• Dinesh D'Souza
  • 26 Agosto 2017

 

Tanto o fascismo quanto o nazismo são fenômenos da esquerda. Ideologicamente Isso faz sentido, porque na essência eles representam a ideologia do estado centralizado e todo-poderoso. Além disso, o fascismo surgiu do marxismo, e o fundador do fascismo, Benito Mussolini, era um marxista e socialista de longa data. Hitler também era um socialista que liderava o Partido Nacional Socialista e, de fato, mudou o nome do Partido dos Trabalhadores Alemães para torná-lo o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.

Como, então, os progressistas americanos re-definem o fascismo e o nazismo como fenômenos de direita? Este passe de mágica ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, uma vez que o fascismo e o nazismo perderam o prestígio com a reputação [de serem os responsáveis pelo] Holocausto. Então os progressistas reconheceram que era importante encobrir as raízes esquerdistas do fascismo e do nazismo e movê-las da coluna da esquerda para a coluna da direita.

O maior responsável pela redefinição do fascismo feita pelos progressistas é Theodor Adorno, um intelectual marxista alemão e membro do influente Instituto de Pesquisa Social, também conhecido como Escola de Frankfurt. Os estudiosos da Escola de Frankfurt eram esquerdistas e a maioria eram refugiados da Alemanha nazista. Alguns se instalaram na Europa; outros, como Adorno e Herbert Marcuse, vieram para os Estados Unidos.

A influência de Adorno em definir como o fascismo passaria a ser entendido na América não pode ser subestimada. Quando ele e Marcuse chegaram a América tinha acabado de travar a guerra contra os nazistas e, após a guerra, o nazismo tornou-se a própria medida do horror político e do mal. Não se sabia muito sobre fascismo e nazismo fora da cobertura superficial de jornal e de rádio. No meio acadêmico e na mídia havia uma curiosidade genuína sobre o que atraiu tantas pessoas para o fascismo, o nazismo e seu respectivo anti-semitismo.

Marcuse e Adorno eram judeus, logo era esperado que tivessem algum conhecimento sobre o anti-semitismo e o destino dos judeus. E eles eram refugiados dos nazistas, então eles tiham crédito para falar sobre o nazismo, por assim dizer, “como testemunha ocular”. O trabalho deles foi abraçado pelo Comitê Judaico Americano, o qual, naturalmente, sentiu que esses dois exilados alemães saberiam precisamente a natureza do nazismo, fascismo e anti-semitismo e como superá-los. Os dois estudiosos da Escola de Frankfurt formaram basicamente o que era considerado educação antifascista nos Estados Unidos.

Na realidade, o Comitê Judaico Americano não tinha ideia de que Adorno e Marcuse tivessem sua própria agenda: não lutar contra o fascismo per se, mas promover o marxismo e uma agenda política de esquerda. O marxismo e o fascismo são bastante próximos; são ideologias coletivistas semelhantes ao socialismo. Seus inimigos comuns são, é óbvio, o livre mercado e as diversas instituições do setor privado, incluindo a igreja e a família tradicional. O marxismo e o fascismo procuraram livrar-se do capitalismo e refazer a ordem social. Marcuse, Adorno e a Escola de Frankfurt também.

Adorno decidiu ressignificar o fascismo como uma forma de capitalismo e tradicionalismo moral. Com efeito, eles reinventaram o fascismo como um fenômeno da direita política. Nesta interpretação absurda, o fascismo foi transformado nas duas coisas que os fascistas reais desprezam: livre mercado e apoio a uma ordem moral tradicional. Com uma vingança que aparece apenas cômica em retrospectiva, a Escola de Frankfurt lançou um curso intensivo para erradicar o fascismo nascente nos Estados Unidos, tornando as pessoas menos apegadas às principais instituições econômicas e sociais da sociedade americana.

O documento clássico a respeito disso é a famosa Escala F de Adorno. O F significa fascismo. Adorno delineou a escala em seu livro de 1950, A Personalidade Autoritária. O argumento básico do livro foi que o fascismo é uma forma de autoritarismo e que a pior manifestação do autoritarismo é a repressão auto-imposta. O fascismo se desenvolve cedo, argumentou Adorno, e podemos localizá-lo nos apegos dos jovens à superstição religiosa e valores convencionais da classe média sobre família, sexo e sociedade.

