Percival Puggina

 

         Durante quase dois dias consecutivos, os ministros do STF dissertaram sobre os perigos da pandemia, a necessidade de minimizar os contatos  entre as pessoas e a imprescindível sujeição das igrejas às regras que determinassem seu fechamento. Era tão importante torná-las inacessíveis, por perigosas, que o leque de impedimentos constitucionais ficou fechado sobre as mesas e arejou apenas os votos dos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques.

         Nunca foi dito, mas, de certo modo, entre as arengas e as realidades dispersas no país, fluía a noção de que as atividades religiosas presenciais eram supérfluas ou potencialmente perigosas.

         A decisão foi festejada pela mídia militante que exaltou o elevado discernimento de que se revestiu e que se refletiu no dilatado placar de 9 votos a favor do lockdown religioso.

         Não passaram 24 horas da votação e cá no Rio Grande do Sul o governo decidiu que a partir de segunda-feira (12/04) as igrejas poderão abrir entre as 5 horas e as 22 horas, ou 20 horas, respectivamente, nos dias de semana e nos fins de semana.

         Alguns dos mais expressivos monumentos que já visitei na Europa são obras votivas que comemoram o fim da peste e registram a memória de suas vítimas. Destaco, entre outras, a belíssima Pestsäule de Viena, a Coluna da Peste em Kremnica (Eslováquia), a Cappella della Piazza de Siena e a Basilica di Santa Maria della Salute, em Veneza.

         Claro que para os doutos de toga do STF, a oração comunitária pelos enfermos, pelos mortos, pela saúde, as missas, a eucaristia, os sacramentos, os cultos, são irrelevantes produtos de confeitaria sentimental pendentes da bênção do Estado. Isso, claro, só não é assim quando, solenemente, casam as próprias filhas...

         Aqui no RS, ao menos, toda a discurseira jurídico-epidemiológica de quinta-feira, virou pó na reunião local do dia seguinte.

  • Percival Puggina
  • 11 Abril 2021

Leio no Portal Brasil Livre (1)

 

A Universidade de Oxford quer “descolonizar” o currículo, por exemplo, chamando à música clássica “música branca da era dos escravos”, revela o Telegraph.

Telegraph examinou documentos internos da universidade de língua inglesa mais antiga do mundo, segundo os quais os professores criticam o currículo por “cumplicidade com o nacionalismo branco”. Os conferencistas criticam a música de Mozart, Beethoven e outros compositores clássicos como “música branca da era dos escravos” e consideram que ela faz parte da “supremacia branca”. O sistema de notação musical (escrita musical com pentagrama, claves, semibreves etc.) deve ser reformado, dizem eles, porque faz parte do “sistema colonialista de representação”. A notação musical que não “sacudiu as suas ligações com o passado colonial” é uma “bofetada na cara” para alguns estudantes de música.

As habilidades musicais clássicas como tocar piano ou reger orquestras não deveriam mais ser obrigatórias, pois “favorecem estruturalmente a música branca” e, portanto, “causam grande sofrimento aos alunos negros”. 

Comento

Era só questão de tempo para que o fenômeno chegasse à música clássica, transformada em som dos vilãos opressores.  Não estamos mais diante da insuperável produção musical daqueles tempos e de uma coletânea de talentos nunca mais superados. Não estamos mais a nos perguntar quais os fatores que convergiram para sua produção. Não estamos mais a vasculhar os pentagramas em busca de suas harmonias. Não!

Agora, sob a égide do marxismo cultural, estamos “impondo um sofrimento” aos não brancos com tais estudos e imposições sonoras. A mediocridade se encontra com a ideologia. E ninguém aparece para dizer que essa falcatrua ideológica é proposta e/ou imposta por gente branca porque maldade não tem cor, ignorância não tem cor, mistificação não tem cor. E ganância por supremacia política não tem cor, seu moderador é de natureza ética e essa ética está sendo desconstruída.

 Sim, essa falcatrua mata a cultura para destruir seus valores e se apoderar de uma sociedade inteira.

(1)   A excelente matéria que motivou este comentário deve ser lida e está no Portal Brasil Livre, em https://portalbrasillivre.com/a-teoria-critica-racial-penetrou-na-universidade-de-oxford-a-musica-classica-e-muito-branca/

  • Percival Puggina, com conteúdo do Portal Brasil Livre
  • 05 Abril 2021

 

Percival Puggina

 

Amigo que mora no Canadá escreveu-me há dois dias fazendo um pedido. Ele pretendia presentear sua tia com a assinatura de um jornal diário, brasileiro, de notícias nacionais e internacionais, impresso.  Queria minha indicação porque fazia questão de um veículo que não seguisse a cartilha esquerdista dominante no mainstream. Depois de horas de consulta entre amigos jornalistas e cientistas políticos, realmente surpreso, cheguei a um resultado igual a zero. O que ele quer, não existe.

Relatei as consultas feitas e conclui informando-o: “Lamento, meu caro, mas nosso país está assim”.

