• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 18 Dezembro 2021

 

OVO DE COLOMBO

A expressão popular -OVO DE COLOMBO-, geralmente é utilizada para registrar que alguém descobriu algo importante, do tipo que oferece excelentes possibilidades na obtenção de resultados muito proveitosos. A título de curiosidade, a expressão -OVO DE COLOMBO-, segundo alguns historiadores, tem origem quando Cristóvão Colombo, num banquete em sua homenagem por ter descoberto a América, ouviu de alguns presentes que também poderiam ter realizado a tal façanha. Foi quando o descobridor desafiou os presentes a colocar um OVO EM PÉ. Como ninguém se mostrou capaz, Colombo foi em frente e bateu um ovo (cozido) sobre a mesa, amassando uma das extremidades, o que possibilitou o ovo ficar em pé. E acrescentou: "Qualquer um poderá fazê-lo mas, antes é necessário que alguém tenha a ideia".

OVO BRASILEIRO EM PÉ

 

Pois, aproveitando a mesma expressão, o presidente Jair Bolsonaro, depois de ouvir atentamente o seu importante ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, resolveu colocar um OVO BRASILEIRO EM PÉ, quando tornou pública, e possível, através de MP 1065/2021, a IDEIA de permitir a exploração privada de ferrovias por meio de AUTORIZAÇÃO. Como o interesse dos investidores se mostrou firme, forte e imediato, o PODER LEGISLATIVO se viu na obrigação de aprovar o importante MARCO FERROVIÁRIO. 

IDEIA FERROVIÁRIA

 

Como a IDEIA FERROVIÁRIA teve grande recepção, a considerar que, ATÉ ONTEM, o ministro da Infraestrutura já assinou dezenas de termos de adesão permitindo a construção e operação de trechos de ferrovias pelo novo regime de AUTORIZAÇÃO, cujos projetos deverão passar por DEZ ESTADOS, com investimentos bilionários, outros setores já estão fustigando o governo para que as AUTORIZAÇÕES também venham a ser possíveis e/ou permitidas. 

CONCESSÃO

 

Para quem não sabe a diferença entre CONCESSÃO E AUTORIZAÇÃO, a primeira (CONCESSÃO) é o contrato, por prazo determinado, realizado entre a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA e uma EMPRESA PRIVADA, pelo qual o governo transfere ao segundo a execução de um serviço público, para que este o exerça em seu próprio nome e por sua conta e risco, mediante tarifa paga pelo usuário, em regime de monopólio ou não. Entende-se como CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO a delegação de sua prestação, feita pelo PODER CONCEDENTE, mediante licitação, na modalidade de CONCORRÊNCIA, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.  

AUTORIZAÇÃO

 

Já a AUTORIZAÇÃO é um ATO ADMINISTRATIVO por meio do qual a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA possibilita ao PARTICULAR a realização de alguma atividade de predominante interesse deste, ou a utilização de um bem público. Trata-se, portanto de um ATO FACULTATIVO, QUE NÃO EXIGE LICITAÇÃO. Resumindo: o bem ou serviço que é CONCEDIDO pertence ao ESTADO, o que é AUTORIZADO é a obra a ser feita por investidores privados interessados. 

INTERESSE DE INVESTIDORES

 

Falando em interesse em investir no Brasil, hoje, 17, em Leilão realizado pela ANP foram arrecadados R$ 11,14 bilhões em volumes excedentes da cessão onerosa de petróleo. Dez empresas participaram da rodada e cinco fizeram oferta – quatro delas estrangeiras e uma nacional. O vencedor foi o consórcio formado por TotalEnergies EP (28%), Petronas (21%), QP Brasil (21%) e Petrobras (30%), que ofereceram percentual de excedente para a União de 37,43%, superior ao excedente mínimo. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o leilão vai permitir aumento de 12% da produção nos próximos cinco a seis anos. “Apenas essa segunda rodada vai propiciar R$ 7,7 bilhões a estados e municípios, que vão se somar aos R$ 11,7 bilhões da primeira rodada”, disse durante evento do leilão realizado nesta sexta.