Descaradamente, Adorno produziu uma lista de perguntas destinadas a detectar afinidades fascistas. “A obediência e o respeito pela autoridade são as virtudes mais importantes que as crianças devem aprender.” “A homossexualidade é uma forma particularmente doentia da delinquência.” “Nenhum insulto à nossa honra deve ficar impune”. “Não importa como ajam aparentemente, os homens estão interessados em mulheres por apenas um motivo.” Basicamente, uma resposta sim a estas perguntas mostraria que você era um fascista em ascensão.

A premissa fundamental da posição de Adorno era que o fascismo alemão e italiano eram, no seu cerne, caracterizados pela repressão psicológica e sexual interna. Um momento de reflexão, no entanto, mostra por que essa posição é sem sentido. De um modo geral, as atitudes sociais em relação à religião, à família e à sexualidade eram bastante semelhantes em todos esses países, permitindo algumas modestas variações. Pode-se argumentar que os alemães da época estavam mais tensos do que os franceses, mas quem argumentaria que os italianos estavam mais reprimidos do que, digamos, os ingleses?

Então, a Escala F de Adorno não tinha poder para explicar por que o fascismo se estabeleceu tão intensa e destrutivamente na Alemanha e na Itália, mas não em outros lugares. A maioria dos fascistas reais, como secamente observa o historiador A. James Gregor em The Ideology of Fascism, “não teria feito pontuações extraordinariamente altas”. No entanto, há uma questão que de fato teria descoberto afinidades fascistas: você apoia o aumento do poder do Estado centralizado sobre indivíduos, famílias, igrejas e setor privado? Significativamente, Adorno não incluiu essa questão na Escala F, presumivelmente porque teria trazido respostas entusiastas sim de progressistas e democratas.

Dado o absurdo patente do antifascismo de Adorno, com sua escala F obviamente fraudulenta e pseudocientífica, por que a elite do meio acadêmico americano se apaixonou por isso? Por que eles concordaram com Adorno e proclamaram o seu trabalho a base definitiva para a educação antifascista? A resposta curta é que desde aquele tempo o meio acadêmico já possuía um forte viés de esquerda, e os progressistas descobriram os benefícios de abraçar a tese de Adorno.

Aqui, afinal, estava um estudioso judeu alemão declarando o fascismo como um fenômeno da direita. Claramente, ele estava jogando o fascismo no colo dos conservadores que apoiavam o capitalismo e endossavam a religião e a família tradicional. Esta era uma mentira — os fascistas reais detestavam essas instituições e queriam destruí-las — mas era uma mentira politicamente conveniente. [N.T.: Ou seja, algo factualmente errado porém politicamente correto]

Assim, os progressistas entusiasticamente aderiram à onda e o ovacionaram, e os aplausos continuam. Em 2005, por exemplo, o sociólogo progressista Alan Wolfe admitiu falhas no trabalho de Adorno, mas elogiou A Personalidade Autoritária como “mais relevante agora”, porque “parece capturar a maneira como muitos políticos cristãos de direita vêem o mundo”.

O valor de Adorno para essas pessoas é que ele capacita-os a dizer: “Abaixo o fascismo! Agora vamos nos livrar do conservadorismo e expor essas pessoas malvadas à direita. “E hoje, o embuste de Adorno permite que a esquerda chame Trump de fascista e Republicanos de a encarnação moderna do Partido Nazista. Somente ao entender essa grande mentira podemos nos vacinar contra ela e colocar corretamente o fascismo e o nazismo no lugar a que eles sempre pertenceram — na esquerda política.

Tradução de Cassia H.
(Publicado originalmente por tradutoresdedireita.org)
 

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  • Paulo Antônio Briguet
  • 25 Agosto 2017

 

(Publicado originalmente no Diário de Londrina)

 

Desde o dia 18 de janeiro de 2002, quando o corpo do prefeito Celso Daniel foi encontrado com marcas de tortura e 11 perfurações de bala numa estrada de terra, meu pai, que sempre havia sido um homem de esquerda, e que perdera seus dois melhores amigos na luta armada, nunca mais votou no Partido. Com sua intuição radical, Paulo entendeu que aquele corpo jogado era a imagem do nosso país, e que a morte de Celso Daniel era o crime fundador do Brasil contemporâneo.