Agora, recebo dele e-mail com o seguinte teor:

O Brasil não está só nesse cenário horroroso. Aqui no Canadá, a revista MacLeans, que eu assino há muitos anos, não chega a ser como as daí, mas não esta longe. Nos USA,  não renovei a assinatura da revista Time, como fazia há 23 anos. Eles continuam me mandando a revista, mas ela dá vontade de vomitar. O Youtube, que era minha fonte de informações, está sendo censurado pesadamente.

Os democratas promoveram a maior fraude da historia do país para eleger um sujeito que não consegue reunir mais do que 15 pessoas e isso não apenas não foi noticia em lugar algum, como qualquer texto que contenha a palavra fraude é brutalmente censurado. A exemplo do que fez o governo petista daí, esse atual democrata está ressuscitando o racismo. O jornal Epoch Times que era a única leitura impressa confiável até agora, em sua edição de 03 de marco de 2021 traz um artigo de um certo Michael Zwaagstra, professor de high school, denunciando a seguinte pérola:

"No inicio deste ano o Departamento de Educação do Estado de Oregon (nas mãos dos democratas) enviou e-mail aos professores de Matemática das escolas do Estado solicitando que se inscrevam num curso virtual intitulado: Caminho para um Imparcial Ensino de Matemática. O curso que se denomina Woke Math, ensina professores que corrigir erros em equações e focar em respostas corretas são práticas que perpetuam a white supremacy culture.” 

***

Em junho de 2007 escrevi um artigo sobre certo professor cuja tese de doutorado tratava da necessidade “de conscientizar os futuros professores de matemática de sua tarefa como intelectuais orgânicos a serviço da construção da hegemonia dos excluídos, dos explorados em geral”.

Sem mais palavras, fico pensando naqueles que proclamam seu desânimo, mesmo vendo os resultados colhidos por aqueles que não desanimam.

  • Percival Puggina
  • 26 Março 2021

 

Percival Puggina

         Meu amigo e guru do jornalismo destemido, Políbio Braga, em vídeo de ontem, que pode (e deve) ser assistido aqui, desqualificou a decisão do juiz Eugênio Terra que sustou as principais medidas de retorno às atividades econômicas no estado gaúcho. É a receita do diabo, conforme descrita por C.S. Lewis no livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”.

         A liminar concedida pelo magistrado atendeu a um pedido da CUT que, por essas coisas da vida, caiu nas mãos certas. Como lembrou o Políbio, o doutor, anteriormente, havia escrito artigo para jornal defendendo o lockdown.

         Esses são, em essência, os fatos, e os fatos são de ontem. Vamos tratar aqui de algo mais antigo. Refiro-me ao ativismo judicial e à insegurança jurídica que dele decorre. O mau exemplo do STF, que “constitucionaliza” seu querer e se não querer, exprime uma tendência anterior a essa desastrosa composição do STF. Há muito tempo vem sendo assim em juízos singulares de todo o país e se expande aos órgãos auxiliares como o Ministério Público. Isso é muito ruim; é mais um problema institucional. Ele se agrava por que os cursos de Direito costumam conduzir os alunos nessa direção que, não por acaso, é comum ao pensamento de esquerda.

Tudo se passa como se o Judiciário fosse o poder dos mais sábios, da mais virtuosa ação de Estado e dos que melhor conhecem e frequentam o endereço do bem.

         Por outro lado, não podemos esquecer que a CUT, autora da ação, é uma organização sindical que se declara “de nível máximo” na representação dos trabalhadores e tem sido o braço sindical do PT. Entre defender o emprego de seus filiados e cumprir a agenda do PT, a escolha da CUT será sempre político-partidária porque ela mesma diz de si “ter atuação fundamental na disputa da hegemonia”. E nós sabemos o que isso significou e continua a significar.

Ah, se os desempregados tivessem uma central sindical!

         Quem comanda a CUT está naquela única condição necessária e suficiente para apoiar o lockdown: vida ganha, salário garantido. Situação, aliás, análoga à do juiz que concedeu a liminar, também ele em condição de absoluta estabilidade. O desemprego de milhões, a fome proclamada em cartazes de pedintes nas sinaleiras da cidade, a quebradeira de empresas, a multiplicação das placas anunciando a venda ou o aluguel dos pontos comerciais nada significam para eles. O número crescente de moradores de rua, tampouco. Aliás, logo ali adiante, estarão estes últimos a suscitar pedidos de providência urgentes do Ministério Público aos depauperados poderes locais...

         Estamos assistindo ao flagrante fracionamento da sociedade, dividida entre os que precisam trabalhar para viver e uma parcela significativa daqueles que, estando com a vida ganha, lixam-se em relação à subsistência dos demais.  

  • Percival Puggina
  • 21 Março 2021

 

 

         Sentei-me diante do computador para escrever uma frase que veio à mente diante da notícia: o ministro Alexandre de Moraes determinou que o deputado Daniel Silveira fosse conduzido a prisão domiciliar, de onde passa a exercer seu mandato. O ministro negou liberdade provisória, mas, tolerante como é, meteu-lhe uma tornozeleira e mandou-o para casa.