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  • Dennis Prager
  • 15 Dezembro 2021

 

Dennis Prager

 

Muitos na esquerda (em oposição aos liberais) estiveram em guerra contra o Natal por mais de uma geração. Esquerdistas sempre negam que há uma guerra contra o Natal e zombam daqueles que afirmam que ela existe.

É preciso um chutzpah [audácia, em iídiche] alucinante ou falta de autoconsciência quando as pessoas fazem algo e, no entanto, negam que estejam fazendo realmente isso. Mas a evidência é esmagadora.

A esquerda impediu as escolas de chamar as férias de Natal com esse nome – o nome que as escolas chamavam ao longo de toda a história americana até as últimas duas décadas. Quase todas as escolas não-cristãs nos Estados Unidos agora chama as férias de Natal de "férias de inverno".

Menos e menos americanos, lojas, empresas ou meios de comunicação desejam às pessoas um "Feliz Natal", preferindo um estéril "Boas festas" (apesar do fato de a grande maioria dos americanos celebrar o Natal).

E em apenas uma geração, praticamente todas as empresas americanas pararam de ter uma "festa de Natal" e passaram para uma "festa de fim de ano".

Já tendo escrito no passado sobre a falsidade da não inclusividade de "Feliz Natal", "férias de Natal" e "festa de Natal", não reiterarei o ponto aqui. Basta dizer que é preciso um nível de narcisismo de tirar o fôlego para um não-cristão se ofender com as menções de Natal e um nível igual de mesquinharia para tentar privar a grande maioria dos colegas americanos da menção pública de seu feriado.

Em vez disso, quero tentar explicar por que isso aconteceu.

O argumento "inclusivo" é tão absurdo – eu sou um judeu praticante e não consigo nem mesmo me sentir ofendido ou me sentir "não incluído" por um convite para uma festa de Natal – que deve haver outras razões, ou pelo menos adicionais, para a esquerda esterilizar o Natal.

"E há.

Uma é que a esquerda vê no cristianismo seu principal inimigo ideológico e político. E está certa nisso. A única oposição organizada e de larga escala contra a esquerda vem da comunidade cristã tradicional – protestantes evangélicos, católicos tradicionais e mórmons fiéis – e de judeus ortodoxos.

O esquerdismo é uma religião secular e considera todas as outras religiões imorais e falsas.

De Karl Marx a Vladimir Lenin, de Lenin a George Soros, a esquerda considerou a religião em geral e o cristianismo em particular como o "ópio das massas" – uma droga que leva as massas a aceitar sua condição de oprimida e, assim, impede que elas se engajem na revolução.

A esquerda entende que quanto mais as pessoas acreditam no cristianismo (e no judaísmo), menor a chance de a esquerda ganhar o poder. A esquerda não se preocupa com o Islã, porque o percebe como um aliado em sua guerra contra a civilização ocidental e porque os esquerdistas não têm coragem de enfrentá-lo. Eles sabem que o confronto com os religiosos muçulmanos pode ser fatal, enquanto o confronto com cristão não implica riscos.

Segunda, a esquerda considera o cristianismo nos Estados Unidos como parte intrínseca da identidade nacional americana – uma identidade que deseja erodir em favor de uma identidade de "cidadão mundial". A esquerda não apenas lutou contra o Natal; procurou minar outros feriados de identidade nacional.

Por inúmeras razões, não apenas de esquerda, os americanos não comemoram mais o aniversário de George Washington (de fato foi substituído pelo totalmente sem sentido "Dia dos Presidentes") ou o aniversário de Abraham Lincoln, como fizeram quando eu era criança, meu pai era criança, e seu pai era criança.

O único americano celebrado em um feriado nacional é Martin Luther King Jr., que é aceitável para a esquerda porque não é branco. Uma prova do desejo da esquerda de minar os feriados nacionais especificamente americanos é a guerra aos dois feriados restantes especificamente americanos: o Dia da Independência e o Dia de Ação de Graças.

A esquerda considera o Dia de Ação de Graças uma fraude histórica e uma celebração imoral do "genocídio" dos índios americanos – que é o que se ensina agora às crianças em muitas escolas públicas americanas. E o "Feliz Dia de Ação de Graças" foi substituído por "Boas Festas".