O assassinato de Celso Daniel é a principal fonte inspiradora da peça "Abnegação (II)", do grupo paulista Tablado de Arruar, apresentada na programação do Festival Internacional de Londrina. Embora o Filo seja muitas vezes passível de críticas, as quais nunca me furtarei a fazer se necessário, a peça apresentada na terça-feira, como parte de uma trilogia, vale por um festival inteiro.

A beleza teatral nem sempre é bonita. Do princípio ao fim, "Abnegação" é um pesadelo, mas um pesadelo necessário. A peça parece uma mistura de "Os Demônios", de Dostoiévski, com "Dois Perdidos numa Noite Suja", de Plínio Marcos. A atmosfera de "Abnegação" poderia ser definida pela famosa frase gnóstica do monstro humano Macbeth: "A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco — faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada".

Não concordo com essa frase de Macbeth. Minha vida, aliás, é não concordar com ela! Mas o que fizeram com o Brasil nos últimos 15 anos é, sem sombra de dúvida, perfeitamente descrito pelo vilão de Shakespeare. Nas cenas de "Abnegação", que combinavam a tortura e morte de um político esquerdista (Jorge) e as absurdas descrições dos crimes de sangue por bandidos "comuns", eu vi o retrato do nosso país. Na frieza dos diálogos entre os companheiros de Jorge, eu senti a mesma sem-cerimônia com que os personagens do Partido mataram o Brasil. Em certos momentos, as falas da peça pareciam saídas do livro "Celso Daniel", de Silvio Navarro.

A mentira contada em nome da verdade, a luta por "um bem maior", a "disciplina partidária" — tudo nos faz pensar naquele crime que, na verdade, foi uma série de crimes. Além das oito pessoas mortas em circunstâncias aterradoras, eu me lembrei de um país que mata 70 mil de seus filhos por ano, um a cada nove minutos. Afinal, "o caminho para o socialismo exige sacrifícios!"

Diversas vezes parei para chorar durante "Abnegação". Chorei porque ainda existe gente que acredita piamente nas mentiras que levaram ao crime da peça e ao crime da vida real. Nos departamentos de ciências socialistas e de histórias mal contadas da vida, há sempre um militante pronto a dizer que a utopia é uma beleza. Na verdade, a tal utopia revolucionária é uma estrada de terra que, cedo ou tarde, conduz necessariamente ao assassinato e ao genocídio.

Senhor, livrai-nos da morte da alma!

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico.
  • 24 Agosto 2017

 

ANOS-LUZ
Não é preciso ser um liberal para perceber que a distância que separa o ideário político, social e econômico do governo Temer de tudo que o ideário liberal prega é simplesmente astronômica. Algo como 15 ou 20 mil anos-luz, certamente.

DUPLA CRIMINOSA

Entretanto, como liberal convicto, ao comparar o que está sendo feito com tudo que, propositadamente, fez a criminosa e destrambelhada dupla petista Lula/Dilma -do atraso-, não tenho como não aplaudir, de pé, as atitudes e decisões que o presidente Temer e sua equipe vêm informando e/ou propondo, na tentativa de tirar o nosso país do processo falimentar.

ROMBOS SUCESSIVOS

É inegável que as alvissareiras e importantes decisões e/ou proposições que vem sendo constantemente anunciadas pelo governo Temer, se fazem necessárias, principalmente, porque as contas públicas escancaram ROMBOS absurdos, sucessivos e impagáveis.

CAOS COMO ALIADO

Sabem muito bem os leitores que não foram poucos os editoriais onde afirmei que o grande aliado das reformas e decisões importantes é o CAOS. Esta situação de descalabro total só passa a ser realmente sentida quando os problemas chegam ao fim da linha, ou seja, não há mais como serem empurrados para frente.

FORÇA MOTRIZ

É, portanto, mais do que notório que a FORÇA MOTRIZ que está impulsionando esta boa onda de anúncios de privatizações e/ou concessões de serviços públicos à iniciativa privada é a enorme dificuldade de CAIXA. O CAOS, enfim, tem se revelado como ferramenta útil e importante para fazer do Brasil uma país melhor e capaz de se desenvolver.

FELICIDADE

A minha felicidade, faço questão de registrar, reside no fato de que Temer vem tomando medidas que levam o Brasil a trilhar um caminho bem diferente daquele que a dupla Lula/Dilma petista mais queria: implantar o regime ditatorial-comunista de Cuba e Venezuela.

