Percival Puggina         

          Era sabido que a dupla do JN tentaria trucidar Bolsonaro quando ele, na condição de candidato, atendesse ao convite para a entrevista “regulamentar” pela qual passarão outros quatro postulantes à faixa presidencial.

Ele saiu ileso e ambos os perguntadores saíram expostos. O excesso de agressividade, as perguntas sobre narrativas enviesadas e encenadas em modo teatral, num autêntico “overacting”, expuseram, em conteúdo e forma, o tipo de jornalismo que a empresa faz quando trata do presidente da República.

Para eles, o candidato e suas respostas importavam infinitamente menos do que as perguntas e os entrevistadores. Por isso, usaram os 40 minutos de que dispunham para o que mais fazem cotidianamente, ou seja, atacar o presidente. A essas alturas, outra conduta já lhes é inexigível. Tornaram-se incapazes dela. Habituaram-se a uma dieta noticiosa muito magra. Há quatro anos acantonam-se num único ângulo de observação. Praticamente nada do que perguntaram foi de interesse social ou nacional. Bastava-lhes pôr um sorriso de júbilo na torcida do ex-presidiário igualmente desinteressada do Brasil, dos brasileiros, de seus problemas e respectivas soluções.

Diante de tamanho antagonismo, Bolsonaro deu-se muito bem. Aguentou o ridículo arsenal de bobagens que os entrevistadores se esforçavam por agigantar, manteve a calma e saiu ileso.

Com essa dupla, ele só vai se beneficiar na hipótese de que façam a Lula as perguntas que a nação quer ver respondidas. Mas isso, não vai acontecer. Será uma entrevista "cabulosa".

  • Percival Puggina
  • 23 Agosto 2022

 

Percival Puggina

 

Leio no Diário do Poder

Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, crimes que o levaram a cumprir pena de prisão, o ex-presidente Lula atacou ontem a Lei da Ficha Limpa, de origem popular, um dos mais importantes instrumentos de combate à ladroagem.

“Foi uma bobagem fazer a Ficha Limpa do jeito que foi feita”, disse ele sem qualquer constrangimento, durante entrevista a uma rádio mineira. “Você, muitas vezes, pune uma pessoa e três meses depois ela readquire o direito de ser candidato outra vez”, o que não é verdade. “Eu acho que é preciso a gente dar uma rediscutida na Lei da Ficha Limpa”, ameaçou.

Na mesma entrevista à rádio Super de Minas Gerais, ele  também atacou as pessoas que usam as cores verde e amarelo, da bandeira do Brasil, que ele chamou de “babaquice sem precedentes".

*     Leia a íntegra em https://diariodopoder.com.br/eleicoes-2022/lula-ataca-lei-da-ficha-limpa-e-diz-que-uso-de-verde-e-amarelo-e-babaquice

Comento

      Cada vez que Lula é capturado num momento de espontaneidade, seus marqueteiros pegam a vassoura e vão tentar varrer a louça quebrada. Pânico na sala de reuniões! É o que acontece com quem não tem travas oriundas de uma consciência moral bem formada.

Por isso, ele olha para seu passado, para os megaescândalos de seu governo, para a dúzia redonda de processos criminais, dos quais seus advogados devem apresentar documentos TSE, e se permite dizer que a Lei da Ficha Limpa é uma grande bobagem.

É bom que esse depoimento seja lido por todos os 1,6 milhão de signatários que endossaram a apresentação desse projeto como proposta popular, na esperança de reduzir a presença de corruptos e condenados na vida pública do país. O projeto, que ele acha “grande bobagem”, foi aprovado pelo Congresso em maio de 2010 e sancionado por ele mesmo dias depois.  

Já o que  chama “babaquice sem precedentes” (um perigo, a retórica dos exageros e superlativos) é simplesmente uma expressão de amor a pátria que desagrada a turma do quanto pior para a pátria, melhor para si. Só isso.

