• Henrique Martins
  • 24 Favereiro 2018


O Brasil é o país onde um criminoso condenado em duas instâncias pela Justiça a 12 anos de cadeia lidera a corrida presidencial com 35% das intenções de votos.

O Rio de Janeiro é o estado onde crianças foram baleadas dentro do útero da mãe, onde crianças foram baleadas na sala de casa, assistindo TV, onde 688 tiroteios foram registrados em um único mês e, após decretada Intervenção Federal, surgiram milhares de “especialistas em segurança pública” dizendo que a medida é dura demais, é extrema, é ineficaz, etc. Todos esses “especialistas” hibernavam quando esses horrores aconteciam.

O Brasil é o país onde a Ordem dos Advogados, a Defensoria Pública e os Direitos Humanos se preocupam mais em libertar mães presidiárias do que prestar auxílio às mães das vítimas daqueles que estão nas prisões.

O Brasil é o país onde a morte de um pivete gera mais mídia e repercussão do que a morte de 134 policiais em um único ano no Estado do Rio de Janeiro. Aliás, alguém consegue lembrar o nome de um único PM morto?

O Brasil é o país onde 2.000 pessoas saquearam uma carreta carregada com carne que tombou em uma rodovia, antes mesmo que o motorista gravemente ferido fosse socorrido.

O Brasil é o país onde a população acha normal comprar um Iphone por 100 reais, usado e fora da caixa, em barracas de ambulantes, mesmo sabendo que aquele produto só pode ter sido fruto de roubo.

O Brasil é o país onde artistas e cantores fazem passeatas e cara de choro pedindo paz nas favelas, mas por trás das câmeras se fartam do pó fornecido pelo traficante que aterroriza a favela.

O Brasil é o país onde escolas de samba financiadas pelo dinheiro do tráfico, do crime organizado e das milícias, fazem desfiles dando lição de moral contra a corrupção, e os imbecis aplaudem só porque uma delas fantasiou o presidente vestido como vampiro corrupto.

O Brasil é o país onde apenas 8% dos homicídios são solucionados e 92% ficam impunes, mas a grande pauta do Supremo Tribunal Federal é impedir a prisão de condenados em segunda instância, porque, afinal, somos um país onde se pune muito os bandidos. Nada a ver com a tentativa de livrar um ex-presidente da cadeia, imaginem…

O Brasil é o país onde toda semana a mídia martela na sua cabeça que a Polícia é malvada, que as cadeias são muito lotadas, que a Justiça prende demais, que cadeia não é solução, ao mesmo tempo que desempregados são assaltados de madrugada em filas para distribuição de cestas básicas e o crime organizado possui armas de guerra que nem o exército utiliza.

O brasileiro não é vítima da criminalidade, o brasileiro é, também, CÚMPLICE.


• Publicado originalmente em redebrasil.net
 

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  • Wambert Di Lorenzo
  • 23 Favereiro 2018

 

O sofisma de que a intervenção federal no Rio de Janeiro é uma ação de opressão contra as classes mais pobres da cidade só pode ter saído das mesmas pessoas que defendem o desarmamento da população sob a escolta de seguranças armados. Esta classe - que de pobre não tem nada - diz-se a defensora dos oprimidos e não percebe que, na realidade, os que mais sofrem com a criminalidade são os pobres. Estes mesmos que não podem comprar uma arma, porque o Estado não deixa, e não podem contratar seguranças armados. A intervenção federal não resolve o problema da segurança pública como um todo. É um remédio para garantir lei e ordem. Porém, segurança pública é mais que isso.

A segurança pública é o primeiro dever do Estado, que existe para todos, mas deve atender, principalmente, quem dele mais precisa. Razão pela qual precisa tomar medidas que sejam de acordo com a realidade, seja ela normativa ou de exceção.

Misturar pobre com bandido é algo que a esquerda realiza, dando a ilusão de que todo o crime é culpa da desigualdade social, e não uma opção individual. Quem ostenta fuzil, arma de grosso calibre capaz de abater aeronaves, não são pobres, trabalhadores ou vítimas da sociedade, mas combatentes. No caso do Rio de Janeiro, narcoguerrilheiros.

