• Neemias Félix
  • 30 Março 2022

Neemias Félix 

 

Minha mãe entendia mais de economia do que os economistas canhotos. E expunha seus conhecimentos práticos por meio de provérbios e figuras bem simples. Alguns exemplos:

"Eu só boto o meu boné onde eu posso apanhar." Isso é que é equilíbrio entre receita e despesa!

Ideias semelhantes eram expressas também por estes aqui: "Quem não tem bunda não senta no morro" e "quem não pode com o pote não carrega rodilha". Não se arriscar na bolsa ou em certos investimentos poderia ser representado por este: "Vale mais um pássaro na mão do que dois voando".

Eleger prioridades poderia ser dito assim: "Farinha pouca, meu pirão primeiro".

Quando as coisas estavam difíceis, e certos alimentos estavam com seus preços nas alturas, ela advertia os filhos: "Carne é luxo, feijão é que enche o bucho". Ou usava esta pérola, à mesa de refeições: "É o que tem pra hoje; é cheirar a carne e comer a comida".

Grande economista a mamãe! Se os governantes a tivessem ouvido, o Brasil não estaria nessa situação.

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  • Adriano Marreiros
  • 29 Março 2022

Adriano Marreiros

 

Foi uma revolução: com um suingue único, com um ritmo eletrizante, uma batida contagiante: Nossa!  Como adoro Funk...

Surgiu na música negra e veio da pobreza, daqueles que não tiveram muitas oportunidades.  Mas nada os deteve!  Criaram um ritmo que anima tremendamente os bailes, que influencia os melhores artistas de outros gêneros, que ganhou espaço no mundo inteiro: mais que um patrimônio local, um patrimônio da humanidade com aquela batida ímpar que altera as batidas dos nossos corações.  Temos que sempre lhe prestar reverência!

E queria falar da minha admiração por Anita.  Nascida em um lugar simples, tornou-se uma guerreira, uma mulher forte, corajosa, surpreendeu a todos, superou dificuldades e se tornou um exemplo a ser seguido.  Foi justamente em alguns dos anos mais difíceis para todos que ela mais cresceu, destacando-se, não só como uma mulher de luta, no Brasil, mas indo além, conseguindo merecido reconhecimento internacional!

Quero, então, fazer minha homenagem pública, pedindo vivas entusiásticos a  essa música inovadora e vibrante e a essa mulher sensacional.  Ambos merecem o nosso respeito profundo. 

Viva o verdadeiro e único Funk: o americano, de James Brown, Curtis Mayfield, Earth, Wind and Fire e tantos outros, até no Brasil, como Tim Maia, Cassiano, Brylho...  Som que influenciou a discoteca, o pop, o rock, inclusive o progressivo, e até os Rolling Stones[1] e, pasmem, o mítico e pesado Led Zeppelin[2]

Viva a extraordinária Anita... Garibaldi, mulher destemida, que lutou pelas Liberdades no Brasil e na Itália e que, junto com seu amado Giuseppe, são os Heróis de Dois Mundos!!!

Viva o Funk!  Viva Anita!

 

 

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  • Adriano Marreiros
  • 26 Março 2022

Adriano Marreiros

 

O homem que se vende, recebe sempre mais do que vale...

Barão de Itararé

 

Quem não assistiu ao Coração Valente?[1] Quem não teve sua nobreza, sua indignação e sua coragem renovadas pelo filme por, ao menos, alguns minutos?  Acho que até os que nunca as tiveram sentiram sua falta naquele momento ou até se enganaram, por instantes, achando que tinham.

Quantas cenas fabulosas podemos citar do filme... quantas... Mas tem uma que nunca me saiu da memória:  a hora em que William Wallace envia o sinal para as tropas de dois nobres e estes as retiram do local em vez de apoiá-lo.  Os homens de Wallace são massacrados...  É aí que o Rei da Inglaterra comenta que um deles se vendera por terras e títulos e que o outro fora ainda mais barato...

Terras e títulos... Isso nunca me saiu da cabeça.  Cada vez que vejo alguém mudar seus princípios, tornando séria a piada[2] do Groucho Marx; cada vez que vejo alguém passar a defender coisas que jamais aceitou, cada vez que vejo alguém apoiar os indignos apenas para lucrar politicamente, apenas para ganhar títulos pomposos, apenas para ocupar cargos como um fim em si mesmos: lembro das terras e títulos...