 

  • Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder
  • 19 Agosto 2022

Percival Puggina

 

          Ontem fui com minha mulher buscar uma irmã que retornava do Rio de Janeiro após longo período acompanhando, com outra mana, a irreversível moléstia de uma sobrinha. Enquanto o pesado trânsito de Porto Alegre nos arrastava num remansoso rio de luzes pela Av. Carlos Gomes, comentei que estava apreciando aquela lentidão. Ante a surpresa das duas, esclareci que durante dois anos havíamos usufruído de um trânsito mais tranquilo, mas ele refletira a dura crise econômica causada pelo “fique em casa” e pelo “a economia a gente vê depois”.

O que agora víamos nas ruas deveria ser entendido como a retomada de sinais vitais, o corpo social e econômico respondendo positivamente a uma sábia combinação de liberdade e estímulos aplicados de modo correto. Tudo isso, a despeito da conhecida turma do quanto pior melhor. Só falta algum senador abusado entrar no TSE com denúncia de que os números promissores da economia são indícios de crime eleitoral e ministro em desvario dar ao presidente 48 horas para explicar as razões pelas quais a economia emite esses suspeitos sinais positivos.

Entre as razões da aceleração dos ritmos vitais se inclui, claro, a redução do preço dos combustíveis e de inúmeros tributos, medidas cuja principal consequência é haver mais dinheiro livre nas mãos das pessoas.

Penso que estaríamos ainda melhor não fosse o fato de revivermos, nestes dias, o período cíclico das incertezas eleitorais, que se agravam sob o sistema presidencialista de governo.

Alguém disse “nada a ver”? Pois leia o programa de governo de alguns candidatos. Eles me fizeram lembrar de um antigo exercício infantil em que as crianças, unindo com traço de lápis os pontos de uma gravura, reproduziam o desenho concebido pelo autor. Quem sabe “juntar os pontinhos” dessas propostas eleitorais obtém um desenho ameaçador. De modo reacionário, os autores do desenho pretendem nos levar de volta ao início do século. Algo assim não entusiasma os bons empreendedores nem quem esteja habituado a investir com meios próprios.

Por outro lado, nossa democracia não assegura a liberdade de expressão na proporção desejada pelos democratas. Temos tópicos proibidos e alvos políticos sob proteção do vocabulário opositor. Mas o direito de dizer bobagem é lindamente irrestrito. Evite falar sério.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

  • Percival Puggina
  • 17 Agosto 2022

 

Percival Puggina

 

         O YouTube retirou o tal vídeo em que um "gênio da perícia criminal" negava a ocorrência da tentativa de assassinato de Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. Tudo seria uma farsa construída para conduzir o candidato à vitória. Adélio Bispo juntava-se a Lula na lista dos "inocentes" sacrificados...

O vídeo ficou lá durante quatro anos até que o YouTube, espontaneamente, decidiu apagar-lhe o rastro, alegando sua disposição de coibir “discurso de ódio”. Qual o discurso de ódio existente em dizer que John Kennedy não morreu ou que Niel Armstrong não pisou na Lua?   

A alegação soa tão descabida quanto o vídeo vitimado com essa decisão. Mas a plataforma não é gerida por ingênuos ou precipitados. Seria imprudente presumir isso. Algum motivo mais racional deve ter surgido e o aparentemente mais racional, nas circunstâncias, é que a empresa tenha pretendido mostrar-se “cortando para os dois lados”, não privilegiando quaisquer posições.

Você ficou convencido disso? Por certo não, nem eu.

Outro modo de ver o fato, este sim, bem mais coerente com a realidade, é ter a plataforma apagado um vídeo que testemunhava de modo eloquente o nível de ilogicidade característico de setores da esquerda tupiniquim, capazes de tirar narrativas até de uma cabeça de prego. Ou seja, o vídeo fazia muito mais mal do que bem aos companheiros do descondenado.  

