A RESPONSABILIDADE DOS GOVERNADORES

Percival Puggina

27/02/2021

 

Percival Puggina

Leio em MoneyTimes (1)

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que o auxílio emergencial deverá ser pago por alguns meses e destacou que o governador que tomar medidas de restrição de atividades é quem deve bancar o benefício, em meio ao aumento número de casos e mortes por Covid-19 no país.

“O auxílio emergencial vem por mais alguns meses e, daqui para frente, o governador que fechar o seu Estado, que destrói o seu Estado, ele que deve bancar o auxílio emergencial”, disse.

“Não pode continuar fazendo política e jogando no colo do presidente da República essa responsabilidade”, emendou ele, em rápido discurso durante solenidade de entrega de unidades habitacionais no Ceará.

  1. - https://www.moneytimes.com.br/bolsonaro-diz-que-governador-que-fechar-estado-deve-bancar-auxilio-emergencial/

COMENTO

É perfeitamente razoável não gostar do modo como o presidente expressa suas posições. Mas não há como discordar da lógica contida na afirmação que fez. O governo federal financiou os déficits de caixa dos estados e municípios (R$ 75 bilhões). Enviou bilionários recursos da União para custear o combate à covid-19, permitindo o reaparelhamento dos sistemas de saúde de todo o país. Suspendeu o pagamento de dívidas para com a União (R$ 35 bilhões). Custeou a atenção às dezenas de milhões de carentes produzidos pela danosa paralisação das atividades produtivas. Respeitando as prudentes e técnicas orientações da Anvisa, disputa no mercado internacional a compra de vacinas aprovadas.

Como consequência de toda a atenção prestada, apenas Rio Grande do Sul e Minas Gerais fecharam no vermelho o ano de 2020. Todos os demais Estados (incluído o Distrito Federal) fecharam no azul, com um superávit total de R$ 82,8 bilhões. E a União? Acumulou um déficit de R$ 745 bilhões, tendo gasto em 2020, R$ 524 bilhões com a covid-19, incluindo auxilio emergencial a pessoas em situação de vulnerabilidade (R$ 293 bilhões).

Ao mesmo tempo, criticado por toda a mídia militante, se vê às voltas, já no início de 2021, com a reiteração das demasias adotadas pelos governadores que geraram a queda do PIB e o desastre econômico e social do ano passado, fazendo com que esta última conta tenda a se agravar.  

Quem achar que deve derrubar a economia do próprio estado, que arque com os ônus decorrentes. A medida deve contar com a simpatia de ninguém. No entanto, a realidade não é simpática. Diante da experiência do ano passado e das notórias dificuldades de caixa da União, cuja receita sofre tanto quanto a dos outros entes federados, parece impossível não ver a razoabilidade da ponderação feita.

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O SOCIALISMO E O CANTO DAS SEREIAS

Percival Puggina

24/02/2021

 

Percival Puggina

Nota do editor do site:

De um texto bem mais longo, produzido pelo filólogo e premiado escritor cubano Ernesto Pérez Chang, publicado em Cubanet, extraio o trecho abaixo. O artigo aborda o tema da prostituição na ilha, seja como fonte de renda de quem não consegue de outro modo prover as próprias necessidades e as necessidades familiares; seja como acusação do governo lançada sobre quem encontra um “marido” ou “esposa” e, com ele ou ela, sai da ilha; seja, ainda, como propaganda insinuada para estimular o turismo...

Diz Ernesto Pérez Chang:

Havana Cuba. - Segundo estimativas do The Havana Consulting Group, em 2019 as remessas para a ilha rondaram os três bilhões de dólares enquanto o embarque de mercadorias [doadas a pessoas físicas] elevou a cifra a cerca de seis bilhões.

Poderíamos acrescentar mais um bom dinheiro a esse montante se considerarmos que mais de 600 mil cubanos que vivem no exterior – 550 mil dos quais residentes nos Estados Unidos – viajaram a Cuba principalmente para visitar parentes ou em férias.

Segundo a mesma fonte, na década de 2008 a 2019, as remessas totais ao país somaram cerca de 30 bilhões de dólares, que, acrescidos aos mais de 27 bilhões recebidos em forma de mercadorias, perfizeram um total de 57 bilhões de dólares, mais de 90 por cento dos quais procedentes dos Estados Unidos.