Quanto ao 4 de Julho, o jornal New York Times está liderando a destruição da celebração do aniversário dos Estados Unidos, declarando que a verdadeira fundação da América foi em 1619, ano em que, segundo afirma o jornal, os escravos africanos chegaram ao continente americano pela primeira vez."

"É claro, ainda há o Dia dos Veteranos e o Memorial Day, mas eles não feriados nacionais especificamente americanos; praticamente todos os países têm feriados parecidos.

Mas o Natal é um problema para a esquerda. Ele celebra a religião e o faz de maneiras essencialmente americanas (como a música de Natal americana, por exemplo).

A terceira e última razão é que a esquerda é triste. Qualquer coisa e quem quer que a esquerda influencie tem menos alegria na vida. Conheci liberais felizes e infelizes e conservadores felizes e infelizes, mas nunca encontrei um esquerdista feliz.

E quanto mais à esquerda você for, mais irritadas e infelizes serão as pessoas que encontrará. Mulheres e negros felizes, por exemplo, têm uma probabilidade muito maior de serem conservadores do que esquerdistas.

O Natal é feliz demais para a esquerda. "Noite Feliz" não é uma canção para ela."

*Publicado originalmente no Daily Signal, em 17 de dezembro de 2019

**Dennis Prager é colunista do Daily Signal, radialista e criador da PragerU.

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  • Adriano Marreiros
  • 13 Dezembro 2021

Adriano Marreiros

 

Linguagem neutra causa dano ambiental

Você comerá menos carne — Carne será um luxo ocasional, e não um item corriqueiro. É para o bem do ambiente. Vídeo assustador do

Fórum Econômico Mundial [1]

             Pedro, Márcio e Carelena estavam comigo no Barranco (recomendo muito!), comendo apressadamente uma bela carne antes que proíbam por causa da camada de ozônio, do aquecimento global, das mudanças climáticas ou porque a Greta mandou.  Como somos de um tempo em que a Greta tinha Garbo, a falta dele nos faz desobedecer.

Hoje o Puggina fez a mesma pergunta que a tal guria –ironizando, claro.  Mas agora, dita com o garbo de um Percival arturiano, merece ser repetida a sério: “How dare you?!”  Como é que vocês – os lacradores que viajam de jatinho para acabar com nosso churrasco – ousam propor a linguagem neutra, tão prejudicial ao meio ambiente?

“Como assim?!”  Ué, você não entendeu?!  Será que vocês não conseguem ver as coisas que realmente causam problemas?  Quando você começa a multiplicar pronomes e variar regências e concordâncias, você escreve mais, você fala mais, você gasta mais tempo...

Ao escrever mais, você vai precisar de mais folhas de papel para imprimir.  Mais árvores serão destruídas. 

Mesmo se não imprimir vai gastar mais tempo de computador consumindo mais eletricidade exigindo mais usinas termelétricas que poluem e aquecem, mais hidrelétricas que matam animais e ecossistemas inteiros.

Mais tempo de computador também aquece mais o ambiente, diretamente.  E você se esforça mais tempo, gasta mais energia para o cérebro lembrar da lista de pronomes a usar, aumentando o consumo de oxigênio e a produção de CO2.

Se a linguagem neutra for usada oralmente, vai ter tudo isso e você vai ter que falar mais.  Então também mais CO2 emitido.

Isso se não contar o esforço e o tempo – mais CO2 – que você vai gastar para entender e explicar o que você está falando – Cá entre nós, o troço não fica só chato: fica confuso... Nem todo mundo vai entender...  E a linguagem ser neutra não vai te ajudar a neutralizar todo o carbono que ela produz...

As pessoas ficam tentando explicar o absurdo da linguagem neutra alegando o bom vernáculo, as redundâncias, o patrimônio nacional que é a língua, os prejuízos para o estilo, a sonoridade esquisita e confusa, a guerra cultural: mas nada supera o dano ambiental resultante.  Nada!!!

Vamos aos fatos, ou melhor, aos flatos: nada que a vaca exale pode superar o dano ambiental que essa linguagem causaria...

Qual a Influência da menstruação da baleia azul

na coloração do mar vermelho?