         A frase que me veio é esta:

Se o deputado podia ficar em casa, por o ministro o prendeu? Se era imperioso prendê-lo, por que o mandou para casa?

         A pergunta se impõe por ter ocorrido a prisão do parlamentar em condições impraticáveis à luz do Direito brasileiro. Nenhum juiz, por linha dura que seja, por metido a xerife que seja, por pouco estudioso que seja e tenha sido, não homologa um “flagrante” daqueles, no qual a única coisa flagrante era a arbitrariedade cometida. Salvo eventuais interrupções, assisti inteira à sessão em que a Câmara dos Deputados “homologou” a prisão. Nenhum dos oradores que defenderam a medida apresentou um único argumento jurídico para sustentar a prisão em flagrante, ainda que fosse para viver, o argumento, em solidão e desolação retórica. Nenhum!

         A frase, porém, me fez lembrar as prisões que vêm acontecendo em Cuba, onde a polícia faz a mesma coisa. Prende opositores “por uns tempos”, sem dar explicações e, dias mais tarde, os põe em liberdade também sem justificativa alguma. Tudo porque quer, como convém ao ditador e ao ditatorial regime.

         Enquanto pensava sobre o tema e ia escrevendo estas linhas, chega-me a notícia de que o jornalista Caio Coppola iniciou coleta de adesões a um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Subscrevi, claro. E vi que, em apenas 12 horas, já fora superada a meta de meio milhão de assinaturas. Um milhão de cidadãos brasileiros já se integraram à mobilização e aderiram ao requerimento que pode ser acessado aqui. Vamos lá, pessoal!

  • Percival Puggina
  • 15 Março 2021

Percival Puggina

        

         São maus brasileiros, os signatários da carta aberta “dirigida ao mundo” no dia 6 deste mês e que já circula com versões em diferentes idiomas.

         Nessa carta, usando expressões e retórica típicos de sua ideologia malsã, eles afirmam que o Brasil é uma “câmara de gás a céu aberto”. A desonestidade intelectual não prescinde do vocabulário injurioso e mistificador. Esquecem-se de que, pelas mesmas razões, decaíram da confiança popular, perderam o poder e sofrem o desprezo nacional.

         O manifesto, que me recuso a transcrever aqui, se descredencia ainda mais com os nomes dos que os subscrevem, entre os quais muitas figurinhas conhecidas do mundo supostamente artístico e intelectual brasileiro. Subscreve-o, também, um rol de organizações sindicais (1).

É gesto tipo de esquerda que não se constrange de gerar malefícios ao país, contanto que isso sirva ao seu delirante projeto de retorno em 2022 e restauração da organização criminosa. A dúvida, mais do que razoável que se abre, é saber que benefício pode produzir ao futuro do Brasil quem não se envergonha de fazer mal à pátria no tempo presente.

Nunca é o povo o objeto de suas ocupações e estratégias! É sempre o poder. Essas mesmas pessoas, na política internacional, apoiam ditadores sanguinários na Venezuela, Cuba, Nicarágua e nações africanas, sem o menor zelo ou interesse na oprimida e escravizada população desses países. Farsantes e traidores da pátria, é assim, também, que agem em relação à nação brasileira e ao Brasil.

         O deplorável texto mereceu reprimenda severa do Movimento Judaico Apartidário, que assim se manifestou:

“São Paulo, 07 de março de 2021

A respeito da notícia de divulgação de carta pública comparando a triste situação vivida hoje no Brasil (que contabiliza 260.000 mortos por Covid-19) com campos de extermínio nazistas (“nos tornamos uma câmara de gás a céu aberto”), o *Movimento Judaico Apartidário – MJA* vem também a público *condenar* tal inapropriada comparação.

A triste disseminação desse vírus, que já vitimizou centenas de milhares de pessoas no Brasil e mais de dois milhões e meio de pessoas ao redor do mundo, bem como as críticas às políticas sobre seu enfrentamento *não justificam em hipótese nenhuma* qualquer comparação com o Holocausto, em que mais de 6 milhões de pessoas foram mortas deliberadamente por ação de um regime totalitário e assassino, exclusivamente em razão de perseguição religiosa no que diz respeito aos judeus.

Comparar essas duas situações incomparáveis é aviltar a memória das famílias das vítimas de uma perseguição sanguinária, assassina e de cunho preponderantemente religioso.

Por tais razões, a comunidade judaica brasileira, solidária às famílias das vítimas enlutadas por Covid-19, *repudia* qualquer comparação entre a pandemia e o Holocausto.

Movimento Judaico Apartidário – MJA

***

Sem o menor constrangimento, o acintoso e escandaloso manifesto segue colhendo assinaturas no pequeno universo de maus brasileiros. Aplicam eles aos fatos do tempo presente as mesmas falcatruas que cometem contra a História em suas indecorosas “narrativas”.

  1.  https://www.poder360.com.br/coronavirus/brasil-e-camara-de-gas-dizem-religiosos-e-intelectuais-sobre-pandemia/
  • Percival Puggina
  • 13 Março 2021