ABANDONO DA MATRIZ BOLIVARIANA

Com Temer, queiram ou não, só pelo fato de ter abandonado a tétrica Matriz Econômica Bolivariana, a economia passou a dar sinais claros e muito evidentes de que pode sair da encrenca em que foi submetido, ainda que nada tenha de liberal.

FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL

É extremamente importante, saudável e necessário que todos os brasileiros lutem com todas as suas forças para impedir a aprovação da proposta que criam despesas, como acontece com o nojento FUNDO PARTIDÁRIO, no valor de 3,6 bi. Entretanto, o que lamento muito é a falta total de indignação do povo com relação ao INJUSTO custo da Previdência, cujo rombo previsto para este ano já chega perto de 400 bilhões.
DETALHE: o rombo da PREVIDÊNCIA gera um custo 100 vezes maior do que o valor do Fundo Partidário. Com um detalhe: na Previdência o rombo acontece todos os anos, faça chuva ou faça sol.

 

 

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  • Daniel Mitchell
  • 24 Agosto 2017

 


Em 2016, na Bielorrússia, empreendedores que operam no mercado negro — chamados pelo governo de "contrabandistas" pelo simples fato de transportarem frutas (sim, frutas) sem pagar taxas e tributos e, assim, alimentarem consumidores desejosos — atribuíram a si mesmos a tarefa de aprimorar suas rotas de transporte.

Como a estrada estatal que utilizavam — de Minsk a Moscou — era de cascalho e apresentava péssimas condições de rodagem, encarecendo o preço final de seus produtos, eles arregaçaram as mangas e foram às obras: pavimentaram a estrada, alargaram, e acrescentaram vários entroncamentos e pontos de retorno para aumentar e melhorar o acesso de seus caminhões pesados (frutas pesam muito).

Esse projeto, inicialmente secreto, foi rapidamente recompensado com um acentuado aumento no volume de tráfego.

Depois que tudo estava pronto, o governo não só encampou e retomou o controle da estrada até então abandonada, como ainda colocou uma barreira alfandegária no local.

A questão é: se operadores do mercado negro podem exitosamente construir uma estrada clandestinamente, imagine então o que empreendedores "legítimos" seriam capazes de construir abertamente?

O The Moscow Times conta toda a história:


Contrabandistas secretamente reformam estradas para impulsionar os negócios.
Quadrilhas contrabandeando bens para a Rússia reformaram, clandestinamente, uma estrada na fronteira com a Bielorrússia a fim de impulsionar os negócios.
Os contrabandistas transformaram a estrada de cascalho na região de Smolensk com o intuito de ajudar seus pesados caminhões a trafegarem pela rota, disse Alexander Laznenko, da agência alfandegária da região de Smolensk. O grupo criminoso pavimentou, alargou e elevou a estrada, além de acrescentar vários entroncamentos e pontos de retorno, disse ele.
A estrada, que liga Moscou à capital bielorrussa Minsk, é conhecida por ser utilizada por contrabandistas que querem evitar os postos alfandegários. Agora, ela está sob vigilância oficial.
Recentemente, um comboio de caminhões foi interceptado na estrada carregando 175 toneladas de frutas polonesas estimadas em 13 milhões de rublos (US$ 200.000). As frutas foram destruídas.
Os guardas da fronteira, os oficiais da alfândega e os policiais já pararam mais de 73.000 veículos entrando na Rússia oriundos da Bielorrússia este ano, disse Laznenko, alegando que o número de veículos pesados cruzando a fronteira vindos da Bielorrússia aumentou dramaticamente no último ano.

Os intervencionistas sempre perguntam: sem o governo, quem irá construir as estradas?

A resposta sempre foi a mesma: qualquer empreendedor que veja ali uma oportunidade de lucro.

E a oportunidade de lucro na construção de uma estrada é tamanha, que até mesmo pessoas que operam à margem da lei farão isso.

A vez do Canadá
O exemplo acima tratou do confisco estatal de uma infraestrutura construída por indivíduos que alguns podem considerar "criminosos". Sendo assim, há quem apóie tal medida.

Mas o que dizer do confisco de um empreendimento completamente lícito e até mesmo humanitário?

Eis que entra em cena o Canadá. Sim, o invejado e civilizado Canadá. Vem de lá o mais recente exemplo da (falta de) eficiência e racionalidade do aparato estatal.