É preciso que seja feita a revisão do código de execução penal de modo que deixemos de tratar policiais como criminosos caso alvejem um meliante durante tiroteio. Neste contexto, é importante lembrar que a primeira e principal função de uma cadeia é a punição, que é a primeira etapa de um processo de ressocialização. Esta ressocialização, contudo, é uma decisão do indivíduo, não do Estado.

Cabe a este dar condições para que cada sujeito possa escolher e trilhar o caminho da ressocialização. Em suma, precisamos de políticas que combatam o crime sem deixar de proteger o cidadão.

* Vereador (PROS) de Porto Alegre
* * Publicado originalmente no Jornal do Comércio
 

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  • Alexandre Garcia
  • 23 Favereiro 2018



Cobri guerra no Líbano em 1982; fui alvo de fuzil AK47, como os cariocas, por um triz escapei da explosão de um carro-bomba que matou 52, andei por terreno minado, vi batalhas se desenvolverem à minha frente, como os cariocas. O estado de guerra, com tropas sírias, israelenses, da ONU, de milícias, de libaneses, em plena guerra fria, durou 25 anos. Mas não havia assaltos, roubos, furtos; todos respeitando os sinais de trânsito, respeitando a propriedade alheia. É a educação de casa. Aqui no Brasil, precisa estar escrito na Constituição que é preciso respeitar as leis - e nem assim. O artigo 144, que trata de segurança pública, estabelece que ela é dever do estado e direito e responsabilidade de todos. Reclamamos do estado que não nos dá segurança, mas temos nós cumprido a nossa responsabilidade, ou enfraquecemos as leis?

Inesquecível o episódio, aqui na capital do país, do advogado que se queixava, na mesa da feirinha do Lago Norte, de que a lei não o protegia, porque fora furtado em dois bujões de gás. Quando vi o BMW dele estacionado embaixo de uma placa de estacionamento proibido, perguntei-lhe: “Como você quer que a lei o proteja, se você enfraquece a lei que jurou cumprir e que garantiu que você comprasse esse carro?” Há 20 anos, uma colega minha mudou-se para Fortaleza. Um mês depois se declarava apavorada ao dirigir por lá. “Não obedecem sinal vermelho, não respeitam faixa de pedestre, estacionam em lugar proibido e até trafegam na contramão”. Previ que não iria acabar bem. Nesta semana lá chegaram reforços da Polícia Federal e da Força Nacional. A média de homicídios no Ceará é 15 por dia.

A sociedade é a força da lei. Ou o enfraquecimento da lei. Mas a lei, mal feita, pode também prejudicar. Pode emascular o direito natural da legítima defesa, pode liberar assaltantes e assassinos por causa da idade, pode significar impunidade e devolver às ruas gente que só pára de cometer crime se estiver apartado da sociedade. O jovem matador de um doutorando da Universidade de Brasília para roubar a bicicleta, já tinha quatro passagens pela polícia - uma das quais por homicídio! A audiência de custódia deixa a polícia com a sensação de enxugar gelo: ladrões e assaltantes presos dez vezes, voltam dez vezes para as ruas, até se tornarem latrocidas. Quando prenderam os primeiros políticos do mensalão, nossos legisladores trataram de suavizar as leis penais para evitar prisão em regime fechado - e beneficiaram a milhares de outros criminosos.

No Rio, no ano passado, foram mortos 134 policiais militares. Não se viu nenhuma manifestação nas ruas, nas praias, na Marquês do Sapucaí protestando contra os assassinos; nenhum enterro cheio, com governador, prefeito, deputados e vereadores e povo irado contra os bandidos. Há especialistas considerando os bandidos “vítimas da sociedade”, quando o óbvio é que suas próprias comunidades são vítimas das quadrilhas de traficantes, subjugados em seus direitos de ir-e-vir, de comprar gás, tv por assinatura; obrigados a fechar portas, a queimar pneus - escravos de seus senhores armados de fuzis. Os financiadores ficam lá embaixo, comprando a droga que compra os fuzis.