  • Percival Puggina
  • 12 Agosto 2022

Percival Puggina

 

Na quinta-feira, matéria de O Globo permitiu a qualquer leitor com discernimento suficiente perceber a posição contrária do jornal ao projeto que acaba com as “saidinhas” temporárias dos presos. Está no rumo de sempre, a Globo. Está coerente com um jornalismo que não reconhece e não denuncia algo profundamente errado quanto um descondenado disputar a presidência da República apesar de todos os crimes que não descometeu. Está ciente e não se importa com o vexame mundial que isso representa para a sociedade e as instituições brasileiras. Não se acuse a Globo de incoerência. Vários pasquins de esquerda dizem a mesma coisa.

Além disso, vejam o absurdo. No meio da matéria, o Globo insere um vídeo com dados do “Monitor da Violência” para comprovar que no Brasil há presos em excesso, desconhecendo o excesso de bandidos na rua e o fato de que os que estão presos são os únicos bandidos que não agem, diretamente ao menos, contra a sociedade. O disparate não fica aí. Que história é essa de substituir criminalidade por “violência”? Alguém está preso por dar murro na mesa, xingar no trânsito? Isso é atitude violenta, mas crime é outra coisa, é coisa de bandido (palavra que os bandidólatras, do alto de seu humanismo nada inocente, detestam).

No plenário da Câmara dos Deputados, as “saidinhas” foram extintas por ampla maioria de votos (311 a 98). Quem votou contra? As bancadas do PT e do PSOL foram unânimes contra. Apenas um deputado em cada bancada do PDT e PCdoB, e três no PSB divergiram dessa unanimidade da esquerda na votação.

Trata-se de algo tão óbvio, tão esperável, que quase dispensa comentários. No entanto, às vésperas de uma eleição nacional em que esses partidos têm candidatos, vale a pena sublinhar isto: o mesmo eleitor que, com razão, discorda das saidinhas e não quer moleza para bandidos, vota, aos milhões, para presidente da República, num descondenado que entrou para o circuito privilegiado dos políticos que enriqueceram.

Todo mundo sabe como isso aconteceu e como foi solto, mas fazem de conta que não sabem. Pelo que se viu na votação da saidinha, o voto dos criminosos brasileiros não é secreto.

 

  • Percival Puggina
  • 06 Agosto 2022

Percival Puggina

 

Leio na Revista Oeste

(...) É a primeira vez que todos os magistrados da Corte escrevem em uma mesma obra acadêmica. O lançamento acontece na próxima semana.

No livro, chamado Liberdades, Moraes discorre sobre a condição do candidato em período de campanha. O ministro assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no próximo dia 16 de agosto e será o responsável por liderar a Corte na eleição de outubro.

Alguns trechos do artigo de Moraes foram reproduzidos pela Folha de S.Paulo na última quinta-feira 28. No texto, o ministro sugere que deve estar atento à comunicação de candidatos durante a campanha eleitoral, que começa oficialmente em agosto.

 “Liberdade de expressão não é liberdade de agressão! Liberdade de expressão não é liberdade de destruição da democracia, das instituições e da dignidade e honra alheias! Liberdade de expressão não é liberdade de propagação de discursos de ódio e preconceituosos”, argumenta o ministro. (...)

O livro dos ministros do STF faz parte de um projeto do Instituto Justiça e Cidadania. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, assina a apresentação da obra.

*A íntegra da matéria pode ser lida aqui:

https://revistaoeste.com/politica/moraes-sugere-intervencao-contra-discurso-de-candidatos-em-novo-livro/

Comento

Verei emanar da Corte uma expressão coletiva de apreço à Liberdade? E ainda por cima no plural: Liberdades? Todas elas, refulgentes como espada de arcanjo? Espero sinceramente que sim e que tenhamos oportunidade de ler um ato de contrição do Supremo Coletivo.

O que mais ele nos tem brindado são expressões e decisões para calafetar liberdades com o carimbo da defesa do Estado Democrático de Direito. Enfim, ler para crer.

O que mais me desconforta é a informação de que o livro vem referendado  com apresentação do aquiescente presidente da OAB, que de modo tão eloquente chancela com seu silêncio as supremas truculências destes últimos anos.

 

  • Percival Puggina
  • 02 Agosto 2022