Este fato ocorrido em Toronto é um poderoso exemplo da diferença entre ação governamental e atuação privada.

Cidadão de Toronto constrói escadas em um parque por $ 550 — e irrita a prefeitura, que havia estimado o projeto em $ 65.000


Um cidadão de Toronto, que gastou $ 550 do próprio bolso construindo uma escada para facilitar o acesso a um parque comunitário, diz não ter nenhum arrependimento. A prefeitura diz que ele deveria ter esperado pela execução de um projeto, que custaria algo entre $ 65.000 e $ 150.000, para a mesma escada, a ser efetuado pelo poder público.
O mecânico aposentado Adi Astl diz que ele tomou a iniciativa por conta própria após vários vizinhos terem caído e se machucado ao tentarem descer o íngreme acesso ao parque comunitário Tom Riley, no distrito de Etobicoke, Toronto. Astl disse que seus vizinhos voluntariamente deram dinheiro para o projeto, o qual acabou custando apenas $ 550 — valor muito aquém dos $ 65.000 a $ 150.000 estimados pela prefeitura para a consecução da obra. [...]
Astl diz que contratou um sem-teto para ajudá-lo e construiu os oito degraus em poucas horas. [...] Astl afirmou que os membros do seu grupo de jardinagem lhe estão muito gratos por ter assumido e concluído o projeto, especialmente após um deles ter quebrado a mão ao cair da ladeira ano passado.

Ou seja, um projeto que foi estimado pelo governo, conservadoramente, em $ 65.000 — mas que muito provavelmente chegaria a $ 150.000 —, foi concluído efetivamente por $ 550 ao ser feito privadamente.

E, quando se considera que todas as obras do governo tendem a ser superfaturadas e sofrer um descontrole de custos, certamente a escada custaria muito mais que $ 150.000.

A parte mais cínica de mim diria que obras governamentais sempre são superfaturadas para atender aos lobistas e grupos de interesse (empreiteiras) que subornam políticos em troca do privilégio da execução de obras públicas. A empreiteira paga a propina ao político, o político concede a ela o privilégio da obra, e o custo final — bancado integralmente pelos pagadores de impostos — é superfaturado para agradar a empreiteira que subornou o político.

No entanto, vale lembrar que superfaturamento e descontrole de custos não são exclusividade de governos corruptos. Ocorre em todos os governos, variando apenas a intensidade.

E não necessariamente se trata de corrupção; a culpa está nos incentivos perversos relacionados ao setor público.

Há uma infinidade de razões por que programas governamentais sempre acabam sendo mais caros do que deveriam, mas creio não ser desarrazoado dizer que a maioria delas se enquadra em uma dessas quatro categorias.

1. O governo é inerentemente ineficiente e esbanjador (algo óbvio para qualquer um que já lidou com alguma repartição pública e que conhece os salários dos funcionários públicos);
2. O governo não está realmente interessado em solucionar problemas, pois o fracasso de cada tentativa é usado como justificativa para se elevar o orçamento para o ano seguinte;
3. Os burocratas que produzem as estimativas de custos, por mais ínclitos e probos que sejam, não têm como levar em consideração os efeitos comportamentais envolvidos nos projetos que envolvem dinheiro público (pessoas agindo de modo a tirar vantagem do butim distribuído pelo governo).
4. Políticos deliberadamente subestimam custos com o intuito de seduzir os pagadores de impostos e conseguir o apoio deles (sim, é chocante descobrir que políticos mentem).

No exemplo específico do Canadá, temos mais exemplo prático de como uma iniciativa privada — quando efetuada sem auxílio do governo — sempre é mais eficiente e menos custosa do que um empreendimento levado a cabo pelo governo. Além do custo final da obra, apenas imagine quanto tempo ela levaria para ser efetivamente concluída pelo governo?

Mas há outra parte dessa história que me chamou a atenção. A burocracia ficou furiosa.

A cidade está ameaçando destruir a escada, pois ela não foi construída segundo os padrões estatais de regulação. [...] Funcionários da prefeitura isolaram a escada, fechando seu acesso, enquanto os oficiais decidem o que fazer com ela. [...] O prefeito John Tory disse que eventuais demoras da prefeitura não justificam que cidadãos contornem as regulamentações e construam infraestruturas públicas por conta própria.

