Percival Puggina

        A imagem de Sergei Lavrov, aguardado com tapete vermelho e guarda de honra, descendo do avião calçando tênis e vestindo jeans reflete muito bem o tipo de relação que a Rússia mantém com seu aliado do Palácio do Planalto. Ele fala pelo líder. O camarada Lula, este sim, que se ponha em posição de respeito. Não duvido de que, se conversaram, Lavrov tenha descansado os pés sobre a mesa, ao lado das xícaras de cafezinho. Nessas horas, a imaginação ganha asas.

É todo o roteiro do chanceler russo que coloca o Brasil em posição desconfortável. O Brasil é ponto de partida de um roteiro que inclui Cuba, Venezuela e ... como escreverei? ... Nic@r@gu@ (psiu! Leia em voz baixa), países com os quais o Brasil se alinha (mas não podemos dizer) e com os quais Lula, em breve, talvez venha a propor moeda única. Ele adora propor moedas únicas. Eu já vou sugerindo, para ganhar tempo, que a moeda se chame “Che”, com estampa do tipo e a inscrição “Ianques go home”. Assim, consolidamos nossa paralisia política nos meus tempos de estudante secundarista (anos 60 do século passado).

  • Percival Puggina
  • 19 Abril 2023

 

Percival Puggina

         Subproduto de um governo petista, tão logo chegou abril, está em pleno curso versão renovada e intensa do Abril Vermelho, proporcionando uma sequência de atos caracterizados pelo desrespeito à lei e à ordem. Envolve, também, a organização de ações de invasão, incitação ao crime, agendamento de tais ações e um pacote bem tipificado de delitos.

A democracia não é o equivalente institucional da anarquia, do desrespeito à propriedade alheia, nem da violência que determina certos modos de agir. Ela não é a selva das feras ideológicas nem a casa de tolerância das ideias políticas. Não é a “prostituta do mundo livre”, como a qualificou a ativista da esquerda indiana Arundhati Roy. Verdade que para nossa esquerda ela é uma debilidade da burguesia, instrumento utilitário que pode ser usado, por exemplo, como alicate de arrombamento.

O próprio Abril Vermelho é um instrumento político a serviço de conceitos próprios das tiranias. Se os fins justificarem os meios e não se cobrar responsabilidade no exercício da liberdade, a sociedade entra em colapso; mais ainda, se aceitarmos que a necessidade faz a própria lei ninguém ficará preso e não mais haverá lei ou ordem.  Mas põe isso na cabeça de quem sonha com revolução e tirania.

  • Percival Puggina
  • 13 Abril 2023

 

Autor desconhecido *

Fala-se excessivamente sobre linguagem inclusiva, introduzindo vocábulos como “Alunes”, “Todes”, “Elu”. Essas palavras, menos do que linguagem inclusivo, são aberrações idiomáticas.

Queres aprender a verdadeira linguagem inclusiva?

Fala respeitosamente a um ancião.

Com doçura a uma criança

Com firmeza a um infrator.

Com amor a teu par.

Com empolgação quando falas do futuro da humanidade.

Queres outra linguagem inclusiva?

Aprende braille para te comunicares com alguém que não vê.

Aprende Libras para falar a um surdo-mudo.

Fala lentamente e com paciência a um autista.

Fala com paixão sobre os êxitos do mundo.

Fala revelando dor pelo sofrimento alheio.

Incluir não é mudar letras. É mudar mesmo.

*Recebi este pequeno texto em espanhol. Traduzi para o Português para ser mais bem entendida por quem não tem afinidade com o idioma.  

  • Autor desconhecido
  • 11 Abril 2023

 

Conteúdo Jovem Pan

Pacheco contraria Lira, diz que rito constitucional sobre MPs é ‘imperativo’ e amplia crise

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respondeu o ofício enviado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que pede para que o rito sobre medidas provisórias (MPs) seja discutido em plenário. Nesta sexta-feira, 31, Pacheco negou a possibilidade e afirmou que o rito é “imperativo”. “A observância desse rito não está na esfera de discricionariedade das Mesas das Casas do Congresso Nacional. Antes, trata-se de imperativo constitucional cujo afastamento somente se pode dar em situações excepcionalíssimas, tal como ocorreu com o advento da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional decorrente da pandemia de Covid-19″, respondeu o político mineiro, que não vê necessidade de uma sessão para debater o tema. “Reitero que a observância do rito constitucional das medidas provisórias é ordem cuja imposição deve se dar de ofício por esta presidência, pelo que seria dispensável provocação por questão de ordem, como o é a realização de sessão conjunta para tal finalidade”, afirmou.

Fonte: Jovem Pan

jovempan.com.br

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Comento

Era inevitável. O bicameralismo pode levar a situações assim, e isso fatalmente ocorre quando as duas Casas têm maiorias opostas. A Câmara dos Deputados é majoritariamente oposicionista e o Senado majoritariamente governista.