E por vezes é ainda mais barato, como o segundo nobre... É por bem pouco mesmo, por convites pra festinhas, por um titulozinho de aspone, ou pra não contrariar um grupo ou até só pra fazer média com quem não merece: e às vezes por mero medo da crítica, oh, coração covarde!

Lembro do olhar do Mel Gibson naquela cena... Eu o veria constantemente no espelho se tivesse um à mão a cada vez que vejo quem eu achava nobre trocar de lado, se omitir, trair pessoas, esquecer princípios, apoiar o mal ou lutar contra a própria Liberdade por terras, títulos e por muito menos.  E o mais triste é saber que não mudaram: apenas se revelaram...

E o “muito menos” é o mais comum, pois terras e títulos de verdade, potestades, dominações e principados das trevas guardam apenas para si enquanto usam os vendidos como peões em um xadrez infesto onde estes serão as únicas peças sacrificadas pelo jogador: ou você acredita mesmo que pra vender a alma precisa assinar um contrato com sangue na presença do Maligno?

“Lutem, e pode ser que morram. Corram, e vocês vão viver. Pelo menos por um tempo. E morrendo em suas camas, daqui a muitos anos, vocês vão querer trocar todos esses dias que tiveram por uma chance, só uma chance, de voltar aqui e dizer aos seus inimigos que eles podem tirar nossas vidas, mas não podem tirar nossa liberdade”. William Wallace, no filme Coração Valente

 P.S. Compre o livro de crônicas aqui: < https://editoraarmada.com.br/produto/2020-d-c-esquerdistas-culposos-e-outras-assombracoes-colecao-tribuna-diaria-vol-iii/ >

 Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico) 

*       Adriano Alves-Marreiros (Que vem se decepcionando a cada dia...) é cronista, Mestre em Direito e membro do MCI e MP Pró Sociedade. Autor dos libros “2020 D.C. Esquerdistas Culposos e outras Assombrações” e “Hierarquia e Disciplinas são Garantias Constitucionais”.

**       Publicado originalmente no excelente portal Tribuna Diária - https://www.tribunadiaria.com.br/

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 26 Março 2022

Gilberto Simões Pires

 

ESCREVER UMA BOA CARTA

Se a nossa Constituição, com total razão, desde o momento em que foi promulgada, em 1988, tem sido alvo de inúmeras críticas pelo fato de reunir um imenso conjunto de malefícios ou de coisas que provocam consequências negativas para o sofrido povo brasileiro, mais críticas ainda passou a receber depois que o STF resolveu interpretá-la ao seu modo e/ou interesse (ideológico). Diante desta situação -crítica- a felicidade geral da Nação depende de uma BOA E EFETIVA CARTA, do tipo que faça valer os reais e corretos anseios da população.

SALVAÇÃO DO BRASIL COMEÇA POR UMA NOVA CARTA

Sobre este importante tema, o qual dediquei vários editoriais, vejo que a cada dia que passa mais cresce o convencimento de que a SALVAÇÃO DO BRASIL COMEÇA POR UMA NOVA CARTA. A propósito, nesta semana a jornalista Madeleine Lacsko, da Gazeta do Povo, relatou o debate que mediou sobre a necessidade de uma nova Constituição com a participação do ministro aposentado do STF, Francisco Rezek, do professor emérito da Universidade Mackenzie, Ives Gandra Martins, do diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, Ignacio Berdugo, do professor de economia da Universidade de Iowa, Luciano Castro e da professora do CEU Law School, Beyla Fellous.

PONTO DE PARTIDA

O encontro foi o PONTO DE PARTIDA para que se inicie um debate acadêmico sobre o tema. Segundo o professor Ives Gandra Martins, a solução para mudanças mais imediatas seria fazer REFORMAS CONSTITUCIONAIS, principalmente a ADMINISTRATIVA. Chamar uma Assembleia Nacional Constituinte seria uma temeridade, dada a qualidade de políticos a quem damos poder hoje em dia. Esse é o temor de muitos, inclusive o meu, afirmou Ives.

