corrupta alma – deste ou do outro mundo - que, por infelicidade geral, já tenha assombrado a Casa do Poder que mal dirige.

A esta, o terceiro poder (STF), transformado em “Supremo Constituinte”, recentemente subtraiu da outra, da do povo - embora dele devesse emanar todo o poder- o de decidir, com exclusividade, pela admissão do processo de “impeachment”. Na metáfora do navio, a tripulação suprema acredita haver fornecido ao comandante a rota “segura” na direção dos rochedos, onde só escapam do desastre os poucos que detém o uso exclusivo dos botes salva-vidas.

Por isso, neste 13 de março, abandone a acomodação do convés sinistro, vá às ruas para gritar: TERRA À VISTA !
 

 * Ex-subprocurador-geral da República

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  • Ucho Haddad
  • 11 Março 2016

Redação Ucho.Info


Dilma Rousseff já não tem condições para continuar à frente do governo. Como se não bastassem as pressões de petistas para que Lula seja guindado a algum ministério, como forma de se valer do foro privilegiado e evitar uma prisão iminente, a presidente agora vê o antecessor a dar ordens à equipe econômica, o que mostra condição acéfala do governo mais corrupto da história nacional.

Na tarde desta quinta-feira (10), Lula reuniu-se, em São Paulo, com lideranças petistas e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que ao comparecer ao encontro comandado pela jararaca de pelúcia mostrou frouxidão. No momento em que um ministro de Estado se rende às ordens de um investigado por corrupção e aceita explicar ao alarife a política fiscal do governo para 2016, fica claro que o País está sem comando e que tudo é possível a partir de agora. Tivesse pulso e poder de mando, Dilma já teria demitido Nelson Barbosa.

Não é de hoje que os petistas, contrariando todas as regras basilares, defendem a flexibilização da política econômica atual e um corte drástico no pacote de ajuste fiscal, Isso porque os “companheiros” querem salvar o partido na esteira do populismo barato que levou o Brasil à ruína.

Ciente de que jamais teve competência para governar de forma minimamente séria o País, Lula se valeu da popularidade míope e dos discursos inflamados para enganar durante o maior tempo possível a massa ignara da população. A equação bandoleira funcionou durante alguns anos, até que o ex-presidente pegou carona na crise internacional decorrente do “subprime” norte-americano. Desde então, até 2014, o Brasil viveu em um cenário que remete à fábula do “País de Alice”, o das maravilhas. E os petistas querem repetir a dose.

Arrogante como sempre, mas deveras preocupado com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, de onde pode surgir a qualquer instante um pedido de prisão, Lula continua agindo como se fosse o chefe do Executivo federal, ao mesmo tempo em que, ignorando a existência da legal ocupante do cargo, faz com que Dilma derreta em termos políticos.

A força-tarefa da Lava-Jato tem elementos de sobra para requerer a prisão de Lula, algo que até agora não aconteceu por cautela. Com o recrudescimento da crise múltipla (econômica, política, institucional e de credibilidade), a prisão de Lula torna-se um fator preponderante para a manutenção da ordem e garantia da democracia, desde que ocorra dentro dos limites da lei. O ex-presidente, que tem apelado reiteradas vezes ao expediente malandro da vitimização, tem agido para dificultar as investigações sobre o maior escândalo de corrupção da História, o Petrolão. Motivo mais que suficiente para prendê-lo.

Com as delações premiadas que devem surgir nos próximos dias no âmbito da Lava-Jato, a prisão de Lula e a queda de Dilma Rousseff é uma questão de tempo. Ao contrário do que previam os petistas, a deterioração da crise tem ocorrido com rapidez, o que certamente levará o PMDB, que reúne-se no próximo sábado (12) em convenção nacional, a decidir pelo rompimento com o governo petista.

Se isso acontecer – a chance não é pequena – Dilma terá no máximo tempo para organizar a mudança, caso queira manter os direitos políticos. Do contrário, será alvejada por um processo de impeachment devastador, até porque nenhum político será irresponsável de continuar defendendo um governo corrupto, juntamente com um partido que já foi rotulado como organização criminosa.
 

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  • Thomas Sowell
  • 11 Março 2016


(Publicado originalmente em midiasemmascara.org)

A tentativa de reduzir a desigualdade econômica com o aumento da desigualdade política, que é a essência do marxismo, custou a vida de milhões de pessoas sob o poder de Stalin, Mao, Pol Plot, e muitos outros.

