• Vinícius Montgomery de Miranda
  • 22 Outubro 2021

Vinícius Montgomery de Miranda

 

O ano de 2021 tem sido difícil, apesar do arrefecimento da contaminação por Covid-19 e da retomada da atividade econômica. Os embates e a falta de compostura entre os poderes da República parecem não ter fim - um desvario que remonta aos duelos tribais dos tempos pré-civilização. Todos os dias uma avalanche de críticas ao governo transita diante dos nossos olhos e a insegurança jurídica é lançada a níveis nunca antes imaginados, pelo constante desrespeito à Constituição por parte do próprio judiciário. Não bastasse todo esse desacerto, qualquer brasileiro que tenha passado por supermercados, farmácias, padarias ou postos de combustíveis, certamente se assustou com a disparada dos preços. A inflação acumulada até setembro ultrapassou a barreira de 10% e nem a elevação da Taxa Selic aparenta surtir o efeito desejado de controlar a carestia. O fato é que o aumento da inflação em diversos países do mundo revela o tamanho do estrago causado pelas medidas adotadas contra o vírus chinês, e slogans como “a economia a gente vê depois”, de conotação política, apenas expõem o completo desconhecimento do funcionamento de uma economia, por boa parte das autoridades. Por isso que, em meados do século XIX, o economista francês Frédéric Bastiat já alertava que toda tomada decisão tem consequências de curto e de longo prazo. Evidente que negligenciar os efeitos tardios das decisões, como sugere o keynesianismo, não é racional, tampouco prudente.

Antes, porém, de admoestar a equipe de governo pela disparada dos preços, é necessário reparar os dois fundamentos que concorrem para o atual nível de inflação: um de aspecto conjuntural e outro estrutural. A dimensão conjuntural da inflação se refere principalmente às ações governamentais no combate à pandemia, que produziram uma rara associação de um choque de demanda a um choque de oferta. À medida que o vírus se espalhava da China para Europa e depois para o mundo, no início de 2020, a população preventivamente e massivamente incentivada pelas mídias, reduziam suas viagens, suas compras e suas atividades ao ar livre. O resultado não poderia ser diferente: uma forte e inédita retração da demanda. Os dados do IBGE mostram que o 2º trimestre de 2020 apresentou forte contração no consumo das famílias (-12,5%) e nas atividades produtivas como: indústria (-12,3%), serviços (-9,7%) e construção civil (-5,7%), em relação ao semestre anterior. Previsível, portanto, que essa freada recorde viesse acompanhada de contenção das despesas empresariais e desemprego. Imediatamente, governos de todo o mundo, Brasil inclusive, lançaram mão de políticas anticíclicas, que nada mais são que estímulo fiscal. Programas de auxílio a empresas, auxílio emergencial, seguro desemprego e outros benefícios encorparam a injeção de dinheiro público na economia. Pronto! Estava aberta a jaula do dragão da inflação, que corrói o poder aquisitivo e aprisiona a economia no ciclo vicioso da pobreza.

Outra consequência do lockdown e das restrições estatais sobre a economia se deu no lado da oferta. Com a paralisação de fabricantes no Brasil e em diversas partes do mundo, muitos insumos de produção deixaram de ser produzidos. O efeito imediato foi a paralisação das cadeias de produção de diversos produtos e o aumento dos custos de centenas de milhares de produtores. Isso sem contar os muitos pequenos produtores, sem fôlego financeiro para manter seu negócio ativo e absorver os prejuízos, que precisaram fechar as portas. Logo, além dos empregos perdidos e do sobrecusto, ocorreu também a desarticulação de muitas cadeias produtivas. Isso significa que muitos fabricantes tiveram que reorganizar sua logística, reconstruir parcerias e buscar novos fornecedores, inclusive no exterior. Claro que isso demanda tempo e dinheiro, onerando a produção. O resultado final de mais dinheiro em circulação, mais endividamento público, aumento das exportações de commodities e custos em alta é a combinação de inflação de demanda e inflação de custos, que varre o mundo em 2021. No caso específico do Brasil, o agravante é a dimensão estrutural que se arrasta há séculos sem vontade política para resolvê-la.