Para funcionar, uma Constituição precisa necessariamente refletir os VALORES DO POVO. E a estrutura técnica tem de ser pensada para fazer com que esses princípios sejam realmente colocados em prática, não fiquem apenas no papel. Há países que elegem comissões de notáveis para elaborar regras. Outros simplesmente escolhem especialistas. Todos fazem CONSULTAS POPULARES.

PLEBISCITO

A Assembleia Nacional Constituinte do Brasil teve 559 parlamentares. É um modelo semelhante ao do Benin, pátria originária do acarajé. Já o Quênia escolheu um comitê de 9 especialistas. Na Espanha, um comitê parlamentar de 7 pessoas escreveu a Constituição. A Tunísia elegeu mais de 200 pessoas para fazer uma Constituição. A grande questão é como unir a sociedade em torno do projeto. Vejam que o máximo que aconteceu no Brasil foi o plebiscito de armas e também para escolher entre monarquia, presidencialismo e parlamentarismo. Na África do Sul, por exemplo, foram feitas mais de 1000 consultas públicas.

PROPOSTAS CONCRETAS

Uma proposta, que foi bem observada pelo ministro Francisco Rezek, é a ESTRUTURAL. As pessoas reclamam muito de IMPUNIDADE, INFINITOS RECURSOS PENAIS, CONTROLE DO SISTEMA POLÍTICO por caciques de partido e assuntos assemelhados. Vira e mexe aparece um abençoado com uma ideia de lei nova ou julgamento do STF para resolver o problema. Daí a gente embarca porque ENQUANTO HOUVER OTÁRIO, MALANDRO NÃO MORRE DE FOME. Um dos principais problemas que nós temos está no artigo mais conhecido da Constituição, o Art. 5º, que estabelece um longuíssimo rol de DIREITOS FUNDAMENTAIS DO CIDADÃO. A crítica que a gente sempre ouve é a de ser MUITO DIREITO E POUCO DEVER. E nisso há razão, até a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem deveres.

ARTIGO NA ÍNTEGRA

Recomendo a leitura do artigo da Madeleine Laksco, cujo link aí está :http:// https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/madeleine-lacsko/precisamos-de-uma-nova-constituicao-ou-da-para-remendar-essa/. Vale pena para que o amadurecimento aconteça com maior rapidez. 

*Publicado originaçmente em https://pontocritico.com/artigo/cortar-o-mal-pela-raiz!

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  • Stephen Kanitz
  • 24 Março 2022

Stephen Kanitz

 

O vestibular unificado está destruindo o nosso ensino médio e a habilidade de pensar por si.

Escolas privadas e pais preocupados com seus filhos passarem no vestibular, acabam dirigindo o ensino médio exclusivamente para as matérias do vestibular.

São testes de múltipla escolha e todos os alunos acham que isso é educação.

A vida não lhes oferece múltiplas escolhas e basta vocês escolherem a melhor.

Essa é uma visão equivocada da vida que nossos filhos acreditam.

Ou são obrigados a escrever uma redação onde precisam propor uma solução para o Brasil.

O SAT americano nada tem a ver com as matérias do ensino médio, ele mede raciocínio verbal e raciocínio quantitativo.

Testes de QI, que medem sua capacidade de raciocinar, preveem 50% do seu sucesso na vida, o resto é esforço e atitude.

O SAT é um teste de QI e não de matérias do ensino médio, não há como se “preparar” para um SAT.

Por isso os Estados Unidos não desperdiçam fortunas com cursinhos, onde professores show entretêm a galera com piadas de tempos em tempos.

Na China é semelhante. Lá o sistema permite você escolher uma matéria em especial, aquela da sua profissão, e também divide entre raciocínio verbal e quantitativo.

Prestei o vestibular para a Universidade de Londres e meu assunto escolhido foi Economia, que uso até hoje.

Hoje em dia quase 90% dos vestibulandos entram, e a verdadeira seleção se faz no primeiro ano da Faculdade.

Isso é feito também na Argentina, todos entram, mas onde metade desiste por perceber que escolheu a profissão errada, e os menos qualificados são eliminados.

Se as empresas selecionassem seus funcionários como nós escolhemos nossos alunos, estariam todas quebradas.

