Leio em CubaNet

Uma exigência do Departamento Técnico de Investigações (DTI) às instituições de ensino de Trinidad pede aos alunos do ensino médio e pré universitário dados de suas redes sociais

No grupo privado do Facebook Trinitários, uma usuária identificada como Mercedes denunciou que as escolas do município pedem a crianças e adolescentes dados relativos a seus perfis em redes sociais e celulares. Eles atribuem essa demanda a uma exigência do DTI às instituições de ensino.

Na publicação, outros usuários corroboraram a ordem e expressaram sua contrariedade. "É verdade, minha filha foi convidada", escreveu Jenny, ao que outra mãe, Yuleydi, acrescentou que, no caso dela, a mesma coisa aconteceu.

CubaNet confirmou a denúncia com outros quatro familiares dos alunos envolvidos. Todos concordaram que entre os dados que os meninos deveriam compartilhar estavam: número do celular e nome do dono da linha, perfis nas redes sociais e grupos a que pertencem nos canais do Facebook, WhatsApp  e Telegram. Nenhuma dessas famílias foi informada ou pediu consentimento.

As famílias relatam que em meados da semana anterior, em vários centros de ensino médio e médio da cidade, os professores colocaram uma folha em branco na frente dos alunos para que eles preenchessem os dados descritos acima. Como disse a CubaNet Margarita, tia de um dos adolescentes, poucos dias depois no colégio urbano Eduardo García Delgado, os professores chamaram os pais porque alguns jovens haviam fornecido informações falsas sobre seus perfis. Eles não concordaram em fornecer os dados e mentiram. A demanda de registro, expressaram então, partiu do DTI e não da escola. Eles não devem resistir.

Quando questionada sobre o motivo de quererem localizar os perfis de cada um dos meninos e dos grupos a que pertencem, Margarita especula que parece um “mecanismo de vigilância para limitar o que eles podem compartilhar ou falar nas redes”.

Em 2017, uma análise da Anistia Internacional da censura de Cuba ao espaço virtual e aos mecanismos de controle os descreveu como uma extensão da vigilância cidadã realizada no mundo offline. O estudo acrescenta que saber que você está sendo observado na Internet aumenta a probabilidade de a autocensura consumir ou compartilhar conteúdo que pode ser crítico para a gestão do Estado. Este, para alguns dos familiares entrevistados, pode ser um dos objetivos da medida.

Vários estudantes cubanos, principalmente de nível superior, têm sido perseguidos por suas postagens em redes críticas à gestão do Estado. Em setembro de 2020, o estudante de medicina José Carlos Santos foi expulso da carreira após intercâmbio online que manteve com um empresário da província de Artemisa. O jovem de 23 anos foi separado da universidade por responder a um oficial de Mariel quando ele chamou os emigrantes cubanos de "vermes". Com esta medida de vigilância, um funcionário local entusiasta procura impedir a liberdade de expressão dos adolescentes?(...)

COMENTO

Quando estive em Havana, pela segunda vez, já havia internet na Ilha. Algo que pareceria uma lan house funcionava em ponto comercial no centro da cidade. No entanto, quando quis expedir um artigo por e-mail, com observações sobre a Ilha, para o jornal Correio do Povo, percebi que a tarefa de digitação e envio ficava a cargo de uma servidora do Estado... Mudei de ideia. De outra feita, os hotéis já dispunham de internet na portaria, o que dava mais ou menos no mesmo, mas era por ali que operavam os correspondentes estrangeiros. Em 2011, os celulares já haviam chegado e o controle estatal chegou junto.

Se hoje nos incomoda, justificadamente, a censura das plataformas, o fechamento de contas incômodas, imagine o que significa viver permanentemente, desde a infância, sabendo que está sob observação e que toda expressão de seu pensamento é controlado pelo Estado. Mas a esquerda brasileira, "democrática" como ela só, adora aquele regime e seus criminosos.

  • CubaNet
  • 11 Favereiro 2021

 

Percival Puggina

 

         O normal teria sido o ex-presidente Rodrigo Maia, antes de sair, demitir os ocupantes de cargos de confiança que serviram durante sua gestão. Dele, porém, não se esperem gestos dessa natureza, que acentuassem sua perda de prestígio. Então, o novo presidente da Câmara dos Deputados demitiu a totalidade dos cerca de 500 ocupantes de cargos de confiança cujas nomeações e demissões passam, agora, pela sua caneta. Parte não tem vínculo funcional com o Legislativo; parte integra os quadros permanentes da Casa e perde as gratificações correspondentes.

         O fato e o quantitativo são aberrantes. Quinhentos cargos de confiança na gestão da Casa mostra uma desproporção entre o custo de produção e a mercadoria entregue.  Dei uma olhada no Portal de Transparência da Câmara e encontrei um total de 16,6 mil servidores. Quantas empresas brasileiras têm tantos funcionários? Quinhentos só na conta da diretoria?

