• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico.
  • 24 Agosto 2017

 

ANOS-LUZ
Não é preciso ser um liberal para perceber que a distância que separa o ideário político, social e econômico do governo Temer de tudo que o ideário liberal prega é simplesmente astronômica. Algo como 15 ou 20 mil anos-luz, certamente.

DUPLA CRIMINOSA

Entretanto, como liberal convicto, ao comparar o que está sendo feito com tudo que, propositadamente, fez a criminosa e destrambelhada dupla petista Lula/Dilma -do atraso-, não tenho como não aplaudir, de pé, as atitudes e decisões que o presidente Temer e sua equipe vêm informando e/ou propondo, na tentativa de tirar o nosso país do processo falimentar.

ROMBOS SUCESSIVOS

É inegável que as alvissareiras e importantes decisões e/ou proposições que vem sendo constantemente anunciadas pelo governo Temer, se fazem necessárias, principalmente, porque as contas públicas escancaram ROMBOS absurdos, sucessivos e impagáveis.

CAOS COMO ALIADO

Sabem muito bem os leitores que não foram poucos os editoriais onde afirmei que o grande aliado das reformas e decisões importantes é o CAOS. Esta situação de descalabro total só passa a ser realmente sentida quando os problemas chegam ao fim da linha, ou seja, não há mais como serem empurrados para frente.

FORÇA MOTRIZ

É, portanto, mais do que notório que a FORÇA MOTRIZ que está impulsionando esta boa onda de anúncios de privatizações e/ou concessões de serviços públicos à iniciativa privada é a enorme dificuldade de CAIXA. O CAOS, enfim, tem se revelado como ferramenta útil e importante para fazer do Brasil uma país melhor e capaz de se desenvolver.

FELICIDADE

A minha felicidade, faço questão de registrar, reside no fato de que Temer vem tomando medidas que levam o Brasil a trilhar um caminho bem diferente daquele que a dupla Lula/Dilma petista mais queria: implantar o regime ditatorial-comunista de Cuba e Venezuela.

ABANDONO DA MATRIZ BOLIVARIANA

Com Temer, queiram ou não, só pelo fato de ter abandonado a tétrica Matriz Econômica Bolivariana, a economia passou a dar sinais claros e muito evidentes de que pode sair da encrenca em que foi submetido, ainda que nada tenha de liberal.

FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL

É extremamente importante, saudável e necessário que todos os brasileiros lutem com todas as suas forças para impedir a aprovação da proposta que criam despesas, como acontece com o nojento FUNDO PARTIDÁRIO, no valor de 3,6 bi. Entretanto, o que lamento muito é a falta total de indignação do povo com relação ao INJUSTO custo da Previdência, cujo rombo previsto para este ano já chega perto de 400 bilhões.
DETALHE: o rombo da PREVIDÊNCIA gera um custo 100 vezes maior do que o valor do Fundo Partidário. Com um detalhe: na Previdência o rombo acontece todos os anos, faça chuva ou faça sol.

 

 

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  • Daniel Mitchell
  • 24 Agosto 2017

 


Em 2016, na Bielorrússia, empreendedores que operam no mercado negro — chamados pelo governo de "contrabandistas" pelo simples fato de transportarem frutas (sim, frutas) sem pagar taxas e tributos e, assim, alimentarem consumidores desejosos — atribuíram a si mesmos a tarefa de aprimorar suas rotas de transporte.

Como a estrada estatal que utilizavam — de Minsk a Moscou — era de cascalho e apresentava péssimas condições de rodagem, encarecendo o preço final de seus produtos, eles arregaçaram as mangas e foram às obras: pavimentaram a estrada, alargaram, e acrescentaram vários entroncamentos e pontos de retorno para aumentar e melhorar o acesso de seus caminhões pesados (frutas pesam muito).

Esse projeto, inicialmente secreto, foi rapidamente recompensado com um acentuado aumento no volume de tráfego.

Depois que tudo estava pronto, o governo não só encampou e retomou o controle da estrada até então abandonada, como ainda colocou uma barreira alfandegária no local.

A questão é: se operadores do mercado negro podem exitosamente construir uma estrada clandestinamente, imagine então o que empreendedores "legítimos" seriam capazes de construir abertamente?