 

* Publicado originalmente em http://www.sonoticias.com.br/coluna/quem-pega-o-fuzil

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  • Márcio Coimbra
  • 22 Favereiro 2018


 


O Rio de Janeiro vive em estado de falência completa. Falência das instituições, dos quadros políticos, da sociedade em geral. É um aperitivo do processo de desconstrução pelo qual passa o Brasil. O método vai mais além. Inverte princípios, enaltece o crime e a malandragem, despreza o mérito e subverte valores basilares da constituição de uma sociedade fraterna, virtuosa e vitoriosa. O caminho trilhado há tempos somente tem um resultado, este que estamos vivendo, perplexos e aparvalhados.

O governo, ponto central do desequilíbrio, entrega benesses em troca de apoio para permanecer no poder. Grupos políticos revezam-se no comando das instituições com o intuito de saquear os cofres públicos. Mesmo com royalties do petróleo, Pré-Sal, investimentos internacionais, Olimpíadas e Copa do Mundo, que despejaram caminhões de recursos no Rio, o poder púbico foi incapaz de entregar reformas educacionais, melhorias no sistema de saúde, investir em segurança, modelos de organização urbana ou desburocratizar a máquina governamental para os empreendedores. Nada foi feito além de obras superfaturadas e maquiagens urbanas para ludibriar os olhos dos turistas e dos cariocas. Pão e circo.

Apenas entre 2014 e 2016 o Rio de Janeiro recebeu R$ 235 bilhões em investimentos. Não faltou dinheiro. Faltou competência e honestidade. O volume de recursos desviados pela organização criminosa chefiada pelo ex-Governador Sergio Cabral deixa evidente que o crime se infiltrou no Estado. A política fluminense está apodrecida. A Lava Jato, em seu capítulo carioca, pede o ressarcimento de 2,28 bilhões de reais aos cofres públicos. Até o momento conseguiu recuperar apenas R$ 451,5 milhões. O volume assusta, mas certamente é muito maior, pois somente na Operação Fratura Exposta são investigados desvios de mais de 300 milhões na área da saúde. Enquanto isso, o governo investe R$ 75 milhões no Carnaval e R$ 74 milhões na segurança pública. Um escárnio.

O Rio de Janeiro está entre os dez estados mais violentos no Brasil. Isto nos prova que o problema não se restringe ao seu perímetro. É um fenômeno sistêmico nacional. Se o objetivo é combater o crime organizado, as ações devem superar os limites fluminenses, mas tudo indica que o objetivo é simplesmente combater a desordem e fornecer maior sensação de segurança. Não está sendo atacado o cerne da questão.

Precisamos repensar o modelo de sociedade que desejamos para o Brasil. No desmonte dos valores, na degradação moral, na desconstrução ética. Estas são as bases que faltam atualmente. O brasileiro não é vítima, mas parte do problema. Já chegou o momento de darmos uma resposta, de nos perguntarmos que tipo de sociedade desejamos e trabalharmos para que surja desta reflexão um futuro melhor para nosso país. Do contrário viveremos de intervenção em intervenção, enxugando gelo, reféns de uma sociedade doente e políticos desonestos. A verdadeira intervenção que precisamos é de ordem moral e ética, dentro de valores que construam uma sociedade virtuosa, decente e honesta para nossas futuras gerações.

• Publicado originalmente no Diário do Poder
 

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  • Miguel Lucena
  • 22 Favereiro 2018

Alguém em sã consciência, a pretexto de defender melhorias para servidores, diria que defasagem salarial provoca atos de corrupção? Seria um argumento frágil, embora revestido de boas intenções, que enodoaria o segmento mencionado.

Corrupção existe em todos os setores. Se salários altos evitassem atos desonestos, não teríamos tantos parlamentares e governantes presos e envolvidos em esquemas de malversação de recursos públicos.