Para entender a dimensão estrutural da inflação, é preciso recorrer à análise histórica da situação fiscal brasileira, que expõe uma dívida pública desde o período colonial, quando ainda muito pouco se sabia a respeito dos atributos econômicos do país. Desde então, e ao longo de toda a nossa história, sucessivos governos - favoráveis ao planejamento central - foram alimentando o endividamento público, que hoje estrangula o potencial de crescimento da economia do país. Até mesmo durante o período conhecido como o Milagre Econômico, quando a economia cresceu em média 11% ao ano, a participação ativa do governo na condução econômica apenas revelou sua insustentabilidade e seu potencial de gerar crises, como ocorreu logo em seguida na Década Perdida. Nessa época, a hiperinflação produziu uma retração anual média de 0,6% no PIB per capita, mesmo com investimentos da ordem de 21,9% do PIB. Protecionismo, renda estagnada, dívida externa, inflação altíssima e muitos outros problemas afligiram a população. Os sucessivos planos econômicos para controle da inflação falharam por erro de diagnóstico; e, apesar do relativo êxito do Plano Real, a gastança estatal continuou inabalável, em parte, como consequência da Constituição de 1988 e seu receituário de medidas estatizantes e benefícios sociais além do limite econômico plausível. A dura lição que até hoje o Brasil resiste em aprender é que, sem conter a farra fiscal, torna-se praticamente impossível subjugar a inflação e produzir desenvolvimento econômico sustentável.

A mídia, as ONGs, os sindicatos e as entidades de classe frequentemente fazem barulho em defesa de programas sociais ou pela preservação ambiental. Entretanto, nada obtém mais sucesso em ampliar o bem-estar social e conservar o ambiente natural que um vigoroso crescimento econômico, que aumenta a renda, gera empregos e impulsiona a solidariedade. No fundo, o que a gritaria contra o capitalismo tenta esconder é a lista de privilégios criados e distribuídos pelo Estado às expensas do setor produtivo. Sim! Bolsa Família, cotas raciais, vale gás e todos os outros benefícios estatais não passam de migalhas para dissimular a verdadeira intenção da burocracia estatal: manter seus privilégios. Aliás, na obra A Lei, de Bastiat, o autor adverte sobre a artificialidade dos direitos positivos, ao afirmar que vantagens desfrutadas por poucos, mas pagas por todos, não passam de regalias. Aposentadorias especiais, licenças-prêmio, férias de 60 dias, auxílio-paletó, proventos acima do teto constitucional e outras garantias são verdadeiras anomalias, que a administração central mantém, ignorando o artigo 5º da Constituição, de que todos são iguais perante a lei.

Dessa forma, à medida que o Estado brasileiro crescia, especialmente após a Carta Magna de 1988, a tributação não ficou atrás e se tornou uma das maiores do mundo. Ainda assim, não foi possível equilibrar o resultado das contas públicas. Os sucessivos governos coletivistas ignoraram o perigo fiscal e continuaram a inchar a máquina estatal, com mais servidores e mais empresas estatais, sem contar os benefícios sociais e as isenções fiscais. O resultado de tanto desperdício não poderia ser diferente: o endividamento público saiu do controle e, agravado pela Pandemia do Covid-19, elevou o risco dos investimentos no país. Em 2021, a dívida bruta ultrapassa 88% do PIB e a previsão de déficit nominal é de 6,8% do PIB, em um verdadeiro programa de degradação do setor produtivo da economia. Assim sendo, essa espoliação que está no âmago da organização econômica brasileira incentiva a multiplicação de improdutivos e dependentes, na mesma proporção que exaure o espírito empreendedor e a esperança de dias melhores. Hans-Hermann Hoppe alerta que, quanto maior o grau de interferência estatal nos direitos de propriedade – caracterizado como o fruto do trabalho e do esforço individual, mais prejudicado fica o processo de geração e manutenção de riqueza, e, portanto, mais pobre o país tende a se tornar.

Não é difícil compreender, por conseguinte, que a ausência legal de restrições ao poder estatal, especialmente no que se refere à capacidade de aumentar o gasto público, é o principal problema estrutural da inflação brasileira, na medida em que estimula a demanda agregada, enquanto onera e sufoca a produção. Naturalmente que a coexistência de uma inflação de demanda e de custos, produzida pelo próprio Estado perdulário, aniquila todas as possibilidades de a economia escapar da armadilha do baixo crescimento, por aviltar o poder de compra da população e amplificar os riscos de investimentos produtivos – elementos fundamentais para a prosperidade. Afinal, carga tributária elevada, complexidade burocrática, insegurança jurídica e isolamento comercial são exemplos de entraves estatais ao setor produtivo, que, além de alimentarem a inflação, obstruem esse país de enorme potencial de ascender ao grupo dos países desenvolvidos.

* Vinícius Montgomery de Miranda é Mestre pela Universidade Federal de Itajubá, MBA em Gestão Financeira pela UNITAU. Consultor de Empresas e Professor de Economia e Finanças.

