Percival Puggina

Só falta explicitarem a conduta com essas palavras. Censurar matéria sobre as afinidades, firmadas ao longo do tempo, entre Lula e seu partido com as ditaduras de esquerda na América Latina e na África é como tapar o sol com um botton Lula-lá.

A refutação da Gazeta do Povo (leia aqui) à atitude arbitrária do ministro do TSE que determinou a supressão de matéria sobre as relações entre Lula e Ortega derruba a narrativa da decisão com fatos e feitos. Mas esse é um problema que contaminou as instituições do país: o conforto das narrativas abranda fatos e isenta criminosos de suas culpas.

Ainda que Lula e Ortega jamais tivessem trocado um olhar, não fossem membros destacados do Foro de São Paulo, e o PT nunca houvesse felicitado o ditador em suas “reeleições”, mesmo assim persistiria um fato concreto: a relação entre o partido de Lula e a FSLN estaria no mesmo patamar das que Lula mantém com a ditadura cubana, com a ditadura venezuelana e tantas outras mundo afora.

O silêncio de alguém como Lula sobre o que está em curso na Nicarágua é, sim, motivo de análise por um jornalismo consistente como o da Gazeta do Povo. Quem quiser uma contradição ambulante leia o Estadão. Lula, com seu passado e sua proximidade com outros ditadores do mesmo quilate, tem que explicar o que fala e o que não fala. Silenciar sobre o que Ortega está fazendo contra religiosos e leigos em seu país não é um sinal de respeito à autonomia dos povos! É um desrespeito à humanidade e um “aborto” de sua alegada religiosidade.

  • Percival Puggina
  • 06 Outubro 2022

 

Percival Puggina

“Lula não é uma opção eleitoral, com seu governo marcado pela corrupção da democracia. Contra o projeto de poder do PT declaro, no segundo turno, apoio a Bolsonaro.” (Sérgio Moro, no Twitter)

       Há pouco mais de duas horas, o ex-juiz Sérgio Moro, eleito senador pelo Paraná, publicou essa declaração em sua conta no Twitter. É uma proclamação, moral e politicamente relevante.

Moro conheceu a parte mais vil das entranhas dos governos petistas. Teve diante de si a inteira história documentada da corrupção, contada por corruptores e por corrompidos. Rompeu com Bolsonaro por divergências de estilo, ou por se perceber preterido na indicação a uma futura vaga no STF.

Ensaiou sua jornada impossível às estrelas sem combustível político suficiente para abrir caminho como terceira via na eleição presidencial.

Agora, diante da cena sucessória, toma a decisão certa: juntar-se aos que defendem o Brasil de uma realidade que conheceu como nenhum outro cidadão do país.

  • Percival Puggina
  • 04 Outubro 2022

Percival Puggina

         Aqui no Rio Grande do Sul, a RBS cuidou de valorizar ao máximo os resultados das pesquisas que contratou com o tão resoluto quanto equivocado IPEC. Por aí andou durante meses, sempre com a oposição e sempre sinalizando uma vitória arrasadora do ex-governador Eduardo Leite sobre Onix Lorenzoni.

Na eleição para o Senado, as fichas do IPEC eram postas na ex-funcionária do grupo de comunicação, Ana Amélia Lemos, que queria voltar ao Senado, ou de Olívio Dutra, o ex-governador octogenário que prometeu dividir o mandato com seus suplentes... Contados os votos, Eduardo Leite, por um infinitésimo, não chegou em terceiro; Mourão, que seria o terceiro, chegou em primeiro.

Na eleição presidencial, o IPEC previa, no Rio Grande do Sul, vitória de Lula com 44% contra 42% de Bolsonaro. Dois dias após a divulgação da pesquisa, Bolsonaro venceu o pleito aqui por 49% a 42%.

Hoje de manhã, no editorial de Zero Hora, li a mera constatação de que as pesquisas erraram, seguida da cobrança de pacificação nacional e de maior objetividade dos candidatos em relação às suas propostas na campanha do segundo turno.

Mas se é para pacificar, seria importante que essa pacificação começasse dentro de casa, proporcionando calmante aos esquerdistas que dominam os conteúdos do grupo. E que não retornassem a afrontar os fatos com informações de um instituto de pesquisa cujo trabalho contribuiu para o fiasco expresso em gráficos e números que a empresa apresentou à sociedade gaúcha.

 

 

 

 

 

 

 

  • Percival Puggina
  • 03 Outubro 2022

Percival Puggina

         É imperioso, urgente, para o bem da democracia e do estado de direito, romper com a prevaricação, disfarçada de “equilíbrio institucional” e abençoada pela velha imprensa, que se estabeleceu entre o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal. Essa realidade está duramente explicitada em reiteradas declarações dos senadores Álvaro Dias, Eduardo Girão e Lasier Martins. Ao abdicarem dos julgamentos que reciprocamente lhes competem, os dois poderes desarmam a democracia das proteções constitucionais atribuídas a ambos.

O produto é abuso do poder, omissões absolutas, tirania ativa. Senadores que não são julgados pelos crimes de que são réus e ministros que fazem política em regime de dedicação exclusiva. Portanto, a eleição dos novos senadores é importantíssima para que se rompa esse ciclo vicioso.

No Rio Grande do Sul, a valerem as pesquisas na eleição para o Senado, o candidato do PT – ex-governador Olívio Dutra (em cuja posse no posto de governador foi hasteada uma bandeira de Cuba na sacada do Palácio Piratini) lidera as intenções de voto. Só não será eleito se os eleitores de um dos candidatos que aparecem em segundo e terceiro lugar migrarem suas preferências para o outro. Difícil de combinar, mas fácil de decidir.