O The Moscow Times conta toda a história:


Contrabandistas secretamente reformam estradas para impulsionar os negócios.
Quadrilhas contrabandeando bens para a Rússia reformaram, clandestinamente, uma estrada na fronteira com a Bielorrússia a fim de impulsionar os negócios.
Os contrabandistas transformaram a estrada de cascalho na região de Smolensk com o intuito de ajudar seus pesados caminhões a trafegarem pela rota, disse Alexander Laznenko, da agência alfandegária da região de Smolensk. O grupo criminoso pavimentou, alargou e elevou a estrada, além de acrescentar vários entroncamentos e pontos de retorno, disse ele.
A estrada, que liga Moscou à capital bielorrussa Minsk, é conhecida por ser utilizada por contrabandistas que querem evitar os postos alfandegários. Agora, ela está sob vigilância oficial.
Recentemente, um comboio de caminhões foi interceptado na estrada carregando 175 toneladas de frutas polonesas estimadas em 13 milhões de rublos (US$ 200.000). As frutas foram destruídas.
Os guardas da fronteira, os oficiais da alfândega e os policiais já pararam mais de 73.000 veículos entrando na Rússia oriundos da Bielorrússia este ano, disse Laznenko, alegando que o número de veículos pesados cruzando a fronteira vindos da Bielorrússia aumentou dramaticamente no último ano.

Os intervencionistas sempre perguntam: sem o governo, quem irá construir as estradas?

A resposta sempre foi a mesma: qualquer empreendedor que veja ali uma oportunidade de lucro.

E a oportunidade de lucro na construção de uma estrada é tamanha, que até mesmo pessoas que operam à margem da lei farão isso.

A vez do Canadá
O exemplo acima tratou do confisco estatal de uma infraestrutura construída por indivíduos que alguns podem considerar "criminosos". Sendo assim, há quem apóie tal medida.

Mas o que dizer do confisco de um empreendimento completamente lícito e até mesmo humanitário?

Eis que entra em cena o Canadá. Sim, o invejado e civilizado Canadá. Vem de lá o mais recente exemplo da (falta de) eficiência e racionalidade do aparato estatal.

Este fato ocorrido em Toronto é um poderoso exemplo da diferença entre ação governamental e atuação privada.

Cidadão de Toronto constrói escadas em um parque por $ 550 — e irrita a prefeitura, que havia estimado o projeto em $ 65.000


Um cidadão de Toronto, que gastou $ 550 do próprio bolso construindo uma escada para facilitar o acesso a um parque comunitário, diz não ter nenhum arrependimento. A prefeitura diz que ele deveria ter esperado pela execução de um projeto, que custaria algo entre $ 65.000 e $ 150.000, para a mesma escada, a ser efetuado pelo poder público.
O mecânico aposentado Adi Astl diz que ele tomou a iniciativa por conta própria após vários vizinhos terem caído e se machucado ao tentarem descer o íngreme acesso ao parque comunitário Tom Riley, no distrito de Etobicoke, Toronto. Astl disse que seus vizinhos voluntariamente deram dinheiro para o projeto, o qual acabou custando apenas $ 550 — valor muito aquém dos $ 65.000 a $ 150.000 estimados pela prefeitura para a consecução da obra. [...]
Astl diz que contratou um sem-teto para ajudá-lo e construiu os oito degraus em poucas horas. [...] Astl afirmou que os membros do seu grupo de jardinagem lhe estão muito gratos por ter assumido e concluído o projeto, especialmente após um deles ter quebrado a mão ao cair da ladeira ano passado.

Ou seja, um projeto que foi estimado pelo governo, conservadoramente, em $ 65.000 — mas que muito provavelmente chegaria a $ 150.000 —, foi concluído efetivamente por $ 550 ao ser feito privadamente.

E, quando se considera que todas as obras do governo tendem a ser superfaturadas e sofrer um descontrole de custos, certamente a escada custaria muito mais que $ 150.000.

A parte mais cínica de mim diria que obras governamentais sempre são superfaturadas para atender aos lobistas e grupos de interesse (empreiteiras) que subornam políticos em troca do privilégio da execução de obras públicas. A empreiteira paga a propina ao político, o político concede a ela o privilégio da obra, e o custo final — bancado integralmente pelos pagadores de impostos — é superfaturado para agradar a empreiteira que subornou o político.

No entanto, vale lembrar que superfaturamento e descontrole de custos não são exclusividade de governos corruptos. Ocorre em todos os governos, variando apenas a intensidade.