Tudo se acentua quando o senador mais influente no Senado é Renan Calheiros, adversário político de Arthur Lira em Alagoas. Aliás, foi ele, Renan, que abriu o debate no Senado reclamando do pretendido protagonismo de Lira na votação das Medidas Provisórias editadas por Lula tão logo tomou posse. Elaborar essas medidas foi parte da tarefa daquela numerosa equipe de transição que operou nas semanas que antecederam o dia 1º de janeiro. Todos sabemos quanta "droga" gerada pelo petismo ali está empacotada.

  • Com conteúdo Jovem Pan
  • 01 Abril 2023

 

Percival Puggina, com conteúdo Diário do Poder

Leio no Diário do Poder

         Parte interessada na questão, o  Supremo Tribunal Federal (STF) julgará em 13 de abril a “legalidade” do indulto que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concedeu ao ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), após o parlamentar ter sido condenado pela mesma corte.

O indulto ou ”graça” presidencial é uma prerrogativa prevista na Constituição, que não prevê sua “revalidação” pelo STF. Apesar disso, o tribunal acolheu representação de opositores e, mesmo sem previsão constitucional e sendo parte interessada, os ministros decidiram realizar esse “julgamento”.

A data foi marcada pela ministra-presidente do STF, Rosa Weber, que é relatora de ações de partidos políticos que contestaram o indulto.

Comento

O julgamento ocorre porque em 22 de abril do ano passado, a Rede, o PDT e o PSOL contestaram a graça concedida por Bolsonaro ao parlamentar. Partidos de esquerda que votam em ladrão, que defendem o desaprisionamento, que veem um excesso de indivíduos encarcerados em nosso país, que consideram “vingativo” o sistema penal, são implacáveis quando o preso é adversário político. No Senado governista, a Comissão de Ética tem uma lista de senadores de oposição para manter sob pressão a risco da cassação de mandato.

Em virtude da graça presidencial, o deputado Daniel Silveira foi posto em liberdade, mas o taxímetro das multas continuou sendo marcado, dia após dia, porque o ministro Alexandre de Moraes considera que o benefício presidencial não atingiu desdobramentos do ato agraciado. Vinte e quatro horas após extinguir-se o mandato parlamentar de Daniel Silveira, o ministro ordenou seu retorno à prisão, onde se encontra ainda hoje, para alegria de seus empoderados adversários.

Para caracterizar a catálogo de absurdos do caso Daniel Silveira, basta a pena 8 anos e 9 meses em regime fechado que lhe foi aplicado por tribunal que funcionou como ofendido, acusador e julgador – uma situação, que tenho certeza, nenhum dos que o condenaram haveria de tolerar para si mesmo... Foi preciso somar crimes e penas para chegar um total que tornasse obrigatório o cumprimento em regime fechado. Afinal essa era a satisfação buscada por quem foi ofendido por um parlamentar cujas palavras estão protegidas pela Constituição.   

Fosse ele um cidadão comum, sem proteção constitucional, jamais seria encarcerado pelo que disse. Mas Daniel Silveira é arrogante, desaforado, tem o tamanho de um guarda-roupa e é visto como "de direita". Está pagando também por isso.  

  • Percival Puggina, com conteúdo Diário do Poder
  • 27 Março 2023

 

Percival Puggina

         Em matéria de ontem (23/03) no Estadão, a jornalista Eliane Cantanhêde formula esta pergunta, transferindo-a a seus leitores: “O que está acontecendo com Lula?”

A pergunta vai aos destinatários certos (que imagino sejam eleitores do presidente), mas foi mal formulada porque dá entender que Lula esteja passando por um processo que transformou um sujeito sábio e prudente que a gente conheceria, nessa pessoa furiosa e boquirrota, com incontinência verbal, que ela e centenas de colegas seus protegeram durante a campanha eleitoral. São palavras da jornalista:

Na mesma semana, o presidente Lula surpreendeu os meios políticos, jurídicos e diplomáticos ao fazer ao menos duas acusações graves, sem provas, imprudentemente. A primeira atingiu os Estados Unidos, um parceiro fundamental. A segunda foi contra o ex-juiz, ex-ministro e agora senador Sérgio Moro, mas os estilhaços vão longe.

Ao vento, do nada, Lula acusou o Departamento de Justiça dos EUA de um conluio com a Lava Jato para prejudicar as empreiteiras brasileiras em licitações internacionais. Uma história rocambolesca, sem pé nem cabeça, dessas que qualquer um pode lançar numa mesa de bar, numa roda de amigos, mas o presidente?

Ele já vinha espancando o Banco Central e mandou rasgar os livros de economia e a acusação foi feita às vésperas da viagem à China, que vive momentos tensos com os EUA. A reação oscila entre o choque e o constrangimento, com uma pergunta pairando nos ar: O que está acontecendo com o Lula?

Dentro de alguns dias, Eliane talvez constate que Lula mente, que é um grosso, que só pensa em Bolsonaro e no poder e que a inusitada anulação de seus processos em nada alterou seu caráter.

A pergunta certa, ao público certo e que não foi feita é a seguinte: vocês não sabiam disso?

  • Percival Puggina
  • 24 Março 2023