         Se, por um lado, impressionou-me a notícia divulgada pela imprensa, por outro, impressionou-me ainda mais o modo acrítico com que foi transmitida à sociedade, como se nada houvesse ali a ser dito em favor desta, contra tamanha prodigalidade.

Ou esse silêncio é uma proteção ao ex-quase-primeiro-ministro cortejado pela mídia militante, ou é um total descaso ao interesse nacional.

Em virtude dessas omissões, nos próximos dias todos os cargos agora vagos estarão preenchidos por novos ocupantes...

  • Percival Puggina
  • 08 Favereiro 2021

Percival Puggina

Leio no Estadão

BRASÍLIA – Após se empenhar na eleição de aliados nos comandos da Câmara e do Senado, o presidente Jair Bolsonaro apresentou uma lista de 35 propostas para que o Congresso priorize no retorno aos trabalhos. Na relação, entregue nesta quarta-feira, 3, ao deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) e ao senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), estão desde propostas para a retomada da economia, como a privatização da Eletrobrás, a pautas de costumes, como o projeto que criminaliza o infanticídio indígena, o que flexibiliza a porte de armas e o que prevê a liberação do ensino de crianças em casa, o chamado homeschooling.

COMENTO

A íntegra da matéria acima resumida a seu primeiro parágrafo, relaciona a maior parte das 35 propostas que o governo espera sejam apreciadas e aprovadas pelo Congresso. Ou seja, com a perda de poder dos “tranqueiras”, dos engavetadores, há espaço para que, finalmente, o governo comece a cumprir seu próprio programa. Esse programa, diga-se de passagem, foi muito explicitamente aprovado nas urnas. Ele corresponde ao que a sociedade esperava ver iniciado em janeiro de 2019.

Naquele mês, no entanto, percebeu-se que os comandos do Parlamento, em jogo cruzado com o STF, estavam em franca divergência com o resultado da eleição presidncial. Era preciso mudar desde que tudo ficasse como estava. Dois anos disso foram a conta certa para que o governo modificasse sua estratégia. Aceitou o jogo como estava sendo jogado.

Espera-se, agora, concedidos os meios, que os fins comecem a ser alcançados.  Isso será bom para todos.  Se aprovada, a indicação da deputada Bia Kicis para presidir a importantíssima Comissão de Constituição e Justiça sinalizará dias mais estáveis para a governança do país.

Não se espere, no entanto, qualquer avanço em pautas que firam interesses individuais dos parlamentares. Pautas de combate à impunidade, prisão em segunda instância, impeachment de ministros do STF, restrições aos abusos daquele poder pelos parlamentares de ficha limpa, dificilmente avançarão porque desagradam à maioria dos plenários. Enquanto corruptos continuarem a ser eleitos, enquanto eleitores buscarem candidatos que defendam seus interesses, os plenários, em todo o Brasil, continuarão sendo tomados por interesseiros. O governo, porém, começará a andar.

 

  • Percival Puggina
  • 03 Favereiro 2021

 

Leio no Diário do Poder

O presidente demissionário da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, que cobra “envolvimento” do presidente Jair Bolsonaro nas privatizações, não se esforçou para isso.

O Planalto acha que ele dificultou o quanto pôde o processo de privatização da estatal. Não fez o básico: separar o que é considerado “intocável” pela Constituição, como Itaipu e Eletronuclear.

Tampouco vendeu as mais de cem sociedades de propósito específico (SPEs) penduradas na Eletrobrás. Nem precisava convocar assembleia geral. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

COMENTO

Essa é uma situação muito comum. O espírito de corpo, o corporativismo, é um torniquete aplicado a cada processo de privatização porque os funcionários dessas estatais estão convencidos de que ninguém conseguirá conduzir as atividades da empresa com maior qualidade e tão bom preço.

Só que isso não e bem assim. Primeiro, trata-se de um natural mecanismo de autoproteção, expressão do desejo de manter o monopólio sobre seu posto de trabalho.

Por isso, a cada ato de privatização, obriga-se o governo a manter um plantão com centenas de advogados da AGU para obstaculizar as ações simultâneas que ingressam nas varas federais do país com o intuito de impedir os leilões.

Por outro lado, entre os 39 países que integram um levantamento da OCDE, o Brasil é o que tem sob sua tutela o maior número de estatais nacionais (418)! Se a isso acrescentarmos as empresas públicas  estaduais e municipais, o número vai a vários milhares.

Finalmente, o país precisa fazer caixa para sair da crise fiscal a que foi empurrado pela Covid-19 e por determinações imprudentes  e inúteis impostas às suas atividades produtivas.

  • Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder
  • 27 Janeiro 2021

 

Percival Puggina

 

A covid-19 pode matar e mata. No mundo todo estão diagnosticados 98 milhões de casos e registrados 2,09 milhões de óbitos. Anteontem, 20 de janeiro, com 1009 mortos pela covid-19 por milhão de habitantes, o Brasil ocupava o 24º lugar na lista de quase 200 países. Era o 47º na lista que relaciona o número de mortos com o de pacientes diagnosticados (2,5%).

No entanto, todo o noticiário cotidiano sobre o assunto tem por objetivo culpar o governo federal e pessoalmente o presidente da República pelas mortes causadas por uma doença que mata no mundo inteiro. Palavras como genocídio e genocida são diariamente proferidas nos meios de comunicação e passaram a integrar o vocabulário político da esquerda mundial, disciplinadamente aplicada a nosso país e ao seu governo.

O único objetivo desta minha nota é demonstrar o quanto de malícia, de politicagem, de interesses individuais e empresariais está presente nessas matérias desmentidas pela objetividade dos números.

Tendo em conta que o Brasil é o 6º país mais populoso do mundo e que tantos outros enfrentam problemas ainda maiores, apresentando resultados piores, por que – diabos! – só no Brasil e nos EUA se ouve falar em responsabilizações individuais de seus governantes? Cabe alguma dúvida quanto à origem político-ideológica dessas exceções?

Nada se lê no Brasil sobre acusações frontais a Alexander de Croo (1º ministro belga), com o segundo pior índice de fatalidade da doença; de  Andrej Babis (1º ministro tcheco), com o quarto pior índice; de Boris Johnson (1º ministro do Reino Unido), com o 5º pior índice; de Giuseppe Conte (1º ministro italiano), com o sexto pior índice; nem do espanhol  Pedro Sánchez, nem do  “simpático” presidente francês Emmanuel Macron ou de seu primeiro ministro Jean Castex. Todos dirigindo países com desempenho e resultados inferiores aos do Brasil.

 

Nota: todos os dados aqui mencionados foram extraídos de https://en.wikipedia.org/wiki/COVID-19_pandemic_death_rates_by_country

  • Percival Puggina
  • 22 Janeiro 2021

Percival Puggina

Na véspera do Natal, matéria do UOL destacou: “Brasil tem mais mortes por covid em uma semana do que 63 países juntos na pandemia inteira”. Sim, e daí? Que países são esses? Qual sua população? Qual sua interação com o resto do mundo? Um rápido passeio pelo Google buscando informações sobre covid-19 divulgadas em nossa imprensa evidencia que os números são selecionados a dedo para criar uma sensação de que o Brasil enfrenta a covid-19 de um modo desastrado com resultados incomparavelmente trágicos.

Não seriam reprováveis, nem a ênfase, nem o tempo dedicado ao assunto, se o objetivo fosse suscitar na população um justificado zelo pela saúde e a adoção de medidas preventivas. Mas não. As redações militantes, os apresentadores opinativos e o recrutamento dos “peritos” têm por objetivo permanente (e não me digam que é apenas colateral) imputar responsabilidade ao presidente da República (exatamente aquele a quem o STF atribuiu apenas responsabilidade supletiva). Longas e repetitivas conversas são entretidas diante das câmeras para transmitir a ideia de que o presidente é o causador da mortandade. Não raro isso é dito com todas as letras e apontado como motivo para impeachment (aquele instrumento constitucional que antes era golpista).

O mesmo jornalismo que faz isso há quase um ano usando os óbitos da covid, em agosto de 2019 valeu-se do piche que começava a chegar no litoral do Nordeste para acusar o governo pela “falta de medidas preventivas e de proteção”. Como se fosse possível prever e prevenir a conduta criminosa de um petroleiro clandestino, muitos dias antes, a 100 km da nossa costa! Foram semanas com imagens desoladoras nas telas e depoimentos convenientemente pinçados a cada tartaruga envolta em gosma negra que aparecia diante das câmeras.  Malgrado o empenho da Marinha, do Ibama e o necessário apoio de milhares de voluntários, o responsável pela extensão do desastre era o presidente. Tinha que ser. Era politicamente necessário dizer isso. A banca canta o jogo e joga assim.

O que não se diz sobre o enfrentamento à covid-19, porque aí diminui a “culpa” do presidente, é que algo entre 17 e 21 outros países têm mais óbitos do que o Brasil por milhão de habitantes.  O vírus tem causado mais óbitos do que aqui em economias desenvolvidas, sociedades culturalmente avançadas e com fácil acesso a recursos tecnológicos e meios de ação, como Bélgica, Itália, Reino Unido, França, Estados Unidos. No entanto, afora os Estados Unidos e Brasil, não se diz que os culpados são seus governantes. Só brasileiros e norte-americanos morrem por culpa de seus presidentes... Arre!

Se é verdade que ambos, por vezes, e por temperamento, falam e agem antes de pensar, também é certo que parte significativa da grande imprensa só fala e canta o jogo pensado por sua banca.

  • Percival Puggina
  • 17 Janeiro 2021