Como e por que eu larguei o esquerdismo de minha juventude para adotar as opiniões que tenho hoje, as quais são a favor do livre mercado e valores tradicionais? De certa forma, minha visão de como os seres humanos agem mudou mais do que a filosofia subjacente.

Quando eu era marxista, minha preocupação principal era em relação às pessoas comuns, pois achava que mereciam melhores condições de vida, mas a elite se aproveitava delas. Essa continua sendo minha maior preocupação, mas conforme os anos se passaram, aprendi que a elite cultural e a elite política fazem muito mais danos do que a elite econômica poderia um dia pensar em fazer.

Há uma explicação: as elites econômicas competem entre si. Se a General Motors não produz um tipo de carro que te agrade, você pode procurar na Ford, Chrysler, Honda, Toyota, etc. Mas se a Agência de Proteção Ambiental (EPA) chega no fundo do poço em relação ao serviço que presta, não há agência alternativa prestando o mesmo serviço ao qual se possa recorrer.

Mesmo quando uma empresa privada parece deter o monopólio da produção de um bem de consumo, como aconteceu com a Alcoa (Companhia de Alumínio da América), ela competirá com produtos alternativos. Se a Alcoa tivesse aumentado o preço do alumínio para aproveitar seu monopólio, muitas coisas fabricadas com alumínio passariam a ser produzidas com ferro, plástico, e outros tipos de materiais. O resultado final das forças do mercado foi, meio século depois do monopólio da Alcoa, o mercado passar a cobrar mais barato pelo alumínio do que cobrava inicialmente. Isso não se deu por altruísmo dos diretores da empresa, mas porque os competidores não lhes deixaram outra escolha.

A forma que você olha para o livre-mercado depende de como você enxerga o ser humano. Se todos fossem amáveis e gentis, o socialismo seria o melhor caminho. Em uma família tradicional, por exemplo, os recursos são gastos com as crianças, pois não ganham nenhum centavo sozinhas. Isso é socialismo doméstico, e até os capitalistas mais mesquinhos o praticam. Talvez um dia descobriremos criaturas em uma galáxia distante que conseguem conduzir uma sociedade inteira dessa forma. Mas a história dos seres humanos mostra que é inviável uma nação com milhões de pessoas funcionar dessa maneira.

O discurso do socialismo é inspirador, mas seus rastros na realidade são sombrios. Países que exportaram comida durante séculos, de repente se viram forçados a importar comida para evitar a fome, depois que a agricultura foi socializada. Isso aconteceu por todo o mundo, com pessoas de todas as raças. Qualquer um que tenha visto o contraste entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental, nos tempos em que metade da cidade era controlada por comunistas, não possui dúvidas em relação a qual sistema produz mais benefícios para o povo. As duas partes da cidade eram habitadas por pessoas de mesma raça, cultura e história, mas os que viviam na parte comunista eram muito mais pobres, além de terem menos liberdade.

Uma história parecida aconteceu na África, quando a Gana dependia de programas socialistas e a Costa do Marfim se baseava no livre-mercado, depois que ambos os países se tornaram independentes, na década de 1960. Gana começou com todas as vantagens. Sua renda per capita era o dobro da Costa do Marfim. Mas após duas décadas, com cada país sob influência de um sistema econômico diferente, 20% dos habitantes mais pobres da Costa do Marfim possuíam renda mais alta do que 60% da população de Gana.

Ineficiência econômica não é o pior aspecto de um governo socialista. A tentativa de reduzir a desigualdade econômica com o aumento da desigualdade política, que é a essência do marxismo, custou a vida de milhões de pessoas sob o poder de Stalin, Mao, Pol Plot, e muitos outros. Não se deve confiar o monopólio do poder sobre a vida das pessoas à políticos. Temos milhares de exemplos na história.

A minha vontade de que o povo tenha melhores condições de vida permanece, mas a experiência me mostrou, amargamente, que a maneira de alcançar este objetivo é o oposto do que eu imaginava.


Thomas Sowell,“From Marxism to the Market”. Capitalism Magazine, 2 de Janeiro de 2002.
Tradução: Laan Carvalho
Revisão: Rodrigo Carmo
http://tradutoresdedireita.org
 

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