E não necessariamente se trata de corrupção; a culpa está nos incentivos perversos relacionados ao setor público.

Há uma infinidade de razões por que programas governamentais sempre acabam sendo mais caros do que deveriam, mas creio não ser desarrazoado dizer que a maioria delas se enquadra em uma dessas quatro categorias.

1. O governo é inerentemente ineficiente e esbanjador (algo óbvio para qualquer um que já lidou com alguma repartição pública e que conhece os salários dos funcionários públicos);
2. O governo não está realmente interessado em solucionar problemas, pois o fracasso de cada tentativa é usado como justificativa para se elevar o orçamento para o ano seguinte;
3. Os burocratas que produzem as estimativas de custos, por mais ínclitos e probos que sejam, não têm como levar em consideração os efeitos comportamentais envolvidos nos projetos que envolvem dinheiro público (pessoas agindo de modo a tirar vantagem do butim distribuído pelo governo).
4. Políticos deliberadamente subestimam custos com o intuito de seduzir os pagadores de impostos e conseguir o apoio deles (sim, é chocante descobrir que políticos mentem).

No exemplo específico do Canadá, temos mais exemplo prático de como uma iniciativa privada — quando efetuada sem auxílio do governo — sempre é mais eficiente e menos custosa do que um empreendimento levado a cabo pelo governo. Além do custo final da obra, apenas imagine quanto tempo ela levaria para ser efetivamente concluída pelo governo?

Mas há outra parte dessa história que me chamou a atenção. A burocracia ficou furiosa.

A cidade está ameaçando destruir a escada, pois ela não foi construída segundo os padrões estatais de regulação. [...] Funcionários da prefeitura isolaram a escada, fechando seu acesso, enquanto os oficiais decidem o que fazer com ela. [...] O prefeito John Tory disse que eventuais demoras da prefeitura não justificam que cidadãos contornem as regulamentações e construam infraestruturas públicas por conta própria.

Mas há uma consolação. Movido por uma infinita misericórdia, o governo ainda não pretende colocar o senhor Astl na cadeia ou obrigá-lo a pagar uma multa. Pelo menos, não ainda.

Astl ainda não foi acusado de nenhum tipo de violação.

Puxa, quanta bondade e sensatez.

Quem melhor resumiu e concluiu a situação foi esta mulher:
Dana Beamon, moradora da área, disse que estava muito feliz com a escada ali, pouco importando se a prefeitura a aprovava ou não. "Temos uma burocracia excessiva", disse ela. "Não temos muito iniciativa própria na prefeitura. Por isso, estou impressionada."
E esta é a lição que todos deveriam tirar. Iniciativas privadas são mais eficientes, mais rápidas e mais baratas que iniciativas estatais. Tanto na Bielorrússia quanto no Canadá.

Conclusão
Na prática, podemos também considerar este exemplo como uma manifestação de um super-federalismo ou de uma super-descentralização. De certa forma, houve até mesmo uma secessão em nível municipal.

Agora, imagine quão mais caro seria se fosse o governo federal — em vez da prefeitura — o responsável por construir as escadas? Imagine quanto tempo levaria? Certamente a obra chegaria aos milhões de dólares e levaria alguns anos.

O mesmo raciocínio se aplica caso a obra fosse efetuada pelo governo estadual (no Canadá, governo provincial). Talvez o custo e a demora não seriam tão grandes como no caso de uma obra federalizada, mas certamente a obra ainda seria muito cara e demorada.

Quando os reais usuários de algo assumem a responsabilidade por esse algo (tanto em termos de ação quanto de dinheiro), tudo ocorre de maneira mais rápida, barata e eficiente. Isso vale até mesmo para estradas e escadas.

Em outras palavras, façamos uma descentralização radical. E a mais radical forma de secessão ocorre quanto a ação privada substitui o governo.

Nota do editor de mises.org
Após a publicação original deste artigo, a prefeitura destruiu a escada de Astl, citando "padrões de segurança". A escada será substituída por outra que, segundo a prefeitura, custará $ 10.000.


Publicado, originalmente em mises.org.
 

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  • Olavo de Carvalho
  • 24 Agosto 2017


 

Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.

As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.

Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.

Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)

“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It’s All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)

“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).

Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.

Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

 

(Publicado originalmente em Diário do Comércio, 19 de abril de 2012 e em http://www.olavodecarvalho.org/viva-paulo-freire/)

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  • Miguel Lucena
  • 23 Agosto 2017

 

O índice de reincidência criminal é de 70%, e esse dado leva criminólogos à conclusão de que a pena de reclusão está falida, não resolve o problema. A saída é investir em penas alternativas.

Quem presencia os discursos tem a impressão de que as cadeias estão abarrotadas de pessoas que cometeram delitos sem violência, como furto, estelionato, fraudes diversas, apropriação indébita e lesão corporal. Ninguém fica preso por isso. As penas para esses crimes são alternativas à prisão.

Evidente que há um inchaço provocado pela prisão de traficantes de drogas – são 138 mil detentos dessa modalidade de crime. Este é um assunto que merece ser tratado à parte e deve ser o xis da questão, mas poucos o abordam abertamente por falta de coragem de assumir posições.

O restante da população carcerária é composto por presos perigosos – assaltantes, latrocidas, estupradores e assassinos. Desses, somente os que cometem homicídios pela primeira vez, sem relação com outros crimes, como disputa pelo tráfico de drogas e acertos de contas, têm reais chances de se recuperar.

A reincidência criminal não é em decorrência da prisão, mas da soltura antes do cumprimento da pena, porque, se os criminosos estivessem recolhidos, não estariam delinquindo nas ruas. Desencarcerar, como alternativa à construção de mais vagas no sistema prisional, representa um ônus a mais para a sociedade.

As escolas não ensinam mais – passam uma infinidade de deveres de casa para meninos que não têm a quem recorrer em casa, porque a mãe está trabalhando ou é analfabeta e o pai foi embora -, os loucos já foram liberados e andam por aí e agora querem libertar os criminosos.

Quem quiser que se defenda por conta própria.

* Miguel Lucena é delegado de Polícia Civil do Distrito Federal e jornalista.

** Publicado originalmente no Diário do Poder

 

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  • Danilo Gentili
  • 22 Agosto 2017


(Do imperdível Facebook do autor)


Eu tinha cinco anos quando tive, pela primeira vez, consciência de que gostava de comédia. Foi enquanto assistia a um filme de Jerry Lewis na Sessão da Tarde. Eu parava tudo para assisti-lo. Esse humorista fez um trabalho humanitário sem precedentes, ajudando crianças e famílias no mundo inteiro ao criar o Teleton. Ele revolucionou o set de filmagem ao criar o Vídeo Assist. O seu trabalho influenciou gerações e gerações de humoristas. Mas nada disso importa. Nada disso está sendo lembrado na “mídia oficial”.

Hoje, ele é definido nos principais jornais assim: “Morreu o machista, racista, homofobista, xenofobista” (e outros istas). O motivo? Ele jamais se ajoelhou e pagou boquete ideológico para a religião política venerada pela maior parte dos jornalistas. Ele ousou expressar opiniões diferentes daquela considerada “correta” pela “mídia oficial” e jamais deixou de fazer uma piada proibida pela patrulha do “bem”. Perceba: de centenas de piadas, dezenas de filmes e outros grandes feitos já citados aqui, hoje, nas notícias sobre sua morte, apenas duas piadinhas são lembradas: uma sobre críquete ser esporte gay (homofobia) e outra sobre mulheres (machismo). É como se o seu trabalho se resumisse apenas a essas duas piadas.

Para os jornalistas lacradores, Jerry Lewis nasceu, contou duas piadas preconceituosas, foi um monstro e morreu. Assim é definida a vida e obra do cara. Mas é claro que, se ele tivesse feito a propaganda ideológica correta, ele poderia até mesmo ter roubado, matado e estuprado, que hoje os jornais o chamariam de gênio (já mostrei isso aqui, em O Antagonista). O problema nunca é o que você fala e, sim, de que lado você está. Vale ler mais aqui..

Como bem definiu Orwell, em “1984”, a respeito do modus operandi desses caras: “Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado.”

Já falei sobre isso algumas vezes (veja o vídeo ) e estou fazendo um documentário a respeito. Mais informações, aqui.

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico.
  • 21 Agosto 2017

 


CURIOSIDADE
Aproveitando a minha estada em Ft. Lauderdale, Flórida, resolvi passar o final de semana em Havana, a pobre capital da Ilha do Dr. Castro. Como a distância é relativamente pequena preferi fazer a viagem por via marítima, num pequeno, mas confortável navio.