Achamos absurdo escolher qualquer pessoa sem avaliar seu QI emocional, sem uma entrevista pessoal, sem uma dinâmica de grupo para verificar liderança, por exemplo.

Aí reclamam que não temos líderes no Brasil.

*     Publicado originalmente no blog do autor, em https://blog.kanitz.com.br/acabar-vestibular/

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  • Olavo de Carvalho
  • 23 Março 2022

Olavo de Carvalho

 

Clicando no Google a palavra “Educação” seguida da expressão “direito de todos”, encontrei 671 mil referências. Só de artigos acadêmicos a respeito, 5.120. “Educação inclusiva” dá 262 mil respostas. Experimente clicar agora “Educar-se é dever de cada um”: nenhum resultado. “Educar-se é dever de todos”: nenhum resultado. “Educar-se é dever do cidadão”: nenhum resultado.

Isso basta para explicar por que os estudantes brasileiros tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais. A idéia de que educar-se seja um dever jamais parece ter ocorrido às mentes iluminadas que orientam (ou desorientam) a formação (ou deformação) das mentes das nossas crianças.

Eis também a razão pela qual, quando meus filhos me perguntavam por que tinham de ir para a escola, eu só conseguia lhes responder que se não fizessem isso eu iria para a cadeia; que, portanto, deveriam submeter-se àquele ritual absurdo por amor ao seu velho pai. Jamais consegui encontrar outra justificativa. Também lhes recomendei que só se esforçassem o bastante para tirar as notas mínimas, sem perder mais tempo com aquela bobagem. Se quisessem adquirir cultura, que estudassem em casa, sob a minha orientação. Tenho oito filhos. Nenhum deles é inculto. Mas o mais erudito de todos, não por coincidência, é aquele que freqüentou escola por menos tempo.

A idéia de que a educação é um direito é uma das mais esquisitas que já passaram pela mente humana. É só a repetição obsessiva que lhe dá alguma credibilidade. Que é um direito, afinal? É uma obrigação que alguém tem para com você. Amputado da obrigação que impõe a um terceiro, o direito não tem substância nenhuma. É como dizer que as crianças têm direito à alimentação sem que ninguém tenha a obrigação de alimentá-las. A palavra “direito” é apenas um modo eufemístico de designar a obrigação dos outros.

Os outros, no caso, são as pessoas e instituições nominalmente incumbidas de “dar” educação aos brasileiros: professores, pedagogos, ministros, intelectuais e uma multidão de burocratas. Quando essas criaturas dizem que você tem direito à educação, estão apenas enunciando uma obrigação que incumbe a elas próprias. Por que, então, fazem disso uma campanha publicitária? Por que publicam anúncios que logicamente só devem ser lidos por elas mesmas? Será que até para se convencer das suas próprias obrigações elas têm de gastar dinheiro do governo? Ou são tão preguiçosas que precisam incitar a população para que as pressione a cumprir seu dever? Cada tostão gasto em campanhas desse tipo é um absurdo e um crime.

Mais ainda, a experiência universal dos educadores genuínos prova que o sujeito ativo do processo educacional é o estudante, não o professor, o diretor da escola ou toda a burocracia estatal reunida. Ninguém pode “dar” educação a ninguém. Educação é uma conquista pessoal, e só se obtém quando o impulso para ela é sincero, vem do fundo da alma e não de uma obrigação imposta de fora. Ninguém se educa contra a sua própria vontade, no mínimo porque estudar requer concentração, e pressão de fora é o contrário da concentração. O máximo que um estudante pode receber de fora são os meios e a oportunidade de educar-se. Mas isso não servirá para nada se ele não estiver motivado a buscar conhecimento. Gritar no ouvido dele que a educação é um direito seu só o impele a cobrar tudo dos outros – do Estado, da sociedade – e nada de si mesmo.

Se há uma coisa óbvia na cultura brasileira, é o desprezo pelo conhecimento e a concomitante veneração pelos títulos e diplomas que dão acesso aos bons empregos. Isso é uma constante que vem do tempo do Império e já foi abundantemente documentada na nossa literatura. Nessas condições, campanhas publicitárias que enfatizem a educação como um direito a ser cobrado e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas. Elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma.

*       Publicado originalmente no Diário do Comércio, 27 de janeiro de 2009

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