São cifras espantosas para a prosperidade zero que observamos ao nosso redor, mas, ainda assim, junto com as receitas geradas pela indústria do turismo cubana, não só mostram quais são as bases em que se lastreia a economia nacional, mas também evidenciam que o regime cubano sobreviveu nos últimos anos graças a emigrantes, exilados e estrangeiros que fazem turismo.(...)

Assim, poderíamos continuar a deduzir que uma condição indispensável para a construção do socialismo “à cubana” é a existência de um financiamento forte e constante daquele capitalismo que, no discurso do regime, tem sido o principal obstáculo ao sucesso da “Revolução”. .

O paradoxo de um Partido Comunista "tropical" é tão grande e desavergonhado que, para forjar "novos homens" à imagem e semelhança de Che Guevara, é necessário aumentar constantemente seu exército de remetentes ao exterior e vender a Ilha nas agências de turismo como “paraíso dos prazeres”.(...)

COMENTO

O que mais me impressionava enquanto a mente fervilhava na redação de A tragédia da Utopia era saber que, naquele mesmo momento, em salas de aula brasileiras, professores ensinavam o oposto. Capturavam seus alunos nas armadilhas de suas narrativas, como o canto das sereias da Odisseia atraía os navegantes para naufragarem nos arrecifes do Mar Tirreno.   

Odisseu escapou dessa irresistível tentação amarrando-se ao mastro do navio e tapando com cera os ouvidos de seus marujos. Pergunto,  então: e quando as sereias do Tirreno cantam em sala de aula as maravilhas do socialismo, recortam a história universal para dela extrair apenas o que lhes convém, destroem nos alunos os valores do espírito e dos bens culturais de seu apreço? O mais provável é que décadas de vida sejam prejudicadas enquanto encalhadas nos arrecifes ideológicos para onde foram sedutoramente conduzidos.

Não amarre seus filhos num mastro. A melhor cera para os ouvidos é a verdade, é a boa informação. Foi pensando nisso que escrevi A Tragédia da Utopia.

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UM PAÍS PARADO POR NADA

Percival Puggina

16/02/2021

 

Percival Puggina

 

         Fevereiro, 16. Olho a cidade morta. O silêncio de cemitério só é rompido, vez por outra, pelo motoboy que  passa levando remédio a alguém.

      Não me restam dúvidas. Vivemos, também, uma pandemia da tolice. Sinto vontade de recitar a consigna universal dos grevistas: “Por que, parou? Parou por quê?”. Ninguém responde porque a resposta é a confissão de uma imensa asneira nacional.

         Quem se arriscaria a dizer que paramos porque é carnaval?

         Carnaval? Onde? Como? Quando? Carnaval nesse silêncio de lockdown com tropas nas ruas?

         O Brasil que já parou por muitos motivos fúteis, nunca parou tanto e nunca parou por nada, como hoje.

        Graças ao modo brasileiro de ser, o carnaval é uma festa pagã que, por tanto transbordar a taça das liberdades, pediu vaga no calendário nacional. Posso não gostar, mas admito. No entanto, neste ano não há festa alguma! Elas estão proibidas em virtude da pandemia causada pelo coronavírus.

       Mantido o feriado, as pessoas foram concentrar-se nas praias onde ocorrem festas em tudo avessas às necessárias medidas de distanciamento e proteção. Então, para-se o país para que não aconteça o que acaba acontecendo porque o país parou.

        Não precisa explicar, leitor amigo. Como o macaco Sócrates, eu só queria entender.

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O PREÇO DE NÃO TER BASE PARLAMENTAR

Percival Puggina

14/02/2021

 

Percival Puggina

 

Leio em “O Antagonista” (é, de vez em quando faço isso)

Esquerda tenta reincluir estudos de gênero nos livros didáticos

O senador Alessandro Vieira (Cidadania) se juntou à deputada Tábata Amaral (PDT) e Felipe Rigoni (PSB) para tentar reincluir no programa do livro didático conteúdos ligados a igualdade de gênero, orientação sexual, homofobia e transfobia.