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  • Luis Fernando Gomes Zolini
  • 21 Outubro 2021

 

Luis Fernando Gomes Zolini

 

Desde o descobrimento em 1500, o Brasil passou a criar vacas....


O Brasil tinha uma vaca que alimentava a IMPRENSA, a qual recebia bilhões para falar bem do governo. Jornalistas ganhavam fortunas e os donos das TVs, jornais e revistas ficavam milionários. Isso era o povo bem informado!


O Brasil tinha uma vaca que alimentava os ARTISTAS, chamada Rouanet, que pagava milhões para que eles pudessem fazer shows, cobrar ingressos caríssimos e falar bem do governo. Isso era a cultura que o povo precisava!


O Brasil tinha uma vaca que alimentava PARLAMENTARES com mensalões que garantia a aprovação de leis e do próprio governo. Isso era independência, democracia e respeito aos 3 poderes!


O Brasil tinha uma vaca que alimentava juízes do STF com passagens aéreas, viagens e mordomias. Isso também era independência, democracia e respeito aos 3 poderes!


O Brasil tinha uma vaca que alimentava as EMPREITEIRAS, que distribuíam parte do dinheiro como propina ao PT, comprava propriedades e as entregava ao seu líder ladrão. Isso gerava empregos!


O Brasil tinha uma vaca que alimentava SINDICATOS, que falavam bem do governo. Sindicalistas ficavam ricos. Isso era respeitar o direito dos trabalhadores!


O Brasil tinha uma vaca que dava dinheiro a PAÍSES COMUNISTAS cujos líderes ditavam as regras, ficavam com parte do dinheiro e deixavam o povo na miséria. Isso era distribuir riquezas com países pobres e miseráveis!


O Brasil criava uma vaca que transferia bilhões a ONGs no Brasil e no exterior que diziam proteger as florestas e os animais, mas vendiam terras e exploravam ouro, madeira e diamante. Seus líderes enriqueciam. Isso era cuidar da Amazônia e impedir o desmatamento!


Enquanto isso o Brasil só afundava, o povo do Norte e Nordeste passava FOME e SEDE, o Brasil estava estagnado e só empobrecia...a corrupção e a criminalidade imperava e tomava conta das ruas.


Daí um presidente foi eleito e assassinou as vacas!


Isso é genocidio, anti-democracia, desrepeito e negacionismo!

 

*Publicado originalmente em https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4190463224412800&id=100003474927157

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  • Adriano Alves-Marreiros
  • 20 Outubro 2021

Adriano Alves-Marreiros 

 

ANSIEDADE: o “defeito” de quem resolve

(arrego pros floquinhos com “ansiedade climática”...)

Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz...

Antoine de Saint Exupery

Onde estão mesmo as anotações que fiz pra esta crônica?  Estava tão ansioso pra escrever que nem as peguei e, se bobear, escrevo sem elas...

Já te disseram que você é ansioso demais!?  Que bom, então, posso trabalhar com você.  Difícil trabalhar com quem não é. 

Lembra aquele filme em que o pessoal levou dias para conseguir uma vacina ou um antídoto e quando conseguiu não parou de correr até enfiar a agulha?  Nem pra descansar?  Você pode ter pensado em vários filmes diferentes do meu, ou dos meus, porque são vários que tratam desse tipo de herói. Esse é o ansioso: aquele que sabe o que é uma prioridade e só pensa naquilo, só trabalha por aquilo até fazer tudo que pode, até enfiar a agulha e injetar o antídoto. 

Já pensou conseguir tudo e o médico ficar demorando a aplicar?

Sim, qualquer um que tenha real senso de prioridade é um ansioso.  Sim, estou dizendo que a maioria das pessoas não possui senso de prioridade.  Coisas simples mostram isso.  Se a sua formatura é hoje (e não é na sua casa) , por que raios você está fazendo faxina em vez de só focar na formatura?  Se daqui a duas horas você vai competir num campeonato, como você consegue perceber que tem algo sujo em cima do tanque?  Se você vai receber seus amigos pra jantar no salão do condomínio hoje à noite, porque à tarde você está arrumando seu apartamento?!  O ansioso só pensa naquilo, só se prepara para aquilo, só busca estar pronto para aquilo por horas, dias!  E quando começa a execução, nada mais existe no mundo senão aquilo...