Atribuir a corrupção a salários defasados é o mesmo que acusar os trabalhadores brasileiros, em sua maioria ganhando pouco mais de um salário mínimo, de serem ladrões. Como vivem com tão pouco? Será que complementam a renda furtando?

Claro que a satisfação salarial e profissional faz o servidor pensar duas vezes antes de praticar um ato ilícito que prejudique sua carreira para sempre, levando-o à perda do cobiçado cargo. O desonesto, no entanto, por ser de sua índole, um dia cairá em tentação.

Os policiais civis, por exemplo, não são mais ou menos honestos do que eram antes. Estão, sim, desestimulados com a perda da paridade salarial com a Polícia Federal e a falta de efetivo, o que levou o governo a fechar 20 das 31 delegacias do DF à noite, nos finais de semana e feriados.

Quem consultar direito o dicionário vai ver que corrupção jamais poderá ser sinônimo de tristeza e depressão. Na falta de alegria, curemos esse mal com doses de esperança e coragem de mudar.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.
** Publicado no Diário do Poder

 

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  • Gilberto Simões Pires
  • 21 Favereiro 2018

ASPECTO SOCIOLÓGICO


Considerando que o -CRIME- simplesmente tomou conta do nosso pobre Brasil, tudo leva a crer que obteve a credencial para ser guindado a categoria de SETOR. Aliás, é oportuno lembrar que o mundo CIVILIZADO dividiu a sociedade por SETORES, onde:
1- o PRIMEIRO SETOR é representado pelo Estado/Governo;
2- o SEGUNDO SETOR, pelo Mercado; e,
3- o TERCEIRO SETOR, pelas Entidades da Sociedade Civil.
 

 ASPECTO ECONÔMICO

Já sob o aspecto ECONÔMICO, considerando aí, portanto, tudo aquilo que é produzido, assim como os modos de produção e recursos utilizados, os setores de atividades se dividem por três:
1- SETOR PRIMÁRIO - que diz respeito à produção através da exploração de recursos da natureza. É, portanto, o setor que fornece a matéria-prima para a indústria de transformação.
2- SETOR SECUNDÁRIO - que transforma as matérias-primas (produzidas pelo setor primário) em produtos industrializados.
3- SETOR TERCIÁRIO - que diz respeito aos serviços, como comércio, educação, saúde, telecomunicações, serviços de informática, seguros, transporte, serviços de limpeza, serviços de alimentação, turismo, serviços bancários e administrativos, transportes, etc...
 

RÉGUA QUE MEDE O GRAU DE DESEMPENHO
Através do desempenho destes SETORES ECONÔMICOS, como se sabe, é possível medir o GRAU DE DESEMPENHO (positivo ou negativo) de um país ou região, como é o caso, por exemplo, do PIB.
 

SETOR CRIME - QUARTO SETOR!

Pois, no nosso empobrecido Brasil, nos últimos anos, ou mais precisamente desde que o PT chegou ao Poder, em 2002, a atividade que ganhou maior destaque, o que a credencia, repito, para ser levada à categoria de SETOR, é o CRIME, ou QUARTO SETOR!
 

NO BRASIL O CRIME É O SETOR QUE MAIS CRESCE

Atos criminosos de todos os tipos e espécies são comuns em todos os cantos do mundo. Entretanto, com o MENSALÃO, o PETROLÃO e demais formas de ROUBOS E CORRUPÇÃO, que em hipótese alguma encerram a volúpia desses larápios, o SETOR CRIME já desponta como aquele que, sem a menor dúvida, mais cresce no Brasil.
 

VÃO ROUBAR ASSIM LÁ NA CASA....

Como não há espaço suficiente, neste editorial, para expor os casos de safadezas e/ou violências que abundam no Brasil, só o ROMBO na Petrobrás já seria suficiente para a elevação da atividade CRIME à categoria de SETOR.
De uma tacada só, também mais do que sabido, a estatal diminuiu seu patrimônio em 88 bilhões de reais. Algo, gente, como 4% do PIB. Que tal? Vão roubar assim lá na casa do....

Publicado originalmente em pontocritico.com

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