Grande mistério dos debates escolares nos anos 80.

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

*         O autor declara que comeu carne hoje e neutralizou o carbono usando o bom vernáculo.

**       Publicado originalmente no excelente Tribuna Diária https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1260/quando-a-greta-era-garbo-nao-thunberg.html

[1] https://www.youtube.com/watch?v=Hx3DhoLFO4s

 

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  • Stephen Kanitz
  • 12 Dezembro 2021

 

Stephen Kanitz

 

Só no Brasil os partidos políticos, que perdem uma eleição, imediatamente se colocam em oposição ao governo democraticamente eleito.

Brados de união para um bem maior não existem.

Não me lembro da Direita se colocar imediatamente contra o Governo Lula, impedindo-o de governar desde o primeiro dia.

Não me recordo de nenhum processo contra os filhos do Lula, apesar de indícios de valores bem maiores do que os 10% da rachadinha.

A Dilma foi para impeachment devido aos desmandos econômicos do seu Ministro da Economia, Guido Mantega. Ele saiu ileso.

Essa oposição não se dá conta que foi ela justamente aquela rejeitada pelo povo brasileiro.

Espera-se dos que perderam 4 anos de meditação, 4 anos para analisarem no que erraram, 4 anos para fazerem planos mais bem elaborados para o futuro, e não impedirem que o eleito governe.

Avaliar o governo Bolsonaro fica difícil porque não fica claro quanto a oposição boicotou um governo democraticamente eleito.

Oposição não é democracia, oposição no Brasil é claramente antidemocrática.

A oposição brasileira precisa se dar conta que foi rejeitada pelo povo brasileiro nas urnas, e que não foi eleita para fazer oposição.

*   Publicado originalmente em https://blog.kanitz.com.br/limites-da-oposicao/

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 11 Dezembro 2021

Gilberto Simões Pires

 

MODAL FERROVIÁRIO

Depois de mais de um século, o nosso empobrecido Brasil, graças à vontade do atual governo, está dando passos firmes, objetivos e determinados no sentido de ressuscitar o importante MODAL FERROVIÁRIO. O que mais chama a atenção, nesta gloriosa tarefa que rapidamente está tornando viável, real e promissor o crescimento e desenvolvimento da até então esquecida MALHA FERROVIÁRIA, é que o fantástico despertar do interesse deste esquecido setor decorre da PALAVRA MÁGICA chamada -AUTORIZAÇÃO-.

AUTORIZAÇÃO

 

Antes de tudo, AUTORIZAÇÃO significa -PERMITIR- que alguém faça alguma coisa. Algo que lembra muito a palavra LIBERDADE, que até pouco tempo atrás, em termos de INFRAESTRUTURA, era simplesmente impensável. Pois, ontem, 09, atendendo ao que estabelece o importante PROGRAMA PRÓ TRILHOS, o Ministério da Infraestrutura assinou os primeiros contratos que AUTORIZAM empresas privadas a investir -DO ZERO- NOVE TRECHOS ferroviários, cruzando DEZ ESTADOS em 3,5 mil quilômetros de trilhos. A previsão de investimentos é de mais de R$ 50 BILHÕES. É mole? 

PRIMEIRO BOOM FERROVIÁRIO

 

Como bem destaca o Estadão, o movimento é considerado histórico porque RESGATA um formato responsável pelo PRIMEIRO BOOM FERROVIÁRIO do País. Entre o século 19 e o início do 20, as ferrovias foram erguidas no Brasil pelo interesse do setor privado. Os registros apontam que o último traçado construído nesse modelo foi da Estrada de Ferro Mamoré, conhecida como a “Ferrovia do Diabo”, autorizada em 1905, com obras iniciadas dois anos depois, ainda no ciclo da borracha. De lá até 1932, novos ramais foram implantados, mas todos por empresas que já atuavam no segmento.

A PREVISÃO É 40% DAS CARGAS

 

Mais: hoje, a malha ferroviária brasileira soma apenas 29,3 mil quilômetros de estradas de ferro. Com a novidade das FERROVIAS PRIVADAS e outros projetos de concessão em andamento, o Ministério de Infraestrutura acredita que o MODAL FERROVIÁRIO terá um novo boom. Atualmente, as ferrovias transportam cerca de 20% das cargas no País, e a expectativa é de que essa participação possa ultrapassar os 40%.