 Enquanto depressão é excesso de passado, ansiedade é excesso de futuro.  Mas na verdade, pro ansioso não é excesso. O defeito do ansioso é que ele faz tudo mal feito exceto a prioridade, que ele faz com rendimento máximo, em geral, bem feita.  Já os sem-prioridades correm o risco de não renderem o máximo, na prioridade, por terem perdido tempo e esforço com outras coisas nos momentos errados.  Por não saberem lidar com prioridades...

 O ansioso sofre antes da hora e, com isso, antecipa as hipóteses e estará preparado para resolver o que surgir.  O ansioso é quase sempre alguém que resolve!  Dito isso e louvados os ansiosos, preciso agora defendê-los.  Não me venha chamar de ansiosos esses da geração “ansiedade climática”.  Eles não são ansiosos. Eles não são deprimidos. Não vivem um excesso de passado, pois nada fizeram de útil  e nem um excesso de futuro, pois são meros seguidores tapados da próxima modinha que surgir.

 Saudemos os ansiosos, ajudemos os deprimidos e critiquemos os modinhas da geração mais fraca que o mundo já conheceu... a dos que não sabem resolver nada...

Se tenho uma festa às 10

8:30 já estou pronto

Fico balançando os pés

Sentado na beira da cama

O tempo não passa pra mim

Cazuza

 *Artigo publicado originalmente no excelente portal Tribuna Diária, em https://www.tribunadiaria.com.br/noticia/2741/ansiedade-o-ldquo-defeito-rdquo-de-quem-resolve.html

 

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  • Stephen Kanitz
  • 16 Outubro 2021

 

Stephen Kanitz

 

Estou muito preocupado em decifrar o tamanho dessa onda de censura da liberdade de expressão que toma esse país.

Estou calado até decifrar o que querem dizer com “somente fatos cientificamente comprovados” podem ser publicados, isso dito por um membro do Supremo.

Se for assim hipóteses serão censuradas, quaisquer hipóteses, o que significa o fim da ciência, justamente o contrário.

Significa também o fim do diálogo porque muitas coisas que achamos científicas poderão provar não serem, como mostra Karl Popper.

Quanto mais sei, menos sei.

O que não entendo é que os governantes normalmente censuram quem fala mal do governo.

O Brasil, sempre na contramão, está censurando e confiscando dinheiro ganho de quem defende o governo.

De fato, no governo militar censuraram a Imprensa.

Censuraram o Estadão, a Folha, O Jornal do Brasil, mas somente pequenos trechos, 99% do resto era publicado.

É como se o Supremo mandasse apagar um post ou outro, ou exigisse correção, o que hoje é possível e instantâneo.

Mas estão fechando sites inteiros, como se proibissem o Estado, a Folha, de existirem, o que não ocorreu em 1964.

E nunca os militares mandaram sequestrar o dinheiro dos anúncios e assinaturas desses jornais.

Pior, estes jornais tinham no seu conjunto somente 500.000 leitores.

Hoje estamos censurando jornalistas e políticos com mais de 12 milhões de seguidores.

O que está ocorrendo no Brasil é muito grave.

*Publicado em 31 de agosto no blog do autor: https://blog.kanitz.com.br/censura-2/

 

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 15 Outubro 2021

 

Gilberto Simões Pires

 

TERRORISMO ESCANCARADO

Ontem cedo, em Brasília, por volta das 7 horas da manhã, o escritório que abriga as sedes da APROSOJA BR (Associação dos Produtores de Soja do Brasil), ABRAMILHO (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), ABRASS (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja) foi alvo de ATOS DA MAIS PURA SELVAGERIA.

MOVIMENTO CRIMINOSO

 

Os TERRORISTAS confessos, como informa o site Tempo & Dinheiro, são todos integrantes do Movimento Via Campesina Brasil. Pelo Twitter, logo após o VANDALISMO, uma militante do movimento criminoso postou uma mensagem na qual afirma que - esta ação faz parte da Jornada Nacional da Soberania Alimentar que denuncia o Agronegócio do país e que se trata de uma “uma bela demonstração de como devemos tratar o Agronegócio.

VIA CAMPESINA

 

Para quem não sabe, a organização TERRORISTA/COMUNISTA - Via Campesina- nasceu em 1992, quando várias lideranças camponesas (?) dos continentes americano e europeu que participavam em Manágua do II Congresso da Unión Nacional de Agricultores y Ganaderos (UNAG), da Nicarágua, propuseram a criação de uma articulação mundial de camponeses. A partir daí se transformou num movimento internacional que coordena organizações camponesas de pequenos e médios agricultores, trabalhadores agrícolas, mulheres camponesas e comunidades indígenas da Ásia, África, América e Europa.