CONFERIR

O que me levou a voltar a Cuba, depois de 15 ou 16 anos quando lá estive pela primeira vez, foi a curiosidade. Queria ver, sentir e conferir de perto, na minha ótica, o que mudou nesse período na bela Ilha do Caribe, destroçada intencionalmente pelo comunismo liderado pelos irmãos Castro.

RECEPÇÃO

O navio aportou em Havana, em frente a Plaza de San Francisco, pontualmente às 7 horas da cálida manhã de sábado, onde vários cubanos, cheios de expectativa de obter uma boa féria, já estavam a postos para recepcionar os quase 2000 turistas ávidos por conhecer Cuba.

BOTES SALVA-VIDAS

Por ter sido um dos últimos a deixar a embarcação percebi, ao descer, que todos botes salva-vidas, que ficam nas laterais do navio, haviam sido baixados e estavam fazendo manobras em torno. Por curiosidade perguntei ao oficial se era algum treinamento. Em em voz baixa ele respondeu: aqui é preciso ficar atento para evitar que algum cubano venha a escalar o casco do navio em busca de refugio. Ou seja, a vontade de cair fora da Ilha é constante.

DUAS COISAS

Já em terra e dando início a minha caminhada até o centro histórico de Havana, ou Old Havana, onde se concentram os museus e centros culturais, percebi duas coisas bem distintas, desde quando estive na Ilha:
1- as ruas e calçadas estão ainda mais esburacadas e sujas, com zero de conservação. A maioria dos prédios permanece ali, não apenas mais envelhecidos mas ainda mais deteriorados e cheios de infiltrações, por absoluta falta de manutenção. Mais: pessoas pobres e mal vestidas à vista por todos cantos e andares.
2- os poucos prédios que foram contruídos, restaurados e/ou estão em fase de construção, são do ramo hoteleiro, que está investindo pesado em Cuba. Prova de que o governo cubano aposta forte no turismo, para sustentar a economia.

VENDEDORES DE SERVIÇOS

Ao longo da minha caminhada até a Obispo, tradicional rua de comércio e restaurantes da capital cubana, não parei de ser assediado por alegres e gentis vendedores de serviços, tipo bici-taxi, moto-taxi, carruagens puxadas por cavalos e, obviamente, os marcantes automóveis enormes e coloridos, cujos modelos antecedem aos anos l959. Todos oferecendo, principalmente, passeios, visitas a cooperativas fabricantes de charutos, convites para frequentar os restaurantes -Paladares- e quartos para alugar, por uma ou mais noites.

LIVROS
Na mesma rua Obispo, lotada de turistas, entrei na livaria (FJ - Fayad Jamis) querendo verificar quais tipos de livros estavam à disposição. Não por acaso, os livros sobre política, ciências sociais e economia que podem ser vendidos (por imposição do governo) são aqueles que elogiam o sistema comunista. Isto é altamente fiscalizado. Eis alguns que o triste povo cubano tem direito a ler: 1- El Estado Virtuoso Como Proyecto Político del Libertador Simon Bolivar; 2- Con Grasmci en el ALBA de Nuestra America; 3- Fé por Cuba; e, 4- Biografia de Frei Beto. Pode?

DIREITOS

Por certo não preciso dizer que o que mais falta em Cuba é LIBERDADE. E o que mais sobra é POBREZA, que não passa da mais pura consequência da falta de liberdade. Ainda assim, conversando com aqueles que atuam no ramo do turismo, vê-se uma certa vibração com a tímida abertura econômica, que consiste no direito de: 1- abrir seu próprio restaurante -Paladar-; 2- alugar um quarto de sua casa para turistas; e, 3- vender charutos, abertamente.

IMPRESSÃO PESSOAL

Chama muito a atenção o fato de ninguém falar no celular nas ruas de Havana. Internet? Só nos hoteis e mesmo assim com a obrigação de digitar senha. Papel higienico nos lavatórios? Nem pensar. É preciso levar no bolso.
Com tamanha falta de liberdade, o que mais ouvi dos passageiros do navio foi: os cubanos e a sua capital não mereciam a vida que levam. Mais: de que adianta ser alfabetizado se o povo só tem direito a ler somente aquilo que o governo permite?

 


 

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