Mas há uma consolação. Movido por uma infinita misericórdia, o governo ainda não pretende colocar o senhor Astl na cadeia ou obrigá-lo a pagar uma multa. Pelo menos, não ainda.

Astl ainda não foi acusado de nenhum tipo de violação.

Puxa, quanta bondade e sensatez.

Quem melhor resumiu e concluiu a situação foi esta mulher:
Dana Beamon, moradora da área, disse que estava muito feliz com a escada ali, pouco importando se a prefeitura a aprovava ou não. "Temos uma burocracia excessiva", disse ela. "Não temos muito iniciativa própria na prefeitura. Por isso, estou impressionada."
E esta é a lição que todos deveriam tirar. Iniciativas privadas são mais eficientes, mais rápidas e mais baratas que iniciativas estatais. Tanto na Bielorrússia quanto no Canadá.

Conclusão
Na prática, podemos também considerar este exemplo como uma manifestação de um super-federalismo ou de uma super-descentralização. De certa forma, houve até mesmo uma secessão em nível municipal.

Agora, imagine quão mais caro seria se fosse o governo federal — em vez da prefeitura — o responsável por construir as escadas? Imagine quanto tempo levaria? Certamente a obra chegaria aos milhões de dólares e levaria alguns anos.

O mesmo raciocínio se aplica caso a obra fosse efetuada pelo governo estadual (no Canadá, governo provincial). Talvez o custo e a demora não seriam tão grandes como no caso de uma obra federalizada, mas certamente a obra ainda seria muito cara e demorada.

Quando os reais usuários de algo assumem a responsabilidade por esse algo (tanto em termos de ação quanto de dinheiro), tudo ocorre de maneira mais rápida, barata e eficiente. Isso vale até mesmo para estradas e escadas.

Em outras palavras, façamos uma descentralização radical. E a mais radical forma de secessão ocorre quanto a ação privada substitui o governo.

Nota do editor de mises.org
Após a publicação original deste artigo, a prefeitura destruiu a escada de Astl, citando "padrões de segurança". A escada será substituída por outra que, segundo a prefeitura, custará $ 10.000.


Publicado, originalmente em mises.org.
 

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  • Olavo de Carvalho
  • 24 Agosto 2017


 

Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.

As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.

Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.

Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)

“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It’s All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)

“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).

Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.

Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

 

(Publicado originalmente em Diário do Comércio, 19 de abril de 2012 e em http://www.olavodecarvalho.org/viva-paulo-freire/)

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  • Miguel Lucena
  • 23 Agosto 2017

 

O índice de reincidência criminal é de 70%, e esse dado leva criminólogos à conclusão de que a pena de reclusão está falida, não resolve o problema. A saída é investir em penas alternativas.

Quem presencia os discursos tem a impressão de que as cadeias estão abarrotadas de pessoas que cometeram delitos sem violência, como furto, estelionato, fraudes diversas, apropriação indébita e lesão corporal. Ninguém fica preso por isso. As penas para esses crimes são alternativas à prisão.

Evidente que há um inchaço provocado pela prisão de traficantes de drogas – são 138 mil detentos dessa modalidade de crime. Este é um assunto que merece ser tratado à parte e deve ser o xis da questão, mas poucos o abordam abertamente por falta de coragem de assumir posições.

O restante da população carcerária é composto por presos perigosos – assaltantes, latrocidas, estupradores e assassinos. Desses, somente os que cometem homicídios pela primeira vez, sem relação com outros crimes, como disputa pelo tráfico de drogas e acertos de contas, têm reais chances de se recuperar.

A reincidência criminal não é em decorrência da prisão, mas da soltura antes do cumprimento da pena, porque, se os criminosos estivessem recolhidos, não estariam delinquindo nas ruas. Desencarcerar, como alternativa à construção de mais vagas no sistema prisional, representa um ônus a mais para a sociedade.

As escolas não ensinam mais – passam uma infinidade de deveres de casa para meninos que não têm a quem recorrer em casa, porque a mãe está trabalhando ou é analfabeta e o pai foi embora -, os loucos já foram liberados e andam por aí e agora querem libertar os criminosos.

Quem quiser que se defenda por conta própria.

* Miguel Lucena é delegado de Polícia Civil do Distrito Federal e jornalista.

** Publicado originalmente no Diário do Poder

 

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