MODELO

 

Este modelo de AUTORIZAÇÕES é muito comum em países como EUA e Canadá, criado para atender a demandas específicas de transporte de cargas, identificadas pelos próprios produtores e empresas. Além disso, o fardo regulatório é mais leve, baseado nos princípios da livre concorrência e da liberdade de preços – ou seja, sem intervenção do poder público na definição das tarifas de transporte. Ontem, o governo liberou as autorizações solicitadas por seis empresas: Bracell, produtora de celulose; Ferroeste, empresa ferroviária estatal do Paraná; Grão Pará Multimodal, que tem autorização para operar um terminal portuário em Alcântara (MA); Petrocity, empresa do setor portuário; Macro Desenvolvimento Ltda; e Planalto Piauí Participações.

PAÍS FERROVIÁRIO

 

Tais projetos estão entre os 47 pedidos de requerimento de ferrovias que chegaram até o momento ao Ministério da Infraestrutura. Em relação a 36 desses requerimentos, o governo já tem estimativas de investimentos que alcançam R$ 150 bilhões.

“Estamos vendo agora o início da revolução que vai nos tornar novamente um PAÍS FERROVIÁRIO, disse o secretário nacional de Transportes Terrestres, Marcello Costa. “Não existe projeto nenhum na área de infraestrutura de transportes mais transformador do que esse”, afirmou o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

 

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  • Vitor Bertini
  • 10 Dezembro 2021

 

Vitor Bertini

 

O comunicado era oficial.

O Conselho das Corujas, nos termos do Estatuto das Matas, convoca todos as criaturas desta floresta para a Assembleia Geral Extraordinária a ser realizada ainda hoje, ao pôr do sol, na Clareira do Lago.

– Qual é a pauta? – repetiam quase todas as vozes, em forma de pergunta.
– Melhor não faltar! Melhor não faltar! – Taramelavam os papagaios, emissários do Conselho, voando em bandos e espalhando ansiedade e suspense.

Os boatos sobre os motivos da convocação só não foram mais numerosos por falta de tempo. Falava-se de um novo recenseamento na floresta, na votação de um novo fundo eleitoral,  na possível explicação sobre o desaparecimento global das abelhas e até na formação de um Superior Tribunal da Floresta, uma espécie de STF regular, há muito demandado.

– Corujas não se reúnem por pouca coisa – rugiram os leões, seguros de si. 
– Vamos comparecer em paz – garantiram as leoas, respondendo aos olhares desconfiados das zebras.
– Iremos aos pulos – completaram os improváveis cangurus, certos de que viviam em uma floresta inclusiva.

Na hora do sol vermelho, com todos os bichos presentes e guardando silêncio, a coruja mais velha, Presidente do Conselho, tomou a palavra:

– Muito obrigado, pela presença de todos. Serei breve. Nos últimos dias o Conselho recebeu, preocupado, notícias dando conta de supostas proibições da emissão de alguns sons de nossa floresta, por parte de supostas autoridades. Como se nossos pios, mugidos, arrulhos ou cantos pudessem, de alguma forma, ser prejudiciais ao nosso conviver. Não sabemos se são verdadeiras as notícias, mas sabemos que são falsas estas autoridades – e concluiu, séria, de olhos arregalados: – aqui, falsos corvos não crocitarão. Aqui, livre falar, é falar com a voz que cada um tem. Salve a multiplicidade de sons da floresta!

Os urras e vivas só foram interrompidos quando a coruja Secretária Geral piou, pedindo mais um minuto de atenção:

– Só um lembrete. Nesta mata também se pode ir e vir, livremente. Nossa floresta não tem donos! 

Diante de novo tumulto, as abelhas, que não tinham sido avisadas de seu próprio desaparecimento, preocupadas com o tempo de floração, saíram às pressas para fazer mel - e zunir como quisessem.

*Publicado originalmente em https://ahistoriadasexta.substack.com/  e https://vbertini.blogspot.com/

 

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