PROPÓSITO EXPLÍCITO

 

Pois, quem acompanha os passos do MOVIMENTO TERRORISTA já percebeu que o verdadeiro e/ou único propósito do Via Campesina é VANDALIZAR, DESTRUIR E ATERRORIZAR aqueles que se dedicam -de sol a sol- a produzir os mais variados tipos de alimentos no nosso imenso Brasil. Mais: justamente aquele SETOR, cuja magnífica escala de produção tem peso substancial na formação do PIB do país.

TIPO DE GENTE

 

Em nenhum momento, o Via Campesina, o MST e qualquer outro movimento formado por comunistas assumidos, se propõem a fazer manifestações contra aqueles que NADA PRODUZEM. Pior, além de NÃO PRODUZIREM COISA ALGUMA ainda se APROPRIAM de boa parte daquilo que a iniciativa privada produz. Isto é o suficiente para que todos entendam com que tipo de gente estamos lidando. Quem ousa produzir, como bem mostra a atitude do movimento nesta manhã, é ALVO DE ATOS DO MAIS PURO TERRORISMO. 

 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 15 Outubro 2021

 

Alex Pipkin, PhD


Faz pouco tempo, vinha dirigindo pela Av. Nilo Peçanha e quase bati meu carro.

Próximo à universidade, que tem sede em São Leopoldo, há um imenso outdoor da instituição com os seguintes dizeres: “Como minha profissão pode ajudar a reduzir as desigualdades sociais”. Acho que é isso.
Espanto total; fiquei incrédulo.

Sinceramente, não sei mais se é possível vencer as narrativas coletivizantes que vêm sendo implementadas no país.

Primeiro, penso que o papel essencial de cada curso universitário é promover à excelência acadêmica técnica, formando profissionais em suas respectivas áreas de conhecimento e de especialização que possam melhor suprir as necessidades dos indivíduos e dos consumidores. Se assim ocorrer, a sociedade como um todo será beneficiada.

Verdadeiramente os cursos devem buscar alcançar as fronteiras do conhecimento em cada área de especialização, inovando em soluções, em produtos e em serviços para a população em geral.

Em nível individual, um acadêmico dotado das melhores habilidades e competências pode evoluir profissionalmente e, sem dúvida, indiretamente contribuir para o bem comum.

Portanto, objetivamente, a função vital de um curso acadêmico não é "reduzir as desigualdades sociais". Uma coisa são os fatos, outra coisa são as narrativas.

Segundo, o que importa genuinamente não são as alardeadas desigualdades sociais, mas sim a pobreza!

Quando eu leio, vejo e ouço a narrativa da "desigualdade social" me dá uma espécie de arrepio. Na grande maioria das vezes, isso implica na inveja, no ódio e no rancor àqueles que se esforçam, produzem e atingem resultados em várias esferas da vida - para si e para os outros.

Não há, como quase sempre sugerido, um jogo de soma zero, em que para alguns ganharem outros têm que perder. Se um empreendedor inventou algo que beneficiou a todos e ficou bilionário, ótimo. Sua riqueza certamente não afeta a minha vida e não impactará sobre o que eu posso ganhar.

As pessoas são diferentes, dotadas de capacidades e habilidades distintas, com diferentes objetivos e planos de vida.

O que importa de fato, inclusive moralmente, é a pobreza. A falta de recursos para comer, vestir, habitar, estudar e viver dignamente.
O foco, meu juízo, deve estar na erradicação da pobreza. Deve estar na luta por instituições mais inclusivas, a fim de eliminar esse Estado gigantesco e ineficiente no país, e o costumeiro e invencível capitalismo de compadrio tupiniquim.

Pois é, eu conheço a narrativa de uma linha jesuíta com suas retóricas à la "faça o que eu digo, não faça o que eu faço"...

Dia 15 de Outubro é dia do professor. O outdoor que eu colocaria no lugar deste que mencionei, seria exatamente um no sentido de que a universidade - não esquecendo que significa totalidade - teria vinculação com a geração de ideias e conceitos inovadores (em cada curso específico); com a criação de soluções inovadoras que melhorariam suas respectivas áreas do conhecimento, reverberando para toda a sociedade. As pessoas precisam de ideias, de inovação e da criatividade de acadêmicos especialistas. São tais ideias que contribuirão para a redução da pobreza.

É muito triste constatar - como a evidência desse outdoor - que a ideologia coletivista tomou conta das universidades, e a ideologia se baseia em meras crenças e não em evidências que comprovam aquilo que dá certo e que promove o maior progresso e crescimento para todos.

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