Na sexta (12), o Ministério da Educação publicou edital para seleção do material a ser destinado a alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

Nos critérios, substituiu esses temas por conteúdos que “promovam positivamente a imagem do Brasil e a amizade entre os povos e a promoção de valores cívicos, como respeito, patriotismo, cidadania, solidariedade, responsabilidade, urbanidade, cooperação e honestidade”.

Para os parlamentares de esquerda, o edital “deturpa a Base Nacional Comum Curricular”. Eles apresentaram no Congresso um projeto de decreto legislativo para sustar o edital.

COMENTO

Fico me perguntando: a que tipo de gente interessa incluir essas pautas no ensino fundamental, para serem levadas a crianças, a seus próprios filhos e aos filhos dos outros?

Tais matérias, embora incluídas na BNCC, foram rejeitadas na quase totalidade dos parlamentos do país em que houve alguma iniciativa legislativa para sua inclusão. O Brasil não as quer em salas de aula. Mas insistem e agem assim, aliás, em todo o Ocidente. E em muitos já países conseguiram o que queriam.

Se o governo não tivesse  base parlamentar, o Projeto de Decreto Legislativo apresentado pelos três parlamentares acima poderia ser aprovado. A ansiedade do fraudulento “progressismo” precisa ser contida, cada vez mais intensamente, na democracia e no voto.

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Percival Puggina

 

         Depois de muitos anos criticando as Campanhas da Fraternidade (CFs) por seu fervor ideológico, em 2010 tomei uma decisão: fico com a quaresma sem CF.

         No entanto, o que está anunciado para os 40 dias que iniciam na próxima quarta-feira de cinzas exige uma reflexão. Ela será ecumênica e seu material foi elaborado sob a responsabilidade do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Enquanto a CNBB é controlada pelos bispos ditos “progressistas”, o CONIC exerce militância muito mais ativa. Suas pautas políticas vão além da Teologia da Libertação em que se consome a esquerda católica.

A CF Ecumênica de 2021 vem turbinada, então, pelo diálogo inter-religioso com o CONIC. Entram na agenda temas do “politicamente correto”, as questões identitárias, de gênero, de raça, e do dos “direitos reprodutivos”. Nossas igrejas e o texto base da CF – pasmem! – darão palco à visão de mundo dos ministros do STF, às pautas dos big boss mundiais, tipo George Soros e Mark Zucherberg. São agendas da ONU, da Globo, da Netflix e das grandes fundações financiadoras do aborto.

Para que se cumpra o radiante ecumenismo da CF 2021, é preciso sacrificar os fieis. Na Quaresma deste ano, a Mãe Santíssima de Jesus, a Mater Dolorosa de todas as Quaresmas se não for lembrada por padres piedosos, permanecerá tão oculta quanto está no Texto-Base. E não passa pelas mentes que orientam a CNBB que a crise do catolicismo no Brasil contemporâneo tem muito a ver com suas ações e omissões, paixões políticas e fastios espirituais. Como se não bastasse o laicismo cultural, cresce cada vez mais o laicismo clerical.

 

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Percival Puggina

 

            Depois de tantas “releituras” e “ interpretações conforme” nas quais fizeram o diabo com o texto constitucional, eis que o STF deixa de lado a ferradura e bate no prego. Pode ser uma eventualidade, mas e se for uma tendência?   Não, não se pode pedir onze milagres seguidos ao Senhor.

            No entanto, por 6 votos a 3, o STF formou maioria a favor do direito do presidente  de escolher quem  quiser das  listas tríplices que lhe sejam enviadas por universidades cujos reitores tenham cumpridos seus mandatos. Por quê? Porque é isso o que está escrito na lei de 1995 quanto no decreto de 1996 que a regulamentou.  

            O fato de ser essa lista resultado de uma votação interna, não significa a ocorrência de uma "eleição" cujo resultado precise ser obedecido por imposição da ordem democrática. Se essa fosse a intenção do legislador ele certamente teria dado outra redação ao texto legal e a palavra “escolhidos” (reitor e vice-reitor) não teria o que  fazer nele. Escolher significa optar por  uma ou outra dentre as indicações feitas.

            Os três ministros divergentes – Fachin, Marco Aurélio e Cármen Lúcia – precisam visitar o oculista.

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