O general Mourão, que aparece em segundo lugar na pesquisa IPEC divulgada ontem (30/09) à noite, é o candidato apoiado pelo presidente da República e isso já diz muito para quem sabe a importância de uma base parlamentar do governo no Congresso.

A ex-senadora Ana Amélia, em 2012, quando senadora pelo Progressistas, apoiou Manuela d’Ávila como candidata a prefeita de Porto Alegre; em 2018 integrou como vice-presidente a chapa de Geraldo Alckmin. Agora, disputa o Senado pelo PSD, partido que no Rio Grande do Sul apoia a candidatura de Eduardo Leite (PSDB), adversário declarado do Presidente da República. Por fim, num cenário político como o atual, o PSD alega não ter candidato à presidência, embora seu líder Gilberto Kassab faça acenos para Lula e para o PT.

São razões práticas que tenho como suficientes para recomendar, a quem não for de esquerda, um voto indispensável no general Mourão (100).

  • Percival Puggina
  • 01 Outubro 2022

 

Percival Puggina

         O ministro Alexandre de Moraes informou que vai avaliar o pedido de delegados-gerais (ou chefes de polícia) no sentido de que os clubes de tiro permaneçam fechados no dia da eleição.

Não há estatística suficientemente esclarecedora para quem se recusa a pensar e, nessas condições, avalia a questão das armas apenas com base nos casos destacados pela mídia. Aí não tem jeito.

Em todo caso, vale lembrar que 20% dos homicídios praticados no Brasil são cometidos mediante uso de arma branca e 8% mediante outros meios letais. Nesse caso também se poderia impedir a venda de facas, martelos, fios de nylon, barbitúricos, seringas e uma longa lista nessa linha.

Não vejo com bons olhos tanta intervenção no espaço das decisões privadas, sempre com a etiqueta das mais nobres intenções. É assim que se acaba com a liberdade para preservar a liberdade, com o estado de direito para preservá-lo e com a democracia para que ela subsista.

É a mesma lógica que contesta esses absurdos, cuja prática vejo ganhar aceleração e trazer sombras ao nosso futuro. O poder de intervir na vida privada também é uma arma perigosa.

 

  • Percival Puggina
  • 25 Setembro 2022

 Nota: Bianca Nunes, Diretora de Redação da Revista OESTE, divulgando aos assinantes o conteúdo da última edição, escreveu este belo texto introdutório de um tema da maior gravidade, abordado na revista. 

 

         "Além da multiplicação da pobreza, da escassez de produtos de consumo, da inflação descontrolada e da produtividade raquítica, governos populistas de esquerda da América Latina têm outra característica comum: o desprezo pela liberdade em geral e, em particular, pela liberdade de imprensa.

Em janeiro de 2021, por exemplo, depois dos sucessivos ataques a veículos de comunicação ocorridos durante o governo de Hugo Chávez, Nicolás Maduro tirou do ar o canal de streaming VPItv, o único que costumava transmitir eventos oposicionistas. O ditador em gestação também condenou à morte os sites independentes Efecto Cocuyo, Tal Cual, El Pitazo e Caraota Digital, além do jornal Panorama, de Maracaibo. Em Cuba, faz mais de 60 anos que existe um único jornal: o Granma, um Diário Oficial piorado. Em novembro de 2021, nove homens encapuzados lançaram coquetéis molotov contra o prédio do jornal El Clarín, em Buenos Aires.

Valendo-se da linguagem literária, escritores como George Orwell e Aldous Huxley mostraram como regimes socialistas censuram, oprimem e perseguem aqueles que não obedecem às ordens dos donos do poder. Mas nem mesmo esses autores de fina linhagem poderiam imaginar que algum dia a imprensa apoiaria a institucionalização da censura.

Neste estranho 2022, uma emissora de rádio e televisão se tornou alvo não do governo, mas da ira dos próprios jornalistas e do pensamento único da esquerda. A perseguição à TV Jovem Pan News não ocorre por acaso. Segundo levantamento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 80% dos jornalistas brasileiros se declaram de centro-esquerda, esquerda ou extrema esquerda. Em contrapartida, somente 4% desses profissionais se identificam como de centro-direita, direita e extrema direita.

Os efeitos decorrentes desses números são resumidos num artigo publicado em 2017 por Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha. "As redações são formadas em sua maioria por uma elite intelectual de jovens progressistas de esquerda", afirmou. "O resultado era palpável nas páginas do jornal, por mais que os profissionais se empenhassem em fazer valer o princípio de apartidarismo."

Qualificada de "braço mais estridente do bolsonarismo", a Jovem Pan é a única emissora efetivamente plural. Afinal, que canal de TV junta no mesmo programa figuras como Amanda Klein e Roberto Motta, ou Fábio Piperno e Rodrigo Constantino? E que lei impediria a Jovem Pan de adotar a posição política que quiser, como fazem os concorrentes? Até agora, nenhum veículo de comunicação saiu em defesa da emissora.

Como reagirão agora, confrontados com a mais recente arbitrariedade registrada na Nicarágua? O tirano Daniel Ortega, decidido a reiterar que é ele quem manda no seu pequeno reino, fechou o canal da CNN local. Lula é um dos mais ativos defensores do companheiro Ortega.

Nesta edição de Oeste, o jornalista argentino Gustavo Segré fez uma profecia perturbadora: "A Venezuela é a Cuba de amanhã. A Argentina, a Venezuela de amanhã". Na eleição presidencial brasileira, uma má escolha pode transformar o Brasil de amanhã numa Argentina, numa Venezuela, numa Cuba. Ou numa inquietante cópia ampliada da Nicarágua."

 

  • Bianca Nunes, Revista Oeste
  • 23 Setembro 2022